estampado

Tenho medo de continuar me fechando pro mundo até chegar em um ponto que não conseguirei mais derrubar meus próprios muros. Talvez essa seja a coisa mais triste que eu possa te dizer, mas eu não tenho esperança no mundo ou na humanidade. Eu já desisti de conhecer novas pessoas. Já desisti de fazer novas amizades ou encontrar um novo amor. O que as pessoas falam, suas futilidades e o entusiasmo que demonstram nada têm a ver comigo. Aliás que tipo de diálogo é esse em que as pessoas ficam metade do tempo com um sorriso idiota estampado na cara? Por isso eu sou assim tão solitário, porque de certa forma eu reconheço que ser solitário, é sim uma saída muito mais fácil do que ter que lidar com a grande maioria das pessoas. Mas a solidão para mim nunca me pareceu algo ruim, pelo contrário, sempre me pareceu um privilégio. Talvez a minha solidão seja realmente muito excessiva eu confesso, mas eu sempre detestei as coisas mundanas. Sempre detestei os padrões sociais e os catálogos de esteriótipos. Sempre detestei as festas e as falsas aparências. Sempre detestei conversar com os outros sobre assuntos banais. Para mim, estar com as pessoas apenas para gastar o meu tempo de forma superficial e banal é algo insuportável, vazio e doloroso. Sou vulnerável demais para um mundo cheio de dor e mentiras.
—  Tenebroso | Alef Toledo.
Somos capazes de sobreviver a essas coisas horríveis, pois somos tão indestrutíveis quanto pensamos ser. Quando os adultos dizem: “Os adolescentes se acham invencíveis”, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem o quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Não nascemos, nem morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de tamanho e de manifestação. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e de fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar.
—  Quem é você, Alasca?

eu só consigo lembrar que eu tenho saudade
e que essa foi a unica coisa que sobrou.

isso não é exatamente de ti,
é mais aquela vontade que eu tinha,
os planos, os amigos,
as loucuras que eu encarava sem medo,
o sorriso estampado na cara
e tuas músicas pra acalmar meu dia.

eu sinto falta daquela menina
que queria a todo custo
ser jornalista e que exalava
cheiro de “tô nem aí”,
aquela que tinha sonho nos olhos
e sangue querendo saltar das veias.

eu sinto falta de quem eu queria ser,
pra te mostrar no fim do dia.

era da tua alegria na vida que eu me inspirava.
eu enxerguei tua alma querendo escapar da íris
e quis pintar todos os meus cantos mais escuros.

(desculpa, tentar te fazer de segunda pele)

É engraçado de ver. Eu chego e literalmente sufoco as pessoas com a minha presença. Não com o cheiro do meu perfume ou minha roupa chamativa. Mas, com o meu riso descontrolado, e as minhas palavras atropeladas. Silencio? Só quando a fossa tá grande. Mas daí, a pessoa se embaraça, não acompanha meu raciocínio, ou a minha capacidade de falar 10 palavras em 1 ou 2 segundos.  Então elas mostram pouco entusiamos. Ou dizem algo que desagradam. Então eu  me fecho. Me afasto. E em 1 dia ou 2, lá está a pessoa sentindo falta de todo o barulho que eu faço. Fica estampado em seus rostos. Nos seus olhos a procura de qualquer vestígio que me desperte. Nos passos ociosos em minha direção. Nos lábios e gargantas, entalados com as palavras que não sabem dizer. E eu? Eu sigo fazendo meu barulho em lares e ouvidos que me acolhem. Porque, ao contrario do que pensam, eu não sou carente de atenção, eu sou atenciosa.
—  Confissões.
Mas daqui a alguns anos, vamos nos encontrar na rua e quase não vamos nos reconhecer. Talvez eu mude meu modo de andar e talvez você mude seu estilo de roupa. Talvez você mude o seu corte de cabelo e eu deixe o meu crescer. Talvez você não vá me reconhecer porque o meu corpo não será mais o mesmo, e talvez o seu mude também.
 Eu estarei em um lado da calçada e você no outro. Vamos nos olhar, e talvez fingirmos que não nos vimos ou talvez você venha até mim, como sempre faz com pessoas a quem você conhece, talvez sua simpatia continue a mesma. E vamos dizer “olá, quanto tempo hein?’’ Talvez possamos parar e ouvir um ao outro falar de como andam nossas vidas, vamos comentar o quão rápido o tempo passou e de como as coisas mudaram e de como nós mudamos também. Ficaremos felizes em saber as novidades um do outro, e de como conseguimos crescer na vida, nos tornando quem sonhávamos; eu uma técnica de informática e você um faixa preta de kung-fu e vou até te ouvir dizer com seu melhor sorriso estampado e o peito cheio de orgulho que finalmente abriu sua própria academia! Talvez eu diga como foi minha experiência no Canadá e de como tudo por lá foi maravilhoso, e você irá me dizer ” Aí sim’’ como o bom e velho Bruno costumava fazer. Talvez vamos até citar nossos familiares e cada um levar um abraço desejado para todos os membros. Talvez você me diga que têm alguém especial, e me diga de como você tem a certeza de que ela é a mulher da sua vida e que se casarão em breve, e eu te diga, que voltei a ser solteira e você vai ser gentil e me dizer que vou arrumar alguém legal que me faça feliz, porque eu mereço.
Ou talvez, vamos somente acenar de longe um para o outro e depois vamos seguir nossos caminhos. E quando este dia chegar, eu quase não vou mais lembrar dos seus planos de hoje para o futuro; não vou saber se você os conquistou e não vou poder ficar feliz por eles. Você não vai saber se estou vivendo uma fase boa da vida ou se até consegui meu diploma na faculdade ou se me tornei fluente no inglês. Não vamos mais nos conhecer ou saber da vida um do outro, porque o nosso final chegou igual ao nosso começo: como dois desconhecidos.
—   Uma Thay Qualquer - Reprimo

eu coloco aquela música pra tocar de novo e pensar em você
porque é isso que eu faço
é suicídio
estampado
na minha face já cansada
no meu coração já dilacerado porque
meu bem,
meu miocárdio já não te aguenta.

John and Blues

Bateu um vento frio, sinônimo de frio na barriga quando te vejo, quando te toco, quando te beijo. Tua voz e teu sorriso, estão estampados em todos os cantos que vou. Tua mania de usar minhas roupas quando vem para minha casa é amor intenso, teu cheiro grudado nelas me fazem sentir menos saudades quando você se vai. Eu ouço tua música todos os dias, é, você tem uma música que eu escolhi, ela te descreve por inteira. Voltando ao frio, inverno, tua estação favorita. São os dias dos seus chás de camomila, teu moletom largo, eu e você de baixo do cobertor. Teu corpo ao meu, respirações, conexões, eletricidade. Teus braços envolvidos em mim, teu sussurro dizendo que me ama, arrepios. Nosso anel, nosso laço, nosso amor, reciprocidade, intensidade.