despenca

Girassol quando abre flor, geralmente despenca. O talo é frágil demais para a própria flor, compreende? Como se não suportasse a beleza que ele mesmo engendrou.
—  Caio Fernando Abreu.
Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa! Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma, e ter apenas uma, é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo. Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca na sua vida?
—  Luís Fernando Verissimo.
Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa! Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma, e ter apenas uma, é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo. Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca na sua vida?
—  Luis Fernando Verissimo.
Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa! Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma, e ter apenas uma, é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo. Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca na sua vida?
—  Luís Fernando Veríssimo.

Desculpas, as vezes meu ciúmes ataca e eu não o controlo… é tipo como se fosse uma viagem só de ida, e na metade do vôo ele despenca sem controle. Sou assim, sou normal, sou humano mesmo te magoando eu te amo.💙⚓

00h45min - 09/11/2016

Olha só que bonito
a moça se abriu
pro infinito.
Ela sabe que
a gente nunca sabe
se dura pra sempre
ou acaba amanhã.
Arrisca, dá um salto
e despenca no abismo
ou pisa em segurança
no chão.
Ser livre é não precisar
de roteiro, certezas
ou explicação.

me afogo no raso que é você

baby, você é toda a convulsão do universo se apoderando da minha corrente sanguínea e me fazendo ferver. eu perco as minhas células no teu fogo que é brasa e me desfaz. eu apodreço na tua poesia mais crua que a minha alma. cataclismos são poucos perto das suas infusões explodindo dentro mim. e nem mesmo o caos que rodeia o mundo é capaz de te reter entre vácuos e abismos.  os desastres naturais não são páreos para o teu poder de desabamento. você quebra as minhas estruturas e dança tango nos meus destroços. fazendo frevo da minha nostalgia. tua mandíbula mastiga todas as minhas certezas e eu me esfarelo inteira no céu da tua boca. você é todo fluído de sangue correndo nas minhas veias. nós somos uma coesão dos termos mais divergentes e mesmo assim, eu me afogo nas tuas afluências. nossa conexão é melódica e harmoniosa. o choque do nosso toque faz tudo incendiar. dançamos em nossas próprias chamas. eu sou o combustível e você é o fósforo que nos faz flamejar. juntos somos explosivos. teu calor emana na minha pele e queima como um vulcão em erupção. a gente despenca do alto dos edifícios mas não se importa com o impacto porque nossos corações se amortecem e o vento que corta nosso rosto é o mesmo que faz nossas asas voarem em sintonia. mesmo assim  você ainda é o culpado de todo o estrondo do meu desmoronamento interno. dear, você me apodrece por dentro. me tira o ar, e mesmo assim me incendeia. você traga as minhas vísceras e finge fazer poesia das minhas ausências. quando só se esvai de toda essa minha impureza banhada em solidão. você é a minha ruína. o meu descontentamento errôneo de ser uma só e querer ser multidões inteiras só pra não te ver partir. porque as tuas quedas dos meus abismos me anunciam guerras internas. eu te sinto aterrissando nas minhas lacunas, e me fazendo tremer. eu sou tão pouca pra essa tua descarga elétrica que é caos. eu sou tão efêmera pra esse teu infinito disfarçado de vazio. olha as minhas células se entregando pra você. olha as tuas faltas desertando a minha alma. dizendo tchau pro nosso amor.  olha pra mim, me perdendo na tua insanidade. me emaranhando nas volúpias de te querer mais do que o meu corpo é capaz de suportar. e olha só você me dissolvendo nas tuas milhares de despedidas. mas não me importa o teu ego tão imutável quando tudo que eu quero é me queimar nas tuas chamas enquanto eu ainda não parti. enquanto você ainda não me partiu. em duas, três ou em milhares de fragmentos espalhados pelo assoalho. baby,eu sou tão volátil e você tão previsível. juntos somos uma algazarra muda. não existe solução pra nós. somos pura balbúrdia do universo.

e eu nunca vou entender essa ligação tão desconexa.
você sempre me quebra, mas a poesia dos teus olhos me refaz.

estrelices deu as mãos à cidadedocaos.

um segundo depois das tragédias, o mundo se acaba dentro de nós

todos os navios afundam cegos, nanicos, atrofiados
todos os portões se calam aflitos e silenciosos
todos os rostos se desmancham sobre os leitos dominicais
todas as bocas são de aço escovado e amargo
todos os santos flutuam sobre as nuvens estarrecidos
todos os versos deglutem o vento das fogueiras espirituais
todos as vozes flamejam proteção, abrigo e paz
todos os dedos se debatem sobre as teclas amaldiçoadas
todas as palavras se confabulam em alguma explicação inútil
todos os corpos se abraçam, são abraços inacreditáveis
todos os letreiros exibem a mutilação dos unicórnios
toda saudade despenca do abismo em busca do passado
e procuramos alguma razão, bálsamo, níquel, vintém
será que depois de tudo existe algum valor?
talvez no som das teclas de um piano desafinado?
ou no traço colorido dos corações de Romero Britto?
ou na pilula sublingual de Rivotril que desfalece o pânico
no quarto escuro do meu peito?
eu me olho e não me vejo
eu me olho e vejo um grito.

