eu coloquei todas no mesmo tempo

Harry Styles.

N/A: Oi vocês! Me desculpem por não ter postado o imagine às 20:00h, não tenho desculpas, apenas esqueci. Mas ele está aqui e espero que vocês gostem muito! 

P.S: Falem comigo o que vocês estão achando das postagens, Por favor!!!

Boa leitura!


·       Ciúmes.

     Nós tínhamos acabado de sair de casa, estávamos indo a um pub que estava inaugurando. Mas no caminho começamos uma discussão que eu nem sei como havia se iniciado.

 “Harry, eu não consigo acreditar que você pode dizer uma coisa como essa.”

 “Supere, eu disse.” Ele rosnou.

  “Eu com certeza vou superar. Não preocupe sua cabecinha.” Eu disse em tom sarcástico.

 “Pare de falar assim comigo. Você está sendo ridícula.” Ele disse alto.

 “Ok.” Respondi afetada e não fiz questão de falar mais com ele.

    Quando o carro parou na entrada do pub, sai do carro e entrei sem ao menos esperar por ele. Fui direto para bancada do Bartender e Harry me olhou indignado. Antes de conseguir chegar perto de mim, um homem loiro sentou ao meu lado e iniciou uma conversa comigo. Harry que fez questão de não ficar muito longe nos fuzilou com o olhar mais não fez nada a respeito.

     Ri de alguma bobagem que o cara ao meu lado disse, ele tinha me dito seu nome mas não fiz questão de guarda-lo na memória. Conseguia sentir os olhares de Harry me queimado. Ele estava furioso e esse era o meu objetivo.

 “Então, você tem namorado?”

     Acenei com a cabeça. “Sim, faz pouco tempo.” Harry conseguia me ouvir, ele não estava tão distante. “Estamos com alguns problemas nesse momento.” Suspiro quando termino minha frase.

 “Nossa, que chato.” Ele disse e acariciou minha mão, logo a soltando.

 “Sim, eu o amo tanto… e eu acho que ele não percebe.” Suspirei. “As vezes penso que sou só mais uma das muitas pessoas na vida dele. Eu estou lá por ele mas parece que ele nunca vai estar lá por mim.” Desabafei enquanto olhava para o copo com liquido colorido que eu tomava.

     Olhei para Harry e ele me olhava sem reação. Ele não tinha ideia de como eu vinha me sentindo ultimamente, mas será que se ele soubesse teria mudado alguma coisa? Faz alguns dias que nós temos brigado muito e eu estou começando a duvidar de seu amor por mim. E só em pensar sobre isso meu peito doí.

 “Posso te comprar uma bebida?” O cara volta a acariciar minha mão.

 “Tudo bem.” Respondi o olhando.

     A bebida chegou, tomei ela rapidamente. Uma das mão do cara ao meu lado trilha o caminho do meu braço até minhas costas. Olho para Harry e consigo ver uma expressão assassina em seu rosto, ele estava ficando mais vermelho a medida que se aproximava.

 “Esse cara está te incomodando?” Ele perguntou em tom severo.

 “Nós estamos conversando se não se importa…” O cara respondeu olhando para Harry.

 “Eu te fiz alguma pergunta?” Harry o encarou. Suas mão fechadas como se estivesse se segurando para não dar um soco nele.

 “Harry…” Tentei intervir.

 “Deixe que eu cuido dele para você, meu doce.” O homem disse colocando a mão em minha coxa.

     Harry olha aquela cena com raiva nos olhos e se move para cima do cara. “Filho da puta.” Ele grita no momento em que desferiu um soco deixando um corte no lábio do homem ao meu lado.

 “Escuta aqui seu imbecil, ela é a minha namorada. Não coloque a porra da mão nela outra vez.” Ele rosnou feito um animal para o homem.

 “Então você é o idiota que não dá atenção pro que tem em casa?” Esse disse com deboche na voz.

     Harry bate nele outra vez, “Harry!” Eu grito tentando parar ele.

 Olho a cena apavorada, tento puxar Harry mas não consigo. Harry só para o que estava fazendo quando dois seguranças chegam para apartar a briga.

     Harry vem até mim e acaricia meu rosto com suas mãos. “Amor.” Ele beijou minha testa e me puxou para seus braços. “Se você chegar perto dela de novo eu juro que não vai ter segurança que vai conseguir fazer eu parar de bater nessa sua cara. Entendeu?” Harry disse antes de me puxar para a saída.

     Enquanto esperávamos o manobrista trazer seu carro, eu o olhava sem expressão. Não sabia como reagir ao que tinha acabado de acontecer.

     Harry me encarou e como se já soubesse o que eu pensava disse: “Ele colou as mãos em você e eu não gosto quando tentam te tocar.”

 “Desculpa.”

 “Eu ouvi todas as suas palavras.” Ele disse me lançando um olhar triste. “Me perdoa por não ter te dado atenção. Tem sido tudo tão corrido para mim nesses últimos tempos, e isso não é desculpa, eu sei que você é mais importante mas mesmo assim eu não te coloquei em primeiro lugar.” Ele disse enquanto eu encarava o chão.

     Harry me obriga a olhar em seus olhos e continua. “Você é minha, e eu te amo mais que qualquer pessoa. Eu nunca vou te deixar, e eu não quero que nada atrapalhe nosso relacionamento.”

 “Harry, eu tento fazer dar certo. Mas é como se eu estivesse nessa sozinha.”

 “Amor, me perdoa, você é tão importante pra mim, eu fui um idiota. E ver aquele cara tocando você me deixou louco e ele estava tentando te conquist…”

 “Amor… não era nada, eu te amo e mais ninguém. Eu só quero você.”

 “Eu também te amo, vamos para casa temos muito o que conversar ainda.” Concordei com a cabeça e ele me puxou pela nuca para um beijo calmo antes de me levar até o carro. Tínhamos muito a fazer em casa.

Não me descrevo, para ninguém, pois se querem me conhecer, devem me conhecer além de palavras. E além do mais, eu prefiro uma conversa que rende, sem precisar cair em um assunto morto.
Não sou como as pessoas comuns que é oi, oi e tchau, tchau. Comigo as coisas são mais sérias e intensas, jogos não são permetidos.
E por mais que eu odeie regras, na minha vida eu coloquei, porque me cansei de ser sempre aquela pessoa que só te procuram quando precisa. Comigo agora é cumplicidade, sinceridade ou então esqueça que eu existo. Que ainda sim, mesmo por trás dessa “marra” toda eu continuo sem coragem para esquecer alguém.
É eu sei, que eu deveria esquecer, mas não sou forte suficiente para dizer um “adeus” e um “não quero te ver nunca mais” até porque os meus nunca mais, nunca duram por muito tempo. Se me sinto confortável novamente, já era, lá vai eu amar onde era pra gostar. Lá vai eu chorar, onde era pra ser feliz.

Se você não trabalha pelos teus sonhos, alguém irá te contratar para que você trabalhe pelos deles.“ - Steve Jobs.
Hoje eu me levantei ao igual que todos os dias, na minha cama, com o alarme triplo do celular porque se não, não acordo. Eu tomei o café da manhã, cozinhei, e coloquei a tampa na comida restante. Simplesmente, outro dia mais. Coloquei minhas roupas e meus sapatos e eu saí trabalhar. A trabalhar para enriquecer outra pessoa, não somente pela merda de salário, se não também, se eu cobraria o que me correspondia ou por quanto tempo conservaria o meu emprego. Sempre sendo pontual. Fazendo mais horas que qualquer trabalhador deveria fazer. Não falhando nunca, deixando de lado inclusive a minha vida pessoal. Mesmo que me chamassem de imprevisto a qualquer hora… porque eu tinha medo de que me demitissem se eu não fosse. Eu suportei durante anos todas essas coisas que me amargavam e me faziam infeliz porque sem querer, eu fui colocando raízes que me prenderam. Mas, ironicamente me dava uma sensação de liberdade e seguridade. Que até hoje, pois, não sei. Me equilibrava na balança entre o bom e o ruim. Né? Porém, já não posso mais. Algo dentro de mim, disse: CHEGA. E eu cheguei no ponto de inflexão no qual, o que me parecia normal, já não quero aguentar mais. Eu não sou menos que ninguém. Não sou o fantoche de alguém que tem mais dinheiro que quer se aproveitar de mim. Eu sou um ser humano, com talento, com habilidades, com sonhos, com sentimentos e com necessidades. Como todo mundo, tenho meus altos e baixos. Tenho problemas, os problemas da minha família, dos meus amigos… Eu também sangro quando me corto, eu fico doente, choro quando estou triste e sorrio quando estou alegre. Na verdade, eu não entendo… Em qual momento, alguém se acha superior e com o direito de explorar outras pessoas para viver nas costas dos seus medos? Em qual momento, você acorda pela manhã e decide que seu tempo e a sua vida é mais importante que a de outro ser humano? Em qual momento, você deixa de ser humano para converti-se em algo que não é capaz de sentir e aproveitar-se das desgraças alheias? Eu acredito que existem pessoas que usam outras pessoas, simplesmente porque existem pessoas que se deixam usar. Se absolutamente todos, sem exceção, nos negássemos a sermos explorados, não iria sobrar mais nada a não ser, ser justo. E que nos pagassem o que realmente vale o nosso trabalho, tempo e esforço. Você acha que alguém irá te valorizar se você ainda não aprendeu a se valorizar?
—  Guilherme Teruel - A Primavera de Abril.

it’s time for tea

  • Esse imagine a principio seria um bonus pra Grávida, mesmo send postado antes do fim, já que ele não cita nomes. Porém, não sei se é um bonus ou um imagine daqueles que você imagina com o garoto que quiser, um pouco dos dois. Vocês podem ler ele da forma que preferirem. Tá meloso to carente, mas espero que vocês gostem. 
  • Se vocês quiserem podem ouvir open your eyes - Snow patrol (eu ouvi enquanto escrevia mais da metade dele).
  • Enjoy it!

Keep reading

2

IMAGINE COM LIAM PAYNE

Ouvi batidas na porta do meu quarto, e antes mesmo que eu pudesse responder ela foi aberta, olhei em direção da mesma, ainda sentindo que meu útero podia estourar em qualquer movimento que eu fizesse.

‒Liam?‒ Estranhei. Eu não tinha falado nada com ele sobre a cólica. ‒O que você tá..‒ Parei de falar,gemendo de dor ao sentir mais uma pontada em minha barriga fechando os olhos e me encolhendo mais na cama. Quando abri os olhos, ele já estava se sentando na ponta da cama de solteiro que eu estava e começando a acariciar minha perna. Ele fazia uma careta de dor. Suspirei. ‒O que você tá fazendo aqui agora?

Liam subiu a mão pela minha perna e em seguida pegou uma de minhas mãos, entrelaçando sua mão direita com a minha, enquanto vi a outra com um copo de água e uma caixinha de comprimido.

‒Eu ia te chamar pra sair hoje, mas eu acho que não vou mais fazer isso.. ‒Ele sorria pra mim, e eu senti mais uma pontada de dor, apertando sua mão com força- Ai ai ai‒Ele se assustou. Afrouxei a mão e ele riu de si mesmo. ‒ Toma ‒   Liam me estendeu o copo de água com o comprimido, me fazendo encara-lo.

‒Como você sabe que esse é o remédio que eu..

‒Ok. Essa parte foi sua mãe.. ‒Ele me cortou e eu ri, aproveitando a brecha da dor‒ Ela ia trazer pra você tomar e bom, eu tomei o posto dela.

‒Obrigada ‒ Disse me sentando e sentindo mais uma pontada, apertando a mão dele mais uma vez. Liam apertou de volta e eu sorri.

Peguei o comprimido e após colocá-lo na boca, bebi toda a água do copo, o qual coloquei no criado-mudo ao lado da cama, em seguida voltando a deitar. Me endireitei um pouco pro lado da cama, deixando um espaço a minha frente, puxei Liam pela mão e ele entendeu, se deitando ao meu lado.

Virei de costas pra ele, me ajeitando na cama enquanto procurava uma posição menos incomoda. Seu braço direito acabou servindo como travesseiro para minha cabeça ao mesmo tempo que seu polegar acariciava a palma de minha mão, entrelaçada a dele. Sua outra mão foi para minha cintura, descendo para minha barriga. Liam entrou um pouco a mão pela minha blusa, e começou a fazer carinhos, exatamente aonde doía. Seus dedos faziam círculos pequenos sobre minha pele e eu fechei os olhos sentindo seu carinho.

Minha mão livre, foi para seu braço, me apoiando ali. Seu corpo estava colado no meu, e eu sentia sua respiração em meu pescoço. Virei minha cabeça pra ele que sorriu fraco pra mim.

‒Tá doendo muito ainda? ‒Ele perguntou um pouco preocupado enquanto fiz sinal de mais ou menos com a cabeça

‒Você deveria saber como é, você tem duas irmãs, não passa assim tão rápido, mas até já tá melhorando eu acho.

‒É eu sei que tenho.. ‒Eu ainda estava de costas pra ele, sentindo seu carinho em minha barriga‒ Mas eu realmente não costumo ficar nessa posição com elas.. ‒ Ri de seu comentário, e me virei com calma, ficando de frente pra ele.

Vi seu sorriso largo,e sorri do mesmo jeito de, me aninhando em seu peito, sentindo seu cheiro impregnado ali. Liam me abraçou forte contra ele e ficou em silencio.

‒Desculpa por ontem.. ‒sussurrei sobre seu peito e ele me abraçou mais forte

‒Tudo bem..

‒Não Liam, sério. ‒Me afastei um pouco dele, levantando minha cabeça em sua direção ‒Me desculpa, eu acho que acabei explodindo com você sem nenhuma razão.

‒S/n você não precisa..

‒Não Liam, deixa eu falar ok? ‒Ele assentiu sorrindo fraco pra mim ‒Desculpa por ontem, eu acho que exagerei. ‒dei uma pequena pausa, lembrando da briga que tínhamos tido ontem a noite na casa dele‒ Principalmente quando disse que você tava fazendo drama.. Quer dizer, é claro que eu te amo Liam.  Acredite, eu não estaria noiva de você caso contrário. ‒Seu sorriso aumentou e eu automaticamente sorri junto ‒É claro, ás vezes você é meio carente e talvez um pouco.. ‒levantei os olhos pensando em outra palavra melhor, mas acabei não achando‒ Digamos grudento de mais.  ‒ele fez careta e eu pus minha mão sobre seu rosto, acariciando o mesmo, fazendo a careta se desfazer em um pequeno sorriso ‒Você é um homem carente, e sem duvidas muito, muito, carinhoso. E você sabe, eu não sou assim, nenhum pouco assim. ‒ele assentiu com a cabeça e eu dei um tapa em seu braço me fazendo de indignada. Liam me puxou mais pra perto e eu voltei a acariciar seu rosto com a ponta de meus dedos enquanto sorria ‒Mas não é por isso, por não estar a todo momento sendo carinhosa com você ou demonstrando que eu te amo, que eu não te amo de verdade. ‒suspirei ‒Era isso que eu quis dizer ontem, só que falhei miseravelmente e acabei sendo uma  grossa estúpida. Mais uma vez, me desculpa. Eu te amo, exatamente desse jeitinho, todo carinhoso, carente e cheio de amor pra dá. Tudo bem? ‒ele assentiu com um sorriso bobo nos lábios. Puxei um pouco seu rosto selando seus lábios rapidamente.

Abri os olhos, dando de cara com seu sorriso frouxo e sorri como uma boba de volta

‒Eu acho que também exagerei ontem.. Você não é assim tão fria e sem coração. ‒ri de sua careta

‒Bom, você é bem quentinho. ‒voltei a deitar em seu peito me ajeitando ali e sentindo seu cheiro ‒E viu ‒sussurrei ‒ minha cólica, até passou um pouco..

‒ Não vai querer lembrar que a sua cólica só passou por causa do remédio e tudo mais? ‒Ele ironizou e eu ri negando com a cabeça.

‒Não, foi você, sua presença e seu carinho mandou minha cólica embora. ‒ Me ajeitei mais uma vez em peito me abraçando mais forte contra ele ‒Meu herói!  ‒sussurrei e ouvi ele gargalhar.

“Ergue essa cabeça e segue em frente”. - Ela disse.
Mal sabe ela o que se passa aqui. Aqui dentro de mim. É fácil falar, mas quero ver aguentar o que sinto. Esse nó na garganta e esse aperto no peito. As vezes até fica difícil de respirar. Queria ser menos intensa, deixar de me importar tanto e realmente seguir em frente. Eu fico parada, porque tenho medo, medo do que vem pela frente e recuo. A dor é grande dentro de mim. Os dias são um martírio e à noite os pensamentos me atormentam, quando eu deito. E eu só queria me sentir em paz comigo mesma. Paz que se torna impossível desde que tudo desabou. Me sentir leve, me livrar de tudo que me atormenta e tira o sono. Apenas seguir. Mas seguir para onde? Não tenho para onde ir. Eu me perdi e as pessoas se perderam de mim. Ninguém fica por muito tempo mesmo. Eu sei, sou complicada demais… Louca. Eu não os culpo, porque até eu, se pudesse, iria embora. É tudo tão angustiante que mal consigo me lembrar de como é sorrir verdadeiramente. Várias pessoas ao meu redor mas todas tão vazias, com as mesmas futilidades de sempre que me fazem preferir o escuro do meu quarto. Escuro esse que agora me conforta junto a minha playlist que embala minha tentativa de encontrar dias melhores. Mas como sempre, coloquei minha mascara do “sorriso perfeito” e disse a ela que tudo estava bem.
—  passaro-selvagem deu as mãos à bluesias.

Entrei em tantas esquinas e em cada uma encontrei e deixei alguém. No meio dessa caminhada eu esbarrei com você ou será você que esbarrou em mim? Não importa. Eu te coloquei na mala e te levei pra todo lugar dentro do meu coração. Mas, de repente, outro alguém invadiu seu coração. Meu mundo desabou, eu caí e você fez questão de me levantar. Você ficou ali, mesmo não me pertencendo, mesmo sendo de outra. Eu me acostumei com tuas chegadas e partidas, toda vez que você saia pela porta e batendo-a com força, eu ia até lá e a deixava encostada porque eu sabia que você voltaria. Mas agora foi diferente, você simplesmente saiu. Não gritou, não bateu a porta, você só se retirou. E nesse meio tempo eu me pergunto o porquê você fez isso, eu me pergunto como você saiu sem ao menos ter deixado um bilhete. Qual é a tua? Eu pensei que pelo menos merecia um adeus, merecia uma explicação, sei lá, eu pensei que eu fosse importante, nem que fosse um pouquinho. A minha vida toda eu escrevi pra você, mesmo não querendo. Escrevi sobre nossa amizade e sobre esse sentimento que guardei em uma caixinha bem lá no fundo do coração. Eu quis ser teu abrigo e não ter um abrigo. Até porque eu não queria esperar a chuva passar, mas eu queria dançar com VOCÊ na chuva. Eu não queria um refúgio pra fugir do meus problemas, eu queria uma mão pra enfrentar comigo e mesmo não sendo da forma que eu queria, você foi. Mas eu queria ser seu refúgio, queria ser seu ombro amigo e eu tentei ser. Eu tentei ser sua amiga e fazer você sorrir e poxa vida eu amava sua risada, sua companhia e o sarro que você fazia com minha cara. Eu amava passar o tempo conversando besteiras contigo, porque eu me sentia bem. Você me fazia sorrir mesmo quando eu queria chorar. Eu sempre achei graça das suas piadas e a forma como falava das garotas, aquilo não me irritava, aquilo me divertia. Você foi um amigo, um irmão mais velho, um abrigo e além de tudo um anjo que me fez dar boas risadas. Mas parece que termina aqui não é? Acho que você cansou, decidiu virar a página, escrever um novo capítulo e infelizmente não estarei nele. Então o que eu posso fazer? Nada. A partir de agora irei seguir o meu caminho também. E apesar de ter sigo uma breve história teve uma grande significado e eu encerro com essas palavras: “Não importa onde você esteja ou com quem esteja, eu espero que você me leve sempre em seu coração, mesmo que seja dentro de uma caixa jogada no fundo da gaveta. Porque eu irei te levar para sempre em meu coração e em cada esquina lembrarei da nossa amizade e de nossas boas risadas. Serei grata a vida por ter me dando o prazer de ter te conhecido e espero que nunca esqueça que mesmo distante, mesmo a gente não tendo mais nenhum contato você sempre poderá contar comigo. Você sempre terá um abrigo.”

Não queria esperar a chuva passar, eu queria dançar na chuva com você.

Eu lutei por você, disso nós dois sabemos, mesmo você sendo babaca a maior parte do tempo, eu fiz de tudo para darmos certo, aturei suas piores atitudes, cuidei de você e esqueci de mim. Talvez esse tenha sido meu erro, deixar o amor próprio por alguém que não merecia. Me enganei achando que você mudaria quado na verdade você só fingia mudar para que eu não te deixasse. Esse é o teu problema, fingir as coisas. Você pode até não ter fingido sentimentos, mas quantas vezes fingiu que não foi você, que estava mal por ter feito alguma coisa. Te digo com toda certeza que você fingia em relação a essas coisas porque você sempre fazia o mesmo, não se esforçava nenhum pouco pra mudar, talvez achasse que quando eu dizia que ia embora era mentira, mas olha só agora onde estamos. Eu cumpri o que havia prometido, eu fui embora e quer saber? Estou bem melhor assim, olho pra trás e vejo a porcaria de vida que estava levando e me pergunto: como pude aceitar isso por tanto tempo? Não vou dizer que só vivemos coisas ruis porque estaria mentindo, porém, quando coloquei na balança imaginaria o lado que me fazia sofrer pesava mais. Então cheguei a conclusão que mereço alguém bem melhor, alguém que me faça feliz por inteira, que não me deixe pensar em desistir, que não me faça arrepender de nada, e com certeza esse alguém não será você. Peguei carona com o amor próprio, estou indo em busca da minha felicidade, só passei aqui para te dá outro adeus, e dizer obrigada, porque contigo aprendi que nem tudo que parece é.
—  Guiastes
Cap 19

Desci os degraus novamente, dessa vez me segurando firmemente no corrimão para não cair, e voei até a porta, enquanto o ronco do motor dava lugar ao silêncio outra vez. Hesitei antes de abri-la, com a mão quase esmagando a maçaneta, e respirei fundo. E se fosse só mais uma alucinação? Não, não podia ser. Eu quase podia sentir sua presença, seu perfume, a temperatura quente de sua pele contra a minha, seu hálito úmido em meu pescoço… Ela estava aqui, com toda a certeza que ainda me restava.

