decorre

“O nosso consciente não registra a morte”, dizia Freud. Isso explica o motivo de fazermos tantas besteiras no decorrer da vida.
—  Professor Antônio. 
Capítulo 25.

A ligação da minha mãe na quarta-feira havia sido bastante engraçada, ela estava eufórica e, para a minha completa surpresa, lidara muito bem com o fato de Juliana estar em meu apartamento e ainda mais o fato de que Helena existia.

Meu pai viera conversar comigo na quinta-feira em meu escritório e eu expliquei para ele toda a situação.

— Rodrigo, isso é coisa séria! Vale a pena se envolver? – perguntou preocupdo.

— Vale muito mais que a pena, pai. – eu garanti. – Elas são especiais.

— Bem, eu estou orgulhoso em te ver assumindo algo importante para você. – ele me disse. – Eu te apoio em todas as decisões, se é isso que você quer.

— Obrigado pai. – eu agradeci. – Isso sim é importante pra mim.

A conversa não se estendeu mais.

Ycaro e Pedro me ligaram no decorrer do dia para saber se sairíamos no fim de semana, a negativa não os deixou chateados e eu disse que em breve explicaria a situação. E negar aquela saída, que era tão comum para mim antigamente, me pareceu até certo de se fazer, era como eu nunca tivesse sido completo, como se em todas aquelas noites eu procurasse o que me completasse, e nunca tivesse achado. Não até o momento em que Juliana cruzou o meu caminho.

No fim da tarde, antes de ir embora para casa recebi a ligação de Leonardo, o detetive que eu havia contratado.

— Senhor Simas, poderia me encontrar segunda-feira no meu escritório? – ele perguntou depois que eu atendi e ele se identificou. – Eu já descobri algumas coisas e precisamos conversar.

— Sem problemas! – eu disse. – No horário do almoço fica bom para você?

— Perfeito! – me respondeu.

— Ótimo, me passe o endereço.

Depois de me dizer o endereço e eu anotar, finalmente pude ir embora, ir para casa, de volta para as minhas garotas.

Estar em casa era como estar no paraíso. Era um conjunto completo e que mesmo que fossemos tortos, éramos certo. Eu sentia que era a minha família, aquela por quem eu lutaria com unhas e dentes, passasse o que fosse. Ter Helena em torno de mim aquecia meu coração que eu nem sabia que até então era gelado, assim com Juliana… A minha loira. Ela era a melhor parte de mim e eu a amava com tudo o que ela tinha e podia me oferecer. Eu nunca pensei que sentiria ou falaria isso, mas ela chegou e mudou tudo.

Na sexta-feira o trabalho fora normal e quando eu cheguei em casa a noite, Juliana e Helena brincavam no meio da sala com blocos de montar.

— Queridas, cheguei! – anunciei e ambas me olharam, sorrindo.

— Od! – Helena gritou e derrubou o que quer que elas estivessem montado.

A peguei nos braços e ergui seu pequeno corpo, arrancando uma doce gargalhada dela. Assim que se estabilizou de volta aos meus braços, ela beijou minha bochecha.

— Olá, princesa linda! – beijei sua cabeça cheirosa.

Juliana já havia levantado e eu lhe beijei a testa. Olhei para Helena em seguida, que nos olhava com adoração.

— Hoje é sexta! – eu disse. – O que acha de irmos ao shopping? – propus.

— Nem vai dar. – Juliana falou.

— Porque não? – perguntei franzindo o cenho.

— Hoje eu volto pra boate.

Pareceu um balde água fria caindo em mim aquela informação. Eu não queria que ela voltasse a trabalhar naquele lugar, era obvio que ela não gostava e além do mais, não precisava mais.

— Você pode ficar com Helena? – pediu. – Eu vou colocá-la para dormir antes de sair, você sabe que ela não acorda, mas em todo o caso… – coloquei Helena no chão.

— Você não vai trabalhar, Juliana. – eu disse.

— Mas é claro que eu vou trabalhar. – Juliana rebateu.

— Você não precisa trabalhar mais naquela boate. – eu disse em cima.

— É obvio que eu preciso, você espera mesmo que eu fique aqui e seja sustentada por você?

