entenda-os-homens

Sou brisa e furacão, intensidade e mansidão, nada e tudo, ao mesmo. Eu sofro com propriedade. Sorrio na eterna vontade de abraçar a todos. Sou euforia no beijo e no silêncio. Para mim, saber sofrer em momentos pontuais sempre foi um dom que conservo comigo. Me sinto vivo, sensível, me deixo doer, me faço empático com os outros, mas principalmente comigo.
—  Frederico Elboni

Eu me considero uma mulher vacinada. Não é qualquer conversinha que me convence. Me quer? Prove. Porque eu cansei de topar com caras que prometiam e, depois, me deixavam com aquela sensação de “eu devia ter ouvido o conselho das minhas amigas”. Uma hora a gente toma vergonha na cara e para de quebrar a cara, né! Pelo menos é assim que deve funcionar. Errar, aprender e não repetir. Não dá pra ser trouxa a vida inteira.

Então, quando eu ouço aquelas palavras vomitadas de “eu gosto de você”, “você é linda”, “é diferente”. Uma porra! Não sabe nem qual meu sobrenome e já vem cheio de dedos, mãos e intenções. Péra lá. Eu tive que gastar muito meu coração tentando acreditar que no meio daquele monte de palavras bonitas havia algum sentimento de verdade. E, quem sabe, pode até ser que eu tenha jogado fora alguma história por não tentar, mas é o preço que alguns pagam pelos erros idiotas dos outros.

Até já ouvi dizer por aí que é preciso sempre estar aberto para as novas possibilidades. Na real, eu até acredito naquela música do Teatro Mágico que fala sobre a gente nunca saber de quem irá gostar, mas se já não chegar me fazendo brilhar os olhos e palpitar o coração, eu nem quero saber que apito toca (me sentindo a minha própria mãe falando assim). E não vai adiantar vir com discurso pronto sobre como ficou olhando meu sorriso, como sempre quis conhecer alguém assim. Não vai colar.

Talvez eu tenha que me despir mesmo desse rancor que carrego no coração e que me faz enxergar em todo homem um potencial babaca para quebrar o coração de uma mulher. Talvez eu tenha que parar de falar tão mal deles e me policiar para enxergar se o defeito, no final das contas, não está em mim. Ou, talvez, as pessoas pudessem ser mais sinceras e dizer exatamente aquilo que sentem. Não apenas ensaiar uns floreios pra levar mais uma pra cama.

Talvez eu devesse mudar, mas até que me provem o contrário, tem sido bom ser assim. Vacinada, sem sofrer das doenças que afligem os corações que insistem em deixar terreno fértil para as expectativas. Sobre elas, melhor não. E aposto que, como eu, existem várias por aí. Cansadas de esperar, de encher o peito de uma esperança boba para que algo de bom aconteça, de querer agarrar uma promessa. Cansadas de ser parte do jogo.

Desculpa, mas meu coração não é playground.

—  Gustavo Lacombe
Te quero. Não sei se pra sempre, agora ou depois, mas eu quero você. Quero você de um jeito que só eu posso querer, ou pelo menos de um jeito que só eu acho que posso querer. Não vou te implorar pra ficar comigo, não vou te falar nada além de: “fiquei comigo se você quiser, pois eu quero.” Isso já diz tudo, sem muitas palavras, sem muito romantismo, quero você simplesmente por querer alguém com fibra ao meu lado, que tenha garra o suficiente para crescer e andar comigo, não a frente, não atrás, e sim ao meu lado.
—  Frederico Elboni

Essa é uma carta de despedida. Uma carta clichê como todas as outras, como – você sabe – eu não poderia deixar de ser. Seria ótimo se eu soubesse me despedir de uma maneira menos dramática e mais original, mas não deu. E esta carta é uma prova de que eu tenho aprendido a perceber – e aceitar – quando já não dá.

