e a realidade

Você ir dormir pensando naquela pessoa, imaginando como seria se ela estivesse ali com você. Te abraçando e dizendo que não tem lugar algum que ela queria estar se não fosse em teu abraço. Você acorda e fica imaginando como seria acordar todo dia com o sorriso da pessoa que se ama, que se quer por perto. Acordar e logo de cara se deparar com um áudio no WhatsApp de 15 segundos, ouvindo aquela voz roca, sabe ? Aquela vozinha de sono que quase não saí, mas mesmo assim a pessoa se esforça o máximo para te desejar um bom dia e pra se cuidar. Você dorme acreditando que no dia seguinte as coisas podem ser assim, mas acorda e vê que a realidade é outra.
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Eu só queria que  a gente desse certo.

Ainda ouço a música que foi nossa trilha sonora, vou nos lugares que costumávamos ir e vejo o mesmo filme em que o pra sempre e sempre era realidade. Sei que não deveria, mas você partiu, e essa tem sido a única maneira de te sentir por perto, dia após dia.
—  Você me destruiu, mas eu te amo.
Sem a música, a vida seria um erro — disse Nietzsche ao mundo. Eu, em minha simplória sabedoria, digo mais: Sem a arte, a vida seria um erro. Sem a música, a vida perderia seus raros momentos de harmonia. Sem a literatura, a vida seria um mero engano e a realidade não seria tão suportável. Sem a pintura, a vida não seria colorida como é, e possivelmente não perceberíamos que a loucura também é um meio de genialidade. Sem a fotografia, a vida não seria tão memorável e seriam mais raros os momentos onde nos aproximamos da eternidade. Às vezes, me pergunto como algo tão inútil para a lógica social, pode continuar sendo uma atividade cada vez mais viva, mais buscada… Talvez, seja porque a arte é a própria vida, a projeção das angústias humanas, a representação de nossa incompletude insaciável. E se eu estiver certo sobre isso — e acredito que estou, em certa medida —, podemos nos alegrar um pouco mais, despertar em cada um de nós a vocação artística e reavivar a genialidade criadora que os Românticos tanto exaltaram. Pois se a arte é a própria vida, ela existirá enquanto existirmos, cumprindo o seu inefável papel de nos oferecer a beleza, o encanto e a catarse que a crueza da realidade tanto nos nega.
—  Gabriel Vargas
Sabe, Lucky, sou uma garota solitária. Gosto de estar sozinha e fazer as coisas do meu jeito. Não sou daquelas pessoas desesperadas por amor ou daquelas que adoram falar abertamente sobre sua vida para alguém que acabaram de conhecer. Sou uma garota que trocaria facilmente uma noite na balada cercada de gente por uma noite debaixo da coberta com um bom livro nas mãos. Sabe, Lucky, gosto de colocar os fones e mergulhar em todos os universos irreais que criei pra mim porque a humanidade me enlouquece. Lucky, eu acho que cada um tem uma modo de fugir da realidade e ficar sozinha é o meu. E naquela noite quando você sussurrou que me amava, eu enlouqueci, Lucky. Como diabos você podia me amar? Me odiei por ter deixado isso acontecer. Não queria parti seu coração, mas também não queria abrir mão de estar sozinha. Era como se estivesse me pedindo pra escolher entre você e eu. E, Lucky, sou muito egoísta. Depois que mandei você embora e pedi pra ficar longe de mim para sempre, ciente do quanto estava machucando você, me vi sozinha naquele quarto. A chuva e o vento lá fora, o cheiro de café e dos livros antigos na estante… eu gostava de poder desfrutar daquilo sozinha. Porque você sabe, Lucky. Sou uma garota solitária.
—  Bruna Gomes
Dias tristes, vontade de fazer nada, só dormir. Dormir porque o mundo dos sonhos é melhor, porque meus desejos valem de algo, dormir porque não há tormentos enquanto sonho, e eu posso tornar tudo realidade.
—  Caio Fernando de Abreu.
Não é a distância que separa as pessoas. É o "tanto faz"

A gente envia uma mensagem para alguém e o aplicativo mostra: mensagem enviada, mensagem entregue, mensagem lida… Mas a pessoa, do outro lado da tela, não nos responde.

Tudo bem, o mundo está uma loucura. A gente fica ocupado dezoito horas por dia e são tantas atualizações: email, WhatsAppm, Facebook, Twitter, Intagrem, Messenger… Ufa… E tem alguém ali, em todas elas, dizendo “oi”.

