deixados

nunca foi fácil dizer adeus.

me diz
quem suporta o fato de ser deixado e de ter que lidar com a falta e com a dor da partida?

eu nunca fui capaz de ir e sempre achei que tudo o que eu sentia era suficiente até que vi que o amor não se resume apenas ao que sentimos

é sobre escolhas

eu escolho ficar ou ir embora independente do que eu sinta

eu posso amar e partir
eu posso não amar e ainda assim ficar
e às vezes não iremos entender os motivos por trás de tais escolhas
se o amor é uma escolha?

talvez seja
mas com toda certeza dizer adeus é
e eu vi isso nos seus olhos.

Você me ligou em um dia, mas no outro não ligou mais. Você ria comigo um dia, no outro eu estava chorando sozinha. Você sonhava comigo um dia, no outro meus sonhos eram impossíveis. Você um dia estava aqui comigo, no outro não estava mais. Um dia você era 100% você, no outro eu nem te reconhecia. Poderia ter sido diferente. Poderíamos não ter deixado ficar na mesmice, aprender a conviver com os defeitos do outro, nos amar como se fosse sempre a primeira vez. Poderíamos ter sido o porto seguro um do outro. Mas não fomos, não fizemos, não resolvemos. Um dia você estava nos meus braços, no outro você estava nos braços dela. Em um dia seu coração parecia ser meu, no outro seu corpo era dela. No início me culpei por não ter sido o que você queria, mas depois abri os olhos e enxerguei que quando queremos algo não tem passado que nos prenda, nem futuro que nos impeça, e que mesmo sabendo que hoje você é dela, no meu sonho você sempre será meu. Mesmo sabendo que não te terei mais, eu sonho com você. Lembra quando te ligava todos os dias? Ou quando passava na sua casa e você nunca estava. Eu sei, me doei muito. Não tenho vergonha em dizer que fiz de tudo por nós, e hoje você passa com ela por mim, de mãos dada. Mas ei, quando ela te esquecer num cantinho qualquer, você vai sentir na pele o que fez comigo. Porque amor mesmo, você só teve o meu.
—  Escrito por Ana Letícia, Giovana e Kíssila em Julietário.
Fiquei quatro dias deitado na cama do hospital respirando sob aparelhos médicos. Não sei como fui parar lá e nem o que havia acontecido comigo. Quando acordei, me deparei com o médico do meu lado checando meu corpo com alguns exames nas mãos. Havia perdido cinco quilos em quatro dias. Eu estava pálido, sem forças para levantar um dedo sequer e mal conseguia respirar. Meu pulmão doía. O médico mostrou que havia uma pequena fratura pelo fato de eu ter forçado na respiração. Mas, como assim? Eu não faço ideia do que aconteceu comigo. Estava confuso, não conseguia pensar direito e suava frio. A cada segundo que passava, os batimentos cardíacos aumentavam. Me aplicaram uma injeção para me acalmar. E, então, o médico me explicou. Eu havia desmaiado, bati com a cabeça na quina da mesa e sofri um corte perto do supercílio. Meu nervosismo pela falta de ar criou uma pequena fratura no meu pulmão que doía toda vez que respirava. Me fizeram inúmeras perguntas, porém, não sabia responder nenhuma e tudo parecia confuso. Na verdade, por que eu estava lá deitado em uma cama e respirando sob aparelhos médicos? O que havia acontecido comigo? Eu estava ficando embriagado de tanto tomar soro e eu odiava tomar soro, odiava frequentar hospital. Dias depois de estar um pouco melhor, voltei para casa, estava tudo conforme havia deixado antes de ir para o hospital. A música ainda continuava tocando no rádio, pois esqueci que havia colocado-a para repetir. O copo de vinho sobre a mesa, o cigarro apagado sobre o cinzeiro e a fotografia dela estampada na tela do computador. Sentei sobre a cama e acendi um cigarro. Os médicos me alertaram para diminuir no cigarro, porém, como diminuir algo que te faz tão bem? Impossível. Isso era a única coisa que me deixava melhor. Não faço ideia do que aconteceu nesses quatro dias que fiquei deitado naquela cama do hospital, mas posso dizer que tudo ainda continua tão monótono e triste. O amor continua constante, a saudade permanece forte e sufocante, a falta que você me faz é tão dolorosa quanto cortar a alma. Quanto tempo isso ainda vai durar? Mais um dia, uma noite ou uma vida inteira?
—  K. Shibahara.
Que coisa bonita essa de conquistar sempre e sempre e sempre. De verdade, acho nobre. O amor é um sentimento tão belo para ficar assim esquecido, jogado, deixado de lado. Cada vez que vejo um senhorzinho olhando para a senhorinha com aquele olhar de poxa-você-é-tudo-o-que-eu-queria, abro um sorriso. E penso que vale, sim, a pena acreditar. Não é mágica, é só cuidado. Bem mais simples do que parece. Mas é preciso querer com o corpo inteiro.
—  Clarissa Corrêa.
Eu soquei meu orgulho tão forte, que depois de um tempo esqueci que ele existia. Perdoei erros imperdoáveis e acreditei numa realidade utópica de um amor quase impossível. Tornei possível coisas inimagináveis. Acreditei em dragões e contos de fadas pra te fazer ficar. Fui ingênua. Te amei mais do que podia por capacidade humana. Te dei o que eu tinha e não tinha pra te fazer feliz como eu gostaria de ser. Te transformei naquele príncipe que a gente, estupidamente, sonha enquanto cresce. Escolhi a dedo as palavras pra te dizer, todas as vezes que lhe proferi algo. Te amei com meus dedos, meus olhos e cada fio de cabelo. Te odiei também, com cada pedaço meu, até com minhas entranhas que hoje gritam o seu nome. Te segurei pelo braço quando deveria ter te deixado ir. Me arrependo de coisas que fiz, que não fiz e principalmente, que desfiz. Por você. Por mim. Por um nós que não existiu. Te quis quando não deveria. Te tornei o que eu queria que você me tornasse. Me tornei outra pessoa. Fria. Calculista. Fechada. Já passou muito tempo, já senti muita raiva, muito amor, muito ódio e ainda assim, não há um dia em que eu não acorde sentindo uma saudade absurda do nós que existiu dentro de mim.
—  Desanimo.
Sabe, ter te deixado foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida. Acredite! Ver você se aventurando por aí, conhecendo novas pessoas, conhecendo novos lugares, se apaixonando, mudando, e tudo isso sem mim, também foi difícil. Você sabe, eu não sou de me apegar, mas, quando me apego é pra valer, eu sofro, choro, sinto, tudo de forma intensa, me entrego. Talvez eu não tenha sido uma boa pessoa, ou melhor, talvez eu não tenha sido aquela pessoa que tu precisava. Eu ainda não aprendi a ficar sem você, a ficar sem aquilo que tínhamos, sem a nossa cumplicidade, idiotices, confiança, sem o amor que um dia existiu, sério, eu não aprendi, só que eu não tenho muitas escolhas, você não me deixou escolha. Eu não te deixei porque eu desisti, eu te deixei por não haver mais no que insistir. Não havia nada que me faria bem em estar perto, nada que me instigasse a ficar, já não havia mais amor da sua parte, porque ficar? Me diz? Eu tô bem, sabe, eu tô feliz, tenho um amor, tenho alguém que me ama tanto, que todos os dias se desdobra em mil só pra tirar um sorriso sincero meu, e agora, pensando, eu queria muito que tu pudesse compartilhar dessa felicidade comigo. Mas tudo bem, tudo bem eu ter ido e você não ter pedido para que eu ficasse. Tudo bem em ter acabado e você não ter se preocupado, tudo bem em você conseguir ficar tão bem sem mim. Tudo bem! Tudo bem! Tudo bem mesmo. Só seja feliz, está bem? Apenas isso. 
Eu te deixei, mas, acredite, tudo o que eu queria, era ter ficado se tu quisesse que eu ficasse, tu não quis, e eu sinto muito por isso.
— 