Olha, na verdade esta não é uma carta tão clichê assim, porque eu não vou dizer que desejo que você seja feliz e saia por aí rodopiando entre as flores e que eu vou seguir também e tudo vai se arranjar. A gente conhece bem a vida real. Vai doer, pra mim e pra você. Vai doer a primeira noite de sábado, o primeiro filme, o primeiro aniversário de um amigo em comum – e os próximos, talvez. Eu vou sentir uma falta filha da puta da sua voz me dizendo pra parar de beber muito álcool e pouca água porque ter problemas nos rins é terrível – muito embora você nunca tenha passado mal dos rins. Mas eu adoro essa sua mania de acreditar mesmo no que você não viveu, sabia?

Talvez seja como uma espécie de parto. Graças à nossa mania de sermos o tudo um do outro, vai ser terrível. Não vamos sentir falta só das conchinhas e dos beijos, a amizade mútua vai deixar um buraco imenso em nós dois. Vai demorar pra a gente se acostumar a não ter mais a companhia um do outro pros filmes aos domingos – aliás, pra a gente se acostumar a não ter a companhia um do outro pra um monte de coisas, já que temos gostos tão parecidos e essa mania fofa de fazer as mesmas coisas.

Mas, você sabe, as vezes o amor não vence. Eu sempre disse que as pessoas superestimam o amor e, veja só, eu acabo de te provar. Porque ele não segurou a onda sozinho dessa vez. Você não me traiu, eu não me apaixonei por outros olhos e nem me cansei do seu abraço. Só passou nosso tempo, e de um jeito miseravelmente simples.

A  gente sabe que finais têm essa mania de serem doídos. Dói ser abandonado, dói ser traído, dói ser trocado. Mas uma das coisas que eu acho que sei sobre o amor é que dói infinitamente mais vê-lo passar desse jeito. E ter que assistir, imóvel, o amor fazer as malas e partir tranquilo. Dói quando arrancam o amor da gente, mas quando ele vai embora por vontade é covardia. Quando não tem ninguém pra a gente culpar, não tem motivos pra a gente apresentar para as famílias inconformadas, quando simplesmente passa. Quando a gente simplesmente para de se beijar, de se querer, de se apetecer.

E é por isso que eu estou indo embora, desse jeito corajoso e ao mesmo tempo tão covarde. Se me conheço bem, muito provavelmente eu vou me arrepender quando te vir com outra ou quando um amigo vier me contar que você recomeçou e anda sorrindo a toa. Mas eu já consegui me convencer: você já não pode mais me dar esses sorrisos que dará pra ela. Você já não pode ser pra mim esse cara leve que você provavelmente – e eu espero que sim – será para ela.

E agora, pra ser ainda mais clichê – tão clichê quanto escrever uma carta de despedida – eu vou te desejar felicidades. Mesmo. Vou te desejar tranquilidade pra seguir em frente quando souber que eu já não estou em casa e um pouco de sorte pra encontrar alguém que valha a pena. Vou te desejar – do fundo do meu coração – tudo que eu desejo pra mim: leveza, bons amigos e algum senso de humor para encarar esses finais que sempre vêm.

Não vou dizer adeus porque não dá pra desfazer um laço tão bonito quanto esse que a gente se fez. E mesmo que a gente não possa se ver por um tempo, você sempre fará parte de mim de um jeito especial e – como há algum tempo – fraternal. Eu vou te querer bem porque não dá pra jogar fora os nossos domingos, os nossos papos, os nossos porres… Tudo aquilo que sobra quando o amor vai embora, sabe? Por tudo isso a gente continua dando certo. Mesmo sem conchinha, sem mãos dadas, sem beijo na boca – o que nos sobrou ainda é muito.  Mas (desculpa), não é o suficiente. Obrigada pelo que vivemos até aqui. Eu te amo, adeus.

—  Vida a Doisa - EOH

Dói sentir o amor. Dói amar o sentir. Dói ter que matar a saudade com a própria saudade. Saudade essa, que digo a todos que já esqueci, mas nunca deixo de lembrar que já esqueci.