Depois do “oi”, nós enviamos outra mensagem que é visualizada e ignorada. Tudo bem, lá vamos nós buscar a mesma desculpa, o mundo anda uma correria… e blá, blá… Mas então tu percebes que a pessoa entrou várias vezes - maldito aplicativo que tudo informa - e ela nem se quer envia um emoticon para dizer, “estou aqui”. Não pode escrever? Manda um áudio. Visualizar e não responder - em quase todos os caras - é deselegante e demonstra desrespeito por quem enviou a mensagem. E o respeito é a coisa mais importante em todas as relações.

 "Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão", disse Mia Couto num de seus discursos. E Zygmunt Bauman completa: “Eu penso que a a atratividade desse novo tipo de amizade, o tipo de amizade de Facebook, como eu a chamo, está exatamente aí: que é tão fácil de desconectar. É fácil conectar e fazer amigos, mas o maior atrativo é a facilidade de se desconectar. Na internet é tão fácil, a gente só pressionar ‘desfazer amizade’ e pronto, em vez de 500 amigos, nós teremos 499, mas isso será apenas temporário, porque amanhã a gente já terá outros 500, e isso mina os laços humanos”.

Depois de a nossa mensagem enviada ser ignorada numa espécie de 'tanto faz se essa pessoa me enviou uma mensagem ou não’, a gente pensa: 'o que eu disse de errado?’.

Nunca antes a indiferença, disfarçada pela tecnologia, 'destruiu’ tantas expectativas como atualmente. Não é o 'ódio’ pelo outro que desmonta o nosso sorriso por vezes tão duramente costurado. Não é a ofensa que apaga do coração a centelha de uma afinidade qualquer. O que entristece a alma, aquilo que pode afogar os sentimentos mais básicos de um coração, chama-se indiferença. A indiferença é arte do desdém.

Praticar a 'indiferença’ é praticar a 'desumanidade’. Pois o que seria a indiferença senão a desconstrução da humanidade? Quem pratica a indiferença - 'te respondo quando me der na telha e olhe lá’ - faz do outro qualquer coisa, menos ser humano.

Ignorar aquele que nos escreveu uma mensagem, que deixou um recado na caixa postal do telefone ou que nos enviou um 'olá’ pelas redes sociais é desrespeitoso.

Não é preciso uma pessoa morrer de amores por alguém que lhe escreveu um 'oi’ para, por educação, essa pessoa lhe retribuir com outro 'oi’. Nunca soube de alguém que morresse por ser gentil, educado. Sejamos gentis nem que seja para dizer “gostaria que tu não me escrevesses mais, ok?”. Acredita, isso soa mais 'delicado’ do que o silêncio da indiferença.

É óbvio que não é uma boa ideia dar corda para aquele chato que a todo custo quer sair contigo. Mas pior ainda é ficar em silêncio sem sequer dar uma oportunidade de responder. Estamos todos mergulhados, alguns mais, outros menos, no lado da decisão alheia. 'Será que ele vai me responder? Será que ela vai me ligar? Não custa nada’. E assim, dependentes de palavras vindas do outro lado da tela, permanecemos ansiosos e reféns da indiferença.

Não é a distância que separa as pessoas, mas sim a frieza, a falta de diálogo, a falta de atenção, a indiferença, o tanto faz… Isso sim forma abismo entre as pessoas.

É com pequenos gestos de atenção e respeito pelo outro que a sociedade muda, Se é verdade que o desdém, a indiferença, a insensibilidade podem matar almas, então é verdade que os gestos de educação podem revigorá-las. E isso vale mais do que mil beijos.

Texto por Israel de Sá.

Os dias estão tão cansativos, nada mais me cativa, me anima, me dá interesse. Acho que preciso de um tempo só, de um espaço entre mim e essa realidade que me corrói tanto. Sou muito ambicioso, sinto demais, penso demais, e normalmente, a vida não é gentil com pessoas assim.
—  Júnior Souza.
Lembra quando era criança e acreditava em contos de fadas? A fantasia de como sua vida seria, o vestido branco, o príncipe encantado que a levaria embora para um castelo na montanha. Você deitava à noite, fechava os olhos e tinha total e completa fé. O papai noel, a fada madrinha, o príncipe encantado, todos tão perto que dava para sentir o gosto. Mas, eventualmente, você cresce e um dia, abre os olhos, e o conto de fadas desaparece. A maioria procura pessoas e coisas em que possam confiar.  É difícil abrir mão totalmente daquele conto de fadas. Pois quase todo mundo ainda tem um mínimo de esperança, de fé que algum dia abrirão os olhos e tudo virará realidade.
—  Grey’s Anatomy.