e a realidade

Essa noite sonhei com você, teu cheiro, teu olhar, teus trejeitos e desejei que fosse verdade que quando eu acordasse você estivesse ao meu lado. E eu valorizaria cada milésimo de segundo ao seu lado, a curva do seu sorriso, suas manias, suas bizarrices e sua covinha que eu adoraria morder, mas foi tudo um sonho não é mesmo? Ando como se estivesse no limbo entre a realidade e meus sonhos, e você está ali apenas nos meus melhores sonhos. Tenho pedido o sono desde que você se foi e me pergunto: aonde está você quando eu preciso de ti?
—  Nem a distância vai nos separar.
Eu me sinto perdida, sabe? Sei lá, como se cada esforço que eu fizesse, não valesse mais a pena. Os últimos dias têm sido bastante complicados, eu me feri, chorei, cai, levantei e cai novamente e agora, eu já nem sei por qual caminho estou indo. Tudo parece ter perdido o sentido, como se eu estivesse fora da minha realidade e não soubesse mais voltar, como se uma força me puxasse e me deixasse presa no meu casulo, no meu mundo preto e branco. Dói, tudo anda bastante dolorido e sensível por aqui, eu só queria que parasse de doer, que parasse de latejar, porque eu já não ando mais aguentando os empurrões que a vida me dá, eu já não ando mais aguentando ser forte quando tudo aqui dentro, desaba.
—  Reenascendo
Eu soquei meu orgulho tão forte, que depois de um tempo esqueci que ele existia. Perdoei erros imperdoáveis e acreditei numa realidade utópica de um amor quase impossível. Tornei possível coisas inimagináveis. Acreditei em dragões e contos de fadas pra te fazer ficar. Fui ingênua. Te amei mais do que podia por capacidade humana. Te dei o que eu tinha e não tinha pra te fazer feliz como eu gostaria de ser. Te transformei naquele príncipe que a gente, estupidamente, sonha enquanto cresce. Escolhi a dedo as palavras pra te dizer, todas as vezes que lhe proferi algo. Te amei com meus dedos, meus olhos e cada fio de cabelo. Te odiei também, com cada pedaço meu, até com minhas entranhas que hoje gritam o seu nome. Te segurei pelo braço quando deveria ter te deixado ir. Me arrependo de coisas que fiz, que não fiz e principalmente, que desfiz. Por você. Por mim. Por um nós que não existiu. Te quis quando não deveria. Te tornei o que eu queria que você me tornasse. Me tornei outra pessoa. Fria. Calculista. Fechada. Já passou muito tempo, já senti muita raiva, muito amor, muito ódio e ainda assim, não há um dia em que eu não acorde sentindo uma saudade absurda do nós que existiu dentro de mim.
—  Desanimo.
Como de costume cada mês eu te falava algumas coisas de como você trouxe alegria para a minha vida e de como me transmitia essa alegria e paz só de te ter em minha vida, e hoje não seria diferente, mesmo que você não esteja mais aqui. Mais um mês que se passa e a partir desse eu terei que aprender a não escrever alguma lembrança para você. É dolorido, vazio e sufocante. Eu sei que a decisão foi a correta, eu não te fazia bem e na realidade acho que nunca fiz você se sentir realmente bem. Eu fico repassando cada momento dos últimos meses na minha cabeça e sempre me questiono aonde foi que eu me perdi, já que quando me perdi acabei te perdendo também. É como se eu estivesse dentro de um triturador de alimentos ligado no pulsar 24 horas por dia. Eu quero aprender a respirar novamente, caminhar entre meus tropeços sozinha e sorrir mesmo quando por dentro estiver tudo nublado e escuro. Eu queria te agradecer por cada momento por mais pequenininho que foi, você me fez rir como ninguém fez e principalmente quando tinha uma placa de “fechado para sempre” em mim. Eu falei isso várias vezes e repito quantas forem necessárias é você e sempre será. Posso me apaixonar por outro, amar, ter todos aqueles sonhos bobos que eu tive contigo mas ele nunca seria você. Eu penso no futuro e quando ler todas essas coisas que escrevi para você e em como vou me sentir. Todos os dias é mais uma tortura ridícula e eu só queria saber o porque de ser tão doloroso assim, porque eu não fui o suficiente para você. Eu também queria chorar mas não consigo, eu estou vazia, quando você foi embora me levou contigo e eu só queria um pedacinho meu de volta. Eu preciso continuar fingindo que está tudo ótimo como era antes de você.
—  Anna Paula Varella.
As histórias se perdem ao decorrer da nossa jornada. Tanta gente passa pela nossa vida, tantas coisas acontecem. São muitos os tropeços, mas também temos uma vasta coleção de vitórias. A cada novo amanhecer, temos a certeza de poder reescrever a nossa história e dar a ela um novo sentido. Talvez hoje não demos o devido valor aos nossos amigos e nem mesmo aos nossos pais, pela correria na qual temos nos encontrado ultimamente. A vida passa tão depressa que não somos capazes de observá-la com atenção. Hoje, infelizmente, o mundo do status e do poder têm nos mantido escravos das coisas supérfluas e sem sentido, da ilusão boba que o mundo tem nos passado. Crianças cada vez mais ausentes de sentimentos, trancafiadas dentro de suas casas com os seus aparelhos eletrônicos, egoístas. Jovens com pensamentos suicidas por não terem atenção dos chamados “crushs”, sentindo-se incapazes de ser alguém na vida por não terem o mais moderno dos celulares, tornando- se cada vez menos humanos. Estamos perdendo a essência da vida. Estamos enterrando o romantismo para dar vida as noites passageira. São tempos difíceis, onde não existe mais simplicidade e autenticidade, pessoas fogem da realidade para um mundo de ilusão. Onde a moda é: postar, curtir. Todo mundo quer aparecer, de frente, de perfil, sorrindo ou triste. Propagandeando a sua conquista por que encontrou o seu tal amor para mil vidas, satisfeito por exibir um status de “relacionamento sério” ou triste por que fulano te abandonou, enfim, todo mundo tem que gritar o que sente. E então você chega a conclusão que o mundo mudou e que ser #igualtodomundo não é pra você. E sente saudade, muita saudade do tempo em que as coisas eram reais, verdadeiras e simples.
—  Isabela Queiroz & Giulia S.

