deslocamentos

Espero que estas dicas e macetes sejam úteis. 

Física

Calorimetria
1. Fórmula: Q = M.C.T
Uso: Fórmula para medir variação de calor de um corpo
Macete: Qui MaCeTe?

2. Fórmula: Q = M.L
Uso: Fórmula para medir variação de calor de um corpo
Macetes: Qui MoLeza!
Quem Matou Lineu?
Quem Matou Lampião?

3.  Macete: Croquete. (Capacidade térmica)

Pressão
1. Fórmula: P.v = n.R.t
Uso: Fórmula para medir a pressão de gases e líquidos
Macetes: Por Você nunca Rezei tanto
Para vereador não Roubar tanto

Empuxo
1. Fórmula: E= d.V.g
Uso: Para calcular a força hidrostática exercida por um corpo
Macete: Empuxo é deVagar.

Velocidade
1. Fórmula: V = Vo + A.T
Uso: Fórmula para medir a velocidade final, inicial, tempo de deslocamento ou aceleração de um corpo
Macete: Vi Você à Toa
Vovô Alfaiate
Vi Você Atirar
Vovô ateu

2. Macete: Vi você mais 2 amigos num triângulo sentimental. (Equação de Torricelli)

Movimentos

Para Movimento Retilíneo Uniforme (MRU):
Fórmula: S= So + V.t
Uso: Fórmula para medir o tempo, espaço e velocidade no MRU
Macetes: Sorvete
Sempre sonhei em ver-te.

Para Movimento Retilíneo Uniformemente Variado (MRUV):
S = So + Vo.t + ½ a.t²
Uso: Fórmula para medir o tempo, espaço e velocidade no MRUV
Macetes: Sorvetão
Sozinho no Sofá, Vendo Tevê à Toa
Sentado Sozinho Vendo Tevê até Meia-Noite

Campo Elétrico
E = F/Q
Uso: para determinar a intensidade do campo elétrico
Macetes: É Fraqueza!
Fique Elegante, Querida!

Q = ti
Uso: para calcular a intensidade da corrente elétrica
Macete: Quero te iludir

Força
F = m.a
Uso: para medir força, massa ou aceleração de um corpo
Macetes: Fama
A força é má

Velocidade de ondas
1. V = λ.f
(λ= letra grega lâmbida)
Uso: para calcular a frequência de ondas
Macete: Você lambe a faca
Vistosas lambidas com frequência

2.  Macete: Fofoca a vizinha vem ouvir, fofoca a vizinha vem fazer! (efeito Doppler)

Óptica

Macete: Uma flor = uma pétala mais uma petalinha. (Equação de Gauss)



Matemática

Análise combinatória

O conteúdo de Análise Combinatória é muito cobrado em vestibulares, devido ao fato de conter três tipos de fórmulas que devem ser utilizadas de acordo com o enunciado. Confira quais são as três fórmulas, em qual caso usar cada uma e uma frase para auxiliar na memorização das mesmas:

  • Fórmula: A n,p = n! / (n-p)!
    Uso da fórmula: A fórmula do Arranjo Simples é utilizada quando você precisa arrumar os elementos em uma determinada ordem, e essa ordem é importante.
    Macete:   Ainda não posso = não! /( não posso)!
  • Fórmula: C n,p = n! / p! . (n-p)!
    Uso da fórmula: A fórmula da Combinação é usada quando você precisa ordenar os elementos, mas a ordem não é importante. 
    Macete:Comigo não pode = não! / pode! . (não pode)!

Geometria Analítica

Para se encontrar a equação da reta que passa por um determinado ponto P(xo, yo) usa-se a equação y – yo = m (x – xo). Essa equação pode ser memorizada pela frase YoYô, Mixoxô.

Pi

O Pi é um número irracional que contém centenas de números após a vírgula. Apesar disso, é muito utilizado em fórmulas que contém círculos e esferas. Porém, o valor do Pi não é fornecido nas provas e no ENEM. Para se memorizar o número Pi com 10 casas após a vírgula utiliza-se a frase: sim, é útil e fácil memorizar um número. Grato aos sábios! Cada palavra corresponde a um número:

  • sim = 3
  • é = 1
  • útil = 4
  • e = 1
  • fácil = 5
  • memorizar = 9
  • um = 2
  • número = 6
  • grato = 5
  • aos = 3
  • sábios = 6

Assim o Pi tem o valor de 3,1415926536!

Fórmulas Trigonométricas

As fórmulas trigonométricas envolvem os elementos do triângulo retângulo – cateto oposto, cateto adjacente e hipotenusa. Para os vestibulares e o ENEM é importante saber as três fórmulas mais importantes da trigonometria:

  • Seno = co / hip, usa-se a palavra corri;
  • Cosseno = Ca / hip, usa-se a palavra caí;
  • Tangente = co / ca; usa-se a palavra coca.

Também é importante saber a posição dos seno e do cosseno, para isso utiliza-se o macete:

  • quem ta de pé ta sem sono: seno no eixo y, que é vertical
  • quem ta deitado ta com sono: cosseno no eixo x, que é horizontal

Fórmulas de PA

fórmula do termo geral:

  •  an = a1 + (n-1) . r: Ainda não arranjei um namorado rico! 

fórmula da soma da PA:

  • Sn = (a1 + an) . n / 2: Sem namorado? arranja um namorado novo e divide para nós duas!

Áreas de figuras planas

Algumas músicas podem ser utilizadas para memorizar alguns assuntos da matemática. A música abaixo auxilia na memorização das áreas de figuras planas:

Lá vem o triângulo, que eu conheço bem
Polígono fechado que três lados tem
Calculo sua área que é pra ver depois
Base (vezes) altura, divido por dois

Todo triângulo. três alturas tem
Se não for dada a altura
Determino também
Altura é quando sai
De um vértice um segmento
Vai até o lado oposto,
Ao seu prolongamento

A altura sempre forma angulo reto
Com o lado oposto ao vértice
ou seu prolongamento
Acuntângulo, retângulo
E também obtusângulo
É a classificação baseada no ângulo

O tal do quadrado eu entendo bem
E que quatro lados iguais ele tem
Calculo sua área, que é um barato
Se eu multiplico lado por lado

Falo de trapézio, sua área também
Bases paralelas eu sei que ele tem
Eu somo as bases, multiplico depois
Pela sua altura e divido por dois

O círculo é roda, não fica parado
E o raio que parte do centro ele tem
Calculo sua área e fico ligado
Que é pi vezes a raio elevado ao quadrado

ERROS MÉDICOS COMUNS (PRINCIPALMENTE EM FICS) — PARTE 2

Originalmente, o texto era uma série de slides mas, para facilitar, resolvi colocar tudo em forma de texto. Eu não traduzi todos os comentários, até porque alguns são bem específicos do autor e eu achei que não cabiam aqui. No mais, está tudo o mais parecido possível com o original.