Abri a porta, com os olhos fechados, e quando a brisa gelada tocou minha pele, abri também meus olhos. Se eu não estivesse segurando a maçaneta com toda a minha força até agora, acho que desmaiaria.

A Ferrari estava ali.

Bem à minha frente.

Graças a Deus, eu estava certa.

No que me pareceu apenas um segundo depois, me vi andando energicamente até o lado do motorista, cuja porta já estava sendo aberta por dentro. Assim que meus olhos encontraram os de Clara, um tanto confusos, a energia que me faltara durante todo aquele tempo de espera surgiu com força total, fazendo meu coração bater tão descompassado que minha visão se tornou turva.

Seu perfume já infestava meus pulmões antes mesmo de me aproximar dela, e completamente guiada por meus instintos, eu entrei no carro, passando uma de minhas pernas sobre as dela e me sentando em seu colo. Fechei a porta da Ferrari, deixando Clara totalmente perdida, e jogando no lixo qualquer vestígio de sanidade que ainda me restasse, uni sua boca à minha sem a menor delicadeza.

Os lábios dela permitiram a passagem de minha língua imediatamente, misturando o gosto dela ao meu e me causando um efeito quase anestesiante. Suas mãos, ainda surpresas com a minha pressa, demoraram a se decidir entre minha cintura e minhas coxas, e sem conseguir escolher, foram parar em meus quadris. Eu bagunçava seu cabelo macio, sentindo um calor dominar meu corpo, especialmente onde havia contato com o corpo dela.

Não sei por quanto tempo nos mantivemos ali, apenas nos beijando (lê-se: “nos engolindo feito duas enguias”) e sentindo a presença uma da outra. Pela intensidade com a qual ela retribuía o beijo, e até sorria de vez em quando, eu não era a única ansiosa por aquele momento, o que de certa forma me reconfortou. Eu pressionava meu tronco contra o dela com cada vez mais desejo, sentindo-a reagir da mesma forma como se quisesse fundir nossos corpos num só. Quando meus lábios já estavam ficando doloridos pela pressão contra os lábios dela, Clara começou a puxar minha camisola para cima conforme explorava meu corpo com suas mãos. Minhas pernas se contraíam inconscientemente ao redor de seus quadris, me impulsionando para cima e quase a prensando contra o encosto do banco. Ela continuou subindo seus toques até encontrar meus seios, e envolveu-os com suas mãos, soltando um gemido abafado contra meus lábios. Deixei que ela aproveitasse por um tempo, e logo parti o beijo, com uma mordida em seu lábio inferior, para tirar a camisola.

Voltei a me inclinar sobre ela, colando nossas bocas novamente e deslizando minhas mãos por todo o seu tronco, só parando quando encontrei o que queria. Abri o botão e o zíper da calça sem demora, sentindo-a aumentar sua agressividade no beijo, e acariciei sua intimidade por cima da calcinha. Clara agarrou meus cabelos da nuca em sinal de aprovação, e colocou mais força em seus dedos quando eu passei a beijar seu pescoço, tentando compensar o desvio de minhas mãos para sua blusa. Dedilhei o caminho de volta, sentindo cada músculo seu se contrair ao meu toque conforme eu subia, e segui para suas costas quando atingi a altura máxima possível. Ela puxou a camisa pela parte de trás, e eu me afastei, observando-a tirar a peça e jogá-la em qualquer lugar, retirando também seu sutiã.

Ela segurou minha cintura com firmeza, me inclinando um pouco para trás, e eu apoiei minhas costas sobre o volante, me arrepiando por inteiro quando senti sua língua tocar a pele da minha barriga. Clara fez uma trilha de beijos enlouquecedores até alcançar meu pescoço, me trazendo de volta à minha posição ereta, e quando seus lábios voltaram a buscar os meus, uma de suas mãos se colocou por dentro de minha calcinha, me provocando com seus dedos.

Ensandecida, eu correspondi seu beijo com o triplo de ferocidade, fincando o que restava de minhas unhas em seus ombros tensos sem nem pensar se doeria. Graças à experiência dela, que a possibilitava tocar os lugares certos, eu já estava quase atingindo o clímax quando sua outra mão escorregou até minha bunda, dedilhando o leve alto-relevo causado pela estampa de ovelhinha de minha calcinha. Apesar de todos os outros acontecimentos, aquilo pareceu diverti-la, já que pude sentir um sorrisinho moldar seu rosto. Gemi alto contra seus lábios quando Clara ameaçou parar de movimentar seus dedinhos, e ela só o fez quando sentiu que havia terminado seu trabalho.

Suada e precisando urgentemente de ar, eu afastei meu rosto do dela, sugando seu lábio inferior e sentindo-a se afastar na direção oposta só para me fazer sugá-la com mais força. Ambas sorrimos de leve com a provocação, e se a umidade entre as pernas dela não estivesse extremamente convidativa, eu teria voltado a beijá-la. Clara segurou meu rosto com uma mão, mordiscando o lóbulo de minha orelha lentamente e me arrepiando com sua respiração ruidosa, enquanto eu descia sua calça jeans ao máximo com um sorriso pervertido.

Rocei meus lábios nos dela por um segundo, encarando seus olhos verdes cheios de luxúria, e desci sua calcinha até os joelhos, onde a calça havia parado.

Coloquei minha mão em sua intimidade, sentindo-a quase pulsar de tão encharcada, ao mesmo tempo em que as mãos de Clara acariciaram minhas coxas. Agarrei seus cabelos com a mão livre, puxando-a para um beijo, e com a outra, comecei a masturbá-la o mais depressa que consegui. Ela se esforçava ao máximo para corresponder às carícias de minha língua, mas a contração ainda mais frequente de seu abdômen deixava nítido que aquilo não era sua prioridade no momento. Clara agora soltava gemidos contínuos e quase chorosos de tanta excitação, mas eu não desisti de beijá-la. Eu queria mesmo que ela sofresse por ter demorado tanto pra chegar.

Ela subiu suas mãos até o cós de minha calcinha e colocou seus polegares por dentro do elástico da mesma, trazendo-a para baixo sem surtir muito efeito. Entendi aquilo como um aviso de que ela não aguentaria por muito mais tempo, e imediatamente parei o que estava fazendo para me desfazer da última peça de roupa que ainda restava. Enquanto eu me despia, ela se ajeitava no banco, me olhando daquele jeito grosseiro e extremamente sexy. Atirei minha calcinha longe, e quando viu que eu já estava livre, ela me puxou para o seu colo com um sorriso nada angelical. Retribuí seu sorriso safado e me posicionei entre as suas pernas com cuidado, sentindo meus talentos orais sendo reconhecidos.

- Você sabe o que fazer. – ela murmurou com a voz falha, e meus olhos se ergueram até encontrar os dela. Assim que o fiz, foi impossível não me lembrar da última vez em que estive em seu apartamento. A Clara que eu conheci naquele dia, escondida atrás de uma armadura, me encarava novamente naquele exato momento. A verdadeira Clara.

Senti um arrepio percorrer minha espinha, eriçando meus pelos da nuca e acelerando meus batimentos cardíacos ao reconhecer aquela mudança. Eu poderia passar a vida inteira encarando aqueles olhos sinceros, sem saber classificar o sentimento que eles causavam em mim. A suguei ferozmente e dava leve mordidinhas em seu clitóris, quando percebi o brilho em seus olhos, parei o que estava fazendo e a encarei.

Como era linda.

Meu rosto avançou lentamente na direção do dela, unindo nossos lábios com calma, e eu ergui meu corpo até encontrar a posição certa. Clara colocou suas mãos em minha cintura com sutileza, como se quisesse me incentivar, e eu coloquei seus dedos dentro de mim devagar, sentindo-a apertar minha cintura com mais força quando cheguei ao fim. Eu segurei em seus ombros, trêmula, e deixei que todas aquelas novas sensações, que ao mesmo tempo eu já conhecia, fizessem efeito sobre mim. Paramos de nos beijar, mas mantivemos nossos lábios unidos, e abrimos nossos olhos, encarando profundamente uma a outra. A conexão entre nossos olhares por pouco poderia ser tocada, de tão intensa que era. A compreensão e a paciência, apesar de sua vontade gritante de que eu me movimentasse novamente, eram nítidas em seus olhos, o que só me deixou ainda mais tonta.

Ela fechou os olhos, franzindo de leve a testa e escorregando suas mãos até meus quadris, e eu reiniciei o beijo, sentindo o prazer crescer monstruosa e subitamente dentro de mim. Envolvi seu pescoço com meus braços, embrenhando meus dedos em seus cabelos umedecidos de suor, e comecei a me movimentar sobre ela, acelerando a cada segundo como se aquilo fosse natural pra mim. Logo ela estava gemendo de novo, assim como eu, e estava ficando quase impossível nos beijarmos. Nossos rostos se mantiveram próximos, intensificando a mistura quente de nossas respirações, até que atingi o clímax novamente, movimentei um pouco mais os meus dedos em seu clitóris, fazendo com que ela também atingisse seu clímax.

Deixei que meu tronco se apoiasse sobre o dela, sem conseguir definir qual das duas estava mais ofegante. Minhas mãos deslizaram de seus cabelos para seus ombros, enquanto as dela ainda eram incapazes de largar meus quadris. Afundei meu rosto na curva de seu pescoço, deixando que o perfume dela me acalmasse, e após alguns segundos, senti seus braços envolverem minha cintura e me aconchegarem ainda mais em seu peito. Fechei os olhos, abraçando-a pela cintura também, e pude ouvi-la rir de leve. Ainda tensa demais para perguntar qual era a graça, apenas ignorei seu riso, e como se tivesse lido minha mente, ela sussurrou, com o pouco de ar que lhe restava:

- Por favor, prometa que vai continuar me surpreendendo… Porque sinceramente… Fica cada vez melhor.

Mesmo sem ar, eu não tive como evitar que a risada baixa dela me contagiasse. Assim como, por mais que eu tentasse fugir ou negar, tudo nela me contagiava quando estávamos juntas.

Aos poucos, minha respiração ia voltando ao normal (não totalmente, porque com ela perto de mim, era inútil conseguir respirar direito) e a tremedeira de minhas mãos ia passando. Clara esperou calmamente, acariciando desde meus ombros até meus quadris, fazendo uma massagem gostosa conforme deslizava as palmas de suas mãos e vez ou outra dedilhava minha pele devagar. Seu coração batia forte contra meu peito, apesar da respiração calma, o que parecia acelerar ainda mais as batidas do meu.

- Está sentindo isso? – finalmente sussurrei contra a pele de seu pescoço, com os olhos fechados. Deslizei minha mão esquerda até seu peito, indicando a que me referia, e o ritmo acelerado de seus batimentos pareceu se intensificar sob meu toque suave.

- Desde a primeira vez que pus meus olhos em você. – ela murmurou, imitando meu gesto com sua mão esquerda. – Você também está sentindo isso?

Me afastei dela para poder olhá-la, e assenti inocentemente, vendo um sorriso se alargar em seu rosto. Logo depois, deixei que meu olhar mergulhasse em seus olhos cor de mel, como sempre acontecia, e franzi a testa de leve, em sinal de confusão.

- O que foi? – ela perguntou, novamente imitando minha expressão, porém sem se desfazer de seu sorriso.

- O que é isso? – balbuciei, sem conseguir formular direito as frases que colidiam em minha mente. – Isso que eu tô sentindo… Que nós estamos sentindo… O que é?

Clara acariciou meu rosto com as costas de sua outra mão, me olhando daquele jeito intrigado e deslumbrado ao mesmo tempo, e levou alguns segundos para responder:

- Eu não sei… Mas, sinceramente, eu gosto disso.

Meus olhos se fixaram em seus lábios quando ela falou, observando o quão lindos, apesar de serem apenas lábios como os de qualquer outra pessoa, eles eram. Sem que eu pudesse controlar aquele impulso, minha mão subiu lentamente até meus dedos conseguirem tocá-los, e assim que o fiz, dedilhei-os de leve, desenhando seu formato e sentindo sua textura macia. A expressão confusa em meu rosto permaneceu, refletindo o que eu sentia por dentro, e devido a isso, os lábios que eu sentia sob os nós de meus dedos deixaram de sorrir.

- Eu não queria sentir isso. – murmurei, com o olhar ainda perdido em sua boca, e comecei a sentir meus olhos se encherem d’água sem que eu permitisse aquilo. – Me faz mal.

- Eu sei. – Clara disse, me fazendo erguer meu olhar até encontrar o dela, extremamente misterioso. – Se eu pudesse voltar atrás, também escolheria não me sentir assim… Me corrói por dentro.

- Mas não há como voltar atrás. – falei, agora com a mão descendo por seu queixo e pescoço devagar, com os olhos ainda fixos nos dela. – Você sabe disso.

- Você também. – ela sorriu fraco, de um jeito quase amargurado. – Pelo menos não estou sozinha nessa.

Abaixei meu olhar, engolindo a tristeza por saber tão bem quanto ela que já não havia mais volta para nós. Já era irreversível, inesquecível… Um pacto secretamente selado entre nossos corpos, sem que nós mesmas tivéssemos tomado conhecimento dele.

- Eu posso ir embora se você quiser. – ela falou baixo, parecendo resignada, e na mesma hora, uma pontada latejou em meu peito, como uma fisgada de pânico.

- Não. – sussurrei, me encolhendo devido à súbita dor, e o choro que eu tentava reprimir voltou a embaçar minha visão. – Por favor… Não vá embora.

Mesmo sem olhá-la, soube que a expressão no rosto dela não era das mais alegres, mas não havia nada que eu pudesse dizer ou fazer pra mudar isso. Eu mesma estava em conflito, tentando não ceder à vontade monstruosa de sair correndo dali e me afogar naquele mar, eliminando finalmente todas as minhas angústias.

Clara soltou um suspiro triste, e me puxou sutilmente pelos ombros até nossos troncos voltarem a ficar colados. Ela me abraçou com certa força, e o batimento acelerado de seu coração voltou a repercutir em minha pele, enquanto uma lágrima rolava pelo meu rosto e escorria até alcançar seu ombro. Não era daquele jeito que eu queria que as coisas fossem. Não era daquele jeito que eu queria me sentir.

- Você sabe que nunca vai ser como ela… Não sabe? – sussurrei, pensando em Pepa e tentando evitar que toda aquela dor reprimida em relação a ela me atingisse com sua força esmagadora.

- Sei. - Clara respondeu, amargamente conformada, e eu não consegui dizer mais nada. Talvez o silêncio pudesse amenizar a dor que eu não podia, a dor da verdade, corroendo-a por dentro como um veneno que a dilacerava aos poucos.

Os segundos se passaram, um a um, e nenhuma de nós duas tinha coragem o suficiente para dizer alguma coisa, até que ela inspirou profundamente, tomando fôlego para falar.

- Caralho, Vanessa. – ela disse, e eu nem me movi, amedrontada com a repentina irritação em sua voz. – Por que eu tenho que ficar desse jeito quando eu tô com você? Eu não sou assim… Essa não sou eu!

- Então quem é você? – perguntei, ainda sem olhá-la, e ela não foi capaz de responder. Esperei mais alguns segundos e finalmente tomei coragem de encará-la, encontrando uma bagunça em seus olhos e sentindo uma irritação borbulhar em minha garganta. Não saber definir o que estava sentindo me irritava profundamente, e eu sempre me sentia assim com ela por perto.

- Quem é você, Aguilar? – repeti, com uma firmeza que não parecia ser minha, levando-se em conta que eu nunca conseguia ser firme quando estava falando com ela. – O que você quer de mim afinal?

- Eu não sei! – Clara exclamou, franzindo a testa em sinal de raiva. – Eu não sei de porra nenhuma quando eu tô com você, não deu pra entender isso ainda?

- Nem eu! – retruquei no mesmo volume que ela, sentindo a irritação crescer cada vez mais rápido dentro de mim. – Então pare de colocar a culpa em mim!

- Eu não estou colocando!

- Então por que está gritando?

Ela abriu a boca pra revidar, mas não emitiu nenhum som. Seu olhar estava cada vez mais confuso, junto de sua testa, pesadamente franzida sobre eles, e seus lábios se contraíram, expressando nitidamente sua luta interna. Eu apenas a encarava, respirando fundo na tentativa de diminuir minha raiva. Nenhuma de nós sabia definir o que estava acontecendo dentro de nós mesmas, presas numa escuridão desesperadora.

- Eu não quero me deixar envolver com você. – ela murmurou, alguns segundos depois, desviando seu olhar do meu. – E eu não vou.

- Ótimo. – eu concordei, engolindo em seco ao fazê-lo. – Nem eu.

- Ótimo. – ela repetiu, encarando qualquer lugar, menos o meu rosto, e eu simplesmente me levantei devagar, sentando no banco do carona logo depois. Fiz um coque desengonçado em meu cabelo, sentindo as pontas de meus dedos frias, enquanto ela dava um jeito em suas roupas. Pensei em recolher as minhas, me vestir e entrar em casa, mas o simples fato de me afastar dela novamente, agora que eu a tinha bem ao meu lado, parecia ser equivalente a me rasgar ao meio. Me parecia loucura deixá-la ir embora tão cedo, sendo que eu a esperei por tanto tempo, e com tanta ansiedade.

- Por que você demorou pra chegar? – ouvi minha própria voz dizer num tom baixo e grave, sem qualquer emoção. Clara, que permanecia cabisbaixa, ergueu as sobrancelhas e deu de ombros.

- Porque eu quis. – ela respondeu, igualmente fria. – Não pensei que você estaria me esperando.

- Eu não estava. – menti, encarando o retrovisor ao meu lado, e senti seu olhar repousar sobre mim na mesma hora. – Só perguntei por curiosidade.

- Mas agora eu estou aqui. – ela disse, sem saber a quantidade de sentimentos conflituosos essa frase me causava - E você está… Bem, você está aí.

Um sorriso teimoso surgiu em meu rosto, apesar da frieza com a qual eu estava agindo. Eu odiava ser sensível a piadas, mesmo que as mais toscas.

- Não, eu é que estou aqui. – retruquei, tentando em vão disfarçar meu sorriso - E você é que está aí.

- Hm… Então o que acha de nós duas ficarmos aí? – Clara sugeriu, e eu nem precisei olhá-la pra saber que ela estava sorrindo assim como eu, mesmo que timidamente, por sua frase inocentemente engraçada. – Ou aqui, como você preferir.

Soltei um risinho baixo, já quase totalmente amolecida pelo jeito dela, e olhei por cima de meu ombro para o banco de trás, que me pareceu extremamente convidativo.

- Aqui me parece um bom lugar. – eu disse, me esgueirando para a parte de trás do carro e finalmente encarando-a com um sorriso não mais tão divertido, e já um pouco mais pervertido. – O que acha?

Ela semicerrou os olhos, fingindo pensar na ideia por um momento, e dois segundos depois, já estava sobre mim, com os lábios a poucos milímetros dos meus, sussurrando:

- É… Aqui é um ótimo lugar.

Eu sorri involuntariamente, sentindo meu corpo inteiro formigar com a proximidade dela, e deixei que ela me beijasse, apesar de ainda sentir meus lábios sensíveis. O peso de seu corpo sobre o meu acelerava meu coração de um jeito indescritível, assim como suas mãos determinadas em minha cintura pareciam ter sido feitas para estarem ali.

Envolvi seus ombros com minhas mãos, passando meus braços por seu pescoço logo depois e aprofundando o beijo. Clara apertou minha cintura com mais força, sorrindo, e eu também sorri, enroscando meus dedos em seus cabelos e puxando-os pra trás. Ela deixou que meu puxão afastasse sua cabeça, mordendo meu lábio inferior enquanto a distância aumentava. Senti uma leve dor na região quando ela voltou a me beijar, mas nem liguei pra isso, até que um gosto fraco de sangue começou a se manifestar. Logicamente, ela também sentiu, já que partiu o beijo com a testa franzida e lançou um olhar levemente preocupado para meus lábios.

- O que houve? – ofeguei, encarando-a com o mesmo olhar, e ela ergueu as sobrancelhas num tom surpreso.

- Acho que exagerei um pouco por aqui. – ela sussurrou, sorrindo de um jeito quase envergonhado. – Hm… Vamos dar um jeito nisso.

Clara voltou a aproximar nossos lábios, sorrindo agora de um jeito sedutor, e sugou meu lábio inferior devagar, fazendo a dor aumentar um pouco, mas logo cessar quase que completamente. A ponta de sua língua deslizava sobre meu pequeno ferimento, como se quisesse estancar o sangramento.

