estou pobre

Desce a cana
esvazia as vísceras
enche o peito
sangue raso e ralo
mente longe,
verdade perto.
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Estou cansado
Até o pó
Vaso quebrado em mesa pobre
Estou exausto de estar
Certos dias
A respiração me exaure
Certos dias
O espelho me quebra
Certos dias
Me levanto estando em pé.
Respire, corra, ame
Se olhe com olhos castanhos e brilhantes
Tão fundos e tão comuns
Sua peça mais preciosa
É lata pintada.
-
Então, desce o livro
Desce a musica
Desce a tv
Desce pra subir de novo
Desce pra andar de novo
Desce pra sentir de novo
Aquele ar frio
de que se foda
—  Felipe Vale, Alma Urbana. Junho de 2017

Consigo ser mais confuso do que a própria confusão em si. Sei ser certa e errado ao mesmo tempo. Nunca exigi entendimento de ninguém ao meu respeito, talvez porque nem eu me entenda as vezes, talvez porque as confusões que faço em minha cabeça, em meu coração, me deixam confusa a tal ponto que, que não sei. Me perco em minhas palavras, tão sem sentido, tão sem momento, e hoje nada mais do que escrevo, é realmente o que quero dizer, ou até seja, seja minha confusão, a bagunça em minha cabeça, a bagunça em meu coração. Vai entender minhas confusões, vai me entender. Perde-se o sentido de tudo, a vontade de querer arriscar, perde-se até o que nem tem mais. Ando saindo de labirintos para adentrar outros bem piores. As portas da felicidade parecem se fechar toda vez que me aproximo, e dar espaço a outras portas para a tristeza e novas lagrimas. E ultimamente não estou conseguindo controlar meu pobre coração cheio de rachos e curativos, tentando se recompor algum dia, quem sabe ele finalmente termine esta tarefa, quem dera saber diferenciar a porta certa no qual devo adentrar, no caminho que devo seguir para me encontrar. Sinto-me lhe dizer que estou perdida dentro de minha própria pessoa, sem mapa ou uma única instrução, tentando procurar a respostas entre inúmeros buracos em meu coração. Parece que quanto mais procuro, mais perguntas eu encontro. Estou desesperada, corro de um lado para o outro, grito o mais alto que posso, mas é incrível como ninguém percebe, mesmo eu gastando todas as minhas forças, parece que ninguém vê, depois de todos os sinais que dei, não ousam nem me indicar a saída mais próxima. Ninguém se importa comigo, isto já percebi a anos. 

O muro é alto, não tem nenhuma proteção, o vento está leve, não tem como cair de uma altura dessas, eu queria pular e cair nos seus braços, um verdadeiro clichê, mas acontece amor, que eu tenho medo do preto dos seus olhos quando chega a noite, eu tenho medo do som da sua voz e das suas garras, eu tento parecer tranquilo quando seus lábios se encontram com os meus, você me devora e eu me entrego, você me conduz e eu me deixo levar, você me tem de leve, e eu carrego todo o seu peso, eu tenho um guia porém não sei como usar, tenho algumas moedas e algumas incertezas, tenho mil e uma coreografia de dança, só tenho vergonha de dançar com você, eu fico louco querendo pegar na sua cintura e te apertar cada vez mais, tenho uma vontade de sair chutando as cadeiras e gritar para os desconhecidos o quanto o destino é incrível, o quanto precisamos um do outro, a solidão é uma puta querendo dinheiro, e eu não pago mais nenhum centavo. Estou pobre para quem me quer demais. Sinta menos.
—  Eduardo Alves, indeferindo.
Adivinha quem agora tem whatsapp? Pra que sms?
— Oi meu amor.
— Não acredito? ficou moderno? — olhei a mensagem no whats;
— Lógico, estou de celular novo, pobre é assim mesmo, demora pra conquistar as coisas.
— Desde quando ter um celular com Android é ser rica?
— Quando se tem um iphone né, Soph?
— Sophia — uma “carinha” nervosa.
— Soph.
— Desisto, lindo.
— Lindo?
— Desculpa, corretor automático.
— Aham, isso foi você que quis.
— Otário.
— Corretor automático?
— Não, fui eu mesmo.
— Ridícula.
— Ou, se toca.
— Mas quem se toca é você, eu sou outra coisa. — ele enviou uma “carinha”,safado.
— Ordinário.
— Gostoso também.
— Iludido pega bem né?
— A única coisa que pega bem é você comigo.
— Aff.
— O que?
— Você tão ordinário, eu vou dormir.
— Já?
— Claro, eu tenho contas pra pagar.
— Rica.
— Não, eu não sou vagabunda como você e suas amigas.
— Ciúmes?
— Me poupe.
— Tchau Soph.
— Sophia.
— Corretor automático — aquela “carinha irônica”.
— Sei, Eu te amo, idiota — digitei.
— Sério?
— Não, corretor automático.
—  Sophia  CXCII. A culpa é do corretor. Bell Paulino