Saibam que eles NÃO SÃO tratamentos médicos ou aconselhamento médico nem nada do tipo, são apenas informações para deixar a sua história mais realista e com menos erros técnicos. O que você vai encontrar aqui:

  • Comas;
  • Morte Cerebral;
  • Concussões;
  • Choque;
  • Ossos Quebrados;
  • Gesso;
  • Deslocamento;
  • RCP.

Créditos: Rylie. Original aqui. Traduzido e adaptado para o português por A voz da terra do nunca.

Keep reading

Ansiedade: quando é a hora de procurar ajuda?

Primeiro você começa a sair menos de casa. Sem perceber você passa a evitar contatos sociais e arruma variadas desculpas para todos os eventos (de pequeno ou médio porte), não importa. De início você acha que só está com “preguiça de gente” ou que isso é coisa da sua “personalidade antissocial”. Mas de repente você está faltando a compromissos que antes eram prazerosos (e lá no fundinho da sua consciência você sabe disso) e essa dúvida incomoda: não quero ou não consigo ir?

Até que chega uma hora em que os rituais – que antes eram tão particulares – se tornam públicos. As “checagens emocionais” que fazemos para certificar o momento exato em que perdemos o controle: isso é uma crise? Ou eu só estou me precipitando?

Depois tem o momento que além de evitar pessoas ou qualquer situação que envolva um deslocamento ou preparo, você também passa a se esquivar de assuntos que envolvam ansiedade. Porque na sua mente – e em algum nível isso é real – essas pautas se tornam gatilhos potentes para uma crise (ou para fomentar uma crise futura). Às vezes sinto que uma pessoa ansiosa sempre está fazendo uma “varredura mental” de notícias catastróficas ou experiências ruins que potencializam ainda mais o momento de crise.

Além de evitar ler sobre o assunto, também se evita falar sobre isso com amigos, familiares ou conhecidos. Constantemente vem a frase: “Estou com alguns problemas, mas não quero falar sobre eles”. Porque falar sobre isso é entrar em contato. E entrar em contato dói.

Somado a todos esses itens, surgem os sintomas corporais ou as famosas somatizações, que sempre soam como alarmes estrondosos te avisando que tudo vai de mal a pior. Porque se eu estou sentindo no corpo é uma prova de que isso é real.

Nem sempre.

Existem inúmeros momentos que nos darão “dicas” de que algo não vai bem, mas costumo pensar que todo medo que te paralisa é um alerta importante. Quando reconhecemos que, para além dos compromissos adiados, estamos deixando de ser quem somos para que a ansiedade ocupe todo o espaço, é hora de procurar apoio.

Lar

   Em uma eterna repetição de deslocamento. Talvez, como a poesia, o meu lugar seja o não-lugar. Talvez eu simplesmente não pertença. Talvez eu deva me manter recolhida em minha mente. Talvez meu coração não deva ser entregue…? Mas a sede arde no peito, a nostalgia eterna pelo amor perdido que nunca existiu. Talvez eu seja feita para só me estabelecer no caos. Talvez seja assim que eu funcione. O vazio me corrompe. Só a casca não morre. E eu morro a cada dia quando o meu peito afunda em agonia, quando me afogo nessa ânsia de desaguar lágrimas pelos meus olhos, nem sei por que estou chorando. Sendo que… Já aceitei que a solidão é a minha única constante companhia. Não… A verdade é que eu não realmente aceitei. Acho isso tudo poético, mas a dor existe, a solidão é dor, e a fuga é incessante. A procura por um lugar só meu. A eterna busca por um lar. A infindável busca por pertencer. A triste espera por algo que permaneça. A lânguida ansiedade por alguém que também queira… Mas é tudo caos e só eu sou a poesia. Mas é tudo casual e, você sabe, ninguém nunca fica. Talvez meu único compromisso seja com o caos e com a solidão. Pois me levam para dentro de mim, pois me elevam até o fim. Pois a mim mesma permaneço fiel. E é o que a solidão me proporciona, o meu eu para mim mesma. Essa pessoa de abismos tão profundos que só se acha na perdição. Na verdade, nunca me acho… Estou sempre em busca de mim mesma. Mas talvez, o que eu procuro não é para ser achado. Talvez eu mesma também só exista perdida. Mas é que dói tanto… não pertencer. Dói, ao mesmo tempo em que é um alívio quando, por um efêmero instante, aceito a solidão que me foi dada. Porque, nesse efêmero instante, a busca se dá por encerrada. Sou só eu. Fim em mim mesma. Nada mais. Mais ninguém. Passo a apenas observar o mundo, observar tudo passar por mim, deixando cicatrizes tão profundas quanto o tempo. Mas há como aceitar isso? Eu aceito a dor, mas é tão difícil aceitar a solidão quando se tem tanto amor por dentro. Oh, quanto amor tenho aqui dentro… Quanto amor, quanto amor… E irônico é, que esse amor seja para tantos que me fazem mal, mas nunca para mim. Eu me busco nesse mar de perdição que sou, nunca me acho e nunca me dou amor. Dou-me apenas solidão. Devolvo-me toda para a solidão. Porque meu coração sempre escolhe se entregar àqueles que não se entregarão de volta. Tão acostumado em ficar em segundo plano que qualquer carinho acende a fagulha. Carência desmedida. Tenho tanto carinho por outros, e não sobra nenhum para mim. Ao mesmo tempo em que esse carinho cessa antes do toque. As palavras que saem da minha boca não representam nem metade do que se passa aqui por dentro. É por isso que vou me afastando. É por isso que crio vínculos inquebráveis que vão por uma via de mão única. Não retornam para mim. Sigo sendo efêmera nas vidas dos outros, sem nunca saber se sou eu que me afasto ou se os outros é que sempre se vão como se nunca houvessem estado aqui. Eu sei, essa solidão é a única que permanece, é aonde pertenço. Tão enraizada em meu ser, que até nas relações mais íntimas e loucas, ainda há um abismo entre meu coração e o alheio. Até no meu amor mais profundo e sincero, há um abismo sem pontes. Esse abismo chamado solidão. E eu sei… Que só há uma pequena esperança para que toda essa solidão imensa e intrínseca se converta em amor puro… tão bem quanto eu sei que isso se realizar é tão improvável quanto a persistência de um sentimento tão puro… nos dias de caos despropositado em que vivemos.

SEMINÁRIO PIBID 2017

25º ENCONTRO (14-16/09/2017):

Troca

Compartilhar

Ministrar

Vivência

Dinâmica

Arte como função de

Acolhimento

Feliz encontro, Alegre-te

Pois, a troca é o “in process”

Cuidado

Zelo

Me constituo a partir do outro

Com outro

Nós

Olhar, visão, confiança…

Carpediem

Intensidade

Troca!

