dores da vida

Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão a minha vida interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se-me quando, abrindo a janela para dentro de mim pude esquecer-me na visão do seu movimento. Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumam — quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras partes de paisagem — uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar. A minha mania de criar um mundo falso acompanha-me ainda, e só na minha morte me abandonará. Não alinho hoje nas minhas gavetas carros de linha e peões de xadrez — com um bispo ou um cavalo acaso sobressaindo — mas tenho pena de o não fazer… e alinho na minha imaginação, confortavelmente, como quem no Inverno se aquece a uma lareira, figuras que habitam, e são constantes e vivas, na minha vida interior. Tenho um mundo de amigos dentro de mim, com vidas próprias, reais, definidas e imperfeitas.
—  Fernando Pessoa.
Você dizia que me amava e, mesmo com todos os traumas e dores da vida, eu conseguia acreditar em você. Você me olhava e dizia que nunca me abandonaria, que ficaria presente mesmo e principalmente quando eu não merecesse. E aonde está você agora, além de aqui dentro de mim? Você me deixou! Você foi embora! Você não foi diferente, como disse que seria, e nem melhor do que todas que já passaram pela minha vida. Você jogou o nosso amor fora, nossa história. Me jogou, sem nem sequer saber como eu ficaria. Foi embora com a desculpa de que “não sentia mais o mesmo por mim”. E esqueceu de que eu me apego fácil, mas me desapego dificilmente. Não tem como dizer que amo num dia e no outro não sentir mais nada. Precisarei de algumas chuvas de lágrimas aqui dentro, para tentar limpar um pouco do que eu sinto por ti. E você agora, simplesmente me dá as costas, e me fala que não consegue mais, e que eu terei que superar a nossa história, sem nem me dar a oportunidade de tentar de conquistar novamente. Ou será que foi tudo mentira quando dizia que me amava?
—  Christiellen Pinto Lucas Vieira.
Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão a minha vida interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se-me quando, abrindo a janela para dentro de mim pude esquecer-me na visão do seu movimento.
—  Fernando Pessoa
Não, não me olhe assim, não me olhe como se tivesse pena de mim, eu não preciso disso, aliás, já estou acostumada com essa dor. Estou acostumada a lidar com a dor da solidão. Todos me abandonam, todos decidem seguir seu caminho. E eu? Ah, eu continuo por aqui mesmo. Não vou atrás de ninguém, por estar cansada de fazer o mesmo. Não vou implorar pra ninguém voltar e muito menos, pra me amar. Não vou mais. Eu cansei de ser uma boba e ficar me humilhando pedindo para me amarem. Não precisa ter pena de mim, eu já sei lidar com tudo isso. Eu já não choro todas as noites, não fico procurando alguém pra conversar, eu parei de fazer tudo isso faz algum tempo. Não me olhe assim, te prometo que logo isso passa. Tudo passa, não é mesmo? Eu já sei disso, todos sempre falam isso. Também não precisa fingir me amar, só pra tentar me animar. Não gosto de amores fingidos, tive experiências sobre esse assunto e prefiro não passar por isso outra vez. Não me olhe como se fosse meu amigo, eu sei que você não é. E também não me diga “Pra sempre”, logo, você irá partir e eu ficarei esperando o pra sempre acontecer. Não olhe pra mim, me deixe sofrer sozinha, estou acostumada a guardar tudo e só contar pra mim mesma. Não quero mais enganar o meu coração com ilusões e falsas promessas. Eu só quero ficar quietinha no meu canto e viver a minha vida inútil, então me deixa aqui. Não quero mais me apaixonar e depois ver você partindo e partindo o meu coração. Não quero que você sinta nada por mim, porque eu sei que é uma tarefa quase impossível. Eu não quero nada de você, eu consigo cuidar de mim sozinha, eu aprendi na marra. Estou acostumada com tudo que você considera drama, estou acostumada a ser a complicada e difícil de se lidar. Não me olhe como se pudesse me entender, porque não pode, ninguém pode e nem eu mesma. Não olhe pra mim, por favor, me deixa sofrendo com as dores da vida. Sou forte ou fingo que sou, mas não importa, só me deixa sozinha, porque sei lidar comigo mesma e essa confusão de sentimentos irá acabar. Eu só preciso de um tempo e de um pouco de tranquilidade. Não olhe pra mim, pode ficar sossegado, tudo isso um dia acaba, eu acredito nisso.
—  Não olhe pra mim, só me abraça e diga que tudo vai ficar bem.
Olhe, não fique assim, não. Vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo, porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta: as dores da vida. Pense assim: agora está insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Você acha que não, porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e, quando vai ver, o barco já tá lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo – é difícil de acreditar, eu sei – vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente tem que ser feliz sempre? Isso é bobagem. É melhor viver do que ser feliz. Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa. Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque, depois do topo, a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto alto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.
—  Antônio Prada
Mas aí você me olha de canto e sorri e eu não sei o que fazer. Porque meu pranto é seco e minhas mãos são frias e meu coração às vezes esquece de bater. E eu estico os braços e a mente pra te tocar, mas nunca te alcanço. Eu te olho. Eu te olho por trás da minha curiosidade e do meu medo de te exaltar e sei que isso é tudo o que eu conseguirei de você. A expressão do que você me permite conhecer. Nada mais. Eu desvio os olhos, por trás do meu ciúme e impaciência e escuto sua voz, falando deliberadamente sobre algo que você há muito sabe, e sei que isso é tudo o que eu ouvirei de você: o que você deseja falar. Eu nunca vou chegar nas partes de você que vacilam e crepitam em noites escuras, eu nunca conhecerei o gosto da sua felicidade e da sua paz. Só o que eu tenho é esse retrato caricato de quem você acredita ser, mas muitas vezes não é. Geralmente só de terças, quintas quem sabe, raramente domingos. Mas eu te olho e não consigo esquecer esse sorriso que chora. Essa resposta que questiona. Essa conformação que bate o punho na mesa e grita “não nos há salvação”. Nós estamos todos fadados ao esquecimento e à solidão. E você me olha como se quisesse que eu ficasse, mas soubesse que também eu parto. E eu digo que quem parte é você e você me dá um sorriso triste e não sei se você entendeu que parte também meu coração (mesmo que ele não bata). Somos descompassados. Irregulares. Inconstantes. Incógnitas inigualáveis. Não nos entendemos. Você diz que eu preciso crescer e olhar pra cima e amar o reflexo no espelho, mas só o que eu faço é olhar pra você e ver as olheiras embaixo dos seus olhos, que confessam que você não tem feito nada disso. Que esses mesmos olhos olham pra dentro e se franzem nas palavras “isso não basta”. E você se exaure. E transforma “eu te amos” em f(x) e resolve as equações, mas os resultados pouco dizem. Pouco significam. Conjuntos soluções vazios. Olhos vazios. Eu te encaro e você encara além de mim. Me pergunto se você sabe que eu gostaria de te alcançar e dizer “há mais”. Deixe-me entrar. Deixe-me atenuar sua angústia. Eu hesito, você se dispersa e começa a falar mecanicamente sobre algum assunto. Eu respiro fundo e tento te tirar do meu sistema. Fumo um cigarro. Dois. Tento escrever uma música, um poema, um soneto. Uma frase que seja. Nada. As palavras não me pertencem. Elas estão presas debaixo da sua língua, por entre os anéis que ligam sua boca ao seu pulmão e por trás dos seus olhos que oscilam com vida. Eu tento chorar. Espernear. Correr. Nada. Eu fecho os olhos e conto os segundos, fingindo que eles passam antes de chegar. Mas não passam. Você me chama. Dá uma risada curta, como se não houvesse tanta felicidade assim dentro de você, e diz que logo nos vemos. Eu fixo meus olhos em uma página poluída e vazia. Respiro fundo e confirmo se meu coração agora bate. Não bate. Faltam pedaços que você levou, sem saber, e vai largar esquecidos em uma estante de livros envelhecidos e caóticos. Assim como você.
—  m. c.
Paixão adolescente

