eramic

Hoje a saudade me puxou pelo braço e me jogou de volta na cama. Eram seis e meia da manhã, eu já estava atrasado, mas, a saudade sentia falta de me abraçar e trouxe com ela grande parte das lembranças que eu achava ter jogado no vazio da memória. Ela me pegou desprevenido, entrou sem bater na porta, me tirou o sono e não me deixou sair. Fiquei refém da culpa de não saber esconder a tua falta, e agora? Bom, agora estou preso dentro da minha própria saudade.
—  Welber Oliveira
Os livros eram o único lugar onde havia compaixão, consolo, alegria… e amor. Os livros amavam a todos que os abriam, ofereciam proteção e amizade sem exigir nada em troca, e nunca iam embora, nunca, mesmo quando não eram bem tratados.
—  Coração de tinta
DRC - EXTRA 04

Extra pedido pela Lalá e pela Lau, ainda como prêmio do game de fics.

Por Rodrigo

Depois que Juliana me dissera que estava grávida novamente, eu tive oito meses pela frente pra experimentar mais uma vez as delícias da paternidade. E agora tínhamos o bônus de estar vivendo aquilo junto com Theo e Sofia. E eu não poderia estar mais realizado do que isso.

Embora algumas coisas tivessem sido iguais, outras tinham mudado. Os sintomas de Juliana já não eram os mesmos. Ela pouco enjoara daquela vez, mas em compensação seu sono havia triplicado. Seus desejos eram mais frequentes e geralmente de madrugada, o que me fazia acordar no meio da noite para atender às suas vontades malucas. Mas eu gostava. E se eu achava que Juliana já tinha tido apetite sexual suficiente na gravidez dos nossos gêmeos, é porque eu realmente não tinha noção do que ainda poderia vir. Não que eu reclamasse. Amava satisfazê-la. Não tinha nada melhor do que ter o trabalho interrompido para termos uns minutos de sexo quente na sala que dividíamos, ouvir os seus gemidos de prazer em meus ouvidos antes do dormir, muito menos ser acordado por suas mãos passeando em meu corpo, suplicando que eu a fizesse minha. Eu realmente não poderia me queixar.

Também não tivemos mais as neuras e os medos que pais de primeira viagem tem. Já sabíamos como lidar com cada situação, fosse durante os meses, fosse no parto, fosse nos cuidados com o bebê após o nascimento. Mas tudo ganhava uma proporção muito maior porque só nos demos conta do quanto estávamos com saudade daquelas fases quando nos vimos grávidos de novo. Eu tinha esquecido como era delicioso cada momento daquele, o quanto era bom participar dos pré-natais e ouvir o coração do nosso bebê, a expectativa da descoberta do sexo, a preparação do quarto e de todas as coisinhas dele. E era melhor ainda porque Theo e Sofia estavam juntos conosco em cada uma dessas etapas.

Juliana e eu fizemos questão que eles estivessem presentes em todos esses momentos, afinal era bom que eles criassem laços com o irmão desde antes do seu nascimento. Eles foram junto conosco em algumas consultas, e embora não compreendessem as ultrassonografias que fazíamos, achavam o máximo ouvirem o som do coração do bebê. Se animaram quando descobrimos que seria um menino. Theo já dizia que seriam amigos e brincariam juntos, enquanto Sofia dizia que ajudaria a mim e Juliana a cuidar dele. Escolheram as roupinhas e a decoração do quarto junto conosco, assim como o nome dele. Foram meses gostosos onde pude reviver tudo aquilo, como também vivi novas experiências.

Mas nada se comparava ao primeiro encontro. Não tinha nada mais mágico do que ver um filho pela primeira vez. E quando passei Rafael para os braços de Juliana após cortar o cordão que os unia e ficamos os três juntos pela primeira vez, eu senti meu coração ser totalmente preenchido com a mesma emoção que senti no nascimento de Theo e Sofia. Aquela mesma alegria, aquela mesma sensação de que eu tinha conquistado o mundo, aquela mesma certeza de que nossa família seria linda. O orgulho em exibir o meu filho no berçário tinha sido o mesmo. O amor dos familiares e amigos ao vê-lo em meus braços através daquele vidro, também tinha sido igual.

E agora estávamos na fase das poucas horas de sono, dos banhos, trocas de fralda, distinção dos choros… mas eu estava amando viver aquilo mais uma vez e eu sequer sabia quanta saudade eu tinha sentido de tudo isso. E estava tratando de aproveitar ao máximo, já que agora realmente Rafael seria o último da prole. Juliana havia feito a laqueadura e não mais engravidaria. Mas eu me sentia mais do que realizado com os três, disso eu não tinha dúvidas. Eu era feliz com o que tinha. Juliana já tinha me dado os melhores presentes e me tornara o homem mais feliz do universo.

- Mãe, eu tenho 5 anos. Eu sei segurar um bebê!

- Você é menino, não tem jeito pra isso!

- Claro que eu tenho. O papai é menino e segura o Rafael. Por que eu não posso então?

Eu estava chegando em casa depois de mais um dia de trabalho, e sorri ao ouvir a voz de Theo e Sofia. O som vinha do quarto de Rafael e eu sabia que Juliana estava com nossos três tesouros ali. Apressei os passos e ao entrar ali, me deparei com a melhor imagem. Juliana sorria enquanto sentava Theo na poltrona que ela sempre amamentava Rafael e colocou nosso pequeno nos braços do nosso filho mais velho, enquanto Sofia dizia como ele devia segurar, como se já fosse experiente naquilo. Tive que sorrir. Theo e Sofia estavam lidando bem com a chegada de Rafael. Nosso caçula já tinha quase um mês de vida e até aquele momento eles não tinham tido nenhum ciúme do irmão, ao contrário, queriam ajudar Juliana em tudo. Só ainda evitávamos que eles o segurassem porque Rafael ainda era frágil e nossos gêmeos não tinham muito jeito para segurá-lo, principalmente Theo. Era preciso que eles sempre estivessem sentados e que algum adulto estivesse por perto para garantir que ficassem seguros.

- Olha só o que temos aqui. – falei depois de um tempo e só então eles notaram minha presença. – Meus quatro amores reunidos.

- Olha pai, eu sei segurar o Rafa. – Theo disse animado enquanto eu me aproximava deles e beijava Juliana rapidamente, seguindo com um beijo em Sofia, nele e em Rafael. – E ele gosta muito do meu colo. Olha como ele me olha!

