diagramação

Pequenas considerações sobre formato: quadrado

Tenho percebido, cada vez mais, o uso de formatos quadrados, ou que tendem ao quadrado, em impressos – principalmente em livros e cartilhas. Considero esse formato muito interessante e desafiador em projetos gráficos, principalmente porque não é um formato fácil de harmonizar. É muito fácil cair na tentação de organizar, quando usamos o formato quadrado, os elementos equidistantes da margem, ou diagramar dentro de um grid também quadrado, tornando assim o projeto graficamente monótono.

Uma página retangular, mesmo que a “chata” A4 (21×29,7cm) é mais fácil de compor de forma interessante que o excessivamente simétrico quadrado. Não é por acaso que a maioria dos quadros e painéis pintados ao longo dos séculos usam e abusam do retângulo e poucos são os quadros famosos com lados de tamanho iguais, sem falar que quase todas famosas regras de composição (regra do terço, composição triangular etc) priorizam o retângulo como base.

Mas, chegamos a questão, como ter uma composição, utilizando como base o quadrado e ainda assim ser interessante, harmônica e não cair na monotonia? Abaixo listo algumas dicas:

• Evite a simetria: o quadrado já é excessivamente simétrico (imagem 1). Escolha uma área dentro do quadrado para sua composição que contraponha a simetria natural do formato (imagem 2).

• Utilize grids de 2 ou mais colunas: o uso de mais de uma coluna, naturalmente já elimina parte da simetria e torna a diagramação mais dinâmica (imagem 3).

• Use o retângulo áureo: Crie um grid baseado no retângulo áureo e o utilize dentro do quadrado. A margem que sobra pode ser utilizada para imagens, notas marginais e outros elementos gráficos (imagem 4).

• Use o triângulo para compor: crie um triangulo imaginário (imagem 5) na sua área de composição e faça com que áreas visuais importantes localizem-se em próximo a seus vértices (imagem 6).

E você? Tem mais alguma dica?

As armadilhas do mercado editorial: Editoras

Você terminou de escrever o seu livro e quer publicá-lo, certo?

É um caminho natural e temos muitas editoras por aí dispostas a isso, mas antes de sair procurando (no Google) pela editora, é bom você conhecer os tipos de contrato que existem e como eles vão se relacionar com você e com a sua carreira de escritor.

Editoras Tradicionais:

Aquelas que imaginamos: A editora investe no autor pagando todos os custos e o autor “deita na fama”. 

  • Como funciona: Normalmente custeam uma tiragem de até 500, 1000, 2000 exemplares na primeira edição. Esse número varia com a editora em questão. Essas editoras costumam avaliar o material verdadeiramente, com uma leitura crítica, pode solicitar mudanças de enredo (de leves à intensas) e custeará toda a produção: revisão, capa, diagramação, distribuição, impressão de originais etc. O autor normalmente tem pouca liberdade de escolha.
  • Direitos autorais: 8% a 25% em cima do preço de capa (impresso/e-book) dependendo da editora.
  • Dica para mandar seu original: Faça uma boa revisão, procure analisar se o selo procurado publica o seu gênero de livro, conheça os canais de distribuição das editoras analisadas e tenha paciência para aguardar uma resposta de publicação, pois essas editoras recebem muitos livros, procuram um certo tipo de gênero e avaliam o potencial de venda do seu livro (sim, é venda mesmo, nem sempre tem a ver com a qualidade do seu texto - afinal, para textos ruins existe sempre o profissional de copydesque!).
  • Editoras no mercado: Gutenberg, Pandorga (selo da casa), Rocco (selo da casa), Leya, Intrínseca, Novo Conceito (selo da casa), Dracco, Casa da Palavra, etc.

Editoras de Projeto-Pago:

São aquelas que, grandes ou pequenas, cobram do autor toda a produção e não avaliam o original.

