escorrego

Ri das minhas piadas de quinta categoria, senta comigo e segura a minha mão quando eu entro nas bads.  Até quando choro por razões que outras pessoas chamariam facilmente de drama ou exagero, escolhe me fazer um cafuné na alma e diz que me entende. Que tudo vai ficar bem. Conhece minhas manias esquisitas, medos absurdos, sonhos gigantescos. Não me recrimina por sonhar tanto, mas o faz comigo e inclusive me faz pirar com projetos ainda maiores que os meus. Segura o meu coração. Me  puxa a orelha quando escorrego em algo que eu não devia dizer mas disse, que não devia fazer  mas fiz. É meu colo quando corro assustada do peso do mundo. Segura a onda por nós dois. Meu ponto de partida e de chegada mas nunca final. É minha Eternidade, meu Raio de Sol que entra pela fresta da janela. Meu sorriso, a razão de todos eles. Meu Amigo, meu Amor, meu Lindo - Lindão quando estamos a sós, rá - minha Vida. Tão chamado por mim de Papai, Paizinho, mas que me surpreende todo dia com o tamanho e profundidade de Sua paternidade. Escolheu dividir comigo uma amizade mais forte do que a morte, pois venceu o túmulo para se assentar comigo à beira da minha cama e dividir histórias. Me dar amor. E que mais eu poderia querer? Quem mais pode amar tão absolutamente assim? Ninguém pode ser Amor como Você é. Meu  Eterno, meu Bem, Luz que me clareia, Perfeição, Maravilhoso, Glorioso. Obrigada por, muito mais que me chamar de filha, me fazer Tua filhinha tão amada, cuidada, querida. Obrigada por me fazer sentir tão especial e viva e feliz e obrigada por uma outra infinidade de coisas maravilhosas que o Senhor me faz sentir todo dia, Deus. Tamo junto daqui até a Eternidade. Te amo. Te amo. Te amo.
—  De verso e alma, para Ele.
A Camisola cinza

São 2 da manhã, fomos deitar por volta das 00:30 e desde então não consegui dormir, aquela sua camisola que mais parecia uma camiseta grande, pois chegava só até o meio da coxa e você apenas de calcinha por baixo, já tinha me deixado excitado só de ver essas curvas dessas suas coxas branquinhas. Levanto da minha cama, vou em direção ao banheiro chegando no banheiro, vejo a porta do quarto a onde você está aberta, e você sozinha dormindo de bruços em um colchão jogado no chão, edredom está te cobrindo porem uma de suas pernas está para fora do edredom, eu ali olhando e já me imaginando te acordando passando a língua pela parte de dentro das suas coxas, enquanto minhas mãos massageiam sua bunda abrindo e fechando fazendo com que sua calcinha escorregue para o meio da sua bunda deixando apenas essa bunda maravilhosa lisinha para minha mão escorregar nela.

Vou subindo pela coxa, te lambendo dando leves mordidas, você vai despertando já com a respiração acelerada meio desorientada, as mãos apertando o travesseiro e com os olhos entreabertos olha para baixo e me vê ali te chupando lambendo indo em direção ao seu cuzinho, meio assustada você pede para eu parar e fala que não é certo, mas entre cada palavra você suspira, e solta leves gemidos, e isso me mostra o quanto indefesa você está naquele momento…Retiro sua calcinha do meio da sua bunda levo ela pro lado com uma mão e com a outra eu abro sua bunda apertando ela bem forte, seu cuzinho fica todo exposto, e eu logo caio de língua ali, deixando saliva escorrer da minha boca para ele ficar todo molhadinho, vou circulando minha língua envolta dele e você involuntariamente começa a abrir ele, te penetro com minha língua e seu gemido começa a ficar mais intenso, ai eu paro e faço com a boca “shhhhhhh” como se dissesse pra você ficar quietinha afinal ninguém pode saber que estamos ali, você logo se entrega, levanta sua camisola para cima assim como seu sutiã deixando seus peitos ali em contato com o colchão, levanto e olho por cima do seu corpo e penso comigo, o quanto eu desejei esse corpo por tanto tampo.

