entenda-os-homens

A verdade é que eu gosto dos seus riscos. Gosto dos seus loopings. Gosto da ventania na barriga. Gosto dessas borboletas que reviram meu estômago e de vez em quando me emprestam as asas. Gosto do verde-garrafa dos olhos que habitam essa sua cara de pau e me pergunto, ainda indignada, como alguém pode dizer que os risos e calafrios que você me causa não valem nada.
—  Eduarda Costa, Entenda os Homens
Te quero. Não sei se pra sempre, agora ou depois, mas eu quero você. Quero você de um jeito que só eu posso querer, ou pelo menos de um jeito que só eu acho que posso querer. Não vou te implorar pra ficar comigo, não vou te falar nada além de: “fiquei comigo se você quiser, pois eu quero.” Isso já diz tudo, sem muitas palavras, sem muito romantismo, quero você simplesmente por querer alguém com fibra ao meu lado, que tenha garra o suficiente para crescer e andar comigo, não a frente, não atrás, e sim ao meu lado.
—  Frederico Elboni
Se cada homem no mundo pudesse escutar a minha voz, o único conselho que eu daria é: deixe-nos enlouquecer quando quisermos. Porque não há amor sem uma dose de loucura. Porque equilíbrio absoluto numa relação jamais foi um bom sinal. E toda mulher tranquila e que nunca te interroga sobre o seu atraso pode não ser tão equilibrada assim: ela pode, simplesmente, não te amar.
—  Entenda os Homens
Namore um cara que escreve. Não um cara que te manda poesias do Drummond ou que te manda letras do Chico com foto de pôr do sol. Namore um cara que escreva ele mesmo para você. Um cara que escreve irá perceber os detalhes entre vocês dois, e assim escrever cartas e textos pessoais que falem especificamente sobre vocês dois, não cartas de amor genéricas catadas no limbo da internet. Namore um cara que, ao invés de comprar um cartão de dia dos namorados com um poema do Vinicius, vai escrever um texto para você no seu computador enquanto você toma banho para irem jantar.
Um cara que escreve vai, ao mesmo texto, fazer você rir, chorar, sorrir e querer abraçá-lo como se ele fosse dez centímetros mais alto, dez quilos mais magro e tivesse mais dois dígitos na conta bancária. Positivos. Namorar um cara que escreve é namorar alguém autoconfiante, que sabe que a pena é muito mais forte que a espada, ainda que a pena dele responda pelo nome de teclado. Namore um cara que ficará orgulhoso ao ser comparado com o Veríssimo ou ao Pessoa, e não se comparado ao Vitor Belfort ou ao Rodrigo Santoro. (Ok, o Santoro é covardia).
Namorar um cara que escreve significa ter um namorado que, ao te descrever, vai fazer você se achar a própria Angelina Jolie, e suas amigas, ao lerem, vão achar que ele descreveu alguma princesa de contos de fadas. Por falar em amigas, namorar um cara que escreve é matar suas amigas de inveja dos seus textos lindos, das suas cartas emocionantes e engraçadas. Namore um cara que escreve e garanta textos engraçados para quando você estiver triste, textos amorosos para quando estiver carente e cartas inesperadas durante um dia de trabalho rotineiro.
Namore um cara que escreve e massageie seu ego vendo outras mulheres dizerem que adorariam que os namorados delas escrevessem assim. Namorando um cara que escreve você não vai entender como suas amigas conseguem namorar engenheiros, médicos e analistas de sistemas, nem como elas conseguem achar bonitas aquelas frases copiadas de algum “As cem melhores frases de amor de todos os tempos”.
E por fim, namorar um cara que escreve é namorar um cara descolado, que sabe que “namorar um cara que escreve” não é a forma correta, e sim “namore um cara que escreva”, mas, mesmo assim, ele acha que do primeiro jeito fica muito mais bonitinho e descolado.
—  Namore um cara que escreve, por Léo Luz.

Um homem visto por uma mulher

Homens precisam passar segurança. Mas não precisa ser forte ou algo assim. Pode ser baixinho, gordinho e com pouco talento em artes marciais. Mas precisa passar segurança ao entrelaçar os dedos na gente como se ali gritasse que tudo vai dar certo. Homens precisam ter um colo paterno, mas saber que não são nossos pais. Homem é um misto de irmão mais velho ciumento, irmão mais novo implicante e primo safado da cidade grande.

Homens têm que chegar no horário e esperar sem reclamar. Esqueça aquela ideia de que mulheres se vestem para outras mulheres olharem. Na verdade, eu demoro horas me arrumando exclusivamente para você. A ideia é que você não olhe para outras mulheres. Homem tem andar do lado de fora da calçada e nos levar em casa sempre. Seja de carro, moto, ônibus, taxi ou a pé. Mas é importante nos levar no portão, assim, por tradição clichê, sabe? As mulheres evoluíram, eu sei. Mas o cavalheirismo não saiu da moda não. E pelo que ando lendo por aí, nunca sairá.

