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Aaron Jones House by Sean
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This house in Douglas, Massachusetts was first owned by Aaron F. Jones who moved to Douglas from Maine. He opened a successful lumber and coal business as well as a builder during the later part of the 19th century. He became the deacon of the Second Congregational Church and held a number of town offices. After his death in 1918, the house was turned into tenement housing and now serves as apartments.

Douglas State Forest: White Pine Trail- 6 miles

Pictured above: hiking essentials. Two hour hike did good for my soul and my body. Fresh air filled my lungs and my legs are still burning from climbing up so many hills. Both the beard and the pup and I needed a good day to spend to ourselves. We belong in the woods.

Capitulo 182

Ao final da música, mesmo sem melodia, continuaram a dançar no mesmo ritmo, querendo prolongar aquela chama de magia.


– Amor, a música acabou… – Vanessa sussurrou.


– E por que ainda estou ouvindo esse som me embalando? – Clara cochichou.


– Deve ser o eco da minha voz na sua mente, repetindo que te amo…


– Não tinha isso na música…


– Acabei de acrescentar, não acredita em magia?


– Sim… Mas… Mesmo assim… Essa música não ganhou de “thuru thuru”…


Vanessa arregalou os olhos e Clara gargalhou repetindo:


– Não adianta! Aceite! É o destino! Você ama uma caipira, a nossa musica é caipira também!


Vanessa tentou argumentar, mas, não conseguiu desconcertada com as risadas de Clara.


– Para de rir! Estou falando sério! Tenho mais sugestões aqui na playlist.


– “Esse thuru thuru thuru vem me atormentar…” – Clara respondeu cantando.


– Vai zuar né? Agora vou te dar motivos pra rir mesmo!


Vanessa atacou a cintura de Clara fazendo cócegas até caírem ao chão. A brincadeira só cessou quando tomou ares de sensualidade com Vanessa mexendo os quadris sobre o corpo de Clara atiçando o desejo o qual se concretizou em toda sua plenitude levando ambas ao êxtase e a e ao fim de suas forças. Deram lugar ao sono tranquilo com os corpos unidos como se fosse um só.


*************


Não era dia de expediente para Clara. Mas, dadas as circunstâncias, a promotora procurou Júnior na delegacia a fim de tomar conhecimento dos detalhes da surpreendente confissão de Acrisio no dia anterior.


– O que houve afinal Júnior? Por que Acrisio fez isso?


– Não sei Clara. Com essa confissão tenho que encerrar o inquérito, apesar de não estar totalmente convencido da participação de Acrisio nesses assassinatos.


– Se você não está convencido, não encerre! Continue as investigações. Foram encontrados todos os corpos dos trabalhadores desaparecidos?


– Não, mas, se Danilo falou a verdade, o verdadeiro assassino continuará solto, e pior gozando de certos privilégios por ser um parlamentar.


– Júnior, ainda há um longo caminho até o julgamento. O processo instaurado não implica necessariamente em concluirmos a busca da verdade.


– Do que você está falando Clarinha? Eu não sei quanto a você, mas eu tenho muito trabalho naquela delegacia, não posso me dedicar só a esse caso, especialmente quando ele oficialmente está encerrado no que diz respeito a polícia.


– Alguma coisa me diz que o decorrer desse processo ainda nos trará algumas surpresas…


– Não gosto desse seu tom misterioso Clara. Não vá se meter em encrenca. Acrisio ou Douglas, seja lá quem for o culpado por esse massacre, ambos são perigosos, e apesar de acusado nesse processo, não ficará preso, portanto…


– Eu sei. Ainda estamos na mira dele…


– Agora o alvo está na sua testa mais do que nunca.


– Por isso ainda posso contar com meu salvador profissional de donzelas em perigo não é?


Clara brincou arrancando um sorriso do delegado.


– Doutora você é um perigo!


Clara sorriu e comunicou:


– Já ofereci denúncia ao juiz, agora a bola está comigo delegado.

*************


Danilo levou o pai para sua chácara, seguro de que lá, nem a imprensa, nem seu irmão poderia importuná-los.


– Pai o que deu no senhor? Por que essa confissão?


– Danilo eu preciso assegurar o melhor tratamento para seu irmão. Ele enfrentar um processo, a exposição à mídia, e tudo mais pode leva-lo a um surto. Conversei com o psiquiatra que está acompanhando Douglas, ele recomendou uma internação para Douglas, mas por enquanto ele sequer aceita que é doente, imagine o que seria se ele fosse denunciado. E se fosse condenado, mesmo se fosse declarado incapaz de ser responsabilizado pelos crimes, você sabe o que são essas casas de custódia? Não posso permitir que seu irmão seja mandado para lá!


– Pai quem o denunciaria?


– Os antigos capangas dele. Tentaram me chantagear, ameaçaram denunciar o Douglas…


– Pai o senhor tinha meios pra lidar com esse tipo de coisa sem precisar confessar crimes que o senhor não cometeu!