— Você não vai!

— Rodrigo, eu não quero que você fique me sustentando! – ela disse. – Eu agradeço por me ajudar, me acolhendo aqui junto com Helena, me ajudar com o advogado. Eu nem sei o que seria de mim sem você… Mas eu simplesmente não quero ser sustentada por você, de forma alguma.

— Deixe de ser absurda! – pedi. – Eu não estou querendo sustentar você! Eu quero cuidar de você, como um homem faz quando ama uma mulher, como o seu pai fazia com sua mãe!

— Rodrigo…

— Eu sei que é difícil, mas você não precisa voltar. Eu sei que odeia trabalhar ali, mas pelo bem da Helena, pense nela… – ela de repente olhou para a menina que voltara a se entreter com seus brinquedos. – E me deixe cuidar de vocês!

— Eu só quero contribuir de alguma forma! Ela é minha responsabilidade.

— Você pode, por favor, uma vez na vida deixar de querer assumir tudo e deixar que alguém te ajude? Eu quero te ajudar, quero cuidar de você, quero que você saiba que tem alguém aqui por você.

— Vamos fazer assim: eu vou procurar algo melhor e enquanto não arrumo, volto pra boate?

— E quem fica com Helena se você for trabalhar? – eu pedi. – Juliana, só até essa poeira baixar, ok? Depois a gente vê o que faz. Mas…

— Eu vou pensar!

— Não tem o que pensar, menina. Pelo amor de Deus!

Ela me encarava e eu sabia que não ia ceder, então estávamos em uma briga de campeões, porque eu também não iria. Ela finalmente suspirou.

— Eu vou pensar. – voltou a dizer. – Mas eu preciso ir hoje, eu dei minha palavra que iria.

— Juliana…

— Rodrigo, isso não está em questão.

— Ok, você vai hoje. – dei ênfase. – Mas vai dizer que vai sair. Ok?

— Você não vai ceder, né?

— Não. E eu vou te deixar e buscar.

— Você está sendo absurdo.

— E você também, por favor, pense direito. – pedi. – E deixe eu cuidar de você!

— E eu não deixei desde que vim para cá?

— Então me deixe fazer isso direito! – pedi e a abracei.

Ela só soltou um suspiro, me deixando abraçá-la. E eu sabia que naquela queda de braço, eu venci.

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E por hoje é isso. Espero que tenham gostado dos capítulos e tenha uma ótima semana. Beijoooooos.

Ela estava triste.Mas não era uma tristeza que se passava com o decorrer dos dias.Era uma tristeza constante ou até mesmo crônica.
—  Letícia Santana

Acho que a coisa mais difícil é decidir sobre o decorrer de amanhã. Você não sabe se vai estar vivo, se sua saúde estará como está agora. Se vai estar numa cama de hospital, ou na cama do seu quarto. Você não sabe se seu melhor amigo ainda vai ser seu melhor amigo, não sabe se toda a sua vida vai permanecer a mesma. O mundo tem a incrível capacidade de estar em constante mudança, assim como cada indivíduo. A mente trabalha extraordinariamente, e inexplicavelmente contra a forma que o coração trabalha. A mente age e pensa, o coração sente e guarda. Ambos trabalham e seguem em sentidos opostos. Num dia você está estável, e no dia seguinte pode estar num coma. Tudo sentimentalmente. Você não escolhe por quem vai se apaixonar e quando isso vai acontecer. Também não sabe se o que você sente vai ser recíproco. Quando esse fenômeno acontece, você não pode dizer com exatidão quanto tempo vai durar. Porque o mundo está em constante mudança, e o jogo pode virar a qualquer instante. Num minuto, tudo está a seu favor e no seguinte, tudo desmorona bem na sua frente. O dano pode ser contido, mas na maioria das vezes é irreversível. Num dia você está com a pessoa que você ama, e no seguinte, não pode mais estar com ela. Uma fração de tempo muda tudo. Uma vírgula no lugar errado muda todo o contexto. Você está pronto pra todas as constantes voltas da vida? Está preparado para os danos que pode sofrer durante a jornada? Não. O elemento surpresa é definido por acontecer quando menos esperamos. É não planejado, o não visto, talvez o ignorado. Não se pode estar preparado pra tudo, afinal somos apenas meros jogadores no incrível desafio que é a vida.