- Estou vendo, campeão. – respondi, enquanto eu via Theo encarar Rafael, que também o encarava de volta, atento à toda aquela movimentação no quarto. – Ele tem sorte de ter um irmão e uma irmã que cuidam tão bem dele. – eu disse, incluindo Sofia naquilo, para evitar disputas entre eles. Era claro que os dois amavam o irmão e queriam ajudar a mãe. E eu e Juliana queríamos que os dois participassem igualmente de tudo.

- Sentimos sua falta, papai. – Juliana me disse sorrindo, já tirando Rafael do colo de Theo. Cedo demais na opinião do nosso filho, que logo reclamou por não ter mais o irmão no colo. – Ele vai dormir agora, Theo. – Juliana explicou por fim e então ele se conformou.

- Pensei em vocês o dia todo. – eu disse, pois aquilo era a mais pura verdade. Eu havia tirado uns dias de licença para ficar com Juliana e ajudar com Rafael, mas a construtora não podia ficar por muito tempo sem nós dois. Era trabalho demais para o Bruno, ainda mais agora que Yanna estava grávida do primeiro filho deles e por ser início de gravidez, ela ainda precisava de certos cuidados. – Mas finalmente estou aqui. E quero curtir vocês.

- O que acha de tomar um banho e nos encontrar na mesa de jantar? Estávamos te esperando. – Juliana disse e eu sorri concordando. Dei mais um beijo em Rafael e deixei os quatro ainda no quarto.

Jantamos com os gêmeos, já que Rafael já dormia no quarto. Ouvi atentamente Theo e Sofia me relatarem o seu dia na escola e depois em casa, ajudando Juliana, que só sorria e comentava o quanto nossos filhos estavam sendo cuidadosos. Eu não poderia estar mais satisfeito com isso. Como ainda não era tão tarde, resolvemos ver um filme juntos. Fomos para o meu quarto com Juliana e nos acomodamos na enorme cama, onde cabia perfeitamente nós quatro. Um filme infantil escolhido pelos nossos gêmeos mal havia começado e a babá eletrônica soou com o choro de Rafael. Me levantei e fui até seu quarto. O peguei nos braços e reconheci que aquele choro era somente manha. Dito e feito. Ele parou de chorar quando o levei para o quarto e ele ficou junto conosco, enquanto eu o embalava em meus braços.

Eu mal prestava atenção ao filme. Eu somente encarava o meu caçula, a mistura perfeita minha e de Juliana, com seus olhinhos quase fechados, com o sono quase rendendo-o mais uma vez. E quando ele finalmente adormeceu, eu olhei para meus outros amores ali na cama, notando que Rafael não era o único que dormia. Eu tinha uma Juliana exausta e apagada ao meu lado e duas crianças em nosso meio também nocauteadas. Sorri com o que os meus olhos viam. Uma das melhores imagens, sem dúvida. A família que eu construíra com Juliana toda reunida na nossa cama. Nossos três melhores trabalhos aqui, entre nós dois. E era em horas como essas que eu lembrava o quanto eu era sortudo por ter uma mulher maravilhosa, filhos lindos e uma família mais linda e maravilhosa ainda. E eu não era capaz de pedir mais nada do que eu já tinha.

Levei Rafael de volta pro seu quarto e depois levei Theo e Sofia para o deles. Quando voltei a me deitar, Juliana despertou assustada. Logo seus olhos percorreram a cama e eu sabia que ela estava procurando por nossos filhos. E depois que viu que eu os havia levado pros seus quartos, voltou a relaxar, me abraçando e enroscando seu corpo no meu. E ali era o melhor lugar do mundo.

- Cansada? – sussurrei.

- Nosso caçula não é fácil. – ela me respondeu de olhos fechados e eu sorri.

- Então pelo visto ele puxou a você. – brinquei e então ela abriu os olhos, me olhando indignada. – Vai dizer que você é fácil? Em todos esses anos juntos meu amor, se tem uma coisa que eu posso garantir, é que fácil você não é.

- Que calúnia! – ela disse, parecendo indignada, o que me fez rir mais ainda. – Eu não te dou trabalho. – ela falou e eu estreitei meus olhos. – Bom, pelo menos não tanto assim. – e lá estava ela se dando por vencida, pois sabia que eu não estava dizendo nenhuma mentira. – Mas mesmo sendo teimosa, mesmo te dando trabalho de vez em quando… eu valho a pena?

- Só vale! E eu te amo exatamente por ser assim. Você é o melhor dos meus problemas, Juliana. – disse rindo e ela me acompanhou na risada. – Desde a primeira vez que eu te vi, eu sabia que você seria um problema, mas nunca tive tanta vontade de me meter em um. Tanto que me meti no seu acordo, e olha onde viemos parar.

- Pelo menos esse acordo louco me trouxe você. Trouxe a nossa família.

- E eu não poderia ser mais feliz. – respondi, selando nossos lábios.

Poderiam passar mil anos, mas eu sempre a beijaria com a mesma emoção de um primeiro beijo. O que mudaria seria somente o amor, pois esse seria maior a cada encontro dos nossos lábios. Juliana era a melhor confusão que eu havia me metido. Não mudaria a nossa história, mesmo que tivesse a chance. Porque tudo o que tínhamos vivido até aqui, tinha valido a pena. Ela fazia valer a pena todos os dias. E ao seu lado eu tinha construído a melhor família que eu poderia ser capaz de imaginar. O que um homem poderia querer mais?

- Você pare de tentar me seduzir com essas palavras bonitas e esses beijos de tirar o fôlego. – ela disse quando separamos nossos lábios. – Isso não se faz com uma mulher que acabou de ter um filho e ainda está de resguardo. Eu seria capaz de te agarrar agora mesmo. – ela falou e eu apenas sorri. Até parece que ela teria disposição pra algo mais, cansada do jeito que estava. Além do mais, eu não precisava estar enterrado nela para provar o nosso amor e sentir que nos pertencíamos. Bastávamos estar assim, juntos. Eu já me sentia completo.

- Vamos dormir, amor. – eu disse por fim, trazendo-a para mais perto de mim. – Você precisar descansar.

- Preciso mesmo. Daqui a pouco o seu filho nos acorda, exigindo minha atenção e o meu leite pra satisfazê-lo. – ela resmungou já bocejando e eu ri do seu jeito. Embora ela parecesse reclamar daquilo, eu sabia que ela assim como eu, sentia saudade dessa rotina de ter um recém-nascido em casa. E se era por nosso filho, tudo valia. Até mesmo as noites mal dormidas. Ela era uma mãe excepcional, e esse era um dos muitos motivos que me fazia amá-la tanto.