- Só não pense que eu vou pedir desculpas. – ela sorriu daquele seu jeito cafajeste, afastando-se novamente para olhar como estava a situação do corte que ela mesma havia feito. – Porque eu não vou.

- Tudo bem. – eu murmurei, posicionando minhas mãos em sua região lombar, fincando o pouco de unhas irregulares que me restava ali e subindo com elas por toda a extensão de suas costas, até alcançar seus ombros. – Eu também não.

Sem conseguir conter um sorriso ao ver a expressão de dor e prazer dela, ergui um pouco minha cabeça para poder beijá-la, voltando a deslizar minhas unhas por sua pele. Clara desceu seus beijos por todo o meu colo, fazendo minha respiração quase parar tamanho foi o seu capricho, e segurou meus seios com firmeza, aproveitando-se da posição favorável na qual se encontrava.

- Até que enfim tenho tempo suficiente pra dar a devida atenção a essa parte. – ela suspirou, olhando para meu busto com uma expressão desejosa, e eu soltei um risinho, agarrando seus cabelos. Ela sugou-os, fazendo movimentos circulares com a ponta da língua, e eu arqueei minhas costas para cima, sentindo o tesão se acumular em cada pedaço de mim. Sua respiração quente batia em minha pele, e ela gemia baixo de olhos fechados, concentrada em extrair o máximo de prazer daquele momento.

Satisfeita, ela continuou seu caminho até minha barriga, e só parou quando alcançou minha intimidade. Clara me lançou um olhar quase selvagem de tão reluzente quando me tocou com sua língua, e eu imediatamente senti uma onda de calor percorrer minha espinha.

Seus movimentos eram quentes e precisos, porém não tinham a menor pressa e brutalidade. Me apoiei em meus cotovelos, quase rebolando devido aos movimentos involuntários de meus músculos contraídos de prazer, e joguei a cabeça pra trás, de olhos fechados para poder senti-la melhor. A cada segundo, ela intensificava suas carícias, me fazendo gemer cada vez mais alto até chegar ao ponto máximo. Contive um grito, mordendo sem querer a região machucada de meu lábio e me esforçando ainda mais pra não berrar, dessa vez também de dor.

Ela terminou seu serviço e distribuiu beijos lânguidos pelo interior de minhas coxas, acariciando-as com suas mãos, e eu não conseguia me mexer, anestesiada pelos toques dela. Clara me olhou, afastando seus lábios de minhas pernas, e eu nem esperei que ela voltasse.

Ergui meu tronco depressa e praticamente a ataquei, beijando-a com fúria. Ela se sentou, apoiando-se na porta atrás de si, enquanto eu me inclinava cada vez mais sobre ela. Passei minhas mãos por seus ombros e barriga, parando em seus quadris e dedilhando sua virilha deliciosa. Ela segurava firmemente em minha cintura, correspondendo com muito mais do que avidez ao beijo, e eu coloquei meus dedos em sua intimidade, sentindo-a mais úmida do que nunca. Parti o beijo contra a vontade dela e embrenhei meus dedos da mão livre nos cabelos de sua testa, levando-os para trás e fazendo-a jogar a cabeça na mesma direção, totalmente submissa. Sorri maliciosamente, mesmo sem ser vista, e passei rapidamente o dedo indicador da mesma mão por seu tronco, parando quando atingi seu umbigo e simultaneamente começando a masturbá-la. Ela agarrou minhas coxas e jogou a cabeça para a frente, observando os movimentos rápidos de minha mão. Seus músculos se contraíam visivelmente, e as veias de seus braços estavam saltadas, o que só me deixava ainda mais louca. Tudo nela parecia me atiçar, me convidar, me atrair.

Passei a língua devagar por seu clitóris, fazendo pressão contra ele, e ela gemeu alto, dolorosamente excitada. Repeti esse ato algumas vezes, tendo a mesma reação dela, até que seus dedos se fecharam ao redor de meus braços, e antes que eu me desse conta, eu já estava deitada, com ela sobre mim e seus dedos prestes a me penetrar.

- É assim que você quer? – pude ouvi-la arfar, com a testa fortemente franzida em sinal de máximo autocontrole, e eu involuntariamente sorri, quase comovida. Só mesmo na hora do sexo para Clara Aguilar ser gentil comigo e me perguntar se eu queria ficar por baixo. Envolvi seu pescoço com meus braços e aproximei minha boca de seu ouvido, sussurrando logo em seguida:

- Me mostre do que você é capaz.

Senti um jato forte de ar sair de seus pulmões e atingir meu pescoço em cheio, demonstrando sua rendição e me arrepiando da cabeça aos pés. Imediatamente, ela me penetrou, com uma força extraordinária, e eu por pouco arranquei mechas de seu cabelo, tamanha foi a força coma qual eu a agarrei. Podia senti-la profundamente dentro de mim, sentia seu corpo quente estremecer rente ao meu, sua voz rouca gemer ao pé do meu ouvido, e a cada vez que ela movimentava os dedos, eu sentia meu coração quase sair pela boca de tão rápido que batia. Envolvi seus quadris com minhas pernas, puxando-a pra mais perto ainda, sendo que ela já estava prestes a me rasgar por dentro, e Clara afundou seu rosto em meu pescoço, mantendo seus lábios selados contra a minha pele na tentativa de abafar seus gemidos. Minhas mãos nunca estiveram tão indecisas como estavam naquele momento, percorrendo toda a extensão entre seus ombros e suas costas.

- Merda. – ela xingou algum tempo depois, quase que num grunhido, e em seguida, chegou ao clímax. Uau, Clara Aguilar gozando só de me dar prazer. Muito bom. Ela investiu mais algumas vezes em vão, soltando urros de raiva por não conseguir prolongar aquele momento, até finalmente relaxar e deixar-se cair sobre mim, respirando com dificuldade. Eu apenas encarava o teto do carro, tentando absorver o turbilhão de prazer que ela havia desencadeado em mim, extremamente impressionada.

- Me desculpa. – ela sussurrou, interpretando mal minha breve paralisia, e eu imediatamente franzi a testa, horrorizada. – Mas é que… Você me provoca demais, e… Eu não aguento por muito tempo.

Tudo que consegui fazer foi rir, apesar da falta de ar, e ela se afastou para me olhar, com a expressão confusa. Será que excesso de orgasmos podia causar demência?

- Eu te desculpo por ter salvado a minha vida. – eu expliquei, após algum tempo de riso. – Se você tivesse continuado, era bem capaz de ter me matado.

Clara soltou um risinho aliviado, fechando os olhos de um jeito exausto, e eu continuei observando-a. Difícil resistir a uma beleza tão gritante e espontânea como a dela… Eu realmente devo ser muito cega por nunca ter notado isso antes.

Ela se levantou e vestiu sua calcinha, enquanto eu colocava apenas minha camisola. Assim que o fiz, ela me puxou para si, deitando-me sobre seu peito no banco de trás, e me abraçou. O contraste entre sua respiração, já calma sob minha mão, e seu coração, levemente acelerado sob meu ouvido, estranhamente me tranquilizou, fazendo com que minhas pálpebras pesassem cada vez mais.

- Pode dormir se quiser. – ela sussurrou contra meus cabelos, notando minha moleza sobre ela. – Te acordo quando começar a amanhecer, já que vou ficar acordada de qualquer maneira.

- Por que não vai dormir? – sussurrei com esforço devido ao cansaço, acariciando timidamente sua pele com meus dedos.

- Não vou conseguir. – ela respondeu com um risinho discreto. – Não depois de tudo isso… Ainda há muito para eu observar aqui.

Meu estômago revirou, me causando uma sensação inquietante pelas palavras dela, mas eu estava cansada demais para responder. Tudo que fiz foi sorrir de leve e deixar que o sono me ganhasse após um último suspiro.

- Boa noite, Clara.

One Shot Harry -I Care

Acordo por volta das 2 horas. Olho à minha volta na cama e está do mesmo jeito que estava quando eu fui dormir: vazia. Apenas os lençóis bagunçados ao lado do meu corpo. 

Era pra alguém está ali. Esse alguém que há algum tempo simplesmente sai sem me dar satisfações. Temos uma filha de 1 anos, que está dormindo tranquila no outro quarto. Desde que ela nasceu, parece que eu e Harry nem somos casados. Ele não se importa mais com ela, nem comigo, nem com nosso casamento nem com nada. 

Puxo os cobertores pra perto do meu corpo e tento fechar os olhos novamente. Mas é  impossível. Elas tem o cheiro do Harry. Cheiro que eu não consegui largar ainda. 

Caminho até a porta do quarto da Ally. Vejo seu pequeno corpo dentro do berço, e sua respiração leve enchendo o quarto. 

Ainda no quarto dela, ouço o portão da garagem abrir. Sei bem quem é. Encosto a  porta e me deito na poltrona da sala. 

Não demora muito e Harry aparece na sala. 

-Você não devia estar dormindo? -ele pergunta, tirando o casaco e jogando no sofá.

-Você não devia ter chegado à horas? -retruco. Ele revira os olhos.

-Preciso deitar. 

Harry caminha até o banheiro e eu o vejo tirar a camisa e joga-la no chão. De longe eu sinto o cheiro de perfume barato de outra pessoa. 

Não posso mais adiar essa conversa. 

-Harry -chamo, abrindo a porta do banheiro e o encontro tirando a calça. -Preciso que você decida o que quer fazer de hoje em diante.

Ele me olha confuso.

-Como assim? 

-Quer continuar morando nessa casa e sendo um bom pai e chegando cedo em casa; ou ir embora e fazer o que quiser?

Ele me olha sem falar nada por alguns segundos.

-Não seja idiota, [S/N].

Dou um suspiro profundo.

-Eu estou tentando não ser, Harry. Por favor, eu não posso continuar assim.

Ele saiu do banheiro, apenas de calça, tentando fugir da discussão, mas eu o acompanhei. 

-Se for pra você continuar ignorando sua família e dormindo com todas por aí, por favor, vá embora e me deixa em paz com a Ally.

-Quem disse que eu dur…

-Eu não sou burra, Harry. -digo calmamente, lágrimas quentes já descendo pelo meu rosto. Ele prefere não responder nada.

Dou as costas pra ele, evitando o choro preso na garganta. Me deito na poltrona da sala, e acabo adormecendo ali mesmo.

_________________________________________________

Na manhã seguinte, meu corpo está dolorido por causa da posição que eu fiquei a noite toda.

Ouço barulhos vindo da cozinha e reconheço a voz de Ally.

-Bom dia,docinho -falo pra ela, na minha melhor voz infantil. Ela estava brincando no chão. Sentado na mesa está Harry. Acho que aquilo foi uma tentativa de mostrar que ele “participa” da família. Simplesmente ignoro sua presença. 

Pego Ally do chão e vou preparar meu café. Eu e Harry não trocamos nem uma palavra nem um olhar. Até o momento que eu decido terminar logo com isso.

-Onde você foi ontem?

Ele termina de dar um gole de café e coloca a xícara na mesa novamente.

-Saí.

Reviro os olhos e balanço a cabeça.. Não posso xingar na frente da Ally.

-Não diga.

Ele dá uma risada sarcástica e detestável.

-Vou passar uns dias na minha irmã -solto, finalmente, e ele me olha com um pouco de espanto.

-Por que? 

-Até que você decida parar de beber e resolva ser um chefe de família de verdade. Não gosto da Ally nos ver brigando toda vez.

-Não pode tirar minha filha de perto de mim.

-Posso sim, Harry -eu já estava quase gritando -eu posso, porque você não faz a mínima diferença na vida dela ou na minha. Eu sou a única aqui tentando salvar essa merda de casamento enquanto você fica bêbado. Você não se importa com nada ou ninguém além de você mesmo. Eu me importo, por isso quero ficar longe de você por um bom tempo.

As palavras saltaram da minha boca, enquanto ele tentava gritar outras coisas ao mesmo tempo. Fui até o quarto ainda com Ally no colo,coloquei calças jeans e meus tênis e peguei as bolsas que já estavam prontas. 

Saí disparada em direção ao meu carro, enquanto Harry xingava alguma coisa na cozinha. Não parei pra ouvir.

Coloquei Ally na cadeirinha, e quando ia para o banco do motorista, Harry parou na minha frente.

-[S/N]… -ele segurou meu pulso.

-Não encosta em mim! 

Me esquivei pra entrar no carro, ele tentou me agarrar, gritei pra que ele parasse, Ally começou a chorar, alguns vizinhos apareceram, e meu único jeito de me soltar foi um tapa certeiro no rosto dele que fez sua cabeça virar.

-Me deixa em paz -falei com os olhos marejados.

Harry ficou parado no lugar, sem reação. Entrei no carro, e dei a partida. Vi sua imagem sumir no retrovisor.

Pra onde eu iria, exatamente? Não sei. Mas precisava ficar longe dele. Esfriar os pensamentos. Ou até quem sabe começar do zero.