A carta que eu escrevi e nunca consegui entregar. 

Escriturias.

Querido leitor, quero que saiba que será minha última carta. Pois quando dei por mim estava com o rosto coberto de lágrimas, o coração estava acelerado, pensamentos que já havia deixado de lado. Pois bem, meu caro leitor, estou me despedindo pois já não suporto mais essa dor que se espalha em meu peito, sinto-me como um soldado ferido lutando contra mim mesmo, perdendo a cada batalha. Pois a dor que invade meu peito me impede, não tenho mais forças para seguir em frente, não estarei deixando meu legado pois nem isso eu consegui, tudo consome muito de mim, eu sei que deveria ter aguentando mais, não quero que lembre de mim como um pobre covarde. Quero que lembre de mim como alguém que lutou até onde foi capaz, é que por fim decidiu ser livre, como um pássaro que acaba de ser solto da gaiola. O pouco das forças que me restam deixei por escrito para ti, então meu querido leitor guarda certas palavras com carinho, se depender de mim de onde eu estiver você nunca estará sozinho.
—  Uma carta de despedida, Admiradora-desorrisos.
Queria contar a eles que eu nunca havia deixado de ser frágil, e que precisava de espaço para chorar, e no final receber um abraço e um cafuné até desmaiar de cansaço. Queria que soubessem que também estava sentindo uma sensação parecida com de uma criança quando se apaixona por um brinquedo em uma loja, mas sabe que nunca poderá tê-lo, então o segura nas mãos e cria automaticamente cenas de como seria feliz se o tivesse, e sente seu coração se partir quando ouve seus pais chamando seu nome para ir embora, e é obrigada a deixá-lo ali, mesmo sabendo que não haverá mais ninguém no mundo capaz de cuidar tão bem dele.
—  Os porquês de Amélia Roswell.

