despenca

Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa! Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma, e ter apenas uma, é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo. Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca na sua vida?
—  Luís Fernando Verissimo.
Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa! Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma, e ter apenas uma, é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo. Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca na sua vida?
—  Luis Fernando Verissimo.
Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa! Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma, e ter apenas uma, é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo. Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca na sua vida?
—  Luís Fernando Veríssimo.
Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca na sua vida?
—  Luis Fernando Veríssimo.
um segundo depois das tragédias, o mundo se acaba dentro de nós

todos os navios afundam cegos, nanicos, atrofiados
todos os portões se calam aflitos e silenciosos
todos os rostos se desmancham sobre os leitos dominicais
todas as bocas são de aço escovado e amargo
todos os santos flutuam sobre as nuvens estarrecidos
todos os versos deglutem o vento das fogueiras espirituais
todos as vozes flamejam proteção, abrigo e paz
todos os dedos se debatem sobre as teclas amaldiçoadas
todas as palavras se confabulam em alguma explicação inútil
todos os corpos se abraçam, são abraços inacreditáveis
todos os letreiros exibem a mutilação dos unicórnios
toda saudade despenca do abismo em busca do passado
e procuramos alguma razão, bálsamo, níquel, vintém
será que depois de tudo existe algum valor?
talvez no som das teclas de um piano desafinado?
ou no traço colorido dos corações de Romero Britto?
ou na pilula sublingual de Rivotril que desfalece o pânico
no quarto escuro do meu peito?
eu me olho e não me vejo
eu me olho e vejo um grito.

Elisa Bartlett

de todas as coisas que deveriam não ser

gostar de você não é sólido
não é bonito
é só arriscado
é como andar sem roupa na chuva
com meus quarenta graus
teu sereno não é delicado
ele adoece a noite

gostar de você não é linear
não é plano
é só declive
é como correr na ladeira molhada
com meus sapatos velhos
teu teto não é seguro
ele despenca em mim

gostar de você não é fácil
não é indolor
é só triste
é como tentar me secar
com meus pés ainda submersos
teu amor não é meu
ele só quer ferir

Você se foi, você partiu, você partiu meu coração. Me sinto um caco velho, uma andorinha baleada na asa, um bule sem verniz na cristaleira da casa da tia. O abajur da sacristia, um reserva que aquece, mas não entra e esfria, um galo de briga bravo que despenca do poleiro, um coronel empalhado no museu de Juazeiro, um beato de novela que cria em casa um lobisomem. Um matador de aluguel, assassinando a própria fome. Um sabonete de motel, um jagunço de internet, um vira-lata de butique, um tamborete de forró na quadra de basquete. Eu quero que você vá pra bem longe. Pra Sumatra ou Jacarta. Eu quero que você vá pra Ohio. Eu quero que você vá pra o raio que a parta.
—  Zeca Baleiro.
Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca na sua vida?
—  Luis Fernando Veríssimo.
2

um certo italianismo belohorizontino

a cidade despenca do céu num tom amarelo ouro
a noite vai encobrindo o topo dos edifícios
uma melodia de luzes surge no horizonte
e na cadência de sombras, faróis e lâminas
um fio de ansiedade ascende no estomago
e a mente flutua em lembranças esquecidas
no caldeirão do urbanismo noturno
a saudade desce pelo corpo em rota suicida
e os olhos se espalham no vazio que se abre
eu saio pras ruas à procura do teu rosto
talvez eu te ache num cara qualquer
talvez eu te veja num sinal luminoso
talvez eu te ame pela útima vez
e a gente celebre com um garrafa de vinho.

distúrbio

por trás dessa pele que me veste
há um coração largo e denso
e um rosto apático
que desagua num choro desgovernado
por baixo da epiderme
um silêncio que vai rasgando a garganta
e atando nós pelos meus músculos
o sangue não coagula
e a lua minguante despenca do céu
há constelações presas na minha laringe
eu sorrio enquanto os meus ossos vão trincando um por um
há esse privilégio em ser só
ninguém te enxerga despedaçar
e você desfalece com um sorriso reluzente pregado nos lábios
você consegue ver onde estão os pedaços de mim?
a alegria chega e impregna. tristeza também.
um simples vislumbre do meu rosto
é pretexto pro mundo desmoronar.

