dty:queue

se você me diz agora ‘preciso de você aqui’, eu pedalo morro acima, eu peço um táxi e pago os vinte rais em moedas, eu saio correndo com meu pulmão de bronquite gritando, mas eu chego o mais rápido possível só pra oferecer um ombro e qualquer coisa.
se você me liga domingo ao meio dia e me chama prum almoço, ‘mas perto daqui só tem o mcdonals’ e eu tenho o maior nojo do mcdonalds. comida com gosto de papelão capitalista. eu vou. peço um hamburguer de frango. encaro a maionese. te vejo comer aquela torta horrorosa de maça e gordura. te escuto.
se você me diz que vai passar o feriado na cidade, jogando tempo fora, andando de skate na orla. eu sento na areia e fico te olhando de longe. só pra você não se sentir só.
se você me beija um pouco, depois de algumas doses beija outra garota completamente aleatória eu digo que tudo bem. você não parece bem. é isso que me preocupa. sua inconstância, seus nervos, seu caminho perdido, indo e voltando com a ex. deixa eu te ajudar de algum jeito, por favor.
se você quer ir aquele show cover daquele ex professor nosso. um lixo a banda. mas pra tomar uns drinks contigo, eu vou. escuto. até canto. você me deixa em casa depois com um abraço fajuto de boa noite. mas eu fico nas nuvens, feliz. dividir qualquer coisa meia boca contigo pra mim é o must, é ganhar o mundo.
é bonito, não é? a minha presença, a minha disponibilidade, a minha amizade sem pedir nada em troca. é lindo. diz que não? diz. diz que eu sou uma grande boba. eu sou. amizade é bonita assim quando é recíproco. se alguém se doa sem retorno é só abuso.
a próxima vez que você ligar do nada me pedindo alguma coisa ou me pedindo pra ir aí, eu juro que desligo.
mas você não liga, não procura, não pede.
quem precisa desse samba louco que a gente dança não é você. nunca foi. quem precisa dessa montanha russa sou eu. preciso. e não é recíproco. e eu cansei de ficar triste com isso.