decifro

danger

você brinca como se não soubesse da bomba atômica que sou,
gostamos do perigo.
você me pega pra dançar como se conhecesse todos meus passos mas sempre acabo te surpreendendo,
gostamos de novidades.
você me manda embora querendo o contrario, e eu sempre te leio, te decifro, eu sempre fico.
gostamos de recomeços.

b.

Eu entendo as pessoas. Enquanto a maioria julga, eu compreendo. Ninguém é o que é, porque quer. Eu sei disso e procuro entender os motivos. Essa percepção parece ser inacessível para a grande maioria das pessoas. Com frequência tento entender o que a pessoa estava pensando quando agiu. Interpreto o sentimento no exato momento de sua ação e então, as decifro. Não é complicado. Sentimentos são iguais, as pessoas que são diferentes. Todos sentimos algo, mas, não são todos que demonstram. E a magia esta nisso.  Digo, decifrar quem não demonstra, afinal, esses são os que mais sentem. Não me foco em entender quem transforma uma leve brisa em um tornado, mas em quem guarda em si, o que deveria gritar para o mundo.
—  Pedro Peixoto.
Eu sei de cada manhice tua. Quando acorda de mal humor, ou quando não está para dialogar à toa. Consigo reparar a quilômetros de distância sua insatisfação. Sinto como se estivesse ao meu lado, sua energia fervendo quando está com raiva. Conheço cada expressão sua, principalmente no dia que não está sendo um dos melhores. Sinto suas frustrações, suas insônias, o turbilhão de pensamentos que rodeiam sua mente, todas as noites, como se fossem minhas. Minha ligação é tão forte que decifro suas sensações pelas entrelinhas das suas palavras ao digitar no celular. Por outro lado, sei de cor cada gíria que usa. Na graça que lhe invade ao tirar sarro de tudo. Sei ler teus passos de confiança, seus tons de poder e positividade, seu olhar de felicidade, e até mesmo aquela vontade que demonstra ter e me deixo levar, porém não me deixou devorar por inteiro.
—  Escrito por (escrevinhar)
do not come back

não me venha com essa voz-toda-doce que finjo não notar mas decifro de có porque acabei de descobrir que sou diabética e eu sempre prezei a minha saúde e sanidade mental a qual você fodeu gostosamente bem porém dispenso agora. Você é aquele tipo de droga que não mata aos poucos, cada riso é uma facada, cada suspiro é um tiro, e cada silencio é um coma, e eu já não tenho mais vidas, não pra você. bc

Eu entendo demais as pessoas. Enquanto a maioria julga, eu compreendo. Ninguém é o que é, porque quer. Eu sei disso e procuro entender os motivos, essa percepção parece ser inacessível para a grande maioria das pessoas. Com frequência tento entender o que a pessoa estava pensando quando agiu. Interpreto o sentimento no exato momento de sua ação e então, as decifro. Não é complicado. Sentimentos são iguais, as pessoas que são diferentes. Todos sentimos algo, apesar de que não são todos que demonstram. A magia esta nisso, digo, decifrar quem não demonstra, afinal, esses são os que mais sentem. Não me foco em entender quem transforma uma leve brisa em um tornado, mas em quem guarda em si, o que deveria gritar para o mundo.
—  Pedro Peixoto.

