empregada

Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua empregada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso. É preciso ir embora. Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase “Que saudade de você…” com “por isso tô te mandando esse áudio”; ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”. Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém. Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva, lá de cima do avião. As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas.
—  Antônia Macchi

não estamos bem. desejamos a morte mas não sabemos lidar com perdas. não nos sentimos completos e cobrimos nossos buracos com as merdas a disposição. nos enganamos, persistimos e cansamos. os sentimentos morrem, vive a manipulação da razão. o cinza tomou os lugares. a justiça existe para contribuir com o ladrão. o meu primo morreu por ter muita melanina. meu pai me roubou para comprar cocaína e eu posso culpa-lo por ver isso como salvação? pessoas trabalham 18 horas por dia, no século em que os livros retratam o fim da escravidão. não estamos bem. garotas estupradas em suas casas. cobertores arrancados dos mendigos das praças. gatos vistos como fonte de azar. um padrão de beleza sustentado pela mídia. obsessão, anorexia e bulimia, mas os anúncios pedem para não nos preocupar. transexuais na mira da polícia. crianças desaparecidas. os pobres não estão nos cartões postais e nem os gays nas revistas. velhos abandonados nos asilos. nordestinos sem água. o patrão invadiu o quarto da empregada. e o sistema diz que o tempo de descanso será depois dos 60 anos quando eu me aposentar. não estamos bem e eu tento crer no que Drummond disse:

“-Ó vida futura! Nós te criaremos.” mas quando?

Enquanto o couro do chicote cortava a carne,
A dor metabolizada fortificava o caráter;
A colônia produziu muito mais que cativos,
Fez heroínas que pra não gerar escravos matavam os filhos;
Não fomos vencidas pela anulação social,
Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial;
O sistema pode até me transformar em empregada,
Mas não pode me fazer raciocinar como criada;
Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo,
As negras duelam pra vencer o machismo,
O preconceito, o racismo;
Lutam pra reverter o processo de aniquilação
Que encarcera afros descendentes em cubículos na prisão;
Não existe lei maria da penha que nos proteja,
Da violência de nos submeter aos cargos de limpeza;
De ler nos banheiros das faculdades hitleristas,
Fora macacos cotistas;
Pelo processo branqueador não sou a beleza padrão,
Mas na lei dos justos sou a personificação da determinação;
Navios negreiros e apelidos dados pelo escravizador
Falharam na missão de me dar complexo de inferior;
Não sou a subalterna que o senhorio crê que construiu,
Meu lugar não é nos calvários do brasil;
Se um dia eu tiver que me alistar no tráfico do morro,
É porque a lei áurea não passa de um texto morto;

Não precisa se esconder segurança,
Sei que cê tá me seguindo, pela minha feição, minha trança;
Sei que no seu curso de protetor de dono praia,
Ensinaram que as negras saem do mercado
Com produtos em baixo da saia;
Não quero um pote de manteiga ou um xampu,
Quero frear o maquinário que me dá rodo e uru;
Fazer o meu povo entender que é inadmissível,
Se contentar com as bolsas estudantis do péssimo ensino;
Cansei de ver a minha gente nas estatísticas,
Das mães solteiras, detentas, diaristas.
O aço das novas correntes não aprisiona minha mente,
Não me compra e não me faz mostrar os dentes;
Mulher negra não se acostume com termo depreciativo,
Não é melhor ter cabelo liso, nariz fino;
Nossos traços faciais são como letras de um documento,
Que mantém vivo o maior crime de todos os tempos;
Fique de pé pelos que no mar foram jogados,
Pelos corpos que nos pelourinhos foram descarnados.
Não deixe que te façam pensar que o nosso papel na pátria
É atrair gringo turista interpretando mulata;
Podem pagar menos pelos os mesmos serviços,
Atacar nossas religiões, acusar de feitiços;
Menosprezar a nossa contribuição na cultura brasileira,
Mas não podem arrancar o orgulho de nossa pele negra;

Mulheres negras são como mantas kevlar,
Preparadas pela vida para suportar;
O racismo, os tiros, o eurocentrismo,
Abalam mais não deixam nossos neurônios cativos.