(SANTOS, Wesley. Seminário Pibid 2017)

Dimensionar a troca inerente no Seminário Pibid 2017, é ultrapassar a troca gerada em sala de trabalho, ultrapassar a compreensão teórica e burlar a relação entre, entre pessoas, entre lugares, entre momentos. A necessidade de oralizar as pesquisas, de (re)conhecer projetos, tentativas, pessoas, lugares, potencializa a troca de viventes. Com o compartilhamento de minha pesquisa pude entrar em contato com a possibilidade oral e deslocamento que poderia se gerar, discussões, dúvidas, curiosidades e efetivar o interesse no outro, é gratificante.

Ministrar oficina para professores e me colocar como doador de práticas, me coloca numa posição de professor duas vezes, pois necessite que eu pense na aula em si, como ocorre nos estágios, mas como criar uma linha de compreensão de professor-aluno, para que ele apreenda a sua prática docente. Trocar a energia com colegas da pedagogia é sempre uma surpresa, eles nos retorna muitos apontamentos e questões que num curso de graduação em teatro não é abordado.

Assistir os colegas de área e se inteirar pelas pesquisas feitas, conclusões obtidas, atualizar-se é uma necessária ação, que provoca em nós, deslocamentos, tensões afim de que assim possa (re)criar conceitos, práticas e percepções. Entretanto, o que mais me interessa é a troca de energia gerada por ambos os participantes, como é bom encontrar pessoas novas em um corredor, escutar outros assuntos, nesta publicação me restrinjo a informações acadêmicas, mas não pode de forma alguma esquecer da relação interpessoal com fins não profissionais, pois, são nas vivências de mundo e com o mundo, que cria importantes relações sinápticas que dentro de sala de aula, eu muito bem instruído pelo ofício, não dissocio e associo na minha prática educacional-teatral.

Alegrete de forma simples e concreta construiu um ótimo seminário, onde pode proporcionais grandes discussões das pequenas mesas de avaliação até as grandes mesas do almoço/jantar criando a possibilidade de criar, discutir e reflexionar educação, e o mais importante, qual o grau de comprometimento e empenho irei construir minha carreira docente.

Alegre-te, alegrete

A visita foi curta

Mas, os espaços-memórias muitos

(SANTOS, Wesley. Seminário Pibid 2017)

Constituições Brasileiras - conheça as 7 que o Brasil já teve

Promulgada no dia 5 de outubro de 1988, durante o governo do então presidente José Sarney, a Constituição em vigor, conhecida por “Constituição Cidadã”, é a sétima adotada no país e tem como um de seus fundamentos dar maior liberdade e direitos ao cidadão - reduzidos durante o regime militar - e manter o Estado como república presidencialista.

As Constituições anteriores são as de 1824, 1891, 1934, 1937, 1946 e 1967.  Das sete Constituições, quatro foram promulgadas por assembleias constituintes, duas foram impostas - uma por D. Pedro I e outra por Getúlio Vargas - e uma aprovada pelo Congresso por exigência do regime militar.

Na história das Constituições brasileiras, há uma alternância entre regimes fechados e mais democráticos, com a respectiva repercussão na aprovação das Cartas, ora impostas, ora aprovadas por assembleias constituintes. Abaixo, um resumo das medidas adotadas pelas Constituições do país: 

1ª - Constituição de 1824 (Brasil Império)

Apoiado pelo Partido Português, constituído por ricos comerciantes portugueses e altos funcionários públicos, D. Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte em 1823 e impôs seu próprio projeto, que se tornou a primeira Constituição do Brasil. Apesar de aprovada por algumas Câmaras Municipais da confiança de D. Pedro I, essa Carta, datada de 25 de março de 1824 e contendo 179 artigos, é considerada pelos historiadores como uma imposição do imperador.

Entre as principais medidas dessa Constituição, destaca-se o fortalecimento do poder pessoal do imperador, com a criação do Poder Moderador, que estava acima dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. As províncias passam a ser governadas por presidentes nomeados pelo imperador e as eleições são indiretas e censitárias. O direito ao voto era concedido somente aos homens livres e proprietários, de acordo com seu nível de renda, fixado na quantia líquida anual de cem mil réis por bens de raiz, indústria, comércio ou empregos. Para ser eleito, o cidadão também tinha que comprovar renda mínima proporcional ao cargo pretendido.

Essa foi a Constituição com duração mais longa na história do país, num total de 65 anos. 

2ª - Constituição de 1891 (Brasil República)

Após a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, houve mudanças significativas no sistema político e econômico do país, com a abolição do trabalho escravo, a ampliação da indústria, o deslocamento de pessoas do meio rural para centros urbanos e também o surgimento da inflação. Outra mudança foi o abandono do modelo do parlamentarismo franco-britânico, em proveito do presidencialismo norte-americano. 

O marechal Deodoro da Fonseca, proclamador da República e chefe do governo provisório, e Rui Barbosa, seu vice, nomearam uma comissão de cinco pessoas para apresentar um projeto a ser examinado pela futura Assembleia Constituinte. O projeto escolhido vigorou como Constituição Provisória da República até as conclusões da Constituinte. 

As principais inovações dessa nova Constituição, datada de 24 de fevereiro de 1891, são: instituição da forma federativa de Estado e da forma republicana de governo; estabelecimento da independência dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; criação do sufrágio com menos restrições, impedindo ainda o voto aos mendigos e analfabetos; separação entre a Igreja e o Estado, não sendo mais assegurado à religião católica o status de religião oficial; e instituição do habeas corpus (garantia concedida sempre que alguém estiver sofrendo ou ameaçado de sofrer violência ou coação em seu direito de locomoção – ir, vir, permanecer –, por ilegalidade ou abuso de poder).

3ª - Constituição de 1934 (Segunda República)

Presidido por Getúlio Vargas, o país realiza nova Assembleia Constituinte, instalada em novembro de 1933.

A Constituição, de 16 de julho de 1934, traz a marca getulista das diretrizes sociais e adota as seguintes medidas: maior poder ao governo federal; voto obrigatório e secreto a partir dos 18 anos, com direito de voto às mulheres, mas mantendo proibição do voto aos mendigos e analfabetos; criação da Justiça Eleitoral e da Justiça do Trabalho; criação de leis trabalhistas, instituindo jornada de trabalho de oito horas diárias, repouso semanal e férias remuneradas; mandado de segurança e ação popular.

Essa Constituição sofreu três emendas em dezembro de 1935, destinadas a reforçar a segurança do Estado e as atribuições do Poder Executivo, para coibir, segundo o texto, “movimento subversivo das instituições políticas e sociais”. Foi a Constituição que vigorou por menos tempo no Brasil: apenas três anos.

4ª - Constituição de 1937

Em 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas deu um golpe de Estado e assumiu poderes ditatoriais. Ele revogou a Constituição de 1934, dissolveu o Congresso e outorgou ao país, sem qualquer consulta prévia, a Carta Constitucional do Estado Novo, de inspiração fascista, com a supressão dos partidos políticos e concentração de poder nas mãos do chefe supremo do Executivo. Essa Carta é datada de 10 de novembro de 1937.

