estranhamento

Não, não pense que é sempre bom, não sou a-toda-boa, a toda alegre o tempo todo, a toda amorosa constantemente. Eu sou estranha, tenho gestos e pensamentos e encanações e neuras e filosofias viajantes e temperamento salgado e toda uma série de e’s que não consigo ajustar aqui, agora, pra você, talvez por não saber ajustá-los nem pra mim. Mas deixa isso tudo pra lá, eu e a minha estranhice, estranheza, estranhagem, estranhamento, estranhação. Estranha ação. É isso aí, sou cheia de estranhas ações. Uma delas é tentar explicar o sentido de uma coisa que nem sentido faz.
—  Clarissa Corrêa.
Mas deixa isso tudo pra lá, eu e a minha estranhice, estranheza, estranhagem, estranhamento, estranhação. Estranha ação. É isso aí, sou cheia de estranhas ações.
—  Clarissa Corrêa
Identidade das palavras

“Você não é, apenas está sendo nesse momento.” Dito isso, é possível compreender a beleza das palavras, que não pertencem ao papel, elas são apenas focos de luz em tintas que se dissipam de teu ser hoje. Mais importante que a unicidade do seu DNA que revelará um único ser em toda sua vida, é a identidade das palavras escritas, que se aproximam de responder quem somos. Pegue um papel e escreva o que está pensando nesse momento, guarde e leia alguns anos depois; ou simplesmente procure algo que escreveu a algum tempo atrás. Em ambos os casos notará um estranhamento, relutante por algum momento, porém logo o sorriso virá à tona, já que aqueles pensamentos que parecem ser de outro alguém, na verdade são seus, um outro alguém que você já foi.

-João Felipe Araújo

Figurinhas

eu sempre achei que no topo da Lista de Desculpas Esfarrapadas do Manual do Fotógrafo Ruim estava o famoso “as fotos não fazem justiça ao lugar”. a gente costuma tirar essa da manga quando não soube fazer justiça ao lugar, mas não quer dar o braço a torcer. risos. acredito que seja possível fazer foto boa em praticamente qualquer canto do planeta - mas reconheço que levar pra um lugar bonito uma câmera cujo sensor necessita de limpeza e cuja lente grande angular está com defeito e não consegue fazer foto de, well, “ângulos grandes” devia ser punido com a cassação da carteirinha de blogueira (a de fotógrafa eu nunca tive, sorry).

mas se é que existe realmente uma meia dúzia de lugares nesse imenso planeta a que fotos realmente não fazem justiça então as highlands talvez sejam um deles. tentar trazer para um jpg de 700x1050 pixels toda a glória do ben nevis (o ponto mais alto do reino), do sol brilhando feito glitter no mar da ilha de skye e dos inacreditáveis vales de glen coe poderia até resultar numa foto bonitinha - caso minha grande angular não fosse uma grande filhadamãe - mas que não vai fazer o seu queixo despencar como a realidade faria.

é uma vibe totalmente diferente do countryside inglês, onde tudo parece ter sido feito à mão para deliciar os olhos. aqui eles simplesmente cortaram uma estrada ruim no meio da natureza bruta, pura e intocada que se esfrega na sua cara por quilômetros e mais quilômetros de imensidão onde você se sente um inseto. the luckiest bug alive.

eu *ainda* estou editando fotos (mais de 400 pra selecionar/redimensionar/ajustar/etc - paciência) e fazendo o possível para não me esquecer onde elas foram feitas. mas no fundo não importa. esses são apenas alguns registros aleatórios das highlands - da janela do carro, com tempo nublado, sob neve, à noite, com sol demais, com lente travando, com o ISO errado que eu esqueci de ajustar e que mesmo visualmente imperfeitos são momentos de surpresa, encantamento, estranhamento, engraçados ou de pura alegria por estar viva que eu quero guardar. essas imagens não são as memórias que fiz, mas ajudam a evocá-las.

enquanto os pneus deslizavam por vales cortados em meio a montanhas de proporções absurdas (para os meus padrões de east anglia, flat. as. a. pancake.) e o CD player alternava entre músicas escocesas com gaita de fole e a playlist de indies atmosféricas que eu escolhi como trilha sonora da viagem eu deixava a câmera guardada e meus olhos livres. não há lentes melhores que eles anyway.