—  YZALÚ
Não sei bem o que dizer sobre mim. Não me sinto uma mulher como as outras. Por exemplo, odeio falar sobre crianças, empregadas e liquidações. Tenho vontade de cometer haraquiri quando me convidam para um chá de fraldas e me sinto esquisita à beça usando um lencinho amarrado no pescoço. Mas segui todos os mandamentos de uma boa menina: brinquei de boneca, tive medo do escuro e fiquei nervosa com o primeiro beijo. Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu hermafroditismo cerebral. Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa. Penso como um homem, mas sinto como mulher. Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa, impulsiva e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para os gatos. Tenho um cérebro masculino, como lhe disse, mas isso não interfere na minha sexualidade, que é bem ortodoxa. Já o coração sempre foi gelatinoso, me deixa com as pernas frouxas diante de qualquer um que me convide para um chope. Faz eu dizer tudo ao contrário do que penso: nessas horas não sei onde vão parar minhas idéias viris. Afino a voz, uso cinta-liga, faço strip-tease. Basta me segurar pela nuca e eu derreto, viro pão com manteiga, sirva-se. Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada. Acho que sou promíscua, doutor Lopes. São muitas mulheres numa só, e alguns homens também.
—  Martha Medeiros.
Eu não nasci para amar.
E não me vem com essa de “você só diz isso por que ainda não encontrou sua alma gêmea”. Eu não encontrei alma gêmea nenhuma por que eu sou a minha. Não dependo de ninguém e não vai ser hoje que vou depender. Eu nasci para ser minha, ser livre. Eu nasci para voar sem ter alguém prendendo minhas azas ao chão. Ta pra nascer alguém que me convença que eu sirvo para isso ou aquilo! Muitos acham ladainha o fato de eu dizer que sou minha alma gêmea e ficam assustados quando eu digo que não quero me casar tão cedo, afinal, no seculos em que estamos existem coisas muito melhores do que ser empregada para homens, não é? Acredito que nem seja também exatamente por isso que deixamos de casar, quer dizer, cada um tem os seus motivos, o meu é simplesmente não precisar que ninguém me empurre para um futuro, grande e feliz?! Só quero viver e aprender, doa a quem doer, meu amor é meu, tenho paixão pela vida, por quem sou e posso ser, sem que ninguém dite como é a perfeita eu. Afinal o que tem de tão ruim ser solteira?! Não é um status de relacionamento que vai me fazer evoluir na vida. Não é um estado civil que vai dizer se sou apta a exercer uma atividade ou conseguir um emprego melhor. Não preciso de alguém ao meu lado para ser feliz, até porque minha felicidade cabe somente a mim. Eu não quero, e não vou me prender a ninguém, sou assim livre, sem amarras, sem raízes. E a liberdade são minhas asas.
—  Escrito por Ana Laura, Beatriz, Aline e Nicácia em Julieta-s

Status : Variados

O lobo sempre será mau se você ouvir apenas a versão da chapeuzinho vermelho. 🍭

Agora eu quero paz, coisa que cê não trás. ✋

Eu me importo demais, esse é o problema. 

Foda-se quem só fala, um brinde pra quem faz.

Um abraço apertado, um beijo demorado e um “para sempre” ao teu lado.

Não superei, mas tive que aceitar.

Quem gosta de compromisso é agenda quem corre atrás é polícia, e quem da satisfação é empregada. 

Honestidade é um bagulho caro pra se esperar de pessoas baratas.

Você não sabe o que estou sentido, afinal ninguém sabe.

Eu quero estar contigo seja onde for. 💘

Se foi, era pra ser, se não foi, espera que tem algo melhor pra você. ⚓

Tudo tem suas consequências

Capítulo 22  :

 LUA

- Bom dia Lua e olá Dakota!- falou Arthur e eu não respondi. Botei ela na cadeirinha que estava do lado da cadeira em que estava sentado.