E não confunda cavalheirismo com homossexualidade. Há vários gays mal educados, também. Educação nada tem a ver com orientação sexual. Então, se você abrir a porta do carro, pedir para carregar os pesos e ceder o assento para qualquer mulher ou idoso não te faz um gay assumido. Isso é burrice. Homem tem que ter pegada. Mas não achar que pegada significa arrancar tufos do meu cabelo. Tem que saber apertar meu rabo de cavalo sem tirar nenhum fio dali. Vai por mim, homens que machucam demais na hora da transa não são excelentes bons de cama. Homem tem que ser atencioso, seja para perceber que cortamos dois dedos do cabelo ou para distinguir nossos gemidos de “tente mais um pouco” e de “não para, pelo amor de Deus”.

Não me dê flores, chocolates, ursinhos de pelúcias ou etc. Me dê cartões. Escreva coisas estúpidas e bobas que me farão rir como uma criança. Depois disso, compre flores, chocolates e ursinhos. Você pode me dar um helicóptero todo rosa pink, com minhas iniciais na porta, mas se não tiver um cartãozinho surpresa com teus garranchos, não será a mesma coisa, entende?

Homens não precisam ser um Fred Astaire, mas é importante nos tirar para dançar. Não pela dança, em si, mas pelo ato de nos carregar pela mão pelo salão. Nos exibir por aí como sua maior conquista. Homens que nos amam são ótimos. Mas, melhores ainda são os que têm orgulho de nos amar. Eu não gosto de futebol, mas se você quiser me levar para assistir ao jogo com seus amigos, eu vou gostar, entende? É como te levar para almoçar na casa dos meus avós. Pouco me importa a comida ou algo assim, o que eu quero é te aproximar da minha família e te mostrar aos meus parentes.

Os homens quem leem são mais interessantes. E ser interessante vale mais do que olhos azuis e peitoral malhado. Não seja um chato replicador de frases do Caio Fernando Abreu ou coisa assim. Mas saiba declamar Fernando Pessoa ao pé do meu ouvido como se você mesmo tivesse escrito aqueles versos pensando em mim. É como não saber cantar, mas esforçar-se para cantar aquele refrão bonito dos Los Hermanos e dizer que lembra de mim toda vez que ouve, sabe?

Surpresa sempre são bem-vindas. Seja por um cartão bonitinho ou por aquela trufa de marula que você sabe que sou apaixonada. Entenda que presentes não são o preço que custaram. Como próprio nome já diz, presentes são para fazer presença. Então, cada vez mais que eu fizer presença em tua vida, saberei que faço parte dos teus dias, também.

Em dias nublados, homens têm que sair com casacos mesmo que não esteja sentindo frio. Hormonalmente, mulheres sentem mais frios do que os homens, então o seu casaco extra será importante nesses momentos. Mas não se esqueça de nos abraçar, também. Melhor do que casaco de lã é par de braços perfumados.

Homens precisam ser simpáticos. Mas nada de muito sorrisinho para qualquer vadiazinha em rede social. Nem solícito demais a ex-namoradas. Ter ciúmes é legal. Mas nada em exagero. Implique com meus decotes ou com meus vestidos curtos. Mas como quem cuida, não como quem ordena.

Sorria dos meus ciúmes, mas sem deboche. E me faça sorrir, também. Homens precisam saber nos fazer sorrir – mesmo que não sejam exímios contadores de piada. Mas é de extrema importância nos fazer sorrir. Seja por cócegas, por caretas, por se sujar ao lavar a louça ou por comprar o box de The Big Theory. Mas me faça sorrir. Entendam que a porta do coração das mulheres está nas gargalhadas que ela dá ao seu lado.

—  Hugo Rodrigues

Essa é uma carta de despedida. Uma carta clichê como todas as outras, como – você sabe – eu não poderia deixar de ser. Seria ótimo se eu soubesse me despedir de uma maneira menos dramática e mais original, mas não deu. E esta carta é uma prova de que eu tenho aprendido a perceber – e aceitar – quando já não dá.

Olha, na verdade esta não é uma carta tão clichê assim, porque eu não vou dizer que desejo que você seja feliz e saia por aí rodopiando entre as flores e que eu vou seguir também e tudo vai se arranjar. A gente conhece bem a vida real. Vai doer, pra mim e pra você. Vai doer a primeira noite de sábado, o primeiro filme, o primeiro aniversário de um amigo em comum – e os próximos, talvez. Eu vou sentir uma falta filha da puta da sua voz me dizendo pra parar de beber muito álcool e pouca água porque ter problemas nos rins é terrível – muito embora você nunca tenha passado mal dos rins. Mas eu adoro essa sua mania de acreditar mesmo no que você não viveu, sabia?