Segunda Temporada- Capítulo 29

Dois dias se passaram desde que eu deixara o hospital, e as coisas não podiam estar melhores. Tudo estava correndo bem, a única exceção era a minha perna que realmente havia quebrado. Eu possuía algumas dificuldades para andar, mas já tinha me acostumado a usar as muletas. Clara me ajudava bastante, e Pepa também.
Por incrível que pareça, as duas estavam se dando mais do que bem. Pepa entendera que eu e ela éramos passado como casal, mas manteve a amizade comigo sem problema algum, tanto por ela quanto por Andrew. Clara não se sentia mais ameaçada por Pepa -mesmo que não houvesse razão alguma para isso-, e começara e tentar ser amiga da outra mulher. Isso estava dando certo pelo fato de eu estar praticamente esquecida pelas duas, que ficavam de um lado para o outro enquanto eu repousava a perna no sofá, brincando com Andrew e Max.
Por falar neles, ambos estavam se dando muito bem. Andrew sempre considerou Max um irmãozinho, e desde que o menor chegara, eles não se desgrudavam. Andrew seguia Max para onde quer que ele fosse, fazendo todas as suas vontades e ajudando-o com as suas pequenas obrigações. Max era acompanhado pelo irmão quando ia almoçar, tomar banho, lanchar, brincar e até mesmo dormir. Por essas e por outras razões, Clara e eu pensamos em fazer um único quarto para os dois quando comprássemos nossa nova casa no Brasil.
Apesar de os dias estarem bastantes corridos, nossa viagem de volta para o Brasil estava marcada, e seria ainda esta semana. Eu estava ansiosa para voltar para casa, e minha mãe queria logo ver Max, Clara e eu.
-Ei, como está a perna, hein? -Mayra perguntou, sentando-se ao meu lado e dando leves tapas no local de uma forma implicante.
-Ei! Não faz isso… -Eu disse, retirando sua mão e rindo junto à ela. -E se você quer saber, está bem melhor do que antes. Eu aprendi a não ligar para a dor. -Respondi, e ela sorriu maliciosa.
-Que bom, porque você vai ter que controlá-la esta noite. -Mayra disse, e em seguida levantou-se e saiu sem dar nenhuma explicação. Movi a cabeça um pouco confusa, mas acabei rindo daquilo. Minha intuição dizia que alguém estava tramando alguma coisa, e eu tinha certeza de que Clara estava envolvida.
Com a ajuda das muletas, eu consegui me levantar e fui procurar Clara no hotel. Fui praticamente pulando pelo hotel atrás da loira, e pude encontrá-la na parte da cozinha, preparando algo para Andrew e Max comerem. O cheiro de sua comida estava maravilhosa, seus dotes culinários desconhecidos ajudando a melhorar aquilo. Entretanto, o cheiro de seu perfume sobressaía a tudo. Inspirei fundo e tentei chegar de fininho por trás da loira, mas tudo o que consegui foi quase cair com aqueles troços na mão e uma tala na perna. Clara virou rapidamente para mim, um pouco assustada, e ao descobrir o que eu estava fazendo, ela caiu na risada. Bufei fingindo irritação e ela riu ainda mais, vindo até mim e rodeando minha cintura.
-Você deveria estar aqui? -Ela perguntou, ainda risonha. Revirei os olhos e ela riu, abraçando-me e depois se afastando e dando um beijo firme em meus lábios. -Mas agora sério, não força a perna. -Clara disse, mudando um pouco o seu semblante e ficando um pouco mais séria. Neguei com a cabeça e ela fez uma careta engraçada, cerrando os olhos.
-Tenho tempo para descansar a perna. -Eu disse e Clara mordeu o lábio inferior, contendo um sorriso.
-Falaria algo, mas é melhor deixar para lá… -Ela disse, e depois tentou me beijar. Eu afastei o rosto e a encarei curiosa, mas ela apenas soltou breves risadas e continuou suas tentativas de beijo.
-Você não vai me dizer? -Perguntei e ela riu, negando. -Tem algo have com o que a Mayra disse para mim, sobre controlar a perna esta noite? -Perguntei e Clara parou o riso logo depois, fechando a boca e provavelmente xingando Mayra por dentro. -Bingo! Você tem que me contar! -Eu disse, porém Clara negou.
-Não. -Ela disse.
-Não vai dizer nada? -Perguntei, começando a ficar frustrada e Clara negou, novamente sem dizer uma palavra. -Qual é a de vocês? -Perguntei um pouco irritada por ser a única que não sabia nada e Clara procurou algo atrás de mim.
-Max está me chamando -Ela disse, já tentando se livrar de mim.
-Max não está te chamando. -Eu disse, repreendendo-a.
-Sim, ele está, agora deixe-me ver o que ele quer. -Ela disse e eu tentei impedi-la. Clara parou em minha frente e puxou minha nuca para um beijo. Eu não cedi a princípio, mas logo desisti disso quando ela tentou aprofundar o beijo. Clara deu uma leve lambida em meu lábio inferior e eu abri a boca para dar passagem à sua língua, porém ela simplesmente se afastou com um sorriso imenso em seus lábios, deixando-me desnorteada com o que ela acabara de fazer comigo. Grunhi frustrada, e quando me virei, dei de cara com Andrew me encarando de uma forma esperta. Cerrei os olhos desconfiada, e ele sorriu sem mostrar os dentes.
-Por que não diz logo o que está planejando? -Perguntei, e ele cutucou o queixo de uma forma divertida.
-Você está me devendo cinquenta reais. -Ele disse, e eu arqueei a sobrancelha desacreditada no que tinha ouvido. -Você perdeu uns quinhentos jogos para mim, tem que dar graças a Deus que eu estou apenas cobrando cinquentinha… -Ele disse e eu definitivamente cai na gargalhada. Quando acabei, Andrew ainda me encarava da mesma forma, e sua mão estava virada com a palma para cima.
-Não podemos negociar? -Perguntei.
-Não. -Ele respondeu.
-Posso pagar várias coisas para você.
-Também posso pagar várias coisas para mim com o dinheiro que você vai me dar e ainda terei o dinheiro que você não vai me dar para também pagar coisas para mim.
-Com quem você aprendeu isso?! -Perguntei, desnorteada. Andrew sorriu e eu revirei os olhos. Tirei vinte e cinco dólares de meu bolso e dei para o garoto. Ele contou as notas e arqueou a sobrancelha para mim. -Não estamos no Brasil, cara, mas se estivéssemos, eu teria acabado de ter dar cinquenta reais… Aproveita. -Eu disse, e em seguida me virei para ir de volta à sala. Andrew correu para o outro lado do local, murmurando algumas coisas inaudíveis. Eu cai na risada, e logo me joguei no sofá para tentar dormir alguma coisa.
Eu estava cochilando no sofá quando alguma coisa simplesmente foi jogada em meu rosto de uma forma bruta. Acordei no susto, e dei de cara com Mayra segurando o riso. Franzi o cenho constrangida e fui ver o que ela tinha jogado em mim.
-Melhor vestir isso agora, eu estou te esperando no carro. -Ela disse, como se estivesse dando uma ordem. Arqueei a sobrancelha e ela riu, dando meia volta e indo em direção à porta de saída do Hotel. Olhei através da janela, e pude constatar a noite no céu de Vegas. Fiquei algum tempo apenas admirando a Lua brilhar para mim, mas logo tomei coragem para vestir o que estivesse dentro daquele pacote.
Mal notei a ausência de Clara assim que saí do Hotel.
Eu poderia imaginar mil lugares para o qual Mayra me levaria, menos aquele. Não demorou para que eu reconhecesse as paredes desbotadas e o estilo brega daquele barzinho stripper. Encarei Mayra confusa, e ela sorriu de canto. Talvez Clara tivesse contado para ela o que acontecera na noite em que eu a levara para lá. O dia da festa do casamento de Clara e Fabien no Cassino, quando no início da madrugada, eu simplesmente tirei Clara da festa e a levei para o exato lugar em que eu estava olhando agora. As lembranças daquela noite ali eram perfeitas, do início ao fim, e alguma coisa me dizia que era justamente por causa disso que Mayra, ou melhor, Clara, havia me levado para aquele local.
-Ela está te esperando. -May disse docemente e eu assenti, abrindo a porta do carro e saindo de lá.
Caminhei pelo local com uma certa dificuldade, mesmo estando com as muletas. As minhas dificuldades não eram pelo fato de eu estar com a perna quebrada, para ser sincera. Elas eram pelo fato de eu estar completamente perdida e nervosa, talvez até mesmo ansiosa para o que viria. Clara nunca fizera nada especial se não possuísse algum significado, tanto bom quanto ruim. Se ela me levara exatamente para aquele lugar, fora por um motivo que eu, infelizmente, não estava conseguindo enxergar naquele momento.
Todo o caminho do corredor estava decorando com flores em um tom violeta. A cor do local estava azul, assim como as luzes neon que ficavam pelo caminho. O cheiro também era de flores, mas até um certo ponto. Ao fim do corredor, o cheiro impregnante de um perfume conhecido tomara conta de minhas narinas, o que eu não reclamei de jeito nenhum. A imagem de Clara tomou conta de minha visão assim que eu entrei no salão principal, onde ficava o palco.
Clara estava magnificamente perfeita esta noite. Se bem que ela sempre estava dessa forma, não importava o momento. Ela usava um vestido vermelho, quase casual em seu corpo, pois deixava-a insuportavelmente provocante. Seus lábios eram envoltos por um batom quase da mesma cor que o vestido, e o seu cabelo estava solto por seus ombros. Sorri completamente hipnotizada pela imagem que eu estava vendo, e Clara soltou uma risada envergonhada, o que se tornou o meu novo barulho favorito. Ela veio em minha direção de uma forma elegante, e abraçou meu pescoço com seus braços com uma distância considerável, não tão perto, mas nem um pouco longe. Eu coloquei minhas mãos em cada lado de sua cintura, e a puxei levemente contra meu corpo. Clara riu, e beijou docemente meus lábios, sem aprofundar o beijo nem nada. Eu desfrutei de toda a doçura de sua boca, o que estava me deixando bêbada graças a junção de aquilo com o seu perfume.
-O que eu fiz para merecer você? -Perguntei timidamente, de olhos fechados e com a testa colada com a sua. Mesmo sem visualizar, eu sabia que Clara tinha alargado o seu sorriso.
-É nossa última semana em Vegas e nós não conseguimos tempo para aproveitar esses dias… Achei que uma noite de folga para nós duas seria algo interessante. -Ela disse baixo, não chegando a ser um sussurro, mas de uma forma ou de outra sendo algo capaz de causar arrepio pelo fato de seu hálito acariciar meu rosto.
-Você é perfeita. -Eu disse, mal me importando com o que ela disse.
-E você não ouviu nada do que eu disse… -Ela brincou, e eu ri, abrindo os olhos para prendê-los aos seus. Nós ficamos alguns segundos apenas nos encarando, e aproveitando a bolha agradavelmente silenciosa que se instalara entre nós. Clara foi diminuindo lentamente seu sorriso, até chegar apenas em um curvar de lábios, e eu franzi um pouco o cenho.
-O que foi? -Perguntei baixo ela suspirou.
-Você sabe que há uma razão para que eu tenha te trago aqui, certo? -Ela perguntou, ainda com a voz doce. Assenti e Clara ficou mais relaxada. -E você sabe qual é? -Ela perguntou, tímida, e eu neguei curiosa. Clara afastou-se gentilmente de mim, e entrelaçou nossas mãos, levando-me para perto do palco. Nós ficamos algum pouco tempo admirando o mesmo, até que ela voltou a olhar para mim, sorrindo timidamente. -Sabe o que torna este lugar -tão pavorosamente decaído- um lugar especial? -Ela perguntou, mas aquele tipo de pergunta em que não se espera uma resposta. -Voltemos um ano atrás em nossa complicadíssima história de amor… -Ela brincou, rindo brevemente. -Eu tenho certeza de que você se lembra a primeira vez que você me trouxe aqui, quando tentou me humilhar por uma razão que até hoje eu não sei qual… -Ela riu baixo. -Você jogou todo o meu passado monstruoso na minha cara como se eu fosse desprezível de alguma forma. O que você nunca percebeu, nem naquela noite nem depois, foi que quando fez isso, além de mostrar a parte mais frágil de mim, você me fez acreditar que alguém poderia me amar sabendo de tudo o que acontecera comigo no passado. Você se lembra da forma que me amou naquela noite, Van? Como se não ligasse para nada que tivesse descoberto? Você me fez enxergar algo além de todo sofrimento e da dor reprimida que eu sentia. Por isso, Van, e apenas por isso, eu fui capaz de amar verdadeiramente alguém. Naquela noite, e neste lugar, eu provei a real essência do amor enquanto me afundava em teus carinhos. -Clara disse, sorrindo e com certas lágrimas nos olhos.
-Algo que você também não consegue entender ou enxergar… -Eu comecei dizendo, reprimindo algumas lágrimas emotivas. -… é que você me salvou, Clara, você me salvou do monstro que eu era antes de conhecer você. Se eu fiz aquilo, foi porque eu pensava que alguém como você, rica e bem-sucedida, nunca poderia amar alguém como eu, uma desconhecida que viera para o exterior apenas por pura coincidência. Você não conheceu o meu passado, tudo pelo o que eu havia passado antes de te conhecer. Eu amei você desde a primeira vez na empresa, e quando vi Fabien com você, preparando uma festa de casamento, eu não aguentei. Eu pensei que eu sofreria novamente, e eu tentei sair por cima. Mas, Clara, quando eu te trouxe para cá, e você tirou a sua máscara de dona de empresa, eu descobri que você era apenas alguém como eu e eu não podia desperdiçar essa oportunidade. Você acha que me salvou, Clara, mas foi exatamente ao contrário. Eu não seria nada, hoje, se você não tivesse aparecido em minha vida. -Eu disse e Clara deixou escapar um soluço de emoção. Ela veio em minha direção e segurou minhas mãos, levando-as até o ar na altura de nossos rostos e entrelaçando-as logo em seguida.
-Nós nos salvamos, Van. -Ela disse, já com o rosto bem próximo ao meu. -E eu também não sei o que seria da minha vida se você não estivesse comigo esta noite. -Ela completou, capturando meus lábios em um beijo cheio de desejos. Clara guardou todo o seu desejo por mim desde a última vez, o acumulou, e agora estava despejando-o em meus lábios. Eu puxei sua nuca para fazê-la ficar mais próxima de mim, e ela puxou a minha cintura de uma forma nada gentil, também trazendo meu corpo para próximo do dela.
Clara levou suas mãos até minhas costas, exatamente aonde estava o fecho de meu vestido, e de uma forma fácil, ela deslizou o fechecler do mesmo. Em seguida, ela levou suas mãos até meu ombro e foi abaixando o vestido até a minha cintura, onde ele terminou de cair sozinho. Ela voltou com suas mãos para as minhas costas, e eu pude sentir seu sorriso entre o beijo. Clara afastou-se gentilmente para me encarar de uma forma maliciosa.
-Que bom que está usando… -Ela disse, referindo-se a lingerie preta que agora era a única peça que cobria o meu corpo. Eu ri, deixando de lado o meu lado vergonhoso para dar espaço à malicia. Clara continuou a se afastar, e caminhou sensualmente até o palco, retirando sua roupa pelo caminho. Assim que ela chegou nas escadas, seu vestido deslizou por seu corpo, também revelando uma lingerie parecida com a minha, porém branca. Ela virou seu rosto para mim de uma forma convidativa, ainda caminhando até um Pole Dance localizado bem ao centro do palco. -Você vem? -Ela perguntou, iniciando uma série de movimentos que começavam a causar arrepios em partes sensíveis de meu corpo. Levei meu olhar até a perna machucada, depois voltei-o para Clara, que sorria de uma forma divertida. Revirei os olhos e fui mancando até ela, sem mesmo usar as muletas, e ela puxou meu corpo contra o seu assim que eu me aproximei dela.
Clara caminhou lentamente comigo até o pole dance, para que não houvesse nenhuma dificuldade de minha parte. Quando chegamos, ela praticamente me jogou de costas para o pole dance, e começou a se aproximar de uma forma lenta e sensual. Eu sorri para ela, mordendo meu lábio inferior para controlar meus instintos, já que ela estava esfregando seu corpo contra o meu. Clara deu a volta no pole dance, e quando voltou a ficar de frente para mim, uma música tocava no fundo. Não demorou muito para que eu me desse conta de que era a mesma música que tocara na balada no dia que eu vira Clara pela primeira vez. De repente tudo ficou nítido para mim, desde a decoração, até o local escolhido, a música e a roupa que usávamos. Clara estava vestida praticamente da mesma forma, e dançava da mesma maneira. Ela segurou o pole com as duas mãos, atrás de minha cabeça, e foi descendo, roçando toda a sua parte frontal na minha parte frontal.
Eu não desprendia meu olhar de Clara, e ela fazia o mesmo comigo. Porém, diferentemente de mim, ela não procurava meus olhos, mas sim todo o meu corpo. Ela encarava maravilhada todo o meu torso e a lingerie que eu usava, mordendo seu lábio inferior para conter seu desejo, enquanto continuava a dançar exclusivamente para mim. Eu depositava todo o meu equilíbrio no pole, mas era difícil mantê-lo quando ela roçava seus lábios contra meus lábios, clavícula, pescoço e orelha. Ou então quando ela descaradamente pressionava seu sexo contra a minha perna, arranhando levemente o lado de meu corpo logo após. Eu respirava fundo uma, duas, três vezes, para tentar conter os pontos de excitação que ela explorava enquanto dançava, mas era impossível cumpri-lo. Cheguei ao ápice de meu desespero sexual, e inverti as posições com Clara, espremendo-a contra o pole. Ela riu divertida, como seu já esperava, mas continuava a se movimentar contra mim. Em uma certa parte da música, quando nós não resistíamos mais a manter aquela mesma distância, Clara levou sua perna até o meu torso, e prendeu-a também em minha perna, segurando-se com as duas mãos no pole. Eu segurei no pole dance também com as duas mãos, logo atrás de sua cabeça, e rapidamente uni nossos lábios em um beijo de urgência. Clara abriu a boca e permitiu a passagem de minha língua, e eu explorei toda a extensão já conhecida de sua boca da forma que ela achava mais prazerosa possível. Há muitas coisas escondidas em um beijo. Um beijo nunca é apenas um beijo, é muito mais do que esse gesto denominado assim. Eu sabia muito bem disso, por isso que procurava executá-lo em minha melhor forma possível.
Clara “libertou-me” do aperto com sua perna e, ainda me beijando, puxou meu corpo para um outro lugar. Eu desejei mais que tudo que ela não me fizesse subir as escadas, como na primeira vez, e para a minha surpresa, ela não pretendia fazê-lo. Clara abriu as cortinas do palco, revelando algo como um quarto improvisado, porém muito convidativo para um momento como aqueles, e com uma enorme cama confortável. Clara não tinha apenas fechado o local para uma noite surpresa, ela tinha definitivamente preparado tudo. Sorri, mas não tive tempo de demonstrar isso à ela, já que, segundos depois, ela estava atacando meus lábios de uma forma bem mais bruta que eu. Clara me puxou até a cama com um pouco de rapidez, o que fez eu sentir uma pontada de dor na perna, mas eu não me importei muito com isso. Assim que sentiu o lado do colchão, Clara me jogou nele, e veio pôr-se em cima de mim logo após.
Eu coloquei toda a culpa de nossas brutalidades em cima da abstinência que passamos durante esse período. Eu desejava realmente rasgar a lingerie no corpo de Clara, e poder observá-la nua em cima de mim. Antes que eu fizesse, Clara o fez comigo, e eu rapidamente segui seu gesto. Nós teríamos que rever isso de rasgar a roupa uma da outra, pois sempre que transávamos, isso acontecia. Ri com o pensamento, mas não deixei isso sobressair a todo o desejo que eu estava sentindo. Clara arrancou a peça de meu corpo e começou a dar beijos languidos em meu pescoço, aproveitando também para deixar marcas de chupões lá. Eu aproveitava suas investidas para estimulá-la com pequenos arranhões em suas costas, e também apertos na mesma. Clara ousou mais, e posicionou o joelho bem no meio de minhas pernas, repetindo o que ela tinha feito da primeira vez. Eu mordi levemente um de seus braços, que suportava seu corpo e estava ao lado de minha cabeça. Ela não reclamou, muito pelo contrário, continuou a pressionar e massagear meu sexo com seu joelho, arrancando gemidos significativos de mim. Clara apoiou sua testa em meu ombro, enquanto fazia aquilo, e levou uma de suas mãos a um de meus seios, massageando-o e apertando-o, também contornando meu bico já rígido com seus dedos. Eu queria definitivamente xingá-la por estar brincando comigo daquela forma, mas acho que se eu abrisse a boca, eu acabaria soltando apenas mais um gemido e isso faria com que ela piorasse a sua tortura para comigo.
Levei uma de minhas mãos para a bunda de Clara e apertei com vontade, dando um tapa logo em seguida. Ela mordeu meu ombro em resposta e eu subi um pouco a mão para o tecido de sua calcinha, roçando levemente meu dedo também em sua pele naquela região. Como contra-golpe, Clara pressionou mais seu joelho contra meu sexo, dessa vez elevando até a região do clítoris, que mesmo coberto pela calcinha, pulsava insanamente desejando seu toque. Arqueei o corpo em resposta, e puxei seu rosto para outro beijo feroz, dominando-o dessa vez. Aproveitei sua distração para colocar minha mão dentro de sua calcinha e acariciar diretamente seu clítoris. Ela cambaleou um pouco e esbarrou em minha perna, fazendo com que eu soltasse um grunhido que, àquele estado de excitação, soou mais como um gemido agudo.
Clara abaixou seu corpo e o deixou contra o meu, impedindo que eu continuasse aquilo, e eu voltei com minha mão para o seu cabelo, puxando-o e bagunçando-o de uma forma implicante. Ela riu, e como se dizia “vamos ver quem implica mais”, desceu uma de suas mãos sem cerimônia alguma e a enfiou dentro de minha calcinha, movimentando-a por lá. Clara estimulava meu clítoris com seu dedão, enquanto brincava de penetrar ou não penetrar com o resto de seus dedos em minha vagina. Grunhi frustada, e dei um tapa em seu rosto, arranhando-o levemente logo em seguida. Clara chupou meu lábio inferior ferozmente como reprovação, mas, sinceramente, aquilo só tornava as coisas mais interessantes. Rocei meus dedos sobre seu braço que sustentava a mão dentro de minha calcinha, como pedido para que ela fizesse o que deveria ser feito, e Clara não enrolou mais e penetrou meu sexo, num vai e vem constante e delicioso. Mordi seu lábio para conter um gemido, e ela aumentou a sua fricção em meu clítoris e a sua velocidade na penetração. Clara afastou seus lábios dos meus e levou-os até meu ouvido, sussurrando sujeiras estimulativas e fazendo-me gemer seu nome em desespero. Quando cheguei perto de meu ápice, esperei que ela tirasse sua mão para levar sua boca até lá, como costumava fazer, porém ela não o fez, e ficou apenas trabalhando em meu pescoço e em meu seio com sua mão livre.
-Clara… -Disse com um pouco de dificuldade, tentando avisá-la, porém ela soltou uma risada.
-Hoje não… -Ela sussurrou roucamente me meu ouvido, e eu gemi alto em resposta, cravando minhas unhas em suas costas. Clara aumentou ainda mais a sua velocidade em meu sexo, e logo eu cheguei em meu ápice, completamente tomada pelo prazer. Senti todo um tremor percorrer minhas pernas, e vibrava em meu gozo por aquilo. Pude sentir Clara morder o lábio inferior para tentar conter o seu, mas tratei de colocar minhas mãos em cada uma de suas nádegas e puxar toda aquela parte contra mim, fazendo com que nossos sexos roçassem e ela sentisse todo o molhado de meu gozo. Clara rebolou gradativamente em meu colo por alguns segundos, e então também chegou ao seu ápice, desmanchando-se em mim. Ela ergueu sua cabeça como resposta àquilo, mas depois deixou-a cair ao lado de meu pescoço, ainda aproveitando as sensações que aquele momento havia trago para nós.
Silenciei-me por um tempo, ficando apenas acariciando o cabelo de Clara de uma forma carinhosa. Ela se manteve deitada em cima de mim, tentando normalizar sua respiração, e também aproveitando para manter suas energias. Eu amava aquilo, ficar perto dela assim, tão intimamente. Além do calor que emanava de seu corpo, sentir sua respiração e o seu cheiro perto, significava tudo para mim.
-Você não consegue esconder… -Clara disse, rindo e virando seu rosto para me encarar.
-Esconder… ? -Deixei subentendido e ela alargou seu sorriso.
-Quando está pensando em mim, ou em algo sério. -Ela disse. -Seu coração acelera e você fica em silêncio total, e também fica perdida em pensamentos. -Ela completou. Sorri sem graça e Clara me deu um selinho firme, mas logo se afastou e encarou-me maliciosa.
-Energias repostas? -Ela perguntou sugestiva e eu ri. -Ué, temos este lugar até amanhã à tarde… -Ela continuou e eu definitivamente gargalhei.
-Você vai continuar tarada quando nos casarmos? -Perguntei, e dessa vez Clara riu, confirmando com a cabeça. -Ótimo, venci na vida. -Disse e ela riu, voltando a me beijar.

O barulho do aeroporto de Vegas acabou me deixando abatida de alguma forma. Eram muitas pessoas, muitas conversas paralelas, muitos rostos novos, muito Vegas em tudo, e agora eu teria de deixar aquilo para trás.
Sabe, desde a última vez em que deixei aqui eu prometi que nunca voltaria, e agora eu não queria de jeito nenhum ir embora. Essa era uma sensação confusa que Vegas causava em mim, mas eu sabia que elas existiam apenas pelo fato de que Vegas fora um lugar importante e emocionante tanto para mim quanto para as pessoas que eu amo. Embora tenha sido um lugar cheio de perigos, também era um lugar no qual nós vivemos os nossos momentos mais especiais, e isso a tornava especial.
-O avião já está pronto, Srta. Aguilar. -O piloto do jato particular de Clara disse, e ela assentiu agradecida, sussurrando algo para Max alegremente. Grunhi baixinho, e minha barriga revirou algumas vezes. Encarei todos os rostos presentes ali: Mayra, Coyotte, Thaís, Bella, Letícia, Pepa e Andrew. Com exceção de Coyotte, Bella e Leticia, os outros ficariam ali durante mais um tempo, e todos tinham um motivo especial.
Thaís e Mayra possuíam coisas para resolver, cada uma em sua vida. Pepa e Andrew, bem, eles possuíam uma razão especial, mas eu ainda contaria isso para eles.
-Perdemos a Srta. Aguilar para sempre? -Letícia perguntou, sorrindo divertida para Clara e também brincando com Max.
-Eu volto. -Clara disse, e eu ri por saber que, naquele momento, aquilo era mentira.
-Vou sentir sua falta. -Letícia disse, acariciando levemente o braço de Clara de uma forma amigável.
-Eu manterei contato, está bem? -Clara disse de uma forma doce.
-Vou ter de arrumar um novo emprego. -Bella disse, brincando com Clara, e eu aproveitei sua distração para chamar Letícia um pouco mais afastado do resto.
Letícia era esplendidamente linda, e isso causava uma certa inveja em mim. Era realmente o destino sobre eu e Clara ficarmos juntas, pois Letícia não era alguém que se jogasse fora. Além de sua beleza física, ela possuía um carisma imenso e um coração maior ainda.
-Espero não ter feito algo que te desagrade. -Ela disse, assim que paramos um pouco distantes.
-Não, para ser sincera… -Disse, sorrindo sem graça. -Eu só queria agradecer por tudo o que você fez por ela antes que eu chegasse. Eu sei o quão boa você foi para ela quando ela mais precisava, e apesar de vocês não terem dado certo, eu agradeço por você ter tentado. -Eu disse sinceramente e Letícia sorriu com o canto dos lábios.
-Eu acho que tenho que te agradecer pelo mesmo. -Letícia disse e eu confirmei com a cabeça, sem obter alguma resposta para aquilo.
-Atrapalho? -Pude ouvir Pepa perguntar, e eu e Letícia nos viramos para encará-la.
-Não, na verdade eu já estava indo. Tenho que puxar Bella antes que ela esqueça do nosso programinha desta noite! -Letícia disse, rindo timidamente. Ela nos deixou logo depois.
-Tenho novidades… -Comecei a dizer, segurando as mãos de Pepa.
-Engravidou Clara?! -Ela perguntou, e depois riu da própria piada. Eu ri junto à ela, mas logo nos silenciamos para encarar a outra.
-Você… terá que levá-lo a lugares legais… Você sabe, Andrew não teve a oportunidade de conhecer Vegas direito… -Eu disse, um pouco atrapalhada com as palavras.
-Quer que eu fique mais tempo aqui? Só falar, Vanessa. -Pepa disse, mudando um pouco o semblante. Eu sorri e ela arqueou a sobrancelha para mim.
-Clara acha que você merece um lugar melhor para ficar com a ONG… Ela pensou que a Empresa Aguilar seria um ótimo local para isso. -Eu disse e Pepa abriu a boca desacreditada. Sorri e ela fez o mesmo, depois me abraçou agradecendo aos risos. -Clara não quer voltar aqui, e não queria deixar a empresa com o pai dela… -Eu disse, assim que nos afastamos.
-Ela é uma boa pessoa, terei que agradecer a ela depois… -Pepa disse, sorrindo sem graça. Ela logo foi envolvida pelos braços magrelos de Andrew, que me espiou serelepe atrás de sua mãe.
-Não vai vir falar comigo, mané? -Perguntei fingindo irritação e Andrew veio até mim, pulando em meu colo. -É disso que eu to falando! -Eu disse e ele riu.
-Contou a novidade para a mamãe? -Ele perguntou e eu franzi o cenho perguntando-me como ele sabia. -A tia Clara me disse, mãe… -Andrew disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
-Você vai se comportar aqui, certo? -Perguntei de uma forma autoritária. -Sua mãe vai te levar para onde você quiser se você se comportar… -Eu disse e ele confirmou com a cabeça. -E você vai cuidar dela? -Perguntei. Andrew encarou Pepa e eu fiz o mesmo, ela sorrindo de canto enquanto mordia o lábio inferior e nos observava.
-Vou sim, mamãe. -Andrew disse.
-Ótimo, porque agora você é o homem daqui, está bem? E você tem que ficar de olho nela, mas tem que obedecê-la e cumprir com suas tarefas… -Disse e Andrew confirmou. Dei um beijo em sua bochecha e o coloquei no chão. Assim que o fiz, Pepa veio em minha direção e puxou-me para um beijo de despedida. Não foi algo avassalador, capaz de causar um escândalo. Foi um beijo terno, e eu me senti agradecida por tê-lo recebido.
Afastei-me de Pepa gentilmente, e sorri para ela também de uma forma terna. Pepa devolveu o gesto, e eu me virei para abraçar fortemente Andrew. Estava rezando interiormente para que eles estivessem em casa antes do Domingo.
Eu continuei a me despedir dos outros, e cerca de sete minutos após, nós estávamos indo em direção à pista de decolagem. Clara estava com Max no colo, e eu carregava algumas bagagens dele, enquanto brincava com o garoto que lutava contra o sono naquele momento. Nós andamos por alguns metros, até que então entramos no jatinho de Clara. Ela colocou Andrew em uma cadeirinha especial, enquanto eu ajudava o piloto a acabar de arrumar as coisas. Em pouco tempo, estávamos sentadas juntas e prontas para decolar. Max estava logo à nossa frente.
-Ela fez tanta coisa por nós… -Clara disse baixo, já que o pequeno começava a fechar os olhos. -… merecia mais que apenas um beijo. -Ela completou e eu sorri, ficando surpresa por saber que ela havia visto. Clara estava com sua cabeça apoiada em meu ombro, e nossas mãos estavam entrelaçadas sobre minha perna.
-Eu poderia passar uma noite com ela. -Eu disse, provocativa.
-E então não precisaria nem mais voltar para casa, ficaria por lá mesmo. -Clara respondeu, quase que imediatamente, e nós caímos na risada.
Estávamos observando o que conseguíamos observar de Vegas pela janela do jatinho, e eu já começava a sentir saudades daquele lugar. Vegas era apenas uma palavra e um milhão de momentos, era praticamente uma vida em um local, e isso chegava a ser instigante. Eu sei o quanto eu e Clara pretendíamos não voltar para cá, mas como eu disse inicialmente, eu não sabia se eu realmente queria sair.
Engoli o choro forçadamente e Clara acariciou minha mão de uma forma terna, como se entendesse minhas memórias. Eu sabia que ela estava revirando as suas, mas, diferente de mim, Clara procurava pegá-las e colocá-las em um lugar onde as esqueceriam de alguma forma. Eu deveria fazer o mesmo.
-Vai deixar saudades. -Eu disse sinceramente, e Clara assentiu apesar de tudo.
-Eu não pretendo voltar, Van. -Ela disse, ainda observando a paisagem pela janela.
-Não vamos. -Eu disse. -Teremos uma vida boa no Brasil, Vegas, daqui a um tempo, será colocada de lado por nós duas. -Eu completei, e Clara concordou. Virei meu rosto e ela deu um beijo firme em meus lábios. Depois, Clara voltou à sua antiga posição na cadeira, fechando os olhos para tentar dormir antes mesmo de decolarmos. Continuei encarando a paisagem por algum tempo, e em minha cabeça, um arco-íris deixou tudo muito confuso e nítido ao mesmo tempo, repetindo exatamente o que Vegas significava para mim. Sorri de canto, e fixei meu olhar lá por uma última vez.
-Adeus, Las Vegas. -Sussurrei. Logo após, virei o rosto e apoiei a cabeça junto da de Clara, fechando os olhos pela última vez num lugar que ficaria agora apenas em nossas memórias, mas, principalmente, em nossos corações.