Você olha pra mim ainda com uma cara de insegurança, mas logo me posiciono por cima de você e com sua calcinha de lado coloco meu pau do lado de fora da sua bucetinha, e começo a levantar e subir meu corpo só para ir roçando e te deixar molhadinha…Com tanto tesão que estou sei bem que não vou durar muito tempo, então aproveito ali para te deixar bem excitada, ainda por cima de você tiro um dos meus braços de apoio, e com a mão livre retiro seu cabelo de cima do ouvido e chego nele e falo “Eu já havia dito que era louco por você, e você sabe muito bem agora que é verdade, estou louco para te fazer gozar e gozar em você” você suspira bem alto morde os lábios e vira o seu corpo de baixo do meu, ficando de barriga para cima.

Que visão maravilhosa, seus peitos com aquelas pintinhas que vem desde seu ombro passa pelo seu colo e dessem até esses peitos, sempre me pegava desenhando seu corpo com os olhos imaginando até onde ia todos esses sinais, seus olhos claros que mesmo no quarto escuro iluminado por pouca luz da rua que passa entre as frestas da janela e da cortina, brilham e me faz sentir ainda mais privilegiado de ter uma pessoa tão linda e tão gostosa nesse momento. Vou abaixando meu corpo como se fosse iniciar a penetração, e você olha para mim e balança a cabeça dizendo não, joga o corpo para cima e usa o travesseiro para escorar a cabeça na parede, com as suas duas mãos você me aperta minha bunda e me puxa para cima, me dizendo que quer que eu leve meu pau para você chupar, atendo seu pedido, deixo meu pau bem na sua boca, você olha para cima antes de começar a chupar e dá uma risadinha eu correspondo e ao mesmo tempo encosto minha mão na sua cabeça como se dissesse “chupa vai”. Sem pressão nenhuma você começa passando a língua na cabecinha, passa mão no meu pau lá de baixo fazendo leve pressão e logo sente que ele já está soltando sêmen você sapeca do jeito que é logo chupa para dentro da sua boca e começa a chupar gostoso, me masturbando com uma mão e a outra acariciando minhas bolas eu já louco de tesão sabendo que com essa chupada vou gozar na sua boca, começo a suspirar bem forte olhando pra baixo descendo minha mão até seu peito, acariciando bem devagar e bem leve, alternando para umas pegadas mais forte, escorregando até o biquinho do seu peito onde dou uma leve e rápida beliscada, e volto a acariciar de leve, você vai me chupando bem molhado, deixando a sua baba escorrer pra fora, que tesão que isso me dá, você molhando gostoso e a saliva pingando ali no seu colo escorregando entre seu peito, eu logo imaginando em beber tudo aquilo quando for descer pelo seu corpo, como o previsto começo a perceber que vou gozar como não tenho certeza se você está disposta começo a dar sinais e olho pra baixo, faço como se fosse tirar da sua boca pra gozar, e você logo tira a minha mão e afasta meu pau um pouco para fora da sua boca, ele sai todo lambuzado da sua baba, e você ali finaliza me masturbando, gozo gostoso nos seus lábios e dentro da sua boca, você chupa a cabeça do meu pau sabendo que a sensibilidade está alta só para me provocar, e com a língua pega tudo que ficou de fora tanto nos seus lábios quanto o que ficou ali nele, que tesão delicioso.

