descemos

Pegamos o mesmo ônibus e descemos no mesmo ponto. Eu fui seguindo ele como um cãozinho que é abandonado às pressas. Mas eu pensava que não, eu não era nenhuma neurótica por nucas magníficas e não tinha qualquer vicio em pintas nas costas ou camisas com golas retorcidas. A gente só andava no mesmo caminho porque tinha que ser. Porque, felizmente, eu tinha parado de acreditar em coincidência e fazíamos o mesmo trajeto sempre. A única diversão é que os dois sabiam disso. A única diversão é que me contaram de algum atalho que eu prometi esquecer em seguida.

Ele virou a esquina rápido. Eu virei correndo. Tinha que ser. Uma gola azul alternando entre calçadas e um pontinho florido seguindo atrás. Ele dava três passos e eu só copiava dois, se eu desse mais um andaríamos juntos. Concentração, eu preciso ser tão cautelosa como um mímico de rua. Controlava ridiculamente a minha respiração como se ele pudesse sentir qualquer arfar de desespero. Estávamos indo embora de algum lugar e buscando inutilmente algum sinal conhecido.

Foi então que de repente aconteceu. Ele diminuiu os passos para uma contagem tão lenta e suave que eu não tinha como acompanhar. Era um aviso para eu andar na frente. Raspei as sapatilhas no asfalto sujo e arrumei o cansaço dos ombros. Tinha que ser assim, eu explicava para qualquer intenção de regresso. ‘Mesmo se uma bomba explodir, mesmo se um carro bater em um poste, mesmo se alguém pedir ajuda - e se no caso for eu -, por favor, não olhe para trás’.

Enquanto eu andava fiquei admirando você ter escolhido essa lembrança. Dessa vez era a minha imagem indo. Foi justo.

O amor é uma trapaça

Ontem tentei me matar, Maria e foi doloroso. Meus pais ficaram completamente desesperados e se recusaram a acreditar na minha tamanha estupidez. Nós estramos dentro do carro e esperamos. Meu pai dirigia devagar, parecia bem calmo e durante o caminho permaneceu calado. Chegamos, ele esperou sentado, talvez por achar que seria algo rápido. Descemos eu e minha mãe, fomos até o guichê e imediatamente me chamaram. As enfermeiras fizeram as perguntas rotineiras e encerraram com uma que me deixou pior; elas questionaram porque eu havia feito aquilo, mas Maria, nem eu sabia. Me levaram até o medico e ele parecia incomodado com a minha atitude, mas caramba, ali por acaso era um julgamento? Entrei numa sala com algumas poltronas e pessoas doentes. Uma moça que estava lá me colocou numa cadeira de rodas, me senti um nada, uma vítima de mim mesma, sabe como? A moça me colocou atrás da cortina e segurou firme no meu braço, gostei daquilo, me senti menos só. Enquanto isso, uma outra enfermeira colocou um tubo dentro do meu nariz, eu gritei muito, dai ela parou e disse que estava tentando salvar a minha vida. Na segunda tentativa, permiti que colocasse por inteiro e nisso ela dizia pra eu engolir. Mas que droga de dor foi aquela, Maria? Suicídio por comprimido jamais deveria doer. Odeio dor. Saiu tanto sangue que fiquei assustada e você sabe que é difícil algo tirar minha coragem. Confesso que nesse momento já estava chorando que nem uma criança. Eu gritava e chorava, parecia que nunca teria fim. A enfermeira que havia me colocado na cadeira de rodas, ainda segurava meu braço, que moça boa, nunca a esquecerei. Vomitei sangue umas duas vezes, manchei minha roupa toda, você tinha que ter visto a cena, foi uma vergonha. Olhei pro lado e vi meu pai, ele havia entrado, talvez por achar que estava demorando demais. Nesse momento, só conseguia lembrar da cara dele dizendo “me nego a acreditar que você tenha feito isso, Victoria”, mas fiz. Depois de muito choro, berreiro e sangue, me mandaram esperar. Colocaram 2 litros de soro pelo tubo e meio litro pela veia. Fiquei esperando umas 4 horas, Maria, sentindo uma terrível dor no meu âmago e no meu estômago. Me fizeram esperar de propósito, acredito eu. Uma tentativa de suicídio é desrespeitada dentro de um hospital. Por fim, colocaram uma espécie de carvão no tubo e eu engoli, muito, muito rápido. Me encaminharam pra outra medica e ela olhava pra mim com um tipo de pena maternal, fiquei envergonhada. Ela me perguntou se eu faria aquilo novamente, neguei com a cabeça e olhei para o outro lado, minha mãe a agradeceu por mim e a propósito, minha mamãe ficou do meu lado o tempo todo. Voltei para a sala das enfermeiras e uma que estava no turno da noite retirou aquele maldito tubo de mim, gritei bem alto e acabou. Me despedi de todos e fui embora o mais rápido possível, vi meu pai e ele parecia mais triste que eu. Entramos no carro e fomos embora, por volta de meia noite. No caminho de volta, ligamos o radio e conversamos. Fiquei chocada com o fato de ninguém ter brigado comigo, Maria. Quando chegamos em casa, tudo parecia comum. Troquei de roupa, brinquei com meu papagaio, acarinhei o paçoca e desviei do rabo da Bianca. Tudo havia ido embora, menos a dor dentro de mim. Fiquei impressionada com o estrago que alguns comprimidos e um coração partido podem provocar. Por isso, Maria, espero que se cuide e tenha aprendido a lição; chorar no chuveiro ainda é a melhor opção.

#happydays2016 #day2 04/05.01.2016

Lá pelas 22h do dia 04, fomos para um parque de diversões pequenininho que tem na frente da praia.
Fui nos 3 “piores” brinquedos com o meu primo e meu irmão que primeiro ficava em estado de choque e depois começava a gritar todo tipo de coisa, entre elas que ele ia morrer haha. Ficamos um tempinho lá, fomos no centro para comer e depois voltamos para casa la pelas 1h.
Abri a porta da varanda do quarto para tentar dormir mas não adiantou nada, ainda mais quando vi como a lua estava linda, não queria dormir então acordei meu irmão e ficamos la procurando as constelações (conseguimos identificar 3).
4h da manhã o Re quis descer até a praia para ver as estrelas melhor, então fiz miojo (sim haha), peguei as câmeras e descemos. Ficamos sentados comendo e quando acabamos, fomos até a agua molhar o pé e começamos a correr pra todo lado ja que a praia esta vazia, sabe a frase “eu me sinto infinito” do filme “as vantagens de ser invisível”? Eu senti. Nós corriamos para todo lado dando risada sem motivo algum. No final, depois de conversarmos mais, vimos o nascer do sol la e as 7h voltamos pra cara para dormir. (em Mongaguá, Brazil)

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mar negro  

descemos como pesadas pedras que se afundam ao largo
cabeça pesada
coração de meteorito
sobrevive quem agarrar com as mãos a sua antiga claridade

Capítulo 90

Quando descemos da árvore, Max ficou enlouquecido com o balanço de pneu amarrado a ela, ele não preciso de mim ou de Clara para brincar com ele, pois sozinho mesmo, ele fez sua própria festa particular. Se pendurava de todas as formas possíveis naquele peculiar e antigo brinquedo, Clara e eu apenas ficamos sentadas em baixo da sombra da arvore, escorada na mesma, olhando Max brincar e hora ou outra mandando ele tomar cuidado.

De tanto se pendurar e se esfregar no seu novo brinquedo, ele tinha ficado realmente imundo, seus braços, mãos e rosto eram totalmente manchados de poeira, lama e graxa, mas ele não notou isso, continuou brincando.