eu nunca entendi essa história de que um amor cura a dor de outro.

não, não cura.

você não pode brincar com um ser humano dessa forma. você não tem o direito de usar alguém para tapar um buraco que foi deixado por outra pessoa. 

Pode chegar algum dia que você precise se lembrar dessas palavras.

Você pode achar que todos que se cortam querem chamar atenção ou que todos que se cortam são suicidas. Mas você está errado. É claro que alguns querem atenção e que alguns são suicidas, mas é tão mais complexo que isso. Tão mais delicado. Você não pode e não deve falar nada até ser a pessoa com a lâmina na mão, até entender de verdade o que esses cortes significam. Até entender a necessidade que eles se tornam. Então por favor, eu vou tentar explicar e você precisa tentar entender.

Há aqueles que usam os cortes como um grito de socorro. Esperando que alguém note, que alguém os ajude. Eles precisam de um pouco de atenção e carinho para verem que não estão sozinhos. Eles precisam de amor e estão implorando por ele.

Para muitos, os cortes fazem o coração parar de sangrar, fazem parar uma dor que não conseguem compreender e lidar tão bem quanto a dor física. É a substituição de uma dor pela a outra.

Para outros é a fuga de sentimentos muito fortes. Quando se está com muita raiva, muito triste, muito ansioso, muito vazio, muito decepcionado, muito tudo e simplesmente não se consegue lidar, não consegue sentir tudo. Aquele corte é a sua válvula de escape.

Para os que querem morrer, os cortes são a salvação, o que os mantém ali mais um dia, mais uma hora, mais um minuto. É o que precisam fazer para algo muito pior não acontecer. O corte é seu porto seguro.

Alguns sentem que precisam se punir por não serem como queriam. Na verdade, por não serem como a sociedade os fez acharem que precisam ser. Por terem comido demais, tirado uma nota baixa, por aquele número na balança, por ter magoado alguém ou se deixado ser magoado, por não gostarem do que veem no espelho ou por sentirem certas coisas. Eles se cortam para se punir por serem como são.

Para outros é um vicio. Eles precisam ver o sangue pingar, precisam sentir a lâmina rasgando a pele, precisam observar aquele momento em que o corte fica branco antes de se encher de gotinhas, precisam segurar o metal frio entre os dedos e precisam sentir o controle. Eles se tornam dependentes.

Para outros, o vazio é tão imenso, tão doloroso, tão entorpecente que eles não sabem se conseguem mais sentir algo, não sabem se ainda possuem essa capacidade. Então eles se cortam. E sentem o grande alívio de sentirem dor. Eles veem que eles sentem e precisam desse lembrete.

Cortes são tão mais do que pode se imaginar. Aquelas linhas brancas são histórias escritas. Histórias de dor que não se pode contar em voz alta.

Agora o mais importante: se alguém teve coragem de te contar que se corta, por favor, não o abandone ali. Abrace-o o mais forte que conseguir e admire sua coragem. Por que o medo de contar é absurdo. Não se sabe o que vai acontecer. E ser rejeitado, julgado e largado por isso, vai destruir essa pessoa. Essa pessoa vai chorar até não aguentar mais. Ela nunca mais vai conseguir contar isso a alguém. Talvez nunca mais se abra para alguém. Talvez nunca mais seja a mesma. É uma cicatriz muito mais profunda e marcante do que qualquer uma que ela já fez a si mesma. Então por favor, cuidado. Não machuque mais ainda alguém que já está quebrado. Não pergunte o porquê. Não exija que ele fale. Não faça ultimatos, não tente força-lo a se abrir. E o mais importante: não tente concerta-lo. Se você soubesse… se você soubesse que ele só precisa ser compreendido, que ele só precisa que alguém o ame do mesmo jeito apesar de tudo, que ele só precisa de alguém que ele se sinta livre para falar sobre esse segredo, que ele só precisa de alguém que fique, se você soubesse…

E é por isso que estou te contando. Talvez isso previna que você destrua alguém que precisa ser salvo. Talvez isso previna que alguém faça mais um, dois, uma dezena de cortes em seu nome. Talvez isso previna que mais um coração se torne de pedra. Talvez isso previna dor.