O que nos mata é a consciência, esta maldição que é saber o porquê fazemos, o porquê sentimos. A consciência está cheia de porquês, é uma força que se alimenta da dúvida, que se lambuza na inquietude e se ilumina com a possibilidade de respostas. A consciência é nossa maior mazela, pois é através dela que esmiuçamos nossa dor, e consequentemente, despertamos a angústia que tanto assola nossa existência. A consciência é a mãe de toda incompletude, este estranhamento que eu sinto, e que tu também sentes em relação ao mundo, nada mais é que uma consequência direta de nosso constante pensamento. A consciência é uma faca de dois gumes que mais fere do que cura, pois pensamos para entender o mundo, a vida, o universo… E esse entendimento tão buscado por nós, muitas vezes, não se demonstra disponível, não surge como uma epifania, não oferece respostas saciáveis. A dor não é o pior da vida. O sofrimento não é nosso maior problema. As decepções não são nossa mais pesada cruz. O estigma de nossas vidas é a consciência, tão somente a consciência. Pois com ela, questionamos o porquê existimos, e existir, quase sempre, não tem sentido algum.
—  Gabriel Vargas
Não, não pense que é sempre bom, não sou a-toda-boa, a toda alegre o tempo todo, a toda amorosa constantemente. Eu sou estranha, tenho gestos e pensamentos e encanações e neuras e filosofias viajantes e temperamento salgado e toda uma série de e’s que não consigo ajustar aqui, agora, pra você, talvez por não saber ajustá-los nem pra mim. Mas deixa isso tudo pra lá, eu e a minha estranhice, estranheza, estranhagem, estranhamento, estranhação. Estranha ação. É isso aí, sou cheia de estranhas ações. Uma delas é tentar explicar o sentido de uma coisa que nem sentido faz.
—  Clarissa Corrêa.

Carta aos vestibulandos

Por Mariana Borduchi


Hoje curso Letras na UNICAMP, mas há pouco mais de um semestre eu estava no cursinho calculando as possibilidades do futuro, consultando estatísticas, pessoas experientes, astrologia, religião, tudo que me falasse um pouquinho – ou qualquer coisa – do que seria meu ano de 2017. Grande infantilidade, aliás, a maturidade sobre como lidar com o futuro custa a chegar. Prestar vestibular é uma ação presente que vai determinar algo no amanhã, mas jamais determinará o próprio e completo amanhã.

Sempre soube que precisava trabalhar hoje para conseguir o que queria, mas me perdi quando pensei que tudo que eu queria era uma aprovação, isso porque, ao contrário do que muitas propagandas dizem, trocar sua vida pelo vestibular não vale a pena. No segundo semestre de 2016 comecei a fazer cursinho (público) na minha cidade e, pode parecer irônico, mas só aí que o vestibular deixou o trono e passou a ocupar seu devido lugar na minha vida. Estudando durante a manhã em uma ETEC e a noite no cursinho, é fácil prever que o assunto que mais me cercava era essa bendita prova, então tudo aconteceu em cascata: o excesso me causou estranhamento, o estranhamento me fez refletir, a reflexão trouxe dúvidas e essas trouxeram uma conclusão. Uma conclusão válida hoje, porque o processo de transformações nunca para.

Ir bem ou mal em uma prova não rotula ninguém, não é verdade que “passa quem merece” , “quem estudou 15 horas por dia” , também não é verdade que você tem que ter seu nome na lista de alguma instituição para ser considerado alguém de sucesso. Prestar vestibular não é só acumular algumas informações e despejar em uma folha dentro de horas determinadas, mas é também – e hoje arrisco dizer que é até mais importante – estar saudável mental e fisicamente. Isso porque não é possível isolar o vestibular da vida. Ninguém trabalha bem cansado, nem se diverte preocupado, ninguém presta vestibular perturbado.

Escrevo para dizer o que poucas pessoas me falaram enquanto estava nessa fase, escrevo para que exista um discurso que enfrente aquele que diz que é necessário abandonar tudo para estudar, abandonar tudo é abandonar a si próprio. Acho a universidade importante, sempre sonhei com isso, de fato, mas o recado é buscar o equilíbrio: não só de vestibular vive o vestibulando. O mais importante é se conhecer, isso vale o esforço, se conhecer, se afirmar para si e para o mundo, saber que onde você está deve ser vivido de maneira tão boa quanto no lugar futuro almejado.  A vida tem de ser valorizada em todas as fases.

Encerro com uma “dica de vestibulanda”: conheçam o perfil (instagram) @deuskdminhavaga, melhor que as centenas de fotos de uma moça estudando, são os planners que ela disponibiliza na bio. , se organizar é tudo.