- Eu te amo sabia? – perguntei e ela assentiu, já de olhos fechados. – Mais que ontem…

- … e menos que amanhã. – ela completou.

PARA SEMPRE.

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E com esse extra eu encerro definitivamente DRC! Dá uma dorzinha no coração me despedir de vez, mas eu realmente já fiz o que queria com a fic, escrevi tudo o que pretendia e tenho medo de estragá-la se eu ficar prolongando. Agradeço demais pelo carinho de vocês. Foi a minha primeira fic e eu jamais vou me desapegar dela. Mas eu precisava colocar um ponto final e deixar claro que essa família vai continuar linda e feliz.

E é isso… espero que tenham gostado. Quanto a mim, só tenho a agradecer!

Beijos!

Mari.

Serendipity,

palavra utilizada pela primeira vez no século XVII, pelo escritor inglês Horace Walpole, em uma carta destinada a um de seus amigos, em que escreveu sobre descobertas e como passaria a chamá-las a partir daquele momento. Ele definiu essa palavra como “muito expressiva” e que sua origem real estava em um conto chamado “Os três príncipes de Serendip”, no qual as altezas realizavam diversas descobertas em suas viagens, descobertas essas que não estavam esperando, eram simples acidentes. Esta palavra representa, resumidamente, um acaso feliz.

Apesar de ser pouco utilizada é, de longe, a minha palavra preferida - se é que podemos ter uma. Quantas coisas ela não pode representar? Desde o nosso nascimento, lembrando ou não, fazemos diversas descobertas desse tipo.

Quantas “primeiras vezes” não podem se encaixar nessa definição? A primeira vez que andamos ou falamos, a primeira vez que ouvimos uma música que nos faz chorar, a primeira vez que encontramos um ombro amigo em uma pessoa que nunca imaginamos que estaria ao nosso lado algum dia. E, principalmente, a primeira vez que amamos. Aquele sentimento arrebatador da primeira paixão, do primeiro beijo, a primeira troca de olhares. A primeira vez que sentimos as borboletas no estômago ou simplesmente travamos e não conseguimos falar aquilo que está na ponta da língua. São tantas “primeiras vezes” que, quando reparei estar atribuindo essa palavra a nós, fiquei espantada.

Você não foi o meu primeiro em nada. O beijo, as borboletas, a paixão, o amor. Nada. Você foi mais um, que chegou depois de alguns e, sinceramente, nem pensei que daria certo. Mas deu.

Serendipity.

Te encontrar não era algo planejado, na verdade, não estava pensando em encontrar ninguém. Claro, estava precisando de amigos, pois estava me sentindo sozinha, mas não planejava ter um relacionamento sério, me envolver tanto com alguém. Então você surgiu, assim, do nada e mudou todos os meus planos. Não demorou para se tornar especial ou para combinarmos o nosso primeiro encontro e, depois disso, veio o próximo e o próximo e até hoje estamos juntos.

Serendipity.

Quando te vi pela primeira vez não imaginava que as borboletas voltariam a bater suas asas no meu estômago ou que ficaria sem conseguir ficar quieta de tanto nervosismo. Quando nos beijamos, senti meu coração bater mais forte, como se quisesse sair do peito e não estava preparada para esse sentimento tão arrebatador. E quando você segurou minha mão e beijou minha testa eu pensei que cairia ali mesmo, não estava esperando algo tão doce.

Serendipity.

Descobrir quem você era, te conhecer de verdade, escutar os seus segredos e revelar os meus, como você já sabe, não fazia parte dos meus planos também. Não pensava que confiaria em alguém tão cedo, mas depositei quase toda minha confiança em você em apenas um mês. E hoje você já me conhece melhor do que qualquer um por aí e, provavelmente, melhor do que eu mesma.

Serendipity.

Poderia falar aqui sobre tantos outros momentos que passamos juntos e não eram esperados. Tantas outras situações que me deixaram surpresa e extremamente feliz. Não precisava ser algo intencional, quase sempre não era, você não planejava nada e muito menos eu.

É, você pode não ter sido o primeiro em muitas coisas, mas com certeza foi o meu primeiro “serendipity”. O primeiro que me fez utilizar essa palavra para definir um relacionamento. Essa palavra, tão pequena e que causa tanta dor de cabeça para encontrarem uma boa tradução e um conceito exato é, de fato, a melhor palavra para descrever e definir nossa relação.

Você é meu serendipity.

Meu acaso feliz.

Gostava de olhar você, seus olhos profundos me traziam paz. Sua cor indefinida eram como segredos, e eu estava disposta a desvendar cada um deles, partículas por partículas. Suas sardas nas costas eram como constelações. Sua ruga ao sorrir era o traço mais imperfeito perfeito que já vi. Sua covinha no final do teu sorriso era tão encantadora. Você sempre foi esse universo cheio de mistérios. Cada vez que descobria algo seu, percebia que não sabia nada sobre você. Li e reli seu corpo inteiro, de lado e do avesso. Você era o meu universo particular. A minha lua, o meu sol, as minhas estrelas e principalmente, um buraco negro, que me puxou para dentro com tanta força, que me perdi. Me perdi na tua profundidade, na tua escuridão, nesse teu lado devastador de ser quem você sempre foi; um mistério.
—  Aline e Andrew
Acontece que acabou e não sei lidar com isso. Porque você tinha invadido minha vida e ocupado muito espaço, e agora tudo está tão vazio, simplesmente não consigo lembrar de como as coisas eram antes de você aparecer.
—  Quando demora a cicatrizar. 
Nu m-am mai controlat pentru câteva minute..nu mi-a mai pasat ce se întâmpla sau ce fac.Am bait putin..nu prea mult ci doar putin..pentru a-mi face curaj sa-i răspund la mesaje.Ma uitam ca o Tâmpa..si așteptam sa-mi scrie ceva..ceva ce așteptam din acel moment cand a zis “adio”.Eram amețită..nici tastele nu le mai vedeam.Intr-o mili-secunda au început sa mi se inunde ochii..imi veneau imagini..cu el..cu noi..era ciudat..de parca ar fi fost un film in capul meu.
MEU ANJO

Capítulo 34 

Sorri amplamente, puxei o rosto de Vanessa que estava enterrado em meu pescoço.

-Você o que?

-Não me obrigue a dizer novamente.

Resmungou.

