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“Pedido: amooooooooooor faz um do Harry que eles estão separados e se encontram em uma premiação e depois rola um hot o final pode ser como você quiser”

Espero que gostem e desculpa os erros!


Meu vestido era todo prateado, ele ia até a metade da minha coxa e minhas costas estava desnuda, meus saltos eram pratas também assim como a maioria de minhas joias e minha maquiagem estava magnífica. Hoje teria uma premiação muito importante no mercado da música, muitos artistas estariam lá e eu como convidada de honra dos organizadores também iria, mas algo me deixava aflita, na verdade uma pessoa em específico, Harry Styles. Fazia quatro meses que eu e Harry havíamos terminado o nosso relacionamento de um ano, a desculpa dele foi que precisava curtir mais a vida e que depois iria pensar se namorava ou não, no começo eu fiquei bem magoada, chorei por semanas, mas hoje já me sinto melhor em relação a isso, o meu único medo é que seria a primeira vez que eu estaria o vendo depois do ocorrido, não quero que pense que sinto fala dele (por mais que eu sinta) ou algo assim.
- Sua limusine chegou querida- Mike, meu maquiador e também amigo, me avisou e eu sorri para o espelho, espantando todos os meus pensamentos.
Sai do hotel em que estava hospedada sendo ajudada por um segurança, a limusine branca me fez sorrir e admira-la por alguns segundos.
Entrei no grande veículo, sendo acompanhada por Mike que não perdeu tempo e desfrutou dos luxos do veículo. O caminho até a premiação foi rápido, logo eu já estava na entrada do red carpet e muitos flashes já estavam em cima de mim.
Os vários fotógrafos me enchiam de fotos enquanto eu sorria charmosa, passei por todos eles enquanto esperava para dar uma entrevista à um grande canal que fazia a cobertura.
A entrevista foi rápida, quando me vi já estava dentro do local enquanto famosos e mais famosos conversavam entre si. Fui para o backstage já que eu seria a primeira a me apresentar e também a apresentar uma categoria.
A premiação começou e eu cantava animadamente, mexia meu corpo junto à minhas dançarinas enquanto cantava a minha nova canção, a apresentação acabou e logo os apresentadores começaram seus discursos de início, voltei para o backstage trocando minha roupa. A primeira categoria seria anunciada e eu já estava ao lado de Shawn para dar o prêmio de melhor banda/grupo do ano.
Os indicados passaram e eu me senti aflita ao ver One Direction passar no telão, com o envelope em mãos eu fiz um pequeno suspense antes de ver o resultado.
- E O VENCEDOR É ONE DIRECTION. - Shawn e eu falamos juntos e eu senti minhas pernas bambearam quando vi Harry e os demais se levantarem.
Niall foi o primeiro a me abraça e eu o parabenizei, depois Liam, Louis e em seguida Harry, que me abraçou tão forte que jurei que fosse ficar sem respirar. Enquanto eles discursavam, percebi ser a minha deixa para sair dali, andando em passos rápidos, fui para a área onde os artistas ficavam para poder organizar as apresentações e tudo mais.

Já no lugar no qual foi reservado para mim, pude ver Harry passar por entre as fileiras, o seu olhar parou em mim, pude ver ele parar enquanto me encarava, desviei o olhar para o palco como se não tivesse o visto ali.
A premiação passou rápido e logo começou a afterparty, avistei Niall e Liam conversando assim que entrei no local, fui até o bar pedindo um dos drinks que eles ofereciam e puder sentir um olhar sobre mim. Harry estava do outro lado do bar, me olhando, percebi que ele andou por entre as pessoas tentando chegar até mim, sem pensar muito sai do bar indo para a saída, passei por Liam e Louis me despedindo e logo indo para fora. Mike já tinha ido embora já que no dia seguinte teria uma prova importante a fazer, minha limusine já tinha voltado e então acabei ficando no taxi mesmo.
Enquanto esperava um táxi, senti uma mão em meus ombros, fazendo com que eu me arrepiasse ao sentir o toque. Virei para trás vendo um Harry ofegante me encarar.
- O que faz aqui? - Perguntei tirando sua mão de mim enquanto voltava ao normal.
- Quero falar com você- Ele se aproximou e eu fechei meus olhos sentindo o seu cheiro.
- Não temos nada a falar Harry - Me virei de costas para ele, o que foi um grande erro, já que ele nos grudou fazendo com que minha bunda batesse em seu membro.
- Sinto sua falta - Beijou meu pescoço fazendo meus pelos se arrepiarem- Sinto falta dos seu beijos - Mordeu minha orelha enquanto eu segurava um gemido. - Te quero tanto.
Harry me virou me fazendo o olhar, sua mão foi para minha nuca e me puxou para um beijo veloz. Styles estava tão desesperado que me puxava para ele mais e mais, partimos o beijo e pude sentir sua ereção roçando em mim.
- E-eu preciso ir embora - Digo com a voz falha e ele ri negando.
- Você não vai a lugar algum- Me puxou até um carro preto enquanto eu tentava relutar. - Vou te dar uma carona.
- Não precisa Harry, eu estou bem - Me soltei dele enquanto ele abriu a porta para mim.
- Por favor (S/A), deixa eu tentar me redimir. - Me olhou com olhões pidões e eu suspirei me dando por vencida.
- Tudo bem Styles, tudo bem.

Harry estacionou em frente do prédio em que eu morava, desci do carro assim como ele.
- Obrigada pela carona. - Dei um beijo em seu rosto e ele me segurou.
- Eu não saio daqui enquanto eu não tiver um beijo. - Ele sussurrou em meu ouvido e eu suspirei.
- Harry…- O olhei ainda receosa, fechei os olhos enquanto lhe dava um beijo lento, e que logo se tornou um beijo rápido e feroz.
Harry acionou o alarme do carro enquanto me beijava e ia me guiando até o elevador, aos beijos entramos e só paramos para apertar o botão do andar, já no andar do meu apartamento, Harry me empurrou até a porta do mesmo, enquanto eu procurava as chaves em minha bolsa. Já dentro do apartamento, fomos para o meu quarto, nesse momento eu já estava entregue ao desejo, sem vestido, pude ver Harry me encarar enquanto mordia os lábios. Tirou meu sutiã, beijou meus seios enquanto eu suspendia minha cabeça para trás, apresado ele arrancou minha calcinha, enquanto tirava a cueca, não pude deixar de admirar seu belo corpo. Harry subiu em cima de mim, enquanto me olhava, senti ele me penetrar e não pude evitar soltar um gemido.
- Eu te amo- Se movimentava dentro de mim enquanto eu gemia baixo.
- Harry, por favor- Digo já sem forças e ele acelera enquanto beijava meus seios.
Depois de longos minutos, Harry e eu respirávamos ofegante, eu estava deitava em seu peito enquanto ele mexia em meus cabelos fazendo com que o sono tomasse conta de mim em poucos.
- Durma meu amor- Harry disse antes de eu cair no sono.


Sua avaliação conta muito viu? se gostou deixe seu coraçãozinho  ♥

IMAGINE LIAM PAYNE

  • Anônimo: Faz um do Liam que ele abandona ela e a filha pra viver cm a Cheryl e o bb e a filha dele fica doente por causa disso e a SN tem que ir atrás dele para fazer o tratamento da menina pq é muito caro e ela n tem condições, final vc decide 
  • Boa leitura!


— Mãe, liga pra ele de novo - digo chorando de dor e passando a mão na minha barriga de sete meses

— (seu nome) se você não ter sua filha agora, você não vai poder salvá-la - o doutor diz

— Eu quero o Liam mãe, ele tem que estar aqui - digo sentindo mais uma pontada na barriga

— O que você prefere? Esperar o Liam ou salvar sua filha? - o médico me diz

— Tá bom, mas mãe me prometa que vai ligar pro Liam de novo - minha mãe assenti e eles começam a me preparar.

[…]

Acordo da anestesia e vi tudo girando e logo vejo minha mãe sentada em um sofá.

— (seu nome) que bom que acordou, Lily já já vem pro seu quarto.

— Ela está bem? Cadê o Liam? - sento na cama e olho ao redor e não o vejo

— Eu ainda não vi a Lily, mas o médico disse que ela foi fazer exames e já já ela vem - ela respira fundo — eu liguei pro Liam várias vezes mais ele não atendeu.

— Eu quero matá-lo, eu não acredito que ele não está aqui - começo a chorar e o médico entra.

— Que bom que acordou (seu nome), bom vim falar sobre sua filha - sorrio e olho para ele - fiz todos os exames e ela está muito bem de saúde, ela vai ficar encubada por ter nascido antes da hora, mas ela está bem, você terá alta amanhã e poderá vim visitar sua filha quando quiser - assenti - agora descansa - ele sorri e sai

5 meses depois

Depois do nascimento de Lily eu descobri que Liam tinha me abandonado, eu fiquei muito mal, eu percebi que ele ficou com medo de ser pai, mas não achei que ele nos abandonaria. Chegou um pedido de divórcio na minha casa e lá tinha a assinatura dele, eu ainda tinha perguntas para fazer, mas não sabia onde ele estava. Eu não assinei e enquanto eu não tirar tudo a limpo ele vai continuar casado comigo.

