era uma vez uma batata frita

por não te esquecer, eu ainda te escrevo.

     Eu conheci ele num bar. Parece comum, mas eu não bebo. Nem ele. Conheci ele num bar por acaso enquanto saia e ele esbarrou em mim quando foi pedir informação. Não, não foi amor a primeira vista. Eu nem sabia seu nome. Depois de uma semana ou duas, eu já nem me lembrava dele, mas então nos esbarramos de novo num parque aqui da cidade. Trocamos sorrisos com um ar de desculpas, e nos esquecemos mais uma vez. 
     Eis que vou numa festa e lá está ele, num cantinho com um copo vermelho na mão. De repente ele já está do meu lado e nós começamos a conversar. Eu precisava ir embora, mas era bom falar com ele. Trocamos contato. Daí pra frente, conversávamos todo dia sobre qualquer coisa, desde política até batata frita. Ficamos assim por muito tempo e tivemos alguma coisa a mais.
     Ele me mostrou tanta coisa nova que em um texto só não caberia tudo. Foi com ele que a minha vida mudou, foi com ele que eu aprendi a amar mais fundo. Com ele eu quis mais, eu soube mais. Se sou o que sou hoje, é por causa dele. Mas como tudo que é bom dura pouco, nós não duramos.
     Quando acabou, eu me lembro bem, doeu tanto que eu nem sabia se aquilo era real. Mas passou. Agora, depois de muito tempo, sinto que alguma coisa ainda falta, não sei bem o que é, mas tenho certeza que ele, com aquele ar de “dono da razão”, saberia.