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Você disse que iria me esperar. E eu não soube o que fazer. Disse que poderia esperar três, quatro, até dez anos. Imagine. Você não consegue nem esperar o prato esquentar no micro-ondas. Eu te falei que seria difícil, por razão dessa tal impaciência. Recebi a resposta: “É por uma boa causa”. Prometi pensar no caso. Você e eu. Eu e você. É como se combinasse as duas peças do quebra-cabeça, nossos corpos se encaixassem como uma luva. Me faz tão bem. Me faz tão mal. Segredos à parte, mas queria guardar-te no bolso da minha calça jeans. Revelar uma fotografia nossa e gravar no coração. Lembro dos teus olhos turquesa me observando, como se estivesse gravando cada milímetro do rosto, como se eu fosse partir a qualquer momento. Dos abraços inesperados, das declarações no meio da madrugada. Das brincadeiras, piadas e risadas que demos juntos. O amor pode doer, e muitas vezes é como aquela dor muscular que cessa depois de algum tempo. Você me dói todos os dias, minutos e segundos. Nas lanchonetes da cidade, nas roupas que uso, músicas que escrevo e no perfume que sinto. Você está em todo lugar. Como agora posso te tirar de mim?
—  Sobre você, sobre nós. Craquelar.