One shot Harry Styles - I’m in love with a… Gynecologist? 

- Bom dia à todos. - Estremeci ao ouvir aquela voz rouca que eu sempre sonhava durante a noite.

- Bom dia. - Os demais responderam e eu não havia percebido que tinha ficado calada.

- Bom dia, (s/n). - Ele parou de andar e me encarou. Saí de meu transe e após tossir bebi um pouco de água. - Ainda não entendo esse seu desejo de querer que eu destine um bom dia só pra você. - Riu.

- Não é nada disso, Styles. Eu só… Estava… Pensando em todos os pacientes que devo atender hoje.

- Ou será que fica tão impressionada com a minha aparência a ponto de não conseguir falar? - Perguntou e ergueu uma sobrancelha fazendo os outros colegas de trabalho rirem.

- Com licença. - Peguei minha bolsa e levantei rapidamente pra sair da sala destinada aos médicos da clinica em que o Harry é dono. Ele havia acertado o motivo do meu silêncio. Miserável!

- (s/n), não precisa correr assim. - Eu podia ouvir seus passos atrás de mim, mas logo entrei e tranquei a sala. - Uma hora você vai ter que abrir essa porta e eu vou estar aqui. Não acho que seus pacientes sejam algum tipo de mutantes e que sejam capazes de atravessar paredes.

Xinguei ainda mais aquele babaca mentalmente. Por que ele sempre insistia em me envergonhar daquele jeito? Será que ele havia percebido que eu já fui totalmente interessada nele? E se alguém tivesse dito algo? E se eu já tivesse entregado os pontos de alguma maneira? Mas eu ainda gosto dele?

Se não gostasse não sonharia com sua voz e seus possíveis gemidos durante os sonhos. Meu subconsciente zombou e eu fiz questão de mandá-lo pra puta que pariu e após respirar fundo eu decidi abrir a porta.

- Sensata. - Riu e esperou que eu desse espaço para que ele entrasse. - Ainda acho que você tem juízo.

- E por que ainda?

- Porque você saiu daquele jeito, não me respondeu direito… Olha, seu crédito anda diminuindo comigo. - Encostou-se na borda da minha mesa e cruzou os braços. Ele já havia colocado seu jaleco.

- Você não tem nenhum paciente pra atender não?

- E você não tem nenhum receio de falar assim com seu chefe não?

- Meu chefe é o Carl, o supervisor.

- E eu sou o dono dessa clínica, chefe do Carl e consequentemente seu chefe. Digamos que duas vezes seu chefe. - Gargalhou e eu fiz careta. Ele tem razão. O que está acontecendo comigo?

- Desculpe.

- Não há problema.

- Posso te fazer um pedido?

- Pode.

- Não me envergonha mais na frente dos meus colegas de trabalho. É feio demais e eu acabo sendo motivo de chacota pelos corredores.

- Ninguém seria louco de falar qualquer coisa ruim de você, (s/a). - Oi? Ele me chamou pelo apelido mesmo?

- E por quê?

- Eu não deixo.

- E por qual motivo?

- Nós dois sabemos muito bem.

- Eu não sei de nada.

- Certeza?

- Absoluta. - Imitei sua postura e cruzei os braços

- Nós dois nos gostamos, isso é fato e todo mundo já sabe. Qual a novidade nisso?

- Eu gosto de você? - Ri sem graça. - E você gosta de mim? - Bufei desacreditada.

- Sim e sim. - Sorriu. - Todo mundo na clínica já sabe, só estamos esperando você assumir.

- Pelo amor de Deus… O que você está dizendo?

- A verdade.

- Você é louco!

- Isso aqui é o quê? Uma de minhas loucuras? - Ele ergueu o celular e me mostrou um print de uma conversa minha com Scarlett, uma das médicas amigas minhas, em que eu dizia que havia sonhado com ele e que não conseguia esquecê-lo.

- Não acredito que a Scarlett fez isso. - Eu podia sentir meu interior ferver de raiva. Ela não tinha o direito.

- Scarlett fez isso para o nosso bem!

- O nosso bem?

- É… Ela já sabia que eu… Bem, que eu tinha um certo interesse em você.

- O problema era seu, nada a ver ela se meter entre nós dois desse jeito.

- Eu não acho isso.

- Repito, o problema é seu. Harry, essa conversa está estranha, o que eu estou sentindo é estranho, o dia está estranho. Será que você pode ir embora?

- Eu só preciso saber se… - Aproximou-se rapidamente e segurou meus braços. - Eu tenho uma…

- Doutora, a primeira paciente chegou. - Minha secretária entrou de supetão na sala e ao nos ver ficou paralisada na porta. Droga! Eu e essa mania de deixar as pessoas entrarem quando bem entenderem na minha sala.

- P-pode mandar entrar. - Me desvencilhei do aperto do homem alto e cheiroso à minha frente e o encarei num pedido mudo para que fosse embora.

- Nos vemos mais tarde.

- Eu…

- Mais tarde. - Me interrompeu e levou minha mão até sua boca deixando um beijo nas costas dela.

- Vamos, peça pra paciente entrar! - Falei impaciente ao notar que ela continuava na mesma posição, mesmo depois de Harry ter saído.

O dia se passou rápido. Às vezes eu passava pela sala do Harry e via a enorme quantidade de mulheres esperando pra serem atendidas, todas eufóricas por causa da beleza do médico ginecologista. Eu faço parte do time que acredita que ele não deveria ser ginecologista, ou as pacientes ficam constrangidas ou ficam totalmente alegres, se é que me entende…

- Estou indo embora. - Falei pra secretária que guardava suas coisas. - Se o senhor Styles aparecer antes de você ir embora diga que eu já fui embora e que nós poderemos conversar sobre meus novos horários amanhã. - Tive que inventar algo, o que ela estaria pensando de mim depois de ver o Harry quase me beijando no meu consultório?

- Sim, senhora.

Praticamente corri pelos corredores da clinica e quanto mais eu andava rápido, mais me parecia que meus pés não chegariam na entrada e me ajudariam a me livrar de Harry. Não queria conversar com ele. Eu sabia que ele tinha um poder de manipulação incrível e que por isso sua clínica era tão famosa e bem sucedida.

- (s/n)! Me espera! - Sua voz rouca e alta foi logo detectada por meus ouvidos me fazendo parar no mesmo instante. - Esqueceu que avisei que iria falar contigo?

- Esqueci.

- Está fugindo de mim por quê?

- Não estou fugindo. Apenas tenho compromisso.

- Com quem?

- Ninguém que te interesse.

- Você realmente não tem medo de falar comigo assim, não é?

- Bem… - Olhei para o chão do estacionamento. - Não estamos mais dentro da clínica. Aqui fora você é apenas o Harry Edward.

- Ah. - Estreitou os olhos. - Então você andou pesquisando sobre mim?

- Todo mundo sabe seu nome, Harry. - Voltei a andar.

- Pode ser, mas você não é todo mundo e isso me interessou. - Puxou meu braço e me encostou a ele. - Me fala com quem você vai se encontrar.

- Ninguém.

- Fala (s/n). Quem é o cara?

- Não é ninguém! É sério! Eu menti.

- Que feio. - Fez careta e riu em seguida. - Então não estou ameaçado.

- Você não está nada! Simplesmente isso. O que você quer comigo hein? É alguma espécie de aposta? Você nunca insistiu tanto assim pra falar comigo.

- Só passei a enxergar algumas coisas que não via antes. Por que você luta tanto pra não enxergar o que está bem em cima do seu nariz?

- E o que seria?

- Que eu gosto de você (s/n). Porra! Você não notou? Tanto tempo trabalhando comigo, todos os dias e nada? Nem uma desconfiança? - Na verdade… Não! O que eu vou dizer?

- E-eu… Não… Não sei porquê está me dizendo isso.

- Porque eu quero que você entenda de uma vez por todas o motivo de eu estar atrás de você desde a semana passada. - Eu não havia notado que ele estava me cercando há tanto tempo, achei que era só marcação mesmo. - Te contratei há dois anos atrás porque quando coloquei os olhos em você eu já gostei do que vi e depois que comecei a falar contigo diariamente eu só me apaixonei ainda mais. Você é diferente, é a única que fala comigo de igual pra igual, mesmo que eu seja seu chefe você não está nem aí e isso me encanta. - Seu aperto aumentou e após fechar os olhos, ele encostou o nariz na minha testa. - E for poi por isso que eu sinto aqui dentro que eu me separei da Hannah. - Paralisei no mesmo instante.

- Você… Você se separou da sua esposa por… Minha… Causa? - Eu não acreditava no que ouvia.

- Sim. Odeio enganar as pessoas.

- Mas Harry, isso é…

- Loucura? - Me interrompeu e riu. - Isso você já me disse.

- Não, isso não pode acontecer. - Tentei me soltar de seus braços fortes.

- Por quê? - Nos juntou ainda mais.

- Porque é errado! O que você está me propondo, mesmo que ainda não tenha dito, é surreal! Parece mentira! Você disse que me contratou porque gostou de mim, tempos depois eu me apaixono por você e agora você vem dizer tudo isso pra mim? É alguma pegadinha, só pode.

- Não, não é. Não acredito em destino, mas dessa vez…

- Harry! O que vão dizer?

- Sinceramente? Não me interessa! - Acariciou minhas bochechas. - Seja minha.

- Mas o que vão achar? Vão dizer que eu estou com privilégios, que eu sou intere…

- Chega! - Gritou. - Ou você fica comigo e eu acredito que realmente me ama ou você está tentando arranjar uma desculpa pra não aceitar e mostrar que não sente nada por mim. - Eu falei que ele tinha um poder de manipulação incrível. Eu tenho razão.

- Tudo bem. Vamos pagar pra ver então. - Sussurrei ainda em choque e ele sorriu. Sem mais delongas, me puxou pela nuca e praticamente arrancou minha boca num beijo cheio de vontade.

(…)

- Quero marcar uma consulta com um ginecologista, por favor. - Observei uma mulher alta, de cabelos longos, loiros e lisos em frente à recepcionista da clínica.

- Sim, senhora. Tem alguma preferência de médico?

- Não, nenhuma.

- Sinto muito. Não temos nenhuma vaga para os médicos de plantão.

- Como assim? - Ela colocou as duas mãos na cintura fina. - Eu exijo ser atendida. - Permaneci no canto do corredor apenas observando. Eu estava sem pacientes no momento e aproveitei pra descansar.

- Algum problema, Lindsay? - A voz de Harry me arrepiou pela surpresa de ser ouvida.

- Sim, senhor Styles. A senhora deseja ser atendida por um ginecologista, mas não há vagas.

- Senhor… - A mulher pareceu olhar o nome no jaleco do meu namorado. - Harry, eu preciso ser atendida. Não saio daqui até ter meu desejo atendido.

- Não se preocupe. Eu atenderei a senhora. Com o maior prazer. - Ele olhou-a da cabeça aos pés. O quê?

- Posso marcar aqui, senhor Styles? - Após pigarrear, Lindsay disse.

- Não precisa. Atenderei ela agora.

- Mas e a senhora Ka…

- Remarque pra amanhã. - Olhou para a loira e sorriu. - Vamos?

- Vamos, claro. - Ela sorriu de volta e os dois seguiram para a sala dele. Claro que ele desmarcaria a consulta com a velha da senhora Karen.

Esperei um pouco na tentativa de meus nervos se acalmarem, mas de nada adiantou, a raiva pareceu aumentar. Fui em passos largos até a sala dele e bati com toda a força que pude. Após ouvir a porta ser destrancada, a figura de Harry apareceu na minha frente.

- (s/n)? O que faz aqui?

- Está surpreso por quê?

- Por nada. É só que estamos no meio do expediente, estranho você aqui.

- Posso entrar?

- Estou com paciente. - Afastou-se um pouco para que eu visse a piranha loira sentada. - Volte daqui há meia hora.

- Meia hora? Tudo isso pra atender um paciente?

- Amor… - Ele riu fraco. - Não acredito…

- O quê? - Ele segurou minha cintura e nos empurrou para fora da sala e fechou a porta.

- Está com ciúmes?

- Não. Só quero saber o porquê desse tempo todo aí dentro com essa mulher. Fora que você vai ver certas coisas dela que não vem ao caso.

- É minha profissão.

- Eu sei, mas é difícil pra mim e você não entende. - Ele bufou.

- Tudo bem. Não quero brigar contigo. Eu vou pedir pra ela esperar o Troy terminar uma consulta.

- Sério? - Sorri abertamente.

- Sim.

- Você é o melhor! - Agarrei-me ao seu pescoço e o beijei. - Pode atender ela e levar quanto tempo quiser.

- Oi?

- Eu confio em você. Só estou tendo que aprender a controlar meus ciúmes! Desculpa ter atrapalhado sua consulta com a loira gostosona aí. - Harry gargalhou e me beijou.

- Está desculpada. Vou voltar lá para a loira gostosona que por sinal é lésbica e quer saber se a sua companheira a machucou durante o ato sexual. - Piscou o olho e entrou em sua sala com um sorriso colado no rosto. Como eu sou otária, meu Deus!

Jess

Parte 1


-Rápido (S/N) arrume suas coisas!- Zayn entrou no quarto apressado.

-O que aconteceu dessa vez?- perguntei assustada.

-Eles nos descobriram e estão atrás de nós, se arrume logo!

Acontece que sou casada com Zayn há três anos, meu pai é policial e conheci meu marido em uma festa, Zayn é um dos maiores traficantes do Reino Unido, me apaixonei por ele assim que o vi pela primeira vez.

Para que pudéssemos viver juntos de fugir, deixar toda minha família, tenho muita saudade deles, principalmente de minha mãe, que me ajudou a fugir mesmo sabendo que eu estava errada, ela sempre me ajudou mas agora eu não posso e nem quero voltar atrás.

E essa seria mais uma de nossas várias fugas, o que me deixa muito preocupada, não sei se conseguiremos, se irão nos pegar, ou então se irão matar meu marido.

Fiz o que ele pediu, coloquei um pouco de roupas em uma mala, o que foi fácil pois já somos preparados para se algo acontecer não perdermos tempo, mas o difícil agora é que estou esperando nosso primeiro filho, estou grávida de sete meses, tenho medo de que algo possa acontecer com ele.

- VAMOS RÁPIDO (S/N)!- ele gritou assim que sai pela porta.

-Já estou aqui Malik! Acha que é fácil andar com uma barriga desse tamanho?- falei com raiva.

Entrei no banco de trás de seu carro junto com Mary, a mulher de um dos capangas de confiança de Zayn.

-Zayn iremos para Manchester, de lá iremos para Bolton, onde estão nossos fornecedores, passaremos alguns dias por lá e se sobrevivermos iremos tentar nos fixar em Newcastle.- Ferdinand capanga de Zayn disse.

-Como assim se sobrevivermos?- perguntei aflita.

-Os caras que estão atrás de nós são muito perigosos e eles farão de tudo para nos encontrar (S/N), alguns de nossos homens já foram pegos, então não temos certeza se estaremos vivos amanhã. -Ferdinand continuou, me assustando mais ainda.

-Eu não posso morrer! E meu filho? EU NÃO POSSO MORRER!- comecei a chorar alto, nunca havíamos passado por isso.

-Fica tranquila amor, nós não iremos morrer, nada vai acontecer conosco, pode ficar calma. -Zayn disse sem tirar os olhos da estrada.

Durante a viagem tentei não pensar muito no que poderia nos acontecer, assim que chegamos em Manchester fomos para uma casa mais afastada que já havia sido preparada para passarmos a noite.

Zayn estava no escritório com seus capangas e eu estava no quarto, tentei criar coragem para ligar para minha mãe depois de três anos.

~Ligação~

-Alô…- é tão bom ouvir a voz dela novamente.- Alô? Tem alguém ai?

-Mãe…

-(S/N)? Minha filha, é você?

-Sou eu sim mãe, que saudade…

-Meu amor como você está? Eu estou morrendo de saudades suas minha filha…

-Eu também estou mãe… desculpa não ter te ligado antes…

-Está tudo bem realmente minha filha?

-Parcialmente sim, eu estou grávida mãe… mas eu não sei se vou sobreviver até ele nascer…- comecei a chorar.

-O que houve (S/N)? Você está me assustando!

-Zayn se envolveu com alguns caras e eles querem nos matar, estamos fugindo para Newcastle, mas eu não sei se iremos conseguir…

-Vai ficar tudo bem filha, eu tenho certeza, nada irá acontecer com vocês!

-Eu queria tanto voltar no tempo e ter ficado com vocês, eu estou com medo mãe, queria tanto poder estar em casa com vocês…- me virei e encontrei Zayn encostado na porta. -Mãe eu vou desligar, depois nos falamos…

-Fica com Deus minha filha, eu te amo…

~Fim da ligação~

- Então você se arrepende de ter se casado comigo?- Zayn perguntou caminhando pelo quarto.

-Não é bem assim Zayn, eu não me arrependo de ter me casado com você, eu só quero que nosso filho não passe por isso!- tentei explicar sem me exaltar.

-Você sabia dos riscos que iria correr, mas mesmo assim você aceitou viver comigo, será que não seria melhor você ter ficado vivendo sua vidinha de merda com seus pais?- ele disse em um tom de ironia.

-Não seria melhor não! Sabe por que? PORQUE EU TE AMO ZAYN! AMO MUITO!- agora eu estava com raiva. -ME AMA MAIS NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE LIGA PRA MÃE E DIZ QUE GOSTARIA DE VOLTAR NO PASSADO E FICAR COM ELA! ISSO NÃO É AMOR (S/N)!- me aproximei dele e dei um tapa em seu rosto.- Você não fez isso…- cada vez mais ele chegava perto de mim.

-Zayn… me…me desculpa…não foi por querer.- cai sentada na cama por sua proximidade.

-Mulher nenhuma NUNCA encostou uma mão em mim, nem mesmo minha mãe. E você acha que logo você pode?!- ele segurou meu braço com força. -Zayn você está me machucando…- tentei sair de seu aperto.