Minha filha Lily ainda está no hospital, ela se quer aproveitou seu quarto que decorei com tanto carinho com Liam, ela estava com uma doença onde se não tratada ela ficaria com os braços e as pernas paralisadas e o tratamento é muito caro, eu já dei tudo que eu tinha e meus pais também e eu não sei o que vou fazer.

Estava arrumando umas roupinhas para levar para Lily no hospital e logo uma lágrima teimosa escorre.

— Filha, seu pai chegou com o carro, vamos? - viro para ela e lhe dou um abraço e me desmancho em lágrimas

— Eu não vou aguentar tudo isso mãe, eu não quero perder minha filha - ela alisa minhas costas - eu não sei mais o que fazer, eu só queria minha filha em casa e saudável - saio do abraço

— Eu te entendo minha filha, eu não quero perder minha neta também - ela diz

— O que eu faço? - digo limpando as lágrimas

— Vai atrás do pai dela, ele mesmo sendo o idiota que é tem que te ajudar

— Eu nem se quer sei onde ele mora mãe - digo

— Eu não ia falar isso agora, mas vim conversando com Karen e ela diz que ele vai na casa dela de vez em quando. Se quiser eu posso marcar com ela e dá um jeito de vocês se encontrarem.

— Eu não sei não mãe

— Vou ligar pra ela agora, fica tranquila eu combino com ela e te falo - ela diz animada

— Se você insiste - digo e pego a malinha da minha pequena e vou para o hospital.

[…]

Cheguei no lugar onde minha mãe e Karen combinaram e me sentei em uma mesa no canto, esperando meu ex marido chegar. Peço um milk shake e logo vejo ele entrando e vindo até mim.

— E não é que quem é vivo sempre aparece - digo e ele se senta na minha frente

— Fala logo o que você quer, tenho mais o que fazer - ele revira os olhos

— Fazer? O que você estaria fazendo a não ser estar com a sua filha? Por acaso você tem outro filho ou esposa?

— Sim (seu nome) eu tenho outro filho e outra esposa, não somos casados oficialmente até porque você não assinou a porcaria do divórcio, mas moramos juntos sim - ele diz e aquilo foi como uma facada no meu peito e uma lágrima escorre no meu rosto

— O que? Então é verdade, você tem outra família. Eu não acredito que você teve coragem - digo - eu não sei e nem quero saber como é sua família, mas eu não vim aqui discutir isso.

— Então o que você quer (seu nome)? - ele diz seco

— Eu vim pedir sua ajuda, pois nossa filha está muito mal no hospital, o tratamento é caro e eu não tenho mais dinheiro para bancar, ela já está com um lado paralisado e se não continuar o tratamento ela vai perder o outro lado e sabe lá Deus o que vai acontecer depois - digo - eu só te peço, não quero estragar sua família nem nada, e não faça por mim faça pela Lily. Eu vou assinar o divórcio pra você ficar longe de mim, mas não se esqueça da sua filha. - limpo minhas lágrimas e deixo um papel para ele com o nome dela e o nome do hospital caso ele amoleça o coração e ajude nossa filha - você me magoou, mas espero que você seja feliz como eu não fui, e pode deixar que quando você quiser você pode ver sua filha, eu só fico triste porque você não confiou em mim, mas tudo bem, seja feliz. Adeus. - levanto sem ouvir uma palavra dele, só com a mesma cara na qual ele chegou e fui embora.

[…]

— Senhorita (seu nome) - estava segurando a mão da minha pequena quando o médico dela chega no quarto - eu vim dizer que o pagamento já foi feito - ele diz e me levanto

— Pagamento? Eu não paguei nada - digo

— Se você não pagou, alguém pagou - ele diz pegando o papel

— Quem foi? - escuto a porta se abrir

— Foi eu - vejo Liam na porta e sorrio

— Eu não sei como … - ele me interrompe

— me agradecer? Qual é, ela é minha filha, eu não deixaria ela na mão, eu posso vê-la? - assenti e ele chegou perto e pegou sua mãozinha acariciando a mesma.

— (seu nome) eu só quero te pedir desculpas, eu não queria ter te abandonado

— Tudo bem, o importante é que você está aqui - sorrio - obrigada - ele sorri

— Olha - ele tira um envelope de uma pasta - eu não quero divórcio, eu só quero você de volta, com a nossa Lily- ele rasga o mesmo - eu não espero que me perdoe, mas se for pra te reconquistar eu vou - sorrio e ele me abraça e logo ele me puxa para um beijo

— Eu te amo e nunca vou deixar de amar - ele diz — eu também te amo - digo

E ficamos ali, nos três juntos, e não importa o que aconteceu no passado, só quero pensar no futuro e acreditar que ele mudou.


  • VOCÊS DEVEM ESTAR COM MUITAS PERGUNTAS, MAS SE QUISEREM EU FAÇO UMA PARTE DOIS EXPLICANDO TUDO. SÓ DEPENDE DE VOCÊS!
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Carta para Harry Styles - Imagine

Oi meu anjinho, esse imagine é inspirado em uma carta que eu postei aqui no blog, se você ainda não viu, pode conferir aqui. Beijinhos.


HARRY P.O.V

Assim que passei pela portaria do prédio o senhor de aparentemente 58 anos me chamou logo entregando um envelope, eu fiquei curioso, mas resolvi abrir apenas em casa. 

Peguei o elevador tocando no número 9 vendo-o ficar com um contorno vermelho. - sorri. - Entrei em casa rapidamente e me sentei no sofá desdobrando o papel. Essa é a letra dela, a letra de S/N, ok, não é a letra mais bonita que já vi, mas é a letra da única pessoa que amei de verdade. Li todas as palavras que ela havia escrito, apesar de parecer um enigma eu gostei, foi bom saber que ela se lembra de mim, se lembra de nós.

Em um flash rápido me lembrei do caminho para sua casa, bom, eu preciso vê-la e vai ser agora. Eu poderia escrever uma carta e continuarmos como no quinto ano, mas já somos bem grandinhos para isso. 

[…]

Toquei a campainha da grande casa branca e vi uma pessoa uma pessoa vestida de branco na minha frente, na tentativa de fazer um coque, desajeitada como sempre, mas eu não sei o porquê esse jeitinho dela me encanta. 

- Harry? Oi! - Ela disse empolgada.

Peguei o papel que estava no meu bolso, esse era meu rascunho. - Oi, é bom ter você por aqui, quanto tempo, não é mesmo? Eu estou bem, espero que o mesmo esteja acontecendo com você. Como de costume você acertou. Eu estou fazendo arquitetura. Obrigada por lembrar de Nós. Eu sempre faço isso e fico pensando como você está e o que é de nós agora que crescemos. Eu não tenho tempo para escrever sobre nós. Mas eu converso com várias pessoas sobre você, sempre me disseram que você estava ótima e que cursava medicina, o que dificultava suas saídas aos fins de semana, mas eu te entendo. O curso é bem legal, é difícil, mas muito legal. Eu conheci uma garota, o nome dela é Lindsay, sim vocês se parecem, mas ela já se foi, talvez porque eu nunca tenha te esquecido, talvez, mas porquê isso importaria, não é? Eu realmente não sou bom em ficar sozinho, mas foram tantas as chandes de tentar te esquecer que eu já nem sei. Fico feliz por que você conheceu alguém, isso deve ter sido bom. Mas eu sei que não me esqueceu, porque você ainda escreve sobre nós e mesmo negando eu sei que você se lembra, me diz que não se lembra do nosso primeiro beijo? Me diz se não se lembra de tudo que passamos, me diz! Eu segui seu conselho sobre o cabelo, achei que ficaria bom, mas posso estar errado, eu concordo. Eu não sei o que você acha, mas ao invés de te mostrar meus raps poderíamos apenas sair para comer tacos de carne como nos velhos tempos e rir de algo que acharmos na internet, ou de nossos exs, como de costume. Mas eu não conheci ninguém, e você, quem é o cara da vez? - Não disse nada, apenas se jogou em meus braços.

Eu passei minhas mãos por volta de seu corpo e apertei mais contra o meu, ela usava o mesmo perfume, seu cabelo estava mais curto, ela estava mais mulher, mas ainda continua a mesma menina por dentro, talvez nós nunca tivéssemos crescido, apenas nunca admitimos isso. 

- O taco bell fecha as duas na manhã, temos muito tempo para conversar e rir de nossos exs. - Ela disse saindo de meu abraço e me encarando.

- Temos tempo mesmo. 

- Bonita carta Styles. 

- Apenas pare de falar. 

Tomei seus lábios para mim em um beijo agitado, minhas mãos na sua cintura e suas em meu rosto, movimentos lentos, porém profundos. Ainda somos nós mesmos.

- Harry, estamos no meio da rua e eu estou com fome. Já pro taco bell. - Ela separou nosso beijo e eu bateu na minha bunda indo atrás de mim. 

- Você é uma boba. 

- E você me ama. 

- Sim, muito. 

O caminho foi bem agitado, ela me contava sobre a faculdade e me fazia perguntar sobre a minha, ela continuava a mesma de sempre, eu percebi que ela havia crescido, mas eu sabia que no fundo ela ainda era a mesma garota do baile de primavera, a mesma doce garota. 

Assim que chegamos nós entramos e sentamos na mesma mesa da última vez, a mesa número 27, sentei a sua frente no estofado verde e ela ria de algo que eu falei, eu só não me lembro o que. Fizemos nosso pedido e continuamos conversando sobre a vida, sobre tudo e até rimos de nossos exs. 

