dois olhos azuis

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E você aí, achando que Batman vs. Superman é um filme super macho testosterona level um milhão. Ah, coitado. Na verdade, é só o Batman e o Superman discutindo o relacionamento, tendo uma crise de relacionamento…

C'est la Mort || Sam and Adam

Sam ofegou dolorosamente quando Lyla apertou ainda mais o laço de seu vestido. - Isso não estava tão apertado há três dias.

- Você não estava tão grávida há três dias. - Lyla replicou com um sorriso ao terminar de amarrar os cordões em um laço bem feito. A morena soltou um suspiro, abraçando Samantha pela cintura e apoiando o queixo em seu ombro. Sam colocou suas mãos no braço dela. Ambas passaram a fitar suas próprias imagens refletida no espelho de corpo inteiro que havia no quarto, contemplativas. - Olhe só para você. - Lyla disse, balançando-a ligeiramente de um lado para o outro. - É como uma pequena e feliz noivinha… - A morena parou de falar subitamente, os olhos começando a ficar marejados.

Sam soltou-se do abraço da amiga para se virar para ela, sua expressão dividida entre o divertimento e a preocupação: - Você está mesmo chorando? - Questionou, afagando seu ombro.

- Ora, todos choram em dia de casamento. - Lyla se justificou, tirando rapidamente um lenço de sua mini-bolsa e o pressionando no cantinho dos olhos. - Eu só estou feliz por você. - Explicou, abrindo um sorriso embargado, antes de abraçar Samantha com vontade. Quando o abraço cessou, Lyla segurou-a pelas laterais do rosto, ainda sorrindo, enquanto encostava sua testa na de Sam - Eu te amo, está bem?

- Hey, não fique assim! - A loira disse com um sorriso, embora ela mesma segurasse as lágrimas, enquanto segurava os pulsos da morena e os afagava carinhosamente. - Eu também amo você. Obrigada por tudo.

- Essa é a hora em que vocês duas começam a se beijar? Por que eu estou ansioso por isso. - A voz de Tyler foi ouvida subitamente na entrada do quarto.

- Anders, dê o fora daqui! - Lyla ralhou com Tyler, enquanto Sam revirava os olhos, o momento de emocionalismo evaporando.

- Qual é, todos tem o direito de ver a noiva! - O moreno justificou com um sorriso, os olhos verdes focados em Sam, e pela primeira vez em tempos, a loira não viu nenhuma malícia ali.

- Está tudo bem, Ly. - Samantha sorriu para a amiga de forma tranquilizadora.

Lyla suspirou, um tanto relutante. Por fim, acabou cedendo:

- Está bem. Dou cinco minutos para você, e apenas isso. - Sentenciou com um olhar ameaçador para Tyler antes de deixar o quarto e fechar a porta atrás de si.

Sam observou com curiosidade Tyler andar silenciosamente até a janela, fitando o movimento que acontecia lá embaixo. - Você se lembra quando a gente se conheceu? - Questionou à garota com um ar distraído, apontando para algo pela janela. A loira se juntou a ele, observando o ponto específico. - Bem ali. E ali - Tyler apontou para uma árvore um tanto distante da casa - Foi onde uma perereca sentou nas suas costas e você saiu correndo como se estivesse tendo um ataque epiléptico. - Relembrou, o que fez Samantha rir. Houve um momento de silêncio, Tyler parecendo pensativo sobre o que ia dizer - Eu sei lá, eu nunca imaginei que você fosse se tornar tão importante para mim, sabe? - Disse baixinho com um dar de ombros. Sam se surpreendeu com aquela revelação, o coração se aquecendo. Ela sabia como aquilo deveria estar sendo difícil para Tyler, por isso não o interrompeu. - Naquela época eu só queria entrar nas suas calças, como qualquer outra garota, mas caramba… - O moreno soltou uma risada embargada. - … você acabou se tornando a minha irmã. Você não tem ideia da força que me deu quando Adam estava em coma. Eu não teria conseguido aguentar as pontas sem você.  - Sam não notou quando suas próprias lágrimas começaram a deslizar pelo seu rosto, sem se importar muito. - Eu sei que nós brigamos um pouco às vezes, mas eu acho que faz parte do processo.

- Um pouco? - Sam ressaltou com um sorriso divertido, o que fez Tyler fazer uma careta engraçada.

- “Um pouco”. - Repetiu, fazendo a loira rir. - O ponto é que, aquela árvore ali… - Apontou novamente para a mesma árvore. - … também foi onde eu conheci o Adam.

- Mesmo? - Samantha questionou, os olhos brilhando com a ideia de dois garotinhos, um de olhos azuis e outro de olhos verdes, embaixo daquela mesma árvore.

