dilaceradas

Em uma outra época, eu me senti desesperadamente infeliz, dilacerada pelo sofrimento. Mas, estar viva depois de tudo o que passei é uma coisa sensacional. Tomara que apesar dos pesares, eu continue tendo forças suficiente para nunca abrir mão de ser feliz.
—  Fernanda Gomes.
Sinto sua falta. Eu não deveria, mas eu sinto. Gosto do jeito que você me ignora, do jeito que você me chama, aquele apelido que é só seu e que eu não aceito vindo de mais ninguém. Tento procurar assunto para sempre falar com você, mas não adianta, você deve ter coisas melhores para fazer. Ainda assim, continuo sentindo sua falta. Nunca sei se você acha isso fofo, ou pensa “puta que pariu, lá vem ela mais uma vez”. Mas sabe, eu não ligo, porque continuarei fazendo a mesma coisa, mesmo sem querer, é involuntário. É absurdamente irritante essa sua capacidade de fazer com que eu me envolva, com que eu queira cuidar de você. É irritante ouvir uma música e lembrar que você não está aqui. Dói, pra caralho, saber que algo me impede de te ver todos os dias. Dói querer receber um abraço, ser olhada por olhos sinceros, e não poder. Dói querer chorar sabendo que ninguém entenderá suas lágrimas. Dói sorrir e saber que aquela pessoa não está vendo o seu sorriso. Dói sentir a sua falta e não poder fazer absolutamente nada. Dói te amar. Dói acordar e não ter nenhuma mensagem sua. Dói muito. Mais o que eu posso fazer? Sou apenas mais uma pra você. Pra você não passo mais do que uma ex que ainda sente sua falta e insiste de alguma maneira permanecer do seu lado, nem que seja como uma amiga. As vezes acho que estou te incomodando, mas tento não pensar assim porque estar do seu lado me deixa tão feliz, tão realizada. Já cheguei a pensar que você sentia minha falta, mas que bobeira a minha não é mesmo? Achar que você sente a minha falta, logo você que vive rodeado de meninas. As vezes você faz como se eu não existisse e isso dói, dói mais do que dor de dente sabe? Aquela que você tem quando criança, que você deita e rola no chão, então, muito pior que isso, é como se eu tivesse levado uma flechada no coração, é difícil de explicar, mais dói, dói não te ter para mim. Com tantos outro garotos no mundo, por que eu fui me apaixonar logo por você? Você não se importa se alguém sai do seu lado com o coração partido, não se importa se destrói os sonhos de alguém, você não se importa com nada, muito menos comigo. Mas eu acreditei, me iludi sim, e tentei mostrar a todos que você nunca me faria sofrer, mas veja, foi tudo uma tremenda besteira da minha parte. Por fim, eu acabei dilacerada, enganada e um motivo de piada para todos que conheciam bem o seu jeito de tratar as garotas. Dor, é tudo o que eu sinto no momento. Todos me dizem que eu devo te esquecer, seguir em frente, mas poucos sabem o que é passar por tudo o que eu estou passando, e ainda assim continuar sorrindo como se nada estivesse acontecendo. Nós dois não fomos um erro, não, eu não me arrependo de um dia ter sido o que eu fui para você, mas eu me arrependo de ter colocado amor aonde só deveria ter existido um mero sentimento barato.
Eu também sou vítima de sonhos adiados, de esperanças dilaceradas, mas, apesar disso, eu ainda tenho um sonho, porque nós não podemos desistir da vida.
—  Martin Luther King.
Deu pra sentir o teu descaso ao virar as costas e ir embora. O problema é que a gente sempre quer mais, mais e mais, mas quando só chega a ser menos o coração não aguenta e desiste da guerra. Eu sei que tua índole não permite que sejamos nós, a sós. E como se não bastasse isso, vem o acaso e brinca sempre com o que sentimos, ou sentíamos, não sei. Só sei que agora isso não mais importa, porque as feridas estão aqui, dilaceradas e expostas, como originadas quando se cai de um penhasco. A vida é mesmo composta por esse vai e vem, mas eu nunca aprendi a lidar com as tuas idas e vindas.
—  Yalen Raquel.
Do que vale ter o mundo inteiro e a alma perdida, do que vale o carro do ano e perder a vida. Do que vale os status, essas coisas são poucas, eu sou nascido do pó e o pó suja boas roupas. Do que vale a voz mais bela sem dignidade, do que vale te fazer chorar sem a verdade, do vale ter o mundo inteiro e o mundo ser meu, do que vale amar a tudo e a todos e não amar a Deus?
—  Eu não quero mais ser igual.
Acho que eu tenho medo de me entregar e me perder. Sempre tive medo de tudo isso, de deixar alguém ter teus sentimentos bons nas mãos. Eu sou muito resistente quando o assunto é se entregar. Eu tinha medo antes de te conhecer e me deixar envolver, e agora que sei o quanto pertenço a você, tenho mais ainda. Só de pensar que tudo isso pode ter um fim, e que eu não vou ser o suficiente novamente, eu fico dilacerada, fico com um nó no estômago e um aperto no coração. Eu quero tanto que com você dê certo, mas eu sei tanto que isso tudo tem um prazo limitado. Eu realmente não queria sentir, não sei lidar com sentimentos e nem com a falta deles. Mas agora eu quero passar todos os momentos com você, e não sei até que ponto isso pode ser bom.
—  Ingrid Mendonça
Eu sei que sou pesada, triste, dramática, neurótica, louca, insatisfeita, mimada, carente. Mas você se esqueceu da minha maior qualidade: eu sou só. Eu sempre fui só querendo ter uma família grande, café da manhã, Natal, cachorro, e eu continuo só quando te vejo como minha família, mas você me deixa sozinha com duas ou três opções de suco para uma ou duas opções de pão. O mundo é cheio de opções sem você, mas todas elas me cheiram azedas e murchas demais. Eu continuo só quando quero escrever uma vida com você, mas você detesta meus caminhos anotados e minhas regras. E eu detesto seu sono e sua ausência. Eu detesto seu riso alto e forçado pisoteando o meu mundo de sombras, eu detesto você saindo pela porta e as paredes se fechando, se fechando, e eu sem poder berrar para, pelo amor de Deus, você me resgatar, me colocar no colo, e me dizer que você me entende e sofre também. Eu sou só porque enquanto eu pensava tudo isso, você impunha aos quatro ventos, querendo parecer muito forte e macho para seu grupinho, que você poderia simplesmente abaixar meu som ou mudar de canal, como um programa chato qualquer que passa na sua tv. Eu hoje fui ao banheiro duzentas vezes para ficar longe do meu celular e do meu e-mail, ficar longe de todas as possibilidades da sua existência. Me olhei no espelho bem profundamente para enxergar minhas raízes e ganhar força, chorei algumas vezes, fiquei sentada no chão do banheiro, para ver se meu corpo esquentava um pouco ou porque estava mesmo me sentindo um lixo. O ar-condicionado hoje está insuportável, mas eu não acho que mude alguma coisa desligá-lo. Estar sozinha não muda nada, conheço bem esse estado e, de verdade, sei lidar até melhor com ele. O que me entristece, é ter visto em você o fim de uma história contada sempre com a mesma intensidade individual. Eu tinha visto na sua solidão uma excelente amiga para a minha solidão. Achei que elas pudessem sofrer juntas, enquanto a gente se divertia. Mas você não via as coisas assim como eu, e enquanto eu queria levar uma vida sozinha com você, você decidiu não querer a mesma coisa que eu, e então novamente eu me vi só, só com os meus desejos, com os meus sonhos que já se frustraram, apenas só, e sem você também. Mas acontece que eu estou cansada de ser sempre aquela garota que está sozinha em um canto enquanto todos estão curtindo a festa, ou curtindo um filme. Eu não queria mais esse final para mim, queria poder mudar o que me foi imposto. Eu só queria não precisar mais me encontrar sozinha. Na verdade, eu quero me encontrar, porque tenho a leve impressão de que já me encontro perdida a um certo tempo, ou melhor, a um bom tempo.
Eu tô desmoronando, C.

