era vargas

História #1 - ► Era Vargas (1930 - 1945)

► O governo provisório (1930 - 1934)

Em 3 de novembro de 1930, Getúlio Vargas assumia a presidência, provisoriamente, em nome do exército, da marinha e do povo.

Congresso nacional, Assembleias estaduais e câmaras municipais foram dissolvidos;

Os governadores dos estados foram substituídos por interventores indicados pelo governo central e, finalmente, novos ministérios foram criados;

Ao mesmo tempo em que contemplava ambos os setores do Tenentismo com cargos, Getúlio procurava acenar com o atendimento de velhas reivindicações dos trabalhadores e até mesmo reeditar a proteção ao setor cafeeiro - ainda o setor mais importante da economia do país;

Vargas optou por uma política que era quase a retomada da valorização do café da Velha República, promovendo a compra e o armazenamento dos estoques excedentes de café. Tal prática esbarrava no próprio momento de crise internacional e no fato de que outros países também se constituíam em produtores, aumentando a concorrência. Com isso, estoques gigantescos se acumulavam, obrigando o governo a, já a partir de 1931, iniciar a queima da produção excedente;

► A revolução constitucionalista de 1932

Em maio de 1932, uma manifestação popular, favorável à convocação da Constituinte, em frente à sede da Legião revolucionário de São Paulo, foi dissolvida a bala pela polícia varguista, resultando na morte de quatro estudantes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. As iniciais desses nomes geraram a sigla MMDC que, a partir daquele momento, passou a ser a senha de um movimento que apontava, cada vez mais, na direção da luta pelo poder;

Em 9 de julho de 1932, ocorreu a insurreição militar em São Paulo e no Mato Grosso, dando início a uma batalha que duraria três meses e levaria vários civis à morte;

Ao final do movimento, o governo central saiu vitorioso da batalha e os diversos setores sociais envolvidos na revolução de São Paulo foram enquadrados, temporariamente, na nova ordem política;

► A constituinte de 1933 e a nova constituição

  •  Assim, já em 1933, foi publicado um Código Eleitoral, instituindo o voto secreto e o feminino e criando a justiça eleitoral.
  • Vargas convocou, ainda em 1933, eleições para a Assembleia Constituinte, a qual aprovaria a Constituição publicada em 1934 que incorporou alguns elementos já aprovados anteriormente, aprofundando outros deles. Estabeleceu, também, garantias trabalhistas aos assalariados: férias remuneradas, aposentaria, pensões, jornada de 8 horas, além de regulamentar o trabalho dos menores de idade;

A constituição apresentava uma tentativa de adaptar a ordem política à nova realidade do país, incorporando como seus elementos principais:

  •  Manutenção do princípio federativo da constituição de 1891, porém com a autonomia dos Estados fortemente reduzida; 
  •   Separação dos poderes, com ampla autonomia para o Executivo, Legislativo e o Judiciário;
  •  Incorporação da legislação eleitoral criada em 1933, com a bancada classista fazendo parte do legislativo;
  • Criação de uma legislação trabalhista, incluindo a liberdade de organização sindical e a criação do Tribunal do trabalho;
  •  Possibilidade de nacionalização de empresas e de monopólio estatal sobre alguns setores;
  • Eleições diretas para os vários cargos do Executivo, sendo que as Disposições Transitórias estabeleciam que o primeiro presidente fosse eleito de forma indireta, pela própria Constituinte;

Com isso, imediatamente após a promulgação da Constituição, Vargas foi eleito pela Assembleia Constituinte, inciando a fase constitucional de seu governo.

► O governo constitucional (1934 - 1937)

Os primeiros anos da era Vargas conheceram um amplo crescimento do movimento operário e popular, o qual perdia seu caráter unicamente comunista, passando a assumir uma postura de movimento democrático, ante uma ameaça muito maior que rondava a cena política mundial: o crescimento do Nazifascismo.

No Brasil, a Ação Integralista Brasileira (AIB), liderada por Plínio Salgado, expressava radicalmente essa tendência. Tal como os congêneres europeus, esse movimento brasileiro apelava para o Nacionalismo, evocando símbolos nacionais. O grito de guerra da AIB era “anauê”, seu símbolo era um indígena e os integrantes usavam camisas verdes. Na defesa da nação, apresentavam-se, por um lado, inimigos do Comunismo e do Capitalismo; por outro, protetores da família e partidários da ordem.

