escorrego

Vivo sem rumo, sem direção. Em suma, sou um perdido, achado pelos erros e confusões, sem noção do que sou nem do que serei. Penso em seguir, mas me inclino, escorrego e me deparo com o chão gélido e duro que me impede de ir adiante. Não consigo caminhar até o desconhecido, pois ele me assusta tanto quanto não saber quem sou… E vivo assim, em busca de me encontrar, com a esperança de não me perder mais ainda.
—  Flavia França e Hermes Carvalho
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[SEMANA 4]
Semanoca de fechar um livro no estágio…mal pareo em casa, quanto mais estudei hehe
mas to gostando dos meus gestures..de vez em quando eu escorrego e esqueço de checar as proporções e talz, mas no geral eu estou satisfeito. Só preciso voltar a usar uma hachura massa, pra complementar o estudo.
Quanto aos cenários, estou começando a ver sinais de melhora. Meus thumbnails tem ficado bem mais claros. Acho que vai me ajudar a pegar uma memóriazinha visual pra quando eu voltar a estudar perspectiva.

Abdicar-se.

Eu abdico do teu corpo oco.
Das noites de insônia furtiva.
Do copo meio cheio.
Da vulgaridade frouxa da tua vida.

Eu abdico dos lugares cheios
Porém vazios.
Abdico dos vãos largos
Do riso que forças, do falso arrepio.

Eu abdico horas de conversa.
Enrolação avessa.
Eu abdico a imagem de boa moça.
Escorrego a dose e chuto a louça.

Abdico das fraquezas.
Das que ainda não jazem em mim.
Abdico da obrigação de te fazer feliz
Enquanto seca, murcha e morrem meus pés de alecrim.

Eu abdico essa lama…
Esse caos, esse drama!
Me reviro do avesso.
Sou hectares de sonho no Atacama.

Eu abdico os beijos frios.
As prosas rasas.
A coisa certa na hora errada.
Abdico ao teu papel sem fala.

Não temo o céu baixo
A solidão do quarto
Nem mesmo teus dedos apontados.
A mim voltados.

Eu abdico as travas, as talas,
As malas, as valas, as balas.
Eu abro mão do vazio, do fundo do poço.
Especialmente de todas as promessas que me são vagas.

Eu roo unhas, se quer saber, é tudo que faço todos os dias. Não caminho, não leio um livro, não me estico, não sorrio de propósito, sequer consigo respirar direito. Tudo é muito forçado, tudo vulnerável. A qualquer momento escorrego e caio em uma escuridão que me assola. Me sinto indiferente ao mundo, estar nessa profundeza que a solidão pode ser, toda essa infelicidade, é tudo muito confortável, cada dia estou me encaixando mais nesse canto sombrio da minha mente que tem cada vez mais mais o formato do meu corpo, até que um dia não saberei mais sair.

