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Confissões de uma gorda

Após anos sendo gordinha fazendo dietas mirabolantes, atividades físicas das mais variadas percebi que nada disso dava certo. Ok, dava certo nos 3 primeiros meses mas depois disso se tornava tão cansativo porque além de dieta ser um saco ainda tinha a pressão familiar.
Sendo sincera, eu nunca fui uma pessoa de concluir projetos de longo prazo. Sempre fui uma pessoa em constante movimento, que não gosta de rotinas, para mim vida é novidade. Então, como eu disse, depois de 3 meses vivendo de pão integral, arroz integral, leite desnatado e vendo todo mundo ao meu redor comendo tudo mais gostoso eu desistia.
Cheguei até me perguntar por que Deus me fez gorda.

Gente, quem é magro não sabe a dificuldade que é ser gordinho.

Um, sua própria família te julga, sim, aqueles que deveriam te aceitar como és são seu primeiro contato com o julgamento. Nunca vou esquecer de um dia que um tio meu jogou uma azeitona em mim pouco depois de fazer uma aposta com meus outros tios em que consistia na seguinte frase" aposto que ela vai juntar e comer". Nunca me senti tão humilhada. Talvez ele nem se lembre disso, mas eu lembro. Ou da vez que briguei com minha irmã e ela jogou na minha cara o quão gorda e burra eu era…

Depois disso vem seus colegas de classe, que obviamente vão te dar os mais diversos e clichês apelidos “rolha de poço” “baleia” “orca” “porco” “gordura ambulante” “mamute”. Mas como sempre, nós gordos temos que ser forte e fingir que isso não nos atinge, quando na verdade isso nos marca profundamente.

Seguido a esses vêm as pessoas que não sabem sequer o seu nome, mas que ao te ver comendo um bigmac ou um simples salgadinho já te olham com aquela cara de “é por isso que é gordo”, mesmo que ao seu redor haja uma pessoa magra comendo 5vezes mais o que você está comendo e se você come algo saudável há aquele olhar de “a quem você está tentando enganar? Você é gordo!” Você sempre vai ser o alvo.

É triste? É! É complicado? Muito! Mas como eu disse, para nós gordinhos é imperativo que nós nos façamos de fortes e fingir que não ligamos para toda essa merda.

Aliás, ser gordinho é sinônimo de ser engraçado porque se o gordo não for engraçado ele não terá lugar em canto algum. Por isso somos geralmente conhecidos como “aquele gordinho legal”.

Se vocês querem saber, nada disso é legal. Nada disso é fácil. Nós temos a plena consciência de que somos gordos e não precisamos de um babaca nos lembrando constantemente disso. Ou algum sem noção falando “seu rosto é tão bonito. Por que você não emagrece?” ou aquelas “amigas” que aparecem do seu lado e dizem “nossa! To gorda” e não tem uma grama de gordura corporal. A esse tipo de pessoa não digo o que desejo porque Deus não se agradaria

Mas, mesmo após tudo isso, nós enfrentamos com a cara e a coragem mais uma vez uma dieta que sua mãe ou avó viu na TV ou que contaram pra ela que deu certo porque dói ser diferente e receber esses olhares.
Eu particularmente já entrei em milhares de dietas pelo simples fato da minha mãe querer e não ter que ouvir da mesma que eu fico mais bonita magra.

Vamos deixar uma coisa clara: EU SOU BONITA GORDA OU MAGRA OK?!

Mas exaltações de lado, cheguei a conclusão de que toda a mudança começa de dentro. Apesar de tudo isso eu sempre quis ter uma vida saudável, sempre quis correr sem me cansar rápido, sempre quis tirar aquelas fotos good vibes na praia de biquíni fazendo uma pose mirabolante de ioga. Mesmo que para alguns isso pareça inalcançável, eu vou conseguir. Não por pressão do meu tio retardado, do colega de sala idiota ou do olhar maldoso de algum merda por aí é sim por mim. Para mim.

Para mostra a mim mesma que, SIM, eu consigo terminar projetos a longo prazo. Sim, eu posso emagrecer. Sim, eu sou linda com ou sem costelas aparecendo. Irei fazer isso por mim e não para todas essas pessoas que só cobram sem nem ao menos serem melhores. Eu vou conseguir porque a minha mudança vem de dentro e eu já comecei.

(Meulivrocitou.tumblr.com)