Entre as principais medidas adotadas, destacam-se: instituição da pena de morte; supressão da liberdade partidária e da liberdade de imprensa; anulação da independência dos Poderes Legislativo e Judiciário; restrição das prerrogativas do Congresso Nacional; permissão para suspensão da imunidade parlamentar; prisão e exílio de opositores do governo; e eleição indireta para presidente da República, com mandato de seis anos.

Com a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, as ditaduras direitistas internacionais entraram em crise e o Brasil sofreu as consequências da derrocada do nazifascismo. Getúlio Vargas tentou, em vão, permanecer no poder, mas a grande reação popular, com apoio das Forças Armadas, resultou na entrega do poder ao então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), José Linhares, após a deposição de Vargas, ocorrida em 29 de outubro de 1945. 

O novo presidente constituiu outro ministério e revogou o artigo 167 da Constituição, que adotava o estado de emergência, acabando também com o Tribunal de Segurança Constitucional. Ao fim de 1945, as eleições realizadas para a Presidência da República deram vitória ao general Eurico Gaspar Dutra, empossado em 31 de outubro de 1946, que governou o país por decretos-lei, enquanto preparava-se uma nova Constituição. 

5ª - Constituição de 1946

 Essa Constituição, datada de 18 de setembro de 1946, retomou a linha democrática de 1934 e foi promulgada de forma legal, após as deliberações do Congresso recém-eleito, que assumiu as tarefas de Assembleia Nacional Constituinte.

Entre as medidas adotadas, estão o restabelecimento dos direitos individuais, o fim da censura e da pena de morte. A Carta também devolveu a independência ao Executivo, Legislativo e Judiciário e restabeleceu o equilíbrio entre esses poderes, além de dar autonomia a estados e municípios. Outra medida foi a instituição de eleição direta para presidente da República, com mandato de cinco anos. 

As demais normas estabelecidas por essa Constituição foram: incorporação da Justiça do Trabalho e do Tribunal Federal de Recursos ao Poder Judiciário; pluralidade partidária; direito de greve e livre associação sindical; e condicionamento do uso da propriedade ao bem-estar social, possibilitando a desapropriação por interesse social.

Destaca-se, entre as emendas promulgadas à Carta de 1946, o chamado ato adicional, de 2 de setembro de 1961, que instituiu o regime parlamentarista. Essa emenda foi motivada pela crise político-militar após a renúncia de Jânio Quadros, então presidente do país. Como essa emenda previa consulta popular posterior, por meio de plebiscito, realizado em janeiro de 1963, o país retomou o regime presidencialista, escolhido pela população, restaurando, portanto, os poderes tradicionais conferidos ao presidente da República.

Em 1964, o golpe militar derrubou João Goulart e conduziu o país a uma nova ditadura.

6ª - Constituição de 1967

O contexto predominante nessa época era o autoritarismo e a política da chamada segurança nacional, que visava combater inimigos internos ao regime, rotulados de subversivos. Instalado em 1964, o regime militar conservou o Congresso Nacional, mas dominava e controlava o Legislativo. Dessa forma, o Executivo encaminhou ao Congresso uma proposta de Constituição que foi aprovada pelos parlamentares e promulgada no dia 24 de janeiro de 1967. 

Mais sintética do que sua antecessora, essa Constituição manteve a Federação, com expansão da União, e adotou a eleição indireta para presidente da República, por meio de Colégio Eleitoral formado pelos integrantes do Congresso e delegados indicados pelas Assembleias Legislativas. O Judiciário também sofreu mudanças, e foram suspensas as garantias dos magistrados.

Essa Constituição foi emendada por sucessiva expedição de Atos Institucionais (AIs), que serviram de mecanismos de legitimação e legalização das ações políticas dos militares, dando a eles poderes extra-constitucionais. De 1964 a 1969, foram decretados 17 atos institucionais, regulamentados por 104 atos complementares. 

Um desses atos, o AI-5, de 13 de dezembro de 1968, foi um instrumento que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira consequência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano e o recesso dos mandatos de senadores, deputados e vereadores, que passaram a receber somente a parte fixa de seus subsídios.  Entre outras medidas do AI-5, destacam-se: suspensão de qualquer reunião de cunho político; censura aos meios de comunicação, estendendo-se à música, ao teatro e ao cinema; suspensão do habeas corpus para os chamados crimes políticos; decretação do estado de sítio pelo presidente da República em qualquer dos casos previstos na Constituição; e autorização para intervenção em estados e municípios. O AI-5 foi revogado em 1978.

7ª - Constituição de 1988 (Constituição Cidadã)

Em 27 de novembro de 1985, foi convocada a Assembleia Nacional Constituinte com a finalidade de elaborar novo texto constitucional para expressar a realidade social pela qual passava o país, que vivia um processo de redemocratização após o término do regime militar.

Datada de 5 de outubro de 1988, a Constituição inaugurou um novo arcabouço jurídico-institucional no país, com ampliação das liberdades civis e os direitos e garantias individuais. A nova Carta consagrou cláusulas transformadoras com o objetivo de alterar relações econômicas, políticas e sociais, concedendo direito de voto aos analfabetos e aos jovens de 16 a 17 anos. Estabeleceu também novos direitos trabalhistas, como redução da jornada semanal de 48 para 44 horas, seguro-desemprego e férias remuneradas acrescidas de um terço do salário.

Outras medidas adotadas Constituição de 88 foram: instituição de eleições majoritárias em dois turnos; direito à greve e liberdade sindical; aumento da licença-maternidade de três para quatro meses; licença-paternidade de cinco dias; criação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em substituição ao Tribunal Federal de Recursos; criação dos mandados de injunção, de segurança coletivo e restabelecimento do habeas corpus. Foi também criado o habeas data (instrumento que garante o direito de informações relativas à pessoa do interessado, mantidas em registros de entidades governamentais ou banco de dados particulares que tenham caráter público).

Destacam-se ainda as seguintes mudanças; reforma no sistema tributário e na repartição das receitas tributárias federais, com propósito de fortalecer estados e municípios; reformas na ordem econômica e social, com instituição de política agrícola e fundiária e regras para o sistema financeiro nacional; leis de proteção ao meio ambiente; fim da censura em rádios, TVs, teatros, jornais e demais meios de comunicação; e alterações na legislação sobre seguridade e assistência social.

Até agora, a Constituição de 1988 já recebeu 91 emendas*.

