escudeira

Baila Comigo

- Quero todas la pra me verem na banda

- Ai, nunca fui. Não sei dançar

- Vamos vai ser legal

- Não tenho nem ideia de como isso de forró. calipso essas coisas.


- Parece que é aqui mesmo

- Não acredito  que todas furaram

- Só você veio

- Sua fiel escudeira né amiga

- Mas e agora, vai ficar sozinha enquanto estou no palco?

- Não tem problema,  vai la e eu fico por aqui

- Vai ter um intervalo com outra banda, ai fico um pouco com você.

- Relaxa amiga fico por aqui

- Vai ficar bem mesmo? Entao vou la.


——

Dançar

A pegação é forte e são todos abusadinhos

E essa coisa de roça roça….

- Para, você tá muito abusado. Paara.

Preciso parar isso ou acabo fazendo uma loucura.

- Vou ao banheiro, ja volto


Meu deus olha a situação


Unf……. e não para…… Não vai ter como segurar essa onda.

Daqui pra casa! Vou fazer besteira se ficar


Dou de cara com ele na porta do banheiro.

Vem comigo

Fui dominada pelo tesão e deixei a brincadeira avançar

Mesmo no canto escuro e afastado, não tinha como passar despercebido

O que só aumentava o tesão e vontade de loucuras


- Amiga  sua louca, vem ca. Ta tudo bem ?

- Ta sim

- Vem comigo que consegui pra ficar com o pessoal la em cima. Vou ter que voltar, mas lá é melhor e depois fica mais facil de te encontrar 

- E olha, open bar so pedir pra nossa amiga aqui, mas se controla. Olha, e você fica de olho nela hein!

- Vou lá. Me espera!

A escrita é a minha única forma de desabafo. As palavras tornam-se minhas fiéis escudeiras. Eu até tento conversar com algumas pessoas, mas nunca consigo despejar tudo milimetricamente, sempre sobra algo que fica machucando como espinho quando prende em nossa roupa. É uma forma egoísta de lidar com os problemas, creio eu. Mas tento ao máximo polpar as pessoas do caos que eu enfrento diariamente, sempre acho que todos já têm problemas demais e que os meus não tem expansão suficiente para ser comparado. Eu dramatizo tudo, já ouvi isso inúmeras vezes. Me chamam de grosso, de arrogante, de monstro. E eu aceito. Calado. Porque nenhuma palavra me machuca mais que essa dorzinha no peito, esse vazio que transformou-se em um buraco negro e engole tudo que tenta preenche-lo. Eu sou uma aberração sentimental. Eu não consigo me satisfazer com nada. Tudo é pouco, efêmero, passageiro. Eu sou ponto fixo de um mundo descomunal. Eu sempre espero o novo, o inédito, mas só recebo o comum, e isso me cansa. Quero sentimentos novos, dores novas, razões novas… Quero chorar por motivos diferentes, quero discar e apagar um número novo na tela do meu celular. Quero escrever sentimentos diferentes, metaforizar pessoas diferentes… Até o papel cansou da mesmice e me roubou a prática com as palavras. Até a caneta escorrega da minha mão suada, por ingratidão ou exaustão. Até o meu rosto se contorce com as lágrimas pesadas de tanto carregar o peso das mesmas bagagens insuperáveis. Meu corpo clama por leveza. E eu também. Um dia, eu juro, me cansarei de tudo isso e mudarei: de roupa, de rumo, de história, de vida. E vou viver o que minha cegueira arbitrária me impedia de ver. Então perceberei que, sim, eu sou forte; que, sim, eu consigo; que, sim, estou vivo. Eu só preciso de mais um minuto para pensar e escrever. E então desistir.
—  Jadson Lemos. 

Eu não estou bem, cansei de fingir, cansei de sorrir sendo que por dentro eu estava desmoronando. Todo mundo se fantasiou com os sorrisos falsos que eu dei, mas não significa que eu estou feliz só porque estou com um sorriso bobo estampado no rosto, eu abro esse sorriso quando sou irônica. Cadê os motivos para me fazer sorrir? Cadê as pessoas que me faziam sorrir de uma forma única, cadê? Cadê?!