Depois de longos minutos a brincadeira se tornou chata e ele veio correndo até nos duas, sua pele transpirava de tal modo, que seus cabelos estavam bastante molhados de suor e, totalmente, com os fios grudados. A corrida desenfreada dele só acabou quando ele chegou até nos duas e se jogou em nossos colos, metade do corpo foi para a Clara e metade para mim, dei leve batidas no bumbum dele, de brincadeira, pois eu tinha ficado com suas pernas, enquanto Clara tinha sua cabeça.

“Você está sujinho e fedido, precisa de banho” Brinquei com ele, Max ria, ele estava tão feliz, que nem ouvia o que falávamos a ele. Aproveitei que estava com sua parte inferior do corpo sobre meu colo e lhe fiz pequenas cócegas em seu pé descalço, que estava totalmente sujo de terra e grama. Assim que ele sentiu a ponta dos meus dedos passearem pela sola dos seus pés, deu um pulo, seu corpo se estremeceu, logo em seguida ele começou a rir sem controle e se remexer, me chutando e me impedindo de o tocar, Clara aproveitou e entrou na brincadeira o enchendo de beijos barulhentos e sequenciais, ele odiava isso.

Não o torturamos por muito tempo, ele era criança, tinha um limite curto, logo deixamos ele respirar e se recuperar, o relógio já beirava as 14 horas, era hora de voltarmos para o almoço. Max estava cansado de tanta brincadeira, iniciou um pequeno choro para não ir andando, cedi a ele e o peguei no colo, fomos andando até o ponto de encontro, os seguranças já estavam lá.

Assim que chegamos próximo a casa, o cheiro da comida já se fazia presente, aquele cheiro inconfundível de tempero de vó invadia não só nosso sentido olfativo, como também invadia nossa alma, o sabor daquele tempero me veio logo a boca, eu não precisava nem comer para saber como era, pois aquele gosto, eu guardava já em detalhes dentro de mim.

“Vocês demoraram” Minha vó disse assim que sentiu nossa presença com ela, ela estava na cozinha, terminando de preparar algo no fogão, quando ela se virou para a gente, vi seu cenho franzir, os óculos que levemente estavam milímetros caídos sobre seu nariz, ela tratou de arrumar, endireitando perfeitamente seu ângulo de visão “Vocês tem certeza que vieram do mesmo lugar?” Minha vó perguntou de forma levemente surpresa.

“Co- como assim, vó?” Gaguejei. Maldição! Por que menti para vó é tão difícil?

“Eu não sei, mas parece que os dois rapazes foram para um lugar e vocês duas, mais o menino, para outro”

Só então olhei para todos nos e me dei conta que minha vó estava certa, nos mesmos denunciávamos que estávamos em lugares contrários,  pois Max estava imundo, suado e lambuzado, Clara e eu, obviamente estávamos mais limpas, entretanto também estávamos levemente transpirando e com nossas roupas sujas, devido a escalada na arvore e depois sentar sobre o chão com Max vindo correndo se agarrar a nos, em oposição a isso, os seguranças estavam impecáveis, roupas limpas, pele fresca, cabelos penteados, realmente era inegável que tínhamos estado em lugares distintos.

“É que preferimos ficar sobre a sombra de uma arvore, lendo, enquanto elas curtiam a fazenda” Meu segurança resolveu explicar, aquele homem era tão sério, com sua voz impostada, que ninguém ousaria dizer que aquilo era uma mentira.

“Entendo” Minha vó disse, respirei aliviada “Meninas, vão tomar banho que depois sirvo o almoço”

As regras de minha vó sempre foram claras e especificas, uma delas era de que, o almoço só era servido com todos limpos, jamais poderíamos comer suados ou coisa similar.

Ele está sorrindo com o rosto todo, um sorriso que se expande, que se expande mesmo ao atingir sua capacidade máxima de sorrir, seu sorriso se expande incrivelmente, e ela também está sorrindo, e se levantando do banco porque ele está bem ali, diante dela, e ela não tem certeza se vão se abraçar ou não, mas vão, sim, estão se abraçando, e então, sim, ela está no ar nos braços dele, seus pés saíram do chão, e o rosto dele está em seu cabelo, e ela está rindo, rindo, rindo, e ele emite um som que parece o grito que se dá quando descemos o tobogã de água mais íngreme do parque, e eles ficam assim para sempre.
—  Haley Tanner, Vaclav & Lena
XIII - Capitulo

POV Clara

- Ouvi dizer que aquele ali é ótimo! – ela apontou para o restaurante e passei rapidamente de carro por ele.

- Aff mano, por que não avisou antes, agora vou ter que fazer o retorno. – dei pisca para trocar a faixa

- Desculpa, ai que estressada!- ela resmungou

Sorri pra ela rapidamente. – Não tô brava. – falei

- Então para de resmungar antes que ganhe uns tapas. – falou, hm, isso seria bom.

Van me falou tudo aquilo aquele dia, mas sabia que no fundo estava como eu, e era tão provocadora quanto eu.

Retornei e estacionei no restaurante, descemos logo entrando no local, era bem bonito e diferente suas mesas diferenciadas era o que mais chamava a atenção, não era aquelas mesas simples com cadeiras, eram poltronas em forma de U com uma mesa localizada ao meio, o lugar trazia um modo meio rustico, e mais escuro, não era bem iluminado como os outros, uma mulher parou nós para entregar a comanda.

- Oi, fizeram reservas meninas? – a moça perguntou

- Não. – respondi, ela destacou as comandas entregando uma para mim e outra para Van.

- Qual mesa preferem? Temos aqui o primeiro andar que com poltronas como podem ver, ou o segundo andar, com as mesas normais e mais tarde musica ao vivo.

- Vamos ficar aqui em baixo mesmo né? – perguntei olhando para Van e ela assentiu.

Pegamos um lugar mais para o canto do primeiro andar do restaurante perto da janela, que dava um visão boa da rua, apesar do grande espaço ali sentamos uma de frente para a outra, o garçom se aproximou.

- Bebidas? – perguntou

- Eu quero um vinho. – falei e ele pegou minha comanda para anotar

- Vou acompanhar ela no vinho. – Van disse sorrindo.

Primeira coisa a pensar era que a ultima vez que bebemos… bom, deixem beber, vamos ver como a noite termina.

Nenhum pedido da Van saiu da dieta da academia, basicamente salada e frutos do mar, eu pedi um strogonoff de frango e salada.

Os assuntos foram diversos, ela me contou um pouco sobre o trabalho e sua paixão pelos animais, seu sonho de cursar faculdade de veterinária daqui uns anos, no final quando já havia terminado a janta já riamos falando de outras coisas.

- Falou com Erick? – perguntei

- Sobre?

- O assunto, aquela sobre o Edu e tal…

- Ah tá, não falei com ele ainda não tive tempo. – respondeu – Na verdade, você anda tomando bastante meu tempo senhorita Aguilar. – ela sorriu levando o a taça de vinho aos lábios com um sorriso lindo.

- Ah é? Bom saber disso, quanto mais tiro do seu tempo quando não esta comigo? – perguntei sorrindo da mesma forma irresistivelmente.

- Como assim? Quando não está comigo não está ué, não tira tempo nenhum. – falou me olhando

- ah sei sei… – falei virando mais vinho no meu copo, agora esvaziando a garrafa.

- Acabou acho que está na hora de ir, até por que esse restaurante tá tão lotado que mal consigo ouvir você.

- Mas tá cedo… – fiz uma cara triste

- Você não trabalha amanhã vagabunda. – assenti

- Tudo bem, vamos lá pagar a conta então. – levantei entendendo seu lado.

