e minha letra feia

Não nasci para ser estrela.

Nunca fui brilhante, jamais carreguei o peso de uma pluma no olhar, nem um sorriso iluminado.
Sou meia boca, mediano, medíocre. Desisto em dificuldades e sou o artista do “poderia fazer mas não fiz.”
Minha letra é feia, minhas pernas tortas, concentração pífia e amores pela metade.
Provei o mundo e não saboreei nada, não fiz nada e prometi tudo, o mundo era meu no papel, e hoje eu choro como como choram as nuvens em dias fadados a dar errado.
Aquele batom vermelho eu nunca mais borrei, aqueles olhos verdes, nem de longe encarei. Adiei, procrastinei, falhei.
Um zumbi que não come cérebros, uma montanha que não toca as nuvens, um avião que nunca aprendeu a voar, um mar sem ondas.
Não deságuo nem sou represa, riachos correm belos e nascentes fazem nascer esperança.
Melancolia, monotonia, monogamia traída pela outra parte, mesóclise em dia porém nunca utilizada, mentiras demasiadamente contadas e vida mais ou menos vivida.
Que vida difícil, compadre, certo é meu filho que grita aos sete ventos que “não pediu pra nascer”, até ele sabe que o mundo é grande demais, e a gente é médio demais, a gente é sofrida demais.