- O que acha de tentarmos mais uma vez dessa vez como adultos, como um casal de verdade?

- Eu acho que nós estamos perdendo tempo. Ou melhor, você está perdendo tempo me perguntando isso. Harry Edward Styles eu te amo e eu nunca vou negar isso, por favor pare de bobeira. 

- Eu também te amo babe. Amo muito. - Coloquei minha mão sobre a sua e ela sorriu. 

Os dezoito anos

Os meus aniversários sempre foram comemorados de maneira tradicional: chamavam a família inteira, alguns amigos da escola e mais aquelas pessoas que convidávamos por educação mesmo torcendo para que elas tivessem outro compromisso e não fossem à festa. Isso prevaleceu até o ano passado, mas quando eu fiz dezoito anos, foi diferente.

Eu sabia que nada havia sido planejado para mim. Sinceramente, esperava ao menos ganhar um carro. Vasculhei no quarto dos meus pais alguns papéis que pudessem me deixar com expectativas, porém não obtive sucesso e cheguei a conclusão de que papai tinha dívidas a pagar. A tristeza me atingiu e ao lado dela veio um quê de compreensão.

Durante todo o dia, tive a impressão de que meus pais estavam me evitando. Além disso, eles cochichavam e trocavam olhares que eu já desisti há muito tempo de decifrar. Incomodada com a situação, isolei-me novamente no meu quarto. Estava começando a refletir sobre o meu comportamento quando a minha mãe apareceu segurando um envelope.

- Filha, eu tenho que lhe entregar uma carta. Eu deveria ter lhe explicado o motivo dela há mais tempo, mas nunca tive coragem. Seu pai me culpa até hoje como se a responsabilidade fosse apenas minha.

Quando notei o vermelho em torno dos seus olhos e o estremecer presente em suas mãos, senti-me obrigada a ler a folha de papel dentro do envelope.

“Filha querida,

Não há palavras adequadas para que eu possa lhe pedir perdão da forma como eu deveria. Quando errei, era jovem, porém, sabia que nenhuma criança merecia pagar pelo meu erro.

Eu engravidei com dezesseis anos e seu pai era só um pouco mais velho que isso. O meu corpo não tinha estruturas para abrigar um bebê e eu estava psicologicamente afetada por causa da pressão que vinha da minha família e da falta de apoio do seu pai. Então, eu só podia salvar uma vida: a minha ou a sua.

Algumas horas antes do parto começar, eu conversei com o médico; disse a ele que sabia que apenas uma de nós sobreviveria e eu queria trocar minha vida pela sua. Ele hesitou, surpreso com a minha determinação e depois de um tempo, deixou-me assinar alguns documentos.

Assim que ele me garantiu que você logo estaria com uma família incrível, fiz outros dois pedidos: teriam que me deixar escolher o seu nome; e você irá receber esta carta quando fizer dezoito anos, porque eu iria querer estar ao seu lado nessa data tão especial.

Parabéns, minha filha! Quero que saiba o quanto te amo desde já. O orgulho que eu sinto por você ter simplesmente existido na minha vida é indiscutível. Desejo-te uma longa vida repleta de felicidade! Eu te amo porque você faz parte de mim, assim como eu faço parte de você. Por isso, minha filha, não deixe de acreditar: eu estarei sempre ao seu lado.

Com amor,

Mamãe.’‘ 

— Maria Carolina Assi Alencar

Capítulo 109

“Que porra você tem na cabeça?” Gritei em um bom e coloquial português, porém me arrependi de gritar assim que vi ela estremecer, provavelmente com meu grito fiz aumentar o seu medo “Aonde você está? O que significa isso? Quem é essa menina?” Perguntei tudo ao mesmo tempo e atropelando as palavras.

“Fale em inglês” Ele pediu calmamente.

“Vai se fuder” Gritei, novamente a menina tremeu. ’Porra’, pensei.

Como podia ele está tão calmo? Aquele homem tem o que na cabeça? Como ele deixa uma menina assim, sozinha? E quem é essa menina que não tem mais do que seis anos de idade?

Não adiantava eu gritar, isso só ia fazer a menina se assustar mais e mais, não importava o que tudo aquilo significasse, pois ela era apenas uma criança já assustada demais e não necessitava que eu piorasse seu medo. Fechei os olhos com força e respirei fundo, tentei me acalmar, foi em vão, eu ainda estava nervosa e irritada, porém tinha conseguido controlar minhas emoções e por agora bastava.

“Aonde você está, Adrien?” Perguntei no meu péssimo inglês, mas ele sempre me entendia.

“Isso não importa, já estou longe”

“Como longe? A menina está aqui, cadê você?”

“Ela está ai desde cedo, mas só te liguei agora quando eu estava longe demais para não mais ser achado” Olhei para a menina e seus grandes olhos azuis escuros de medo, o cabelo loiríssimo caia sobre os ombros dela e tapava quase que seu rosto por completo. Desde cedo? Como podia?

Você deixou essa menina aqui a horas atrás? Você é louco? Que pergunta idiota, você é louco, claro que é. Essa menina não tem mais de seis anos e você a deixou aqui sozinha por horas”

“Cinco anos” Ele me corrigiu de forma natural, como se eu tivesse errado o dia do mês que estávamos “Seu nome é Elizabeth, mas todos a chamamos de Eliza, eu preciso que você fique com ela…”

“Como?” O cortei em um grito, mais uma vez eu tinha gritado e novamente me condenei por isso,  pois de novo eu tinha feito menina trepidar de medo “Eu não posso ficar com ela” Afirmei o obvio “Como assim você manda eu ficar com ela?  Aonde estão os pais dela?”

“A mãe dela morreu a alguns dias”

“E o pai?” Perguntei ingenuamente.

“Sou eu” Fiquei muda, como assim ele era o pai? Clara me disse apenas de um outro filho homem, nunca uma menina.

“Eu não posso acreditar nisso” Falei mais pensando alto do que qualquer coisa.

“Não estou mentindo, os documentos dela estão na mochila junto com algumas roupas, eu preciso que você fique com ela e a proteja, eu sei que você tem segurança e dinheiro agora, então tem como proteger ela, eu confio em você, cuide dela igual cuida do Max e da Clara, já mataram a mãe dela, não deixe que matem eles” O ar travou em meus pulmões, como assim já mataram a mãe dela? Quem matou a mãe dela?

“Adrien, ou você me conta tudo agora ou eu …” Eu me calei, o que eu podia fazer? Deixaria a criança, lá? Jamais. Entregar Adrien? Como se nem ao menos sei aonde ele está ou quem ele realmente é.

Eduardo não parecia estar me ajudando em nada para descobrir a real identidade de Adrien e eu tinha deixado tudo sob sua responsabilidade, entretanto as palavras ’os documentos dela estão na mochila’ soaram em meu ouvido, eu não pude evitar em correr até a menina, ela ao me notar correndo em sua direção, logo se levantou daquele banco aonde estava sentada e correu fugindo de mim, ficou encostada na quina da parede, acoada. Eu a ignorei, apenas peguei a mochila que estava escorada no banco e a abri, depois eu lidaria com a criança, no momento eu precisava descobri mais sobre Adrien e o documento que tinha ali. Ouvi Adrien falando algo, mas não parei para dar atenção a ele, simplesmente abri a mochila e peguei o envelope.

Eu estava incrédula sobre o conteúdo daqueles documentos.

“Essas certidões são falsas” Falei, eu não podia acreditar que Adrien tinha colocado na mochila da menina uma certidão de nascimento aonde constava seu nome falso como pai e, pior, meu nome como mãe.

“Não são falsas, elas são verdadeiras e legais. Vão te ajudar a cuidar dela, assim você vai pode agir como quiser, com esses documentos você é a responsável legal por ela  agora” Eu tive um impulso de ri, pois aquilo só podia ser uma piada.

“Como conseguiu isso? Quem matou a mãe dela?”

“Eu tenho que desligar agora, cuide de Eliza, eu confio em você. Na verdade, eu só confio em você. Cuide dela”

“Não desliga essa merda” Gritei

“Eu tenho que desligar, Eliza já está a três anos no Brasil, é mais tempo do que ela esteve na America do Norte, ou seja, ela tem um bom português, cuide dela e não diga para Clara a verdade”

“Adrien” Gritei, era por puro desespero que eu gritava, pois meus gritos não faziam diferença alguma no comportamento dele, ele se mantinha calmo e inalterável.

Meu grito foi em vão e ele encerrou a chamada.

“Merda. Merda. Merda” Falei baixo, quase em um sussurro, tentei ligar para ele, mas a ligação deu fora de área ou telefone desligado. Era inútil insisti, ele não iria me atender, eu teria de lidar sozinha com a criança. Apenas guardei os documentos na mochila novamente .Até então eu estava agachada ao chão, fiquei novamente erguida e dirigi minha atenção a menina, não me mexi, apenas a olhei.

Ela agora estava sentada com seus joelhos dobrados frente ao seu peito, sua cabeça estava abaixada, encostada e escondida em seus joelhos e eu podia ouvir seu choro baixo.

Adrien mais uma vez tinha conseguido causa o caos em minha vida, afinal como eu iria surgi com essa criança e explicar a todos de onde ela veio? Como explicar a Clara, minha vó e minha mãe que agora eu tinha uma menina sobre minha responsabilidade, o que eu ia dizer a todos eles?