Desço e vou até sua boca, quem diria em, ainda não havia te beijado, e logo no primeiro beijo tenho o meu gosto misturado ao seu, te dou um beijo logo, demorado afinal que delicia é te sentir uma mão na sua nuca, e a outra massageando seu corpo, escorregando entre seu ombro, seu peito, sua barriga sua bucetinha e seu cuzinho, eu só sentindo você gemendo nos beijos e sua bucetinha escorrendo de tanto tesão. No meio do beijo vou saindo da sua boca, mordendo seus lábios, e escorregando para uma leve chupada no queixo e vários beijinhos no pescoço, chegando no seu colo me deparo com a molhadeira da sua saliva que está começando a secar, mas ainda consigo me lambuzar ali indo até seus peitos, apertando com a mão quando pegado debaixo e passando minha língua em movimentos circulares dando uma leve chupada com uma mordidinha no biquinho, faço isso em um peito e depois passando de um pro outro com a língua e chupando gostoso o outro da mesma forma, agarrando com uma das mãos, desenhando círculos com a língua e uma leve chupada depois no biquinho, escorrego uma das mãos para sua bucetinha e vou te masturbando, coloco dois dedinhos lá dentro e tiro eles todinho melado, levo ele em direção a minha boca mas você me surpreende e puxa minha mão chupando meus dedos só pra se provar. Eu e você damos uma risadinha para o outro e eu continuo a descer com minha língua nesse seu corpo, chego no umbiguinho passo minha língua ali, você sente uma leve cosquinha e dá uma risadinha e eu volto a descer.

Chego na sua virilha e logo você começa a se contorcer, fica inquieta tentando levar essa bucetinha molhada até minha boca, porém eu só para te provocar, passo a língua na sua virilha e com uma mão do na outra virilha vou passando o dedo bem de leve, só para te provocar. Sem te tocar vou mordendo, chupando entre sua virilha e sua coxa, abro bem sua bucetinha e dou uma leve chupada em um dos lábios, e você deixa um gemido mais intenso sair. Não aguento mais brincar assim, o cheiro da sua buceta, o gosto do seu mel escorrendo os seus gemidos que soam como música me levam a te chupar, ajeito suas pernas com os meus braços, abrindo bastante, deixando sua buceta bem exposta e vulnerável, com a língua sobre o seu clitóris deixo escorrer toda a saliva que acumulei ao sentir o gosto do seu suor ao te chupar, o fio de baba desliza sobre o seu clitóris de encontro ao seu cuzinho e minha língua encosta em você suavemente, descendo pelo clitóris e indo para dentro da sua buceta, coletar ainda mais sabor, suas pernas tremulas, suas mãos perdias sem direção vão de encontro a minha cabeça para me puxar contra sua buceta que contrai e se esfrega em meus lábios.

Você se contrai, se contorce e geme cada vez mais alto ali chupo milha língua percorre todo o lado de fora, de cima pra baixo de baixo pra cima, chupo seus lábios e volto a passar a língua de um lado pro outro, brinco desenhando o número 8 na sua bucetinha pegando seu clitóris e seus lábios, chegando quase perto do seu cuzinho. Meu pau latejando já anseia para te penetrar e quando penso em subir para colocar ele dentro de você, você diz entre um gemido “Ahhhhhh não para que eu vou gozar” nessa hora começo a te chupar girando minha língua em cima do seu clitóris e com uma das mãos penetro o seu cuzinho e sua bucetinha, nessa hora sinto tudo contraindo dentro de você, você começa a dar um gemido e logo segura ali percebo que você gozou, suas pernas se contraem seu corpo fica inquieto, e que delicia sua bucetinha toda molhada na minha boca.

Todo lambuzado vou até sua boca e te dou um beijo molhado, mordo seus lábios e você ainda está anestesiada com a gozada. Aproveito esse momento e te penetro bem devagar, coloco tudo dentro de você sem nenhum esforço. Você geme gostoso, agarra minha bunda me puxando como se dissesse “Mete gostoso vai”, me inclino sobre você apoiando-me sobre um braço e com a o outro subo minha mão até seu peito, agarro ele com força e vou passando o dedo sobre o mamilo, vou colocando meu pau dentro de você gostoso, tirando até ele quase sair, e deslizando gostoso ele todinho dentro e você, você geme gostoso, seus olhos se reviram, e logo sinto suas unhas arranharem minha bunda e no embalo você me puxa contra você. Que delicia olhar você assim, com essa cara de safada, de tesão de satisfeita com o momento, você olha para mim morde os lábios e arranca de mim gemidos, afinal todo aquele corpo gostoso, aquele rosto lindo, e aquele tesão sem vergonha do momento me deixa simplesmente louco.

