descanse-em-paz

Aniversários deveriam ser dias felizes, um ano a mais de vida, motivos de comemorações e felicidades. Não comigo. Depois de alguns felicitações, um telefonema acabou com o dia que já não era dos melhores. Com lágrimas e entre soluços, minha mãe falou: sua avó faleceu. Não sei como as pessoas normalmente reagem a uma notícia assim, eu apenas fechei os olhos, lembrei de como ela me abraçava com as mãos geladas e dizia o quanto eu havia crescido - sendo que ela parecia diminuir, arriscando voltar a ser um bebê, como o Benjamin Button, e chorei. Deixei que as lágrimas falassem por mim, aquilo que um nó na garganta impedia. A morte é tão poética e patética e irresoluta. Um silêncio, uma parada cardíaca, um corpo esbranquecendo é capaz de calar uma multidão. Qual cheiro tem a morte? Eu sinto cheiro de rosas e gramado verde, porque é como vejo o infinito que nos prometem quando morrermos. Verei pessoas que nunca mais achei que veria, verei anjos tocando harpas e cantando hinos de louvor a um deus que eu já não temia. Não houve adeus, não houve despedida. O coração dela estava fraco depois de um AVC, a boca já não falava as palavras que me confortavam, quando me dizia que eu tinha um futuro lindo, pois ela acreditava em mim; as pernas fracas já não sustentavam-a para ela ver o quanto estou grande e sábio e triste por ela não ser eterna. Talvez um dia a gente se encontre num infinito verde e com aroma agradável, talvez a gente nunca mais se veja mas nos lembraremos um do outro em lembranças. Talvez sua alma ainda esteja aqui entre nós, talvez ao meu lado, me vendo escrever tais palavras que já me parecem banais. Eu sei que se você estivesse aqui, me desejaria um feliz aniversário e muitos anos de vida. Mas agora a morte foi mais forte que nossos pedidos e te levou, queria poder dividir meus muitos anos de vida com você, porque ver alguém que amamos partir, já é um motivo a menos para queremos aceitar todos esses desejos e planos. Só queria agradecer por cada momento na minha infância que a senhora me fez sorrir, cada almoço de domingo, cada sermão, cada abraço, cada tapinha nas costas e puxão de orelha. E só queria me desculpar por ter me mantido tão longe por tanto tempo, eu sempre acho que temos tempo suficiente para reverter erros que cometemos, mas dessa vez não, meu tempo acabou junto com sua respiração. Descanse em paz, vovó.
—  Aniversário são bons quando se tem motivos para comemorar. 
Jadson Lemos. 

Teu coração
(que começou a bater quando nem teu corpo existia)
prossegue
suga e expele sangue
para manter-te vivo
e vivas
em tua carne
as tardes e ruas (do Catete, da Lapa, de Ipanema)
- as lancinantes vertigens dos poemas
que te mostraram a morte num punhado de pó
o torso de Apolo
ardendo como pele de fera a boca da carranca
dizendo sempre a mesma água pura na noite
com seus abismos azuis -
teu coração,
esse mínimo pulsar dentro da Via Láctea,
em meio a tempestades solares,
quando se deterá?

Não o sabes pois a natureza ama se ocultar.
E é melhor que não o saibas
para que seja por mais tempo doce em teu rosto
a brisa deste dia
e continues a executar
sem partitura
a sinfonia do verão como parte que és
dessa orquestra regida pelo Sol. 

Ferreira Gullar - Morrer no Rio de Janeiro, no livro “Muitas vozes”

    Meu belo anjo dos cabelos azuis:

  Eu sinto muito. E eu sinto tanto, mas tanto, que estou tornando-me uma massa de sentimentos ambulantes, como de fato todos somos. Nenhum de nós realmente é sortudo o suficiente para conseguir esconder por muito tempo o que carrega dentro de si. E dentro de mim há dor. Muita, muita dor. Eu sinto muito, sinto tanto por ter-me permitido esquecer e fingir que o passado é apenas uma parte do tempo que nunca mais voltará. Tolice. O segundo que acabou de passar já faz parte do passado, e eu tenho razão, não voltará. Mas dentro do meu coração, pode ficar para sempre. Eu sinto muito por ter revestido meu coração com gelo e pedras e ter criado uma crosta protetora ao meu redor. Me protegi do medo, da insegurança, da dor, mas também me privei de sentir e lembrar todo o amor que um dia senti. Eu sinto muito.

  E eu sinto muito por ter me esquecido. Quem diria, hein? Eu, euzinha… esquecendo de datas, eu mesma que sempre me gabei de ter uma memória infalível. Falhou. E essa crosta ao meu redor está quebrando, estão jogando pedras, amiga. Estão destruindo minha pobre proteção, estão querendo tirar-me para fora e está doendo. “As pessoas não se importam” eu te disse. Nunca, nunca deveria ter-me esquecido da tua resposta. “Eu me importo.”