  • Como funciona: Normalmente, pegam qualquer original e fazem o trabalho editorial. É comum esses projetos pagos custarem por volta dos 15 mil reais (um livro de 200-300 páginas) ao AUTOR. Sim, o autor paga o equivalente à 500 livros (preço de capa) e recupera esse valor vendendo os 500 livros que “comprou”. Muitas editoras pedem que você não conte que você pagou, o que é “errado”, pois engana o autor (e o leitor), mas algumas deixam que seja dito abertamente.
  • Direitos autorais: Tenha em mente que um projeto pago você não deve receber um baixo valor de direitos autorais (entre 15% a 30% já é baixo para algo que você pagou todos os custos e o lucro da editora). Aí que está a armadilha: a editora vai sim lucrar com os seus 500 exemplares, você estará pagando mais que o custo dos seus livros (incluindo capa, revisão, diagramação e distribuição)
  • Porque alguns fazem: Alguns autores acham válido pois “iça” o nome do autor no mercado e acaba sendo um “atalho” para pular para selos maiores, mas só recomendo se você tem esse dinheiro “sobrando” mesmo, de outra forma, você vai gastar muito dinheiro e pode acabar com 500 livros encalhados.
  • Mas meu original é avaliado? Dependendo da editora há sim um trabalho bem feito que vai ajudar o autor a ter uma maior distribuição em suas vendas, mas são casos raros e necessitam de atenção.
  • Dicas para enviar os originais: Converse com autores publicados para entender se vale a pena. Procure saber se a distribuição é verdadeiramente boa para que seu dinheiro seja bem investido (editoras que não distribuem não vendem, você continuará desconhecido e o lance todo é “içar” seu nome, certo?). Veja se inclui brindes.
  • Editoras no mercado: Novo Conceito (Selo Novas Páginas), Rocco (Selo Fábrica), Novo Século (selo Novos Talentos), Record (não sei o selo), Pandorga (não sei o selo), entre outras. A maioria das editoras tradicionais ou ditas tradicionais tem um selo pelo qual o autor passa “pagando” o projeto. Apenas atentem-se a como esses selos funcionam para não serem enganados, o que ocorre muito.

Editora Sob-Demanda:

Muitas editoras novas no mercado trabalham com o sistema sob demanda. Ele funciona como o tradicional (a editora custeia tudo em seu selo da casa - mesmo que tenha um selo pago) e imprime os livros conforme vende.

  • Como Funciona: O autor paga alguma coisa ou não, depende da editora, mas a maioria cobra sim um valor “simbólico” para capa, diagramação, revisão e impressão. O autor pode comprar quantos livros quiser (a preço de capa é salgado, mas a preço de “custo” é legal). A armadilha está nesse ponto: Algumas editoras pagam 7 reais no livro e te vendem à 14 reais dizendo que é o preço de custo, procure sempre gráficas para ter certeza do valor antes. O livro à venda vai para o dobro do preço de custo (falso ou verdadeiro) que passam a você no site da editora e seus canais de distribuição são limitados (outros sites, nunca tem o livro físico nas livrarias). Você ganha de 15% a 30% do preço de capa, depende da editora, como é uma “Parceria” entre autor-editora, é um “equilíbrio”, embora eu não acredite que nenhuma editora que caia nesse conceito seja 100% justa nos preços.
  • Porque alguns fazem: “Iça” um pouco o nome do autor, mas não tanto quanto os projetos-pagos. Alguns autores já descobriram que os custos dessas editoras são menores e há uma “parceria”, você paga menos (sem precisar se render ao super-custo das grandes editoras) e tem uma “editora” assinando seus originais. Procure saber sobre os canais de distribuição, pois algumas editoras não conseguem colocar o seu livro em livraria nenhuma!
  • Mas meu original é avaliado? Novamente, depende da editora. Sim tem editoras que avaliam, tem editoras que fingem que avaliam mas aceitam qualquer coisa, e tem editora que não avalia.Como saber a diferença? Se a editora aceita apenas os primeiros capítulos e já assina contrato contigo, é uma armadilha. Ela não avalia sua obra completa, ela avalia o seu potencial de vender livros. Pergunte se você recebe uma avaliação crítica da obra completa antes do lançamento, se não, bem então aí é que não avaliam mesmo. Olhe para o número de lançamentos semestrais da editora (muitos autores por mês = não avalia nada com atenção).
  • Cuidado: Fuja de editoras em que os donos/familiares dos donos são autores. Normalmente são pura encrenca e há falta de profissionalismo ou na forma como os autores são tratados.
  • Dicas para enviar originais: Não tem muito, apenas pegue o e-mail em que eles recebem os originais. Registre sua obra antes, claro.
  • Editoras no mercado: Dracena, Literata, Modo, Novo Romance, Chiado, Garcia Edizione,  etc etc etc… são maioria no mercado!