Texto: Helena Daltro Pontual / Agência Senado

Foto: Pedro França / Agência Senado

*Atualizado em 10/03/2016

✧ new life blossoming — mei & dawon

with @gy-mei

Olhara-se no espelho pela terceira vez antes de ter certeza que poderia sair. As pessoas poderiam pensar que Dawon possuía um senso de moda bastante atualizado sem se esforçar muito, mas a realidade era que o rapaz pensava muito no que usar, e no que ficava bem nele ou não. Era vaidoso sim, e em ocasiões especiais como aquela, qualquer imperfeição deveria ser rapidamente eliminada. Impecável, ajeitou a blusa de malha preta que usava antes de colocar a jaqueta, rumando até a sala para buscar o que já havia preparado para a noite.

Tinha planos importantes para aquele final de dia, e tudo fora muito calculado para que de forma alguma algo desse errado. Tateou o bolso da calça, verificando a carteira, e o volume no bolso do casaco. Seguro, pegou as chaves do carro, sabendo que seria melhor para o deslocamento de ambos do que a moto. Mei não fazia ideia do que ele iria fazer naquela noite, mas tomara todos os cuidados para ter certeza que ela estaria em casa nos três dias de folga dela. O caminho fora preenchido por ansiedade e uma felicidade crescente, como se pudesse prever as reações dela. Era imprescindível que tudo corresse bem.

Desceu do carro depois de completar o trajeto, identificando-se pelo interfone depois da mais nova tê-lo atendido. Subiu, pleno e cheio de autoestima. O primeiro passo era a aura confiante, mas suave, porque se tratava de seu anjo. Bateu na porta apenas por costume, já que sabia que Mei apenas deixaria a porta aberta pra que ele adentrasse o apartamento. Assim que a garota entrou em seu campo de visão, abriu um sorriso, rumando até ela para que a abraçasse e beijasse os lábios macios. A morena estava sempre linda, e inclusive, se Mei não fosse fazer questão de ir vestir algo melhor, sairia com ela daquele jeito mesmo. Sentia-se simplesmente o homem mais sortudo do mundo.

— Nós iremos sair, então se você quiser trocar de roupa ou pegar alguma coisa, a hora é agora. — Avisou, de surpresa. O sorriso que ele ainda mantinha no rosto agora tomara um nuance de travessura, devido ao fator expectativa. Dawon queria ver isso nos olhos dela. — Você pode tentar adivinhar o caminho todo, mas não vou dizer nada. Quero você animada durante a noite toda. — As mãos dele seguravam os quadris dela, enquanto a boca encostava bem no meio de sua testa, em um beijinho casto. — Vista algo confortável, hm?

10 dicas para começar a se exercitar e não desistir


1. Anote e compartilhe suas metas
Tenha em mente qual é sua meta e as registre de alguma forma, pode ser um caderno pessoal ou mesmo nas redes sociais. Mas é importante, também anotar sua evolução a cada período de 15 dias ou mensalmente.
Compartilhe seus objetivos com outras pessoas, isso lhe dará motivação para não desistir.

2. Se inspire em alguém
Sempre conhecemos alguém em quem vemos um bom exemplo de perseverança, pode até não ser alguma pessoa conhecida. Uma idéia é colocar uma foto da pessoa antes e depois na geladeira e dizer para si mesma, que você também irá alcançar tal feito.

3. Crie objetivos alcançáveis
Emagrecer 40 quilos ou mesmo ter uma barriguinha da Solange Frazão em alguns dias são objetivos quase impossíveis de serem alcançados em pouco tempo, porém crie metas de curto prazo e sempre pensando a longo prazo. Pense em perder 1 ou 2 kg ou mesmo alguns centímetros por algumas semanas.

4. Vá devagar no início
Se você tem uma vida sedentária ou mesmo não está acostumada a atividade física, nos primeiros dias seu corpo irá ficar dolorido, mas isso não é motivo para desmotivá-la. Inicie as atividades devagar dentro de suas capacidades. Para começar, você pode fazer com meia hora de exercícios de duas a três vezes por semana, que será ótimo.

5. Se presenteie
Se você conseguir atingir cumprir suas metas, se recompense com presentes ou passeios (mas nada de comida). Todas pessoas devem ter motivações para continuar superando suas metas.

6. Ache um tempo para seus exercícios
Hoje com nossa vida corrida é cada vez mais difícil separar um tempo para exercícios físicos. Porém, tente fazer uma rotina de exercícios que não atrapalhe da sua própria rotina de trabalho e distração.
Se você vai correr, por exemplo, escolha um lugar perto da sua casa, que não tome tanto tempo para seu deslocamento.

7. Escolha uma atividade que lhe dê prazer
Há dezenas de atividades físicas possíveis: musculação, esteira, bicicleta, caminhada, corrida, artes marciais, aulas de dança, hidroginásticas, futebol. O importante é se sentir bem, fazendo os exercícios. Mas se você não está gostando, experimente algo diferente.

8. Procure alguma companhia
Fazer exercícios com algum amigo faz com que o tempo passe mais rápido e seja mais agradável. Além do mais dá mais perseverança nas atividades, por ambas as pessoas se estimulam. Se você não tem ninguém, procure fazer amizades no local você fará os exercícios.

10. Não se sabote
É muito comum as pessoas deixarem de fazer as atividades um dia e deixar de fazer os outros dias também. Se você não fez exercícios um dia, compense no dia seguinte e siga em frente.

—  Autor: aryela | Exercícios para Emagrecer
Carta de professores da graduação e da pós-graduação em Filosofia da UERJ.

Não é possível permanecer silente diante do projeto de desmonte da educação pública no país!

Há anos a UERJ vem sofrendo crescente sucateamento pelo desinvestimento do Governo do Estado. Não é a primeira vez que essa Universidade é alvo de ataques que tentam sufocá-la. Com certeza isso tem um motivo: seu caráter de nítido posicionamento político inclusivo que sofre a represália dos que pretendem anular os efeitos sociais proporcionados por tal política. Na atualidade, a situação de precarização começa a se agravar em 2015 quando os terceirizados – equipes de limpeza, segurança e ascensoristas ­– passa a ter um “regime de trabalho” praticamente escravo, inicialmente com atraso, até chegar à ausência do pagamento de salários. Hoje professores e funcionários concursados vêm passando pela mesma situação insustentável. Os alunos tiveram frequentemente suas bolsas suspensas por vários meses, o que os inviabiliza, sobretudo os cotistas, de frequentar a Universidade, tanto por causa do deslocamento, quanto porque não há como custearem sua alimentação. Esta conjuntura leva as três categorias – docentes, técnicos e estudantes – à greve, por entenderem a inviabilidade de funcionamento da UERJ.

É preciso compreendermos, porém, que não se trata de um ataque isolado, mas sim da execução de um projeto de desmantelamento das instituições públicas, o que na UERJ, vemos acontecendo nitidamente em dois níveis muito claros: no âmbito da educação, incluindo o ensino, a pesquisa e a extensão de alta qualidade que tradicionalmente atende a uma população carente do Estado; e no âmbito da saúde, com a asfixia tanto do Hospital Pedro Ernesto, um hospital de referência no Estado e na América Latina, quanto da Clínica Piquet Carneiro.

