escurto

Eu não posso morrer

Hoje à  noite eu resolvi sair andando por aí. Não tinha destino certo, só queria…sair andando. Estava tão escuro, era tão tarde, madrugada já, e eu mal enxergava um palmo à frente do meu rosto. 

Então de repente bateu um medo de morrer. Eu não sou medrosa, você sabe, mas naquela hora eu realmente tive medo. Eu não estou pronta pra deixar essa merda toda que a gente chama de mundo, de vida ainda. Eu não quero morrer. 

Eu não posso morrer sem falar para os meus pais que eles são os melhores pais do mundo; a filha deles ser a pior de todas não é responsabilidade de ninguém se não dela. Eu não posso morrer sem cair de joelhos no chão e pedir perdão a Deus por tanta besteira que eu faço e que eu falo. Eu não quero morrer sem te dizer que você é o amor da minha vida, e que eu tenho medo que, se algum dia eu te perder, eu me perca também. E sabe, ainda não tomei aquele cappuccino de nutella da cafeteria do shopping…não dá pra eu partir daqui sem experimentar isso. 

Então eu decidi que não ia morrer. Não, ainda fico por aqui por um tempo, ainda te falo tudo isso que está entalado, ainda tomo esse cappuccino. Sei que essa noite vai ser misericordiosa e me trazer de volta pra casa em segurança.