Conversando com um amigo, relembrei momentos de minhas paixões adolescentes. Primeiro olhar, primeiro beijo, primeiro namorado… É tão romântico que chega a nos dar nostalgia, era algo novo, algo puro, algo que ainda não tinha sido modificado. Era um algo tão voraz, coração acelerava, risos não paravam, bochechas avermelhadas, desculpas esfarrapadas para ver a pessoa amada, sonhos acordados, me fez lembrar como é bom estar verdadeiramente apaixonada. Em meio a tantas dores da vida, espero um dia, poder viver novamente esse sentimento intensamente, de paixão adolescente, por alguém que me ame e eu o ame imensamente.

Deus

Cuida pra mim da menina a quem eu chamo de irmã e amiga. 

A menina que dá mais cor a minha vida. 

A menina que toca as mais belas melodias.

 E faz das dores da vida lindas poesias.

Proteja pra mim senhor, aquela guria doce com jeito pueril.

 Aquela moça tão bonita e gentil. Não deixe que ela perca a esperança. 

E nem tão pouco a confiança.

 Que ela nunca pare de sonhar.

Mesmo quando tudo ao seu redor desabar.

 Por que sempre que ela tiver forças pra orar.

 De algum jeito as coisas irão melhorar. 

Sempre que ela chorar. 

Tu estarás pronto pra consolar.