- Oi Arthu - falou dando um sorriso fofo pra ele. Aquilo me deixou mega irritada. Minha filha mal conhecia ele e já estava encantada. A empregada entregou a mamadeira dela e seus biscoitinhos. E eu me servi. Ficamos em um silêncio sufocante. Arthur me observava as vezes, mas ele não parava de observar a menina. Parece que queria lembrar de cada gesto dela, arregalava os olhos em certos momentos, parecendo estar surpreso.

- Bom, o papo está ótimo mas eu quero sair com a minha netinha hoje!- falou ironicamente meu pai levantando-se e vindo em direção a Arthur. - Ursinha, quer ir na sorveteria com o vovô?

- Quelo xim.

- Tchau meu amor, mamãe ama você!- dei um beijo em sua bochecha e ela sorriu.

- Nene ama a mama!- falou e eu sorri que nem uma idiota. Ela me deixava mais encantada toda vez que falava que me amava mas sempre vinha o arrependimento e uma dor que não se comparava a nenhuma outra.

- Bejo Arthu - esticou o rostinho pra ele que deu um beijo estalado na sua bochecha.

- Tchau princesa, nos vemos em breve!- falou Arthur e eu senti uma grande ameaça nessa frase. Não quero que ele conviva com a minha filha.

- Tchau pessoal e tentem conversar direito. Pensem nela, ok?- meu pai falou e saiu. Até meu pai! Logo depois que eles saíram Arthur virou e ficou me encarando.

- Vai ser por bem ou por mal pequena Lua?

- O que deseja Arthur?

- Conversar com você!- falou dando de ombros. Observei que a empregada tentava prestar atenção na nossa conversa e estava meio bobona com a aparência de Alex. Ele era realmente muito bonito.

- Vamos para outro lugar!- levantei me encaminhando para o escritório. Alex veio atrás e sua classe pra andar estava me distraindo. Sentei balançando a cabeça e ele sentou na minha frente com sua aparência falsa de sempre. Nunca mais vi aquilo sorriso perfeito que ele me deu na noite que nos conhecemos. Eu agradeci por isso, porque aquele sorriso era capaz de destruir minha fortaleza.

- Pode falar Arthur.

- Por que não me contou que estava grávida?- perguntou e eu engoli em seco. Ele era direto mesmo.

- Porque tivemos uma conversa e você disse que não queria filhos. E eu não queria que minha filha fosse rejeitada antes mesmo de nascer!- falei e o arrependimento apareceu. Eu mesmo tinha feito isso.

- Você não tinha esse direito Lua, eu perdi várias etapas da vida da minha filha e tudo porque você achou que rejeitaria uma criança. Eu posso ter todos os defeitos do mundo, mas nunca faria isso!- falou nervoso.

- Você nunca quis ser pai, eu só respeite um desejo seu!

- Eu nunca tive nada que eu amasse de verdade, nunca fiquei tão empolgado na minha vida com nada até eu me tocar que Dakota era a minha filha!- falou parecendo ser sincero. Fiquei em silêncio observando ele. -Você não podia ter feito isso! - levantou e começou a mexer nos cabeços. Eu continuei em silêncio. - Não vai falar nada?

- Você também é culpado!

- Culpado de que Lua? Por não ter adivinhado que você estava grávida de um filho meu? Desculpe, mas eu não sou adivinha e nem tenho bola de cristal.- falou se alterando.

- Tanto faz, você nunca vai carregar a dor que eu carrego. Você nunca vai ter medo de perder a Dakota, porque o sofrimento que eu passei quando ela nasceu você nunca vai passar!

- Tudo por culpa sua! Você não me contou e eu poderia estar ao seu lado e te ajudar com essa dor… E medo de perder a Dakota?

Tudo tem suas consequências

Capítulo 12  :

 LUA

Levantei da cama exausta, de um tempo pra cá eu estou sempre cansada. Venho andando com tonturas e até com vontade de comer pizza com sorvete. Estranho! Meu pai morre de rir quando me ver comendo isso.