<p>Eu chego mais perto dele. Escorrego suavemente as pontas dos dedos em sua silhueta, desde seus ombros até a orelha. Aperto levemente a aba da orelha, e ele mostra os dentes em uma dor falsa. Em seguida, continuo meu caminho até seu cabelo. Seguro os fios pela raiz, firme e delicadamente. Ele segura minha cintura em um sobressalto, como se meu toque o tivesse acordado. Aperta minha pele com os dedos, depois estende toda a mão sobre minha a superfície, fazendo pressão. Eu faço com que minha barriga encoste na dele, sentindo borboletas suaves no estômago. Ele reage com um gemido curto de prazer, sensível ao toque. Me encolho, lambendo e beijando seu pescoço lentamente. Ele segura meu pescoço em retorno. Movo minha perna sobre o corpo dele, e ele gira em sintonia. Assim, eu estou praticamente em cima dele. Aproveito a posição para forçar as duas pernas contra seu quadril, esfregando minha xota contra o seu pinto. Ele sente bastante e solta outro gemido, um pouco mais alto, enquanto pressiona as mãos, agora em meu quadril, para baixo, para mais perto. Eu prossigo beijando seu queixo, deixando um rastro molhado por onde minha língua passa. Os gemidos agora são frequentes. Quando começo a beijar os cantos da boca, ele fala em meu ouvido, a voz baixa, grossa e vulnerável:<br> – D-deixa que eu… Ah…! Tiro a sua… calcinha… Ahn…! <br> Não respondo. Apenas conduzo seus polegares para que encaixem-se nas laterais da costura, empurrando seus pulsos para baixo. Levanto a bunda rapidamente, e a calcinha é forçada até meus calcanhares. Ele movimenta o tronco, e também a mim, para soltar a calcinha de meus pés. Sorri, agitado, para mim, e me beija. Há algo de inseguro sobre ele. Sinto que me quer tanto, que não sabe se expressar direito. Geralmente, quando o cara demonstra sentir-se assim, eu assumo uma atitude confiante, o que era exatamente o que estava acontecendo naquele momento. <br> O próximo passo seria ele tirar a cueca. Eu o provoco, passando a mão em seu pau com ardor. Está ereto, e ele solta um gemido exasperado quando eu faço isso. Solto um gemido baixo em seu ouvido, mais para demonstrar o que quero do que qualquer outra coisa. Seria, tecnicamente, um gemido forçado, porque até o momento ele não havia feito nada para conduzir a situação, como eu estava fazendo. Continuo esfregando a mão, e seus gemidos vão aumentando. De repente, ele morde o lábio e puxa a cueca para baixo, querendo desesperadamente tirá-la. Eu me equilibro para que ele consiga, e quando isto acontece, ele se inclina para o lado para pegar uma camisinha. Coloca-a rapidamente, com precisão. Nossos olhares se encontram, e eu tenho um vislumbre de seu torpor antes de ele enfiar os dedos na minha xota. <br> Sobressaltada, eu solto um gemido, e ele lentamente começa a movimentar a mão. Me observa por debaixo de mim, atento ao meu prazer. Meu queixo está caído, e conforme ele chega mais perto de me fazer gozar, eu vou inclinando minha cabeça para trás. Sinto meu corpo desequilibrado pela sensação, tremendo um pouco. Ele não está mais em meu campo de visão, mas posso sentir seus lábios beijando e lambendo e sugando meus peitos, e não consigo evitar gemer mais alto e mais rápido. Estou próxima de gozar, e ele acelerou bastante o processo depois que passou a lamber meus seios. A sensação começa a percorrer meu corpo, em camadas, como ondas fortes tomando conta de mim. Quando chego ao orgasmo, grito alto, quase sem fôlego. Foi forte. Ele geme junto de mim, me acompanhando, mas sei que ainda não havia chegado ao ápice. Respiro forte, a boca aberta, enquanto ele me penetra em desespero. Segura meu corpo com força, girando nós dois na cama, fazendo com que minhas pernas fiquem bem abertas, suspensas no ar. Ele começa a movimentar-se de modo rápido, pesado contra mim. Eu continuo sentindo prazer, abraçando-o e envolvendo-o com as pernas. <br> – Você empurra com força – eu digo, a frase entrecortada pelos movimentos.<br> Em resposta, ele me olha, a mandíbula caída, e beija meus lábios e depois meu pescoço. Eu o abraço com mais força, gemendo alto, quase no mesmo volume que ele. Percebo os movimentos cada vez mais rápidos, bem como os gemidos, e vê-lo chegando ao gozo me excita ainda mais. Nós gozamos juntos; eu posso sentir o esperma, quente, ocupar espaço em minha vagina, enquanto gritamos alto. Ele relaxa os músculos, tirando o pau de dentro de mim e soltando seu corpo sobre o meu. É pesado, mas mesmo assim não chega a ser desagradável. Respiramos pesado, e eu sorrio para ele de modo infantil, girando pela cama. Ele sorri do mesmo modo de volta. Nos beijamos, e o beijo passa a ser de língua, e nenhum de nós quer parar. Puxamos um ao outro para mais perto. Por fim, ele beija meu ombro apaixonadamente, e sussurra: <br> – Eu te amo.<br> Eu sorrio o máximo que posso e o envolvo com braços e pernas. Dou-lhe muitos beijos rápidos, cobrindo toda a sua pele, demonstrando meu amor. <br> Nós nos acalmamos e dormimos cara a cara.

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“Bem aqui no cume do centro onde deslizo as digitais inofensivas, sinto. Eu. Humano. Sinto. Desligo-me do ser comum total. Como uma luz que escapa, desprende-se no geral das paredes vazias da sala de sentar=se em vão. Eu me escorrendo, percorro poros, todo polo e pelo, transpasso e passo os fios de cabelo. Deslizo manso, quase sem noção. Não há cais, muito menos direção apontada. Sinto pitadas de medo? Não devo estancar… 

Chuviscadas de nada há ver. Mais goladas de desespero, me entalo em saliva, meu ser em liquido, porque me esquivo do nevoeiro. Pesquiso entre as casas, bolsos de camisa, e pupilas atrativas. Eu não dilataria a luz do sol em pleno meio dia. Buraco negro em sucção pulsante. Em espiral despenco, furando o ar, em contra tempo, escorrego nas neblinas dessas fibras gigantes. 