Paralelamente a esses acontecimentos, várias notícias, difundidas pela grande mídia, têm evidenciado um intenso, veloz e agressivo crescimento de investimentos no ensino privado em nosso país.

Esse movimento não se limita às Universidades. Grandes grupos empresariais também têm crescido no âmbito do Ensino Fundamental e Médio com a compra de escolas particulares.

Do mesmo modo, chama também atenção a forma como foi concluída, no atual governo, a reforma do Ensino Médio. A reforma, que vinha sendo realizada a partir de um grande debate nacional, envolvendo inúmeras esferas da sociedade, foi concluída sem que os resultados tivessem sido finalizados pela base. O que a custosa propaganda do governo insiste em ignorar.

Como não relacionar esses dois movimentos – os da expansão dos investimentos privados no setor do Ensino fundamental e superior e os de uma crítica severa à Universidade Pública e o modo de conclusão da Reforma do Ensino Médio?

É diante desse quadro, cuja extensão ultrapassa em muito os limites dos problemas na UERJ, que somos hoje forçados a ler o que nos acontece.  É justamente essa extensão que joga luz e redimensiona o questionamento do que estamos atravessando. Hoje, não se trata mais de uma simples paralisação ou greve. É necessário reconhecer o conjunto dessa situação como o que justifica a decisão tomada pelos docentes do Programa de Pós-graduação em Filosofia, que adiou em duas semanas o início das atividades de ensino. Entendemos que a pós-graduação de filosofia da UERJ não pode funcionar como se nada estivesse ocorrendo na Universidade, enquanto nossa graduação é abandonada e não temos condições mínimas para nos manter. Além disso, não podemos deixar de nos manifestar politicamente em relação ao que vem ocorrendo em nosso país, não apenas no que se refere à educação pública em geral, como também no que se refere aos sucessivos cortes à Pesquisa e à Tecnologia.

Trata-se agora do reconhecimento de que precisamos enfrentar de forma mais transparente um projeto de Educação em nosso país. E esse projeto tem de pertencer ao debate público de todos nós: Universidade – graduação e pós-graduação, Ensino básico, sociedade. Não podemos nos silenciar diante disso. Que nós da comunidade acadêmica estejamos todos nesse enfrentamento, pensando estratégias de ampliarmos esse debate junto à população.

Antônio Augusto Videira

Camila Jourdan

Dirce Eleonora Nigro Solis

Edgar Marques

Fabiano Lemos

Fernando Maia

Ivair Coelho

Izabela Bocayuva

James Arêas

Karla Chediak

Luiz Carlos Pereira

Marcelo Araújo

Marcia Amaral

Marcia Gonçalves

Marco Antônio Casanova

Marcos Gleizer

Maria Helena Lisboa

Maria Inês Anachoreta

Marly Bulcão

Noéli Ramme

Paulo Gil

Regina Schöpke

Ricardo Barbosa

Rosa Dias

Tito Marques

Vera Portocarrero

Você deve tornar-se senhor de si mesmo, senhor também de suas próprias virtudes. Antes eram elas os senhores; mas não podem ser mais que seus instrumentos, ao lado de outros instrumentos. Você deve ter domínio sobre o seu pró e o seu contra, e aprender a mostrá-los e novamente guardá-los de acordo com seus fins. Você deve aprender a perceber o que há de perspectivista em cada valoração — o deslocamento, a distorção e a aparente teleologia dos horizontes, e tudo o que se relaciona à perspectiva; também o quê de estupidez que há nas oposições de valores e a perda intelectual com que se paga todo pró e todo contra. Você deve apreender a injustiça necessária de todo pró e contra, a injustiça como indissociável da vida, a própria vida como condicionada pela perspectiva e sua injustiça. Você deve sobretudo ver com seus olhos onde a injustiça é maior: ali onde a vida se desenvolveu ao mínimo, do modo mais estreito, carente, incipiente, e no entanto não pode deixar de se considerar fim e medida das coisas e em nome de sua preservação despedaçar e questionar o que for mais elevado, maior e mais rico, secreta e mesquinhamente, incessantemente — você deve olhar com seus olhos o problema da hierarquia, e como poder, direito e amplidão das perspectivas crescem conjuntamente às alturas. Você deve" — basta, o espírito livre sabe agora a qual “você deve” obedecer, e também do que agora é capaz, o que somente agora lhe é — permitido…
—  Humano, demasiado humano, Nietzsche, pág. 8
Flor Rubra - impressões sobre as coisas de dentro.

A flor rubra

Olha para o espelho

E não chora

Pinta os lábios de vermelho

Assim traz a hemorragia da alma

Para fora

 

Chovia e ela não se importava, enquanto todos corriam buscando abrigo, se apertando embaixo das marquises ela continuava sentada no banco da praça. Estava coberta das gotas que escorriam por seu corpo, com olhos perdidos no horizonte, a boca semiaberta com seu batom vermelho feito sangue, os cabelos despenteados, a camiseta ensopada, a bolsa no colo que carregava o maço de cigarros e um pequeno caderno de anotações. Era poetisa e leitora de si mesma.

Sempre sentiu enorme vazio e deslocamento, estava feito peça perdida de um quebra-cabeça chamado existência, uma dizima que a vida preferia arredondar. Pensou que os fantasmas eram assim e riu, pois, as pessoas que disseram para ela não acreditar em fantasmas hoje não creriam nela. Pensou na sua existência, era excêntrica, praticava o exercício esquecido da reflexão, não tinha tempo para idiotices, carreiras imbecis, status e pessoas rasas. Desde muito cedo sabia que a vida era mais do que rótulos, produtos e transações. Desconfiava que a vida sempre escondia algo dela, igual aos mordomos em romances policiais clichês, e estava disposta a arrancar as respostas. E a vida sabendo disso fugia dela.

Silenciou a mente dos barulhos interiores e ficou olhando ao seu redor. Observou as pessoas abrigadas nas marquises, o velhinho que usava uma capa de chuva com a expressão de pressa e passos lentos, os cavalheiros respeitáveis em seus ternos, eles tinham os olhos mergulhadores que exploravam o decote e o colo molhado da moça, que estava mais preocupada em proteger os seus cadernos, o menino com ar solitário com uma camiseta de uma banda que ela nunca tinha ouvido falar e suas tatuagens borradas. A chuva era um lembrete, ela mostrava o abismo que existia entre ela e os outros, não tinha o espirito aventureiro e nem vontade de saltar e alcança-los.

Levantou-se, caminhava devagar em direção a sua casa um apartamento alugado no centro. Pensava em alguma música da Elis, não pela letra em si, mas gostava da voz dela, aquela voz forte e cheia de dor, aquela voz que era um vazamento da alma. As dores são assim, a ferida abre ou o vaza o sangue ou a alma. A voz de Elis era um vazamento da alma, assim como o batom vermelho que usava todos os dias. Enquanto as pessoas associavam o batom com a mulher sensual que ela é, a verdade é que o batom que avermelhava os lábios era flor que brotou de toda a dor de sua alma. Era uma rosa dolorida e bela, e assim prosseguia andando devagar, bolsa no ombro, quadris deslizantes, com a flor rubra na boca querendo ser a voz de Elis.

