eu e o gabriel

O meu tempo com a Isabelle foi o melhor da minha vida inteira, mas não me pergunte o porquê, pois assim como o amor, eu não vou saber explicar. Nós fazíamos muitas coisas juntos e nos víamos praticamente todos os dias (e eu amava isso, talvez seja o motivo da dor ser maior e o esquecimento ser impossível). Eu escrevia bastantes textos, frases e tudo era sobre nós dois, mas principalmente sobre o que eu tinha dentro de mim (que era totalmente dela). Ela me transformou em uma pessoa melhor e fez de mim alguém mais perto de homem do que de menino. Eu evolui, e cuidei do que eu tinha. Quando a gente terminou, eu senti o meu coração se partindo pedaço por pedaço. Mas eu a deixei ir, e quis que ela fosse. Abri mão de tudo o que eu tinha e de quem eu mais queria na vida, para que ela se encontrasse de novo, já que estávamos perdidos um no outro. E então prometi a mim mesmo que não queria mais ninguém, não por muito tempo. Repeti inúmeras vezes que ia me tornar frio e sem sentimentalismo, queria ser forte e aguentar a barra (pesada demais) sem que ninguém percebesse, mas de vez em quando alguém pergunta sobre ela, ou eu sinto um perfume na rua, ou qualquer coisa que me lembre, e então percebo que ainda dói, e que talvez nunca pare de doer, mas sei que talvez apareçam dores piores para lidar. Eu me aproximei de outras pessoas e tive casos (eu sei, não se supera alguém se envolvendo com várias outras), e me senti a pessoa mais nojenta, porque estava usando alguém como se não fosse nada. Fiz com que muitas quisessem mais do que só um beijo e depois caí fora. Não importava como, eu só queria esquecer que agora a Isabelle que antes era minha, é de outro. Eu quis ser frio, e fui. Mas no começo eu não sabia mais escrever, porque tudo o que eu escrevia era amor e isso eu não tinha mais. E em algum momento eu pensei que se ser frio significa esquecer quem eu sou ou tudo o que sei fazer, eu não queria. Eu só queria ser eu de novo. O velho Gabriel, com o coração limpo e nenhum drama amoroso. Mas não adianta querer, porque não há como voltar atrás (e acho que, mesmo se desse, eu não voltaria). Ultimamente eu voltei a escrever. Não é grandes coisas, mas dá para me perder um pouco. Só que ainda não sinto nada, por ninguém.
—  O que aconteceu? (Um Gabriel diferente.)
Hoje eu acordei pela manhã e o meu primeiro pensamento foi em ti, pensei se um dias ficaríamos juntos, eu sei, muitas coisas nos impede de ser um casal, e de ter o nosso final feliz, mas será que não vale a pena insistir? Será que não vale a pena arriscar pelo nosso amor? Eu te quero comigo como jamais quis alguém em toda a minha vida, e se tu me queres também, vamos lutar por esse amor, vamos lutar contra qualquer um que tente nos impedir, vamos lutar pela nossa felicidade, porque ao teu lado é o meu lugar, e eu sei que o teu lugar, é ao meu lado…
—  Caio Gabriel.
Essa coisa de fingir que é forte não é tão fácil como parece. Acumulei tanta decepção, raiva, angústia. Estou perdida no furacão de sentimentos que eu mesma criei. Preciso me encontrar, antes que eu vá mais longe e não consiga achar o caminho de volta.
—  Lorena Gabrielle.
One Shot Harry Styles (Everything Has Changed)

(S/n) POV

Encaro o relógio que já marca nove da noite e desvio o olhar para a porta, esperando ansiosa para que Harry entre por aquela porta. Ele não voltou desde a briga que tivemos na hora do almoço. As crianças correm sem parar com os desenhos que fizeram na escola para o pai.

- Mamãe, o papai não vai voltar? Eu quero jantar.- Gabriel puxa meu short, chamando a minha atenção. Me abaixo na sua altura e seguro sua mãozinha.

- Eu não sei, meu amor.- respondo sincera.- Eu vou arrumar o seu prato, ta bem? Vocês precisam dormir cedo para a escola amanhã.

