desobedeceu

Girlfriend: Capítulo I

Maldita segunda-feira.

(Seu nome) não conseguia entender o porquê de seus pais parecerem tão alegres sendo que o dia mal amanheceu. Beijos na cozinha e “bom dia" sendo quase que cantarolado quando ela apenas queria xingar por terem a acordado em plena madrugada ou às 6 AM se querem saber.

Depois de deixar a mesa repleta de coisas para o café da manhã da família, Johannah beijou a testa de todos sentados à mesa e deixou a cozinha para ir para a frente de casa onde funcionava uma aconchegante cafeteria, o mais novo negócio que a mulher se empenharia para fazer dar certo.

As gêmeas de oito anos ainda estavam dormindo por estudarem apenas no período da tarde e (seu nome) as invejavam por isso, enquanto elas se mantém no mundo dos sonhos, ela quase deixou sua cabeça cair sobre da xícara de chá a sua frente podendo ouvir a risadinha de Louis chamar a atenção de seu pai.

— Parece que alguém desobedeceu as regras da mãe… — seu pai jogou a frase no ar, mas sem um tom acusador, ele parecia até se divertir um pouco. ‘Maldito bom humor em plena segunda feira.’ Pensou a garota.

— Eu só consegui dormir depois de algum tempo que deitei… — (seu nome) disse com um bocejo no final da frase que acreditou ajudar em sua defesa.

— Claro… Você não conseguiu dormir e eu não consegui ouvir a porta da garagem abrindo. — ele deu um sorrisinho cínico dando gole em seu café logo depois.

E droga.

(Seu nome) só percebeu o seu pai disse quase um minuto depois e quando olhou para Louis ele estava vermelho de tanto que segurava uma risada que logo escapou escandalosamente ecoando pela cozinha e sendo acompanhada pela de seu pai.

— Você precisava ver a sua cara quando seu cérebro enfim funcionou. Você pareceu tão retardada. — Louis continuava rindo sem se importar com o olhar fulminante da irmã em sua direção.

— Bastardo! — ela disse entre os dentes se levantando da mesa para ir até seu quarto.

***

A cabeça de (seu nome) paira para o lado enquanto seu irmão mais velho dirige o Audi R8 preto até o colégio, eles haviam se mudado há uma semana e já começariam o último ano na escola e (seu nome) culpa exclusivamente a madrasta por ter os colocado ali, se dependesse de seu pai, eles só começariam no meio do ano se ele arrumasse uma vaguinha na agenda para matriculá-los.

A noite passada foi um pouco conturbada, Louis disse que sairia para uma boate e (seu nome) logo tratou de acompanhá-lo, os dois saíram de casa escondidos e agora ela está com uma dor de cabeça insuportável pronta para espremer a cabeça do primeiro que aparecer a sua frente.

Los Angeles estava sendo diferente do que (seu nome) pensava, ela foi embora ainda muito nova e não conhecia muito bem, mas de alguma forma ela se sente em casa. É como um longo período de férias em outra cidade. Quando você voltar, saberá que pertence a aquele lugar independente do tempo que esteve fora.

Ela sentia como se nada em sua vida fosse fixo, ela morou em Los Angeles e teve que se mudar para a Inglaterra e então quando a sua vida estava toda adaptada ao novo lar, seu pai, sem ouvir a sua opinião sobre o assunto, disse que teriam que se mudar novamente para o mesmo lugar que saíram a primeira vez.

Até parede um tipo de pegadinha.

A vida em Doncaster começou a dar certo quando (seu nome) aceitou a aproximação de Louis, ela não queria morar tão longe da irmã e decidiu não se apegar muito às novas pessoas na esperança de seu pai levá-la de volta para a sua casa. Com o tempo, ela teve que digerir a madrasta querendo mimá-la a todo instante a fim tomar o lugar de sua mãe e de bônus o filho dela louco por atenção. Ele parecia tão desesperado para tê-la como irmã que a assustava, mas tudo deu certo e eles se tornaram inseparáveis.

Agora os dois estão dentro do carro no estacionamento da escola e (seu nome) nem se deu conta que o carro está parado e que Louis a observa pensando no que aprontar, quando não vê muitas opções ele apenas dá um tapa na testa da irmã.

— Que Merda! — ela abriu os olhos pousando a mão sobre a testa.

— Sem palavrões, a mamãe não vai gostar de saber. — Louis riu pegando sua mochila no banco de trás.

— Que se foda, você é um merda. — ela soca o braço de Louis abrindo a porta do carro depois de soltar o cinto.

— Ninguém mandou você sair ontem a noite, vai ficar dormindo pelos cantos agora.

— Você estava comigo, então não tem o direito de falar nada em relação a isso. — bateu a porta do carro olhando em volta.