Van insistiu para que dividíssemos a conta quando insisti em pagar tudo, mas já que o restaurante também não era dos mais baratos acabei chegando ao seu acordo e pagamos dividido. Enquanto caminhávamos em direção ao estacionamento ela esfregava os braços de frio.

-Mulher, você tá sempre com frio, pensei que esse vinho ia te esquentar.

- Quem tem fogo no cu aqui é você Clara! – ela riu enquanto nos aproximávamos do carro.

POV Vanessa

- Abre aqui atrás para eu pegar a jaqueta. – ela destravou o alarme do carro e abriu a porta do banco traseiro

Estiquei meu corpo para pegar a jaqueta que estava no canto, perdi o equilíbrio quando suas mãos seguraram minha cintura e me empurraram para dentro do carro. Acabei sentada no banco de trás e ela entrou junto fechando a porta. Seu olhar acompanhou meu corpo, e seus lábios mostraram um sorriso safado, ela mordeu o lábio inferior.

- Isso não é justo. – falei balançando a cabeça enquanto Clareava as ideias e tentando abrir a porta para sair.

- O que não é justo? Senta ai vamos conversar haha. – falou

Resolvi não esconder o que realmente sentia naquele momento então me aproximei dela. – Talvez… ham, talvez aquele beijo tenha mexido comigo. – falei sincera.

- Talvez? Você acha? – perguntou me olhando profundamente nos olhos

- Eu acho… – concordei meio perdida no seu olhar

Então ela segurou meus braços e colocou para trás das suas costas prendendo meus braços, e colando nossos corpos. Meu coração reagiu aquilo batendo mais rapidamente, e eu engoli em seco.

- Então me beije de novo. – falou roçando o nariz no meu rosto. – E tenha certeza…

Soltei-me dos seus braços e fui um pouco para trás. – Eu não vou conseguir… parar. – falei apertei os olhos lutando para as palavras saírem depois os abri de novo.

- Então tem medo de onde isso possa terminar? – ela perguntou com um sorriso cafajeste no rosto, como aquele tipo de pessoa que não da à mínima pra você, não tem um pingo de sentimentos, mas brinca com você e você quase enlouquece.

- Exatamente. – ela assentiu e me deu um beijo conotativo e demorado no rosto. Depois seus lábios encontraram minha orelha tocando o local propositalmente, me causando arrepios.

-Esqueça tudo então. – se virou para abrir a porta do carro.

Ela estava certa, mas como eu faria isso?  Segurei seu braço e seus olhos voltaram para mim novamente.

Seu olhar desejava o beijo tanto quanto eu, eu prometi a mim mesma que não faria novamente, por que não queria que isso levasse a outras coisas, mas agora tudo parecia Clara, em minha volta, seu cheiro penetrante, seu sorriso tão individual e perfeito e seu olhar… ai ai o olhar, o que falar dele, talvez ela pudesse mesmo saber o que eu pensava quando me olhava assim.

Ela colocou meu cabelo para trás da orelha, colando seu corpo no meu novamente, uma mão por inteira segurou meu rosto e a outra passou pela minhas costas, apertando seu corpo contra o meu, senti seus seios enormes pressionados contra os meus, puxei o ar alto e visivelmente alterando os batimento cardíacos, a pegada que me deu foi incomparavelmente quente. Mas puxou meu corpo pro dela, sem me beijar, só sentindo a reação do meu corpo em contato com o seu, agora firme contra o dela. O modo como reagi era como se tivesse levado um susto, mas era só meu coração batendo aceleradamente, a mão direita que alisava meu rosto passou para trás da nuca, muito lentamente, causando arrepios no meu corpo, e fazendo me sentir um frio na barriga.

Ela observou cada reação do meu corpo aos seus toques, e não perdeu a chance de se pronunciar sobre aquilo. – O quê? Vai dizer que aqui dentro do carro tá frio também… – falou observando meus braços arrepiados que pousavam nos seus ombros.

- Desculpa, cê pega muito gostoso. – escapou! A frase simplesmente saiu, me arrependi, ela sorriu safada novamente.

Seus lábios buscaram minha orelha. – Você… não…viu…nada. – falou devagar e mordeu o lóbulo da minha orelha, fechei os olhos controlando a respiração e cruzei as pernas de um modo forte quando senti que aquelas simples palavras me deixaram molhada provocando um tesão incrível.

Me vi segurando seus rosto e esmagando meus lábios contra os dela, depois encontrando nossas línguas em uma briga desesperada lutando em um beijo feroz enquanto sua mão se fechava fortemente em meio aos meus cabelos puxando minha cabeça e encerrando o beijo.

Parei e quando pensei em abri meus olhos sua boca encontrou a minha em um beijo calmo dessa vez, como o primeiro, lento, molhado e delicioso, senti o gosto de sua boca, conhecendo cada parte dela deliciosamente alisando seu rosto com o polegar.

Depois de um beijo longo e lento meu corpo se encontrava descontrolado com um desejo e um fogo inapagável, sentia meu sexo quente pulsar, e forçava mais minhas pernas cruzadas para manter o controle. Clara deslizou a mão direita por todo meu corpo pousando na coxa, o outro braço ainda pressionava meu corpo contra o dela, ela acariciou minha coxa de uma forma torturante, e seus lábios deram uma breve pausa para que eu tomasse folego do beijo, me tirando o  novamente quando sua língua quente tocou meu pescoço, respirei pesadamente, querendo tirar seus lábios do local, mas me peguei empurrando sua cabeça mais para meu pescoço sentindo as caricias. Ela parou com duas mordidas dolorosas no meu pescoço.

- Devíamos ir para algum lugar.

- Não, melhor não Clara. – respondi de imediato

- Se ao menos tivesse ideia o quanto meu corpo deseja o seu…. não teria coragem de negar. – falou olhando pra mim

- Não pense que não sinto mesmo – falei lembrando o quanto estava molhada – Sério não tem ideia…

- Tenho sim, mas vou esperar então. – me deu mais um beijo devagar. – Não quero que isso seja em um banco traseiro, por mais que seja difícil controlar.

Próxima atualização: 1/8

Em Seus Olhos - Cap 18

Descemos nossas malas para o carro, decidimos ir no meu, apesar do dela ser maior, o meu poderia ser entregue em Miami sem problemas, e o dela seria necessário um novo contrato, então não chegamos a discutir isso. Fomos para dentro para fazer o check out.

- Bom dia – aquele mesmo senhor estava na recepção.

- Bom dia, gostaria de fazer o check out.

- Sim senhorita, só um momento – ele chamou um funcionário que foi ate o quarto, então aquela senhora apareceu pela mesma porta de antes.

- E então, parece que tudo deu certo não é? – ela disse sorrindo para mim, e depois ela olhou feio para o homem.

- Sim tudo deu certo, eu gostaria de agradecer mais uma vez, eu poderia ter esperado ela voltar, ou eu teria ficado do lado de fora ate que ela saísse, mas a senhora me ajudou muito com a informação.

- Eu senti que você estava sendo sincera, só por isso resolvi falar. - Vanessa ficou do meu lado no balcão.

- Bom dia! – os dois disseram para ela.

- Bom dia!

O garoto voltou, e fez um sinal de ok para o homem na recepção, ele olhou para um livro grande, e procurou pelo nome. – Assine aqui, por favor.

O homem nos disse o valor, e antes que ela falasse qualquer coisa dei meu cartão a ele, ela devia estar me fuzilando com os olhos, mas eu não olhei para ela.

- Mocinha, se eu fosse você, eu agarrava essa mulher e não soltava mais – a mulher disse, e Vanessa ergueu as sobrancelhas, o homem ficou olhando para ela desacreditado.

- Você deveria ter ouvido as coisas que ela disse quando chegou aqui, ela te ama, cuide bem dela, não se encontra uma dessas por ai, ainda mais bonita desse jeito – Vanessa deu risada, e eu fiquei muito envergonhada.