Letícia Santana para Laís Santana

Cresci, passei a fase da adolescência e aqui estou. 19 anos de pura fraqueza emocional, física e as vezes me comporto como uma retardada. E olha que cheguei nessa fase “adulta” a pouco tempo. Minhas crises de choros são maiores do que na minha infância. Ainda sinto ciúmes, mas sem aquele toque de inocência. Haaaa como o mundo muda segundo as nossas perspectiva de vida. Aos 10 anos eu queria ter 18, mas quando  fiz 18 eu queria ter 8. Naquela época dos pulmões e coração limpos eu achava que adulto era sábio e forte o suficiente para não chorar. Afinal, eu nunca vi os meus pais em prantos. Hoje descobri que eles choram e muito, mas no escondido. Que não passam de crianças maltratadas em um corpo desgastado pelas dores da vida. Eu choro, brinco, me explodo de raiva, necessito de um pouco de atenção…E pelo o que eu estou vendo e vivendo isso de instabilidade emocional vai durar por muito, muito tempo.
—  WHO.

vocetemvalor  asked:

Olá, tudo bem ? Eu fiz esse cantinho pra quem precisa conversar, chorar, desabafar, pra quem precisa de um ombro amigo, despejar as dores da vida. Você pode divulgar pra quem precisa ver ? Obrigada ❤

<3 

Livro. Substantivo ou verbo de primeira conjugação? Acho que ambos estão relacionados. Livro tem esse nome porque quando o leio é que me livro das coisas. Me livro das dores, do tempo, da vida, dessa vida, das banalidades, da ignorância. Através do livro, eu me livro. Percebe agora que tem tudo a ver?
—  Anna Heinzmann
Não vou falar da morte, ela que me desculpe, está perto de mais e longe o bastante para demorar. Vou falar da vida, da qual poucos dão lugar, dá qual poucos usam, daquela que nós fazemos pouco, dela que esta tão próxima a nos acompanhar, e desta que está tão perto da dona Morte, dessa mesmo, que poucos ousam falar. A vida é dolorosa, não vem com auto-ajuda, é o quebra-cabeça que um filoso não há de desvendar, é a coisa mais simples e porcelânica que alguns quebram sem pensar, mas á vida é um beijo para os que pensam bem. É o parto e a dor do partir, do crescer e do ir embora, da educação à política dos direitos humanos, do primeiro desenho ao quinto poema, ao amor de adolescente e a fascinação dos adultos, o querer diminutivo e o necessitar mais agudo. A vida é uma especie de divisão, a vida é feita de metades, ela é tipo uma peça. Olhe bem em sua volta, corações partidos de um lado e outros corações inteiros do outro, pessoas felizes, mas ao mesmo tempo não, alegria no ar, porém a decepção está ali ao lado esperando uma brecha para acontecer, sorrisos transformados em lágrimas e vice-versa, e o ódio caminhando ao lado do amor. A vida tem os seus altos e baixos, porém somos frágeis e impotentes o bastante para se deixar atingir por um momento de fraqueza e total baixo astral, a gente se entrega e assim vamos definhando aos poucos, e assim somos entregues totalmente à solidão e ao esquecimento. Claro que dói viver, entretanto muitos escolhem a morte do que a vida. Vai nessa, se mata, mas cuidado, pois você não verá mais o pôr do sol e muito menos sentirá a doçura ou os prazeres agridoces da vida porque você vai está dormindo pela eternidade, em um sono profundo e sem vida. As dores e desavenças da vida existem porque há ausência de coisas boas e positivas, é o que está em falta, mas não em extinção. Há uma linha fina entre a vida e a morte, linha torta, bamba e que entra constantemente em atrito. O fato é que a vida dói, mas é bom de se doer, o melhor remédio pra isso, é viver.
—  Fred e a Escritora no mesmo bar.
Eu preciso me iludir mais um pouquinho, deixar de pensar por um instante em possibilidades, e imaginar que vai durar para sempre, que vai ser um final feliz. Como eu queria ser ingênua e inconveniente, o tipo de pessoa que não se preocupa com nada, que vive sem pensar nas consequências ou dores futuras. Elas sofrem com o amor, e eu, com o vazio. Não transbordo histórias bonitas para contar, nem mesmo vergonhosas. Sou parasita, tenho medo das dores que a vida pode me causar, quando na verdade deveria ter medo de mim mesma, com essa ideia de que nada vai dar errado se não existir uma possibilidade. Eu preciso me ferrar mais um pouquinho, deixar de lado o receio de me arriscar, sempre conseguimos consertar o coração partido. Minha mania de entender tudo, e tentar manter o controle no amor me corrói aos poucos, sinto falta do tempo que se apaixonar não causava muito estrago.
—  Não quero falar sobre isso.