- Tá bem.- ele faz biquinho e vai para a sala de jantar, se sentando na mesa com Darcy. Ponho os pratos dos pequenos na mesa e assim que vou me sentar também, ouço o som do motor do carro de Harry. Vejo-o entrar rapidamente em casa e com ele o cheiro sufocante do cigarro que ele tem na boca.- Papai, esse cheiro é ruim.- Gabriel reclama e Harry dá de ombros.

- Não iam me esperar para jantar?- ele se senta no sofá e me encara feio.

- Você estava demorando e as crianças precisam dormir cedo por causa da escola.- respondo.- Será que você pode jogar esse cigarro fora? O cheiro está sufocante.- peço, tossindo.

- Não. Eu não ganhei esse maço de graça então vou fumar até o último pedacinho.- ele se levantar e para atrás de mim, dando um trago e soltando a fumaça em meu rosto. Pressiono os olhos e seguro a respiração sentindo meus olhos marejarem.

- Crianças, subam e jantem no quarto de vocês. Depois eu pego os pratos.- Gabriel assente e sobe segurando o pratinho. Darcy vai até a mesa de centro da sala, pega o desenho e corre até Harry.

- Pra você, papai.- ela entrega o papel para o pai, abraça rapidamente suas pernas e sobe atrás do irmão.

- Por quê você faz isso? Você tem uma esposa e filhos que te amam. Você está se matando fumando e bebendo desse jeito, Harry.- digo com a voz embargada.

- Eu estou cansado, (s/n). Cansado. As coisas na empresa estão horríveis, tudo está horrível. Eu estou terrivelmente estressado. Preciso de um descanso, preciso de silêncio e paz, longe de tudo e todos.- engulo em seco e respiro fundo.

- Incluindo seus filhos e eu?- cruzo os braços e o encaro magoada.

- Não foi isso que eu quis dizer. Não ponha palavras na minha boca.- ele diz alterando o tom de sua voz.

- Mas é isso que você demonstra todos os dias. Você voltou á beber, está fumando, nunca tem tempo para os seus filhos, nunca tem tempo para mim, para nós, Harry. No começo tudo era tão lindo, tão bom. Todos os dias você se declarava para mim e dizia o tempo inteiro o quanto estava feliz. Agora você sequer me dá um beijo e há semanas não diz que me ama. Tem ideia do quanto isso dói?- enxugo as lágrimas e suspiro.

- (s/n), eu..

- Não precisa dizer nada, Harry. Vou colocar as crianças para dormir e vou me deitar também. Tenha uma boa noite.- subo as escada o deixando ali parado. Entro no quarto e encontro Darcy e Gabriel deitadinhos em suas respectivas camas já dormindo. Cubro-os e pego os pratos na mesinha de desenho. Volto na cozinha e já não encontro mais Harry lá. Deixo os pratos na pia e subo outra vez. Entro no quarto e escuto o barulho do chuveiro. Entro no banheiro ignorando sua presença, pego minha escova de dentes e saio depois de pegar meu babydoll no closet. Vou para o quarto de hóspedes e fecho a porta. Tiro a minha roupa e entro no banho quente. No instante seguinte as lágrimas escorrem pelo meu rosto junto com a água quente do chuveiro. Encosto meu corpo na parede e me permito chorar tudo que precisava chorar. Meus soluços eram altos e eu não me importava se Harry escutaria. Tomo um banho longo e relaxante e saio do box enrolada na toalha. Seco todo meu corpo e passo hidratante nos meus braços, barriga e perna. Me visto e vou para o quarto. Deito na cama e me encolho debaixo do edredom depois dr apagar a luz do abajur. As lágrimas ainda escorriam e eu sentia uma dor forte em meu peito, a saudade de sentir os braços de Harry envolvendo meu corpo na hora de dormir.