- E você moça, cuide dela também, ela parece ser uma menina especial – o homem continuava olhando sem acreditar na cena, e a mulher ignorou sua censura, eu fiz que sim com a cabeça, então peguei a mão dela novamente. O garoto foi ate nosso quarto na noite anterior ainda continuava presente, ele bufou.

- Algum problema? – disse meio seca.

- Se tem algum problema? Vocês são duas mulheres fala sério! Desde quando você permite esse tipo de coisa aqui mãe? Isso é nojento, isso não devia ser permitido de maneira alguma! – Eu senti Vanessa apertando minha mão.

- Cássio, por favor, não fale desse jeito, o que está havendo com você? – a mulher disse.

- Ah é? Você não entende o que esta acontecendo? Então deixa eu te explicar, essas duas – ele disse apontando para mim e Vanessa – são nojentas, duas mulheres não podem se relacionar, isso é contra as regras básicas, vocês são julgadas pela sociedade a todo momento, são expostas ao sofrimentos, a única coisa que vocês deviam fazer é ter vergonha de sair em publico e.. –

- Escuta aqui – não pude me conter, eu não iria mais conseguir escutar uma palavra vinda da boca deste garoto. – Eu não pedi a sua opinião sobre o que você acha certo ou deixa de achar, e se eu precisasse dela, coisa que seria quase impossível pois alguém que tem uma mentalidade dessas não pode ser considerado alguém com cérebro, eu a pediria. Eu não me lembro de conhecer algum hétero que,por alguém motivo, seja ele qual for, não sofre. O sofrimento, a que você se refere, não é causado justamente pela clara manifestação desse preconceito, já que é impossível escolher a sexualidade alheia, não seria o caso de se combater o preconceito senhora? O que eu e Vanessa sentimos em relação uma a outra é de interesse nosso e da nossa família, você devia se colocar no seu lugar e aceitar. Saiba que a única vergonha para sociedade como citou anteriormente é você, por não respeitar a opção das outras pessoas, por julgá-las sem ao menos conhecer, eu não tenho vergonha de amar, não tenho vergonha de dizer para todo mundo que quem eu amo é uma mulher. Pelo contrario, eu tenho vontade de gritar ao mundo que eu e ela namoramos que eu encontrei a pessoa certa pra mim. Então você e essa sua homofobia não ira me atingir e não ira atingir a minha namorada e nem o nosso relacionamento, pelo contrario, você só ira fazer com que nós fiquemos mais juntas.

Depois que disse isto, um silencio se estendeu por alguns minutos, eu e o funcionário nos encarávamos sem desviar o olhar um do outro. Ouvi um fungar ao meu lado e percebi que era Vanessa, ela estava chorando.

- Já basta Cássio, entre agora, nós iremos conversar depois – a mulher disse e o garoto entrou emburrado pela porta. – Me desculpem de verdade! Eu não sei o que deu nele, meu Deus eu não o eduquei assim! Isso foi horrível me perdoem por favor, Vanessa você quer um copa de água?

- Não senhora, tudo bem, muito obrigada, eu estou bem. – Eu sabia que não estava, simplesmente a abracei ali mesmo, depois de alguns minutos nos despedimos da mulher e do homem e fomos para fora.

Vanessa iria com o carro dela ate o aeroporto então eu a encontraria lá.

- Tome cuidado na estrada, e qualquer coisa me ligue sim? – ela concordou com a cabeça. - Nos vemos daqui a pouco no aeroporto - eu deu um beijo nela, e fui para o meu carro, esperei que ela entrasse e desse a partida.

Vi que ela colocou uma das mãos para fora, e meu deu um tchau, algumas mechas de seu cabelo voaram para fora também.

A noite anterior na estrada me veio a mente, ela estava no carro da frente, e eu aqui em estado critico, querendo ela de novo, balancei minha cabeça para me livrar dos pensamentos.

Nós estávamos perto do aeroporto eu me lembrei de alguns dias atrás, quando cheguei aqui, com medo de sua reação, cheguei solteira e apaixonada, agora eu estava voltando para Miami com uma namorada e mais feliz do que nunca.

Parabéns para nós, que hoje em dia aguentamos tudo de cabeça erguida. Que lideramos, botamos ordem e fazemos nosso papel sem descer do salto, sempre elegantes. Mas que, quando necessário, descemos e rodamos a baiana. Parabéns para nós que sempre guardamos a delicadeza, mas sabemos ter o jogo de cintura para qualquer situação. Parabéns para nós, que sabemos ser discretas e percebidas ao mesmo tempo, sem ter que fazer mta coisa. Que somos convencidas o suficiente para nos gostar como somos. Que não precisamos de make ou roupas de marca para nos sentir bem. Que enfrentamos problemas e achamos solução fácil para estes. Parabéns para nós que somos mais "macho" que mt homem por ai. Parabéns para nós que somos Mulheres com "M" maiúsculo. Parabéns para cada uma que gosta de ser mulher. Hoje é o teu dia.

One Shot com Niall Horan.-Hi Dear.

Sorri para Niall enquanto ele dirigia em direção a casa do irmão. A cidade natal de Niall era lindo no inverno, a neve branquinha em cima das casas dava um ar aconchegante.

Eu conhecia quase toda a família de Niall, menos seu sobrinho, Theo. E agora íamos para a casa do pequeno, passaremos a tarde tomando conta dele, para que seus pais tenham um dia em paz. Niall passara a semana inteira me contando como o sobrinho se parecia com ele, como era fofo e educado, me deixando cada vez mais louca para conhece-lo.

Estacionamos o carro em frente agrande casa e descemos, Niall bateu na porta e logo foi recebido pelo irmão, que lhe deu um caloroso abraço e logo fez o mesmo comigo.

-Tio Niall!-Uma criança que julguei ser Theo correu até meu noivo, pulando em seu colo, sorri ao perceber a real semelhança.

-Obrigado por ficarem com ele hoje, nós não temos como agradecer.-Denise disse se aproximando e me dando um abraço.

O casal saiu nos deixando sozinhos com o pequeno garoto, que desceu do colo de Niall e o puxou pela mão até seu quarto, os segui sorrindo.

-Quem é ela tio Niall?-O garotinho perguntou apontando para mim, Niall sorriu.

-Essa é a namorada do Titio, vou casar com ela.-Disse passando a mão pelos cabelos do sobrinho.

-E vocês vão me dar um priminho?-O garotinho perguntou animado, Niall sorriu, já havíamos falado sobre filhos e era uma coisa que nós dois queríamos muito.

-Vamos sim, muitos.-Disse sorrindo. Me aproximei dos dois e me sentei no chão ao lado de Niall.

-Qual o seu nome?-Theo perguntou me encarando.

-s\n.-Respondi sorrindo.

-Você gosta de dinossauros, tia s\n?-O garoto perguntou sorrindo.

-Adoro.-Theo se levantou e correu até sua caixa de brinquedos onde pegou um ‘tiranossauro rex’ e apertou algum botão que produziu o rugido do mesmo.-Socorro!-Fingi estar com medo e me esconde atrás de Niall, que olhava a cena deliciado.

-Calma tia s\n, é um brinquedo, olha.-Theo disse me entregando o brinquedo o fitei e sorri.

-Ele é muito realista.-Disse fazendo Niall sorrir mais abertamente.-O que acha de assistirmos Jurassic Park, Theo?

-Sim, sim, sim!-O garoto disse pulando.

-E você amor, o que acha?-Perguntei a Niall.

-Genial.-Disse deixando um selinho em minha boca.

-Eca!-Theo disse colocando as mãozinhas sobre os olhos claros.