Talvez seja como uma espécie de parto. Graças à nossa mania de sermos o tudo um do outro, vai ser terrível. Não vamos sentir falta só das conchinhas e dos beijos, a amizade mútua vai deixar um buraco imenso em nós dois. Vai demorar pra a gente se acostumar a não ter mais a companhia um do outro pros filmes aos domingos – aliás, pra a gente se acostumar a não ter a companhia um do outro pra um monte de coisas, já que temos gostos tão parecidos e essa mania fofa de fazer as mesmas coisas.

Mas, você sabe, as vezes o amor não vence. Eu sempre disse que as pessoas superestimam o amor e, veja só, eu acabo de te provar. Porque ele não segurou a onda sozinho dessa vez. Você não me traiu, eu não me apaixonei por outros olhos e nem me cansei do seu abraço. Só passou nosso tempo, e de um jeito miseravelmente simples.

A  gente sabe que finais têm essa mania de serem doídos. Dói ser abandonado, dói ser traído, dói ser trocado. Mas uma das coisas que eu acho que sei sobre o amor é que dói infinitamente mais vê-lo passar desse jeito. E ter que assistir, imóvel, o amor fazer as malas e partir tranquilo. Dói quando arrancam o amor da gente, mas quando ele vai embora por vontade é covardia. Quando não tem ninguém pra a gente culpar, não tem motivos pra a gente apresentar para as famílias inconformadas, quando simplesmente passa. Quando a gente simplesmente para de se beijar, de se querer, de se apetecer.

E é por isso que eu estou indo embora, desse jeito corajoso e ao mesmo tempo tão covarde. Se me conheço bem, muito provavelmente eu vou me arrepender quando te vir com outra ou quando um amigo vier me contar que você recomeçou e anda sorrindo a toa. Mas eu já consegui me convencer: você já não pode mais me dar esses sorrisos que dará pra ela. Você já não pode ser pra mim esse cara leve que você provavelmente – e eu espero que sim – será para ela.

E agora, pra ser ainda mais clichê – tão clichê quanto escrever uma carta de despedida – eu vou te desejar felicidades. Mesmo. Vou te desejar tranquilidade pra seguir em frente quando souber que eu já não estou em casa e um pouco de sorte pra encontrar alguém que valha a pena. Vou te desejar – do fundo do meu coração – tudo que eu desejo pra mim: leveza, bons amigos e algum senso de humor para encarar esses finais que sempre vêm.

Não vou dizer adeus porque não dá pra desfazer um laço tão bonito quanto esse que a gente se fez. E mesmo que a gente não possa se ver por um tempo, você sempre fará parte de mim de um jeito especial e – como há algum tempo – fraternal. Eu vou te querer bem porque não dá pra jogar fora os nossos domingos, os nossos papos, os nossos porres… Tudo aquilo que sobra quando o amor vai embora, sabe? Por tudo isso a gente continua dando certo. Mesmo sem conchinha, sem mãos dadas, sem beijo na boca – o que nos sobrou ainda é muito.  Mas (desculpa), não é o suficiente. Obrigada pelo que vivemos até aqui. Eu te amo, adeus.

—  Vida a Doisa - EOH
Só consigo pensar besteira, ver um filme contigo até o fim então, impossível… São as minhas besteiras, minhas sacanagens, às vezes carinhosas, às vezes selvagens, mas com o mesmo objetivo de sempre: sorrisos ofegantes e guerra de travesseiros pós-sexo. A troca é simples, você sentir-se mais mulher do que nunca, e eu saber que estou conseguindo fazer isso, ou pelo menos achar que estou. Talvez eu não corresponda às suas expectativas, nem você as minhas, mas que tal deixarmos essa coisa de expectativa para depois junto com as toalhas molhadas na cama e a gilete rosa no canto do chuveiro? Você me conhece, sou meio pentelho, eu sei… Mas qual graça teria se depois de uma noite você me perguntasse se eu gostei e eu respondesse sim? Não seria eu. Então te olho com a minha cara mais sacana e respondo: já tive melhores. Você ri e fala para eu deixar de ser idiota. Pronto, a partir desse momento você correspondeu as minhas expectativas. E assim cada vez mais vamos progredindo nessa relação regada de safadeza, encharcada de carinho e mantida pela nossa, e somente nossa forma de nos entender.
—  Nos entendemos assim - Fred Elboni