Eu não sei porque ainda te escrevo, porque ainda gasto minhas palavras com você. Nunca irá ler essas cartas, nem nunca saberá da existência delas. Mas eu sinto uma necessidade inexplicável de te escrever, de sentir que pelo menos um pouquinho fico mais perto de ti. Porque estamos tão distantes. Porque agora, simplesmente nos tratamos como dois desconhecidos? Nós já fomos muito, agora somos nada? Não consigo entender a lógica disso tudo, uma pessoa pode num dia ser totalmente sua e no outro não ser mais? Simples assim? Ou conforme o tempo passa o amor esfria e as pessoas se tornam diferentes? Por favor, só me dê uma explicação razoável para tudo isso, eu ainda sinto a sua falta, ainda passo madrugadas acordada pensando em ti. É loucura minha, eu sei, mas não tenho como evitar. No começo pensei que sofria de insônia, agora eu sei que sofro de lembranças. Lembranças suas que nunca vão se apagar. Eu sinceramente não acredito nisso que dizem de que o tempo cura tudo, que é somente esperar, eu estou esperando, e poxa, a saudade só aumenta. Tem algo errado com essa teoria. O tempo não cura nada, não leva nada embora, e a dor não passa, apenas nos acostumamos com ela.
—  Cartas que nunca enviei.
Hoje de repente me bateu uma vontade de chorar. Foi do nada, em um momento totalmente aleatório do dia, mas que perdura até agora.
Não estava ouvindo músicas tristes, nem nada do tipo, mas fui tomada por uma onda de tristeza inesperada.
Alguns poderiam me dizer que era carência momentânea ou algo assim. Outros poderiam me perguntar se eu precisava e queria um abraço para me sentir melhor, mas não. Não era nada disso. Não sei o que era. Acredite que eu não sei o que estava acontecendo, é melhor assim.
Me deu vontade de chorar, o pior tipo de choro na minha opinião. Aquele que dói, que machuca e faz sentir uma dor inexplicável. Aquele tipo de choro em que toda a dor, angústia e tristeza cai sobre seus ombros de uma só vez. Pensei que passaria rápido, mas ainda estou sentindo o seu peso. Ele ainda está aqui, presente, me corroendo, me machucando, me consumindo. Aquele tipo de choro sufocado, preso na garganta, silencioso, interiorizado, que por mais que eu tente, continua dentro de mim.
Sabe qual o pior de tudo? Ele não vai embora, ele não sai, não me deixa.
Não sei o que vem acontecendo comigo, nunca fui assim, nunca me senti assim, com a impressão de que a cada dia que passa, ao invés de as coisas melhorarem, elas na verdade só pioram.
Sempre fui do tipo de garota que acredita que o melhor ainda está por vir, mas esta esperança está desaparecendo dia após dia.
Já não tenho mais aquele sorriso feliz que exibia. O sorriso que mostro no rosto é para esconder como realmente me sinto, e nele todos acreditam…
…eles me dizem que tudo irá fica bem, que nada acontece de uma hora pra outra, e que isso vai passar, que só tenho que esperar, mas como fazer isso, se estou completamente sem defesas?
Agora mais do que nunca, quero fugir das barreiras que eu mesma construí, não quero mais sentir esta dor que ainda permanece dentro de mim.
—  Pequeno mundo Intocável.