– O que está sugerindo Danilo? Que eu desse para esses capangas outra “solução definitiva”? Mais mortes meu filho? Eu já acumulei muitas esses anos todos e o que isso evitou? Nada! Só piorei as coisas, até pela morte de sua mãe eu fui culpado, Vanessa tem razão! Assumindo esses crimes pago por aqueles os quais não posso mais ser condenado, e protejo você e Vanessa também de por ventura serem envolvidos nos meus crimes como cúmplices…


– Pai! Como isso vai nos proteger? O que o senhor vai fazer para explicar essas mortes? Gente que o senhor sequer conhecia! Por enquanto o senhor escapou dos detalhes no depoimento, mas daqui para frente como será? O senhor vai a júri, como vai falar dessas mortes? Vai entregar os seguranças do Douglas, e o que vai garantir que eles vão compactuar com a versão do senhor?


– Oferecerei vantagens a eles, assim como a Nilton.


– O senhor não está raciocinando… Não estranho que o advogado aja como agiu… Como defender o senhor assim? A propósito, precisamos de outro advogado, ele se recusa a continuar defendendo o senhor.


– Ofereça mais dinheiro, ele vai aceitar.


– Acho que o senhor está com personalidade dupla, só pode! Uma hora quer agir como um herói burro, outra hora como o poderoso Acrisio que corrompe e resolve tudo do seu jeito… Será que o senhor não vê que o senhor não pode resolver tudo do jeito do senhor? Não se trata só desses assassinatos… O Douglas é doente pai, o julgamento, a prisão do senhor vai afetá-lo do mesmo jeito!


Acrisio calou. A reflexão de Danilo era pertinente, e na sua impulsividade para proteger os filhos não raciocinara daquela forma.


– Pai, como o senhor vai nos proteger do nosso próprio irmão?


Outra vez Acrisio ficou sem resposta.


– Vá descansar um pouco papai. Vou tratar de encontrar outro advogado para o senhor.


– Meu filho, eu vou dar um jeito em tudo, não se preocupem, nada de mal acontecerá com nenhum de vocês, eu darei minha vida por isso.


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Vanessa evitou até mesmo os telefonemas de Danilo, numa atitude de autodefesa procurou ficar alheia até mesmo às notícias vinculadas nos meios de imprensa. Preocupada com tal comportamento da namorada, Clara se sentiu obrigada a tocar naquele assunto quase proibido entre elas nas últimas semanas:


– Van, eu tenho notícias sobre o caso do seu pai. Na verdade, nem eu e nem o Júnior temos total certeza da culpa dele nesses assassinatos, eu prometo me empenhar para trazer a verdade á tona, seja ela qual for.


– Agora você acha Acrisio Mesquita é inocente?


– Não é tão simples assim Van…


– Clara eu não estou assistindo TV, sequer acessando as redes sociais para não ter que ouvir todas as especulações acerca desse assunto, eu não quero também que você seja minha fonte de informações. Só me envolvi nisso para proteger você e ajudar meu irmão, já fiz minha parte, não quero mais falar nesse assunto.


Vanessa foi enfática, mas em cada palavra Clara captou a dimensão dos sentimentos de decepção e mágoa que ressurgiram na relação entre a fotógrafa e seu pai, assim, preferiu lhe dar o espaço necessário para processar aqueles acontecimentos segundo seu tempo, compreendendo que aquela suposta fuga seria passageira.


Coube a Clara ajudar a fotógrafa a encontrar o mínimo de tranquilidade nos dias que antecederam a sua primeira exposição no Brasil.

O nervosismo, a expectativa pela repercussão do evento elevou a vulnerabilidade da fotógrafa, que se viu ainda mais ansiosa considerando que naquele momento tão importante não teria o apoio de ninguém mais próximo a ela. Os amigos mais chegados no Brasil eram Júnior e Mayra, ambos envolvidos no processo do seu pai, os antigos amigos da faculdade ela não manteve contato.

Notando o quão carente Vanessa estava naqueles dias, Clara tomou a iniciativa de ligar para Alda, irmã de Alice, convidando-a para a exposição, para a decepção da promotora, a tia de Vanessa não poderia comparecer no Vernissage. Assim, Clara arquitetou outra forma de apoiar sua amada naquele momento especial.


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Vanessa conseguiu uma cobertura da imprensa não desejada uma vez que seu sobrenome não foi dissociado dos escândalos envolvendo Acrisio Mesquita, tal fato deu um tom desagradável a um momento que deveria ser unicamente de realização profissional.


O visual caprichado, e toda produção daquele saguão transformado em uma galeria, os flashes descontrolados e as dezenas de pessoas cercando Vanessa agravavam a sensação de solidão que a fotógrafa sentia em meio a cochichos, sorrisos falsos e elogios verdadeiros da crítica e mídia especializada.


Apesar da aparente calma e simpatia que Vanessa transparecia, estranhamente, a fotógrafa se entristecia, ao se dar conta que não podia compartilhar aquele sucesso com quem ela realmente se importava.


Quando o desânimo ameaçou lhe abater, afastou-se nas rodas de conversa que aquela altura parecia discutir em um idioma estranho para ela, e se refugiou na ultima coluna daquele salão onde uma de suas fotos estava exposta e nela se deteve em uma atitude quase contemplativa quando uma voz familiar lhe chamou a atenção:

– Até que essa fotografa tem talento não é?


Vanessa virou-se imediatamente para a morena de cabelos cacheados que estava ao seu lado. Estreitou os olhos tentando confirmar o que seus ouvidos concluíram.


– Clara?!

– Oi meu amor.

柴田敏雄 Toshio Shibata
Grand Coulee Dam, Douglas County, MA, 1996
Gelatin silver print.
30 7/8 x 39 3/8 in. (78.4 x 100 cm).