Aquela foi uma dúvida passageira em minha cabeça, pois naquele instante um problema maior se fez presente. Assim que andei até Eliza, me agachei frente a ela ficando a sua altura, tentei passar minha mão em seus cabelos, mas no segundo que toquei nela, a menina se levantou correndo e fugiu pela porta do estabulo que eu tinha deixado aberta.

Por breves segundos fiquei sem reação, ela tinha agido tão rápido ao fugir de mim que tinha me pego de surpresa, ao certo ela achou que eu iria lhe fazer algum mal. 

Só então, quando vi Eliza fugi é que percebi que além de lidar com as explicações sobre de onde ela surgiu eu teria de lidar principalmente com ela. Uma menina de cinco anos que estava com medo de pessoas, porém eu não tive tempo para pensar em como lidar ou deixar de lidar com ela, apenas me levantei correndo e fui atrás da pequena criança, o escuro e a chuva não me fez enxergar nada.

“Eliza” Gritei em vão “Eu não vou machucar você, não tenha medo” Falei, mas não deu resultado, ela não voltou até mim.

Eu não fazia ideia para qual lado ela tinha corrido e nem como eu a abordaria quando a encontrasse, no momento, tudo estava tão doido que eu nem mais sabia se aquilo tudo era sonho ou apenas um terrível pesadelo.

As vezes era como se a cada dia minha vida girasse de cabeça para baixo e meu mundo perdesse totalmente o sentido.

Capítulo 47

“Como foi tudo?” Ela me perguntou assim que entrei no carro.

“Foi difícil, mas acho que podia ter sido pior. No inicio ela se esforçou para ser agradável, só mesmo no final é que ela surtou, mas eu penso que conseguimos manter boa parte da conversa de forma amistosa”

“Amistosa? Agradável? Isso foi uma conversa de mãe e filha ou reunião de negócios?” Vanessa perguntou meio brincando meio séria.

“Aonde você ficou? Não foi perigoso, né?” Minha mãe morava em um bairro tranquilo, mas ainda assim era São Paulo, uma cidade grande, aonde uma mulher em um carro parada na rua era perigoso.

“Não, eu achei um restaurante bem perto e fui jantar e aproveitei e fiquei lá até você ligar”

“Obrigada” Agradeci Vanessa, era incrível, desde o dia que a conheci ela nunca tinha me abandonado, estava sempre pronta para mim.

“Não tem que me agradecer, eu faria quantas vezes for preciso”

Trocamos um sorriso cumprisse e inevitavelmente apaixonado,  contei a Vanessa sobre toda a conversa, não omiti nada nem mesmo a dedução que minha mãe fez sobre eu estar com uma mulher, chegamos em Pirituba e convidei Vanessa para dormir comigo, eu estava fragilizada ainda pela conversa, Vanessa fez charminho, mas acabou aceitando dormir comigo, Max já estava dormindo profundamente quando chegamos, Vanessa que o tirou da cadeirinha e subiu com ele no colo, ela disse que não era para darmos banho nele, apenas tirou seus sapatos e o colocou em sua cama.

Nossa noite foi mais uma vez regada a luxuria, nós não tínhamos limites, sempre queríamos mais e acabamos de novo indo dormir bem tarde, acordei com Max chorando, dessa vez Vanessa continuou dormindo, aproveitei então e corri para atende-lo antes que ele conseguisse acordar a ela também. Dei banho em Max e lhe dei o café da manhã, em seguida o deixei brincando e fui tomar meu próprio banho.

Quando Vanessa se levantou eu estava na sala brincando com Max de montar lego, ela como sempre acordava com o rosto mais sonolento e lindo de todos, seu cabelo bagunçado dava o ar misto de sexy e infantil, Max correu até ela e se jogou em seus braços.

“Você devia ter me acordado, eu ainda tenho que passar em casa e estou super atrasada para o trabalho” Sua atitude foi ao contrário de sua fala, ela se dizia atrasada, porém ao invés de correr para ir embora se sentou no sofá com Max em seu colo.

“Você precisava de umas horas de sono a mais” Me levantei do chão e juntei a eles no sofá.

“Clara, eu descobri uma escola perto da ONG, por que não vamos lá ver ela? Ele estaria perto de mim o suficiente para eu poder levar ele a tarde e ele passar a manhã comigo na ONG” Vanessa disse do nada, eu ainda não estava certa se o melhor seria ele ficar com ela de manhã e ir a escola só a tarde, isso iria atrapalha-la demais,  era desnecessário.

“Van, por que não deixa-lo em tempo integral e quando a gente tiver tempo, não levamos ele de manhã só a tarde, porém em dias atarefados deixamos ele direto”

“Clara, escola não é deposito para o deixar direto, ele precisa conviver com a família e entender que a escola é só para estudo e não uma espécie de casa, se ele ficar direto na escola quem vai acabar criando ele são as professoras de lá e não a gente” Vanessa não tinha notado, mas ela tinha se decretado como parte da família de Max, sorri para ela e lhe deu um selinho “Eu não sei o que fiz para merecer isso, mas eu fico feliz por ter feito”

“Van, eu quero voltar a faculdade, e retomar minha carreira de Dj, preciso de tempo para estudar e você tem a ONG que precisa de tempo, como você vai trabalhar se terá que cuidar dele ou como eu vou estudar se terei de cuidar dele?”

“Eu não sei, Clara, podemos pensar nisso com calma, montar um esquema de horários e divisão, mas horário integral é judiação”

Vanessa era irredutível quanto a isso, o estranho é que sempre criei meu filho da minha maneira, nem mesmo Adrien eu deixava opinar, eu dizia ‘eu sou a mãe, sei o que é melhor para ele’, e pronto, fazia como eu queria, porém com Vanessa eu levava muito em conta sua opinião e vontades, jamais eu lhe diria algo do tipo ’a mãe sou eu e blablabla’ , por isso se Vanessa ficasse contra a ideia do colégio em tempo integral eu sabia que acabaria não o colocando. Eu teria que mudar sua ideia, mas com certeza não seria agora.

“Tudo bem, depois a gente vê isso e podemos ir nessa escola perto da ONG” A verdade é que a escola perto da ONG seria perfeita, sempre Vanessa estava por lá e eu quase sempre também estava, qualquer coisa que acontecesse com Max, estaríamos perto para socorrer.

Vanessa foi para sua casa sem tomar café, ela realmente estava bem atrasada, eu fiquei com Max e lhe prometi ir mais tarde na ONG, até porque eu tinha minha função lá com o Bazar, já era quase meio dia quando comecei a tentar arrumar um pouco meu apartamento, peguei minha bolsa que estava jogada na sala e a levei até o quarto, dentro dela o envelope se fez visivel, eu tinha esquecido completamente dele.

O peguei e o analisei antes de abrir, nada tinha escrito, abri o envelope e vi que dentro tinham um monte de fotos, estranhei. Com curiosidade peguei as fotos e senti minha respiração acelerar e minhas mãos tremerem, eram muitas fotos, inúmeras, fui passando uma por uma, parecia nunca ter fim.

As fotos eram todas de Vanessa, fotos tiradas por alguém à paisana, fotos de Vanessa indo para a ONG, academia, mercado, fotos dela com Max, comigo, com seus cães, com alguns amigos, sequencias de fotos dela com a mesma roupa e com roupas diferentes.

Agora não era só mais minhas mãos que estavam tremulas, meu corpo todo tremia. Adrien estava perseguindo Vanessa, eu pensava que ele não sabia nem quem ela era, porém ele não só sabia, como estava atrás dela em todo canto.

30.03.2016 // Today I bought some stationery. Little envelopes that I put on my budget page for april (so I can put my receipts through the month). I also got new stickers, the biggest one I put on my cover. I’m on vacations, so today i’m going to do my outline for NaNo Camp and watch some movies. :)

Ps - the tip about the envelope I got here: https://www.youtube.com/watch?v=QUQpKbepq_8

Hoje eu comprei algumas coisas na papelaria. Pequenos envelopes que eu coloquei na minha página de orçamento para abril (e aí posso colocar os recibos durante o mês). Estou de férias, então hoje só vou fazer meu esboço para o NaNo Camp e assistir alguns filmes. :)

Capitulo 40 - FINK (Feelings I Never Know)

Chris’s POV

Apenas um telefonema de Celo bastou para eu compreender a situação em que estava. Eu tinha que pagar tudo em menos de três meses, e eu só tinha esse tempo porque a ideia de Clara deu certo e as crianças conseguiram um bom dinheiro, convencendo Celo a me dar mais tempo.

Por falar em Clara, eu ainda não tive tempo para organizar meus pensamentos. A ideia de Clara, tão pura e ingênua se envolvendo com a minha irmã parece tão grotesca que me convenço a acreditar que é mentira.

Quando soube fiquei desolado, busquei consolo nas drogas e nas crianças, minha Clara tinha se apaixonado pela minha irmã, a vadia da Vanessa sempre consegue a garota. Mas com o passar dos dias, tudo fez sentido, o medo de Clara de ficar perto de mim, as mensagens de Vanessa que sempre tomavam sua atenção, o convite recusado para o baile, as faltas na faculdade, tudo estava ligado e eu fui um grande idiota por não desconfiar.