- Yeah, ele estava passando por baixo dela quando eu pulei em cima dele com uma espada pirata de madeira. - Tyler contou com um riso, e sendo acompanhado. - Nós tínhamos 5 anos, eu acho. E bem, desde então ele é como minha alma gêmea. Você sabe, no código irmão. - Se corrigiu ao ver a expressão de quem queria rir de Sam. - Eu não estou aqui para dizê-la para desistir do casamento por que ele tem que ficar comigo, se é o que está se passando pela sua cabeça! - Brincou, fazendo Samantha não conseguir conter mais a gargalhada que segurava, embargada pelas lágrimas. - Bem, piadas a parte, eu só queria ter certeza de que você pode cuidar bem do meu irmão. - Finalizou com uma expressão um tanto mais séria, fitando Sam.

Samantha parou um segundo, pensando sobre aquela pergunta. Ela sabia, desde o momento em que escolhera Adam, que aquela seria uma responsabilidade que teria que carregar pelo resto de sua vida. Mas ao mesmo tempo, era a melhor responsabilidade que alguém poderia querer.

- Sabe… - A loira começou, postando-se à frente de Tyler. - Eu não posso prometer a você que não vou errar com Adam. Nós somos imperfeitos e erros acabam sendo cometidos, por menos que queiramos. Mas eu sei que eu o amo com todas as fibras do meu ser, e sei que nunca irei amar alguém desse modo novamente. E é por isso que eu prometo a você que vou tentar ser a melhor pessoa para ele. - Finalizou o que dizia enquanto secava as lágrimas teimosas que deslizavam pelo seu rosto. - Você pode conviver com isso?

Tyler também parecia abalado. Sam se lembrou de como os dois ficaram quando Adam estava inconsciente no hospital, com a sensação de que não tinham em que se apoiar, e se voltaram um para o outro. O sentimento era bem parecido com aquele, só que muito melhor: Adam estava com eles.

- Eu vou ver o que posso fazer. - Tyler disse por fim com um pequeno sorriso típico dele, antes de abraçá-la.

- Eu amo você. - Sam disse, abraçando-o de volta.

- Eu também amo você, baixinha.

- Ty? - Sam questionou, ainda com os braços envolta dele.

- Sim? - O moreno respondeu, afastando-se um pouco dela para poder ver seu rosto.

Samantha não sabia bem como pedir isso. Mas o fez mesmo assim:

- Você… entraria comigo hoje?

Tyler a fitou por alguns segundos, analisando aquele pedido com cuidado. Por um segundo estava estampado em seus olhos a pena que sentia pela garota não ter o pai para acompanhá-la. Samantha não gostou de ver aquilo. A loira desviou os olhos dos de Tyler e tentou se desvencilhar, um tanto constrangida, arrependendo-se de ter perguntado.

- Eu não sei por que não perguntou antes. - Tyler respondeu, impedindo-a de sair dali ao apertar seu abraço, um sorriso iluminado em seus lábios. - Eu sabia desde o primeiro momento que era a melhor pessoa para fazer isso!

Samantha revirou os olhos, mas acabou sorrindo, aliviada, voltando a abraçá-lo.

Ambos ficaram daquele modo por alguns segundos, antes de ouvirem uma porta sendo aberta:

- Ótimo! Você a fez chorar! - Lyla ralhou ironicamente, interrompendo-os, junta de Diane Wayne. - Eu vou ter que fazer a maquiagem inteira de novo!

- Isso não será necessário, Lyla, está tudo no seu devido lugar. - Diane contestou ao se aproximar de Sam, segurando seu rosto entre as mãos com um grande sorriso orgulhoso. - Linda como sempre, minha querida.

- Obrigada. - Samantha respondeu, dando um beijo no rosto da senhora que criara o amor de sua vida. 

- Agora, vamos lá para baixo. Ela precisa de um momento consigo mesma. - A senhora prosseguiu, enxotando Lyla e Tyler para fora do quarto. - Nos avise quando estiver pronta, Sammy. - Pediu com um sorriso, fechando a porta atrás de si.

Samantha soltou um suspiro quando se viu sozinha. Durante todo o dia, a loira se vira rodeada de pessoas que a vestiram, maquiaram e deram instruções sobre o que fazer e quando fazer. Era um tanto revigorante poder ficar sozinha por um momento, mas ao mesmo tempo, era… solitário. A loira se perguntava onde Adam estaria. Eles não tiveram permissão para se verem o dia todo, e já estava sentindo sua falta como louca. Sam foi até a janela onde estivera há minutos atrás com Tyler, fitando as pessoas que se encontravam no jardim da fazenda de Diane, sentadas em cadeiras brancas enfileiradas de frente para um arco de madeira com flores entrelaçadas, onde em breve ela e Adam seriam declarados marido e mulher. Pensando no moreno que ela começou a perscrutar as janelas da casa, surpreendendo-se ao ver Adam em uma delas, os olhos azuis fitando o nada de maneira distante. Samantha se perguntava o que ele estaria pensando, morrendo de curiosidade de ir lá ela mesma questioná-lo sobre isso.     

Cap 21 (Sentimento Irresistível)


Mas, antes de ir embora, foi até o berçario e com lágrimas escorrendo dos seus olhos, um último olhar para aquele bebê que amava como se fosse seu.
_Espero que um dia nos reencontremos, meu anjinho, te desejo toda a felicidade do mundo - e dizendo isso, saiu da vida das duas mulheres que amava com todo seu coração.