- EU NÃO ME IMPORTO SE ESTOU TE MACHUCANDO! MINHA VONTADE É DE TE SOCAR ATÉ EU NÃO TER MAIS FORÇA!- senti o lado esquerdo de meu rosto arder bastante.

-Não me bate Zayn… por favor…- tentei falar porém outro tapa foi deferido em meu rosto.

-VOCÊ VAI APRENDER A NUNCA MAIS ME DESOBEDECER!- ele estava tirando seu cinto da calça.

-Zayn pensa no nosso filho, por favor, não nos machuca.- ele apenas deu um sorrisinho irônico.

-Eu não me importo…- seus olhos estavam vermelhos de raiva.

Tentei sair de seus braços, porém ele é bem mais forte que eu, Zayn me prendeu entre suas pernas, e senti aquele pedaço de couro em contato com minha coxa, chorei alto não por causa da dor, e sim por medo de perder meu filho.

-O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ZAYN?!- Ferdinand entrou no quarto junto com sua esposa.

-NÃO É DA SUA CONTA! SAÍ DAQUI!- Zayn saiu de cima de mim então corri para fora do quarto.

-(S/N)! Vem pra cá! -Mary me chamou entrando em seu quarto.- Está tudo bem querida? -Eu…eu… estou muito nervosa.- comecei a chorar novamente.- Ele nunca havia levantado um dedo pra mim…

-Calma, pensa no seu filho… você não pode ficar assim!- tentou me tranquilizar.

-Eu vou embora, eu vou fugir, não quero mais essa vida.- falei e ela arregalou os olhos.

-Como você irá fugir (S/N)? Você não tem pra onde ir!- ela disse baixo para que ninguém escutasse.

-Você vai me ajudar, eu vou fugir quando ele estiver dormindo!- falei convicta.

-Isso é loucura!- Mary passou as mãos pelos cabelos.

-Vai me ajudar ou não?

-Vou…- suspirou e eu sorri.


Continua…

Eu fui guardando comigo, na minha parte mais serena, cada gesto seu. Desde cada movimento dos lábios, ao fechar dos seus olhos. Fui excluindo as partes ruins, porque apesar de todas elas eu quero ficar com você. Eu quero ficar com você. Costumo dizer isso baixo, pra você ouvir no silêncio da sua calma. Sua vóz e seu olhar, me deram paz em todos os momentos em que eu te dei a mão. E em todos os momentos fomos nos encaixando, apesar dos pesares que nos empurravam pra baixo. Há mais entre nós do que qualquer um possa imaginar, e eu por outro lado me imagino atropelando os porquês, pra poder chegar em você, correr pra você, sentir você e viver com você. Eu decorei o formato das covinhas das suas bochechas, o desenho das suas costas e quanto tempo você demora pra se arrumar. Decorei todos os mínimos detalhes, sem esforço algum. Dos incríveis aos sórdidos, sem ao menos usar sinônimos, ou mesmo ter boas referências sobre isso. Eu coloquei mais reticências onde se encaixava um ponto final. Troquei as vírgulas de lugar porque eu sempre soube, que você era a minha interrogação. Você sempre anunciou o que estava sentindo, e sempre deu risada do meu jeito estranho de rir. E eu não entendia. Nunca entendi. O real e concreto motivo, pelo qual todas as pessoas tornavam-se entediantes perto de você. Ou o porquê de, você me lembrar de longe, uma sexta-feira a noite.
—  Flávia de Oliveira
Segunda Temporada- Capítulo 6

Joguei novamente o dardo, na esperança de que finalmente conseguiria acertar o alvo, mas para a minha má sorte, eu acabei errando novamente. Andrew soltou um grito de alegria e eu passei a mão sobre meu rosto completamente derrotada. O garoto veio ao meu encontro e cutucou meu braço.
-Com essa são cinco erradas, e isso totaliza cinquenta reais. -Ele disse, com os braços cruzados no peito e um sorriso malandro no rosto.
-Você vai me deixar pobre. -Reclamei, mas ele não se abalou.
-Eu disse que pagar mico era melhor do que perder dinheiro. -Ele disse, sentando-se na grama.
-Te pago um sorvete. -Tentei reverter minha situação mas Andrew riu.
-Posso comprar vários sorvetes com cinquenta reais. -Ele disse e eu grunhi. Droga de aposta.
Andrew correu para dentro gritando que ganharia dinheiro no fim de semana, e tudo o que eu sabia era rir. Não entendo como fui capaz de aceitar algo que eu tinha certeza que perderia, principalmente jogando contra aquele mini gênio que eu criava em casa. Senti uma leve pontada no coração ao pensar nisso, talvez fosse porque Pepa sempre apareceria em minha mente.
Eu fora totalmente grossa com ela na noite passada, e isso não saía de minha mente. Pepa sempre esteve ao meu lado nos piores dias que eu passei depois da minha chegada de Vegas, e a forma como eu agi ontem fez parecer que eu já havia esquecido disso. Tenho vergonha de mim mesma ao lembrar desse detalhe. Precisava conversar com ela e resolver nossa situação de uma forma menos desconfortável. Mais por ela do que por mim.
-Você fica linda sempre que perde a noção do espaço em que está e viaja para a sua própria dimensão particular. -Pepa disse, aproximando-se timidamente e tirando-me de meus devaneios. Sorri de canto.
-Não sabia que gostava de me observar quando estou destraída. -Disse, e Pepa riu sem graça.
-Faço isso a todo momento. Mesmo antes de nós ficármos juntas, eu sempre gostei. -Pepa sentou-se na grama ao meu lado. -Quando você tem pesadelos, eu não durmo o resto da noite. Eu fico te observando… Você é tão linda dormindo. E quando eu percebo que o sonho ruim está voltando, eu acaricio o seu rosto, e então sua expressão se torna serena novamente. É como um passe de mágica, sabe? Onde eu posso conseguir tudo com apenas um carinho… -Pepa desviou o olhar e suspirou pesadamente.
-Sinto muito por ontem .-Eu disse, mas ela não esboçou uma reação concreta. -Eu fui muito grossa com você… É que… -Não consegui achar as palavras que queria, e acabei soltando a respiração pesadamente. -Eu mudo tanto quando as coisas tratam de Clara Aguilar. -Disse no tom mais sincero possível.
-Você realmente gosta dela, não é mesmo? -Ela perguntou, voltando a me encarar.
-Nunca gostei tanto de alguém assim. -Respondi sincera novamente e Pepa assentiu, levantando-se.
-Eu acho que sou a penetra dessa história. -Pepa disse. Eu também me levantei e fiquei frente a ela.
-Pepa, eu quero que me ouça e que saiba que estou falando a coisa mais sincera do mundo… -Eu disse e ela assentiu, concentrando-se em mim. -Eu amo você. Muito. Eu acho que você foi uma das pessoas que eu mas amei. Por favor, não pensei que isso é mentira… -Disse e ela continuou me encarando. -Eu não quero que você pense que foi alguém substituível na minha vida, jamais pense isso. Mas eu não posso, eu não sou capaz de lutar contra o que eu sinto por ela. Eu posso ter te contado vários detalhes sobre a nossa história em Vegas, mas esses detalhes não foram nem um terço do que passamos lá. Foi muito intenso, muito forte, muito inesquecível para ambas, principalmente para mim… -Fiz uma breve pausa para recuperar o fôlego. -Você foi capaz de me mostrar um lado belo da vida que eu já havia esquecido por causa de Clara, mas ela é a única pessoa que eu sei que vai poder me mostrar mais, e mais… Ela é a única pessoa que eu sei que eu serei feliz, que eu sei que estarei lá mesmo se tudo estiver insuportável porquê eu a amo de uma forma tão descontrolada, tão necessitada!
-Eu não sou a pessoa certa para você dizer isso. -Pepa disse.
-Eu sei que pode parecer desnecessário, mas eu quero que você saiba o que se passa no meu coração. Aqui dentro está uma confusão enorme e, você, Clara, Andrew e minha mãe são as únicas coisas claras dentro de mim. Eu amo vocês mais do que amo qualquer outra coisa nessa vida, eu juro. E saiba que está mais duro para mim do que para você ter de enfrentar toda essa situação. -Eu disse.
-Eu nunca duvidei do seu amor. -Pepa disse depois de um tempo, sincera. -E eu não estou nem um pouco magoada com você por não conseguir lidar com seus sentimentos. Eu conheço você o suficiente para saber que você é alguém totalmente sensível quando se trata com as coisas que se passam aí… -Pepa disse, fazendo um gesto para meu peito. -Eu fiquei chateada, eu confesso, mas nunca seria capaz de sentir ódio ou raiva de você. Van, eu te amo. E por te amar eu tenho que te entender. -Ela completou, sorrindo fraco. Eu fui a seu encontro e dei-lhe um abraço apertado. Ela rodeou a minha cintura e aproximou-me mais dela, dando um beijo firme no meu ombro quando íamos nos afastar.
-Eu não quero perder você na minha vida, Pepa. -Eu disse sinceramente, e ela sorriu largo.
-Não pensei que irá… -Ela disse. -E digo mais, pode falando para aquela loira lá que, se ela te machucar, eu vou atrás dela em aqui, em Vegas e até ao Alasca, se necessário! -Ela brincou e eu ri, negando com a cabeça. Pepa aproveitou para me puxar para outro abraço e eu correspondi.
- Posso te pedir mais uma coisa? -Perguntei e ela grunhiu assentindo. -Não tira o Andrew de mim. -Pedi e ela afastou um pouco do rosto, para encarar o meu.
-Andrew sempre estará com você, eu prometo. -Ela disse e eu sorri agradecidamente, juntando nossos lábios em um gesto terno.
Passei o resto da tarde com Pepa e Andrew. Nós ficamos ensinando o menino a fazer o seu dever de casa, e depois brincamos com o mesmo, esperando para que ele se cansasse e indo conversar sobre o que aconteceria conosco agora que estavamos nos separando. Não foi uma conversa desconfortável, muito pelo contrário. Decidíamos cada coisa soltando uma risada das ideias loucas que ambas tinhamos. Apenas no fim, quando percebemos que aquilo estava mesmo acontecendo, sentimos o clima ficar um pouco mais tenso. Nada que pudesse ser resolvido.
O outro dia foi resumido em levar as minhas coisas para a casa de mamãe. Andrew, a princípio, ficou completamente abatido ao saber que Pepa e eu estávamos nos separando, mas aquilo foi logo superado quando voltamos a fazer as mesmas coisas que fazíamos quando estávamos juntas. Logo tudo ficou natural.
Dediquei o meu fim de semana para ficar com Clara e Max. O pequeno estava dando os seus passos desengonçados, e Clara ficava maravilhada com aquilo. Ele também estava começando a dizer suas primeiras palavras de uma forma menos embolada, e aí que ela ficava mais animada ainda. Max era um garoto lindo e saudável de dois anos. Clara também sabia escolher muito bem as roupinhas que ele usava, e isso só o tornava mais magnífico. Ela repetia diversas vezes que ele não tinha completado nem três anos e já deixava o mundo todo suspirando por ele. Eu ria com a sua brincadeira, e me sentia completa por as coisas estarem se firmando cada vez mais.
Fabien não aparecera nesse período de tempo e, não sei porquê, eu ficava altamente incomodada com isso. A sua última frase ainda latejava a minha cabeça quase que afirmando que as coisas não estavam tão boas como aparentavam. Eu procurava a todo o momento não ficar relembrando isso, mas era quase impossível tendo essas preocupações e sabendo que agora elas poderiam ser aplicadas a duas pessoas queridas. Ao mesmo tempo que eu tinha a minha guarda baixa, eu mantinha o meu sinal de alertas nas alturas.
-Filho, adivinha que vai ajudar a tia Van à fazer bolo? -Clara perguntou ao pequeno, que estava totalmente entrertido com o seu carrinho de brinquedo. -Isso mesmo, eu e você! E vamos apenas auxiliá-la, porque a sua mãe não sabe fazer muito bem essas coisas não… -Ela disse e eu gargalhei, mexendo a massa e encarando os dois. Ela me encarou debochada. -Só ri porque sabe fazer esse troço…
-Não é troço, é bolo, Clara. -Eu disse, implicando com ela. Eu depositei toda a massa na forma, e levei essa ao forno. Depois peguei a vasilha da batedeira, onde estava o resto da massa e coloquei uma colher lá, dando-a para Max. -E aí, meu lindo, vai raspar com a titia? -Perguntei, já levando uma colher à boca.
-Você não perde tempo. -Clara disse, vindo se pôr atrás de mim e dando um beijo em meu ombro. Max concordou comigo e passou o dedo no recipiente, levando-o à boca logo depois. -Max, a colher está aí para isso! -Clara repreendeu.
-Deixa o garoto! Isso mesmo, filho, leva esse dedão na boca e ajuda a tia Van a comer isso ai. -Eu disse, fazendo o mesmo que o garoto. Clara cruzou os braços e negou veementemente. Eu encarei ela debochada. -Por que você não vem seguir nosso exemplo? -Perguntei, elevando o dedo e o enfiando na boca de uma forma provocativa. Clara riu.
-Você não tem higiene nenhuma, para uma cozinheira… -Ela disse, pronunciando “cozinheira” de uma forma debochada.
-Mantenha-se quieta, Clara Aguilar, não atrapalhe o nosso ritual. -Eu disse, voltando minha atenção para Max.
-Mam… Mamãe… -Ele disse, e em seguida lambeu mais uma vez o dedo.
-Que foi, filho? -Clara perguntou, vindo ao nosso encontro, mas Max não deu muita atenção para ela e apontou para mim. Eu encarei Clara com a boca aberta debochadamente e ela fechou a cara.
-Toma! Mamãe, ele me chamou de mamãe! É melhor você vazar daqui, Aguilar, perdeu a criança. -Eu disse, apertando a bochecha dela.
-Cala a boca. Eu te coloco pra fora daqui agora. -Ela disse e eu ri.
-Acaba de comer aí, filho, que eu vou dar um trato na sua outra mamãe. -Eu disse, dando ênfase em “filho”. Em seguida, fui ao encontro de Clara e rodeei sua cintura com os braços, dando beijos e mordidas em seu queixo, e o resto do rosto.
-Saí daqui. -Ela protestou e eu ri. Capturei seus lábios e a beijei firmemente. Clara logo estava com a mão em minha nuca e eu sorri vitoriosamente, afastando nossos rostos.
-Você não resiste à mim, não adianta. -Eu disse, rindo. Clara me deu um tapa de repreensão e eu ri mais ainda, voltando a depositar selinhos em seus lábios.
-Não posso fazer nada se o meu nível de hormônios aumenta quando você me dá um beijo. -Ela disse provocativa, e eu mordi o lábio inferior para me controlar.
-Você não presta. -Eu disse.
-Nem você. -Ela rebateu.
-Até parece. -Protestei e Clara riu. Tirei meus braços de seu redor e virei-me para Max. Clara aproveitou isso e me deu um tapa no bumbum. Ri de sua “malandrice” e voltei a prestar atenção no menino, que já estava completamente sujo de massa de bolo no rosto. Tirei a vasilha de seu alcance, enquanto Clara passou a mão molhada em seu rosto, fazendo caretas com ele à medida que ele também fazia. Depois de lavar toda a louça, eu fiquei apenas encarando os dois.
Eu acho que nunca poderia desconfiar que Clara possuía esse lado tão meigo como este que aparecia quando ela estava com Max. Vendo os dois, tão criança quanto o outro, era improvável acreditar na história que já passara pelos mesmos. Eles eram tão fisicamente saudáveis e unidos, que mal daria para perceber as rachaduras que a vida já havia provocado neles. Era como se, agora, eles finalmente teriam a vida que sempre quiseram, sem problemas e sem separações bruscas. Eu preferia acreditar assim.
Percebi uma movimentação e foquei o olhar novamente nos dois. Clara ria e Max sorria sapeca, ambos encarando a mim.
-Olha só quem está distraída novamente. -Clara disse para Max e ele apontou para mim, fazendo uma careta risonha logo depois. Neguei sem graça e fui ao encontro dos dois, dando um beijo em Max e um selinho em Clara.
Costumo sempre terminar os capítulos dessa história com uma frase ou um parágrafo com algum tipo de intensidade ou dica. Dessa vez não será assim. Para ser sincera, para quê eu preciso terminar este capítulo dessa forma, se posso apenas aproveitar a imagem daquelas duas criaturas sorridentes em minha frente?

Capítulo 69

Seus olhos estavam conectados, mas vez em outra, seu olhar passeava pelos lábios uma da outra. O clima estava perfeito para um beijo, para o primeiro beijo depois de tanto tempo longe uma da outra, mas o clima foi interrompido pela campainha.

Clara: A campainha! – Levantou-se despertando Vanessa do clima.
Vanessa: É…melhor eu atender. – Retirou-se.

Enquanto Vanessa foi abrir a porta, Clara caía na real.

ClaraNão acredito que isso quase aconteceu. Deixa de ser tola Clara. Acorda!

Ao voltar a sala, Vanessa tentou parecer normal, mas o nervosismo estava estampado em sua voz.

Vanessa: Era a comida. – Sorriu.
Clara: Nem lembrava mais da comida. – Sorriu também.
Vanessa: Minha barriga já avisava. Vamos jantar?
Clara: Vamos.
Vanessa: Vou colocar a mesa.
Clara: Eu te ajudo. 

Rapidamente elas colocaram a mesa, em minutos estavam jantando.

Conversa vai, conversa vem, risadas, brincadeiras e o vinho ia acabando. Aquele passado que havia ficado para trás nem parecia que um dia existiu. Elas não lembravam ou faziam questão de não lembrar, não aquela noite.

Já passava das onze da noite e elas ainda estavam na mesa.

Clara: A gente de conversa aqui e ainda há um bucado pra mim te apresentar.
Vanessa: Nem me lembre. Cairia bem agora um filminho.
Clara: Cairia bem um filminho se não tivéssemos trabalho, você quis dizer, né? – Vanessa sorriu.
Vanessa: Exatamente. – Suspirou. – Bem, vou tirar a mesa.
Clara: Eu ajudo a lavar a louça.
Vanessa: Não precisa. É só colocar no lava-louças. – Elas pegaram os pratos e os talheres e levaram até a cozinha. –Meu tempo era curto, eu precisava estudar muito, então tive que diminuir o máximo que pude as tarefas de casa.
Clara: E então, o que eu faço?
Vanessa: Pode voltar pra sala, daqui um minuto eu vou lá.
Clara: Ta certo. – Retirou-se.

Enquanto Vanessa ajeitava as coisas na cozinha, Clara sentou-se no sofá e tentou colocar seus pensamentos em ordem.

ClaraE esse medo de que algo aconteça? E o pior, de que eu faça algo acontecer! Eu não posso, não posso. Ela foi embora sem se despedir, sem ligar pra o que eu sentia, eu não quero passar por tudo de novo. Não quero e não vou!

Enquanto isso na cozinha



Vanessa escorou-se na pia e começou a brigar com seus pensamentos.

VanessaDroga, droga, droga! E essa vontade de beijá-la que não quer passar! Vontade de dizer tudo o que eu sinto. Affff, beber me deixa sincera demais, preciso parar com isso. Não vou me humilhar de novo. Ela preferiu ele, lembra disso besta? Ela preferiu ele, ela brincou comigo. É, ela brincou legal comigo. Eu podia brincar com ela agora, mas não posso, é perigoso demais. Perigoso por que? Pra quem espalhou aos ventos que estava curada, esse medo agora é o que? Ai meu Deus, o que eu faço?!

Vanessa respirou fundo e em passos lentos foi voltando a sala. Antes de chegar no final do corredor, ela deparou-se com Clara escorada na sacada. Seus olhos percorreram lentamente cada centímetro do corpo de Clara. Suas costas, sua bunda, suas pernas, sua nuca, o movimento de seus cabelos em conseqüência ao vento. Vanessa fez questão de esquecer sua razão.

Narrando como Vanessa



Ela estava parada a poucos centímetros de mim, como esteve por várias vezes há alguns anos atrás. O vento fazia questão de trazer seu perfume até mim, e ele soava como um convite. Eu não conseguia pensar em nada, em absolutamente nada. Quando dei por mim, estava caminhando em direção a ela com passos firmes. Talvez o vinho seja o causador dessa coragem toda. 
Encostei meu quadril na bunda de Clara, e ao mesmo tempo, levei minhas mãos até sua cintura, trazendo seu corpo pra mais junto do meu. Pra minha surpresa, ela não negou minha atitude, tão pouco me impediu de continuar, apenas levou um pouco seu corpo para frente, como se tivesse se assustado. Com uma mão, coloquei seu cabelo para o lado e encostei meu nariz na lateral de seu pescoço. O cheiro do seu shampoo, a maciez de sua pele e o aroma de seu perfume me fizeram lembrar as vezes em que eu a fiz minha. Aos poucos fui roçando meus lábios pela lateral de seu pescoço e pude sentir sua pele arrepiada. Clara mantinha-se quieta e imóvel. Deslizei uma mão minha da sua cintura até sua barriga e pressionei mais seu corpo contra o meu, fazendo Clara ofegar agora.

Narrando como Clara



Eu estava ali parada, olhando para o nada na rua quando senti ela atrás de mim. Como eu sabia que era ela? Não era só o fato de que havia só nós duas dentro daquele apartamento, mas eu conhecia aquele perfume, aquele toque, aquela caricia e seus costumes na hora de amar. Infelizmente ou felizmente, o tempo não foi capaz de me fazer esquecer esses e muitos outros detalhes. Eu não conseguia dizer nem que sim e nem que não, parecia que eu estava paralisada diante dela. Suas caricias ‘inocentes’ foram o bastante pra despertarem uma vontade dela, incontrolável. Eu não sabia se era o certo ou não, mas naquele momento eu não fazia questão de saber a resposta. Ainda que eu não quisesse demonstrar o quanto eu a queria, o quanto meu corpo pedia pelo dela, o quanto meu prazer implorava pelo seu, a única coisa que eu fiz, foi me entregar naquele momento.