-Vou fazer pipoca.-Disse me levantando.

-Vou ir colocando o filme e pegando alguns cobertores.-Niall disse fazendo o mesmo que eu.-Você me ajuda Theo?-O garoto assentiu.

Fui até a cozinha e fiz as pipocas que havia levado na bolsa, fui até a sala com dois baldes e me sentei entre Niall e Theo, pouco depois do começo do filme Theo deitou em meu colo e eu no ombro de Niall.

-Eu te amo.-Niall sussurrou em meu ouvido.

-Também te amo.-Sussurrei de volta.

-Assim que nos casarmos vamos providenciar o nosso Theo.-Niall disse me fazendo sorrir.

Capítulo 07

Desci Max da cama e coloquei o no colo, mas ele gritou e pediu para ir para o chão, era um momento raro, pois aquele menino só queria colo. Max já estava totalmente a vontade na casa de Vanessa e com os cachorros, fomos novamente para o carro, dessa vez Max estava muito acordado e dominou todo o caminho, ele tentava falar e só conseguia gritar, Vanessa fingia que entendia o que ele dizia e apenas o incentivava a gritar mais. Por algum tempo eu até acreditei que eles estavam em uma conversa real, era engraçado, Max gritava e se calava, quando ele se calava Vanessa falava algo como se tivesse o respondendo e quando ela se calava, Max voltava a gritar, era um dialogo, estranho, mas um dialogo. Eu fiquei totalmente fora da interação dos dois, eles não precisavam de mim, ambos estavam se dando muito bem sozinhos.

“Mano, eu vou roubar seu filho” Vanessa disse assim que descemos do carro, novamente Max pediu para ficar no chão e assim eu deixei ele, apenas o segurando pela mão.

“Você diz isso agora, mas uma semana com ele direto você o devolve e ainda me processa”

“Olha que absurdo Max, ela não te entende como eu te entendo. Vem comigo e vamos esquecer ela, a gente não precisamos dessa vagabunda” Vanessa pegou Max do chão e o colocou no colo, o meu menino estava me trollando, pois o show que fez para ficar no meu colo, não fez para ficar no de Vanessa, ao contrario aceitou de bom grado o colo dela e inclusive deixou ela andar na frente e me deixar para trás. Sim, no momento eu apenas estava para trás enquanto meu filho ia feliz e rindo no colo de Vanessa. Eu sempre tive muito ciúmes de Max, na verdade eu sou extremamente ciumenta com todos que amo, mas estranhamente eu não tinha ciúme de Max com Vanessa, muito pelo contrário eu apenas estava feliz deles se dando tão bem.

“Vocês são uns vadios” Gritei para eles que me ignoraram, tive que dar uma apressada nos passos para chegar junto deles.

A ONG que Vanessa trabalhava era infelizmente como a maioria das ONG de animais, super lotada e mal estruturada, mas ainda assim dava para ver que todos os animais lá eram bem tratados, a higiene era grande e tudo funcionava na medida do possível, de forma excelente.  Vanessa foi me mostrando cada canto da ONG e me apresentado as pessoas quando encontrávamos alguém, todos pareciam gostar dela por lá e assim que ela entrou no lugar, começou a dar ordens e arrumar tudo para a feira, aparentemente ela já tinha deixado tudo organizado durante a semana e mesmo com o atraso monstro dela em chegar lá, tudo sairia perfeitamente bem. Eu estava apenas orgulhosa demais dela, olhava para ela e com certeza meus olhos brilhavam, ver Vanessa em ação era de dar orgulho, Max ficou em seu colo durante todo o tempo, era como se eles já tivessem feito isso inúmeras vezes, ele apenas se amoldava a ela de forma natural.

Vanessa me entregou Max para colocar algumas coisas em seu carro, eu ofereci ajuda, mas ela disse que não precisava, que era apenas para eu manter o olho em Max. De lá para a praça foi rápido, na praça uma equipe da ONG já arrumava o local, o evento realmente seria grande, até mesmo carros com emblema da impressa estava estacionado na praça, pelo pouco que eu observava, Vanessa que tinha assumido toda a administração do evento, ela que tinha programado tudo e até mesmo convidado a impressa. Não tardou para um carro vir trazendo os animais a serem adotados e em cerca de uma hora tudo estava pronto, foi então que Vanessa se aproximou de mim novamente.

“Eu mal acredito que consegui” Ela disse com o olhar voltado para a praça, toda ela agora era repleta de animais divididos em grupos entre filhotes, adultos, cães com problemas de saúde, cães saudades e gatos igualmente divididos, tinha também uma parte para recolher assinaturas para projetos de lei, outra para doação de dinheiro, serviços, medicamentos, produtos de limpeza, enfim, tudo tinha sido pensado e elaborado em detalhes.

“Você é uma pessoa incrível, eu estou muito feliz de ter lhe conhecido” Olhei para Vanessa e vi que ela ficou tímida com meu elogio, Vanessa tímida? Mas uma faceta de sua personalidade, será que aquela mulher nunca ia para de me surpreender?

“Vem, deixa eu te mostrar os bichinhos para adoção” Vanessa naturalmente segurou minha mão para me levar com ela, minha vida realmente deveria estar um caos ultimamente, pois eu nesse momento tinha saído totalmente da normalidade padrão dos seres humanos, pois Vanessa ter segurado minha mão fez meu coração acelerar como de uma adolescente, uma sensação como quando se tem dez anos de idade e seu namoradinho de escola pega na sua mão para vocês juntos andarem pelo pátio do colégio durante o recreio.

Vanessa cada vez mais me fazia sentir-me diferente, vivendo em um mundo a parte, nossas mãos tinham o encaixe perfeito, éramos do tamanho certo uma para a outra, nossos dedos entrelaçados era confortável e não exigia esforço para os manter assim.

(Capitulo 46

Segunda-feira chegou apática como todas as outras,se fosse algum tempo atrás eu estaria reclamando muito mais dela,porém assim que abri olhos estava ao meu lado,a pessoa que faz qualquer dia da semana meu,serem os melhores,Clara Aguilar.

Fiquei observando ela dormir,tão serena,tão linda,seria ótimo ficar ali com ela o dia inteiro,mas infelizmente querer não é poder.

Van:Amor…hora de acordar…(lhe dando beijos no pescoço)…amor!

Clara:Não começa Van.(batendo a mão no colchão)

Van:Amor eu também queria ficar aqui,mas preciso trabalhar…(fazendo carinho)…você que ficar aqui?

Clara:Só se você ficar.(fazendo manha)

Van:Eu queria meu amor,juro que eu queria mas eu estou cheia de coisas pra fazer lá.

Depois de uma manha e um drama tipico de Clara Aguilar,levantamos,tomamos banho e descemos,como minha não estava em casa e “perdemos” um certo tempo no banheiro, então optamos por tomar café no caminho.

Clara:Van,eu estou pensando em aceitar a proposta do Yan.

Van:Sério amor,e o que te fez mudar de ideia?

Clara:A sei lá Van,eu quero mostrar pro meu pai que consigo viver sem o dinheiro dele.

Van:E desistiu da Viva la vida?você sabe que ele ficara muito bravo.

Clara:Não,jamais desistirei,mas eu preciso mostrar pra ele Van que eu posso,ele só me tirou tudo porque eu estou namorando uma mulher.

Van:Amor,eu vou estar do seu lado independente da sua decisão.

Clara:á decidi,vou ligar pro Yan hoje.

Van:Quer que eu te deixe em casa amor?

Clara:Não,vamos pra viva la vida que quero falar com o Ray e de lá eu vou encontrar o Fabian.(revirando os olhos)

Van:Tem certeza que você não quer que eu vá com você?eu fico longe e só me manifesto se ele tentar algo.