-Repete pra mim, Van. Por favor.

Fiz um biquinho, ela revirou os olhos e negou.

-Mas Clarinha… Você me ouviu.

Reclamou novamente, com o rosto parecendo um pimentão, e com uma expressão adorável estampada no mesmo.

-Sim, mas quero ouvir de novo. Eu amei ouvir isso.

Ela mudou da água pro vinho, sorrindo com a língua entre os dentes e acariciando meu rosto.

-Eu amo você Clarinha.

Disse pausadamente, olhando no fundo dos meus olhos.

Sorri, dei um beijo em sua testa e abracei forte seu pequeno corpo. Meu coração batia rápido no peito, eu sabia que os meus sentimentos  por Vanessa eram recíprocos mas ainda assim ouvi-la dizendo que me amava era… Indescritível.

-Eu também te amo, princesa. Muito.

Vanessa voltou a enterrar o rosto em meu pescoço, e aplicou um beijinho lá. Suspirei e acariciei seus cabelos, ainda processando o que acabou de acontecer.

-Clara?

-Hm?

-Acha que estamos sendo precipitadas?

Tirou seu rosto do meu pescoço e me encarou.

-O que quer dizer?

-Você sabe… Estarmos tão dependentes assim uma da outra, nosso namoro, o “eu te amo”… São tantas coisas.

Suspirei e tirei uma mecha que estava caindo em seu olho, eu sabia que teríamos que conversar seriamente sobre isso em algum momento.

-Sinceramente? Talvez estejamos. Foi tudo tão rápido e intenso, mas eu estou nenhum pouco preocupada com isso. Você me faz bem, Vanessa. Eu não quero ficar um minuto longe de você porque eu quero aproveitar ao máximo nosso tempo juntas. Eu quero te fazer feliz, quero ver sempre esse seu sorriso lindo no rosto. Com você estando bem, preciso de mais nada.

-Parece que você sempre sabe o que dizer, como se expressar. Eu nunca sei o que dizer.  

Sorri e beijei sua testa.

-Está tudo bem. Gestos e ações valem mais do que palavras.

Ela apoiou o queixo no meu peito e suspirou, seu rosto com aquele sorriso bobo estampado. Eu amava quando ela me olhava assim.

-E quanto ao eu te amo… É apenas como eu me sinto. Eu quero você pra sempre, eu quero um futuro com você.

Os olhos dela brilhavam, o sorriso estava mais amplo, rasgando seu rosto.

-Eu te amo tanto…

Sussurrou antes de colar nossos lábios rapidamente.

-Posso te fazer uma outra pergunta?

-Claro Van.

-Eu te faço bem? Digo, nós literalmente acabamos de começar o namoro, mas sabe, a sensação que dá é que já estamos juntas há muito tempo.

Pensei por um momento em como formular uma resposta. Em como mostrar para uma pessoa que o único motivo para você continuar seguindo em frente e aguentando o que quer que seja é ela.

-Vanessa… Tem noção de o que teria acontecido comigo se eu não tivesse conhecido você? De como teria sido acordar do coma no hospital sem você? Eu teria… Surtado. Eu teria desistido. Eu sou tão… Completamente fodida. E eu te digo que, se foi preciso passar por tudo isso pra conhecer você, os anos de abuso e tortura, eu não mudaria um segundo sequer. Se foi preciso tudo isso pra que eu encontrasse você, eu… Passaria por tudo de novo e de novo.

Seu rosto ficou sério, ela se sentou e me puxou junto.

-Não repete isso, ok? Eu não posso ser egoísta ao ponto de ouvir você falando isso e não protestar. Estamos falando da sua vida, Clara.

-Eu sei disso. Não me arrependo de o que eu acabei de dizer.

-Deveria. Você não mereceu passar por isso. Ninguém merece. Sabe, uma vez a Dinah me contou uma coisa que você disse à ela. Sobre você ser quebrada demais pra nós podermos te consertar. Pra eu poder te consertar.

Abaixei o olhar e brinquei com os seus dedos.

-Você ainda se sente assim?

-Não.  

Disse sem muita convicção.

-Clara.

-Eu não sei, talvez. Acho que sim.

-Primeiro, você não é um brinquedo pra ser consertado. Segundo, eu amo você. Isso deveria ser o suficiente.

-E é. Eu só ainda penso que não é sua obrigação cuidar de mim dessa maneira, ainda fico esperando a hora que você vai resolver ir embora.

-Você realmente acha que eu vou fazer isso?

Perguntou parecendo magoada.

-Não, meu amor não foi isso que eu quis dizer.

Puxei ela para se sentar de lado no meu colo. Fiz um carinho nas suas costas, ela entrelaçou nossos dedos.

-Eu me expressei mal. Não é que eu ache que você vá fazer isso, tenho medo de que toda essa complicação se torne um fardo muito grande pra você.

-Clara, olha pra mim.

Levantou meu rosto de modo que eu a encarasse.

-Eu quero ficar com você. Eu quero cuidar de você. Eu quero você. Nada que você ou que qualquer um diga vai me fazer mudar de ideia. Eu sei que é difícil, mas vamos tentar apenas deixar tudo de lado, só aproveita o dia. Aproveita nós aqui, juntinhas.

Sorri suavemente e passei o nariz pela sua bochecha.

-Ok, Van.

Beijei sua maçã do rosto e puxei mais seu corpo contra o meu.

-Você me chamou de amor de novo.

Vanessa comentou sorrindo com a língua entre os dentes.

-É.

Respondi tímida com o rosto corado. Ela riu e me deu um selinho.

-Acho melhor nós já irmos embora.

Nós levantamos e pegamos as bolsas. A claridade estava incomodando muito, então procurei os óculos escuros na bolsa, constatando que eu havia os esquecido em casa. Praguejei, fazendo Vanessa rir.

-Linda.

Sussurrou antes de me puxar pela gola da camisa e me beijar.

Andamos pelas ruas com as mãos entrelaçadas, enquanto conversávamos e observávamos as vitrines.

-Van, Van olha isso!

Puxei sua mão, tentando atrair sua atenção para a loja.

-O que foi Clarinha ?

-Olha.

Apontei para a loja.

-A Sofi gosta de Frozen?

-Sim, por que?

Perguntou confusa.

-Me espera aqui fora, eu já volto.

Dei-lhe um selinho sem lhe dar tempo de responder e entrei na loja. Olhei para ver se Vanessa estava me olhando, mas ela estava distraída observando o outro lado da rua.