Tomei um banho e desci para tomar café.

- Bom dia pai!

- Bom dia querida, como você está?

- Estou exausta, mas estou bem. E você pai?

- Estou bem… Lua, já está na hora de procurar um médico. Estou ficando preocupado com você!

- É que venho trabalhando muito pai, só isso.- falei e a nossa empregada trouxe minha pizza com sorvete, assim que olhei pra aquilo na minha frente meu estômago embrulhou e eu sai correndo para o banheiro. Depois de botar tudo que eu não tinha pra fora, meu pai chegou perto de mim.

- Engraçado filha, sua mãe ficou da mesma forma quando estava grávida!- falou e beijou o topo da minha cabeça.

- Eu não estou grávida pai!- falei mas minha voz não estava muito confiante.

- Tudo bem então querida, vou ir para o escritório. Nos falamos mais tarde!

- Ok- levantei do chão e escovei os dentes.

[…]

Estava na loja arrumando umas caixas quando fiquei tonta. Sentei no chão e ouvi Cléo chegando.

- Ai aí amiga, aqui está!- me entregou uma sacola. Olhei pra cara dela sem entender. - Abre isso ai!- abri a sacola e tinha três testes de gravidez. Ri da cara dela.

- Você acha que eu estou grávida?- perguntei ironicamente.

- Eu tenho certeza.

- Por que tem tanta certeza assim?

- Você engordou, anda com desejos, cansada e tonta e tirando as vezes que vomitou por aí. - olhou pra mim com um sorriso e eu engoli em seco-Trouxe isso aí pra você ter a certeza. Vai logo fazer! - acrescentou me ajudando a levantar e ir para o banheiro. Fiquei um tempão pra conseguir fazer xixi naqueles três testes. Sai e ela estava com a mão esticada, entreguei pra ela e sentei.

- Temos que esperar cinco minutinhos agora!- falou contando no relógio. Depois de intermináveis cinco minutos, ela sentou ao meu lado e me entregou.

- O que significa esse dois pauzinhos?- perguntei confusa.

- Positivo, eu vou ser titia!- falou animada e eu comecei a chorar. Não acredito que isso aconteceu.

4 meses depois

 

ARTHUR

Minha vida estava tão vazia e chata, mas ela sempre foi assim mesmo. Já deveria estar mais acostumado.

- Estou indo almoçar Andréia!- informei a minha secretária.

Estava andando pela rua sem destino. Observando o movimento das pessoas quando esbarrei em uma senhora.

- Perdão?- pedi e abaixei pra pegar a bolsa dela que tinha caído.

- Não tem problema meu querido.- falou a senhora feliz, fiquei observando ela ir embora quando uma pessoa me chamou a atenção. Era Lua, ela estava grávida de uns 9 meses e estava linda. Mas não parecia aquela menina atrevida que eu conheci na boate aquela noite. Seu rosto era triste, estava magra apesar de estar com uma barriga enorme. Fiquei observando ela e me imaginei sendo feliz ao seu lado. Era engraçado, mas eu sabia que ela conseguiria me tirar do poço de tristeza em que eu vivia. Imagina se esse filho fosse meu? Nunca quis ter filhos, nem criar uma família mas imaginar Lua carregando um filho meu mexeu comigo. Ela percebeu minha presença e se assustou. Botou a bolsa em frente a barriga, como se fosse possível esconder. Percebi que ela estava nervosa e aquilo me deixou intrigado. Por que ela está tão nervosa? Ela olhava para os lados procurando algum lugar pra ir e eu resolvi ir até ela, comecei a caminhar em sua direção mas uma voz me chamou e eu olhei para o lado pra procurar. Não achei ninguém e quando olhei pra frente de novo Lua não estava mais lá.

eu precisava trocar uma saia. guardei a etiqueta. meu gato subiu em cima da mesa, derrubou a sacola de lá, e tirou a etiqueta de dentro. a empregada jogou fora, e quando eu fui trocar a saia eu precisava dessa etiqueta. não consegui trocar a saia.