Começo a reduzir a velocidade e paro, tiro meu pau de dentro de você e ele logo escorrega para cima do seu clitóris, você geme gostoso e dá risada, e eu aproveitando a situação bato ele mais umas 2 3 vezes em cima só para ver seu corpo se contraindo, você geme gostoso e como se pudesse ler a minha mente me diz “Me pega de quatro” eu em seguida digo “Como você adivinhou que eu queria te pegar de quatro pra ver essa bunda gostosa pra cima e esse cuzinho gostoso pertinho de mim” você rindo me diz “A gente está em sincronia, única coisa que está faltando é você dentro de mim”, nossa que tesão, te viro quase que em êxtase com suas palavras, você fica de quatro e logo se deita com a cabeça deixando apenas sua bunda pra cima, eleva suas mãos para sua bunda, abre gostoso ela e sua bucetinha fica toda aberta, molhada, antes de te penetrar, te chupo gostoso.

Fico de Joelhos e coloco meu pau bem na portinha da sua buceta, quando vou levar minhas mãos até sua bunda para te puxar até ele, você já toma a iniciativa e traz a sua bunda de encontro ao meu pau, coloco ele inteiro dentro de você, você solta sua bunda solta um gemido e agarra minhas coxas me segurando como se dissesse “isso deixa ele ai dentro gostoso”… Que imagem aqui de cima seu corpo todo ali, essa bunda toda virada pra cima, não aguento e te dou um tapa meio forte meio carinhoso, agarro sua bunda bem forte e começo a te embalar em um movimento de vai e vem, você segura a respiração e depois de uns 10 segundos solta um gemido bem gostoso e longo, que delicia, que tesão…Agarro seu cabelo por de e começo a meter gostoso e mais rápido dentro de você, você começa a se levantar vindo de encontro ao meu corpo logo estou eu ao pé do seu ouvindo, e você de joelhos junto comigo,  vai rebolando e falando “de vagar, coloca devagar vai” e eu falo “de vagar é, então vamos devagar que eu to louco pra gozar” você da  uma risada, e vai descendo gemendo, rebolando e voltando para a posição de quatro. Eu ali quase gozando, falo “Isso vai rebola, rebola que eu vou gozar”, você da mais umas 5 reboladas e se levanta, fica de frente pra mim, agarra meu pau e vai batendo uma punheta gostosa, em quanto lambe minha boca, depois meu pescoço, meu peito, e vai descendo até chegar no meu pau, uma mão sua vai para as minhas bolas acariciando gostoso em quanto a outra vai acompanhando o movimento da sua boca de desce e sobe, e passa a linguinha na cabecinha dele. Eu gemendo gostoso, gozo gostoso na sua boca, você bebendo tudo e o que não consegue beber deixa escorrer pela boca ficando toda lambuzada. Você sobe até minha boca me beija gostoso e eu falo que quero mais você da uma risada e volta a se deitar. E eu? Eu logo percebo que estou ali na porta entre o quarto e o banheiro olhando para você e tudo aquilo não passou de pura imaginação da minha cabeça, que serviu apenas para me deixar excitado e ainda com mais desejo de você.

nota sobre mim

vazio.
sou tão frágil
escorrego das tuas mãos
escorro pelos teus dedos.
sempre termino caindo do precipício.
meu vazio já não encanta ninguém e
a dança já não me cura.
poderia fechar os olhos e
rodopiar até a dor passar,
mas só consigo me encolher e lamentar.
baby, i’m sure you can free my heart.
escuto uma música qualquer,
pausa
vazio.