eu não tô sabendo lidar com o peso do tudo e do nada. eu tô me esvaziando pelas beiradas e uma hora eu vou me esgotar ou o amor vai. que seja, é tudo a mesma coisa, C. todos os dias são iguais. será que tá no meu dna ser dilacerada pela vida? eu tô implodindo, tá indo tudo embora; eles, você, tudo, até eu, C. e o que eu faço? e essa angústia? guardo no bolso? eu não consigo, C. não dá pra mim. tô com medo e só queria poder descansar do mundo, mas tô desmoronando bem no meio dele. ontem à noite chorei abraçando o travesseiro até pegar no sono, porque dói, tá difícil me auto carregar, C. eu não quero conviver comigo porque eu tô desmoronando. como faz pra se reerguer? quando um prédio desmorona, não sobra nada a não ser ruína, caos e lembranças do que antes havia ali e certamente o local vai ser limpo e algo construído por cima, dependendo de como ficou o terreno. mas eu não sou um prédio e ninguém vai reeguer algo por cima de mim e mesmo se eu fosse, o terreno seria impróprio demais pra qualquer outra coisa poder existir. eu sou corrosiva, C. eu quero gritar, mas não posso, não dá nem de brincadeira pra gritar suas dores pro mundo (obrigada por me ensinar isso, C) mas ficar calada e sentindo a dor da implosão é desesperador. até as paredes brancas do meu quarto não me trazem mais conforto e eu te escrevo e escrevo e escrevo porque ainda é a única coisa que eu consigo fazer. a casa tá uma bagunça, será que tá desmoronando também? provavelmente não. eu não ligo mais pra nada e mesmo assim tudo anda me afetando. a guerra foi travada no meu peito, C. e é uma guerra onde tenho que lutar sozinha e sozinha eu não consigo e eu sei que vou perder; vou desmoronar. já tô. hoje tô com um gosto amargo na boca e nem é do café, C. será que é o gosto da vida? eu me perdi e me perdi e me perdi, mas ainda sinto as dores dos pedacinhos perdidos. tava ouvindo Tavares todos esses dias, ele anda sendo a minha companhia dos domingos aos sábados. lembra aquela parte de cigarros e capitais que tu odiava quando eu cantava? sim, aquela mesmo que fala que você pode desmoronar, por isso não posso ficar contigo. tu odiava o efeito que essa frase me causava e dizia que ninguém podia desmoronar tanto assim. mas até quem desmorona só uma parte de si, acaba ficando feio, sem forma e com ruínas, C. isso é caos. tudo é caos. e agora? eu não só posso desmoronar, como já tô. me diz o que fazer! eu tô com raiva, C. raiva da vida e de mim. raiva por ser tão pequena e ao mesmo tempo imensa, mas imensa de uma forma ruim, desagradável e indesejável pra mim e pro mundo. tô evitando ver tv, já te contei isso? não quero mais chorar com as notícias diárias dos jornais, elas me fazem achar que não sou eu que tô desmoronando, mas sim o mundo. e C, eu não aguento mais sentir as dores dos outros e não poder fazer nada além de chorar… essa empatia vai acabar me matando se por um milagre o desmoronamento pare. mas ele não vai parar. o tempo entre a queda e o baque tá sendo tortuoso demais, C. depois do baque não vou mais te escrever, não dá pra ser tudo sendo só uma ruína. espero que entenda. desculpe, C, mas eu tô desmorando.