Clara:Nada disso Vanessa,e além do mais ele não vai fazer nada,marquei com ele em um local movimentado ele não vai fazer nada.

Van:Ai dele se fizer eu acabo com ele.(u.u)

Clara:Tá o Ronda Rousey vamos se não você se atrasa.

(na empresa)

Lu:Ainda não acredito que acordei cedo pra um entrevista de emprego.(revirando os olhos)

May:Não é entrevista,é pra você conhecer o espaço e acertar tudo com o Ray.

Lu:Tanto faz Mayra,eu ainda sim preferia estar dormindo.

May:Pode ir se acostumando,porque sua faculdade será de manhã e seu estágio a tarde.

Lu:Que isso?trabalho escravo?

May:Não,isso vai te ajudar a criar a responsabilidade que você não tem.

Lu:Mayra eu tenho 18 anos,deixa de fazer a velha chata.

Fabricia:May…(a cumprimentando)…tudo bem?

May:Fabs,tudo sim e você…(também a cumprimentando)…como foram as férias?

Fabricia:Melhor impossível,deu pra curtir o meu garotão bastante.

Luana:emocionante…(revirando os olhos)

May:Luana…(a repreendendo)…Fabs essa é a minha irmão mais nova!

Fabricia:Oi Lu,May falou bastante de você.(sorrindo)

Luana:É uma das características mais marcantes da May,é falar muito.(sorrindo irônica)

May:Er…(sem graça)…O Ray tá ai Fabs?

Fabricia:Tá sim,ele acabou de chegar…(mexendo em uns papeis)…May o que aconteceu na minha ausência que volto e já tenho outro chefe,a Clara não tá mais aqui,a Thais com o Ray e..(rindo)

May:A Thais com o Ray?…(assustada)…do que você está falando?

FabríciaAh os dois acabaram de chegar juntos e fora direto pra sala dele,eu acho que tá rolando alguma coisa.(sorrindo)

Luana:Eita Geovana!

(em outro lugar)

Pepa:Muito bem Fabian,vamos logo com isso que tenho muita coisa para fazer hoje!(se sentando)

Fabian:Vim falar com a Clara,tentar uma reconciliação e…

Pepa:Pera ai francês…você acha mesmo que vai chegar falar e ela vai acatar?

Fabian:Ué…se ela tem amor pelo filho.

Pepa:Claro porque ela vai se separar da Vanessa assim como um conto de fadas e subir no seu cavalo francês.

Fabian:Ué mas elas ainda estão juntas?…(se irritando)…você não disse que separaria as duas?

Pepa:Não é tão simples Fabian,querendo ou não ali tem sentimentos,e elas pelo jeito vão muito bem.

Fabian:Então resolve Patricia(irritado)

Pepa:Relaxa Fabian…(revirando os olhos)…até porque eu já descobri o pé de Aquiles da Aguilar.

(na empresa)

Van:Bom dia gente boa…(sorrindo)…Fabs voltou!

Clara:Oi gente,oi Fabrícia…meu irmão ja chegou?

FabríciaJa sim Clara ele tá lá na sala dele.

Van:Que foi May ,aconteceu alguma coisa?

May:Hã?não..er.. não foi nada não…Lu vamos,tá na hora né?

Lu:Hora de que? a gente não veio aqui falar com o Ray:(semicerrando os olhos)

May:Depois a gente fala com ele,ele deve estar…ocupado.(triste)

Lu:Ér…então tá mana,vamos! Tchau gente!

May:Tchau meninas.(acenando com a mão)

Clara:Ué o que será que a May tem?

Van:Ai a resposta!

Assim que cheguei junto a Clara na empresa percebi que Mayra estava meio xoxa vamos dizer assim,a resposta do porque não demorou a vir quando Thais saia da sala de Ray.

Thais:Oi gente.(sem graça)

Clara:Bom gente,já que a Thais já “desocupou” o meu irmão,vou lá falar com ele.(saindo)

Van:Hahahahahaha essa é a minha namorada.

Thais:Nossa duas comediantes juntas é um casal perfeito.(revirando os olhos)

(na sala)

Clara:E ai mano!(o abraçando)

Ray:Oi pequena,que foi aconteceu alguma coisa?

Clara:Não,eu vim falar com você,mas antes me explica uma coisa…o que tá pegando entre você e a Thais.(se sentando)

Ray:Tô amarradão nela Clara,a gente tá ficando.(sorrindo)

Clara:Mas assim?do nada?

Ray:Não é do nada loira,eu já sentia uma atração por ela e tal e a gente está se conhecendo.

Clara:Se conhecendo até demais pelo que vi.

Ray:Não conta nada dela ter ficado lá em casa pra ninguém não tá Cla,ela é toda insegura,enfim…

Clara:De boa,não comentei com ninguém,mas enfim,Ray será que você pode me passar o numero do Marcelo?

Ray:Pra que?

Clara:To pensando em aceitar o convite dele pra ser dj da boate.

Ray:Sério? (surpreso)…Clara Aguilar dj?

Clara:Clara Aguilar não,Skull Blondie.

Ray:Tem certeza disso maninha?

Clara:Absoluta!

Ray:Bom então tá aqui o numero.

(Clara narrando)

Liguei para Marcelo lhe dando a noticia ele pareceu ficar mais feliz que eu rsrsrs,estava a caminho do tal “encontro” com Fabian mas antes de chega lá ele ligou cancelando,estranhei mas não me importei muito,a semana passou corrida,tive que montar um set,ajudar o Ray em algumas coisas na empresa e quase não vi a Vanessa.

(No celular)

Van:Amor porque você não vem?(impaciente)
Clara:Van,eu to cansada,quero algo mais light,não ficar correndo em um parque.(revirando os olhos)
Van:Ai Clara sai desse sedentarismo vai.
Clara:Não adianta Van,eu não vou,se você quiser vir pra cá bem se não,fazer o que.(irritada)
Van:Eu vou correr e depois eu vou pra sua casa.(revirando os olhos)
Clara:Sério que mesmo assim você vai?(incrédula)
Van:Com toda certeza,minha corrida é sagrada!
Clara:Ai tá bom Vanessa,tchau!(desligando)

Ray:E ai loirinha,tá fazendo o que de bom?

Clara:Nada eu tava falando com a Vanessa,(bufando)

Ray:Que foi?brigaram de novo?

Clara:Não,ela com essa história de correr,quase a semana toda sem me ver,e vai correr.(irritada)

Ray:Tá certa,você acha que é fácil manter aquele corpo?(rindo)

Clara:E você hein?não vai sair com a Thais não?

Ray:Não,hoje não,ela ta com uns problemas em casa e disse que tinha que resolver,

Clara:Hmm,mas e ai já pediu ela em namoro?

Ray:Namoro?tá doida Clara?

Clara:Ué você não disse que tá amarradão nela e sei lá mais o que?

Ray:Dizer eu disse,mas,não sou homem de me prender a ninguém.

Clara:Olha lá hein Ray.a Thais não é qualquer uma não.

Ray:Eu sei Clarete,não to dizendo isso,mas quero dar tempo aotempo!aliás eu não né?! ela quer.

(No parque)

Van:Desligou na minha cara?(incrédula)

Pepa:Vanessa?(sorrindo)

Van:Hã?…ah…oi Pepa.(desconfortável)

Pepa:Olha tá parecendo que estamos nos perseguindo.(rindo)

Van:É pois é…(coçando a cabeça)

Pepa:Corre por aqui também?

Van:Pois é,é próximo a minha casa e faço isso sempre que posso.