Saudade apertada, tão cabível à minha realidade. Saudade que some. Que soma. Saudade de mãos coladas e pensamentos distantes. Que desfibrila o amor e dá razão a quem não tem. Que esvazia e transborda sem avisar. Saudade que pede, implora, calma e recebe alma.

Brinco de sentir como se fosse a primeira vez. Absorvo os olhares das pessoas na rua, e como se fosse possível, sorrio para elas como se caminhasse sozinho, sem a saudade. Saudade que desconhece o cotidiano, não lembra dos meus afazeres, nem pergunta se é bem-vinda. Somente ecoa e brinca de ser inconveniente. Inunda meu pensar, me seduz e vai embora.

Ah, se essa saudade chegasse mais adiante… Me sobraria dor. Me sobraria amor. Me sobraria uma poltrona vazia de uma dor passageira. Me sobrariam olhares com resquício de aprendizado; do vivido e do sonhado.

Amo sentir e admitir que amores são sempre amáveis, mesmo aqueles que insistem em transformar pranto em canto

Compreenda que nada – e nem ninguém – lhe pertence. Só assim você conseguirá administrar suas perdas. Considere que todos os seus bens materiais lhe foram emprestados pela vida, e lhe podem ser tirados a qualquer momento. Considere, sobretudo, que ninguém lhe pertence, e que as pessoas só permanecerão ao seu lado enquanto quiserem e enquanto isso lhes fizer felizes, porque cada um é dono de si mesmo.
—  Nathali Macedo – Entenda os homens 

Quer namorar comigo? Namorar de verdade. Todo mundo vai saber. Todo mundo vai ver. Namorar de verdade. Ir no cinema de mão dada, ajudar a sogra a fazer as compras no mercado, pedir pra você ir lá em casa botar água e comida pros gatos quando eu estiver em São Paulo. Namorar de verdade. Mandar bilhetinho, carta, flor, telegrama, mandar beijo por foto, tudo de mais ridículo publicamente que um namoro tem. Namorar das pessoas não aguentarem mais de tanto que eu falaria em você. Quer?

Eu prometo rir pras suas milhões de fotos com a Polaroid, prometo não ficar irritado quando você não conseguir me dar instruções simples de como chegar em um lugar. Prometo nunca mais pedir pra ler suas coisas antigas, nem reclamar que você sempre bate a cabeça na porta do carro antes de sair, nem que você nunca consegue decidir onde a gente vai comer – e quando eu decido não tem nada pra você comer lá, porque lugar nenhum tem nada para um vegetariano comer. Prometo não te ligar de manhã cedo, não ficar mandando você não usar o celular dentro do ônibus nem reclamar que você tá se arrumando há uma hora e meia – e ainda nem tomou banho.

Namora comigo? Faz coisas idiotas de namorados comigo, como entrar juntos na cabine de foto, sair correndo no meio da rua e se abraçar ou ligar pro seu trabalho e pedir pra falar com você só pra falar que eu te amo. Quer namorar comigo? Namorar de já escolher nome dos filhos, raça dos cachorros, se eles vão ser Fluminense ou Botafogo (tem maluco pra tudo). Namorar de querer saber das vergonhas de adolescente, de jogar videogame com o irmão e de botar a sua foto como papel de parede do meu celular, e acabar com a bateria dele quando eu tiver com saudade só de ficar olhando pra você.

Eu prometo que a gente vai ser como a gente queria ser lá atrás, nos cafés da manhã no posto de gasolina. Prometo que vai ser tudo exatamente como a gente planejava, timtim por timtim. Eu prometo que faço massagem, mexo no seu cabelo e faço carinho quando você tiver com sono. Eu prometo que vou ser uma pessoa diferente, que vou ser a pessoa que você merece que eu seja, que você merece ter ao seu lado. Prometo que não vou mais cometer os erros que eu já cometi – e que você já me perdoou inúmeras vezes. Prometo que vou fazer você se sentir a mulher mais amada do mundo.

Namora comigo?

—  Namora Comigo? - Léo Luz.