  Obrigada por ter se importado. E obrigada por ter cumprido a tua promessa de sempre ficar ao meu lado. Obrigada por, até onde pôde, tê-la cumprido. Nada vai tirar isso de mim, esse amor indescritível que você teve por mim. E os teus olhares compreensivos e a nossa loucura de pintar os cabelos de cores malucas, e a tua risada. Eu nunca deveria ter-me esquecido de nada disso. Eu sinto muito, Chai. Sinto muito por ter esquecido do teu aniversário. E ter-me esquecido dos teus dezenove anos que nunca mais chegarão. Eu sinto muito, sinto muito, sinto muito…

  Está doendo, e dói tanto. Está me fazendo desmoronar, logo eu que sempre estive no chão. Dói menos, sabe? Não ter que levantar porque eu sei que vou cair novamente. E sei que isso é coisa de “gente fraca”. Bem, eu nunca disse que sou forte. Você sabe disso. Eu te amo, sabia? Eu te amo muito. Embora o tempo tenha te tirado de mim, e a morte tenha te arrancado dos meus abraços e as nossas risadas e a tua voz tenha sido arrancada dos meus ouvidos, eu te amo. Obrigada porque sei que se estivesse aqui para ler essa carta cheia de dor e lágrimas, me perdoaria.

    Ei, Cha-chai. Feliz aniversário. ‘Tá ficando velhinha, hein?

  Eu te amo.

Hannah S.

Holding On

Você se foi, tão jovem, tão bonito, tão alegre, sorridente e positivo, tinha acabado de se formar, havia realizado um sonho e, por violência do mundo, foi levado. Por motivo tão banal, foi levado.

Não desce, sabe? Não consigo acreditar que você, logo você, foi levado dessa maneira. Ainda ouço sua risada ecoando, sua voz confortando e me fazendo rir, seus braços fortes abraçando minha cintura e perguntando se “tava tudo bem”.

Não, não tá! E de novo eu vou dizer que é por você que não tá bem, mas, dessa vez, o motivo é diferente, dessa vez é por que nunca mais vou te ter por perto, e não por um motivo besta, uma crise nervosa que tive, em que disse que você não tava me fazendo bem. Ah como eu tava enganada, como você me fazia bem, nossas conversas de madrugada, suas provocações sobre ter ganho a aposta - dessa vez, mas só dessa vez eu assumo que perdi, tá? -, sobre as tatuagens que você queria fazer, séries que você me indicava, sua empresa que você iria construir - e nos MEUS planos de que nós um dia trabalharíamos juntos, só pra nos reencontramos novamente -, tantas histórias, tantas gargalhadas compartilhadas e histórias contadas, tantos medos revelados - ainda não acredito no seu medo de sapo! -, e, da minha parte, lágrimas derrubadas.

Eu que queria tanto que a quinta feira chegasse, agora preferiria que ela nem tivesse começado, com aquela ligação, que de primeira eu nem atendi, e na segunda chamada me senti na obrigação de atender, logo veio acompanhada de um “o Zé morreu, o seu Zé morreu”. “Seu”, tão possessivo, né? E tão longe da realidade… Queria ter te dito tudo que eu sentia, sabe? Antes da nossa penúltima conversa, que não terminou bem, antes disso acontecer, mas ficou só nisso, no “queria”. Faltou coragem, faltou impulso, faltou tudo, e eu, fiquei aqui, com um sentimento escondido, guardado e que agora vai ficar assim, acompanhado desse vazio no peito, dessa dor que parece que não vai passa, que não sai junto com as lágrimas que insistem em ficar surgindo toda hora.

Deixou várias apaixonadas aqui, hein bonito? Deixou várias menininhas com o coração na mão, com um vazio no peito que não vai ser preenchido tão facilmente. Mas você nem fez isso por que quis né? É esse teu jeito alegre, espontâneo e sorridente, que conquista e apaixona, é essa sua imagem que vai ficar pra sempre comigo, é esse teu jeito positivo que vou levar como inspiração!

Te cuida ai, viu bonito? E cuide, proteja e console, como sempre fez, quem ficou aqui, com essa amargura e tristeza no peito. Com um sentimento de que a qualquer hora você vai voltar pra cá, sorrindo, rindo, abraçando e brincando com todo mundo, como sempre foi! Pena que dessa vez você foi pra um lugar muito mais longe que sua cidade, mas que é um lugar muito mais bonito e longe de toda essa violência e loucura desse mundo! “Desse mundo que tá ao contrário e ninguém reparou”.

“Tudo de bom pra você, por que você merece”, como você mesmo me disse na última vez que a gente conversou, pena que a parte do “eu vou tá sempre por ai, visitando vocês”, você não vai poder cumprir.

Descanse em paz, tá? E me aguarde que sempre que eu puder, vou tá orando e conversando com você, não pense que se livrou dessa “louca, louquinha” tão facilmente!

 

Hoje eu acordei feliz” mas foi por pouco tempo quando me jogaram um “Papo reto” de que o Chorão morreu e hoje não vai ter “Céu azul” como, “Tudo deve ser nessa” vida tudo tem um fim pois temos “Dias de lutas, dias de glorias” , haverá varias hipóteses sobre a causa da morte mas infelizmente tudo tem seu “Preço” mas o Chorão não era só vícios tinha “ Vícios e virtudes” e quem sabe um dia de um jeito estranho “Ele vai voltar” e “Só por um noite” eu possa ouvir as musicas que fizeram parte da minha historia cantadas por ele, sei que vai ser difícil agora “Longe de você” pois foi através das musicas do Charlie Brown Jr. que eu aprendi a ‘Lutar pelo o que é meu” , mas não há nada a fazer “Tamo ai na atividade” e como só “Existe o agora” mesmo assim não ira mudar pois é como “Pontes indestrutíveis” pois realmente “Só os loucos sabem” como dói essa perda. Portanto Alexandre Magno Abrão você será eterno espero que pra onde vá quem sabe em um “Novo mundo” busque seu “Lugar ao sol” e encontre ‘’ aquela paz” que tanto procuramos