Editoras/Gráficas (independentes ou com selo editorial)

São gráficas (elas imprimem o livro, você paga todos os custos) e algumas oferecem trabalhos editoriais a parte, que você pode ou não fazer.

  • Como funciona: Você paga tudo, ela vende em seu site e quase nunca em livrarias (pode acontecer). Mas você recebe direitos autorais (você normalmente pode escolher o valor). O autor custeia tudo (capa, revisão, diagramação, impressão, ISBN, ficha etc).
  • Porque alguns fazem: Menor custo. Normalmente o autor pode imprimir apenas 1 livro, ou quantos desejar. São boas opções para autores que querem apenas ver seus trabalhos impressos e não tem vontade de se içar no mercado. Algumas possuem opções de contratar dentro delas os serviços citados (e se o autor for um bom diagramador, por exemplo, não precisa pagar nada. Os sistemas aceitam até o Word do livro, sem precisar ser um PDF diagramado).
  • Cuidado: São mais gráficas que editoras e você precisará arcar com os custos paralelos, além disso, não venderá em locais que a editora-gráfica não estiver (como site de livrarias, livrarias físicas e eventos gerais - salvo a bienal de sp e rj que essas casas costumam ir com um stand).
  • Qual a vantagem então? O autor tem 100% de controle dos processos, pode gerenciar sua carreira sozinho e alguns fazem muito sucesso sendo contratados por grandes editoras depois (exemplo: nana Pavoulih, Josy Stoque e a maioria dos rankings da Amazon BR (Kindle), de autores “independentes”.
  • Editoras no mercado: Clube de Autores, AgBook, Letras&Versos, Amazon - Create Space e Kindle, Delicatta, PerSe, BabyBook, etc.

Devo escolher editoras novas ou mais firmadas no mercado?

Nem sempre podemos pagar o “valor” de ser publicado em uma editora firmada no mercado e corremos para as novas, ávidas por originais. Isso pode ser um erro e a maior parte das reclamações vem daí! Digo por quê:

  • As editoras novas tem pouco alcance e pode frustrar as expectativas do autor.
  • Muitas editoras não são profissionais, mas editoras que os donos criaram para publicar seus amigos autores ou a si mesmo. Tome cuidado.
  • Muitas editoras novas não são profissionais, mas oportunistas disfarçados. Te cobram tudo, não entregam o livro, ganham em cima do seu trabalho e “roubam” o seu patrimônio intelectual vendendo-o sem a sua autorização.
  • Muitas editoras publicam apenas e-book e o autor pode se estressar ao tentar publicar depois o mesmo livro em impresso. As vezes, a editora não tem força para lutar contra a crescente pirataria de seus ebooks.
  • Sim, prefiro que você pague 16 mil em um selo bom de uma editora séria e tenha o seu nome verdadeiramente içado do que você queimar sua obra com editoras pequenas anti-éticas e se estressar (sim, eu já passei por todos os problemas acima, falo por experiência, pergunte-me como).

É universal: hoje o mercado editoral é (quase) puramente voltado para venda, poucas são as editoras que investem em autores iniciantes unicamente pelo seu potencial de escrita (oras, o mercado está cheio destes!)

Há sim editoras sérias no mercado e outras nem tanto, em todos os tipos de editora. Você vai sempre encontrar armadilhas. Não estou aqui para dar nome aos bois, citei boas e ruins e você deve fazer o trabalho de pesquisa. E outra: a editora ruim para um autor pode ser ótima para outro.

Se você quer publicar, tem que entender que o livro é um produto e não um apego amoroso. Seja profissional em tudo o que você faz.