Tudo que eu queria agora era dar um tiro em Vanessa, mas eu não podia, porque se tinha alguém que estava impedindo Celo de tentar algo contra minha pequena, era ela. Ele sabia que Clara era importante pra ela, tão quanto como pra mim, por isso não tinha feito nada.

Ainda.

Eu tenho que tirar essa história a limpo, e manter Clara em casa, segura e em companhia de alguém, ela não pode ficar sozinha em hipótese alguma, eu não iria deixar nada acontecer com ela, nem que eu tivesse que morrer por ela.

Estacionei minha moto em frente ao hotel e coloquei o capuz sobre a cabeça na tentativa de não chamar atenção de nenhum funcionário que me conheça. Passei a mão pelo rosto ao passar pela porta giratória e de cabeça baixa me dirigi até o elevador

– Com licença senhor, o que deseja? - uma mão em meu ombro impediu que eu entrasse no elevador e eu me xinguei mil vezes por ser tão burro ao ponto de achar que ninguém iria desconfiar de um garoto de capuz no saguão de um hotel cinco estrelas.

– Sou eu, Chris - tirei o capuz e Jack me fitou surpreso

– Desculpe senhor Mesquita, mas o senhor também não tem autorização para entrar aqui - fitei-o curioso, ótimo, meu pai me proibiu de entrar em seu próprio hotel, isso que é família unida

– Eu só preciso de meia hora com a Clara, por favor, pode me monitorar pelas câmeras, eu vou pro oitavo e desço em no máximo meia hora

– Eu não sei, eu não sou autorizado - ele disse receoso passando a mão pelo rosto

– Por favor, sou eu, Chris, não vou fazer nada demais eu juro, só preciso falar com ela

– Eu..

– Meia hora - eu o interrompi – Se você marcar meia hora e eu não tiver descido, você pode avisar pro meu pai que eu subi sem sua autorização

– Tudo bem - ele finalmente cedeu e eu sorri grato – Meia hora, contando de a partir de agora - ele soltou meu ombro e eu entrei no elevador que rapidamente me levou para o oitavo andar

Sacudi a cabeça antes de bater na porta do quarto e ajeitei o casaco, tentando parecer mais apresentável. Em menos de dois minutos a porta foi aberta e Clara arregalou os olhos numa cara surpresa

– O que você está fazendo aqui? - perguntou um tanto quanto assustada

– Tenho que conversar com você - entrei no quarto sem ao menos pedir permissão e ela se sentou na bancada me olhando receosa – Porque não me contou que está com a minha irmã? - ela soltou um longo suspiro antes de responder

– Como você ficou sabendo disso? - ela perguntou como se estivesse cansada do assunto

– Eu só fiquei sabendo, mas isso não importa, porque não me contou? - perguntei impaciente dando voltas pela sala do quarto de hotel

– Decidimos não contar pra ninguém e isso não importa mais porque não estamos mais juntas

– Como assim não estão mais juntas?

– Eu contei pra ela sobre a ONG, sobre as vezes que passei a tarde lá, contigo, e ela não gostou, eu menti pra ela e isso quebrou a confiança que ela tinha em mim - percebi que ela falava tudo com muita relutância como se a cada palavra ela engolisse um quilo de terra – Ela terminou comigo já faz duas semanas

– Eu não sabia de nada

– Sinal que estávamos fazendo direito - ela disse seca e eu sorri fraco

– Eu não queria isso pra você - disse me aproximando acariciando seu rosto, ela fechou os olhos e respirou fundo mas logo se afastou

– Mas eu quis, e faria tudo novamente, menos decepcioná-la

– Tá dizendo que se arrepende de ter ido comigo pra ONG? De ter feito tudo o que fez?

– Pra quem sabe ler, um pingo é uma letra

– O que você tá fazendo aqui? - Wesley entrou de braços cruzados e o cenho franzido

– Eu só vim conversar, relaxa

– Relaxa é o caralho, vai embora - ele esbravejou ficando completamente vermelho e eu abaixei a cabeça vendo Clara sorrir grata pela presença dele

Então é assim? Tudo bem, eu vou embora.

– Wesley, sei que não quer me ouvir, mas não deixa ela sozinha, não deixa ela sair sozinha

– E você acha que eu tô aqui pra que? agora vaza - ele disse escancarando a porta para que eu passasse

Bufei e segui pelo corredor até a porta do elevador, em menos de cinco minutos eu estava no saguão sob o olhar acolhedor de Jack que deve ter visto Wesley chegando por uma das câmeras

– Sinto muito pela sua garota - franzi o cenho confuso, do que ele estava falando? – Faz um tempo que esse Stromberg fica por aí, eles estão passando a maior parte do tempo juntos - ele fez gestos com a mão e eu sorri fraco, ele achava que eu havia perdido Clara pro Wesley

– É, eu também sinto, deixa pra lá - ele me lançou um olhar cúmplice e eu fui andando até a portaria do hotel

Respirei fundo o ar pesado da maresia e me senti aliviado por saber que sozinha ela não estava e que tinha companhia o tempo todo.

Segui andando até minha moto quando vejo um vulto rápido e sinto a gola de minha camisa ser apertada e o forte impacto de minhas costas com a parede, mas o sol me impedia de ver o rosto da pessoa. Grunhi de dor.

– Porque estão seguindo a Clara? -a voz rouca de minha irmã me atingiu em cheio

– Quem está seguindo a Clara? Do que você está falando? - ela puxou mais a gola da minha camisa forçando-me a encarar a praia

– Aqueles caras ali - ela disse baixo se referindo a alguns garotos sentados em bancos de areia, eles estavam de tocaia, olhando o hotel toda hora – Quando ela sai, eles também saem, e quando ela fica, eles não arredam o pé dali

– Eu não sei do que você está falando, para de ser paranoica - disse nervoso e ela riu sarcástica

– Eu não sei quem você está devendo mas ela não tem nada a ver com isso, você dá seu jeito de tirar esses otários da cola dela, porque se alguma coisa acontecer com ela, eu não respondo por mim - ela me apertou mais contra a parede fazendo com que minhas costas se chocassem com força fora do normal no muro de concreto.

Desde quando ela era forte assim? Será que ficar com garotas deixou ela com força de homem?

– Porque está tão preocupada se você terminou com ela? - disse com dificuldade e ela me largou bruscamente

-Do que você está falando? - ela falou entre dentes e estreitou os olhos

– Eu sei de tudo, e sei que você terminou com ela e agora ela está lá em cima chorando as pitangas desde que você fez isso

– Você não tem direito de opinar sobre isso - ela me encarou fria e disse secamente

– Você a magoou e agora quer opinar na segurança dela? - disse num só fôlego e ela me empurrou contra a parede novamente fazendo-me soltar um grunhido de dor, o que a fez sorrir fraco

– Eu sou Vanessa Mesquita e eu opino no que eu quiser, quando eu quiser e vou falar só mais uma vez, some com esses caras de perto dela antes que eu mande sumir com você - ela disse franzindo o cenho e saiu andando sem olhar pra trás

************************

(Pov Clara)

Entrei em minha sala e todos os olhares se voltaram para mim e o Sr. Pats meu velho professor de estatísticas arregalou os grandes olhos castanhos ao me ver.

Merda.

– Senhorita Aguilar, cheguei a pensar que tinha saído da faculdade

– Eu precisei me ausentar por alguns problemas pessoais - ele olhou para a classe e acenou com a cabeça para que eu me retirasse da sala, vindo atrás de mim logo em seguida e eu não estava entendendo porra nenhuma

– Clara, você perdeu alguns exames essa semana e ficou em pendência em uma matéria, na minha matéria, e eu sinto muito mas não poderá voltar para a turma enquanto não recuperar os pontos

– O quê? - eu o fitei incrédula – Como assim?

– Você precisa de sete pontos em uma semana

– E como eu faço isso? Professor, eu não posso perder essa matrícula, eu teria que voltar para o México - ele coçou a barba grisalha e me olhou com certa relutância

– Isso não é certo, mas como você é uma aluna esforçada, tudo bem - disse passando as mãos pelo jaleco e tirando um envelope – Aqui está uma lista de exercícios e no final uma proposta de relatório, tudo junto vale exatamente sete pontos, você tem dois dias para me entregar os exercícios e uma semana para fazer o relatório

– E como eu vou fazer isso se eu não entendo a matéria? - ele olhou para os lados receoso verificando se alguém passava pelo corredor

– O pessoal que está no sexto período em relações internacionais tem aulas de estatísticas também, as estatísticas deles são muito mais profundas do que a de psicologia, então isso aqui pra eles é fichinha, eu vou te dar autorização para mudar de prédio por uma semana e arrumar um tutor em uma turma de sexto período, daqui a uma semana quero isso na minha mão, se você não tiver gabaritado, sinto muito - ele me entregou o envelope e eu assenti entendendo a mensagem, ele estava me deixando trapacear, não era permitido mudar de prédio sem mudar de curso, mas ele queria me ajudar. Abri um sorriso grato e ele assentiu antes de entrar na sala.

Praticamente voei em direção ao prédio ao lado, em passos largos eu atravessei a distância em no máximo três minutos. Parei na portaria com uma grande cara de songa monga fitando o prédio. Eu ia bater de sala em sala perguntando em que período aquela turma estava? Soltei um alto grunhido de frustração e mordi os lábios com força tentando pensar em alguma coisa.

