determina do

Eu o vi ontem, o vi antes de ontem, na semana passada e provavelmente acabei de vê-lo de novo. Nos olhos verdes daquele garoto que nada tinha a ver contigo, no jeito de falar de outro, no cabelo daquele ali, na risada de outro e até seu nome andam gritando por ai. Depois de esbarrar com pedaços de ti coloquei nossa musica pra tocar no repeat e fiquei repassando tudo que fomos, tudo que vivemos e por sorte deletei nossas conversas ou as estaria lendo agora. Quanto tempo demora pra realmente superarmos algo? Quanto tempo passa até todas as feridas serem cicatrizadas? Por que ainda há fragmentos de você pelo meu caminho? Não era pra ser assim, mas quem é que determina? O peso do mundo está caindo sobre meus ombros e quem me ajuda a segurar se não mais você? Estou sem seus braços, estou sem você, eu me viro bem sozinha, ando repetindo isso pra mim mesma, porque eu sempre me arranjei no meu canto e você apareceu tirou-me de lá, jogou-me na parede e no olho do furacão e depois se foi, parece que agora eu sendo só eu é pouco. Tão eu, tão ingênua que achei que tinha deixado passar que ja tinha esquecido, mas ai você ri aqui e ali e meu subconsciente entra em alerta. Mas assim como tampar o sol com a peneira, como tentar fechar feridas de bala com band-aids, tentar por uma pedra em cima de nós se torna uma causa perdida e decepcionante. Eu só espero que você lembre da minha musica, que quando escute minha cantora favorita  lembre de mim, lembre-se que eu disse pra não ir, mas você teve que ir, espero que lembre-se dos meus olhos castanhos nos verdes do seus e lembre-se que seja quem for segurando a sua mão agora eu estava aqui o tempo todo, até você não estar mais, até não sobrar mais nada de nós.
—  Letters to Chuck