Avanço em direção a Laura e meus passos se interrompem porque Laura avança em minha direção e paramos um diante do outro, sem dizer palavra, olhando-nos um silêncio estranho como fogo que gela ou neve que arde. E a questão aqui é e será qual dos dois se atreverá a quebrar o estranhamento desse silêncio - desse silêncio tão eloquente - para dizer aquilo que só se pode dizer uma vez. Essas palavras adormecidas que, uma vez despertas, nunca mais poderão fechar os olhos. Essas palavras invisíveis num silêncio que se pode ver - à diferença do que falsamento asseguram quanto à visibilidade cósmica da Grande Muralha da China - da Lua, porque esse silêncio é a maior estrutura jamais construída pelo homem e pela mulher, por um homem e por uma mulher.

Rodrigo Fresán

Certo dia parei numa cafeteria que tem ao lado da faculdade e encontrei um rapaz com um caderno, um lápis e um dicionário. O garoto fazia caras e bocas e riscava palavras e substituía por outras. E nada fluía. Percebi que alguma coisa o atormentava, naquele exato momento. Peguei meu café e pedi licença. Ele me olhou com um pouco de estranhamento mas logo trocamos algumas palavras. Ele me disse que estava quebrando a cabeça para encontrar as palavras certas para colocar na poesia. Não contive o riso e ele rapidamente fechou a cara e quis saber o motivo, e aí eu disse à ele: não são as palavras bonitas que fazem uma poesia e sim os sentimentos que estão por trás dela. Uma pessoa qualquer pode escrever palavras bonitas, mas só um verdadeiro poeta consegue descrever de forma tão bonita uma terrível dor.
—  Rodrigo Dionarpe
Não, não pense que é sempre bom, não sou a-toda-boa, a toda alegre o tempo todo, a toda amorosa constantemente. Eu sou estranha, tenho gestos e pensamentos e encanações e neuras e filosofias viajantes e temperamento salgado e toda uma série de e’s que não consigo ajustar aqui, agora, pra você, talvez por não saber ajustá-los nem pra mim. Mas deixa isso tudo pra lá, eu e a minha estranhice, estranheza, estranhagem, estranhamento, estranhação. Estranha ação. É isso aí, sou cheia de estranhas ações. Uma delas é tentar explicar o sentido de uma coisa que nem sentido faz.
—  Clarissa Corrêa 
As Fantasias sexuais dos rapazes de Eldarya...

Como prometido, estou de volta, desta vez, trazendo as fantasias sexuais dos rapazes de Eldarya!

Assim como na versão de Amor Doce, que vocês podem conferir aqui, considerei como fantasia sexual, não apenas um traje específico, mas também determinadas ações e/ou situações.

By the way, se a inspiração baixar, mais para a frente, escreverei um especial do Leiftan!

Atenção! NSFW após o corte! 

Keep reading

hoje eu fui alguém melhor pra mim
e eu me agradeço por me dar uma chance
por parar e explicar física quântica para minha tia-avó que mal sabe ler
de me deliciar com a cara de estranhamento
e ver a dedicação pelo novo
hoje finalmente eu coloquei minha cabeça no travesseiro e conseguir meditar
consegui tirar tudo da cabeça porque eu fui alguém melhor para o universo
para os outros
para mim
e tu?
tás satisfeito contigo?

m.

Eu sou um touro
Envolto na face de uma cabra
Meu leite não alimenta, ele azeda
E tampouco serve aos caprichos de fetichistas


Demonizaram-me por fome
Meu estômago invertido
Causara estranhamento ao público
Assim sendo, tenho a dissecação marcada


No peito do púlpito
O rei realismo
Irá destrinchar-me com seu bisturi santo
Prevejo os erros de homens nada oníricos


Meu amores foram uma fissura no céu
Guerreando com o deus insônia
Fora da caixa deixava fórmulas pelo caminho
Absolvidas por bulas auto reguláveis


Eu era uma adaga e uma vespa
Filha da espada disparate de Gomorra
Tão medonha, jurei espinhos
Por eras antes de sacrificar o meu amor


Meus rancores tão claros e coloridos
Dissolvem-se no cloro, fazendo companhia à meu outro eu
Menos espaçado e mais itálico
Predestinado à verborragias cogumelo do sol