Pepa:Hmm somos duas,esse lugar é extremamente agradável né?!(olhando em volta)

Van:É sim,venho a esse lugar desde de criança.(sorrindo)

Pepa:Eu venho sempre que estou no Brasil,além de lindo é um ótimo lugar pra fazer o que amo,que é correr.

Van:O pouco ver que ainda existe em São Paulo!

Pepa:É pois é,mas então?vamos correr ou ficar de papo?vamos fazer um desafio.

Van:Ér…vamos?

Pepa:Que foi?tem medo de perder?

Van:Medo eu?claro que não…é só que…

Pepa:Então chega de papo 40 minutos sem parar,topa?quem perder paga um sorvete do Augusto.

Van:Nossa faz tempo que não sei o que é tomar sorvete.
Pepa:Então você topa?

Van:Agora.

Estava em casa ainda digerindo o fato de Vanessa preferir correr e não ficar comigo,tomei um banho e fui ver um pouco de tv,senti meu celular vibrar e quando olhei era a Angelis e só ai lembrei que estava com uma papelada dela que era pra ter sido entregue na segunda,porra!

Clara:Oi Angelis!

Angelis:Oi Clarinha,tudo bem?

Clara:Tudo sim e com você?

Angelis:To bem,Clara cheguei em São Paulo agora pouco e preciso levar esses papeis no fórum amanhã.

Clara:Entendi,quer que eu os leve ai?

Angelis:A gente podia jantar naquele restaurante próximo a sua casa,é que eu pra falar a verdade estou no táxi ainda.

Pensei em não aceitar,até porque sabia do ciumes de Vanessa com ela,mas era só um jantar e ela era a minha advogada e a dona “minha corrida é sagrada"não estava aqui comigo,portanto…

Clara:Tudo bem então,a gente se encontra lá.

(Na casa de May)

Lu:May,bem que a gente podia ir pra uma baladinha hoje o que você acha.

May:Nada disso,o combinado lembra?baladas só as sextas e finais de semana.

Lu:Velha chata…você tá precisando de uma namorada ou namorado.

May:E você precisa cuidar um pouco mais da sua vida.

Lu:Nossa tá grossa hein?! chupou limão?

May:Desculpa Lu,mas eu to sem cabeça pra conversas hoje!

Lu:Doi não ser correspondida né mana?

May:Do que você está falando?

Lu:Ah may,sou sua irmã e moro com você,tá assim pra baixo desde a balada de sábado passado.

May:Não,claro que não,fiquei triste logico,mas vida que segue,eu não vou ficar rastejando também.

Lu:Desistiu dela?

May:Tenho escolhas?ela ficou com o Ray,e pelo jeito os dois estão muito bem,então pra quê insistir nisso?

Lu:Ah nunca vi você desistindo de ninguém…decepcionante!

May:Não por muito tempo,só preciso digerir essa história e vou voltar a ativa,afinal eu sou Mayra Dias Gomes.

Lu:É assim que se fala mana,se ela não te quer tem quem queira.
(campainha tocando)

May:Rsrsrsrs vai lá abrir vai.

Lu:Começou a escravidão eu não sei poque não temos uma empregada nessa casa.(abrindo a porta)

Thais:Oi Lu,a may tá ai?

(No parque)

Pepa:Nossa….eu vou morrer!(se sentando)

Van:Nossa mano que velha,já pediu arrego foi?(rindo) e olha que corremos só 25…

Pepa;Eu não estou acostumada a correr tanto assim e além do mais me desacostumei com o clima tropical brasileiro.

Van:hahahaha desculpas e mais desculpas.(rindo)

Pepa:Meu coração vai sair pela boca olha isso…(pondo a mão de Vanessa no peito)

Van:Er…normal pela corrida.(retirando a mão)

Pepa:Bom vamos lá pra eu pagar o seu sorvete vai.(revirando os olhos)

Van:Ah não precisa não,foi só uma brincadeira.
Pepa:Que isso van faço questão.

(Vanessa narrando)

No final das contas acabei aceitando o sorvete,o papo estava muito agradável,me fez lembrar de quando nos conhecemos,não parecia aquela Pepa que disse barbaridades e ainda fez ameaças a Clara,terminamos de tomar nossos sorvetes,combinamos de correr por lá outras vezes,nos despedimos e fui direto para a casa de Clara.

Angelis:Então Clara,se tudo der certo a primeira audiência já é semana que vem.

Clara:Diz pra mim que tem boas noticias.(confiante)

Angelis:Na verdade eu ainda estou colhendo provas Clara,não posso te dar certeza de nada ainda.

Clara:Ai mais que droga.(desanimada)

Angelis:Fica calma que vai dar tudo certo,confia em mim.(tocando em sua mão)

Estava quase chegando em sua casa,quando passo em frente ao restaurante que havia ali perto e me deparei com Clara lá dentro,quando me aproximo mais,quem está sentada na mesa com ela…a lambisgoia vulgo advogada ridícula pegando na mão dela,olha que cena linda (¬¬)

Clara:Er…eu confio em você e no seu trabalho.(se desvencilhando do contato)

Van:Oi amor…(a beijando)…Achei que vocês estava cansada.(irônica)

(Na casa de May)

Mayra narrando)

Thais estava parada na porta encarando Luana que desviou o olhar para mim,fiquei sem reação na hora,afinal a evitei a semana toda,ela seguiu o olhar de Luana e sorriu pra mim,porra de sorriso lindo,sorri de volta mas o meu com certeza foi um dos piores que já dei na vida.

Thais:Posso?

Lu:Com certeza.(lhe dando passagem)

May:Thais…er…aconteceu alguma coisa?

Thais:Você sumiu,não me respondeu no what’s,fiquei preocupada,a Lu disse que você saiu mal da balada,vim te ver.

May:Eu sai mal da balada?

Lu:Er…vou tomar banho,boa conversa ai.(correndo pro quarto)

May:Ah sim,era só mal estar,mas já passou.

THais:Humm,achei de primeira que você estava me evitando.

May:Claro que não Thata…(sorrindo nervosa)…porque eu faria isso.

Thais:Ah sei lá porque eu fiquei com o Ray,por exemplo!(sincera)

May:Eu…ér…e porque eu te evitaria por isso Thata.(forçando um sorriso)

Thais:Porque algumas coisas começaram a fazer sentido na minha cabeça May,posso?

May:Claro,desculpas,senta ai…é que tipo de coisas?

Thais:Bom a Lu disse que a pessoa que você está apaixonada estava na balada e depois de tantas indiretas eu fui ligando as coisas.

May:Thais…eu..eu…o que você ligou?(assutada)

Thais:Não precisa fingir mais May…eu já sei de tudo.

May:Já sabe de tudo o que?(assutada)

Thais:May,depois de tudo eu sei por quem você está apaixonada.(sorrindo)

May:Como assim sabe?

Thais:Meio obvio né may?

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Capitulo 7 – Resistindo

Pegamos o elevador e descemos para o subsolo do estacionamento do shopping em um silencio constrangedor. Tentei puxar assunto para terminar com aquele silêncio.

-Ele deve tá bem Van, não deve ser nada demais, deve ser dengo falta de mãe! – A animei.

-Também acho, mas mesmo assim, aqueles cachorros são tudo pra mim, se um dia acontecer algo com eles, nem sei o que posso fazer. – O elevador chegou no estacionamentos e  procuramos seu carro na longa fileira, entramos no carro e seguimos a direção a sua casa.

-Você mora longe?- Perguntei

-Não muito longe, uns 15 minutos. – Saberia onde é a casa dela agora, podia fazer visitas, ri com esse meu pensamento.

-O que cê tá rindo sozinha aí hein Clara? – Ela perguntou em um tom divertido.

-Não sei, bobagem da minha cabeça. – Falei rindo ainda.