Que horas ela volta?

Política à parte, é inegável que nas últimas décadas o Brasil avançou na área da justiça social. Ainda que tenhamos muita desigualdade, com alguns avanços, pessoas que eram vistas como de segunda classe, agora podem sonhar com futuros antes impossíveis. O filho do pedreiro pode, por exemplo, sonhar em ser médico. A filha da cabeleireira pode sonhar em ser empresária e a empregada doméstica pode imaginar um futuro diferente do seu para os filhos. As dificuldades financeiras ainda são barreiras entre as pessoas e seus sonhos, mas pelo menos hoje é permitido enxergar por cima dos muros financeiros e sonhar. Esse é um dos temas tratados em “Que horas ela Volta?”, obra elogiável da diretora Anna Muylaert. Elogiado nos Estados Unidos, é o filme brasileiro mais assistido da história na França e vai concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Tratando justamente da contraposição das classes sociais, a trama traz a Empregada Doméstica Val (Regina Casé) que mora na casa dos patrões e é “quase” da família. Val recebe sua filha Jéssica, que veio a São Paulo para o vestibular. Jéssica é “acolhida” na casa dos patrões de sua mãe. A trama toda se desenrola no choque desses mundos: os patrões ricos, a empregada doméstica e sua filha que sonha em ser arquiteta e não acha tão normal o fato de sua mãe dormir num quartinho apertado e ser tratada como gente de segunda classe no universo daquela casa. Jéssica representa justamente essas novas possibilidades que aparecem no Brasil. Mas esse é apenas um dos temas de um filme que tem muitas camadas e interpretações.

A forma como os ambientes onde a Val vive são apertados e desconfortáveis, contrastando com o conforto do restante da casa, reforçam as diferenças entre as realidades de patrões e empregados. Os detalhes, como o fato da Val chamar sua patroa, que é mais jovem do que ela, de “Dona” Bárbara, deixam o filme ainda mais bonito e vale a pena assistir várias vezes para percebê-los. O papel da arquitetura como instrumento de mudança social fica claro numa análise um pouco mais cuidadosa, já que é a arquitetura que constrói quartinhos apertados nos fundos das mansões.

Muitas pessoas de várias classes, profissões e visões de mundo, precisam ver esse filme. Precisam conhecer a história da Val e entender, mesmo que de forma primária, como as mudanças sociais que aconteceram nos últimos anos têm impacto na vida das pessoas. Filmes como esse contribuem para mudar o pensamento de uma sociedade, e para a diversão de quem aprecia boas histórias.

Leva 5 garfinhos!