Chuto cortinas invocando a primeira pessoa
Que espremesse em clamores agudos
Renegados ao final da rua, classificado no filo
Qualquer vociferação angustiada de bêbados


Terror-terrir
Tenho que rir para não chorar
Não ceder a chaga
Compor o escárnio sob minha pele…

—  Psique Do Ser, Pierrot Ruivo 

E, no meio de tantas mudanças, muitas rupturas. Algumas coisas foram encaminhadas pro novo destino, outras se perderam irremediavelmente. O que sobrou posso contar nos dedos, antes eu mal conseguia fechar as gavetas_ tão abarrotadas de coisas, pessoas, lembranças. Mas o que houve afinal, além de um processo íntimo, pessoal, intransferível? Uma mudança externa também, porque há sempre um desconforto em quem se acostuma com o nosso comportamento mais antigo. E além de lidar com o luto da morte do que éramos, ainda o estranhamento dos que não aceitam o que nos tornamos. Porque mudam os gostos, a disposição e os planos. E alguns reagem como se você os tivesse abandonado no meio de uma viagem a dois por outro continente, quando só você sabia falar a língua local mesmo que os impedisse de aprender o idioma .

E, no meio de tantas mudanças, algumas desavenças. Só porque aqueles mesmos não entendem, não entendem, não entendem, porque não querem aceitar, que tudo é tão dinâmico e que nem deve ter sido tão brusca essa mudança, mas que a coisa maturou durante um tempo em que só queriam que você se envolvesse numa história DELES, que se misturasse nas emoções DELES, que traduzisse o mais íntimo DELES. E, ao mesmo tempo, você estava amadurecendo uma mudança sua e a coisa toda doía, doía. Mas eles não perceberam. Porque a demanda sobre a vaidade deles era grande demais, importante demais, imprescindível demais pra sua poesia.

E, de repente, a minha poesia não queria falar mais sobre nada disso. Minha poesia queria ser uma carta anônima, um silêncio, uma brincadeira. Minha poesia não queria ser nada além de uma frase jogada do mais íntimo de uma iluminação sobre um determinado assunto.

Porque, no final das contas, o que escrevo nem é poesia… é prosa, é carta, é desabafo, é qualquer coisa. É um bilhete manuscrito pregado no espelho só pra desejar “Bom Dia!

- Marla de Queiroz

Podemos dizer que superamos, que não sentimos mais nada. Mas quando a pessoa cruza nosso caminho, os batimentos cardíacos aumentam, a vontade de ir conversar, ou simplesmente cumprimentar aparece. Mas o corpo não sai do lugar. Então só respiramos e seguimos em frente com a cabeça a milhão, arrependidos por não termos feito nada disso. Se vemos uma postagem da pessoa na rede social, da qual ela aparenta estar triste ou passando por alguma dificuldade, sendo ela emocional ou não, a vontade é de conversar ou de ajudar de alguma forma, mas o medo da rejeição ou do estranhamento da pessoa em relação a sua preocupação é maior, então acabamos ficando quietos. Mesmo que provavelmente a única coisa que a pessoa queira é uma palavra amiga sua.
Então não basta simplesmente dizer que superamos ou esquecemos, talvez você tenha mesmo resolvido esquecer e seu coração deve ter obedecido, mas leva um tempo para isso. O corpo provavelmente ainda não se acostumou com a ausência da pessoa em sua vida e vai levar um tempo para superar. Você só vai ter superado mesmo quando o início de um texto como esse não te interessar a ler o final.
—  Filosofava.
explicação

a morte veio das estrelas, veio do céu seguindo seu comboio, teus passos grifados na areia dos meus olhos. a morte cresceu nos teus lábios, sendo libido, veneno e cura. veio dos sonhos recolhidos nas madrugadas turvas, nas curvas do infinito sem dor. a morte sempre é, nunca sendo e isso causa náuseas, estranhamento e insatisfação. a morte está mais viva do que eu.

s. + antônio 

Certeza de que escrevo isso para o nada e para o ninguém. Primeiro porque escrever para o nada imputa no descaso com o que virá depois: o próprio nada, o buraco negro que só existe porque alguém sentenciou a palavra e o verbo - talvez Deus, no começo da criação? Segundo porque mesmo que este texto seja para alguém muito especial, deixo claro que o meu alguém especial não é o teu e isto pode ter efeito reverso: atingir ninguém. 