Bem aqui, no terreno tão deserto, me perco em metros, metros e metros. Areia quente pelo joelho, que passo pesado, que riso atrasado. Como se eu já tivesse falado muita coisa, sem o passado desse verso, mesmo assim vou te dizer: parece que sou sugada pelo alvo. Se me fixo, desconecto. Ocorre-me uma moleza no ser. 

Ela me pedia pra escrever umas coisas absurdas demais. A mulher com o terceiro olho exposto. Suas dúvidas pulsavam mais que a dor dos parafusos de minha mão. Fui puxar aquele ar e ele me trouxe coisas, esse ar. Me presenteou com gestos. Isso que estou dizendo são gestos. De mãos, de dedos, olhos, olhar e bocas, rugas de testa. Franzimento causado por ideias que pesam por sobre as sobrancelhas. 

Tua chegada vem anunciada por teus ruídos. Pegadas em contato com o solo o som que é feito me causa efeito e já imagino teu cheiro, porque ele se aproxima. Dançam as minhas veias, ondulante movimento. Pouco me importam os pontos se te respiro além do vento. Não sei que flow eu peguei ou qual foi o flow que me pegou, sei que isso me leva para onde bem quer e eu sem nada questionar bem me vou.

Não conheço relatos de flores que escolheram onde nascer. O sol tem idade de mais, flores não, flores duram pouco, compreende? E elas são casas de mel. Existe a textura do mel. Existe? Eu toco. Sensibilidade de pele… Caralho. Ser a lombra gigantesca e fresca e ate remoída. Sou de moinho. Lapsos, meu irmão, nós somos lapsos da memória do criador. Piolhos da cabeça de deus. É nesta que me encontro agora. Como um corpo só se contra consigo mesmo? Auto-colisão.” 

Alala Cabral

Acho que minha gastrite nunca vai deixar eu voltar a comer normal de novo.

A verdade é que estou atônita a exatas três horas. o meu ser interior anda confuso. já percebeu o quanto o ponto de ônibus se entristece quando só existe uma pessoa aguardando? e o pardalzinho que morreu na minha rua essa semana? eu tento equilibrar meus medos e incertezas na palma da mão, mas as vezes, mais rotineiramente do que os psicólogos sugerem, eu escorrego e a balança se desregula. “A vida que poderia ter sido e que não foi”. Já notou o quanto o céu chora? Existe um pôr do sol nos meus olhos, porém eu não tenho coragem de nascer. Meus ossos balançam com o ressoar dos passarinhos, entretanto, eu não me movo. Eu nunca quero dançar sozinha. Eu vou tropeçar nos meus pés até cair de novo. Eu caio em mim. Já percebeu o quanto as ruas estão cada vez mais cinzas? Os prédios sobem, o concreto dilacera, as caminhadas tornam-se carros. Eu paro no tempo porque quero voltar a ver borboletas e comprar fita cassete. Não é fraqueza. Eu sinto as gotas salgadas descendo nos meus lábios e não me envergonho. Em exatidão acho que sou muito frágil. Até as flores mortas me entristecem. Algumas palavras acho que nunca saberei escrever. Algumas canções nunca saberei cantar. Alguns poemas nunca compreenderei. Me deixa. É uma tristeza suada, profunda, sincera. Ela exala um clamor. Por favor escutem o silêncio o qual os cerca. Minha tristeza é legitima a qual eu tenho o direito. Sou um oceano inteiro que se alaga igual as ruas de São Paulo. Minha alma é prolixa e eu preciso me desvendar. Minha miopia embaça os meus passos. me permite? Desmontar-me-ei e pintar-me-ei de novo. Irei comprar um papel roxo e embrulharei meu caos, pra ver ele ficar mais bonito. Não sei, acho que estou com gastrite. Ou com saudade. Os dois ardem. 

Barracão da Potí com as figuras do Reisado acompanhando Iemanjá no cortejo do Escorrego Mas Não Caio da Cia. Folclórica do Rio de Janeiro! (em UFRJ - Universidade Federal Do Rio De Janeiro)