No canto escuro de seu quarto, ela controla o choro para não acabar com o silêncio da madrugada. Ela sente falta de pessoas que disseram que estariam com ela para sempre, ela tenta se acostumar com a ausência e a solidão. Ela se perde em pensamentos e se tortura com lembranças que um dia, a fizeram sorrir. Dúvidas e incertezas tomam conta de seu coração. Coração frágil que já se partiu em tantos pedaços mas ainda assim, continua batendo e acreditando que alguém, algum dia, possa fazer com que ele pare de doer. Começa a chover. Agora ela pode chorar sem que ninguém perceba. Lágrimas lavam a alma, ela pensa. E realmente lavam, elas podem ser águas curativas. Algumas vezes são as melhores palavras que um coração pode falar, afinal, quando não cabe mais no coração, transborda pelos olhos. Ela sabe que precisa se recompor, apesar de toda a dor existente dentro de seu frágil coração, precisa enxugar as lágrimas, erguer a cabeça, e seguir em frente. E assim ela continua, corriqueiramente, sorrisos forjados, felicidade forjada. Ainda que a frequente encenação não faça bem para si mesma, a poupa daqueles velhos e conhecidos interrogatórios, onde algumas pessoas aparentam se importar com o seu estado emocional, mas apenas perguntam o que está havendo por educação, ou até mesmo por curiosidade, sem sequer prestando atenção na resposta. Cercada de pessoas falsas ela aprendeu a conviver muito bem com ela mesma; seus defeitos chegavam a ser até pequenos perto de todo o mal que o resto das pessoas lhe faziam. Mas ela não se importava em estar sempre só, às vezes era até melhor se encontrar sozinha, bem longe de falsas promessas ou pessoas hipócritas, assim ela podia se concentrar de verdade no que realmente importava. Algumas vezes era difícil olhar para o lado e perceber que nenhum ouvido estava atento para ouvir as suas lamúrias, mas ela sempre se conformava, porque era daquela maneira que tudo deveria ser, era o melhor para todos. Os dias eram sempre iguais, não havia uma mudança sequer, ela caminhava todos os dias pelo mesmo caminho, esbarrava sempre nas mesmas pessoas, e elas continuavam não se importando… Nada mudava, tudo e todos estavam sempre iguais, monótonos, e até mesmo a sua distorcida visão de um mundo que pertencia somente a ela permanecia o mesmo, as coisas pareciam nunca querer mudar quando se tratava da vida dela, e no fundo ela sabia o porque. Tudo aquilo acontecia pelo fato de ser o seu destino permanecer sozinha, sem ninguém, somente ela por ela mesma.
Ela se matou. Ela tirou a própria vida. Suicídio. Ela, menina nova, bonita, com uma vida inteira pela frente. Ela, tão nova já sofria tanto. Sofreu ao ponto de desistir de tudo. Foi machucada até sentir vontade de não sorrir mais. Foi dilacerada pela vida até não querer mais respirar. Rasgaram sua alma até sentir vontade de deixar todos que a amam pra trás. Será que ela pediu ajuda? Será que ela pedia socorro silenciosamente, pedia socorro nos pequenos gestos, mas ninguém viu? O que fizeram pra essa menina? Eu só sei que destruíram essa menina, destruíram os sonhos dela, destruíram sua alma, seu amor, destruíram sua vida. Destruíram seus pais, amigos e família. Mas tudo acabou nesse fim de tarde, quando ela acabou com a própria vida, quando ela deu o último suspiro.
—  Ela tinha 14 anos, era só uma criança. Eu não a conhecia, mas dói saber que destruíram essa pobre menina.