Ecos de um cântico morto

Olhos sádicos em uma face perturbada pelas notas desafinadas sopradas nos ouvidos dormentes. Desemboca a embriaguez sólida da solidão. Atiça uma inconsciência consciente, desejada. Figuras tortas na partitura do instrumento mal tocado ecoam pelos caminhos nervosos até os sentidos. Olfato, tato, paladar. As sensações desencadeiam digressões por vidas passadas e repetem o passado da pessoa presente. A pauta borrada descontrói os ruidos harmonizados. Canta. Ecoa. Repete. Alucina. Todos os sentidos morrem e o corpo amolece. A mente despenca pelos campos elíseos do não ver e não ouvir. Confirmam o caos e o súbito não existir.

Gozei

Escrever é arte
ler é arte
criar é arte
morrer é arte
reinventar é arte
perdoar é arte
beber é arte
viver é arte
meu amor é arte
oral é arte

arte é uma questão
de sobreviver
com beleza.

mas a beleza esta nos olhos de quem vê por dentro.

foder é arte
arte é deixar as palavras entrarem em você
foder com as palavras
te faz crescer
goze essa poesia aí

pensar é arte
pense pense mas não se mate
porque se matar
também é arte:
despENCA o coooorpo
no pensa mento
do asfalto

arte arte arte
alguém ouviu meu grito noite passada?
eu gozei litros dela
não sei quantos poemas o
papel conseguiu engolir
só sei que gozei.

Hofschneider

Eu devia sim ter entrado nessa montanha russa porque… claro eu esqueci que tenho medo de altura e quanto maior a altura mais forte é a queda mas também, tem o prazer de quando ta subindo, ta la em cima em segurança, com a brisa gelada te acalmando, com o beijo dele te levando alem das nuvens. Enquanto aquele carrinho nao despenca, tudo bem, e espero que nunca despenque porque eu não quero abrir mão do que me faz feliz e acabar quebrando o que só ele poderia consertar.
—  Tarsila Coury.
Amor não morre. A gente nega, diz que não quer, e que nem flor, ele murcha, despenca, fica fraco, mas não morre. Ele fica esperando o dia em que o coração se abre de novo. Que a gente volta a regar. Numa coisa, o amor não é como flor: ele não precisa de sol. Precisa de coração aberto… Porque, se girassol acompanha o sol, o amor é o girassol do nosso coração.
—  Clarissa Corrêa.  
Eu não acredito no amor indestrutível, na verdade, eu não acredito no indestrutível. Tudo acaba, despenca, vira pó, inclusive nós. Seja por algo físico ou psicológico, um dia acaba. Indiscutivelmente e inevitavelmente, acaba.
A coragem da tristeza golpeia minhas escolhas e jorra um ciclo de dor dentro de mim. O orgulho torna-se inquestionável quando a raiva flui do coração. Há um mundo de luto que conserva o silêncio da vida e paralisa o vórtice da ignorância. Convicção inabalável que despenca sobre o rio do tempo e ecoa até a dádiva da culpa. Lacunas de solidão que ocultam rostos e nomes e forjam o inverno da alma. Manhã fria que me aquece em seus braços e empunha o segredo dos sonhos. Vergonha do passado que despedaça as paredes da confiança e condena o reflexo da vida. Vazio que preenche o sussurro do vento e envenena o sangue corrente nas veias. Inteligência que jaz ao gosto de mentiras e transfigura o inexorável poder âmago do tempo.
—  Emerson Mollin