— Eu não estou dormindo pelos cantos. — Louis disse já do lado de fora e aperta o botão para travar as portas — Bem-vinda a nossa nova escola, maninha. — ele vai até a irmã colocando um braço sobre os ombros dela.

— Pouco me importa esses merdas de riquinhos… Odeio a sua mãe por ter convencido meu pai a me mandar para esse lugar.

— Até hoje de manhã você a chamava de mãe. — ele ri ao receber uma cotovelada de leve.

— Cala a boca!

***

— Megan acabou de passar pelo portão do estacionamento… Ela está acompanhada. — a garota ruiva disse baixo segurando um celular envolto a uma capinha rosa cheio de strass apoiado em seu ouvido.

— Acompanhada? — o garoto do outro lado do telefone perguntou confuso enrugando a testa — Ela não comentou nada sobre isso.

— Ela está vestida de uma forma estranha… Talvez seja um primo ou algum parente, ela também não me disse nada. — a garota começou a seguir disfarçadamente o casal que andava pelos corredores da escola — Está tudo pronto?

— Está sim… Ela vai amar a surpresa. — o garoto sorriu olhando a sua volta vendo que tudo estava perfeitamente posicionado.

— Eles estão passando pelo corredor dos armários, não demoraram para chegar. — a ruiva continuou no encalço dos dois não querendo perder o acontecimento do ano.

— Okay… Vou colocar todos em posição. Até mais!

O garoto de cabelos cacheados e olhos em um tom verde chamativo desligou o celular o deslizando rapidamente para o bolso e se voltou para o loiro que segurava um violão e o ruivo que cantaria a música que juntos haviam composto. Ele queria que tudo fosse perfeito, então logo pegou o buquê de flores e deu o sinal para os garotos se posicionando no meio do refeitório apenas esperando sua namorada chegar.

Algo dentro dele o fez desejar surpreender a namorada, era como se ele devesse isso a ela de alguma forma. Não que ele tenha feito algo de errado e agora para aliviar a culpa quer agradá-la, é bem mais que isso, ele não fez nada de errado, mas também não sabe de onde surgiu aquela vontade repentina.

Quando ele a viu parar na entrada do refeitório tudo a sua volta pareceu parar e tudo que ele tinha em mente era ela. Seus olhos desceram por todo o seu corpo notando suas roupas diferentes, até mesmo sua expressão facial e cabelo, mas aquele diferente o fez sentir seu coração bater como nunca antes, era sua namorada e ao mesmo tempo não parecia ser. Talvez sua mente estivesse lhe pregando uma peça e projetado na sua namorada um fantasma do passado que ele há muito tempo resolveu abandonar.

O sorriso que ele achou que apareceria em seu rosto não apareceu e ainda encarando fixamente a garota ele deu passos curtos até estar de frente para ela, nem ao menos se importando com o garoto confuso ao lado. O cacheado empurrou o buquê de flores contra o garoto desconhecido para ter as mãos desocupadas para segurar o rosto da garota e iniciar um beijo. E foi o que ele fez.

O beijo não foi correspondido, ao invés de sua namorada puxá-lo contra seu corpo, ela o empurrava para longe, ou ao menos tentava, já que ele se recusava a largá-la. Quando enfim ela conseguiu a distância que queria, recebendo também um olhar confuso do garoto, tudo que conseguiu fazer foi acertar um soco no olho do garoto pelo atrevimento de tê-la beijado.

Deus colocou Adão no Éden onde havia diversas árvores das quais ele podia se alimentar. Yahweh havia preparado aquele lugar para ser habitado pela sua amada criação. Porém Adão desobedeceu. Sabe… quantas vezes nós somos privilegiados em poder estar em lugares onde existem tantas coisas boas para provarmos… Mas Deus alerta: “Meu filho, disso e daquilo você não prova, mas das demais coisas você pode se alimentar”. Por mais que algo não vá nos levar a uma enfermidade física, talvez aquilo não nos faça de fato pecar, mas é uma porta que deixamos aberta para o pecado, para a morte espiritual. Não vou falar de Adão ou de outras pessoas, vou falar de mim. Quantas vezes o Senhor me levou ou permitiu que eu estivesse em determinados lugares e eu acabei me deixando ser enganado pelo prazer momentâneo, pela sensação passageira de poder.

Pai, me perdoa. Eu errei diversas vezes, falhei, muitas vezes persisti no erro, mas hoje, que o Espírito Santo me convença de todo pecado, que ele abra os meus olhos para os meus erros para que eu possa me arrepender de cada um deles, citando-os. Pai, contigo quero renovar hoje a minha aliança.

Ficar com Jesus Cristo, fazer visitas, ser visitado, ser acariciado pelo Seu amor, tocá-lo. Isso tudo é muito bom… Mas o Senhor nos chama para um casamento!

Felipe Alves