despencar

vernon & apollo — search party

( bac-apollo )

Pra quem sonhava que o primeiro dia de faculdade ia ser aquela belezura de ei, olha só, Vernon virou adulto agora! Não precisa mais usar uniforme! ele tava redondamente enganado. Um redondo assim, descomunal.

Logo de cara ele já tomou uma advertência gigantesca sobre um acidente com vazamento de gás no dormitório masculino e aí os marmanjos iam tudo ter que despencar pra caminha das meninas. Cara, aquilo deu um pânico! Porque assim, Vernon meio que cresceu com o irmão mais velho então ele tava acostumado a ver meia e cueca jogado pelo chão, lidar com arroto, cheiro ruim, piadinha escrota e essas coisas… Mas as garotas eram um mistério. E ainda por cima ele nem sabia como se virar porque a administração do campus tava atolada de coisa pra fazer e não tinha tempo pra ajudar cada aluninho com problemas de locação.

Aí que ele se virou sozinho, né? Adam, seu irmão mais velho, foi inútil como sempre na hora de ajudar o maninho - ele provavelmente já tinha arrumado cama, comida e roupa lavada - então depois de ler trez bilhões de pedidos por colchões no twitter. Vernon tomou a liderança (sabe-se lá do que, exatamente) e resolveu montar sua ONG para arranjar camas para meninos abandonados.

O ponto de encontro era a entrada do dormitório feminino e ele twittou sobre seu plano todo cheio de confiança que uma multidão de moleques ia aparecer, né? Afinal a cada hora que passava tinha menos colchão pra se acomodar. Mas não, ele esperou, esperou, colocou fone de ouvido e pulou umas dez musicas no shuffle, sentou na mala, levantou da mala, jogou uns joguinhos do LINE e ainda não tinha aparecido ninguém…

… Será que era melhor desistir?

Encarar o despertar da consciência
e de que somos criações divinas.
Fontes de luz, universos particulares
dançando na imensidão do cosmo,
como estrelas.
Somos tudo e nada.
Ínfimo e magno.
Homem tripartido.
Espírito, alma e corpo.
Caminhando neste planeta
para a evolução.
Sou como um rio correndo para
o mar, como galhos de árvores, conexões.
Como uma gotícula de água, frágil,
prestes a despencar e regressar.
Ciclos.
Híbrido de bicho do mato e urbanoide.
Tentando rimar fotografia com poesia.
Sendo talhado pela vida,
como rochas à beira do oceano.
Observando e absorvendo falhas e acertos.                                                     Yin e yang.
Aceitando paradoxos
e ideias voláteis.
Sou um eterno revolucionário de mim mesmo.

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Autorretrato

Chega uma hora em que as cortinas fecham. O show acaba. O café esfria. A voz emudece. O céu nubla. O vento sopra pro lado oposto. Chega uma hora em que tudo que é infinito se limita a nada. E tudo que parece nada ganha sentido, porque estamos perdidos dentro de nós. O fim é inevitável, meu caro. O inicio também. Quando você pensa que anulou as chances, você impulsionou o desejo do mundo em lhe mostrar o contrário das coisas. Portanto, aproveite até o mais simples dos momentos, pois até a simplicidade contida no despencar das folhas pode se perder na complexidade do início e fim de nós mesmos.
—  Etilismo Abstrato
A Segunda Lua

Sonhei que estava numa casa que não conheço, sem móveis. Era noite, havia pessoas de branco e me lembro de uma senhora conhecida. Eu olhava pro céu, via uma segunda lua aparecer e gritava pra todos virem correndo porque rapidamente ela iria sumir. Ela sumiu e ninguém veio. Gritei na sequência, avisando que ela já tinha sumido e que eles perderam a aparição. Em outro momento ela apareceu novamente, não lembro se mais pessoas viram. Era enorme e meio ovalada. 

Em outro momento saímos dessa casa, mas é como se ao descer o degrau do portão da rua o chão não existisse mais. A rua daquela casa era o espaço. O espaço mesmo, escuro e estrelado. Lembro de descer pensando se iria despencar eternamente, mas meu pé parou onde eu queria que ele parasse, como se eu realmente apenas tivesse descido um degrau, mesmo sem chão nenhum visível, tudo na vontade, no mental. Acho que nessa hora eu conversava com a tal senhora que conheço, mas não lembro o que.

Entre no meu nevoeiro!

