echeñique

 Percebi que para um relacionamento dar certo não se precisa de muita coisa. Na realidade o amor não exige muita coisa. Exige apenas o cuidar bem, o abraço quando o outro sentir necessidade, o sorrir quando os olhares se cruzarem, sem mágoas, sem frieza, sem choros, sem quaisquer coisa material, exige apenas coisinhas pequenas, míseros cuidados que só quem realmente ama é capaz de nos dar.
—  P.James
Eu sou um cara comum que uma vez se ajoelhou e perguntou: “Quer se casar comigo?”Ela respondeu: “Não.” Peguei minhas coisas e fui procurar uma mulher que diga “sim”. Eu sou um cara comum que uma vez a namorada chegou em casa chorando. Segurei a mão dela, e disse: “Não chora. Estou aqui.” Ela respondeu: “Eu te trai.” Peguei minhas coisas e fui procurar uma mulher que não trai. Eu sou um cara normal que namorou por quatro anos e a namorada terminou por mensagem dizendo: “Vai dar errado.” Peguei minhas coisas e fui procurar uma mulher que dê certo. Eu sou um cara normal que uma vez se apaixonou pela melhor amiga. Se declarou. E escutou: “Você é especial, mas…” Peguei minhas coisas e fui procurar uma mulher que não tenha “mas.” E sim, uma mulher que queira mais. Eu sou um cara comum que chora em filme, propaganda e foto de família. Mas neste mundo homem sensível é “clichê” ou gay. Eu sou um cara comum que não quer ganhar no jogo. E muitas vezes perde no amor. Eu sou um cara comum que em 2001 teve uma doença de pele e perdeu os cabelos. Vários amigos disseram: “Careca? Nenhuma mulher vai querer você.” Peguei minhas coisas e fui procurar outros amigos que disseram: “Você sarou? Precisa de algo?” Eu sou um cara normal que uma vez quando criança, escutou um menino dizendo para uma menina: “Você é feia.” Ela saiu correndo chorando. Peguei uma folha e escrevi em todas as linhas. “Você é linda.” Deixei dentro da mochila dela. No outro dia, ela colou a folha na capa do caderno. Eu sou um cara comum que um dia, a namorada enviou uma mensagem: “Eu amo você.” Uma semana depois, terminou dizendo: “Não vou ficar com você por pena porque seu pai está doente.” Peguei minhas coisas e fui procurar uma mulher que não tenha pena de mim. Eu sou um cara comum quero ter uma casa, uma familia e um labrador. Um cara comum que o pai está doente. Não fala, não anda mas ainda sorri. E não vai desistir. Um homem com uma história que ninguém acredita. Que passa horas no banho para a água se misturar com as lágrimas. Que todas as noites tranca a porta do quarto para sua mãe não entrar e vê-lo chorar. Que escreveu na parede: “Mais coração, menos razão” Que desenhou no teto um céu cheio de estrelas. Para sonhar, rezar e pedir: “Deus, por favor, você poderia mandar alguém aqui para curar meu pai?” Eu sou um cara comum. Não importa o quanto isso me destrua. Eu não vou parar. Você pode não acreditar. Eu não me importo. Não vou desistir. Por que se eu desistir, eu seria outra pessoa pela qual não vale a pena lutar.
—  Faça amor, não faça jogo. Ique Carvalho.
Eu queria encontrar um mulher
que não estivesse apaixonada
por um homem que “ama” todas as mulheres,
que diz para todas “você é a mulher da minha vida ”,
que “você é pra casar”,
mas que agora ele não quer um relacionamento.
E uma semana depois, ele se casa.
Não com você.
Mas com outra que ele conheceu há um mês.
—  Faça amor, não faça jogo.
Você conhece um homem.
Sai uma, duas, três vezes.
E chega aquele momento em que não aguenta mais.
E diz para você mesma:
“Quero um relacionamento sério”.
Por que as pessoas dizem isso?
Relacionamento sério…
Por acaso existe outro tipo?
Se não for sério, é outra coisa.
Você se envolve, mas ele é da farra,
de beber e de ficar com várias.
Por que as pessoas procuram isso?
Um beijo bom, um sexo bom…
O sexo e o beijo deveriam ser bons entre duas pessoas.
Não entre mil.
Mas com você vai ser diferente, né?
No outro dia, você esbarra com ele na noite.
Você nem tem a chance de dizer: “Boa noite”.
Ele vai embora com outra.
É estranho como algo tão doce se torna meio amargo.
Enquanto ele está lá fora, realizando seus desejos,
você enche a cara.
Mas álcool não preenche um coração vazio.