Hoje é dia 29 de julho, fiz 20 anos há 3 dias atrás. Tô feliz para caralho - e isso é uma paráfrase do cazuza. Tô feliz e quando ando pela cidade me vem muitos pensamentos que já foram e voltam. Não sei qual foi o momento exato que me percebi do mundo, que me percebi pertinente à vida e pertenço às ruas e a tudo que me queimava a pele; só sei que, agora, encontro-me em erupção: tenho vontade - louca, insana, demasiada - de rodar pela avenida paulista à lá Elena (o filme) e me contorcer em poesia feinha, que ninguém avista se não afrouxar os punhos e cerrar os olhos. Precisa-se, antes de mais nada, abaixar-se e estar-se atento e há tempo pelos chãos, lixos, sujos, valas e bueiros da cidade para perceber que a miudeza e a boniteza existem e estão ali. Quando digo que me sinto feliz há um estranhamento, um medinho bobo, retaliado e amaldiçoado pelo padrão social de que preciso, precisamos sofrer e sentir dor. A vida é tão maravilhosa quando percebo que o clichê não é errado nem cômico: é factual. Necessário. Tão bonito quanto o desconhecido, o incomum, o diferente (??????) Aqui proponho um outro pensamento: quando diz-se “clichê”, quem estabelece a relação aceitável versus não aceitável? Tô num estado completamente comum: o estado de quem encontra-se feliz. Porque banalizaram a felicidade e colocaram-na em nossa garganta pois era-nos obrigação. E obrigação é ruim por demais. Não é chique. Não é moderno. Não é legal. (….) Quando digo que sinto felicidade - perceba a esquisitice e a antítese - falo também de sentir o que todos sentem. O que é bom, já que transcendo o meu lugar comum de achar que possuo uma glória por ser distinto dos outros (e não sou, não somos. afinal, sentir demais ou sentir distinto, não é premissa de que você foi agraciado com uma bênção divina ou que colocaram sobre sua cabeça um manto sagrado no qual você sentencia sua vivencia) e chego até à simplicidade do que toca sem pedir permissão nenhuma: mendigos na rua, cobradores de ônibus que olham para o fardo da solidão e choram, quando chove e a água leva muito mais do que a dignidade de quem mora no chão. 

A felicidade tem me mostrado um outro lado: o lado de quem não pode e não tem quem esperar absolutamente nada para apenas se permitir feliz. E permitir-se feliz também traz muitas indagações. Estava lendo um livro numa livraria estes dias enquanto perguntava-me se duraria muito tempo. Precisa durar? Vem com um rótulo, uma validade e umas dicas instrutivas sobre como não perdê-la na esquina da Augusta com a Frein Caneca? Só sei que chove e percebo-me ainda mais clichê. Clichêzaço. Clichê para caralha. E não me culpo por isso. Na verdade, fico agraciado de ser contemplado com a graça de quem varre a casa às 19 da noite e encontra-se maravilhado com o fato da vida acordar. Estou acordando, sem datas de validade e retiros espirituais - ainda não precisei de um.

✨ plot list: cedric beaumont

plot 1: bad influences. os dois despertam o pior um do outro. with: reservado pra nanda.

plot 2: exes que se odeiam. não precisam ter namorado em si, apenas ter tido um caso que acabou bem mal, e agora se odeiam com todas as forças.

plot 3: drinking buddies. cedric gosta muito de beber e se divertir, e está sempre acompanhado quando faz isso. pode até ser um grupinho de amigos que saem para zoar por aí <3

plot 4: hidden friends. os dois preferem que ninguém saiba da amizade que compartilham, por isso só conversam em segredo.

plot 5: primeiro beijo/primeira vez. cedric foi o primeiro beijo/primeira vez de xxx. isso pode causar um estranhamento para xxx ou até ser uma situação engraçada entre os dois.

plot 6: fake friends. fingem ser amigos na frente de suas famílias, mas a verdade é que não suportam um ao outro.

plot 7: occasional hook ups. os dois ficam as vezes, mas nada comprometedor. 

plot 8:  ‘i caught you doing something illegal but you blackmailed me into not telling so now i’m stuck with you’ with @hxctortura.

plot 9:  ‘i drunk dialled the wrong number and you picked up. you took me home and you end up being my designated babysitter after every party from there on out’ with @queenkrxm.

plot 10: character b was always ‘the troubled one’ while character a was ‘the angel who could do no wrong’ with: @gwnll.

plot 11: frenemies who can’t stand each other but have massive chemistry. with @clairelamartine.