Mais dúvidas? Deixe no comentário que tentaremos responder!

Poeme-se

Me fiz poesia em meio a escuridão.
Me fiz rimas sem coerência em meio a linhas tortuosas.
Me fiz sem coesão ou qualquer diagramação.
Me fiz lida pela vida.
Me fiz incompleta.
Me fiz poesia.
Me fiz poeta.

- L. S.

Repórteres, editores e designers: uma relação delicada.

Como os repórteres vêem os editores:

  • Editores acreditam que todo o fato que acontece com eles é uma matéria. Quando acontece com dois deles é uma manchete.
  • Toda a vez que você estiver trabalhando em uma matéria, que será vista por vários editores , salve tudo o que vai sendo cortado. Fica mais fácil depois de acrescentar quando cada um vai dizendo sobre o que está faltando.
  • Editores adoram matérias sobre o tempo, animais e crianças perdidas. Por isso acham que a melhor história até hoje feita foi “O mágico de Oz”.

A visão dos editores sobre o design:

  • Acham que você fez aquele trabalho apenas porque usou um Mac.
  • Sabem que não existe Pulitzer para design.
  • Sabem que uma imagem não vale por 1000 palavras.
  • Não sabem dizer o que seria um bom design, mas sempre dizem quando imaginam ver um.
  • Sabem que ninguém é demitido por fazer a mesma porcaria que foi feita ontem… mas também sabem que o mundo pode cair sobre sua cabeça se você não tiver sucesso em tentar fazer algo que ninguém ainda fez.
  • Sabem que o chefe sempre encoraja seu time a correr riscos, inovar, experimentar novas idéias…mas também sabem que ele não fala seriamente quando diz isso.
  • Acreditam que se já existe foto e matérias a página tem que ficar pronta num piscar de olhos.

Como os designers vêem os editores:

  • Desejam que todos os títulos da primeira página fiquem na  dobra de cima.
  • Dizem para o designer: “Você gostou dessa matéria apenas porque ela permite uma boa arte”.
  • Nunca desenharam uma página em suas vidas, mas dizem: “Coloca essa matéria no alto à direita, essa à esquerda, essa em uma coluna…”
  • Dizem: “Belo design”, quando não é…
  • Acham que você sempre pode achar um jeitinho de colocar uns 250cm de matéria em um canto de página, sem cortar nada.

Alguns conselhos (possivelmente construtivos) para os designers manterem os editores ao seu lado:

  • Faça o editor participar do processo desde o início. 
  • Não espere o editor procurar você. 
  • Mostre mais do que explique. 
  • Ofereça opções. Seja flexível. 
  • Você fez seu dever de casa? Leu a matéria? 
  • Você consegue articular no que o seu design acrescenta à matéria?

O texto acima foi apresentado em um painel no congresso anual do SND - Society for News Design, em San Diego, há alguns anos. Ainda é bastante atual e traz algumas observações interessantes sobre a relação reportagem > edição > design. Foi enviada para a lista de discussão do Design 2000 por Cláudio Prudente, chefe de diagramação do jornal O Globo (RJ), em 4.out.1999.

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IMS - Instituto Moreira Salles São Paulo (by BijaRi)

Coco Chanel & Igor Stravinsky (2011)

Nesse trabalho acadêmico, a ideia era desenvolver um cartaz tamanho A2 promovendo um produto, evento, ou serviço.
Optei pelo lançamento do livro Coco Chanel & Igor Sravinsky, num evento da fnac. Esse evento não aconteceu realmente, foi imaginado apenas para dar contexto ao trabalho.
Igor Stravinsky passou por uma fase ruim depois que um de seus balés não fez tanto sucesso entre os membros da sociedade francesa. Coco Chanel, modista recém integrada à sociedade da época, cedeu gentilmente sua casa de campo para Igor e família passarem o verão. Ela era modista e trabalhava várias vezes por semana em um ateliê nessa mesma casa, enquanto ele, que era pianista, criava sinfonias para uma nova peça teatral na sala do andar inferior. Nessa atmosfera nasce um curto romance entre os dois, descrito no livro.