Querido coração,


Já pensou em parar de se importar com quem não se importa com você? Porque sabe, dói. Dói em mim. Dói ficar imaginando coisas que não vão acontecer, pensar em respostas para perguntas que nunca serão direcionadas a mim. Apoiar a cabeça no travesseiro e pensar em uma única pessoa que, se duvidar, nem sabe que eu existo; que só fala comigo por educação. Passar noites inteiras em claro imaginando o nós que não vai existir. Sonhar com uma guerra de sorvete ou um beijo na chuva, com uma briga e logo depois, a reconciliação. Ter que aguentar os avós, as tias, os tios, perguntando ‘cadê o namorado?’, ‘na sua idade, tua mãe já namorava’ em todos os encontros familiares. Tentar se distrair com outras coisas, sorrir com outras pessoas, mas depender de uma única para que tudo seja verdadeiro. Eu cansei. Cansei de correr atrás de quem me acha insignificante. Estou tentando parar, recomeçar, mudar, mas sozinha é impossível. Você que comanda tudo em mim, então por favor, mude. Vamos mudar juntos, me ensina a gostar de mim mesma antes de pensar em outras pessoas, pois sempre me terei quando ninguém mais quiser. Me ensina a não ser tão dependente de quem não me ama. Me ensina a gostar dos outros, mas me valorizar acima de tudo. Vai ter que ser assim. Ou isso, ou então dou um jeito de acabar com você. Você precisa largar de ser cabeça dura e começar a cooperar com minha mente, antes que eu morra de tristeza e você morra junto. Você dispara muito rápido quando vejo ele, mas você precisa se comportar antes que saia da minha boca e vá namorar com o coração dele. Chega de graça e vamos falar sério, eu me decepciono com você muitas vezes pois você não sabe o que faz e acaba me prejudicando. Você machuca e eu sinto a dor, você grita e eu fico com a garganta doendo, você pula e eu fico louca, você precisa se controlar pois isso me causa problemas e mares de lágrimas. Poxa, por que você é assim? Me ajuda, coração, que eu faço você parar de machucar. Me ensina a amar quem me ama, me ensina a fazer tudo que me faça bem e me faça feliz, pois muitas das coisas que você faz só me traz dor e sofrimento. Você não o quanto dói imaginar que aquele idiota que só ouve rock poderia estar comigo, mas convenhamos, esse é o idiota que eu amo.