Levo o copo cheio de alguma coisa, que eu não sei o que é, pois já não sinto mais nada, à boca. Sinto o líquido entrando. Despenca até algum canto dentro de mim, bem protegido. Queria eu, despencar dentro de mim e ficar bem protegido. Quanta inveja tenho deste líquido que nem sei o que é. Mas, havemos de convir, uma hora ele sai. Esse parece que sai pelos olhos. Porque algo está saindo. E eu deixo. Minha visão já está embaçada há algum tempo. Parece que aquilo que entrou calmamente pelas minhas entranhas, sai ferozmente pelos meus globos oculares. Não tenho como relutar, apenas fico parado. Sinto que vem mais. E deixo vir. Bebo outro gole. Olho para cima e o céu está horrível, cheio de nuvens, nenhuma estrela. Espera, talvez uma; ah, apenas mais um satélite. Satélites nunca brilharão como as estrelas; nunca chegarão nem aos pés destas. Nem está frio, por que estou de casaco? Acho que espero um frio que não virá. Acho que espero de mais. Mas tudo o que eu queria era sentar-me aqui no meu lugarzinho particular e não ser perturbado por nada; espera, exagerei. Não ser perturbado por nenhuma voz, talvez seja o mais correto. Porque, de verdade, não me importaria em ser perturbado por um asteroide. Sinceramente eu o abraçaria, como abraço um velho amigo. E saía, pela última vez, o negócio fluido pelos meus olhos. Acho que dessa vez ele sairia mais ferozmente do que as outras. Mas, enquanto esse pedaço de universo não nos dá a alegria de sua chegada, espero ficar aqui, quietinho, deixando-me imergir-se no que sai dos meus olhos. Afundando, até que tudo acabe. E, quando acabar, eu saberei que não acabou, porque ainda darei muitos outros goles disso que nem sei o nome. Vou sumindo e retirando minha insignificância que todos chamam de exagerada. Seguindo uma canção ao longe numa madrugada de domingo, fria por favor, que faça com que meus olhos lembrem-se daquele dia, daqueles dias. Esperando pela volta deles. Não vejo nada à frente, só quero dar alguns passos atrás. Já não sinto mais o gosto de nada, e todo sentimento parece apenas uma pequena versão daquilo que está lá atrás. E quando parece que vou sentir algo novamente, acho que deixo escapar por entre meus dedos. Eles não são lá os melhores para essas coisas. Bebo outro gole e já não vejo quase nada. Mas não é o bastante para fazer meus frios dedos pararem de fazer a única coisa que sabem. Atravessaram minha alma e a arrancaram de mim. Puxaram, e me deixaram sozinho em meio a esse nevoeiro. Não há nenhuma luz o traspassando. Minha alma que era viva e cheia de luz conseguiria iluminar tudo aquilo, mas levaram-na de mim. Acho que tudo acaba assim, não é? O fim é meio que isso, não é? Parece que não, ainda vou ter que aguentar algumas vozes que me fazem ver dentro desse nevoeiro e depois fogem. Correm para seu próprio nevoeiro. Algumas, confesso, sou eu quem as espanta. Parece que vai ter de ser assim, até o fim. Não sei quem ou o quê é o fim, mas o esperarei. E ele que me espere também. Enquanto ele não chega, vou eu, escrevendo e derramando sobre as letras. Vou escutando o silêncio; e ai de quem perturbá-lo. Vem o frio da manhãzinha. Recolho, agora, minha insignificância, porque apareceu uma pequena luz no nevoeiro é preciso afugentá-la. 

M. S. Alves.

Eu queria uma vida feliz, aquelas como nos comerciais de manteiga onde tudo é perfeito, queria poder sorrir com sinceridade, ou ao menos fazer as pessoas acreditarem que meu sorriso é sincero. Eu até tento sabe, e procuro não demonstrar a dor interna, mas já está transbordando, a um bom tempo o fardo se tornou pesado demais, eu não aguento carregar isso sozinha, a qualquer momento irei despencar, e essa cena não vai ser bonita, poderia haver uma maneira de fugir de toda essa dor, já que dormir não dura para sempre, mas quanto mais tento, mais ela me persegue, no meu subconsciente, martelando na mente e no peito, eu me tormento, me castigo mentalmente todos os dias, e os cortes desses açoites ardem na alma, dói, dói amargamente e não há remédio que amenize essa dor, o que resta-me é tentar ser forte, e sorrir de manhã como se não houvesse chorado a noite toda.
—  Dor interna
somos tudo, ou somos nada

compartilhar de mesmos gostos tornou-se pretexto para a rotulação.
sou depressiva por chorar e, ainda assim, doce por sorrir demais; tola por falar o que me vem à mente, e introvertida por não me expôr o suficiente. sou excluída por não me igualar à massa; afável por manifestar afeição por todos.
E agora, me tornei anti social por recusar-me a frequentar festas toda semana, beber até despencar e voltar embriagada pelas inúmeras bocas que beijei. Sempre tive a exorbitante compulsão por manter os amados serenos, sugando suas obrigações a fim de que prezassem da simplicidade que compõe o encanto de viver; entretanto, também nesse mesmo dia fui rotulada egocêntrica e fria.
Prevejo o que serei a seguir: sociopata.
serei internada e chamada de doente por aqueles, vulneráveis, adoecidos pelo sistema; tomarei mais remédios que a sociedade hipocondríaca dos dias de hoje. passarei o restante da minha vida do mesmo modo que cheguei a ela: rotulada.
de nada que realmente sou
de tudo que não fui,
ou serei.

“ Eu vi minha vida ramificando-se diante de mim como a figueira verde da história.  Na ponta de cada galho, como um figo gordo e roxo, um futuro maravilhoso acenava e piscava. Um figo era um marido, um lar feliz e filhos, outro era uma poetisa famosa e consagrada, outro era uma professora brilhante, outro era a Europa, a África e a América do Sul, outro era Constantino e Sócrates e Átila e outros vários amantes com nomes exóticos e profissões excêntricas, outro ainda era uma campeã olímpica. E, acima de tais figos, havia muitos outros. Eu não conseguia prosseguir. Encontrei-me sentada na forquilha da figueira, morrendo de fome, só porque não conseguia optar entre um dos figos. Eu gostaria de devorar a todos, mas escolher um significava perder todos os outros. Talvez querer tudo signifique não querer nada. Então, enquanto eu permanecia sentada, incapaz de optar, os figos começaram a murchar e escurecer e, um por um, despencar aos meus pés.”

Queda de sinal faz audiência do SBT despencar em minutos

No dia em celebra 34 anos em vez de apagar as velinhas o que apagou mesmo foi o sinal do SBT em quase todo o país, por volta das 19 horas desta quarta-feira (19/08) quando o canal de Silvio Santos exibia ‘Chaves’ várias praças foram afetadas com o problema e fez com que a emissora despencasse sua audiência.