Peguei o bichinho de pelúcia e levei até o caixa para pagar. Entreguei-o para a atendente.

Até que vi outra coisa que me chamou a atenção. Peguei o outro bichinho e voltei ao lugar de antes. A atendente sorriu e passou os dois no scanner.

-Sabe, dei um deles de presente pra minha irmã. Ela amou, foi uma boa escolha.

Sorri e lhe entreguei o cartão de crédito.

-Não tenho irmãos. Um deles é pra uma baixinha muito exigente.

Ela riu, terminou de passar o cartão na máquina, e me entregou junto com a notinha. Disse que era para ela embrulhar apenas um deles, deixando o outro apenas em uma sacola. A garota sorriu, e me estendeu a sacola.

-Tenho certeza de que ela também vai aproveitar muito o presente.

Apontou para algo atrás de mim. Me virei e vi que ela falava de Vanessa, que ainda estava parada ao lado de fora da loja, dessa vez me encarando fixamente com os braços cruzados e uma expressão nada boa.

Corei sob o olhar da garota e apenas peguei a sacola, fazendo-a rir.

-Sua namorada?

-É.

Sorri e concordei. Mas a garota fez uma cara estranha, e apenas sorriu fraco.

-Obrigada e volte sempre.

Agradeci e andei até a saída da loja, a garota piscou para mim e acenou.

-Posso saber o que você tanto falava com aquela garota?

Perguntou séria. Engoli em seco e parei à alguns passos de distância.

-Van não fiz nada demais.

Sua expressão era tão assustadora que chegava a me dar medo. Muito medo.

-Vamos embora Clara Aguilar.

Puta que pariu fodeu.

-Mas Van…

-Agora.

Suspirei mas abaixei a cabeça concordando. Ela passou feito um furacão na minha frente e começou a andar na direção errada.

-É, princesa…

-O que é?

Resmungou.

-É que… V- você está indo na direção errada.

Ela bufou e me deixou guia-la na direção correta.

Eu estava com medo de até mesmo olhar para ela, e eu ao menos sabia o que tinha feito de errado. Não seria eu a perguntar. Passei o caminho todo de cabeça baixa. Demoramos mais alguns minutos para chegar.

Abri a porta do apartamento para ela, que entrou rapidamente e foi até meu quarto. Dinah estava no sofá, para variar, e acompanhou os passos de Vanessa com o cenho franzido.

-Eita. Que merda você fez dessa vez Papel?

-Eu?! Por que eu tenho que ter feito alguma coisa?!

-Pra ela estar assim? Você fez alguma coisa certamente.

Bateu no espaço ao seu lado e desligou a tv.

-O que aconteceu?

-Eu não sei. Estava tudo bem, até que nós paramos em uma loja e eu pedi pra ela esperar do lado de fora. Quando eu voltei ela estava assim.

-Hm. Me diz uma coisa, quem te atendeu foi homem ou mulher?

-Mulher.

-Era jovem?

-Sim.

-Bonita?

-Não prestei atenção.

Dei de ombros.

-É cega ou o que?

-Eu tenho a Vanessa, preciso de mais ninguém.

Dinah revirou os olhos.

-Ok. Enfim, ela ficou brava porque ficou com ciúmes.

-Ciúmes?

Perguntei  confusa.

-Mas nada aconteceu!

-O que você comprou?

-Dois bichinhos de pelúcia, um pra Sofi e outro pra Vanessa.

-Essa garota que começou a puxar conversa?

-Bem, sim.

-Perguntou se você namorava?

-Perguntou.

-Ela piscou pra você?

-Aham.

-Ela estava te cantando, sua burra.

Deu um tapa na minha testa.

-Aí porra! E como eu ia saber disso?

-Se você não fosse tão pamonha ia perceber.

-E o que caralhos eu fiz pra Vanessa ficar brava?!

-Vamos lá, vou explicar pra você como se estivesse explicando pra uma criança.

Se ajeitou no sofá e limpou a garganta.

-Hm, espera. VERÔNICA VEM AQUI AGORA.

Vero surge de lá de dentro correndo e se aboleta no sofá ao meu lado.

-O que houve?

-Uma garota deu em cima da Clara numa loja, agora a Vanessa tá puta com ela.

Vero riu.

-Já estive no seu lugar. Boa sorte com isso.

-Agora explica pra essa burra que não se deve contrariar uma mulher.

-Uhh, ela tem razão. Vanessa vai estar certa mesmo quando ela não está. Aceite isso.

-Porra. Nenhuma. Aconteceu. Sinceramente, precisa dessa tempestade toda num copo d'água? Justamente quando acabamos de nos resolver?

-Ih relaxa, briga boba, hoje mesmo passa. Nunca contrarie sua namorada, escute o que eu estou dizendo. Você é mulher deveria saber disso.

-Não ligo de admitir quando estou errada.

-Você é uma das poucas pessoas no Universo que é desse jeito. Vanessa não é assim.

Bufei e voltei a me recostar no sofá.

-Mas eu só queria comprar um presente pra ela e pra Sofi.

Reclamei triste.

-Vai lá falar com ela agora.

-Não seria melhor esperar ela se acalmar?

-Ela não vai querer olhar pra tua cara de qualquer jeito mesmo, vai agora.

Disse Dinah. Respirei fundo e peguei a sacola com os bichinhos.

Abri a porta do quarto e Vanessa estava de braços cruzados, perto da janela.

-Van?

Perguntei receosa. Sem resposta.

-Van… Por que está brava comigo?

Deixei a sacola na cama e parei na sua frente. Toquei em seu rosto, mas ela o virou para o lado.

-Vai lá conversar com a sua amiguinha.

Resmungou. Eu acabei rindo, mas parei e engoli em seco ao ver seu olhar assassino na minha direção.

-Ela estava dando mole pra você e você fez porra nenhuma. E olha que eu estava longe de você Clara, do lado de fora da loja eu vi aquela puta praticamente te comendo com os olhos.

-Mas Van… Eu não percebi que ela estava me dando mole, na verdade eu ainda vejo nada demais nas coisas que ela disse.

Ela semicerrou os olhos na minha direção.

-Volta pra lá então!

Emburrou mais ainda e virou para a frente.

-Van…

Abracei seu corpo por trás e pousei o queixo em seu ombro.

-Me desculpa? Eu prometo que não faço mais.

Ainda não via coisa alguma de errado no que aconteceu, mas me lembrei de o que Dinah e Vero disseram. Vanessa permaneceu irredutível.