Você volta pra casa, fecha todas as portas, e chora.
Será que um dia você vai entender?
Não é a mulher que tira o homem da noite.
É a maturidade.
Você atende o telefone e ele percebe a sua indiferença.
Pede desculpas e diz: “Isso não vai acontecer novamente”.
À noite, na cama, ele fode a sua honra.
De manhã, na cozinha, ele faz jus à fama:
“Vamos com calma, devagar.
Tenho medo de me envolver e de sofrer novamente”.
Ele te abraça, mas o abraço não esquenta.
Esfria.
À noite, ele nem liga.
E você começa a maldita contagem.
Há três anos estou sozinha…
Então, Juliana, por que você não escolhe um homem melhor?
Por que, Ana, você não diz adeus aos dias
que escutou “não” em vez de “sim”?
Isabella, fiquei pensando,
por que não escolhe um homem melhor?
Por que, Paula, não diz adeus aos instantes
em que foi enganada em vez de amada?
Rafaela, fiquei pensando,
por que não escolhe um homem melhor?
Letícia, por que não diz adeus
aos momentos de cobrança em vez de confiança?
Marcela, fiquei pensando,
não basta seguir o coração;
uma vez ou outra, você precisa guiá-lo.
No fundo, você sabe disso. Não é difícil de ver.
Até eu sei e vou lhe dizer, até que você acredite.
Você é de um.
Ele, qualquer um.
—  Ique Carvalho.
Hoje sentei ao lado do meu pai.
As mãos dele começaram a tremer.
Ele pegou o iPad e escreveu:
“Meu filho, estou com dificuldades para digitar.
Não sei até quando vou conseguir.
Então, vou escrever algumas coisas
pra você nunca esquecer, tudo bem?”.
Respondi: “Tudo bem”.
Ele começou a digitar.
Quando terminou, com os olhos cheios d’água,
entregou o iPad. Comecei a ler:
Enquanto eu estiver vivo,
não me deixe dormir até tarde.
Estamos aqui por pouco tempo.
E enquanto estou aqui quero aproveitar.
No café, não coloque adoçante.
Eu gosto com açúcar, com afeto.
Na hora de me dar banho,
não precisa escutar Roberto Carlos.
Pode colocar o vocalista cabeludo que você gosta.
Não lembro o nome dele, é Eddie Vera?
Daqui a dois meses é meu aniversário.
Me leve para ver o mar pela última vez.
Enquanto eu estiver vivo, toda sexta-feira,
traga rosas vermelhas e entregue a sua mãe.
Antes de dormir, gosto de ver o Jornal.
Quando acabar, por favor, mude de canal.
Não deixe na novela!
Os canais que eu gosto: HBO, Discovery e Fox.
Quando sair do quarto, deixe a cortina aberta.
Eu gosto de olhar as estrelas.
Antes de dormir, leve sua mãe ao meu quarto todos os dias.
Eu quero que os olhos dela sejam a última coisa que eu vou ver.
Enquanto eu estiver vivo, vamos precisar de sinais.
Quando eu piscar uma vez, é “sim”.
Duas vezes é “não”.
Três vezes é “eu te amo”.
Nós todos vamos morrer.
Depois que eu partir, continue comprando
rosas vermelhas.
Mande entregar toda sexta-feira na casa da sua mãe, sempre com
um cartão, escrito:
“Com amor, Juarez”.
Quando minha neta completar 15 anos, dê uma joia e dance a
valsa com ela.
Entre um passo e outro, diga suave no ouvido dela: “O vovô te
ama”.
Uma vez por ano, junte seus irmãos, sua mãe, e façam uma
viagem.
Não foque no medo. Foque na sua vida.
Encontre alguém com quem vai passar o resto
da sua vida.
Homens tornam-se maridos e pais.
Case-se.
É maravilhoso dividir a vida com outra pessoa.
É a coisa mais importante que existe. O amor.
Uma vez por dia, pegue o meu celular
e envie uma mensagem pra sua mãe escrito:
“Eu te amo”.
Uma mensagem pode mudar uma vida.
Todo dia 2 de junho, busque sua mãe
às 20 horas e a leve para jantar. Ela irá entender.
Quando eu era criança, sua vó me levou até o jardim e disse:
“Olhe para o céu. As pessoas não morrem. Elas viram estrelas.
Elas podem nos escutar. E até realizar sonhos”.
Depois que eu partir, olhe para o céu.
E toda vez que vir uma estrela,
será o nosso reencontro.
Entreguei o iPad para ele.
Enxuguei as lágrimas.
Respirei.
E pisquei três vezes.
—  Faça amor, não faça jogo, Ique Carvalho