-Você tá sempre pensando besteira né? Acha que eu não percebo essa cara de safada aí?- Falou, realmente, ela não estava errada, mas gostaria de saber o que ela pensava, tinha uma grande curiosidade, ela costumava esconder seus sentimentos, não demonstra-los, na maioria das vezes isso é bom, pelo menos quando se trata de você, mas vindo da parte dela me matava de curiosidade, queria saber mais sobre como ela se sentia em relação a mim. Aproveitei seu comentário e respondi.

-Eu? Sou não. Aqui ó, sou santa. – Fiz a forma de uma Aréola em cima da cabeça – Sou um anjo!

-Essa vozinha doce não me engana. Engraçado que a primeira que vi você pensei que era uma voz mó sexy assim, tipo sedutora e tal. – Falou

-Não preciso ter voz sedutora, consigo o que eu quero com essa minha vozinha meiga mesmo. – Pisquei pra ela e ela sorriu – Sou um amorzinho.

-Consegue tudo quer então? – Ela perguntou concentrada no transito olhando pra frente, ela fitava o longe concentrada enquanto deixava os carros para trás.

-Na maioria das vezes, as pessoas não resistem a minha fofura. – Resolvi falar de brincadeira

-Pouco convencida né Clara? – Foi mais uma exclamação do que uma pergunta. Então ela olhou pra mim. – Mas é claro que isso sempre depende da outra pessoa às vezes. Não é simplesmente fácil seduzir alguém assim. Mesmo com essa vozinha.

-Claro que não, principalmente quando você não faz a mínima ideia do que se passa na cabeça da outra pessoa. – Falei como uma indireta. Então ela encostou o carro.

-Chegamos.  É aqui. – Disse ela abrindo a porta do carro. Desci também. Alguém esperava lá fora, parecia com pressa, imaginei que fosse sua mãe. Vanessa abriu o portão pra mim e eu entrei meio sem jeito.

- Mãe, essa é minha amiga Clara. – Disse me apontando. – E, Clara, essa é minha mãe Solange. – Ela me estendeu a mãe depois me deu um beijo no rosto e disse:

-Ah então você que é a Clara. Finalmente. – O modo que dona Solange falou me deixou intrigada, Vanessa comentou algo sobre mim para ela, e estava curiosa o que havia sido.

-Ouviu falar de mim? – perguntei a fim de incentivar a conversa e descobrir o comentário que havia sido feito a ela para ela saber sobre mim. Mas Vanessa interrompeu. Que vagabunda!

-Mãe vai se atrasar! Onde tá o Jack? – Vanessa perguntou rápido

-No seu quarto. – Hm, gostei.

-Entra aí Clara. – Passamos pela sala depois de um curto corredor ela abriu a porta do primeiro cômodo e aquele vulto branco pulou nela. – Oi filho! Tudo bem meu bebê? Por que você tava tristinho hein, fala pra mamãe. – Ela usava uma voz de como se falava com uma criança. – Entra Clara, não repara a bagunça.

Bagunça? Estava tudo organizado, o chão brilhava de limpo, as coisas na estante estavam organizadas, seu quarto era grande, e havia uma enorme cama de casal, de frente pra ela uma televisão em um suporte, havia prateleiras com alguns ursos de pelúcia e no canto do quarto outra porta que acreditava ser o banheiro dela. Havia também caminhas de cachorro pelo quarto.

-Nossa, se você acha que isso tá bagunçado, nunca vou te convidar para ir lá em casa. – Falei

-Você tem cara de bagunceira mesmo. – Ela falou rindo, o Jack parecia normal, não via nada de desanimado nele, devia ser saudade mesmo, ele era bem mimado. – Pronto filho. – Falou dando um osso na boca do cão.

Sentou na cama e deu um tapinha no lugar ao seu lado. – Vem cá.

Sentei meio sem jeito, e comecei a roer as unhas. – Para com isso Clara! Tira essa mão da boca. - Falou afastando minha mão. Eu deixei minha mão na dela, aproveitei a situação para isso, ela não pareceu se incomodar nem um pouco pelo toque, então desviou o olhar pra baixo.

-Psiu. O que foi? – perguntei abaixando o rosto e tentando olhar nos olhos dela.

-Nada, nada. – Ela riu, de seu jeito sem graça e constrangida pela provável situação de estarmos sozinhas no seu quarto, com ninguém em casa e um silencio profundo no cômodo.

-Então, cê quer fazer o que? –  Isso era muito convidativo, mas resisti em falar o que realmente queria, beija-la ali, só o fato de estar sentada ao meu lado com a mão na minha já me dava um frio. – Vamos ver um filme? Ou quer comer algo?

-Você só quer me meter comida Vanessa, não sou você. – Falei entre gargalhadas

- O filme então, levanta e vê ali naquela estante um que você queira ver. Vou ligar na tomada o DVD. – Virei as costas e fui até a estante escolher, me distrai correndo os olhos pelas capas de vários filmes que havia ali, não percebi sua aproximação, apenas senti sua respiração no meu cabelo alguns segundos depois.

-Escolheu? – Falando perto do meu cabelo, aquilo não era justo! Até que momento teria que me segurar, para minha sorte e surpresa, não muito. Balancei a cabeça em resposta negativa a sua pergunta sobre a escolha do filme e ela tirou meus cabelos das costas e botou para o lado deixando minha nuca e meu pescoço a mostra. – Vamos então. – Falou no meu ouvido e seus lábios de leve o tocaram, fazendo-me respirar mais profundamente, não conseguia ver aquilo como um incentivo para a escolha do filme pra mim parecia outra coisa. Movi a cabeça um pouco para o lado tentando vê-la e ela de leve encostou os lábios no meu pescoço, fechei os olhos, mas já não conseguia me concentrar em outra coisa, então virei e grudei meus lábios nos dela. Quase violentamente ela me empurrou contra o balcão e eu sentei nele, passando minhas pernas em volta de sua cintura para que ela ficasse o mais próxima de mim possível, suas mãos passeavam pela minha cintura, mistura de calor e frio dominavam meu corpo, o calor era maior então a puxava mais ainda pra mim, nossas línguas passavam uma na outra e ela me beijava profundamente, como se já não bastasse isso para quase me enlouquecer, para essa mulher parecia pouco, sua mão agarrou a parte de trás do meu pescoço e sua boca então desceu para meu pescoço, fazia movimentos deliciosos lá, e a forma que ela mordia me deixava quase certa que deixaria marcas lá, atirei a cabeça pra trás e soltei um pequeno gemido inevitável no seu ouvido, minhas mãos que já estavam dentro de sua blusa, a cada movimento que ela fazia com a língua no pelo me pescoço eu arranhava suas costas. Queria tê-la naquele momento, joga-la na cama e tirar cada peça de roupa do seu corpo, a vontade já me dominava, já não dava pra fingir nem resistir, tentei a tirar sua camiseta quando Jack saiu correndo e latindo em direção a sala. Ela parou no exato momento e olhou pra trás.

-Volta aqui sua puta. – Puxei seu rosto pra mim e toquei seus lábios com os meus novamente. Mas foi curto e ela interrompeu

-Merda! Minha mãe.

( Ta aí pessoal, Obrigada pelos seguidores até agora :) Qualquer coisa estou no twitter @ClanessaNewFic )

tentar para não suster

e se não tentarmos
de que valerá
observar
o decaimento
esperar morrer
olhando fixamente
o cadáver leve de uma flor

aqui descemos para tentar
apagados cegos por vezes
em várias provas colocadas
dar vida ao que atravessa o sono
e se não tentarmos
nesta desordem e declínio
uma luz colocada sobre o amor
de que valerá
suster este corpo que cai como uma flor