Harry POV

Abro um pouco da porta e fico observando-a de longe. (S/n) está de costas para mim mas eu consigo perceber nitidamente que ela está chorando. Fecho a porta silenciosamente e volto para o nosso quarto. Fico andando de um lado para o outro pensando no quanto fui um babaca com ela e as crianças. Desço para a cozinha e lavo a pequena louça na pia, guardando as panelas que ficaram no fogão na geladeira. Vou para a sala e guardo todo o material de pintar das crianças, arrumo o sofá, limpo a mesa suja de pontas de lápis e apago as luzes. Subo para o nosso quarto e fico pensando o que posso fazer para compensá-la das merdas que fiz. Quando dou por mim já está amanhecendo. Pego o caderno ao lado da cama e começo á escrever uma carta para (S/n). Depois que acabo, espero o relógio marcar sete da manhã e vou até o quarto das crianças. Sento no chão entre as camas dos pequenos, estico os braços e começo á fazer cócegas nos dois que acordam rindo.

- Papai!- os dois pulam em meu colo e eu os  abraço o mais forte que consigo.

- Oi, meus amores.- dou um beijo na bochecha de cada um.- Animados para a escola?

- O senhor vai levar a gente?- Gabriel me encara com os olhinhos brilhando.

- Vou sim e sabe do que mais?- eles negam juntos- Nós vamos tomar café da manhã no Starbucks.- sussurro como se estivesse contanto um segredo.

- Oba!- novamente os dois pulam em meu pescoço.

- Falem baixo, é tudo uma surpresa para a mamãe.- os dois assentem sorridentes.- Eu vou me trocar. São capazes de fazer o mesmo sozinhos?- finjo seriedade.

- Claro, papai.  Somos grandes. Já temos quatro anos, sabemos nos virar sozinhos.- Darcy passa o cabelinho para trás da orelha exatamente como a mãe. Sorrio encantado e aperto sua bochecha.

- Então tá bom, adultos. Eu já volto. Estejam prontos e escovados de dente.- me levanto do chão. Gabriel corre para o banheiro do corredor e Darcy para o do quarto e eu volto para o meu. Tomo um banho rápido e relaxante. Saio, me seco apressado e me visto. Faço um topete bagunçado no meu cabelo, passo um perfume e estou pronto. Entro no quarto de hóspedes que (S/n) dormiu e fecho as cortinas. Deixo a quarta que fiz ao lado de seu celular na mesa de cabeceira e saio quieto do quarto.

- Tô pronto, pai.- Gabriel sai do quarto aprontado e Darcy também.

- Vocês estão terrivelmente lindos.- digo e me abaixo para pegá-los no colo.- Já decidiram o que vão pedir?

(S/n) POV

Acordo notando o quarto escuro. Pisco os olhos várias vezes, não me lembrando de ter fechado a cortina. Dou um pulo ao me lembrar das crianças. Vou correndo até o quarto dos dois e encontro tudo arrumado, vou no meu quarto e de Harry e encontro a mesma situação. Volto para o quarto confusa e ao sentar outra vez na cama, encontro um papel dobrado ao lado do meu celular. Desdobro-o e reconheço imediatamente a letra de Harry.

“Bom dia, meu amor.
Quero te pedir perdão pelo modo que agi ontem, eu fui um completo babaca mas já estou agindo para compensá-la por tudo. Vou tomar café com as crianças no Starbucks e depois as levarei para a escola. A cozinha e a sala já estão arrumadas. Te deixei dormir até mais tarde pois sabia do quanto precisava disso. Não tenho hora para chegar, vou fazer a compra do mês no seu lugar. O dia hoje é inteiramente seu. Louis vai ficar com as crianças, Freddie adorou a ideia. Hoje a noite será apenas nossa. A farei se sentir amada e desejada como não faço há um tempo. Esteja pronta quando eu chegar. Eu amo você, (S/n).
Com amor,
seu Harry.”

