ei-amei

Tarde Vos amei,
ó Beleza tão antiga e tão nova,
tarde Vos amei!
Eis que habitáveis dentro de mim,
e eu, lá fora, a procurar-Vos!
Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes.
Estáveis comigo e eu não estava Convosco!
Retinha-me longe de Vós
aquilo que não existiria,
se não existisse em Vós.
Porém, chamastes-me,
com uma voz tão forte,
que rompestes a minha Surdez!
Brilhastes, cintilastes,
e logo afugentastes a minha cegueira!
Exalastes Perfume:
respirei-o, a plenos pulmões, suspirando por Vós.
Saboreei-Vos
e, agora, tenho fome e sede de Vós.
Tocastes-me
e ardi, no desejo da Vossa Paz.

Santo Agostinho

Ei você, eu te amei! Como eu pude nao saber?

Eu amei você. Como eu pude não saber? Devia estar tão nítido em mim e nas minhas atitudes. Agora eu sei por que fiquei, por que aguentei todas as piadas, por que aguentei as grosserias. Eu amava você! Eu te amei e me sinto péssima por não ter te contado, quando eu amo alguem gosto de contar a pessoa, de dizer todos os dias, sempre que puder, pra que ela saiba que eu realmente a amo, pra que a pessoa se sinta tão importante quanto ela realmente é. Mas eu não fiz isso por você,eu não te disse “eu te amo”, eu não sabia, te juro, eu prometo que só descobri agora, quando disse pra o meu melhor amigo “quem ama de verdade ama os defeitos também” ai eu percebi que te amava, cada pedacinho! Cada qualidade e cada defeito - que eram muitos- cada resposta grossa e cada mozinho. Eu amei você e não percebi isso, desculpa por não notar. Não iria adiantar nada se eu percebesse porque não era recíproco. Acho que você devia saber, eu te amava, eu estava tão cega dizendo a mim mesma que eu não sentia isso por você, porém estava claro, em toda vez que eu fiz algo pra te agradar mesmo não gostando, quando eu ficava super preocupada quando você bebia, como meu coração acelerava toda vez que você me beijava, eu te amei.

- Victoria Mariah
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem. Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora ardo no desejo de tua paz.
—  Agostinho de Hipona.