dias com igor

Hoje eu decidi parar de te crucificar por me deixar na sarjeta. Aconteceu. Foi. Você não exerceu seu melhor comigo naqueles tempos. A gente erra. Eu errei debaixo de carícias. Eu falhei nas renúncias. A gente se machucou horrores. Mas passou. Isso é parte integrante de quem eu sou. Meus erros e os teus erros comigo. E meus acertos e teus acertos comigo. Das vezes em que a gente riu da ferida e das vezes em que a gente feriu. O pacote inteiro. Eu sou quem sou por causa da sarjeta e da mágoa. E não te presenteio com um perdão moralista e vazio. Me agracio com a capacidade de entender que mesmo o tijolo mais feio, se cai agora de quem eu sou, me desmorona inteira. E abrir essa ferida dia após dia pra deixar arder, vai acabar me intencionando, me atrasando, me estragado. A gente já cicatrizou tem tempo. Eu continuei. Você continuou. Em outros timbres e outros tempos. A vida decolou. E esse vôo livre só foi possível por que eu rolei minhas rodinhas de bicicleta na sarjeta. Eu não nasci um boing 766. Eu engatinhei, andei, pedalei muito antes de alçar vôo.
Acho que é sobre isso crescer, perdoar e seguir em frente. Entender que virão pessoas pra arrancar as suas rodinhas e te empurrar do precipício. Sou grata a isso. Perdoo você.

Com um carinho de quem te esqueceu.