Você que pode ter o seu amor por perto, aproveita, vai lá agora, liga pra ele, manda mensagem, diz o quanto você o ama e o quanto é sortudo por ter ele, marca de se ver, por favor, abrace-o, bem forte mesmo, como se nada mais importasse, planeje como se pudesse ver o futuro, queira realizar como se fosse a última coisa da sua vida. Porque é horrível não ter quem você ama por perto, é uma dor insuportável, que só pelo amor, se torna suportável. Dói muito não poder dar um abraço no seu amor pelo fato da distancia separarem vocês dois. Todos os dias, eu imagino como seria uma vida ao seu lado, como seria se estivesse aqui, agora, comigo. Se não fosse preciso explicar o amor com palavras e sufocar a dor da saudade a todo momento, reprimir o ciúmes, lidar com as mágoas e conviver com os obstáculos. Se não fosse preciso estar longe e se a máxima distância entre você e eu não existisse porque eu te abraçaria tão apertado, para sentir bem a sua pele junto a minha, ficar com o seu cheiro. Não aguento mais ficar longe. Me impressiono como uma pessoa que eu nunca vi pode se tornar tão importante, você está em tudo, tudo, penso em você 24 horas por dia, a todo minuto, a todo segundo, penso a cada dia do mês, a cada segundo do ano, penso no seu amor a todo instante, sinto uma saudade absurda e inexplicável. É, só um conselho, sério, se você tem seu amor perto de você, não desperdiça tempo, certeza que muitas pessoas não tem essa sorte que você tem, eu sou uma delas.
—  1:00 e o pensamento é sempre o mesmo, Gabriel Souzza.

anonymous asked:

Você se importa de contar o que aconteceu?

Foi na época do fake ainda, em 2010. Eu conheci o Gabriel e ficamos amigos meio que “instantaneamente”, ele era um amor comigo sempre. Sempre que eu chegava do colégio, ia correndo pra internet pra conversar com ele. Só que eu acabei reparando que ele não frequentava escola e nem trabalhava e sempre que eu perguntava o porquê, ele mudava de assunto na mesma hora. Depois de uns 6 meses, ele me pediu em namoro e eu fiquei completamente sem ação, eu gostava dele sabe? Muito mesmo… A melhor coisa do mundo é se apaixonar pelo teu melhor amigo e saber que ele também tá apaixonado por você. Eu aceitei o pedido, claro. No fim do ano, lá pra dezembro se bem me lembro, eu fiquei doente e faltei a escola durante 1 semana e pelo costume que eu tinha de acordar cedo pra escola, umas 8 horas da manhã eu entrava no MSN e ele já estava online, aí eu resolvi perguntar mais uma vez como ele tinha tempo pra ficar no computador o dia inteiro… Sem dever de casa, sem trabalho, nada. Às vezes ele dizia “tenho que sair com meu pai” e voltava umas 2 horas depois mas ele só tinha 15 anos e eu achava super estranho ele não frequentar a escola. E naquele dia ele resolveu me contar tudo, o Gabriel tinha câncer gástrico e o pai dele resolveu que ele não precisava frequentar a escola se não quisesse. Ele me disse que tinha medo de me contar porque eu podia começar a tratar ele diferente sabe? Mas continuou tudo normal até uns dias antes do meu aniversário e foi quando ele desapareceu. Passou uns 15 dias e eu resolvi procurar a amiga que morava perto dele (e que me odiava) o que tinha acontecido com ele. Ela me contou que ia vir falar comigo mas não sabia como, todo aquele texto meio “como preparar alguém pra um choque”. O Gabriel faleceu três dias depois do meu aniversário e levou um pedaço enorme de mim… Às vezes é ruim contar essa história pros outros, sabe? Queria contar “conheci um garoto no fake e estamos juntos até hoje” mas eu não tive tanta sorte assim. Por outro lado é bom, aprendi muita coisa com o Gabriel e agradeço a Deus pela chance de ter conhecido ele mesmo que por um período curtinho de tempo, ele mudou minha vida.

Músicas 🎵 💘

O avião foi feito pro ar, o navio feito pro mar, e eu fui feito pra você. (Gabriel Diniz)

Tantos sorrisos por aí, você querendo o meu. Tantos olhares me olhando e eu querendo o seu. (Matheus e Kauan)

Se o nosso amor se acabar, eu de você não quero nada. (Simone e Simaria)

Pode passar um, dois, três, dez anos ou mais. Do seu coração eu sou dono. (Gabriel Diniz)

Falando em saudade, de novo acordei pensando em você. (Marilia Mendonça)

Ouvi falar que você tá de namorado novo, mas é só passatempo, pra não ficar sozinha, porque seu coração bate por outro cara que sou eu… (Aviões do forró)