Você estaria disposto a abrir mão do amor da sua vida por um impecilho? Aceitaria o fato de que outra pessoa pode ocupar o espaço que você julga ser somente seu?
Amar é se doar, compreender, ajudar, cuidar, proteger, zelar. Amar é dar sem saber se haverá retorno. Amar é dia a dia. É um toque, um beijo, um abraço, uma carícia, um oi seguido de um sorriso sincero ou de um abraço desesperado. Amar é colocar seus problemas de lado pra resolver os alheios.

Amar é perdoar, e superar os obstáculos. Juntos.

—  morena-piteu
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gente tem mts headers aqui dos meninos mas vou postando no decorrer do tempo se n vai ficar a base de headers da one direction

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A primeira realizadora portuguesa vai ser homenageada em Lisboa

Bárbara Virgínia vai ser homenageada durante o Festival Olhares do Mediterrâneo - Cinema no Feminino, que decorre no Cinema São Jorge, em Lisboa, da próxima sexta-feira a domingo.

O festival, na sua segunda edição, volta a fazer parte da programação das Festas de Lisboa, e tem por objetivo, segundo a organização, “homenagear e dar a conhecer” a primeira mulher portuguesa, que assumiu a realização de um filme, falecida em março deste ano.

“A importância desta obra na história do cinema português é grande, não só por ser a primeira ficção realizada por uma mulher, como pelo facto de ter sido a única produção feminina até 1976”, na produção nacional, realça a mesma fonte.

A primeira longa-metragem de Bárbara Virgínia, intitulada ‘Três dias sem Deus’, foi selecionada para a primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes, em 1946, a par de ‘Camões’, de Leitão de Barros, tornando-se a primeira mulher a apresentar um filme no certame francês.

A homenagem faz parte da programação complementar do Festival, que este ano apresenta, em parceria com a Cinemateca Portuguesa, cerca de uma trintena de filmes realizados por mulheres de doze países do Mediterrâneo: Bósnia-Herzegovina, Egito, Espanha, França, Grécia, Israel, Líbano, Malta, Palestina, Portugal, Turquia e Tunísia.

A produção portuguesa ocupa um terço do programa deste ano, que se divide em quatro sessões de curtas-metragens e oito sessões de longas-metragens, envoltas “numa diversidade de temáticas, géneros e olhares”.

Este ano, os espetadores são cha­mados a esco­lher o filme da sua pre­fe­rên­cia, para atri­bui­ção do Pré­mio do Público, que será entre­gue pela jornalista Maria João Sei­xas, ex-presidente da Cinemateca Portuguesa, embai­xa­dora do Olha­res do Medi­ter­râ­neo 2015. Será tam­bém atri­buído um Pré­mio do Júri para a Melhor Longa-metragem e para a Melhor Curta.

A exposição ‘Bárbara Virgínia – primeira realizadora portuguesa’ apresenta, pela primeira vez, em fotografia e vídeo, uma recolha de documentos e testemunhos de Bárbara Virgínia, nome artístico de Maria de Lourdes Dias Costa, enquanto realizadora e artista.

A mostra estará patente no Cinema São Jorge e revela a “artista multifacetada que, nos anos 40 do século XX, participou em programas de rádio, fez recitais de canto e poesia, e foi atriz”.

A homenagem à realizadora é complementada, no sábado, às 18:00, com a mesa redonda ‘À Conversa sobre Bárbara Virgínia’, que conta com as presenças de Ana Mafalda Reis, da organização do festival, Helena Matos, colaboradora do jornal Observador, Luísa Sequeira, jornalista e realizadora, e ainda do investigador Wiliam Pianco e de Tiago Baptista, conservador da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema.

À celebração do cinema feminino junta-se um conjunto de actividades em torno do cinema e da cultura mediterrânica: música, artes performativas, deba­tes e con­ver­sas, expo­si­ções, ate­liês de cinema para crian­ças, workshops de cri­a­ção core­o­grá­fica e de dieta medi­ter­râ­nica.