“Há o amor é claro. E há a vida, sua inimiga"De volta a casa, Vanessa continuava evitando a criança a todo custo. Nunca estava no mesmo ambiente que ela e, assim sendo, não sabia nem dizer como a filha era fisicamente. Tudo que sabia era o que ouvia de sua família, comentavam que ela era linda, fofa e parecia um anjo. Nessa hora, Vanessa se mantinha calada e visivelmente incomodada.

Diziam ainda que era um bebê tranquilo, que chorava muito pouco, o que de fato,Vanessa percebeu, já que raramente ouvia o choro da criança. Mesmo porque os quartos de mãe e filha eram em extremos opostos da casa, sendo assim não se "esbarravam”.

Tudo mudou em uma determinada noite, quase uma semana depois de ter tido alta do hospital. Era sexta feira à noite e a família toda foi convidada para um casamento de um parente em outra cidade. Vanessa, como estava de resguardo, não poderia ir.

Então, ficou combinado que duas enfermeiras revezariam para cuidar da recém nascida durante o fim de semana. Ocorre que a enfermeira designada para ficar no turno da noite, recebeu, de madrugada, um telefonema de sua casa avisando que seu marido tinha se ferido muito grave e foi internado no hospital.

Já era quase duas horas da manhã. A criança tinha acabado de tomar a mamadeira e estava dormindo tranquilamente. A criança não acordaria mais naquela noite. A enfermeira pensou então que não havia necessidade de acordar a Dona Vanessa Mesquita para informar que estava indo embora. Mesmo porque tinha um pouco de “medo dela”, já que ela estava sempre séria e bringando com todo mundo. Nem acreditava quando os empregados antigos da casa diziam que essa mulher não era a Dul de antes, uma mulher alegre e feliz. Essa mulher era triste, amarga e fria.

Dessa forma, antes de sair, a enfermeira deixou um bilhete na cozinha avisando à proxima enfermeira sobre sua saída. Assim sendo, a casa ficou totalmente vazia. Salvo mãe e filha, que dormiam distantes.

Eram quase três horas da manhã quando Vanessa acordou com o barulho de um choro distante.

Ficou esperando algum tempo, porém o choro não cessava. E, pelo contrário, cada vez ficava mais alto. Dul ficou sem saber o que fazer. Não entendia porque a enfermeira não fazia o bebê parar de chorar.

_Meu Deus cade essa enfermeira?_se perguntava

Depois de algum tempo, estava tão agoniada e angustiada que resolveu levantar.

E, tomada por um rompante e agindo instintivamente, foi até o quarto da criança.

O choro agora era baixo. Da porta do quarto, pensou em recuar, voltar para o quarto, mas tomada por uma súbita curiosidade entrou no quarto. O quarto estava parcialmente iluminado por um abajur localizado na estante.

Lentamente se aproximou do berço. A primeira coisa que viu foram as perninhas e os braçinhos se debatendo. O bebê ainda choramingava e quase não viu o rostinho da criança, pois estava todo vermelhinho pelo esforço que fez chorando.
Estava com um macacãozinho rosa e era tão pequenininha que parecia desprotegida naquele mundo.

A cena seguinte ficaria marcada para sempre na vida das duas. Aquele momento único e inesquecível só provou que o amor incondicional sempre esteve ali, mas era invisível aos olhos.

Quando os olhares se cruzaram - dois pares de olhos azuis e idênticos - na mesma hora o bebê parou de chorar. E inesperadamente o bebê abriu o sorriso mais lindo que Vanessa já viu em toda sua vida. E Vanessa viu que aqueles olhinhos cheios de confiança lhe diziam: “eu sabia que você viria”.

E, nesse exato instante, Vanessa sentiu uma dor tão grande no peito como nunca havia sentido antes. Era como se tivessem arrancado seu coração e desesperou-se por pensar que esteve a um passo de perdê-la: sua filha, uma parte de si mesma.

A emoção era tão grande que suas pernas fraquejaram. Segurou-se nas grades do berço para não cair. E, tomada por uma amor incondicional e infinito que nunca sentira por ninguém, esqueceu de tudo que tinha vivido até agora, todo o sofrimento que passou.E, num choro compulsivo, pegou a criança nos braços a abraçando de encontro ao peito.

Por muito tempo ficou naquela posição, rezando e implorando a Deus e à sua filha que a perdoasse pela rejeição.

_Eu nunca mais vou te abandonar, meu amor _ repetia chorando e abraçada a filha, beijando-lhe cabeça.

Naquele momento, jurou que faria o possível e o impossível para que sua filha fosse muito feliz. Amava-a com todo seu coração e viveria para ela.

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História engraçada/embaraçosa. No primeiro ano, eu era super fã da Taylor Swift, era apaixonado por ela e não passava um dia sem ouvir “You Belong With Me”. Quem quiser me dar unfollow por causa dessa revelação, por favor, não se sinta acanhado. Eu mereço.