Deus tem um plano pra mim bem maior que eu sonhei. (NX ZERO)

Toda vez que ouço sua voz sinto o gosto do seu beijo. (Onze20)


Não precisa mudar, vou me adaptar ao seu jeito, seus costumes, seus defeitos, seus ciúmes, suas caras. Pra que mudá-las? (Saulo)

Deus tem um plano pra mim bem maior que eu sonhei. (NX ZERO)

Pra você guardei o amor que sempre quis mostrar… (Nando Reis)

Como eu pude um dia me apaixonar por você? Como eu pude me envolver com alguém assim. (Jeito Moleque)

Faz tempo que a gente vive junto, mas tá separado! (Henrique e Juliano)

Hoje só tua presença vai me deixar feliz… (Jota Quest)

Vim para contar a história do meu primeiro amor que na verdade é uma história sobre desencontros ou destino (cada um acredita no que quer).
Nos conhecemos na aula de catequese de uma antiga amiga, ele me zoou por causa das minhas cicatrizes e eu corri atrás dele pra tentar dar um soco, coisa de criança bruta. Na segunda feira seguinte eu ia começar a frequentar uma escola nova, ao entrar na perua a moça me disse a onde eu deveria sentar e quando vi a mesma criatura que tinha me perturbado estava lá, fui sentenciada a me sentar com ele até que cansaram de separar nossas brigas e me trocaram de lugar.
Estudamos juntos por três anos e nesse tempo viramos amigos, sempre saíamos junto com mais uma amiga pra brincar/brigar, crescemos juntos.
Todo mundo falava que ele gostava de mim e que eu devia ficar com ele mas eu era uma criança, na minha cabeça ainda era muito cedo pra isso e além do mais ele me zoava tanto sendo tão maldoso as vezes que era difícil acreditar que ele mantinha algum bom sentimento. Mesmo assim decidi tentar e por inúmeras vezes desisti em cima da hora com ele já na minha frente. Tentamos até não dar mais pois ele se mudou para Porto Velho que fica do outro lado do país, não me recordo muito bem da despedida na verdade nem sei se chegamos a nos despedir mas sei que fiquei com raiva, ele tinha me abandonado no meio de tanta gente má que em um pouco fizeram da minha vida um inferno, como consequência me fechei para o mundo, me tornei grossa e também extremamente sentimental.
Três anos após ele partir nós voltamos a nos falar, finalmente tinham colocado uma internet boa em casa, conversávamos por horas no msn, ele se desculpou por tudo que aconteceu comigo e nos tornamos amigos até que um tempo depois ele me pediu em namoro, lembro que soei frio e abri um sorriso no rosto e meio que sem pensar eu aceitei , depois de um tempo acabei me arrependendo porque vi que não teria futuro e ele compreendeu quando resolvi dizer que havia mudado de opinião, graças a um projeto de sociologia nós trocamos cartas, por meio delas soube que ele calculava cada palavra pois falar comigo o deixava nervoso e ele não queria parecer idiota.
O Gabriel foi tão sincero naquilo e eu estava tão frágil que neguei todo o carinho e afeto que ele podia me dar e rasguei a carta e o deletei de tudo, sumindo de vez da vida dele.
No fim do ano ele veio pra minha cidade e tentou me ver mas eu não estava aqui e perdi mais uma vez a chance de fazer tudo dar certo. Eventualmente eu o adicionei novamente na minha vida e voltamos a conversar, mandei minha última carta pedindo desculpas e explicando o quanto demorei pra entender que para amar alguém e ser amada eu não necessitava ter a pessoa ao meu lado, passaram-se semanas e ele não havia sequer comentado do que eu havia escrito até que um amigo me contou que ele chorou lendo aquilo e que já não dava mais, que o nosso tempo tinha passado.
As conversar foram se tornando escassas até pararmos de vez. Eu sentia e assumo que ainda sinto tanto a falta dele mas parece que foi melhor assim, nesses sete anos nós nos machucamos tanto e veja agora ele esta com alguém que o faz tão feliz, sei que nunca vou deixar de sentir algo por ele afinal foi especial, é especial e nunca vai deixar de ser. Durante anos nós sempre voltamos um ao outro e sempre superamos o que fosse preciso, o destino nos colocou um na vida do outro mais vezes do que eu sou capaz de escrever e acredito que no futuro isso ainda possa voltar a acontecer.
— 

Ludmila Ichioka 

E essa é a história de amor vencedora da madrugada.