Viu o velho prédio, abriu a porta e subiu pelas escadas, detestava elevadores e seus constrangimentos. Gostava de deslizar a mão direita pelo corrimão e se conectar a outras mãos que passearam por ali, estranha mania de se conectar a ausência das pessoas e não as pessoas.

E ria ao pensar que os objetos durariam muito mais do que ela e que na verdade eles são pontes imaginárias que ligam, e assim ela ia tocando os objetos e derramando vida neles, para que talvez algum dia alguém se conecte a ela.

 

Entrou em seu apartamento, deixou as roupas pelo chão, assim como já tinha deixado os sonhos, as palavras e as esperanças de plástico. Deitada em sua cama, olhava o teto cinza, de um dia cinza, como tantos dias cinzas que se repetem e que nos repetem.

A flor rubra sorriu perfumando o quarto com alma.

zacl magiezi

Qualquer deslocamento das horas usuais traz sempre ao espírito uma novidade fria, um prazer levemente desconfortante. Quem tem o hábito de sair do escritório às seis horas, e por acaso saia às cinco, tem desde logo um feriado mental e uma coisa que parece pena de não saber o que fazer de si.
—  Fernando Pessoa | Livro do Desassossego.
Capítulo  41 - City of Angels parte 2

- É esse aqui – disse uma loirinha animada olhando para uma Mercedes conversível SLS AMG Roadster branca – Gostou?

As duas tinham ido a uma locadora de carros de luxo perto do hotel antes de seguirem para a gravadora.  

- Um belo carro – comentou a segurança.  

- Vem… vamos lá alugar esse aqui então.


Saíram da loja dirigindo aquela maquina indo em direção da gravadora, que ficava em Hollywood, enquanto a DJ fazia questão de mostra vária local para a morena.

“Eu já toquei nessa boate de Beverly Hills” apontava para um local com a fachada toda de vidro. “Meu apartamento era aquele ali”. “Ali já começa a calçada da fama” “Olha o letreiro de HOLLYWOOD”. Conversam animadamente os detalhes da cidade que para a segurança era conhecida apenas na Tv.

Chegaram à gravadora é o procedimento de cadastro foi extremamente rápido, não demoram muito para seguirem em direção a casa do irmão da DJ que ficava em Malibu.


Na casa de Alex, irmão de Clara, o papo seguia descontraído depois de uma garrafa de champanhe vazia graças a segurança e o médico. A loirinha que estava dirigindo não bebeu, já a morena depois se muita insistência acabou fazendo companhia ao loiro de quase quarenta anos.

- Minha irma te dá muito trabalho?

- … – Vanessa olhou para a loirinha com cara de quem perguntava “falo ou não falo”, por fim o álcool a ajudou a brincar – Bastante – todos riram – Na verdade  ninguém nunca me deu tanto trabalho – olhou fixamente para a loirinha mas ainda rindo.

- Credo Van… Eu sou uma santa.

- Tá bom – gargalhou Alex – conheço a figura e essa daí nunca mudou Vanessa continua a mesmo criança

- Bem isso – riu.

- Parem os dois – disse a DJ fazendo cara de emburrada.


O clima descontraído durou a noite toda e inicio da madrugada, até as duas terem que ir embora. A segurança depois de 2 garrafas, ria a toa e teve que  contar com a ajuda da loirinha para entrar no carro. O caminho todo foi divertido, Clara se divertia com a descontração da morena até perceber seus olhares mais furtivos.

- Adoro passar por essa costa. É tão bonita.

- É linda – respirou fundo enquanto olhava pra DJ e não para praia ao fundo.


No hotel uma embriagada Vanessa mostrou suas intenções. Puxou a outra mulher para cama e depois de muitos beijos quentes, levou a mão alva até o cós de sua calça, indicando o que queria.  A DJ parou os beijos e olhou nos olhos negros, que estava vermelhos e pequenos. Bufou.

- Por mais que eu queira não dá… – saiu de cima da morena – Droga Vanessa eu não vou ficar com você bêbada desse jeito – disse emburrada – Você tinha mesmo que ficar tão…  tao dada assim bêbada.

- Mano… eu – jogou seu corpo pra cima do loira ficando com a cabeça na altura dos seios – Nem to tão… – soluçou – Tão beba assim – riu.

- Imagina – riu – Sua louca… tá até soluçando… quer vomitar? Eu te levo no banheiro.

- Não – soluçou – Não precisa… depois… passa – soluçou – quer… me dar banho?

- Nem se eu quisesse – gargalhou – Mulher olha seu tamanho… eu não te aguento não – riram – Sai de cima mim vai, vou te ajudar a acabar com esse soluço e por uma roupa pra dormir.

- Não queria dormir – choramingou enquanto se movia saindo de cima da DJ e se jogando pro lado.

Clara ajudou a morena a trocar de roupa e acabar com o soluço depois de 2 copos de água.

- Prontinho – disse enquanto se deitava na cama.  

- Vem cá… me dá um beijo… de boa noite – falava com a voz pastosa e olhos quase fechados.

- Sossega…

- É só um beijo – seguiu para perto da loirinha.

- Sai Vanessa – riu tentando desviar dos beijos desajeitados da segurança – Vai entender… NUNCA me deixou te tocar… ai bebe uma champa  e fica se jogando em mim – gargalhou – Sua louca – sorriu olhando pra morena que tinha parado as suas investidas e parecia apenas curtir o carinho que a mão alva começou a fazer em seu rosto – Você é linda sabia? – a DJ passava a mão pelo rosto moreno e seguiu o contorno dos lábios carnudos com as pontas dos dedos. Percebeu a segurança balançando a cabeça negativamente, mas os lábios ganharem um sorriso bobo e largo – É sim – disse com a voz fina, ganhando no final um beijo nos dedos pelo elogio feito. Ficaram por algum tempo caladas até a loirinha indagar uma dúvida antiga – Porque não me deixa te tocar? – sentiu a morena tentar fugir e se colocou por cima dela – Não vai fugir não … me diz…

- Claraaa – tapava a mão com o rosto enquanto a loirinha tentava tirar.

- Deixa de bobeira – olhava nos olhos da morena e falava com a voz calma e sedutora – Fala… Você é tão ativa assim? – riram – Acho que não né… Me diz o que é então… Tenho cara de ser tão ruim de cama assim? – riu.

- Claro que não mano…

- Então…

- Medo Clara…

- Medo? Medo de que?

- De gostar de você – a morena que mantinha os olhos abaixados passou a olhar pra dentro dos olhos cor de mel – Mais do que eu já gosto.