Foi então que uma luz brilhou na minha cabeça, obrigada meu Jesus maravilhoso.

Lembrei de uma vez na ONG, onde Chris me mostrou suas apostilas da faculdade, sexto período, e se ele era da mesma classe que Vanessa, ela também era.

Isso está me saindo melhor do que eu pensava.

*************************

(Pov Vanessa)

Sempre fui a pessoa menos estudiosa da face da terra mas desde que terminei com Clara eu precisava de algo para encher minha mente e como eu não quis saber de festas ou outras garotas, só me sobrou os livros.

A Srta Mendes saiu de sala deixando-nos com uma grande lista de exercícios que eu terminei em menos de dez minutos, era incrível como toda a matéria passou a fazer sentido pra mim.

Abaixei a cabeça e escondi o rosto em meus braços, era um saco sentar sozinha. Agora Normani sentava com o Arin CDF, acho que ele tinha mais paciência pra explicar do que eu.

Rapidamente fiquei imersa em pensamentos, principalmente no estranho ocorrido de hoje de manhã, recebi uma estranha mensagem do meu querido irmão que dizia precisamente para eu ficar o mais próximo de Clara que eu conseguisse, para o bem dela. Óbvio que isso me fez rir até meus olhos lacrimejarem, mas depois de um tempo eu fiquei com isso preso na mente, porque ele mandou isso pra mim se ele já sabia de tudo?

Ouvi um barulho e senti um leve empurrão como se alguém tivesse se sentado na cadeira vazia ao meu lado. Ótimo, algum infeliz veio me pedir as respostas do trabalho. Levantei meu rosto com relutância, e quem me dera que fosse alguém me pedindo resposta, fosse Clara.

– Que diabos você está fazendo aqui, garota? - perguntei seca e ela abriu um pequeno sorriso tímido. Que saudades daquele sorriso.

– Mudança de prédio por uma semana - ela arrastou um envelope até a minha mesa onde havia um recado de seu professor de estatísticas no verso, e com um prendedor de papel, um pequeno papel que autorizava a mudança de prédio temporária

– Tecnicamente você não respondeu a minha pergunta

– Repeti em estatísticas mas meu professor me deu uma chance e disse que eu tenho uma semana para devolver isso aqui completamente feito - ela retirou uma grossa apostila do envelope e eu a folheei, mais de cinquenta exercícios discursivos – No total, tudo vale sete pontos que são a quantidade exata de pontos que eu fiquei em pendência, ele me mandou conseguir um tutor - ela falava devagar pois prestava atenção na minha folha de exercícios sobre a mesa

– Boa sorte para conseguir um - debrucei sobre a mesa com intuito de levantar mas ela prendeu meu braço fazendo-me sentar novamente

– Já encontrei - ela abriu outro largo sorriso e eu estava me perguntando porque ela estava sendo tão doce e educada se eu estava sendo um poço de ignorância, não só com ela, mas com todo mundo

– Tá me pedindo ajuda na matéria? - ela assentiu com um olhar manhoso, eu conhecia bem aquela cara – Desculpa cara, mas eu não consigo nem ajudar a Mani que estuda essa matéria comigo, imagina você que tem estatísticas diferentes

– Vanessa - ela me lançou um olhar pidão e eu fechei os olhos xingando mentalmente, estava prestes a dizer não e sair da minha mesa mas lembrei da porra da mensagem de Chris, aquilo não fazia sentido mas eu não ia abusar da sorte.

Bufei e passei as mãos pelo rosto por um longo tempo antes de soltar um alto suspiro

– Tá - disse simplesmente e ela soltou um grunhido de empolgação

Abri a grossa apostila enquanto mordia um lápis lendo atentamente a primeira questão

– Clara, você tentou fazer isso antes de me pedir ajuda? - ela negou com a cabeça e eu revirei os olhos, claro que ela não tinha tentado - Leia a primeira pergunta - ela assentiu e leu – Agora me diga onze aplicações das estatísticas, lembrando que existem milhares, ele só quer onze

– Experimentação zootécnica, medicina, eleições, indústrias, pesquisas, experimentação agrícola - ela mordeu os lábios indicando que não lembrava as outras e eu ri fraco

– Mercado de valores, crédito, telecomunicações, meteorologia e IBGE - disse rápido e ela assentiu

– Eu ia dizer todas essas também

– Claro que ia - ela passou a resposta a limpo e voltamos para a segunda questão

O sinal bateu indicando o intervalo e já estávamos na quarta página de exercícios. Clara não compreendia uma linha sequer da matéria, então eu tinha que explicá-la para depois auxiliá-la com uma resposta coerente

– Se importa de passar o intervalo aqui? - ela perguntou com medo da minha resposta

– Acho melhor irmos lá pra casa, você não vai pra aula mesmo e eu não tenho nada demais, lá é mais tranquilo pra te explicar - disse e ela abriu um largo sorriso assentindo

******************

(Pov Clara)

Foi o momento mais tenso de toda a minha vida. O elevador do prédio de Vanessa não se move, se arrasta feito uma lesma e ela mora no vigésimo terceiro andar, ficamos todo esse tempo olhando pro chão ou uma para a cara da outra sem dizer uma única palavra. Isso estava me irritando profundamente.

– Uh - ela pigarreou antes de abrir a porta – Não repara a bagunça, eu ando estudando demais, meio sem tempo - ela disse abrindo a porta e minha boca se abriu em um perfeito “o” quando reparei no estado do apartamento.

Vanessa era uma das pessoas mais organizadas da face da Terra, arrumava suas roupas por cor e seu apartamento era um declínio da perfeição, tudo na mais perfeita ordem mas agora ele estava de pernas para o ar. Boi rolava no sofá no meio do edredom de Vanessa, o que indica que ela está dormindo por ali, vários filmes infantis jogados no chão como Monstros S.A, Toy Story, Valente, Wall-E, alguns cadernos pelo chão e dezenas de livros na bancada da cozinha.

– O que aconteceu aqui? - perguntei incrédula e ela soltou uma risada fraca

– Estudos e mais estudos - entrei passo por passo no apartamento e caminhei até o sofá fazendo carinho na barriga do Boi

– Eu não sabia que você estudava Monstros S.A. - disse debochada enquanto ela carregava alguns livros para a estante no fundo do apartamento

– Ando estudando a Teoria Pixar, pra passar o tempo, é muito interessante

Vanessa ficou algum tempo ajeitando o apartamento enquanto eu fiquei escorada na parede de vidro, olhando a cidade e tentando afastar as lembranças que vinham quando eu olhava para qualquer canto do apartamento, todos os nossos melhores momentos foram ali.

– Acho que já da pra estudarmos - ela sentou na banquinho da bancada agora livre e me chamou

Pela parede de vidro eu via a cidade escurecer e eu ainda estava ali com ela, que pacientemente me explicava toda a matéria. Pra falar a verdade eu já estava de saco cheio e não conseguia prestar atenção em uma só palavra. Estávamos as duas debruçadas sobre a mesa, ela estava quase com a cara enfiada na apostila palestrando sobre a questão. Meus olhos estavam presos nos seus lábios rosados e carnudos que se moviam pacientemente falando sobre a questão, mas eu não escutava uma palavra. Eu encarava cada traço de seu rosto e sentia meu peito apertar sem nenhum motivo, desci meus olhos para seu pescoço e notei que o cordão que eu lhe dera ainda estava ali, o cordão da concha. Abri um sorriso involuntário ao saber que ela não tirou, então corri os olhos pelo apartamento voltando a reparar nas fotos, as nossas fotos ainda estavam ali.

Agora eu sorria feito uma idiota.

– Entendeu? - ela perguntou atenciosa levantando os olhos do livro e me encarando, um sorriso tímido se abriu em seu rosto automaticamente quando seus olhos se encontraram com os meus – Do que você está rindo?

– Eu..

– Você não entendeu né? - ela me interrompeu e eu assenti e ela continuou me encarando – Você não estava prestando atenção, certo?

– Certo - disse com uma cara triste e ela passou levemente a mão na minha bochecha, me fazendo fechar os olhos e deitar a cabeça em sua mão

Como eu sentia falta do seu toque

– O que foi, meu amor? - ela disse mas logo se repreendeu com um olhar severo para o chão – Desculpe

– Não precisa se desculpar, eu gosto assim, de estar perto, não houve nada, é só que.. - não completei a frase e ela assentiu com um olhar triste

– Eu sei como é

– Eu sinto sua falta - sussurrei e ela suspirou

– Vamos voltar pros livros, tá bom? Já está tarde, daqui a pouco você tem que ir embora - ela disse e eu assenti engolindo o enorme nó que se formou em minha garganta

Capítulo 88

Enquanto isso na casa de Clara

No dia anterior, Clara havia pedido para os funcionários de sua casa voltarem ao trabalho na data de hoje, já que Fabian estaria de volta. Ao chegar em casa, Clara arrumou suas coisas, tomou um banho e ligou na sua empresa pra ver como as coisas andavam.

O vôo de Fabian estava previsto para chegar as 13:45, Clara iria encontrá-lo no aeroporto, mas para a surpresa de todo mundo, meio dia Fabian apareceu em casa.