Elvis Picolotto

Eu acho que minhas costas doem, mas não tenho certeza. Estou anestesiado, de alguma maneira estúpida que não envolve álcool. Infelizmente, estou sóbrio. Há muito tempo estou sóbrio, cem por cento sóbrio, cem por cento dono de mim, infelizmente, há muito tempo, há muito tempo sem tocar no assunto. A cama eu não arrumo há quatro dias, e proibi a empregada de fazer isso por mim. A bagunça e o mau cheiro são uma moldura incrível para o “algo” desarmado que se tornou a minha existência. Nesse instante, estou sozinho na casa vazia. Casa vazia de corredores intermináveis, iluminação precária e livros impacientes. O ventilador faz um barulho indescritivelmente desagradável. E o calor dessa cidade me lembra de que mora o inferno dentro de mim. Eu, faminto, de cueca folgada e rasgada, de barba e de culpa mal feita. Subi após longos minutos de diálogo interno comigo mesmo. Eu posso até ter o inferno dentro de mim, mas o demônio, às vezes, se incomoda com a fome e com a realidade que costura a minha carne todos os dias. Parei pra abrir as janelas da sala e me deparei com um homem, de cabelos escuros, moreno com uma marca horrorosa de regata, aparentemente uns 45 anos, gordo, sem camisa, no apartamento em frente. Me encarou e desviou o olhar. Mero protocolo. Fiz o mesmo. Parei meus olhos no fio de céu que estava ao lado dele e, pela primeira vez desde que estou sóbrio, me senti verídico. Não havia motivo, mas havia um fio de céu, um inferno, uma vida, um cara desconhecido e muita, muita fome. Ele parou de desviar a atenção e me olhou. Nos olhamos. Tentei ver um pouco do apartamento dele, mas estava tudo escuro. Só consegui identificar um sofá e um abajur. Talvez, tivesse uma televisão um pouco mais ao lado, mas não tenho certeza, poderia ser uma estante também. Senti que ele sabia, e isso me incomodou de uma forma que quase estive feliz por uns nanosegundos. Senti que ele sabia que não arrumo a minha cama há quatro dias, ele sabia da minha forma errada e transgressora de encarar o mundo, ele sabia da minha mania de escrever sobre solidão após transar (ou quase isso) com alguém, ele sabia, inclusive, do meu fracasso em ser um escritor imbecil, eu era só um imbecil sem talento algum, exceto para quase sempre se dar bem consigo mesmo, ele sabia do meu ego inflado e ferido diariamente, ele sabia das minhas costas marcadas por unhas e espinhas e sabia que as cicatrizes eram a coisa mais parecida com amor que eu obtive durante todo esse tempo. Ele sabia que a vida pra mim era coisa boba demais, que o tempo, o tempo passa, eu fico, as pessoas somem, é assim. Ele sabia dos aniversários em que me odiei e odiei cada centímetro do meu corpo, esse corpo tão pouco fictício e cheirando a vodca, esse corpo tão pouco comercial e tão pouco higiênico, esse corpo morada de infernos, que sua mais que um trabalhador braçal e nunca fez porcaria alguma além de levantar uns pesinhos na academia e na alma. Ele sabia dos assaltos que aconteciam diariamente naquela rua, e da minha incapacidade de gritar, ou até de falar, ele sabia dos velhos porcos que morriam em asilos esquecido por gente como eu, jovem, bonita, saudável, infeliz, ele sabia da minha necessidade de sangrar, rir, beber, comer, pulsar, gozar, ele sabia dessa necessidade pra sempre não suprida, pra sempre real e palpável. Ele sabia do meu inferno, das minhas pupilas dilatadas por nicotina imaginária, do meu falso sentimento de desapego, ele sabia da minha playlist recheada de músicas eletrônicas numa tentativa desesperada de ser só batida alegre também. Ele sabia da minha falta de coragem em me matar, mas acho que nesse ponto do ser humano é igual, ele deve saber também, nesse ponto. Ele continua me encarando. Me sinto quase abraçado diante da sua cara de desapontamento impresso como uma tatuagem. Imagino com o quê ele está desapontado. Acho que consigo mesmo. Eu entendo, eu entenderei daqui a alguns anos, quando eu tiver quarenta e cinco anos e morar num apartamento infestado de traumas e fobias. Ele tem mulher? Ex-mulher, quem sabe? Tem filhos? Ex-filhos, quem sabe? Filhos não legítimos? Cachorros? Será que ele já contratou garotas de programa? Ele já pagou cinquenta reais numa pizza? Já esqueceu alguém com um porre? Já esqueceu de si? Ele tem algum tipo de sonho frustrado? Se eu fosse ele, se ele fosse eu, moraríamos em algum lugar afastado, bem isolado, isolado das pessoas que isolo agora, quem sabe numa terra nova, onde só eu e ele saberíamos onde fica, numa espécie de refúgio egoísta, onde eu precisasse ficar sóbrio porque eu abriria a janela e daria de cara com o abismo, e se eu estivesse bêbado, eu saltaria, finalmente voando, livre, finalmente. Eu daria de cara com o abismo, e não com ele. Tiro meus olhos dele e encaro a rua. O dia está mais cinza do que nunca e quase me sinto feliz. Quase me sinto com quarenta e cinco anos, e idiotamente eu acabo de dar um sorriso ao imaginar que toda essa droga já passou, eu já vivi, já era, tenho quarenta e cinco anos e gosto de usar regatas sem passar protetor solar. Ele sorri de volta. Acho que fazia tempo que ele não reparava em outro ser humano, de verdade. Eu também. Coçou a barriga enorme e fechou a cortina. Talvez ele estivesse vendo só um cara do outro lado da rua. No fim das contas, é só isso mesmo.
—  Cinzentos