Eu estou te contando por que gostaria que uma pessoa soubesse disso antes de eu contar. Que essa pessoa tivesse noção do quanto podia me destruir. E essa pessoa me destruiu.

Então cuidado.

E, você. Você que usa um milhão de pulseiras. Você que não tira o casaco mesmo no maior calor. Você que não usa biquíni. Você que está consciente de cada movimento seu. Você que não levanta o braço de certo modo. Que gela quando alguém quer olhar algo específico em você. Você que compartilha essas cicatrizes. Você. Eu te entendo. E há muitas pessoas que te entendem sem você precisar se explicar. Muitas pessoas que têm medo igual a você. Você não está sozinho nessa. Você não precisa me dizer uma palavra, saiba disso, só saiba que não está sozinho.

Algumas pessoas precisam ler isso. Por favor, envie para todos que puderem.

De todos os planetas do sistema solar, Netuno é o mais distante do sol. Sabemos que ele esta lá, mas é como se tivesse sido deixado de lado enquanto todos os outros estão a sua frente. Talvez por isso ele seja o menos lembrado de todos os planetas. Quanto mais o sol brilha, menos ele é notado. Netuno é como eu. E eu odeio admitir isso.  Eu sou aquela pessoa que fica no seu cantinho e por isso os outros quase não notam. Aquela pessoa que perde a chance por insegurança. Aquela pessoa que vale a pena conhecer mas não busca reconhecimento. Aquela pessoa que faz a diferença mas não é lembrada. Aquela pessoa que é única mas as outras sempre serão mais interessantes.
—  Lucas Lessa.  
É um sentimento que a gente não consegue ignorar, não consegue explicar, não consegue identificar o momento exato que começou mas que, quando vê, já está ali. Sorrindo no cantinho, timidamente, puxando e se balançando no nosso coração, acelerando ele todinho de uma forma desenfreada quando vê a pessoa. É algo que não nos deixa desistir de lutar. Não nos deixa mentir. É fazer algo de errado, ainda que coisa pequena, sentir-se horrível por ter deixado o outro triste e correr pro abraço no mesmo instante. Sem orgulho. Sem mágoas. Só dando prioridade ao que o coração tá pedindo. Amor é pensar que tudo tá horrível, que não há saída e ainda assim, achar meios de haver possibilidades e maneiras diferentes de se resolver tudo. Amor é não depender da reciprocidade, apesar do que é pregado hoje em dia. Não. Amor é o ato de amar da forma mais pura e inconveniente, até. Não há controle. É escancarar o coração como um alvo, mesmo tendo a noção de que ele pode ser atingido brutalmente a qualquer momento. É não saber o que fazer, às vezes. É ter confiança e uma fé inexplicável de que, de alguma forma, tudo irá dar certo e que a felicidade se encontra “naquele” sorriso. É acordar pensando se a pessoa amada sobreviveu a noite. Se está feliz. Se está bem. É saber calar, é saber ouvir. É se doar. Dizem que quem ama não vai, mas em alguns casos, o amor requer isso. Requer entender que às vezes precisamos dar espaço para novas conclusões também. E se ele for verdadeiramente, o amor pra vida toda, uma hora ou outra as coisas se encaixarão. O amor é tudo e dentre tantos tipos diferentes de amor - que aqui não citei - devo destacar que o próprio também é muito válido. A gente vira insano, às vezes, mas é essencial que não nos esqueçamos de nós mesmos. Que nos abracemos de vez em quando e nos lembremos que há muito o que vale nosso esforço, mas que se você já tiver tentado de tudo que pôde, então não se diminua por algo que não tem certeza. Se é amor, a gente sofre, mas o alívio vem logo adiante. Se esse alivio não se achegar a ti, então é melhor pular do barco e esperar a pessoa certa te resgatar. E ela vem. Porque amor é saber. É sentir que não há nada que aconteça que possa abalar esse sentimento. É dar tudo de si. Dentre tudo isso, não acho necessário acrescentar mais. É mesmo um sentimento amplo, puro, inexplicável e, apesar de tentarmos, indescritível.
—  Débora Souza.