Foi contra o crescimento da AIB e de sua influência junto a um governo cada vez mais centralizador que surgiu outro agrupamento, formado em oposição a Getúlio Vargas. Tratava-se da Aliança Nacional Libertadora (ANL), cujo nome indica a pretensão da defesa nacional, tal como faziam Getúlio e os integralistas.

Em novembro de 1935, explodiu um levante popular e militar no Rio Grande do Norte, impulsionado por setores da ANL, principalmente o Partido Comunista. Sob pretexto de conter a manifestação, uma intervenção militar controlou a região do levante, bem como as de Recife, Olinda e Rio de Janeiro, perseguindo os integrantes da Aliança. O clima de instabilidade tomou conta de todas essas cidades e a “Intentona Comunista” foi responsabilizada por tal situação.

► O golpe de 1937

Para justificar o golpe, Vargas alegou a existência de um plano de subversão idealizado pelos comunistas, o plano Cohen, que incluía assaltos e assassinatos. Tal plano era absolutamente falso, tendo sido elaborado po um oficial do Exército. Seu único papel era o de criar o pretexto, se é que algum seria necessário, para um golpe, no qual o Congresso foi fechado, as eleições suspensas, bem como a constituição. Estava armado o quadro para a ditadura varguista que se iniciou a partir dali.

► O estado novo (1937 - 1945)

O golpe de 10 de novembro de 1937 deu início à ditadura pessoal de Getúlio Vargas e a uma forma de organização política, denominada pela historiografia como Estado novo.

Todos os partidos foram dissolvidos a partir de um decreto do presidente, em 2 de dezembro daquele ano.

Havia centralização do poder nas mãos do presidente e de seus assessores, eliminando a autonomia dos estados e o princípio federalista na organização nacional;
Havia pouca definição sobre o raio de ação do poder central, deixando-o livre para a intervenção ilimitada;
Havia também reorganização das instituições do Estado no campo social, visando o controle direto dos assalariados, por um lado, e a interferência estatal no chamado desenvolvimento econômico, por outro.

A constituição permitia qualquer tipo de intervenção ao presidente e ele violou as regras previstas sempre que considerou necessário. Além disso, ao Executivo cabia o controle sobre as forças armadas, podendo afastar militares quanto estes fossem considerados “ameaça aos interesses nacionais”. Também institui-se a prisão perpétua e a censura legal a todos os meios de comunicação.

Dasp (Departamento Administrativo do Serviço Público) e DIP (Departamento de imprensa e propaganda).

O DIP, por sua vez, cumpriu a função de censor e construtor da imagem pública do governo, utilizando-se de modernos meios de comunicação. Esse departamento foi responsável pela construção de uma verdadeira fobia ao comunismo no Brasil.

Quanto a legislação trabalhista, ela era uma cópia da carta del lavoro, da itália fascista de Mussolini. Promovia o desenvolvimento das corporações, sindicados de trabalhadores ou de empresários, totalmente subordinados ao Estado pela ação do governo e pela dependência econômica. Proibia-se o direito de greve e as associações não filiadas ao sistema oficial.

Vargas procurou lentamente reduzir a influência dos integralistas, os quais haviam aplaudido o golpe de 1937. Por isso, estes tentaram um golpe, em 1938, o Putsch Integralista, no qual eles tentaram tomar o palácio da Guanabara e depor o presidente. A reação do governo foi imediata. Todos os líderes foram presos, com Plínio Salgado exilado, e o integralismo definitivamente extinto, assim como já havia feito com a ANL.

► A segunda guerra mundial e o Brasil

Um forte pretexto para a entrada do Brasil no conflito foi o afundamento de navios brasileiros por submarinos alemães, fato que colocou a opinião pública definitivamente ao lado dos aliados.

Foi assim que, em 21 de agosto de 1942, o Brasil declarou guerra à Itália e à Alemanha. Mas só em 1944, já no final da guerra, enviou um contingente de 23 mi soldados para combater na Itália ao lado dos norte-americanos. Este contigente formou a força expedicionária Brasileira (FEB) e participou das batalhas de monte castelo e Montese.

Vargas percebeu cedo que o fim da guerra tornava impossível a manutenção de seu governo. Desde 1943, prometeu eleições quando o conflito internacional terminasse. Começava então a política conhecida como populismo.

► O fim da Era Vargas

Em 28 de fevereiro de 1945, Vargas se adiantou à oposição e editou um Ato Adicional, prevendo a convocação de eleições em um prazo de 90 dias, com sufrágio universal.