nunca é como a gente quer baby,

como a gente espera,

e como a gente sonha.

e isso é assustador

e dolorido. a realidade vem sempre devastadora

e isso me dói inteira

e eu preciso que pare.

[eu já não suporto os dias Baby, eu to cansada]

Ainda ouço a música que foi nossa trilha sonora, vou nos lugares que costumávamos ir e vejo o mesmo filme em que o pra sempre e sempre era realidade. Sei que não deveria, mas você partiu, e essa tem sido a única maneira de te sentir por perto, dia após dia.
—  Você me destruiu, mas eu te amo.
Não é a distância que separa as pessoas. É o "tanto faz"

A gente envia uma mensagem para alguém e o aplicativo mostra: mensagem enviada, mensagem entregue, mensagem lida… Mas a pessoa, do outro lado da tela, não nos responde.

Tudo bem, o mundo está uma loucura. A gente fica ocupado dezoito horas por dia e são tantas atualizações: Email, WhatsApp, Facebook, Twitter, Instagram, Messenger… Ufa… E tem alguém ali, em todas elas, dizendo “oi”.

Depois do “oi”, nós enviamos outra mensagem que é visualizada e ignorada. Tudo bem, lá vamos nós buscar a mesma desculpa, o mundo anda uma correria… e blá, blá… Mas então tu percebes que a pessoa entrou várias vezes - maldito aplicativo que tudo informa - e ela nem se quer envia um emoticon para dizer, “estou aqui”. Não pode escrever? Manda um áudio. Visualizar e não responder - em quase todos os caras - é deselegante e demonstra desrespeito por quem enviou a mensagem. E o respeito é a coisa mais importante em todas as relações.

 "Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão", disse Mia Couto num de seus discursos. E Zygmunt Bauman completa: “Eu penso que a a atratividade desse novo tipo de amizade, o tipo de amizade de Facebook, como eu a chamo, está exatamente aí: que é tão fácil de desconectar. É fácil conectar e fazer amigos, mas o maior atrativo é a facilidade de se desconectar. Na internet é tão fácil, a gente só pressionar ‘desfazer amizade’ e pronto, em vez de 500 amigos, nós teremos 499, mas isso será apenas temporário, porque amanhã a gente já terá outros 500, e isso mina os laços humanos”.

Depois de a nossa mensagem enviada ser ignorada numa espécie de 'tanto faz se essa pessoa me enviou uma mensagem ou não’, a gente pensa: 'o que eu disse de errado?’.

Nunca antes a indiferença, disfarçada pela tecnologia, 'destruiu’ tantas expectativas como atualmente. Não é o 'ódio’ pelo outro que desmonta o nosso sorriso por vezes tão duramente costurado. Não é a ofensa que apaga do coração a centelha de uma afinidade qualquer. O que entristece a alma, aquilo que pode afogar os sentimentos mais básicos de um coração, chama-se indiferença. A indiferença é arte do desdém.

Praticar a 'indiferença’ é praticar a 'desumanidade’. Pois o que seria a indiferença senão a desconstrução da humanidade? Quem pratica a indiferença - 'te respondo quando me der na telha e olhe lá’ - faz do outro qualquer coisa, menos ser humano.

Ignorar aquele que nos escreveu uma mensagem, que deixou um recado na caixa postal do telefone ou que nos enviou um 'olá’ pelas redes sociais é desrespeitoso.

Não é preciso uma pessoa morrer de amores por alguém que lhe escreveu um 'oi’ para, por educação, essa pessoa lhe retribuir com outro 'oi’. Nunca soube de alguém que morresse por ser gentil, educado. Sejamos gentis nem que seja para dizer “gostaria que tu não me escrevesses mais, ok?”. Acredita, isso soa mais 'delicado’ do que o silêncio da indiferença.

É óbvio que não é uma boa ideia dar corda para aquele chato que a todo custo quer sair contigo. Mas pior ainda é ficar em silêncio sem sequer dar uma oportunidade de responder. Estamos todos mergulhados, alguns mais, outros menos, no lado da decisão alheia. 'Será que ele vai me responder? Será que ela vai me ligar? Não custa nada’. E assim, dependentes de palavras vindas do outro lado da tela, permanecemos ansiosos e reféns da indiferença.

Não é a distância que separa as pessoas, mas sim a frieza, a falta de diálogo, a falta de atenção, a indiferença, o tanto faz… Isso sim forma abismo entre as pessoas.

É com pequenos gestos de atenção e respeito pelo outro que a sociedade muda, Se é verdade que o desdém, a indiferença, a insensibilidade podem matar almas, então é verdade que os gestos de educação podem revigorá-las. E isso vale mais do que mil beijos.

Texto por Israel de Sá.