- Fabian: Oi. - Clara o olhou surpresa.
- Clara: Fabian?
- Fabian: Surpresa, meu amor? - Sorriu e andou em direção a ela.
- Clara: Seu vôo não chegaria mais tarde? - Ele a abraçou pela cintura.
- Fabian: Chegaria, mas deu um problema e eu tive que vir num vôo mais cedo. Parece que não esta feliz em me ver.
- Clara: Não, eu to sim, mas é que eu ia te buscar no aeroporto.
- Fabian: Gostou da surpresa então?
- Clara: Muito. - Sorriu forçada.
- Fabian: Me dá um beijo então, vamos matar essa saudade.

Clara não queria, mas fez como ele sugeriu. Eles se beijaram durante alguns minutos, mas pra sua sorte o motorista interrompeu eles.

- Motorista: Com licença senhor. Deixo suas bagagens aqui ou as levo pro seu quarto?
- Fabian: Pode subir com elas. Obrigado. - O motorista se retirou. - Senti tanta saudade de você.

- Clara: Eu também.
- Fabian: O telefone de casa esta com problemas? Em nenhum dia consegui ligação aqui.
- Clara: Não, eu dei folga pro pessoal e passei uns dias na casa da Paula, uns com a May e uns com a Van.
- Fabian: É? Não quis ficar sozinha?
- Clara: Não.
- Fabian: E como o pessoal está?
- Clara: Todos bem.
- Fabian: Que bom. Eu vou tomar um banho. Almoça comigo?
- Clara: Almoço sim. Depois vou pra empresa.
- Fabian: Pensei que iria tirar o dia de folga pra ficar comigo.
- Clara: Eu queria amor, mas já tirei a manhã livre e tive que transferir uma reunião pra tarde.
- Fabian: Certo. Vou tomar meu banho. - Deu um beijo em seu ombro e seguiu para o quarto.

Clara estranhou, afinal Fabian estava muito calmo. Ou tinha algo de muito errado ali ou a viagem fez bem pra ele.

Enquanto Fabian tomava seu banho, Clara procurava saber a quantas ia o almoço, não demorou muito e Fabian apareceu na sala.

- Fabian: Hum, esse cheirinho esta uma delicia! - Ele e Clara sentaram-se a mesa.
- Clara: E como foi a viagem?
- Fabian: Bastante cansativa, mas deu tudo certo. Acabamos fechando dois negócios.
- Clara: Foram pra fechar um e no fim fecharam dois? Realmente valeu a pena esse cansaço todo.
- Fabian: Você tem que ver as praias de lá amor, são lindas.
- Clara: Realmente dizem isso de lá.
- Fabian: Podemos passar nossa lua de mel lá, o que acha? - Clara engoliu a comida.
- Clara: É uma boa idéia, podemos ver essa hipótese mais pra frente.

Não demorou muito e eles acabaram o almoço. Clara subiu rapidamente para dar um retoque na maquiagem, escovar os dentes e pegar sua bolsa, voltando para sala em seguida.

- Clara: Bom, eu vou indo ou vou me atrasar. - Aproximou-se de Fabian que estava deitado no sofá. - Você vai para a empresa?

- Fabian: Hoje não. Hoje vou resolver umas pendências na rua.
- Clara: Então te encontro em casa quando eu voltar?
- Fabian: Até lá já resolvi tudo.
- Clara: Certo. - Droga! - Despediu-se com um selinho. - Até mais tarde. - Retirou-se.

Fabian ficou olhando Clara sair até desaparecer de suas vistas. Pra variar, ela estava mais fria do que nunca. Na verdade, Clara nunca fora o tipo de mulher que demonstrava seus sentimentos, mas há um tempo atrás ela era bem mais carinhosa do que agora. Ele respirou fundo e por alguns minutos seu olhar ficou perdido olhando o nada, ele buscava respostas, tentava entender o que poderia estar acontecendo, em que momento do caminho ele perdeu Clara de vista. Assim que acordou de seus pensamentos, ele pegou o carro e saiu.
Enquanto isso no apartamento de Vanessa

A tarde passou se arrastando, finalmente a noite havia chegado. Vanessa tomou um banho e foi para a boate trabalhar um pouco. Chegando lá ela reuniu os funcionários antes de abrir a boate para dar-lhes um comunicado.

- Vanessa: Bom pessoal, eu reuni vocês aqui pra avisar que a minha corrida finalmente chegou, então eu to viajando amanhã.

- Funcionário: Ae que bom. Boa sorte!
- Funcionária: Quando voltar eu quero tirar foto com você e o troféu! - Vanessa sorriu.
- Vanessa: Obrigada pessoal. O apoio de vocês faz a diferença.

Vanessa deu uma palestra até que resolveu finalizá-la.

- Vanessa: Então é isso gente. Vou viajar, mas o DJ vai estar por aqui, qualquer coisa falem com ele. De qualquer forma estarei no celular se vocês precisarem.

O pessoal desejou novamente boa sorte a Vanessa e logo cada um voltou aos seus afazeres já que a boate tinha sido aberta.

Enquanto isso com Fabian

Fabian havia saído cedo de casa para resolver, segundo ele, suas pendências.

- Fabian: Tem novidades pra mim?
- xXx: Tenho sim! Aqui está o que você queria. - Entregou-lhe um envelope.
- Fabian: E então, o que me diz?

- xXx: Segui sua noiva durante essas últimas semanas e ela não fez nada fora do normal. Ela ia pra sua casa, para a empresa dela e para um apartamento. Pelo que levantei é de uma amiga dela, uma tal de Vanessa. O endereço está no envelope junto com as anotações dos passos dados a cada dia. Ela também ia para um outro apartamento, onde mora a amiga grávida dela.

Fabian pegou o envelope e tratou de procurar logo o endereço da tal amiga de Clara.

- Fabian: É esse o endereço? - Apontou para onde estava escrito.
- xXx: Esse mesmo. Não fica muito longe daqui.
- Fabian: Então esses foram os passos dela durante essas semanas?
- xXx: Exatamente. Ah, teve um dia em que ela e os amigos do apartamento da grávida foram para a praia.
- Fabian: Algum movimento suspeito? Algum estranho?
- xXx: Nenhum estranho. Somente eles. Da praia foram direto para o apartamento dessa amiga dela, a Vanessa.
- Fabian: Ótimo. Aqui esta o que combinamos. Tem um extra também. Como eu havia dito, eu sei reconhecer e valorizar um trabalho bem feito. - Entregou ao cara um envelope. - Se eu precisar dos seus serviços novamente te ligo. Obrigado!
- xXx: As ordens patrão!

Enquanto o cara ia embora, Fabian deu mais uma lida no que havia sido entregue a ele e logo resolveu voltar para casa.

Assim que chegou em casa Fabian tomou mais um banho, pegou uma dose de whisky e sentou-se na varanda para esperar Clara. Enquanto a aguardava, ele ia pensando em tudo o que ficou sabendo sobre os passos dela enquanto ele esteve fora.

Já era tarde, Vanessa saiu mais cedo da boate para poder descansar. Antes de ir para seu apartamento, o pessoal da boate se despediu dela. Todos desejaram a ela muita sorte e uma boa viagem, após isso ela seguiu para seu apartamento.

Lá pelas onze e meia da noite, Clara estava na empresa ainda, ela já ia embora, mas resolveu ligar para Vanessa e matar um pouco a saudade. Elas conversaram durante uma meia hora e marcaram de se ver no dia seguinte no aeroporto, para despedirem-se. Em seguida Clara foi para casa.

Ao chegar em casa, antes de descer do carro ela respirou fundo e tomou coragem para encarar Fabian. Não, ela ainda não ia falar sobre o fim do noivado, apenas voltar a conviver com ele. Essa seria uma situação difícil, ainda mais depois de ficar uns dias com sua amada. Ao descer do carro já deu logo de cara com Fabian.

- Fabian: Boa noite meu amor.
- Clara: Boa noite. - Andou até ele e deu um selinho rápido.
- Fabian: Chegou tarde. Muito cansada?
- Clara: Demais. O dia foi estressante.
- Fabian: Então sobe, toma um banho quente que eu peço pra servirem a janta pra nós.
- Clara: Obrigada. - Novamente deu um selinho e foi para seu quarto.

Assim que chegou no quarto ela jogou-se na cama, afinal, o pior ainda estava por vir: a hora de dormir. Clara levantou-se, pegou sua toalha e foi para o banheiro. Ela demorou um pouco no banho, em seguida, desceu para jantar.

- Fabian: Servi uma dose de whisky pra você relaxar. - Ela sentou-se a mesa com ele.
- Clara: Obrigada. - Pegou o copo e tomou um gole. Logo se serviram.
- Fabian: Sua mãe ligou mais cedo nos convidando para jantar na casa dela amanhã. Eu disse que iamos, tudo bem?
- Clara: Sem problemas. Faz tempo que não os vejo. Papai sempre envolvido em seus negócios e mamãe com a sociedade. - Sorriu.

Enquanto eles jantavam, iam conversando, um pouco sobre tudo. Logo que jantaram foram se deitar. Clara estava nervosa, precisava dar um jeito para eles não transarem. Louco de saudade como Fabian estava, iria querer sexo a todo custo. Ela entrou no quarto e foi direto ao banheiro, escovou os dentes e pensou um pouco, mas nenhuma desculpa aparecia. Logo ela saiu do banheiro e foi a vez de Fabian entrar, enquanto ele escovava os dentes e lavava o rosto, Clara deitou-se e fingiu estar dormindo. Era a pior desculpa da face a terra, mas como ela não havia pensado em nada, resolveu arriscar.