O PTB passava a ser o agente pelo qual Vargas articulava sua permanência no poder, lançando a campanha do Queremismo (“Queremos Vargas”, frase que marcava todas as suas manifestações de massa do partido, propondo a convocação de uma constituinte com Vargas no poder). Diante das atitudes de Vargas, o candidato Dutra e o Ministro da guerra, Góis monteiro, depuseram o presidente em 29 de outubro de 1945.

Última carta de Olga Benário a Luis Carlos Prestes e à filha:

“Queridos:

Amanhã vou precisar de toda a minha força e de toda a minha vontade. Por isso, não posso pensar nas coisas que me torturam o coração, que são mais caras que a minha própria vida. E por isso me despeço de vocês agora. É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera poder pentear-te, fazer-te as tranças - ah, não, elas foram cortadas. Mas te fica melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito de acordo com isso, mas logo nos entenderemos muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como o teu pai e eu fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica… Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a ideia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte.

Carlos, querido, amado meu: terei que renunciar para sempre a tudo de bom que me destes? Conformar-me-ia, mesmo se não pudesse ter-te muito próximo, que teus olhos mais uma vez me olhassem. E queria ver teu sorriso. Quero-os a ambos, tanto, tanto. E estou tão agradecida à vida, por ela haver me dado a ambos. Mas o que eu gostaria era de poder viver um dia feliz, os três juntos, como milhares de vezes imaginei. Será possível que nunca verei o quanto orgulhoso e feliz te sentes por nossa filha?

Querida Anita, meu querido marido, meu garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça pois parece que hoje as forças não conseguem alcançar-me para suportar algo tão terrível. É precisamente por isso que me esforço para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nas últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas… Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijos pela última vez.

Olga.”

— Carta escrita à lápis, no dia 17 de outubro de 1936. Olga Benário morre em uma câmara de gás em 1942. A última carta de Olga foi dirigida ao líder comunista brasileiro Luis Carlos Prestes. Foi escrita em Ravensbrück, na noite da viagem que a levaria а morte em Bernburg.

Oizinho! Para quem estuda sozinhx, sei muito bem como não é fácil montar um plano, uma sequencia de conteúdos para estudar. Por isso, eu vim hoje trazer dois planos de estudos, ambos para quem estuda sozinho:  

1. um para quem quer começar desde o começo, quem vai estudar tudo mermo, mesmo começando atrasado/tarde;
2. outro para quem quer estudar menos, não quer seguir todo o plano

Instruções:      

     Se organize, tente fazer um estudo de no mínimo 2 disciplinas p/ dia;
     Esse post será longo! Por isso vou colocar o link de “continuar lendo” no fim do post.
     Os conteúdos riscados são aqueles que são importantes, mas para o Enem não têm tanta          relevância, pois raramente caem.
     Demorou muito tempo para fazer tudo isso, se você gostou, por favor ajude a divulgar para          outros também terem acesso. Aproveite o material! Beijos.

Bora pro primeiro plano de estudo: 

HISTÓRIA “GERAL”
Antiguidade e Era Medieval

● Civilizações Antigas Oriente / Ocidente 
● Média Oriental 
● Feudalismo 
● Renascimento 
● Origens Medievais 


Era Moderna

● Renascimento e Revolução Científica 
● Transição Feudalismo -> Capitalismo
● Regime Absolutista 
● Mudanças Século XVIII 
● Independência do EUA 
● Revolução Francesa 


Era Contemporânea 

● Século XIX 
● Unificação Itália e Alemanha 
● EUA no século XIX 
● Imperialismo e paz armada 
● 1ª Guerra Mundial
● Revolução Russa / Liberalismo político e econômico 
● Nazifacismo/Crise de 29 
● 2ª Guerra Mundial 
● Guerra Fria 
● Descolonização afro-asiática 
● América Latina 
● Nova Ordem Mundial


HISTÓRIA DO BRASIL 

Brasil Colônia 

● Populações indígenas do Brasil: experiências antes da conquista, resistências e acomodações à colonização
● O sistema colonial: agricultura, engenho e escravidão.
● Os negros no Brasil: culturas e confrontos.
● Religião, cultura e educação na Colônia. 
● A interiorização: bandeirismo, escravidão indígena, extrativismo, pecuária e mineração. 
● Vida urbana: administração e comércio na colônia 

Brasil Império 

● Crise do sistema colonial 
● Período Joanino (1808-1821) 
● 1º Reinado 1822-1831) 
● Período Regencial (1831-1840) 
● Revoltas Regenciais 
● Escravidão e homens livres no século XIX. Imigração e abolição. 
● A crise do Império e o advento da República. 