Quem poderia simplesmente silenciar sobre o silêncio? Trovões espocam mudos no céu acinzentado. Deito no chão sobre folhas enervadas do frágil galho às extremidades de um umedecido e murcho limbo. À medida que a chuva repousa suas gotas quentes sobre minha testa, a vontade é de cavar a terra com as pontas dos dedos em busca de um útero úmido da natureza que me resguarde em cada lampejo de dentro. Ainda não sei por que escrevo se as palavras me desequilibram de sentido. Há um vão de sussurro que se esvai pelas arestas dos ouvidos do tempo. Posso até continuar falando em nome da razão, em nome de certezas que de tão trépidas hão de advir uma loucura subjacente. Posso continuar carregando areia, perdas, pedras, água na concha das mãos, embora qualquer um saiba que é sobre um chão lamacento em que hei de erguer esse meu refúgio desértico. Tudo que agora exponho é muito controverso, indeciso, imaginativo. Não sei até que ponto aquilo que te conto e me reconto é real ou toque no escuro. Tenho a impressão que tudo o que digo e sinto se embaralham em grupos de cartas que não se misturam. Mas que no decorrer do jogo, acabam sendo um pouco previsíveis, acostumadas, assustadiças - uma a uma, jogadas sobre o véu da mentira de uma feiticeira um pouco sábia, um pouco bruxa: não se pode errar o óbvio. Os erros precisam também ser nobres. Quem erra sempre no mesmo ponto não erra: acerta o erro. De que me adiantam esses gritos se os silêncios trotam fremente o ar feito bala engatilhada corrompendo os limites de nossa atmosfera? De que me adiantam todas essas palavras bem estruturadas, se com um único golpe de vida me vejo feito gueixa submissa ao chão colhendo restos de gotejados punhos? Desde que me soube gente, sempre foi calando minha revolta que colhi cactos vermelhos de um coalho sangue a atormentar-me à gengiva dos ossos. Elejo aqui as palavras mais duras que conheço pra salvar-me do inferno de ser eu. Mas não importa que correndo me conduzo cada vez mais longe de casa, se em cada esquina me vejo sempre frente a mesma porta. Não importa se aro a terra com as unhas, se a semeio com substrato íntimo dos meus olhos, se pelas ruas que andei sopro maconha dentro de outras bocas que desandei querendo a tua. Feito fera lambendo a pata depois  de ter devorado o veado. A barba ensopada de sangue. As roupas desabotoadas por palavras promíscuas. Elas desejam que eu as seja, que eu as foda. Mas ausências são os únicos frutos que me crescem além dessas linhas. Impossível arrancar a dor como quem arranca uma trepadeira pelo tronco da vida. Estou dissolvido, não em pedaços. Por isso, já sabe: escorrego, derreto, alago… Sim, amanhã eu ainda serei o blues que deixou de tocar por essas ruas. O afeto reprimido vem pelo o corpo, não se pode irromper o fluxo das águas em que navegamos em desnorteio. Feito planta venenosa, broto virulenta entre os musgos dos meus versos. Lá fora tudo cresce, mas a gente não muda. E se cria tantas vezes por entre jardins sem rosas. Ainda é possível ser inteiro sendo menos que metade das flores que fui ontem? Que tonta travessia. As palavras não são nada. Peixes carnívoros correndo soltos em um rio de lamúrias ainda podem ser um poema. As palavras não são nada. Vai chegar a minha vez de me dar ao ninho do pé. As palavras não são nada. Vou ser fruta colhida pelas mãos do vento. As palavras não são nada… Continuo, pelas beiradas daquilo que me racha ao meio sem atingir o magma. Por isso faço tremer o chão da memória, enfio o dedo seco na garganta das feridas, desobedeço meus pés e caminho descalço sobre restos de brasas de mim e, olha só: tanta erupção de palavra pouca… Talvez, por isso, súbitos silêncios no despedaçar das auroras. Talvez, por isso, murmúrios sentados abraçando as próprias pernas. Talvez, por isso, ventos profusos que enxugam os joelhos nos cabelos das ausências. Talvez, por isso, cílios orvalhados de saliva de quem beija primeiro os olhos dos passarinhos. Cílios não, braços. Olhos não, caules. Línguas não, anêmonas. Raízes. Talvez. Só talvez por isso, a mente disparadora de redescobertas absurdas - as palavras não são nada… Mas quem sabe escrevendo sobre coisas que emagrecem a vida, acariciando-me a pele prematuramente agreste, ela não receba de volta às gargalhadas esse solitário feto de grandes miudezas. Talvez! Mas percebo que único ventre que ainda me aceita é a poesia!
—  Michael Letto

Líquida
Escorrego pela calçada
Fundo-me com a lama do caminho:
Salamandra.