Voltando a narrar como Vanessa



Antes de Clara me fazer parar, comecei a beijar a lateral do seu pescoço, delicadamente, enquanto minha mão que estava em sua cintura, a apertava com cuidado. Levei minha mão que estava em sua barriga, para cima, em direção ao seu seio e ainda não tinha nenhuma reação negativa de Clara. Aos poucos fui virando ela, a fazendo ficar de frente pra mim. Ela ainda estava imóvel, porem agora me olhava nos olhos. Pensei em perguntar se ela queria ir adiante, se sentia confortável de continuar, mas logo me dei conta de que ela já não era mais a mulher que eu amava e que me preocupava em ter algum tipo de cuidado. Pelo menos foi o que eu achei. Sem me preocupar com o que ela queria ou deixava de querer, aproximei meus lábios dos seus e os encostei. Ela não fez nada! Não se afastou, muito menos iniciou o beijo. Como mais uma de minhas conquistas, fechei meus olhos e iniciei o beijo, pra minha surpresa, Clara aceitou e continuou o beijo. 

VanessaEla será minha essa noite! – Pensei. 

Levei minha mão até sua nuca e pressionei mais sua boca contra a minha, levando minha língua de encontro a sua, dando inicio a um beijo mais cheio de vontade. Nessa hora senti suas mãos em minha cintura, forçando meu corpo pra trás com bastante agressividade, quando dei por mim, vi que ela havia conseguido me separar dela e agora estávamos ofegantes, nos olhando.

Ela estava parada em minha frente, seu batom estava borrado e seu cabelo um tanto desarrumado. Podia notar um pouco de raiva na forma que ela olhava pra mim. Ela tentava demonstrar que não queria continuar, mas o fato dela ter ficado imóvel e calada em minha frente me fez ver ou fazer questão de ver que ela estava bancando a difícil.

Sem me importar com o que ela realmente queria, segurei seu braço com força e a puxei contra meu corpo, selando meus lábios nos dela e a beijando com fome. Clara tentava me empurrar e me fazer parar, mas eu não estava disposta a ceder. Comecei a fazê-la andar de costas, em direção ao quarto, ainda com ela tentando me evitar. Resolvi apelar de vez! Enquanto eu sugava e beijava com vontade seu pescoço, sem me importar se estava ou não deixando vermelhidões, tentei abrir os botões de sua blusa, mas não consegui. - Na verdade, nunca fui boa em abrir só com uma mão botões e fechos de roupas. – Clara estava quase me vencendo na força e eu precisava, rapidamente, dar um jeito de fazê-la perder um pouco de forças, então sem pensar mais, larguei suas mãos e puxei com certa agressividade sua blusa, rasgando-a e deixando seu sutiã amostra. Sem dar tempo dela raciocinar e chegar na conclusão de querer me matar, voltei a beijar sua boca com fome, enquanto pressionava seu corpo contra o meu e a parede.

Deslizei uma mão minha até sua coxa e a apertei, logo fazendo sua perna flexionar e acabar em volta de minha cintura. Rocei com força minha intimidade na dela enquanto sentia ela ofegar durante o beijo. Enquanto uma mão minha apertava sua bunda por baixo da saia, a outra massageava seu seio por baixo do sutiã. Clara já não tentava me evitar mais e isso acabou me deixando confusa. Antes que ela mudasse de idéia, voltei a andar com ela de costas em direção ao quarto, e rapidamente chegamos ao mesmo. Sem perder tempo, caí com ela na cama, deixando meu corpo entre suas pernas. Levei meus lábios novamente até seu pescoço e o beijei com vontade. Pude sentir suas mãos em minhas costas, por baixo de minha blusa, me arranhando com certa força. Comecei a roçar novamente minha intimidade na dela, enquanto uma mão minha se livrava de seu sutiã. Assim que o joguei no chão, segurei um seio seu e o suguei com força, arrancando um gemido de Clara. Logo coloquei minha lingüinha pra fora e comecei a massagear seu biquinho. Ele estava enrijecido e umidecido por mim. Clara, em um movimento rápido, virou comigo na cama, ficando por cima agora. Pra minha surpresa mais uma vez, ela não tentou me evitar, muito pelo contrário! Na mesma força que a minha, ela rasgou minha blusa, livrando-se rapidamente do meu sutiã enquanto beijava com fome minha boca. Seus cabelos estavam caídos em meu rosto e ficando entre nossos lábios, fazendo Clara parar o beijo. Abri meus olhos pra ver o porque dela parar o beijo e a vi colocando seus cabelos para o lado. Não sei explicar o motivo certo, mas aquela cena fez meu coração acelerar de um jeito diferente, como há muitos anos não acelerava. Não demorou muito e Clara voltou a me beijar. Levei minhas mãos até suas coxas, as acariciei e logo as apertei. Ela massageava meus seios enquanto com seus polegares contornava meus biquinhos. Com a gente já quase sem ar, mas sem vontade de parar o beijo, Clara o finalizou.

Ela apoiou suas mãos, uma de cada lado do meu corpo na cama, fixou seu olhar no meu e começou, lentamente a rebolar em meu quadril. Confesso que fui a loucura! Ela sabia que isso me deixava bastante excitada e continuou seus movimentos. Enquanto roçava sua intimidade na minha, ela abria o botão do meu short e abaixava meu zíper. Ao sentir que meu short estava aberto, rolei com Clara na cama e fiquei por cima novamente. Enquanto eu a beijava, ela abaixava até o máximo que podia meu short e minha calcinha e eu abaixei o resto que faltava. Fiquei ao lado de suas pernas e puxei sua saia juntamente com sua calcinha, jogando-as no chão. Fiquei novamente entre suas pernas e lentamente fiz nossas intimidades se tocarem. Pelo nosso contato deu pra perceber o quanto estávamos excitadas. Aos poucos fui movimentando meu quadril entre suas pernas, enquanto massageava um seio seu. Suas mãos estavam acariciando minhas costas e deixando algumas leves marcas. Movimentei agora meu quadril pra frente e pra trás, podendo sentir melhor o quanto ela estava molhada. Clara pressionava com força minha bunda, fazendo nossas intimidades se roçarem mais. Eu estava bastante excitada, mas tentava ao máximo não gozar logo. Enquanto me movimentava entre suas pernas, eu observava Clara. Ela estava de olhos fechados, um pouco suada na testa e bastante ofegante. Não demorou muito e ela começou a gemer com mais freqüência, me fazendo notar que logo gozaria. Comecei a fazer meus movimentos mais rápidos e acabei gozando um pouco antes dela. Eu já estava quase sem forças mas sem a mínima vontade de parar por um segundo meus movimentos enquanto não sentisse Clara gozar. Ela começou a apertar com mais forças minhas costas e logo deu um gemido mais alto e mais longo. Assim que a senti gozar, desabei meu corpo sobre o dela. Estávamos ofegantes, suadas e cansadas. Eu não sabia o que fazer e nem o que falar agora que a ‘transa’ havia acabado e por isso, nem me mexi. Torcia pra que ela fizesse o mesmo, mas ela não fez.

Não demorou muito e Clara começou a se mexer. Ela fez eu sair de cima dela e ficou sobre mim. Ela não trocou uma palavra comigo, apenas ficou me olhando como se estivesse pensando no que fazer. Quando eu ia arriscar uma palavra, ela começou a beijar meu pescoço. Levei minhas mãos até suas costas e a senti um pouco suada. Passei levemente minhas unhas por sua espinha, sentindo-a se arrepiar. Clara desceu seus lábios por meu colo e passou a ponta de sua lingüinha em volta do meu biquinho, fazendo-o novamente ficar enrijecido. Logo que o viu durinho, contornou ele com sua língua umas quatro vezes, sugando-o com certa força em seguida. Clara deslizou seus lábios para meu outro seio e fez o mesmo, logo desceu seus lábios em direção a minha barriga e desenhou nada ali com sua lingüinha. Senti um frio na barriga com sua caricia e senti meu corpo novamente dando sinais. Ela continuou descendo seus lábios até chegar em minha bexiga. Na mesma ela começou a dar beijo de língua, como se estivesse beijando minha boca. Meu sexo já implorava por seu toque e eu comecei a gemer baixinho, enquanto com minha mão tentava empurrar sua cabeça mais pra baixo. Depois de alguns poucos minutos me provocando e ela desceu seus lábios pra minha virilha, ali ela passou a lingüinha e quando foi para minha outra virilha, fez questão de roçar seus lábios em minha intimidade. Ao chegar em minha outra virilha, ela deu novamente um ‘beijo de lingua’, enquanto eu tentava levar minha intimidade de encontro a sua boca. Olhei pra ela rapidamente e a vi sorrindo, como se estivesse gostando de ver o quanto eu estava com vontade de seu toque. Depois de mais alguns minutos de tortura e eu senti o toque de sua lingüinha em minha intimidade. Mordi com força meu lábio inferior ao senti-la dando linguadinhas em meu clitóris. Sem prévio aviso e ela o sugou com força em seguida, arrancando de mim um gemido não muito baixo.

Clara deslizou sua língua por entre meus lábios pequenos e mais uma vez sem prévio aviso, penetrou com força sua lingüinha em minha intimidade, arrancando mais uma vez um gemido de mim. Ela começou a fazer vai e vem com sua lingüinha e aumentava o ritmo conforme eu gemia. Não demorou muito e eu senti meu orgasmo querendo chegar. Agarrei com força o lençol e o puxei desarrumando a cama, enquanto dei um gemido longo. Novamente eu estava sem forças nenhuma e bastante ofegante. Mal senti o último selinho de Clara em minha intimidade. Apenas a vi deitando ao meu lado. 

Eu estava cansada, mas não exausta. Ainda precisava sentir Clara de mais um jeito. Deitei novamente por cima dela e a beijei cheia de fome, ainda que bastante ofegante. Nossos suores se misturavam e uma podia sentir o coração acelerado da outra. Enquanto eu a beijava, meus seios roçavam nos dela e minha mão deslizava pela lateral de seu corpo. Assim que cheguei em sua cintura a apertei e logo desci minha mão pra sua coxa. Me ajeitei melhor e deixei uma perna minha entre as delas. Passei levemente a ponta das minhas unhas pela lateral externa de sua coxa e subi da mesma forma pela lateral interna de sua coxa. Passei levemente dois dedos meus por sua intimidade e logo os deslizei pra sua virilha, apertando-a em seguida. Clara movimentava seu quadril como se tentasse encostar sua intimidade em minha mão e isso me excitava. Com um dedo comecei a massagear seu clitóris devagar. Clara rebolava e pressionava mais seu clitóris em meu dedo. Depois de arrancar alguns gemidos baixos dela, levei meu dedo até a entradinha de sua intimidade e fiz movimentos circulares com ele ali. Vez em outra eu o penetrava, mas logo o tirava. O corpo de Clara estava inquieto na cama totalmente desarrumada e eu estava adorando vê-la desse jeito.

Clara: Penetra vai! – Sussurrou Clara.

Ela sussurrou isso de um jeito baixo, com uma voz um pouco rouca que me fez sentir um frio na barriga. Mediante a isso não pude fazer outra coisa, senão penetrá-la. Aos poucos fui penetrando dois dedos em sua intimidade até chegar no máximo que eu podia. Logo comecei a fazer vai e vem nem muito rápido e nem muito devagar. Clara apertava meu braço e arranhava minhas costas, enquanto rebolava em meus dedos. Aproximei meus lábios de seu pescoço e iniciei um ‘beijo de língua ali. Os movimentos de meus dedos estavam mais rápidos agora e os gemidos de Clara mais altos. Afastei meus lábios do pescoço dela e a fiquei observando. Como de costume, ela não gostava de ser observada, então me puxou pela nuca e novamente nos beijamos. A beijei com fome, com vontade, com desejo, com saudade como se fosse o último beijo. Enquanto a beijava, virava meus dedos dentro dela ainda com o vai e vem. Seus gemidos eram abafados em minha boca e ela apertava com mais força meu braço. Meu vai e vem estava rápido e logo ouvi um gemido mais longo em minha boca, logo senti meus dedos deslizarem com mais facilidade. Clara soltou meu braço e parou o beijo. Ao sentir que ela gozou, tirei devagar meus dedos de dentro dela e dei um selinho em seu queixo, desabando ao seu lado em seguida.

Final da narração de Vanessa



Clara e Vanessa tiveram um dia bastante cansativo, pra ajudar a cansar mais, tiveram essa noite. Assim que a transa acabou, ambas desabaram. Vanessa e Clara não sabiam como agir agora que a ‘adrenalina’ havia passado, muito menos o que seria a coisa a certa a falar. Vanessa se ajeitou no peito de Clara e ambas pegaram no sono logo em seguida.

Um pouco antes de Vanessa pegar no sono, ela sentiu Clara acariciar seus cabelos. Clara antes de dormir, sentiu a caricia de Vanessa em seu peito. 

Capitulo 27 {Tudo ou Nada}

POV CLARA AGUILAR

Assim que entrei no banheiro do meu quarto, a primeira coisa que eu fiz foi trancar a porta. Não sabia se era pra manter Vanessa do lado de fora ou se era pra me manter ali dentro. Eu precisava me acalmar.

Olhei para minha banheira. Eu gostava muito dela, mas hoje ela não iria me ajudar. Andei até a ducha e a regulei para água fria. Eu odiava tomar banho de água fria, entretanto aquilo se fazia necessário. Só de lembrar de Vanessa tocando meu corpo com as mãos já me batia um arrepio. E aqueles beijos quentes na minha nuca e nas minhas costas não ficavam atrás.

Fiquei alguns minutos dentro daquele banheiro, quando finalmente resolvi que era hora de encará-la.

Fala sério, Clara… É só a Vanessa! – repeti na minha mente como se isso me desse algum tipo de segurança. Peguei o roupão que eu tinha pendurado no banheiro e o vesti.

Respirei fundo e abri a porta.

Assim que voltei ao quarto, vi Vanessa em pé, de costas para mim, apenas de calcinha e sutiã. Ela puxava sua calça jeans para cima e a encaixava perfeitamente em seu corpo. Não consegui não olhar para aquela bunda. Ela se virou para mim e sorriu, e eu pude sentir meu rosto corar imediatamente. Então virei meu rosto para o outro lado, tentando fazer com que ela não me visse vermelha igual a um pimentão.

- Clarinha, eu já entendi… Eu to indo embora… – ela começou a falar, mas eu a interrompi, virando-me para ela. Eu realmente estava de saco cheio das desculpas dela.

- Você não precisa ir – falei, me aproximando dela e tentando ignorar o fato de ela estar apenas de sutiã.

- De qualquer forma, sua amiguinha daqui a pouco aparece na porta – ela disse, cruzando os braços.

- Tá com ciúmes? – perguntei, sorrindo.

Ela bufou com uma falsa indignação.

- Ciúmes? De você?

Envolvi seu corpo com as minhas mãos.

- Eu quero que você fique. E sabe… A Ariane não vai atrapalhar dessa vez…

Assim que terminei de falar a frase, a campainha tocou e eu amaldiçoei Ariane mentalmente Vanessa apenas levantou a sobrancelha como quem dizia “viu?” e eu parti para a porta da sala.

Abri a porta já querendo matar quem quer que fosse.

Ariane, se for você, eu juro que… – foi o meu pensamento enquanto eu abria a porta.

Entretanto, quando abri a porta, não encarei aquelas covinhas que eu tanto gostava, e sim um rosto um tanto velho. Era o porteiro do prédio. Fiz uma careta inconsciente. Olhei para trás e vi Vanessa, terminando de colocar sua blusa, o que deixou sua barriga e parte dos seus seios amostra por um tempo. Aquela garota não tinha vergonha nenhuma na cara?

- Senhorita Aguilar, desculpe se interrompi algo – o porteiro disse, fazendo com que eu voltasse minha atenção para ele. E eu podia jurar que o tom dele estava sugestivo demais.

- Você não interrompe nada, Mike. O que houve?

- É que acho que a senhora deixou cair essa jaqueta aqui ontem a noite no estacionamento.

Olhei para a minha jaqueta na mão dele. Era a mesma jaqueta que eu havia envolvido Vanessa no dia anterior. Peguei-a da mão dele quando ele me estendeu e agradeci, fechando a porta em seguida. Virei-me para Vanessa. Ela estava com as duas mãos nos bolsos da calça.

- Tá. Dessa vez, não foi a Ariane. Mas quem me garante que ela não vai me aparecer aqui?

Voltei-me para a porta e a tranquei com a chave, jogando-a longe depois.

- Eu garanto – falei enquanto me aproximava dela e a segurava pela cintura. Vanessa colou seu corpo no meu e sorriu sugestivamente.

- Isso significa que você gostou da minha massagem? – ela perguntou e senti meu rosto queimar de novo. – Porque parece que você gostou bastante.

- Garota idiota! – exclamei, me desvencilhando do contato dela e indo até o meu quarto. Peguei o pijama que ela estava usando e entreguei para ela. – Você não vai passar o dia comigo usando jeans.

Vanessa sorriu.

- Então por que você não vem aqui tirar? – ela indagou. Eu engoli seco. Aquela garota conseguia me deixar sem graça de todas as formas possíveis.

- É.. É que.. você… é.. Vanessa! – exclamei, completamente sem graça. Dei o pijama para ela e coloquei as mãos no meu rosto, tentando esconder o quanto eu estava corada. Tapei meus olhos com as mãos. – Se troca!

Minhas mãos ainda estavam em meu rosto. Abri uma fresta pelos meus dedos e ousei olhar. Ela estava se trocando na minha frente!

Enquanto ela tirava a blusa eu podia jurar que ela tinha visto que eu estava olhando, pois começou a retirá-la de forma mais calma, puxando-a bem devagar e deixando seus seios amostra por um bom tempo. Fechei meus olhos completamente de novo, mas não durou muito tempo. Logo abri espaço entre os dedos e encarei novamente aquela mulher à minha frente. Agora ela tirava as calça jeans, deixando amostra sua calcinha rosa de renda. Engoli em seco. Ela estava de calcinha e sutiã, na minha frente. Pude perceber um sorriso sacana escapar de seu rosto. Ela sabia que eu estava olhando!

Logo, ela colocou o short do pijama com tanta velocidade quanto uma tartaruga, ora ou outra voltando o olhar para mim. Então, ela puxou a camiseta do pijama e a colocou na mesma velocidade que retirou a outra deixando amostra seus seios por alguns segundos ainda, apenas os acariciando, antes de puxar totalmente a camiseta para baixo. Fechei os olhos e contei até dez, apenas para fingir que eu não estive olhando o tempo inteiro.

Retirei minhas mãos do rosto e abri os olhos, encarando Vanessa com o pijama. Ela tinha uma das sobrancelhas levantadas. Olhei-a de cima à baixo.

- Se você acha que essa roupa ficou ruim, eu posso me trocar de novo – Vanessa disse chegando perto de mim. Ela sorriu. – E dessa vez você não precisa olhar entre os dedos.

Vanessa piscou e partiu para o quarto.

O domingo passou rápido. Passamos praticamente o domingo inteiro deitadas no sofá, assistindo filmes e mais filmes. Vanessa tinha um gosto diferenciado do meu. Eu escolhi “Diario de uma Paixão”, ela escolheu um filme de terror chamado “Os outros”. Eu escolhi “Quatro Amigas e Um Jeans Viajante”, ela escolheu “Olhos Famintos” . Nas duas escolhas dela eu assisti só 10% do filme, os outros 90% eu estava encolhida no colo dela porque não queria ver.

O dia fora um dos melhor que eu já passei. Era divertido passar um tempo com Vanessa. Nos éramos bem opostas, mas incrivelmente nos dávamos bem.Eu ainda não sabia o que dizer, ou o que pensar a respeito daqueles beijos trocados por nós, e nem ela tocou no assunto. Assim como eu não toquei no assunto por ela estar bebendo tanto ultimamente. Ela parecia uma alcoólatra, e eu sabia que tinha alguma coisa de errado, mas não quis pressioná-la a dizer nada. Ela que tivesse seu tempo e ela que me dissesse quando quisesse dizer. Eu não sabia o que nós tínhamos, mas não era idiota a ponto de achar que ela iria largar o imbecil do namorado dela para ficar comigo.

Mas espera, eu quero que ela largue o namorado dela pra ficar comigo?

Tentei dispensar esses pensamentos. Eu podia ficar confusa depois. Naquele dia não.

Assim que a ultima cena do filme de Vanessa passou, respirei fundo, já desligando a televisão, para evitar qualquer tipo de cena extra durante os creditos. Eu odiava aquele tipo de filme.

Virei meu rosto para o de Vanessa e ela sorria na minha direção. Estávamos tão próximas que senti o hálito dela bater de encontro ao meu.

- Tá rindo por quê? – eu perguntei, e logo ela desfez o sorriso.

- Eu? Eu.. não tava rindo – ela disse e eu pude jurar que seu rosto corou.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, entretanto, ouvi um barulho vindo da minha esquerda. Olhei imediatamente, me deparando com uma Paula confusa. Ela estava na porta que dividia os nossos apartamentos e nos encarava.

- É .. acho que eu interrompendo – ela disse, de forma sem graça. – Volto depois.

Então, ela deu dois passos para trás e bateu a porta. Ela iria ficar puta comigo.

- Eu.. – comecei a falar para Vanessa, mas ela apenas acenou com a cabeça para que eu fosse.