Brasil República
● República da Espada  
● República Oligárquica 
● Revolução de 30 
● A era Vargas 30-37/37-45 
● República Populista 
● Golpe 1964 
● Regime Militar 
● Nova República 
● Movimentos sociais e urbanos no século XX. 
● Política e cultura no século XX. 
● As transformações do papel da mulher depois da Segunda Guerra Mundial. 
● O sistema político atual.  

HISTÓRIA DA AMÉRICA

● A Conquista da América e os Povos Pré-Colombianos
● A Revolução Cubana 
● A Revolução Mexicana 
● América Atual  
● Colonização Espanhola  
● Colonização Inglesa  
● Construção do Estado Norte Americano: A Independência das Treze Colônias 
● Estados Nacionais Latinos  
● Estados Unidos Pós Segunda Guerra Mundial  
● Estados Unidos no Século XIX
● Independência da América Latina 
● Populismo na América 
● Regimes Militares e Transição Democrática  
● Revoluções na América Latina – Chile e Nicarágua  


MATEMÁTICA 💜 

Matemática Básica 

● Potenciação 
● Radiciação 
● MMC e MDC 
● Porcentagem 
● Médias 

Funções 
● do 1º Grau
● do 2º Grau 
● Exponencial 
● Logarítmica

Geometria Plana
● Semelhança de triângulos  
● Pontos notáveis  
● Áreas de triângulos  
● Lei dos senos e cossenos  
● Área da circunferência  
● Potência de ponta  
● Área do quadrilátero  
● Polígonos regulares 

Trigonometria
● Funções Trigonométricas 
● Identidade trigonométrica 

Progressões 

Keep reading

Getúlio Vargas, populist dictator

The Vargas era began in 1930 when members of the newly formed Liberal Alliance party decided to fight back after the defeat of their candidate, Getúlio Vargas, in the presidential elections. The revolution kicked off on October 3 in Rio Grande do Sul and spread rapidly through other states. Twenty-one days later President Júlio Prestes was deposed and on November 3 Vargas became Brazil’s new ‘provisional’ president.

The formation of the Estado Novo (New State) in November 1937 made Vargas the first Brazilian president to wield absolute power. Inspired by the fascist governments of Salazar in Portugal and Mussolini in Italy, Vargas banned political parties, imprisoned political opponents and censored artists and the press.

Despite this, many liked Vargas. The ‘father’ of Brazil’s workers, he created Brazil’s minimum wage in 1938. Each year he introduced new labor laws to coincide with Workers’ Day on May 1, to sweeten the teeth of Brazil’s factory workers.

Like any fascist worth his salt, Vargas began WWII siding with Hitler’s Third Reich. Mysteriously, an offer of US investment to the sum of US$20 million in 1942 led Vargas to switch allegiances. The National War Memorial in Flamengo – a huge concrete monument and museum, which represents a pair of hands begging the skies for peace – today pays testament to the 5000 Brazilians who served in Europe.

Vargas, of course, wasn’t exactly practising what he preached. The glaring contradiction of someone fighting for democracy in Europe and maintaining a quasi-fascist state back home soon became impossible. After WWII, the military forced him to step down.

Yet he remained popular and in 1951 was elected president – this time democratically. But Vargas’ new administration was plagued by the hallmark of Brazilian politics – corruption. For this, a young journalist called Carlos Lacerda attacked him incessantly. In 1954 Vargas’ security chief sent two gunmen to assassinate Lacerda at his home in Copacabana. The troublesome scribe was only slightly wounded but an air force major was killed, precipitating a huge scandal. Amid calls from the military for his resignation, Vargas responded dramatically. He penned a note saying ‘I leave this life to enter into history, ’ and on the following morning, August 24, 1954, fired a single bullet through his own heart.

“Até às beiradas de 70, seu nome e seu retrato correndo franco. Nos cantos inesperados. Getúlio na gafieira, restaurante da Praça Tiradentes, barbeiro, farmácia, sapataria antiga, botequim do Bexiga. Parede principal da Estudantina Musical com a imagem de São Jorge ao lado do velho”, trecho do livro Lambões de caçarola (Trabalhadores do Brasil!), do mestre João Antônio. Foto de 1940, clicada por Hart Preston