Sei que alagar é já cliché
Repetido mil vezes
Em vinil
Mas

A mulher é líquida
À noite
De sapatos altos
E ombros nus

E eu sou uma mulher
Nasço, vivo e morro mulher:
Filha do bizarro
Mãe do cansaço

O tempo passará por mim
Sem hesitar sequer
No toque da pinga fria
Do primeiro andar.

nada

acho que estou com gastrite

a verdade é que estou chorando a exatas três horas. o meu ser interior anda confuso. já percebeu o quanto o ponto de ônibus se entristece quando só existe uma pessoa aguardando? e o pardalzinho que morreu na minha rua essa semana? eu tento equilibrar meus medos e incertezas na palma da mão, mas as vezes, mais rotineiramente do que os psicólogos sugerem, eu escorrego e a balança se desregula. já pensou o quanto Manuel Bandeira sofreu quando soube que estava morrendo? ele ficou inerte e fechou-se hermeticamente esperando os anos para que a doença o retirasse desse mundo de poeira e, quando o espetáculo acabou, não foi pela enfermidade. “a vida que poderia ter sido e que não foi”. já notou o quanto o céu chora? existe um pôr do sol nos meus olhos, porém eu não tenho coragem de nascer. meus ossos balançam com o ressoar dos passarinhos, entretanto, eu não me movo. não quero dançar sozinha. eu vou tropeçar nos meus pés e cair. eu caio em mim. já percebeu o quanto as ruas estão cada vez mais cinzas? os prédios sobem, o concreto dilacera, as caminhadas tornam-se carros. eu choro porque quero voltar a ver borboletas e comprar fita cassete. não é fraqueza. eu sinto as gotas salgadas descendo nos meus lábios e não me envergonho. em exatidão sou muito frágil. até as flores mortas me entristecem. algumas palavras acho que nunca saberei escrever. algumas canções nunca saberei cantar. alguns poemas nunca compreenderei. me deixa chorar. é uma tristeza suada, profunda, sincera. ela exala um clamor. por favor escutem o silêncio o qual os cerca. minha tristeza é legitima a qual eu tenho o direito. sou um oceano inteiro que se alaga igual as ruas de São Paulo. minha alma é prolixa e eu preciso me desvendar. minha miopia embaça os meus passos. me permite chorar? desmontar-me-ei e pintar-me-ei de novo. irei comprar um papel rosa e embrulharei meu caos, pra ver ele ficar mais bonito. não sei, acho que estou com gastrite. ou com saudade. os dois ardem.

Só mais uma Maria 

Enquanto eu escorrego,

O vento leva as horas e no mesmo ritmo meu ânimo de querer seguir. Vou sentando no chão, me apoio nos joelhos e, assim, espero qualquer sopro de vida.

meu bem, você me conhece bem, eu tenho preguiça, tropeço nas palavras, escorrego nas vírgulas. sou complexado, não faço rimas, você sabe bem, mas não faço por mal, é força no hábito, é sexta feira e isso tudo é clichê. mas eu quero te ver, pode ser na praça ou na estação de trem, me desculpe se eu chegar cinco, talvez dez ou doze minutos atrasado. é que eu sou todo atrapalhado, mas prometo que vou, levo a mochila com alguns livros e algumas piadas ruins mas que sempre te fazem sorrir.

rotineiro

bios comédia mtv

por isso todas tem inveja de mim, querem o meu estilo e ter os olhos assim

traficantes vendem pó, ninguém quer dormir, dou bote no buteco e chamo as cachorra pra sair

descendo as vielas, sempre de chinelo, indo devagar por que se não escorrego

tem que fazer hora extra, ter vários emprego, fazer como os traveco, na pista mostrando o rego

juntando os parceiros para um churrasquinho, bota água no feijão, traz um cavaquinho

o meu pau, minha benga, minha jeba, minha vara, minha estrovenga

essa é a minha realidade qual sua realidade tem varias realidades mas a realidade é q eu fiquei repetindo varias vezes, realidade