—  OliviaAndreza. [dilaceradas]
magnitude fora de órbita

eu não quero ter que escrever sobre essa ausência de cor. essa pressão baixa. sobre esse ato de respirar um ar carregado e que pesa na alma. não quero ter que escrever sobre essa falta de jeito em colocar os sentimentos frouxos no papel. sobre ser sempre um aceno de adeus, um oco de despedidas mal partidas. dentro, algumas subdivisões do que é transbordar e não saber dizer. fora, o fracasso de um sorriso mal sorrido com som de fim. essas linhas são sobre sentir e não saber mais exprimir. sobre ser dilacerada todos os dias por um sufoco abafado de ausências que não cabe mais em nenhum fascículo. isso, são letras choradas num papel sobre ter se juntado ao mundo dos que não choram, mas que se doem no meio de uma multidão que não ouve, não vê, não fala e não sente. só dói. e se afunda num silêncio absurdo de palavras mudas e vazias. a luz vai se dissipando e tudo vira pó que sobrevoa a atmosfera e corta. tudo é finito e no fim todos vamos cair.

mas antes de tocar o chão pela última vez, eu escolho voar. tô voando.

e voei. daqui, de mim, do mundo.

o meu sonho é ser do alto.

B.

Eu achei que tu ia curar minha dor, mas você só criou uma maior. Você não precisa de mim como eu preciso de ti. Você não sonha com o nós que eu sonho. Você sonha com outra pessoa enquanto aqui, é só você, você e você há qualquer momento. Sabe, às vezes a gente acha que vai dar certo e não dá. Isso já aconteceu antes, eu achei que tinha aprendido, mas olha, tô aqui de novo sofrendo por alguém que nem se importa. Nossas risadas, nossas lágrimas, nossas brigas, nossos pedidos de desculpas… Eu já tinha imaginado tudo. Eu fico imaginando nós, sabe? Criando situações e pensando em como reagir, o que fazer quando você me disser tal coisa. É idiota, eu sei, mas acredite, faço isso o dia todo. Olho os casais na rua e fico com uma inveja do caralho, pensando o por quê de não poder ser feliz como eles. Eu queria que alguém me amasse. Alguém não, você. Mas você só lembra de mim quando eu falo oi. Você não sente minha falta. Você me deixa confusa. Você me faz sorrir. Você é um dos principais motivos das minhas lágrimas. E sabe o que é pior? Que eu gosto de tudo isso. A cada dia parece que eu me apaixono novamente por você. Dói. Dói saber que você nunca vai sentir isso por mim. Dói conversar com você e não poder te falar tudo o que eu sinto. Eu queria que você me ajudasse a juntar os pedaços do meu coração partido, mas parece que você só faz com que ele quebre de novo e de novo, e tudo isso já está fora do meu controle, porque por mais que eu tente, o meu coração já está quebrado demais para ser consertado. Você deveria ser o remédio, sabe? Aquele que todos me disseram que um dia chegaria e apagaria toda dor que já havia passado pela minha vida. Eu não entendo, por que as coisas não podem acontecer exatamente da maneira que eu tanto deslumbro? Seria tudo tão perfeito. Você não precisa mais fingir que mal nota a minha presença quando estamos no mesmo local, eu já enxerguei a verdade, demorou um pouco, mas eu finalmente percebi que você não se importa, e que não sou eu a garota que você tanto quer. Que você não é o meu remédio e que meu coração vai continuar estilhaçado por mais um tempo. Tu não és o meu remédio, tu és o que causa a dor no meu coração. O pior que eu quero você 25 horas por dia pra mim, 32 dias do mês só pra mim, 367 dias do ano pra mim, ou pra nós. Essa deve ser a parte ruim de amar, eu amo você e te odeio por isso ao mesmo tempo. Eu tive que acordar e perceber que isso não é um conto de fadas, está longe de ser um, está mais pra um pesadelo, um pesadelo onde eu não posso acordar e chamar minha mãe para me acalmar.
Com o coração dilapidado e a alma dilacerada, sigo trilhando vagarosamente sem um fenecimento. Meio implícito nessa madrugada chuvosa, busco tenebrosamente refúgio em um ser que insiste em se tornar oculto nas minhas lembranças. Embutido na minha mente e em cada caminhar, sigo por ai sem ter onde parar, sem ter no que pensar e principalmente, sem ter no que me encorajar. E numa leve brisa, surgem redemoinhos de sentimentos que insistem em mesclar a vontade de partir com a divina densidade de te amar.
—  Marcus Vinícius.