Fabian voltou para o quarto e a viu deitada de costas para ele. Imediatamente um sorriso safado surgiu em seus lábios. Ele deitou-se ao lado dela e começou a beijar seu ombro docemente.

- Fabian: To louco por você. - Deslizou sua mão para a cintura de Clara que nem se mexeu. – Clara? - Ele percebeu que ela estava dormindo e tirou sua mão dela.

Apesar de estar louco de vontade, Fabian também estava cansado, a viagem foi longa e no dia seguinte ele acordaria cedo, sendo assim, resolveu adiar a noite deles.

Enquanto isso no apartamento de Vanessa

Vanessa já havia chegado da boate, suas coisas estavam todas prontas e ela estava um pouco sem sono. Ela ficou brincando com Boi até uma certa hora e em seguida resolveu deitar-se e tentar dormir. Minutos depois e a campainha tocou.

- Vanessa: A essa hora?

Ela levantou-se e foi até a porta.

- Vanessa: Ah resolveu lembrar que eu existo?
- Thais: Que isso! Eu nunca me esqueço de você. - Entrou e largou suas coisas no chão. – Ia viajar sem mim?

- Vanessa: Ia! Te liguei várias vezes e você não me retornou.
- Thais: Perdão Van, mas tive alguns contratempos. Mas já estou de volta!
- Vanessa: Acabou o lance com o bofe?
- Thata: Foi! Enjoei dele. - Vanessa sorriu.
- Vanessa: Pra variar. Mas então, você vai ir mesmo comigo?
- Thais: Claro! Não vai me dizer que não comprou minha passagem.
- Vanessa: Comprei, mas já ia devolver.
- Thais: Ótimo! A Clara não vai se importar se eu dormir aqui hoje, né?
- Vanessa: A Clara foi embora já.
- Thais: Hum. Então posso dormir aqui?
- Vanessa: Pode, claro. Quer comer algo ou beber?
- Thais: Não, obrigada.
- Vanessa: Então vamos dormir porque amanhã é cedo!

Vanessa deitou-se mais uma vez, mas o sono não vinha de jeito nenhum, talvez a ansiedade da corrida ou quem sabe o nervosismo da viagem não a deixavam dormir. Vanessa começou a lembrar de seus dias com Clara, ela sorria sozinha na cama e um tempinho depois acabou adormecendo.

Na manhã seguinte Vanessa e Thais acordaram cedinho, tomaram café e conferiram se não faltava nada.

- Vanessa: Ei meu garotão! - Abaixou-se e acariciou Boi. – Eu to indo viajar, viu? Comporte-se na minha ausência e respeite a tia May! Logo logo eu tô de volta. - Sorriu.

Thais mimou um pouco Boi e logo elas foram para o aeroporto.

Enquanto isso na casa de Clara

Clara acordou super cedo, arrumou-se, engoliu o café e foi para o aeroporto. Como Fabian havia ficado dormindo, ela deixou um bilhete dizendo que havia se lembrado que teria de adiantar a apresentação de um projeto e por isso fora mais cedo para a empresa.

Ao chegar no aeroporto, Clara procurou por Vanessa até que a encontrou.

-Clara: Bom dia, amor. - Deu um selinho no cantinho da boca de Vanessa.
- Vanessa: Bom dia Clarinha.
- Clara: Bom dia Thata.
- Thais: Bom dia Clara.

Elas conversaram um pouco e logo chegaram Edu, May, Paula e Junior.

Elas conversaram mais um pouco até que anunciaram o voo de Vanessa. O pessoal despediu-se dela e de Thais desejando muita sorte e uma ótima viagem a elas. As abraçaram, as beijaram e logo deixaram Clara e Vanessa se despedirem. Sem saber porque, elas estavam muito nervosas. Suas mãos suavam e estavam geladas.

- Vanessa: Bem, chegou a hora. - Clara respirou fundo.
- Clara: Eu queria te pedir desculpas por ter falado certas coisas aquele dia que conversamos sobre a corrida. - Vanessa sorriu

- Vanessa: Tudo bem amor, acho que no seu lugar agiria da mesma forma.
- Clara: Promete pra mim que vai se cuidar? - Vanessa pegou as mãos de Clara.
- Vanessa: Prometo, meu amor. - Vanessa sorriu. – Por que estamos tremendo?
- Clara: Não sei. - Sorriu quase chorando.
- Vanessa: Preciso ir. - Clara apertou suas mãos e a puxou para um abraço apertado.
- Clara: Se cuida, por favor, eu te imploro!
- Vanessa: Vou me cuidar. - Acariciou as costas de Clara que a apertou mais forte.
- Clara: Volta, por favor! -Sussurrou enquanto uma lágrima caia pelo seu rosto.
- Vanessa: Eu volto, eu prometo que volto. - Elas se olharam. Vanessa acariciou seu rosto.
- Clara: Eu te amo muito, muito mesmo! Quando você voltar eu já vou ter me resolvido com Fabian. - Vanessa sorriu.
- Vanessa: E aí seremos só nós duas, pra sempre.
- Clara: Pra sempre e mais um dia! - Elas se abraçaram de novo.

Elas ficaram mais alguns segundos assim e logo anunciaram o voo de Vanessa de novo.

- Clara: Boa sorte na corrida. Traz esse prêmio pra casa, tá? - Vanessa ficou feliz de ouvir isso de Clara.
- Vanessa: Pode deixar, vou trazer ele pra você!

Elas se abraçaram mais uma vez e logo Clara foi para o abraço de Paula.

- Vanessa: Tchau pessoal. - O pessoal desejou mais uma vez a ela e a Thais sorte e boa viagem. – Ah May, cuida da Clarinha pra mim, por favor. - May sorriu.
- Mayra: Cuidarei dela e do Boi, não se preocupe. - Vanessa sorriu.

Antes de dar as costas ao pessoal, ela olhou mais uma vez Clara.

- Vanessa: Te amo muito! - Falou quase sem voz.
- Clara: Pra sempre e mais um dia. - Respondeu do mesmo jeito.

Logo Vanessa e Thais subiram no avião desaparecendo das vistas do pessoal.

Ao entrar no avião, Vanessa e Thais cumprimentaram a aeromoça que estava na porta recebendo os passageiros e logo foram para seus lugares. Vanessa sentou-se em sua poltrona, colocou seus óculos escuros e ficou olhando para a janela. Algumas lágrimas caiam enquanto ela tentava evitá-las. Thais percebeu que sua amiga estava chorando e tentou ajudá-la.
- Thais: Ei. - Segurou sua mão. - São só alguns dias longe dela.
Vanessa não respondeu nada, apenas balançou a cabeça em sinal positivo. Na verdade, Thais a conhecia bem e sabia que Vanessa não gostava que ninguém a visse chorando, por isso não virava seu rosto. Alguns minutos depois e Vanessa olhou Thais.
- Vanessa: Eu nem sei porque estou chorando. - Sorriu com a voz embargada.
- Thais: É bonitinho te ver assim, sabia?
- Vanessa: Assim como?
- Thais: Chorando por causa de alguém. Sei lá, acho que ainda to acostumada com sua fase passada, quando você era uma pegadora. - Vanessa sorriu.

- Vanessa: O que?
- Thais: É sim, você era pegadora.
- Vanessa: Não era tanto assim.
- Thais: Não? Você só faltava chegar na menina ‘ei, só quero transar, topa?’ - O avião começou a decolar.
- Vanessa: Pára com isso! - Vanessa já não estava mais chorando. - Eu nem era tanto assim, não. - Elas riam.
- Thais: Pelo menos você nunca iludiu ninguém.
- Vanessa: Quem te ouve falar assim vai pensar que sou uma pegadora mesmo.
- Thais: Mas e bom ver você assim, gostando de verdade de alguém e sendo correspondida.
- Vanessa: Eu gosto mesmo da Clarinha. E olha que eu nem imaginava que seria tanto assim.
- Thais: Ninguém imaginava na verdade, muito menos eu. Quando você me falou dela pela primeira vez eu achei uma loucura você se envolver com uma garota comprometida, mas logo pensei que como os outros lances seus, não daria em nada. E olha só agora, estão quase casadas.
- Vanessa: Se Deus quiser vamos nos casar. Quando eu voltar espero que esteja tudo resolvido.

- Thais: E vai estar.
Elas conversaram mais um pouco e logo foram escutar música, mais uns minutos e elas pegaram no sono.
Enquanto isso no aeroporto
Assim que Vanessa e Thais embarcaram no avião, Clara correu para o abraço de Paula e chorou.
- Mayra: Calma prima, daqui uma semana ela volta. - A abraçou também.
- Paula: Não fica triste não amiga.
- Clara: É só saudade antecipada.
- Junior: Vem gente, vamos embora.

Eles foram até o carro e Junior deixou as meninas no prédio deles. Antes de ir para a empresa, Clara ficou um pouquinho com as meninas.

- Paula: Mais calma?
- Clara: Calma só estarei mesmo quando a Van voltar.
- Mayra: Ela vai voltar trazendo aquele troféu, eu sinto isso.

Elas conversaram mais um pouco e logo Clara foi para a empresa.

O dia passou voando, Clara manteve-se tão ocupada que nem viu o tempo passar. No inicio da noite, Vanessa ligou pra Clara.