Elisa Bartlett

54

Até a música mais idiota faz parte de mim. Meu mundo roda e gira, despenca a um milhão de quilômetros planejados da realidade confusa que eu construí, mas fui eu, certo?
Então senta no chão e rola pelo colchão como se mais tarde tivesse algo de legal para fazer. Às vezes eu até entendo porque ele fez aquilo, outras vezes, não minto, eu o julgo, não é como se ele também não tivesse uma bola de cristal quebrada. Ele e eu sabemos, somos feitos de uma mesma carne pegajosa que te diferencia do resto do universo.
É a certeza louca de que quando morrer vou me transformar em purpurina e me juntar a alguma estrela cadente. Diga para mim que não é verdade e vou lhe responder o que acho sobre Plutão não ser mais planeta, a vida é minha, a alma é minha, se eu quiser ser uma barata quando morrer eu vou. Isso também é sobre a minha poesia, entenda que dentro de mim, moram duas eus, uma boazinha e a outra meio desasjustada da sociedade e do planeta em si. Mas ainda sou estrela, mesmo que no meio dos meus lençóis às vezes me desfaça em um milhão de versos sem sentidos de mim.
Sou e sempre serei um pouco louca da cabeça, caminhe só ele disse em um sonho meio desacordado. Respire fumaça de um vulcão em erupção e morra intoxicada com seu veneno cruel. Nada em mim possui explicação, às vezes eu até decido me calar. Na verdade, os dias em silêncio servem para que dentro de mim eu grite comigo mesma, e se pudesse, explodiria em um milhão de versos e purpurina de mim mesma. Essa é a verdade, ninguém nunca entendeu e eu nunca vou entender, mas na loucura dele eu até me sinto familiarizada. No fim, ser meio complexa faz parte de mim.


Paper Blue - Veneno.

de todas as coisas que deveriam não ser

gostar de você não é sólido
não é bonito
é só arriscado
é como andar sem roupa na chuva
com meus quarenta graus
teu sereno não é delicado
ele adoece a noite

gostar de você não é linear
não é plano
é só declive
é como correr na ladeira molhada
com meus sapatos velhos
teu teto não é seguro
ele despenca em mim

gostar de você não é fácil
não é indolor
é só triste
é como tentar me secar
com meus pés ainda submersos
teu amor não é meu
ele só quer ferir

Você se foi, você partiu, você partiu meu coração. Me sinto um caco velho, uma andorinha baleada na asa, um bule sem verniz na cristaleira da casa da tia. O abajur da sacristia, um reserva que aquece, mas não entra e esfria, um galo de briga bravo que despenca do poleiro, um coronel empalhado no museu de Juazeiro, um beato de novela que cria em casa um lobisomem. Um matador de aluguel, assassinando a própria fome. Um sabonete de motel, um jagunço de internet, um vira-lata de butique, um tamborete de forró na quadra de basquete. Eu quero que você vá pra bem longe. Pra Sumatra ou Jacarta. Eu quero que você vá pra Ohio. Eu quero que você vá pra o raio que a parta.
—  Zeca Baleiro.
distúrbio

por trás dessa pele que me veste
há um coração largo e denso
e um rosto apático
que desagua num choro desgovernado
por baixo da epiderme
um silêncio que vai rasgando a garganta
e atando nós pelos meus músculos
o sangue não coagula
e a lua minguante despenca do céu
há constelações presas na minha laringe
eu sorrio enquanto os meus ossos vão trincando um por um
há esse privilégio em ser só
ninguém te enxerga despedaçar
e você desfalece com um sorriso reluzente pregado nos lábios
você consegue ver onde estão os pedaços de mim?
a alegria chega e impregna. tristeza também.
um simples vislumbre do meu rosto
é pretexto pro mundo desmoronar.

Eu devia sim ter entrado nessa montanha russa porque… claro eu esqueci que tenho medo de altura e quanto maior a altura mais forte é a queda mas também, tem o prazer de quando ta subindo, ta la em cima em segurança, com a brisa gelada te acalmando, com o beijo dele te levando alem das nuvens. Enquanto aquele carrinho nao despenca, tudo bem, e espero que nunca despenque porque eu não quero abrir mão do que me faz feliz e acabar quebrando o que só ele poderia consertar.
—  Tarsila Coury.