- Você gosta de mim? – a DJ perguntou com um sorriso bobo no rosto e com o corpo arrepiado – Eu também gosto de você – sorriu pra ela – Van… mas o fato de eu te tocar ou não… não vai mudar em nada oras… tira por mim… gosto de você  a mesma coisa que antes de começarmos a transar… não tem porque ter medo.

- É…

- Espero que se lembre disso amanha – sorriu – Você tem me deixado louca mulher, nem sei como to conseguindo me controlar com você assim me dando tanta brecha – riram.

- Obrigada… por se controlar – disse sincera.

- Não tem de que – deu um beijo na testa morena e saiu de cima dela – Agora vamos dormir…


No dia seguinte a DJ começou seu trabalho com o rapper, tudo havia ocorrido maravilhosamente bem naquele primeiro contato no estúdio, suas ideias eram parecidas e o trabalho fluiu. A noite as duas foram para uma boate encontrar com amigos que a loirinha não via a quase 5 anos, ela era só alegria mas percebeu o deslocamento da morena e não demorou muito para achar dar a solução.

 - Bebe! – entregou um copo com um drink para a segurança.

- Depois de ontem… prefiro que não!

- Vanessa você não para de olhar para os lados. Você precisa relaxar – aproveitou o som alto da boate pra se aproximar da morena e falar em seu ouvido – Não quero você atrás de mim olhando pra tudo desconfiada, quero você do meu lado conversando com minha galera – segurou no pescoço da outra mulher e se aproximou ainda mais – Hoje você não é minha segurança, hoje você é minha garota – falou sedutora e voltou a olhar para ela – Entendeu?

- Aham – foi a única coisa que conseguiu responder.

- Ótimo – piscou para ela e saiu puxando sua mão para a mesa de seus amigos.    

O relógio marcava 2 horas e a segurança tinha seguido o conselho de Clara e relaxou. Em determinado momento aceitou o convite de Maurren, uma das amigas americanas da DJ, e foi para pista dançar, enquanto a loirinha conversava com o resto da galera no camarote. Não demorou muito para o assunto da conversa ser as duas mulheres arrasando na pista de dança, Clara ficou de boca aberta olhando a morena dança, mas ela não foi à única. Quase uma hora depois a brasileira descansava sozinha nos pufes perto da pista de dança enquanto a americana tinha ido ao banheiro, sua solidão foi interrompida por um bonito e simpático homem que lhe ofereceu champanhe, depois de alguns minutos de conversa. Clara que observava do camarote, se preocupou com a morena bebendo e decidiu descer.

- Champagne?! – Perguntou quase afirmando logo que parou ao lado de Vanessa.

- É sim… ele comprou – falou sorrindo e olhando para o homem de pele morena e traços que indicavam sua descendência árabe.

- Olá – o homem falou, em inglês, simpático – Sou Muhamed Haid, prazer.

- E você está bebendo algo de um desconhecido?  –  ignorou totalmente o homem e passou a conversar em português com Vanessa – Isso é perigoso sabia? – falou cruzando os braços quase que indignada com aquilo.

- Jura? – rebateu debochada, pois não havia gostado da atitude mal educada da loirinha educada – Até onde eu sei eu sou sua segurança Clara, não ao contrario.

- Sua grossa – cuspiu as palavras – Eu apenas estou preocupada com você, mas quer saber? FODA-SE… se esse homem bomba tiver te drogando ai problema é seu – saiu pisando fundo indo novamente em direção ao camarote, mas não demorou muito para ser alcançada por Vanessa.

- Não tem motivo para se preocupar – disse assim que puxou o braço da DJ – Obvio que ele abriu a garrafa na minha frente, posso ter bebido, mas não sou idiota de confiar em alguém principalmente a km de casa… ele me viu dançando e estava sendo apenas gentil.

- Ah claro, com você dançando daquele jeito eu imagino que tipo de gentileza que metade dessa boate queira prestar para você – disse sarcástica.

- O que tem meu jeito de dançar?

- Não se faça de sonsa…

- Não gostou? – não obteve respostas e se aproximou se falou no ouvido – Que pena que parece não ter gostado… estava  pensando em dançar apenas para você.

- O que está acontecendo com você? O álcool te transforma tanto assim? – falou depois de se recuperar do arrepio que correu por todo seu corpo.

- Talvez me ajude a ser mais direta… estive pensando no que me disse ontem e acho que você tem razão…

- O que quer dizer com isso?

- Que eu achei que seria sua garota hoje a noite… mas parece que você acha mais importante ficar … preocupada comigo e com o que eu ando bebendo – deu de ombros e se preparava para sair dali, quando sentiu seu corpo entrar em contado com o da loirinha que com pressa tomou sua boca e a empurrou de encontro a uma parede próxima em um canto escuro qualquer.

A segurança teve vontade de rir com o esforço que a mulher mais fraca fez para estar a frente daquela situação e lhe levar até a parede, mas preferiu aproveitar o beijo ao invés de rir. Depois de alguns minutos o fôlego faltou e voz se fez presente.

- Para de me provocar – Clara puxava o ar e advertia a morena – Você não sabe do que eu sou capaz mulher…

- Me mostra

- Vamos embora daqui.

UM PEITO. UM FUNDO. UMA DOR.


Um tiro na perna. Um chute no saco. Um extirpar ligeiro do lóbulo da orelha. Um deslocamento maneiro da rótula. Um pedaço do cérebro a sair pelo nariz, como naquelas múmias egípcias, prontas para a eternidade. Uma bomba que explode no peito de algum fanático muçulmano, preparado para as setenta e duas virgens que ele nunca verá. Um coquetel molotov estourando no rosto de um policial pai de família. Uma bala de borracha no olho. Uma flecha entrando suavemente no peito de uma ave em extinção. Uma armadilha de urso enferrujada cravando fundo no tórax de um coelho desavisado. Um torvelinho de sangue entrando errado na aorta. Um último brilho de olho da criança que se vai. Uma música que abre dolorosamente todos os poros da pele (e que mesmo assim a gente insiste em ouvi-la sem parar). Uma declaração de amor falsa. Um gemido de fome da criança africana que não passará de amanhã (e o choro do voluntário suíço que não conseguirá fazer nada para evitar isso). Uma queimadura química no rosto belo (anjos derretidos, anjos derretidos, anjos derretidos). Uma primeira vez a perceber os sintomas daquela demência irreversível. Uma pena de morte aplicada antes que se viva. Umas dores que me explodem sem fim no peito sem fundo. Um peito sem fundo. Um peito. Um fundo. Uma dor. Todas em uma. Apenas uma. É o bastante.

- Vaner Micalopulos

Deslocamento atômico

Todas as coisas que acontecem quando nos fitamos, num intervalo de tempo desprezível se comparado ao amor de nossos corações, me trazem a inspiração pra dimensionar em palavras os meus sentimentos por você.

Poesie