Afastei seu cabelo do pescoço e distribui beijos pela região. Senti o corpo dela ficar tenso, ela se arrepiou sob meu toque.

Mordi seu ombro e suguei com força seu ponto de pulso. Ela arfou e deitou a cabeça no meu ombro.

Segurei com mais força sua cintura, puxando seu corpo contra o meu e subi os beijos por seu pescoço.

-Você me perdoa, amor?

Perguntei sussurrando em seu ouvido. Subi as mãos por seu corpo, apertando seus pequenos seios em minhas mãos. Vanessa mordeu o lábio inferior e concordou freneticamente.

Ri baixinho no pé do seu ouvido, e levei as mãos para baixo da sua camisa. Até que ela em um rápido movimento se vira e me empurra até eu bater na parede mais próxima, iniciando nosso beijo sôfrego.

Gemi no instante em que nossas línguas se enroscaram. Segurei por trás de seus joelhos e a puxei para cima para que ela pudesse entrelaçar as pernas em minha cintura.

Andei com ela até a porta e com cuidado, apoiei-a lá enquanto trancava. Perdi a linha do raciocínio quando Vanessa passou a língua por meu lábio inferior, para logo introduzir na minha boca novamente.

Já ia levá-la para a cama, mas ela descolou nossos lábios e protestou.

-Não… Eu quero aqui.

A maneira como ela disse isso foi tão… Sexy. Expeli todo o ar dos meus pulmões nesse momento.

-Mas… Mas eu posso te machucar aqui, e…

Vanessa revirou os olhos e tirou ela mesma sua blusa. Desci os olhos para seus seios e não consegui afastar o olhar de lá. Ela voltou a enlaçar os braços em meu pescoço, e chegou ligeiramente seu corpo para trás afim de me dar uma visão mais ampla.

-Quer fazer as honras?

Trinquei a mandíbula e voltei a apoia-la na porta antes de voltar a beijar seu pescoço e abrir o fecho do seu sutiã. Ao tirar aquela peça, me afastei e observei seu corpo.

-Você é tão linda…

Comentei em meio a um suspiro. Ela sorriu pela primeira vez desde entrei no quarto e fez um carinho na minha bochecha.

Subi lentamente a mão que estava em sua bunda, passando por seu corpo que parecia ser esculpido por deuses, até chegar em sua barriga.

Ela se inclinou e voltou a me beijar, dessa vez calmamente.

Passei a mão para seu seio direito, e apertei. Desci os beijos por seu pescoço e colo, substituindo minha mão pela minha boca. Logo ela voltou a ronronar e morder sua boca.

A pele bronzeada era macia, seus seio cabiam perfeitamente nas minhas mãos. Puxei o bico com os dentes, fazendo minha namorada arfar.

Ela desceu do meu colo e abaixei seu short e sua calcinha rapidamente.

-Você tem certeza de que quer…

-Anda logo Clara.

Me interrompeu.

-D-desculpe.

Voltei a beija-la, era melhor do que ouvi-la reclamando.

Acariciei sua intimidade lisinha arrancando suspiros baixos e fracos seus. Circulei seu clitóris com o dedo antes de descer até sua entrada e a penetrar.

Ela mordeu minha boca com força e descolou nossos lábios. Lentamente movi o dedo dentro dela.

-Vai logo Aguilar , minha virgindade você já tirou outro dia.

Revirei os olhos e concordei. Vanessa brava comigo era algo que eu nunca gostaria de ver novamente. Retirei meu dedo por completo dela, ela já ia protestar mas dessa vez introduzi dois de uma vez com força.

Ela gemeu alto e encostou a cabeça na porta de olhos fechados. Movimentei os dedos rapidamente e levei minha boca ao seu ouvido.

-É assim que você quer, Vanessa?

Ela se limitou a concordar.

-Responde.

Rosnei em seu ouvido e curvei os dedos, achando seu ponto G. Ela gritou meu nome.

-Hm isso… É… É assim que eu quero.

Levantei sua coxa direita para ter um acesso melhor e continuei empurrando os dedos cada vez mais fundo, deixando-os lambuzamos com o líquido da minha namorada.

Assisti a cena à minha frente completamente hipnotizada. Seu corpo começando a ficar coberto por uma fina camada de suor, seus lábios entreabertos, seus cabelos desgrenhados, seu corpo totalmente descoberto, e o melhor, a expressão de prazer em seu rosto. Meu próprio corpo esquentava mais ainda apenas em dar prazer à Vanessa. A ideia de eu estar a machucando passou pela minha cabeça novamente, mas pelo jeito que ela gemia e agarrava meu braço com força ela estava é gostando.

Sua respiração começou a se acelerar, seus olhos reviravam nas órbitas. Quando senti que seu corpo chegava ao ápice, parei os movimentos e retirei os dedos de dentro dela.

-Por que diabos você parou?! Eu estava perto.

Ela reclamou.

-Você…

Levei os dedos molhados com seu líquido à minha boca, lambendo-os com devoção. Seu queixo caiu, ela parou de falar na mesma hora e me encarou fixamente. Ri baixo e desci distribuindo beijos por seu corpo.

Apoiei sua perna no meu ombro e lambi desde sua entrada até seu ponto de prazer.

-Claraaaa.

Gemeu longamente.

Mordisquei o clitóris e voltei a penetra-la com dois dedos.

-Faz… Faz aquilo de novo.

Novamente encurvei os dedos e bombeei em sua parte sensível.

-Porra, isso. M- mais rápido Clarinha.

Aumentei a velocidade e separei os grandes lábios com a mão esquerda, dando uma forte e longa chupada. Era um gosto diferente. Não era ruim, pelo contrário. Vanessa era deliciosa.

-Rebola pra mim Van.

Sussurrei antes de voltar com a boca para seu sexo quente. Ela iniciou um rebolado lento, que aumentou a velocidade com o tempo. Senti seus dedos se entrelaçarem nos meus fios, e empurrarem mantendo minha cabeça ali e aumentando o contato.

-Clara! Eu… Eu vou…

Arranhei sua coxa e passei as unhas até suas costas, puxando ela para mais perto de mim. Seu corpo todo começou a tremer violentamente, segurei-a firme para que ela não caísse.

Lambi os dedos e passei o nariz por sua intimidade sentindo seu cheiro afrodisíaco maravilhoso.

Ela estava ofegante, abracei seu corpo e ela soltou completamente seu peso sobre mim. Peguei-a no colo e caminhei até a cama, cobrindo-nos com o cobertor e dando um beijo na sua testa.