Eu gosto das suas birras. Do seu jeito complicado. Mandona. Cheia de razão. Eu gosto dos seus ataques de ciúme. Eu gosto das suas crises de choro, por que você sempre vem ao meu encontro para eu te consolar, te abraçar, te beijar. Eu gosto quando sorri, quando abri os braços e deixa o vento balançar o seu cabelo. Gosto dos seus dias de tempestade e dos seus dias de garoa. Gosto do jeito que segura a minha mão, do jeito que me abraça e faz carinho em mim, do jeito que bagunça o meu cabelo. Gosto dos seus sussurros no ouvido, dos seus gritos, da sua calma, da sua bondade, honestidade, da sua alma doce. Gosto de te pertencer, gosto de ti ter perto de mim. Gosto de você, eu amo você e quero você para todo o sempre, amém.
—  Gabriell Júnior
Gabriel, nome originário do hebraico. Significado? O mensageiro de Deus. Eu sou Gabriel, mas há aqui um terrível engano, a arbitrariedade que meu nome carrega em nada me representa, sou um homem fracassado vagando por bares imundos e noites obscuras. Me assemelho a um anjo caído, um ser que foi lançado a este inferno que erroneamente chamamos de Terra. Sou um bêbado por excelência, um exímio patife, um anjo amaldiçoado trazendo uma simplória mensagem: o inferno somos nós. Eu, Gabriel, sou o próprio inferno, por isso, não se iluda com meu nome, o deus a quem sirvo mata lentamente qualquer criatura que disponha de uma alma. Gabriel, mas não O Pensador. Quem pensa, logo existe, e eu não existo além destas palavras. Gabriel, mas não o García Márquez, meu realismo não é mágico, escrevo para denunciar minha sordidez. Gabriel, um grão de areia insignificante para o universo, mas que insiste na ideia de que sua insignificância é memorável. Eu não sou o que meu nome diz que eu sou, e se fui algum dia, já não me lembro, desde sempre estou rastejando pelos subúrbios, remoendo mágoas e me embriagando de angústia. Foda-se tudo isso, eu não sou Gabriel, não sou José, não sou Jeremias… Sou tão somente o que sou e isso não pode ser escrito. A culpa não é minha, mamãe não soube escolher meu nome.
—  Gabriel Vargas
Sinto que você ainda gosta de mim, que você ainda me quer por perto, mas não admite. Seu orgulho, te impede de ser feliz. Aliás, sempre te impediu, sempre NOS impediu, e agora está você aí. Perdida, sem rumo, nem sequer enxerga a montanha na sua frente. Você sempre me amou, e sempre vai me amar. Não adianta negar, te conheço melhor do que você mesma. Está explicito no seu olhar, na expressão do seu corpo quando repara minha presença. Bem, espero do fundo da minha alma, que você me ame mesmo, e ame mais,muito mais, e consiga deixar de lado esse orgulho bobo, e vim ser feliz comigo, pois embora você seja esse saco de inúmeros defeitos, eu só consigo ver o seu lado bom, e estupidamente amo todos eles.
—  Gabriel Silva.
Eu sei que você é diferente. Sei que erro ao pensar que será da mesma forma que os outros. Mas, é tão difícil. É tão difícil depositar novas esperanças em alguém. Sonhar em ter algum futuro. É difícil imaginar, você e eu, aqui, juntos, sorrindo um para o outro.
—  Gabriel Mariano
Um nome comum demais para ser dito como se soasse estranho. O anjo que entregou a mensagem para Maria sobre o nascimento de Jesus, o surfista famoso que arrisca a vida em alto mar, o jogador de futebol no inicio da carreira e finalmente eu, um dos milhares de Gabriel que existem no mundo e o segundo da chamada escolar. Moro em uma cidade pequena e quase pacata, mas não é tão ruim assim. É pouco movimentada, não tem cinema, Mcdonalds, Bobs e muito menos shopping, por isso acho incrível a minha capacidade de conseguir viver sem tanto. Já viajei bastante e nunca para um lugar