Meu corpo está silencioso, nunca minha alma esteve tão quieta. Minhas mãos se lançam ao alto como quem procura outro na escuridão, tateio as esferas do infinito e ouço o sussurro dos imortais. Fecho os olhos para navegar completamente. No coração um incêndio inescrupuloso, como o beijo de Judas, o grande traidor, enfartando pelas brechas inquietas dos poros desperdiçados. Minha luta é essa ausência monumental, estrondosa como o universo a se expandir loucamente. Não compreendo essa fúria dentro de mim, não me cabe enlouquecer enquanto o mundo se estende como um tapete aos meus pés. Escorrego para o lado de dentro à procura da alma desperta para poder conceber alguma voz a esse silêncio que incomoda.

Ludmila B.

Na chuva
embaço, enferrujo
feito açucar diluo, escorrego
me apego aos muros
muros que te cercam e nos separam
léguas de águas que gotejam
unindo céu e terra
léguas de distância
que me matam inundado
preso nos muros
que me afastam de você.
—  A.L. | Na chuva, diluo.
Más...

Era o maior amor do mundo. Mas… sempre tem um “mas”, que droga! E eu que cresci pensando que iria achar o tal príncipe. Só achei vários “mas”… Maus “más”. E a vida é muito mais complicada do que qualquer um poderia ter me explicado. Complicada por ser relativa, por ser individual, por oferecer desafios diferentes para pessoas diferentes, em momentos diferentes. E toda essa diferença me faz pensar em Deus. Acho que a maioria é assim, recorre a Ele, como um alívio, um consolo. E de novo: “mas” temos que correr atras da felicidade e não esperar que “Ele” resolva tudo.

Enfim, cresci, vi e aprendi que o maior amor do mundo pode acontecer várias vezes, que os príncipes são exatamente da mesma categoria das princesas, e que tem gente boa e má em todo lugar, toda profissão, todo clube, todo puteiro. Sem pré-conceitos. “Mas” com conceitos agora. Também tem os “mas” do bem. Sólidos. Que me dão segurança para caminhar e desviar dos buracos, dos precipícios. Ainda escorrego, ainda caio “mas” sei levantar melhor e mais rápido.

Assim, posso dizer que continuo a buscar meu príncipe espelho, com vários “mas”, “mas” que eu consiga tolerar e amar mesmo assim. Sem mais!

Vivo sem rumo, sem direção. Em suma, sou um perdido, achado pelos erros e confusões, sem noção do que sou nem do que serei. Penso em seguir, mas me inclino, escorrego e me deparo com o chão gélido e duro que me impede de ir adiante. Não consigo caminhar até o desconhecido, pois ele me assusta tanto quanto não saber quem sou… E vivo assim, em busca de me encontrar, com a esperança de não me perder mais ainda.
—  Flavia França e Hermes Carvalho
atalho

caminho seco pela neblina
enxergo rostos vazios
cheios de desinteresse

enquanto ensaio falas
para a sessão com a ruiva
que nem sei se haverá

quase escorrego no asfalto
em meio aos carros apressados

resisto a tentação das fugas
guardadas no bolso
que nem quero tocar

respiro a mesma fumaça pálida
que pensava ter me livrado
há um bom tempo

sinto que além de mim
só o céu chora por aqui

queria mesmo pegar um trem

Me escondo
Me agacho
Me arrasto
Deslizo
Escorrego e bato
Meu peito no chão frio.
Choro e engasgo
Cuspo e me calo
Me fecho me agarro
Me quebro
Me paro…
Paro.
—  Inale_poesia (Gislaine Darossi)

existem grampos de cabelo, para segurar os cabelos

existem pregadores de roupas, para segurarem as roupas.

existem pregos, e buchas, nichos e prateleiras para segurarem coisas.

existem colunas, para segurarem os concretos.

existem pais, para segurarem os filhos.

existe você

.

.

.

.

e eu.

.

.

.

eu escorrego todos os dias, mas você
não me deixa cair.

(incontáveis vezes, você me segura e nem sente. não sei se foi feito pra isso, mas está fazendo um belo trabalho.)

A.