-Está tudo bem Van?

Perguntei preocupada.

-Está brincando? Eu estou ótima!

Ri e entrelacei nossos dedos, acariciando o dorso com o polegar.

-Já está mais calma agora?

Sua respiração ainda estava se regulando, ela piscou sonolenta e concordou.

Peguei a sacola no pé da cama e trouxe até mim, tirando os presentes.

-Eu só entrei naquela loja pra comprar um bichinho pra você e pra Sofi, Van. Poxa vida, eu queria fazer uma surpresa pra vocês, não brigar com você.

Ela fez uma careta adorável e acariciou meu rosto.

-Desculpa Clarinha… Eu só fiquei com ciúmes.

Abaixou a cabeça com uma carinha triste. Puxei seu queixo para cima.

-Está tudo bem princesa. Só não precisa mais agir desse jeito, eu só tenho olhos pra você. Mais ninguém.

Enchi seu rosto de beijinhos, ela riu.

-Ei, quer ver o que eu comprei pra você ou não?

-Quero!

Ela se sentou animada na cama, seus olhinhos brilhando.

Ri e tirei o seu de dentro da sacola. Ela arregalou os olhos e seu queixo caiu alguns centímetros.

-Aí meu Deus, Clara!

Ela pegou o bicho de pelúcia e me puxou para um abraço apertado.

-Muito. Obrigada. Eu. Amei.

Disse entre selinhos. Para ela eu havia comprado uma banana de pelúcia. O bichinho usava óculos escuros, e segurava uma plaquinha onda estava escrito “Sou deliciosa!”. Foi impossível não pensar em Vanessa na hora, isso era a sua cara.

-Esse é o melhor presente de todos! Você é a melhor namorada do mundo!

Me puxou e me deu um último selinho. Ela parecia uma criança. E quando dizem que é preciso pouco para fazer alguém ficar alegre ou feliz, é realmente verdade.

-Gostou mesmo Van?

-Eu amei!

Abraçou forte a banana me fazendo rir. Quão fofa era essa cena?!

-Linda.

Beijei sua bochecha e tirei os fios que caíam em seus olhos.

-Comprei o Olaf pra Sofi, acha que ela vai gostar?

-É óbvio que sim. Ela já te ama, Lo. Quando você der o presente então…

Sorri e beijei a pontinha do seu nariz.

-Que bom então. Ahh, eu deveria ter comprado o Sven também.

Lamentei, e Vanessa fez uma careta.

-Desse jeito ela vai ficar mimada. Com você fazendo todas as suas vontades assim.

-Eu tinha prometido um brinquedo pra ela Van. Me senti culpada, tive que comprar.

Ela sorriu e fez um carinho na minha maçã do rosto.

-Você gostou muito da Sofi, não é?

-Ela é tão lindinha. Ela é idêntica à você, talvez por isso eu seja tão louca por ela.

Vanessa riu.

-Você é tão perfeita, cariño…

-Você que é.

No momento em que nossos lábios se encostaram, alguém tentou abrir a porta. Por sorte eu a tranquei. Obviamente, eu nem precisei esperar a pessoa falar para saber quem era. Sabia que era Dinah.

-Coelhas, abram a porta.

Revirei os olhos e levantei da cama, jogando a roupa para Vanessa e destrancando a porta.

Voltei correndo para a cama e me joguei nos braços da minha namorada, que riu e me beijou.

-Chega de agarração na minha frente. Clara, Natália e um garoto chamado Luis estão aí pra falar com você.

Ela fez uma cara engraçada ao pronunciar o nome de Luis.

-O que? Por que ele não ligou?

Prendi o cabelo em um coque e substitui o short curto que eu usava por uma calça jeans.

-Clarinha, quem é Luis?

Merda.

-Hm… É… Luis é meu… Ex namorado.

Durante muito tempo eu quis ser a “sabe tudo” (nunca admiti isso para mim mesma) quis ser a tal “ mulher de Deus ” forte, a que sabia manusear muito bem a palavra de Deus, a que dava ótimos conselhos e eu até conseguir ser assim. As pessoas diziam que eu era assim, estudei a Bíblia, sempre que a lia buscava algo para falar para as pessoas, para inspirar as pessoas kkk e até conseguia. Fraquezas não existiam, desânimo não era algo aceitável, palavras de auto-ajuda, palavras dizendo “ se revolta contra essa fraqueza, vamos lá você tem que reagir ” era o que eu fala para as pessoas. Mas então eu acordei um dia e a Bíblia não fazia mais sentindo, afinal eu já havia a estudado, as orações já não eram as mesmas, foi uma questão de tempo até eu parar de fazer propósitos e jejuns. “ O que aconteceu? ” era o que eu pensava, por mais que eu tentasse já não conseguia mais ser quem eu era, as inspirações sumiram, a visão sumiu. Então quando eu me vi no chão, sozinha, naquele silêncio todo eu soube que estava na hora de arrumar algumas coisas dentro de mim. Ajudei pessoas só que nunca havia me ajudado, comecei a ver que eu tinha tentado tampar o meu lado feio, eu achei que ele havia morrido mas na verdade eu apenas o ignorei e não deixei o Espírito Santo fazer o seu trabalho de mudá-lo. Não a nada em oculto que não seja revelado, minha fraqueza e desânimo foram revelados na minha cara e então eu começei a trabalhar em mim ( eu ainda estou trabalhando) analisei as minhas raízes, minha forma de orar mudou agora já não são mais orações e sim conversas. Já não oro pedido forças, eu conto as minhas fraquezas eu exponho as minhas dúvidas e dores coisa que eu não fazia antes. Ja não sinto medo do silêncio, aprendi com ele a ser mais silenciosa. Dizem que Deus trabalha no silêncio, mas na verdade isso é só um jeito Dele nos mandar trabalhar mais e falar menos, estou descobrindo que Paulo tinha razão sobre quando somos fracos e aí que somos fortes. Hoje a minha forma de ler a Bíblia é até de ver a vida é as pessoas mudou, quando escrevo sobre algo que vivo. Chega a ser engraçado, porque hoje quando eu vou aconselhar alguém eu falo sobre mim e sobre o que estou fazendo comigo mesma e percebi que eu cheguei aonde eu sempre quis chegar mas que nunca havia conseguido ( ou tina achado que consegui) que é no mais íntimo dos homens e então eles começam a criar raízes e não apenas ser um “jardim bonito ” e eu vejo que não é feio ser quem eu sou, totalmente errada e fraca.