Seu nome é Megara Shafiq, possui dezoito anos, está cursando Direito e é do primeiro período. É da Elite, pertence a Ballet, natação e Música. É frequentemente confundida com Lily Collins e atualmente está sendo interpretada por Lys.

CONHEÇA SUA HISTÓRIA;

Seu pai odiava o caos. Ele odiava uma casa desarrumada, odiava uma mesa que não estivesse organizada, odiava ternos mal-passados. Megara o observava desde que era uma criança, quando  ele entrava na sala de estar e depositava um beijo respeitoso na bochecha de sua filha e um nos lábios de sua esposa. Ela se  escondia ao lado da porta, para vê-lo retirar os sapatos e os entregar a empregada para escovar e colocar de volta no seu lugar. Ela via a maneira como ele ajeitava a gravata, usava o espelho para verificar o seu cabelo, e depois voltava para ficar com elas. Mesmo dentro de sua própria casa, ele tinha suas regras. Sem ruídos excessivos, sem música - não mais do que suas lições de piano darias. Ele odiava as coisas que não estavam planejadas, a sua maneira, e agora, que ela já cresceu - ela vê muitas características do  pai, ela vê em si mesma. Talvez não em sua aparência, a inclinação dos olhos e a cor em seu cabelo são de  sua mãe. Mas a maneira como seus lábios se curvavam quando algo desagradava a ela, o sulco na testa enquanto ela tenta entender um problema, essas eram características de seu pai.

Às vezes, ela se pergunta como ele poderia parecer  com a sua mãe dada a grande verdade que a ela só foi revelada depois que cresceu. Jackeline Shafiq não era sua mãe biológica, e sim Madelaine Heathcliff, uma empregada que os Shafiqs tinham na época em que Jackeline e Edgar se casaram. Ambas as mulheres engravidaram ao mesmo tempo, seja por falta de sorte ou por ironia do destino, a filha de Jackeline nasceu morta. Madelaine que só estava interessada no dinheiro de Edgar, ofereceu sua filha para ocupar o lugar mas isso não sairia de graça. Com uma boa quantia de dinheiro nos bolsa Madelaine retornou a França. Jackeline se apegou a Megara e a criou como filha mas assim que a jovem completou doze anos contou toda a verdade. Para ela não importava Jackeline era sua mãe e seu pai, foi perdoado, talvez ele a amasse  tanto assim, um pensamento que lembrou a Megara que seu pai tinha fraquezas, bem como a força. Foi uma mentira que ele contou que sua filha continuasse com ele, esse segredo era conhecido apenas entre eles e era  onde ele precisava permanecer. Então ela guardou esse segredo, não porque ela é obediente ou uma boa filha, mas porque ela não quer perder sua posição na sociedade. Megara sabe como segurar sua língua, como ser calma e sorrir nos momentos certos. Ela sabe como conduzir-se como seu pai, mas mantem o mesmo segredo que sua mãe tinha. Era mais importante  garantir um bom casamento do que  ser honesta.

Quando ingressou no instituto foi por vontade própria sabendo que não havia lugar melhor para ser educada. Sua própria vida foi moldada em torno de tudo o que foi ensinado, seu talento acadêmico, bem como a sua natureza competitiva na natação algo que ela sempre se orgulha. No entanto, ela sempre está impecável, nunca teve uma única mancha em seus joelhos e os pés marcados pelas sapatilhas do balé era muito bem tratados e escondidos. Se ela se divertia em Hogwarts? Claro, todos se divertiam cada qual com a sua maneira. Ela quer fazer seus pais, seu pai, orgulhoso. Mas nem tudo foram flores no instituto, lá Meg conheceu seus grandes amigos e teve a oportunidade de ter seu irmão Noah por perto os quais ela sabe que levara para toda a vida, porém em seu quarto ano a menina teve que lidar com algo maior, uma lesão na coluna gerada por um cambré mal executado, e agravada pela teimosia da menina em procurar um especialista, fez com que Megara fosse submetida a uma cirurgia, assim afastando a menina da dança.