[….]
prometo a mim mesmo nunca mais ouvir, nunca mais ter a ti tão mentirosamente próximo, e escapo brusco para que percebas que mal suporto a tua presença, veneno veneno, às vezes digo coisas ácidas e de alguma forma quero te fazer compreender que não é assim, que tenho um medo cada vez maior do que vou sentindo em todos esses meses, e não se soluciona, mas volto e volto sempre, então me invades outra vez com o mesmo jogo e embora supondo conhecer as regras, me deixo tomar por inteiro por tuas estranhas liturgias, a compactuar com teus medos que não decifro, a aceitá-los como um cão faminto aceita um osso descarnado, essas migalhas que me vais jogando entre as palavras e os pratos vazios, torno sempre a voltar, talvez penalizado do teu olho que não se debruça sobre nenhum outro assim como sobre o meu, temendo a faca, a pedra, o gume das tuas histórias longas, das tuas memórias tristes, cheias de corredores mofados, donzelas velha trancadas em seus quartos, balcões abertos sobre ruazinhas onde moças solteiras secam o cabelo, exibindo os peitos, tornarei sempre a voltar porque preciso desse osso, dos farelos que me têm alimentado ao longo deste tempo e choro sempre quando os dias terminam porque sei que não nos procuraremos pelas noites, quando o meu perigo aumenta e sem me conter te assaltaria feito um vampiro faminto para te sangrar enquanto meus dentes penetrando nas veias de tua garganta arrancassem do fundo essa vida que me negas delicadamente, de cada vez que me procuras e me tomas, contudo me enveneno mais quando não vens e ninguém então me sabe parado feito velho num resto de sol de agosto, escurecido pela tua ausência, e me anoiteço ainda mais e me entrevo tanto quando estás presente e novamente me tomas e me arrancas de mim me desguiando por esses caminhos conhecidos
[…]
ah detritos, mas tudo isso é inútil e bem sei de como tenho tentado me alimentar dessa casca suja que chamamos com fome e pena de pequenas-esperanças, enquanto definho feito um animal alimentado, apenas com água, uma água rala e pouca, não essa densa espessa turva do mar de que me falaste no começo da tarde que agora vai-se indo devagar atrás das minhas costas,
[…]
não sabes desse meu mar porque nada digo, e temo que seja outra vez aquela coisa piedosa, faminta, as pequenas-esperanças, mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas, e lentamente falas, e lentamente calo, e lentamente aceito, e lentamente quebro.

caio f.

Nosso Tempo

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!

Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.

Ás vezes acho que nunca vou conseguir me afastar. Tu vens com teu sorriso doce e amolece meu coração com tanta facilidade que segundos depois esqueço por que deveria desistir. Acima de todos os defeitos, lembro dos motivos para ficar.
Por mais que negue, continuo por que tu precisas e sabes disso. Sou a única que te entende por completo e te atura do jeito que és. Comigo não tem essa de vestir capa. Decifro-te só com o olhar.
Passamos por tanta coisa juntos. Aprendemos com nossos erros e evoluímos. Mas, continuo tentando montar as peças do quebra cabeça que és.
Sei que há reciprocidade nos sentimentos, porém, não nas atitudes. O orgulho que sempre tentaste melhorar em mim, parece cada vez maior em ti. Somos
muito diferentes na forma de agir. Enquanto sou razão, tu és emoção. Juntos procuramos o tempo todo por equilíbrio. Espero um dia chegarmos nele.

In fondo alla miniera più segreta,

all’ interno del frutto più distante,

nel vibrare della nota più discreta,

nella conchiglia più ritorta e risonante,

nello strato più denso di pittura

nella vena che nel corpo più ci sonda,

nella parola che dica più dolcezza,

nella radice che più scende, più nasconde,

nel silenzio più fondo della pausa

in cui la vita si è fatta eternità,

cerco la tua mano, decifro la causa

di non credere e volere, infine, intimità.


Josè Saramago - In fondo alla miniera più segreta

Carlos Drummond de Andrade

I

Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.

Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.

★ STATUS: Funk

Pra ser fiel só a torcida da gaviões 🎵

Ela bebe, ela tumultua 🎵

Mas que absurdo, ela de vestido curto 🎵

Liga as convocadas e avisa que hoje é só loucura 🎵

Porque mais tarde tem baile pra mim ficar bem suave 🎵

Mundão girou 🎵

O elenco é fabuloso 🎵

Visualiza que os moleque é mídia 🎵

Ela kika, ela para, rebola 🎵

Mas quem vê cara não vê coração 🎵

Eu decifro seu corpo sem ter manual 🎵

Adora o perigo de me provocar 🎵

A mina louca ta dançando 🎵

Não fode? Sai de cima 🎵

Sou dessas que roda a baiana sem descer do salto 🎵

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.
—  Carlos Drummond de Andrade, trecho do poema Nosso Tempo.