Não consiguia reparar que Deus sempre quis o meu lado mais fraco para assim Ele trabalhar e eu ser totalmente forte de verdade . Bem aventurado os que choram, vinde-te a mim os cansados e sobrecarregados, Ele escolheu um povo que entregou o seu único filho a pior das mortes. Eu sempre exclui Deus dos meus momentos de fraquezas, excluía o diabo também queria ficar sozinha, só eu mesma. E tão diferente quando você diz “ Eh eu sou fraca ” e tão diferente quando você assume isso para você mesma sem medo e ai que você sabe que Cristo e a sua força e não você mesma.

              Timpul,persoanele,intamplarile,toate astea ne schimba la un moment dat si se pare ca am trecut prin aceeasi transformare , pentru ca nu mai sunt vechiul eu de cand am simtit ca ceva inauntrul meu urla neincetat,constant,a trebuit sa inlatur acest sentiment schimbandu-ma ca si caracter.

  Eram plin de viata,vedeam lumea cu ochi frumosi,imi doream sa ii fac pe ceilalti fericiti,nu ca acum nu as vrea,doar ca uneori imi ies din fire si ranesc persoane nevinovate,apoi imi pare rau. Viata mea a fost si e atat de dificila,nu mai simt un strop de fericire,as vrea sa urasc pe toata lumea , dar se pare ca au mai ramas ramasite din acel “eu” , ramasite ce nu imi permit sa ma comport atat de sumbru,atat de neinteles.De azi nu ma mai numesc persoana,ma numesc demon,azi pot sa am un suflet bun,aproape de neegalat,maine pot fi cu totul o alta persoana,ma uimesc pe mine insumi si ma urasc in acelasi timp. 

Am cautat fericirea unde nu trebuia la fel cum cauta un orb lumina soarelui,in fiecare moment al vietii lui , de fiecare data cand se trezeste in zorii zilei,pana la urma am preferat sa stau ascuns in intuneric ca o fantasma,lipsit de viata,de neobservat,un om gol de sentimente si plin de resentimente.

Os homens e as mulheres da Bíblia não eram super-heróis perfeitos e super Santos, eram imperfeitos como nós. Eles recebiam as respostas de suas orações, confiando na Palavra de Deus. A maior parte dos grandes heróis da fé, lutou com dúvidas, falhas e erros e tiveram de aprender com a prática. Ainda assim, o que vemos é a fidelidade e o amor de Deus os ensinando e dirigindo para que os seus propósitos se cumprissem. As histórias Bíblicas, nas são lendas e fábulas criadas para entreter crianças enquanto tentam pegar no sono, mas são histórias do poder de Deus para salvar, curar e abençoar, deixadas ali para nos inspirar e influenciar. Esses relatos são mensagens sobre o poder da palavra de Deus, nos dizendo que Ele nos ama, nos ouve, e interferirá em nosso favor, também. Somos seus filhos, estamos sendo preparados para reinar e governar com Ele na eternidade.
—  Ap. Rina
INDIRETAS PARA EX

Não quero viver sem você, mas eu consigo.

Não sei se é saudade, ou se é costume de pensar em você.

Quando não estava legal te procurava para ficar bem, mas e se não estou legal por sua causa, procuro quem?

Você não está nem aí pra pessoa e ela continua achando que faz alguma diferença, dá um tempo, supera minha existência.

Lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre?

Descobri que o lado mais triste do amor, é não sentir mais nada.

Acho que todas as palavras engasgadas eram a raiva que senti por ter me apegado a alguém como você.

Você não é mais nada em mim, nem lembranças, nem saudade, nem esperanças tolas.

Quem nunca ficou esperando por palavras que nunca foram ditas não sabe o que é decepção e tristeza ao mesmo tempo.

E depois de um tempo entendi que esquecer não significava ignorar uma chamada no telefone, nem evitar reencontros casuais.

Fique com suas aventuras, se lhe dão prazer, eu é que não te darei.

Dos restos de um amor como o nosso não pode uma amizade florescer.

Sabe o que é ruim? Perder tempo com gente que não vale o chão que pisa.

A maior tristeza do convencimento é a decepção quando se descobre que o que tanto pensava não era a realidade.

As coisas que amamos nas pessoas se tornam mais clara na ausência delas.

Amar é ser fiel a quem nos trai.

Cada um tem de mim exatamente aquilo que merece.

A decepção maior não está em ter amado verdadeiramente, mas em saber que amou a pessoa errada.

Acho que vou ser expulso desse lugar, não sabia que mágicos não eram bem vindos em um cassino, sem terem sido contratados para fazer algum show. Eles devem ter medo de serem roubados nos jogos… mas eu não faço isso sempre

Eu me sentia afundando. Eu gritava por socorro mas era como se ninguém estivesse ali para se jogar e me trazer de volta ou simplesmente arremessar um salva-vidas. Via todos ao meu redor, mas de alguma forma, era como se eu fosse invisível, como se tudo estivesse normal e eu não estivesse ali, em pânico, já com a água adentrando em meus pulmões, junto com os meus sentimentos e palavras não ditas. E quanto mais eu pedia por ajuda, mais dolorosa era a sensação de estar completamente tomado pela angústia e desespero. Pelas oportunidades não aproveitadas, pelas palavras que sufoquei ao invés de soltá-las, e que agora, eram elas quem estavam me sufocando.
 Me arrastando cada vez mais fundo.
 Todas as borboletas no meu estômago que eu resolvi matar ao invés de deixá-las voarem, estavam submersas naquela água fria, flutuavam e pareciam que iam sair pela minha boca a qualquer momento.
 Cada momento desperdiçado, cada sentimento escondido, forçado a se acabar, voltavam à tona, martelavam em minha cabeça e me deixavam completamente amedrontada.
 Eu estava afundando.
 Num sentir que eu negava a mim mesmo demonstrar.
 Numa fala que eu preferi me calar, ao dizer.  
 Numa vida que eu tive medo e optei não viver.
—  Ana.
Vara asta am plâns mai mult, am dormit mai puțin, am iubit mai mult, am avut sufletul rănit de mai multe ori, am pierdut prietenii, am pierdut speranțe, am tăcut mai mult, am citit mai puțin; vara asta m-am pierdut, m-am pierdut pe mine, am pierdut tot ce eram odată. Dacă nu o să mă regăsesc, măcar am încercat mai mult! Și tot mai mult o să mă pierd apoi..