Andei na direção do apartamento de Pauzão e entrei sem bater. Ela estava sentada no sofá. Assim que entrei, ela me encarou.

- Como você.. O que … Por que, Clarinha? – ela perguntou, me olhando nos olhos.

- Não é nada do que você pensando.

- Ah, deixe pra lá a frase clichê – ela disse, irônica. – Você ta ficando com a Mesquita!

- Paula! – a repreendi. Fechei a porta que separava os apartamentos e senti meu rosto corar. Merda, por que diabos eu estava corando pra tudo? – Fala mais baixo!

Ela levantou uma das sobrancelhas.

- Ela não sabe que vocês estão ficando? – ela perguntou, cruzando os braços. Eu odiava quando ela fazia aquilo e ela sabia disso.

- Não estamos ficando! É… complicado.

- Porque ela namora.

- Sim, mas… – comecei.

- Mas nada, Clarinha! Não quero te ver machucada por causa de uma veterana que acha que sabe de tudo! Que saber, eu vou lá agora! – ela se desembestou na minha direção tentando passar pela porta dos apartamentos, mas eu a impedi.

- Tá louca, Pauzão? -  perguntei, me colocando na frente da porta e tentando impedi-la. Apesar de eu saber que Paula era bem mais forte que eu, devido aos anos de ginástica artística. Se ela me desse um peteleco, eu saia voando. Ela colocou as mãos na cintura e me encarou.

- Me dê um bom motivo para não ir lá e arrebentar a cara dessa menina! – ela disse.

- Eu… meio que gosto dela – falei e coloquei as mãos no rosto. Tinha cansado de corar na frente delas o tempo inteiro.

- Você o quê, Clarinha? – ela perguntou. – Agora entendi o porquê de Ariane estar puta da vida com você.

Ela voltou ao sofá e se jogou ali.

- Então… você sabe o que Ariane sente por mim? – perguntei. Ela assentiu com a cabeça.

- Todo mundo sabe, Clarinha. Ta na testa dela. Ela fica toda babona quando tá perto de você.

Juntei minhas sobrancelhas.

- Eu devo ser muito idiota mesmo – falei. Paula assentiu, fazendo uma expressão seria. Eu peguei uma Almofada e ataquei nela. – Idiota!

Paula riu.

- Agora vai lá pra sua ancuda, vai – ela disse, praticamente me expulsando do apartamento.

- Você não era contra eu ficar com ela? – perguntei à ela. – Que mudança é essa?

- Você disse que gosta dela, Clarinha – ela respondeu.

- E desde quando isso torna as coisas certas?

Pauzão parou de me empurrar até a porta e me virou para que eu a encarasse.

- Clarinha, eu quero a tua felicidade. Você acha que consegue ser feliz com ela?

- Eu não sei – respondi sinceramente, torcendo o lábio.

- O que você sente quando tá com ela?

- Eu não sei… Eu sinto aquelas malditas borboletas no estômago toda vez que ela tá perto de mim.

- Então vai com calma, Clarinha – ela disse. – Agora vai embora daqui. – Ela abriu a porta e apontou para o meu apartamento. Eu sorri pra ela antes de adentrar nele e perceber que Vanessa não estava mais na sala.Franzi o cenho.

- Ah, mais uma coisa! – Pauzão exclamou lá do apartamento dela. Ela correu para dentro do seu apartamento e voltou com uma gravatinha vermelha de festa que ela havia usado na Bubu na sexta-feira. A pendurou na maçaneta da porta, do lado do apartamento dela. Eu gargalhei.

- Você é uma idiota! – falei. Não consegui parar de rir.

- O que? Isso aqui é o sinal clássico de “estamos fazendo sexo aqui dentro” – ela exclamou.

- Eu seu o que significa! Por isso você é uma idiota. Não estamos fazendo sexo!

Pauzão riu.

- Quando for seguro pra eu entrar, só tira.

Então, bateu a porta. Procurar Vanessa.

POV VANESSA MESQUITA

Como Clara estava demorando demais para voltar do apartamento ou o que quer que fosse aquele negocio que ela dividia com Paula, resolvi ir me trocar. Já estava tarde e eu teria que chegar ao campus. Se ao menos eu pudesse ir para a minha casa, eu  não me preocuparia tanto com o horário, mais Polly estava me odiando, então eu não podia ir. Aquele pensamento me trouxe de volta os meus problemas. Respirei fundo.

Estava retirando a camiseta do pijama quando ouvi a voz de Clarinha preencher o quarto.

- Hey, hey – falou ela, encostando-se ao batente da porta. – Calma! Nem me levou pra jantar e já tá tirando as roupas?

Tentei sorrir. Os pensamentos sobre Polly ainda me assolavam.

- Não – falei. E saiu de forma mais cansada do que eu pretendia. – Só to indo embora. Tá tarde já.

Apontei para o relógio no quarto. Ela acompanhou meu olhar. Já eram 22:30. Como as horas passaram tão rápidas naquele dia?

- Dorme aqui – ela pediu. Eu neguei com a cabeça.

- Você não cansa de mim? – perguntei. Ela riu.

- Às vezes – Clarinha respondeu. Eu a encarei com os lábios torcidos. Não era a resposta que eu estava esperando. Então, ela veio até mim e enlaçou seus braços no meu corpo. Senti um arrepio percorrer minha espinha apenas com aquele toque. – Claro que não canso de você, idiota!

Engoli em seco. Os lábios dela eram tão macios e convidativos que chegava a doer não beijá-los. Entretanto, minha vida estava uma bagunça naquele momento, e eu não queria arrastá-la para isso.  Não por enquanto.

Desvencilhei-me do abraço, vendo ela fazer uma expressão de tristeza. Aquilo partiu o meu coração.

- Só hoje – respondi. A expressão de tristeza dela se converteu em um sorriso lindo, enquanto ela dava pulinhos de alegria. Aquela garota era o cumulo da fofura. – Mas eu fico no sofá.

Ela assentiu sem nem ao menos discutir, provavelmente sabendo que não adiantaria.

Clara já tinha me arrumado cobertores e mais cobertores (apesar de estar fazendo um calor do infernos) e uns cinco travesseiros que nem cabiam no sofá direito. Eu achei fofo. Ela estava se esforçando para me deixar o mais confortável possível. Então, ela se despediu, dando um beijo na minha testa e indo para o quarto, o que eu achei mais fofo ainda. Qualquer pessoa com o nosso histórico, provavelmente estaria em cima de mim, me enchendo de beijos na boca e tentando algo a mais. Mas não Clara. Clara era toda envergonhada, e isso só a deixava mais fofa ainda da minha concepção. De certa forma eu gostava dessa doçura e ingenuidade que ela tinha.

Senti meu celular vibrar depois de alguns minutos deitada ali. Peguei ele e olhei a mensagem. Era de lovespizza.

lovespizza: sinto muito por não ter conseguido te encontrar ontem, tive uns problemas L

Sorri. Eu estava era agradecida por ela não ter ido e me encontrado naquele estado deplorável. Já imaginou? Uma estranha tendo que me carregar para a casa dela. Ela nem me conhecia pessoalmente e quando fosse me conhecer, já me conheceria como uma bêbada que mal se aguenta em pé. Eu estava aliviada por ela ter tido “uns problemas”.

blackeyes: tudo bem, eu não fui também. Você só avisou antes.

Menti na cara dura. Mas quem se importa? Ela não estava lá mesmo. Meu celular vibrou depois de alguns segundos.

lovespizza: como foi seu final de semana?

blackeyes: um pouco conturbado, e o teu? Que problema que teve ontem?

lovespizza: digamos que ontem eu meio que saí do país RS

Bufei ao ler aquela mensagem. Aquela mimadinha no mínimo tinha ido viajar de ultima hora. Isso lá era problema.

blackeyes: legal, onde você foi?

lovespizza: Las Vegas!

blackeyes: e isso lá é problema?

lovespizza: claro que é, se você não ta com sorte no jogo nem no amor, qual a vantagem de ir pra Las Vegas?

Ri com a mensagem dela. Fazia sentido. Mas ainda assim, era Las Vegas.

Ficamos conversando daquela forma por horas e horas, até que o sono me atingiu.

Fui acordada pelo despertador do meu celular tocando igual um louco. Assim que levantei, já senti o cheiro de panquecas invadir minhas narinas. Clara estava na cozinha. Olhei o meu relógio.

- Bom dia – Clarinha falou para mim, assim que sentei-me no banco que dava para o balcão que dividia a cozinha da sala.

- Eu to atrasada – falei. Ela me encarou com cara de poucos amigos. – Bom dia! – exclamei, e ela sorriu.

- Não está, não. As aulas começam só daqui a trinta minutos.

- Sabe quanto tempo leva pra eu sair daqui e ir pras aulas?

- Dez minutos de carro – ela respondeu.

- Eu não tenho carro.

- Mas eu tenho. – Clara pôs uma panqueca em um prato e me estendeu. Então sorriu. – Você vai comigo.

- Notei que isso não foi uma pergunta – falei, enquanto puxava a panqueca e a comia.

- Que bom que tá entendo as coisas direitinho.

- Você é teimosa demais, menina.

Ela sorriu e virou de costas para pegar a própria panqueca.

- Como se você não fosse.

Fomos até a faculdade com o carro de Clara, apesar dos meus inúmeros protesto para que eu fosse de ônibus. Ela já tinha feito muito por mim aquele final de semana e eu já estava me sentindo uma folgada que não nem independência própria.

Tentei ligar para Kadu no caminho e percebi que Clara torcer o nariz quando eu fiz isso.

Assim que descemos na faculdade, andamos até o prédio juntas. Eu ainda tentava ligar para ele, mas continuava na caixa postal. Isso só tava me irritando mais. Onde diabos aquele filho da puta tinha se enfiado? Procurei por ele no campus, mas não o vi em lugar algum.

- Você pode falar com ele no intervalo, Vanessa! – Clara explodiu de repente, parando de andar e me encarando.

- Mas eu quero falar com ele agora! – eu disse.

- Tanto faz.

E saiu andando na direção do prédio de medicina sem sequer me esperar. As aulas de segunda-feira dela eram no segundo andar, enquanto as minhas eram no térreo. Assim que entrei no prédio, a porto do elevador já tinha se fechado, com ela lá dentro. Bufei irritada. Ela não tinha ideia do que tava acontecendo e tinha ficado bravinha comigo… Eu não devia nada pra ela. Ela sabia muito bem que eu namorava Kadu, e que ora ou outra eu teria que vê-lo. Talvez se ela tivesse ideia do que eu planeja fazer, ela não fosse tão cabeça dura quanto estava sendo.

Apertei o passo até a minha sala. As aulas do primeiro período foram um saco, como sempre eram. Mas a matéria não deixava de ser interessante. Diego tentou puxar papo, mas eu apenas fiz um sinal de negação com a cabeça, para que ele classe a boca. Mari me encarava pelo canto do olho. Parecia que ela estava esperando para que eu explodisse a qualquer momento.

Enquanto a aula ia passando, pensei em varias maneiras de cozinhar o pênis de Kadu. Ou talvez eu só o cortasse e enfiasse na boca dele. Esse pensamento me fez sorrir.

Quando o sinal do tocou, praticamente corri para o lado de fora. Provavelmente Mari me seguiria, mas eu não estava prestando atenção em mais nada. Meu objetivo claro era o prédio de Educação Física. Esbarrei em algumas pessoas no caminha, inclusive pensei ter visto Clara certa hora, mas eu não podia parar. Eu tinha um objetivo em mente: acabar com o Kadu.

E foi na frente do prédio dele que eu o encontrei. Boné virado pra trás, jaqueta com o símbolo do curso dele e aquela expressão arrogante que ele trazia sempre. A mochila dele estava em suas costas. Ele conversava com alguns garotos sobre algo que eu não tinha ideia do que era.

Apertei o passo até ele e me enfiei no meio da conversa. Ele tentou dar um sorrisinho para mim, mas logo foi impedido quando o atingi com um tapa forte no rosto. Os garotos gritaram um “aaaaaai”, mas não fizeram nada para impedir os atos seguintes. Provavelmente sabiam que Kadu podia ter feito algo para mim.

Apontei o dedo no peito dele e fui o empurrando. A raiva já beirava minha cabeça.

- COMO VOCÊ PODE? – exclamei, empurrando-o pelo peito. Ele tentou se desvencilhar, mas não deixei. – SEU FILHO DA PUTA DESGRAÇADO! – barrei mais ainda. Eu percebi uma movimentação em volta de nós, mas não me importei. Continuei empurrando Kadu até ele atingir as costas na parede do campus. – COMO VOCÊ PODE FAZER ISSO COM ELA?

Nesse momento eu já estava enchendo ele de socos e tapas no rosto. Ele apenas se encolhia sem falar nada. Ele sequer reagindo, e eu agradeci por isso, pois ele sabia que cada tapa que ele recebia era merecido.

Senti dois braços me envolvendo pela cintura e já me preparei para socar Mari também. Mas quando me virei para olhar quem era, Clara me encarava com uma expressão assustada.

- VANESSA! – Clara exclamou. – Para com isso, você vai perder sua bolsa se continuar assim!

- Foda-se a bolsa!  - gritei, jogando pro alto uma das melhores bolsas de estudo para medicina que alguém poderia receber. Segurei os ombros de Clara e a encarei. Meus olhos estavam marejados. Não de tristeza, mas de raiva. – Clarinha, ele tentou.. tentou.. ees.. estuprar a minha irmã! – Gaguejei. Aquelas palavras não pareciam querer sair da minha boca.

- Vanes… – ele tentou falar.

- Aaaaaaaaah, não! Clara exclamou, me desvencilhando dos seus braços e me colocando para trás dela, em um ato de proteção. Kadu nos encarava sem saber como continuar a frase. Ele chorava. De sua sobrancelha saía sangue. – Vanessa, você pode perder a bolsa, eu não.

Vi Clara se aproximar de Kadu. Em um movimento inesperado, ela chutou o meio das pernas dele e ele fez uma expressão de dor profunda, se encolhendo no chão. Assim que ele se ajoelhou, ela meteu-lhe um chute no meio do rosto, o que fez o sangue dele jorrar no chão. Logo, vi Mari se aproximar e puxar Clara pela cintura da mesmo forma que ela havia feito comigo anteriormente.

- Clarinha! Você ta louca? – ela exclamou, puxando Clara que debatia nos braços dela, tentando ir de encontro a Kadu. Este ainda estava de joelhos no chão, completamente inerte em seus próprios pensamentos.

- Me larga, Mari! – Clara exclamou, ainda tentando se desvencilhar. – Esse imbecil tentou estuprar a Polly!

Mari em um único movimento, jogou Clara para trás. Esta mesmo veio de encontro à mim, e eu a segurei.

- ELE FEZ O QUÊ? -  ela gritou, já indo de encontro à ele.

É agora que ele morre – pensei.

Entretanto, antes que Mari pudesse chegar em Kadu, os seguranças do campus já chegavam e a puxavam para o lado.

Desvencilhei-me de Clara e corri para fora do campus. Eu não podia ficar ali. Ouvi alguns gritos misturados. Mari, Clara.. pensei até em ter ouvido a voz de Paula. Mas não parei para nenhum deles. Continuei correndo. Quando estava quase na frente do campus, vi um rosto conhecido.

Não pensei duas vezes e me joguei naqueles braços que eram tão conhecido por mim.

- Van.. – Ana Paula exclamou, assim que meu corpo se chocou com o dela. O que aconteceu?

Ana Paula me apertava forte contra seu corpo. Eu estava chorando igual a um bebê. Não conseguia conter a dor por ter sido idiota a ponto de confiar em Kadu. A ponto de tê-lo deixado entrar na minha casa, conhecer minha irmã.. Era tudo minha culpa.

Ana Paula se afastou do abraço e me encarou nos olhos. Meu rosto já estava completamente molhado. Encarei AnaP. Ela tinha pintado o cabelo de castanho novamente. Eu sempre falei para que gostava do cabelo dela daquela forma, ao invés de loiro. Os olhos azuis dela me encaravam com preocupação.

- Van.. Fala comigo – ela sussurrou, acariciando meu rosto, limpando as lagrimas que insistiam em escorrer dali.

Com tudo o que havia acontecido, eu não estava pensando direito no que eu estava fazendo. Quando dei por mim, os lábios dela já estavam pressionados nos meus.

Capitulo 16

POV Clara

Acordei cedo naquele domingo e por incrível que pareça antes de Max ou Vanessa, olhei para meu lado e pude ver ela em um sono profundo com uma aparência tranquila e com um leve sorriso em seu rosto. Me levantei da cama com cuidado para não acorda-la e fui ate a cozinha para preparar o cafe da manha, mas hoje seria diferente não iriamos comer na cozinha como sempre fazíamos eu levaria ate ela na cama. 

Eu acho que vocês já devem saber mas preciso falar novamente e quantas vezes for necessário pois nunca sera suficiente, a noite passada havia sido incrível como as outras que tivemos. Devo confessar que nunca me senti assim antes, era como se ao lado dela eu estivesse segura, leve, sem medo ou preocupações ou apenas feliz, sim feliz! Eu estava radiante, uma felicidade que não cabia em mim era só pensar em estar ao seu lado e já nascia um sorriso idiota no rosto.

Pensando em Vanessa me lembrei que iriamos para a casa da mãe dela e provavelmente passaríamos a tarde lá mas como seria ? Logo um nervoso tomou conta de meu ser e mil duvidas passavam pela minha cabeça: “E se a mãe dela não gostasse de mim ?”, “E se o Max desse trabalho?”, “Sera que a mãe dela sabia de nos ?”, “E se ela soubesse qual seria sua reação ?” Eu estava a ponto de surtar, pode ser cedo mas sinto que Vanessa é a pessoa certa pra mim, já disse isso né ? Foda-se. É como se ela fosse minha alma gemia e sim eu queria algo mais serio com ela e só dependeria dela então se ela aceitasse hoje eu estaria conhecendo minha “sogra”, vocês não estariam nervosos ? Balancei a cabeça em sinal negativo para espantar esses pensamento e fui ate o quarto com uma bandeja de cafe da manha que tinham algumas frutas, leite, torradas, geleia e um guardanapo em formato de flor.

Clara: Van, acorda. - Deixei a bandeja em cima do criado e falei assim que me sentei ao seu lado na cama.

Van: Hmm - Ela se virou para o meu lado ainda dormindo.

Clara: Heey - Disse com minha boca ao seu ouvido e fazendo uma trilha de beijos dali ate sua boca que a fez acordar. 

Van: Clarinha eu não escovei os dentes ainda. - Ela disse com a voz rouca de sono assim que eu dei um selinho em seus lábios. 

Clara: Você fala como se eu tivesse nojo de você - Selei nossos lábios em um beijo suave, calmo, diferente esse parecia ser, não sei talvez ….. apaixonado ?

Van: Isso foi …. 

Clara: Diferente ? - Completei antes que ela pudesse terminar sua frase.

Não obtive resposta ela levou uma de suas mãos em minha nuca me puxando contra seu corpo que foi se deitando devagar sobre o dela, ficamos assim nos beijando e nos curtindo ate acabar nosso folego e sermos obrigadas a parar para poder respirar, não poderíamos continuar da maneira que estávamos afim pois Max podia acordar a qualquer momento. Diferente das outras vezes não estávamos com pressa ou apenas com desejo de sexo era mais que isso.

Clara: Acho que estou apaixonada - Disse em um impulso dando voz aos pensamentos. Isso era um de meus maiores defeitos, eu era muito impulsiva e fazia o que me desse na telha e antes que me perguntei SIM eu já me arrependi MUITAS vezes por agir de tal forma mas esse não era o caso de agora.

Van: Bom saber que é reciproco meus sentimentos. - Seus olhos brilhavam e pude ver o sorriso que eu tanto amava em seu rosto. 

Clara: Você tinha alguma duvida ? - Estava feliz por saber que era correspondida mas estava curiosa, então ela já tinha pensado se eu sentia o mesmo por ela ? 

Van: Não era duvidas é que sei lá, não sei explicar. - Ela disse sem jeito

Clara: Não precisa falar nada, vamos comer eu trouxe seu cafe da manha. - Vanessa sentou na cama e eu coloquei a bandeja sobe seu colo

Van: Uma flor ? - Ela me olhou com aqueles olhos castanhos que faziam eu me perder naquele mar negro. 

Clara: Bom ….. - Cocei a cabeça, o quão trouxa eu estava sendo ? - Não tinha nenhum jardim ou floricultura aqui perto então pensei ….. é ….. 

Van: Psiu! - Ela chamou minha atenção - Esta perfeito ta bom ? Você é incrível, ninguém nunca fez nada parecido. Onde você estava todo esse tempo ? - Ela disse toda fofa me dando um longo selinho.

Clara: E eu nunca fiz nada parecido com ninguém, estava esperando te encontrar. - Era verdade eu nunca em minha vida fiquei tão frouxa, nem mesmo com Fabiano que eu achei um dia que eu amei mero engano.

Max entrou correndo no quarto chamando nossa atenção e veio correndo pulando na cama. Ficamos na cama tomando nosso cafe em clima de muita brincadeira e coceguinhas ate sermos interrompidas pelo celular de Vanessa, era a Tia Sol perguntando se nos já estávamos indo. 

Vanessa disse que sairíamos em mais ou menos 40 minutos, levei Max para tomar um banho pois ele já estava molhado de suor, tomamos o nosso banho e arrumamos algumas coisas, dentro de 50 minutos já estávamos no carro saindo de casa. Bom a hora era agora de descobrir as respostas para todas as minhas perguntas.