diferente. Quase todos os finais de ano viajo com a minha mãe, com a minha avó e meu avô para a mesma cidade, a qual vários parentes moram, e eu futuramente morarei, mesmo não querendo mais. Quando eu era menor, por volta dos 12 anos de idade, a minha maior vontade era sair daqui e ir para um lugar melhor, onde conheceria novas pessoas e ninguém saberia mais da minha vida do que eu, mas agora que estou terminando o ensino médio e a chance de sair desse lugar está chegando, perdi parte da vontade. Sempre vi o futuro com facilidade, ou pelo menos parte dele. Imaginava a vida finalmente se acertando, a felicidade tomando de conta da nova casa que eu construiria com o meu esforço, o carro que eu finalmente comprara e o a carreira ótima em que eu ingressara. O meu presente sempre foi o primeiro passo para ser feliz no futuro e conseguir tudo o que eu sempre quis. Ontem, ao deitar na cama encarei o teto. Como se estivesse dentro de um portal do tempo me senti preso a um futuro que não fazia nem mesmo um paralelo com o que eu planejava ter. Era totalmente diferente e enquanto imaginava, via os meus sonhos irem por água abaixo e o muro da realidade cair bem diante dos meus olhos. Não havia a casa de muro cor creme, nem paredes brancas e os jardins eram secos. Sempre me imaginei chegar do serviço e ao entrar na sala escutar os passos rápidos que os meus filhos dariam enquanto corriam da sala pro quarto, se escondendo embaixo da cama para quando eu entrasse gritar “bom dia pai!”. Por certo tempo, sonhei em ter dois homens, mas depois não tive tanta certeza assim. Enquanto me perdia parado, pensando, indaguei: E se nada for da maneira que eu quero? Se o futuro for o oposto? Se algum incidente acontecer durante esse tempo? Sempre me imaginei feliz, mas nunca pensei em todas as coisas que eu teria que passar para um dia conseguir tamanha felicidade. Idealizei um mundo onde todos os meus amigos e familiares estariam do meu lado, mas agora percebo que não é assim que funciona. Ás vezes, eu tenho medo de ficar sozinho, porque antes eu não pensava que poderia ser separado de pessoas que eu tanto amo, não percebia que a qualquer hora algo de ruim pode acontecer e o rumo que a vida está tomando pode mudar de direção rapidamente. A vida tem disso, a final. Quando tudo está bem, na verdade não está tão bem assim. Alguém pode viajar para longe, mas isso seria o de menos. Alguém pode morrer, mas isso já seria demais para mim. Perder alguém que não imaginamos a vida sem é como sufocar, levar golpes na cabeça e morrer uma parte de si mesmo, não dá pra aceitar. Pensamos que as coisas ruins estão tão distantes só porque vemos todos os dias nos noticiários, mas não percebemos que essas coisas nos cercam o tempo todo e que algumas vezes ela vem com mais força. A verdade é que elas estão aqui, bem mais perto do que pensamos. Quer destruir você, quer me destruir e quer destruir qualquer pessoa que tenha um sonho. Pode acontecer com qualquer um, pode acontecer a qualquer momento. Essa não é uma história mórbida, é um reconhecimento. Reconhecer que estamos sujeitos a tudo de ruim é eficaz para que possamos perceber o quanto estamos bem, porque tudo pode piorar. Uma ponta sempre estará solta. Nunca conseguiremos resolver todos os problemas do mundo por mais que tentemos. Nunca entenderemos porque não podemos simplesmente traçar uma rota e seguir por ela, porque malignidades acontecem com pessoas boas e porque desistimos tanto no meio do caminho. Seria tão melhor se tudo fosse mais fácil, se não existissem roubos, mortes, destruição, inveja e utopia com o que não podemos alcançar.
— 

Cujo nome é Gabriel.

Gabriel Sousa.