A abertura da universidade  no mesmo campus do instituto foi para Meg uma boa alternativa de não precisar se submeter a grande mudanças nesse momento em que ela já estava enfrentando muitas dificuldades por causa de seu estado de saúde. A opção de cursar Direito veio em por fim poder fazer algo que seu pai a apoiaria e ela de certa forma gostava, já que não mais poderia ser uma bailarina Clássica.

PERSONALIDADE;

O que está por trás dessa  jovem que desliza tão graciosamente ao som de músicas? Muito, mas há pouco que se pode exibir. O mais notório em Megara  é  doçura e timidez. Ela é uma jovem reservada que  tanto tem a esconder. Desde a infância, ele aprendeu a controlar seus sentimentos e selecionar o que seria visível para outras pessoas. Ninguém poderia imaginar o que há  por trás desse sorriso caloroso. Era exatamente o que levou seus pais forçarem a construir muros em torno de si, o que não significa ficar longe das pessoas, mas sabemos que é um processo muito difícil. Há tanta coisa para esconder que poucos conhecem detalhes sobre sua vida, se não ninguém. Cuide bem de seus segredos, era seu lema. Se não fosse por seus olhos suaves e calmos as  pessoas a considerariam  uma pessoa fria, ela exala uma aura de paz e elegância digna de uma canção clássica. Ela é extremamente insegura, isso devido  a pressão que sua mãe exerce em todos os aspectos de sua vida, mas também a si mesma. Nada para ela era suficiente: Não era bonita o suficiente ou esperta o suficiente ou capaz o suficiente.

UM POUCO MAIS;

  • Suavidade, graça e elegância. Suas características mais marcantes a conduziram a atividades femininas influenciadas por Jackeline que havia sido educada para ser uma lady e assim educou a filha. Desde muito nova a música fez parte de sua vida e Megara manteve o balé e o piano pois ambos a disciplinavam e acalmavam. Já por escolha própria e para gastar toda a energia que a morena tinha, ela pegou o gosto pela natação.
  • O direito sempre fez parte da vida da garota, com o pai sendo proprietário de um dos maiores escritórios de advocacia de Londres e um dos melhores advogados, ela sempre ajudou em pequenas causas e passava a maior parte dos fins de semana observando o pai em seu trabalho, para ela foi a escolha mais natural.
  • Em Hogwarts ela conheceu seus melhores amigos Georgia Brown e Drizzle Ramirez. E se aproximou de um que já possuía Khal. E a fez cativar excelentes companhias como Severus Snape com quem a moça teve um envolvimento um pouco maior  do que com os demais. Cassidy, Gawain e Alfred, também se mostraram ótimos companheiros com quem a moça dividiu algumas aventuras.
  • Alexandre Selwyn é uma das poucas pessoas que Megara nutre um certo desconforto em estar perto, tem alguns ressentimentos pelo rapaz e faz questão de deixar isso bem claro, tanto para ele quanto para as demais pessoas que os cercam. Tendo Bellatrix como a segunda pessoa dessa lista, Megara que antes a via como um exemplo a ser seguido procurou se distanciar depois que descobriu o que ela havia feito a Cassiopeia.
  • Seu quarto é repleto de rosas azuis que são suas flores favoritas.
  • Ela sempre amou “Lago dos Cisnes”, um de seus maiores sonhos era estrelar tal trabalho em um grande palco, mas isso ficou para trás com a operação na coluna mas ainda assim e menina mantem a fascinação pelos clássicos tais quais gisele e red shoes. E sempre que possuí um tempo livre aproveita para espiar as aulas de ballet.