de flr as palavras

— Vamos brincar Re, vem cá.
— Lipe, são dez da noite, eu tô cansada, não tô afim de sexo hoje.
— Não tô falando de sexo. Pelo menos não no momento.
Eu ri. Engraçado o modo como você me via, tipo um ninfomaníaco, daqueles bem tarados mesmo que só quer sexo, seja onde for e que horas for. Mas não, no momento eu não estava pensando em sexo.
— Tá falando do que então? Sexovoice?
— Sexovoice? Que porra é essa?
— Só falar sacanagem e tal… Você sabe, a gente já fez isso quando você foi pra casa da sua mãe um dia.
— Ah, mas foi sexophone. Não?
— Ai porra Lipe, é a mesma coisa só que, não tem telefone entendeu?
— Ah é, entendi.
Lembrei do dia em que fui pra casa da minha mãe, mordi os lábios e sorri sozinho. Sentei e fiquei te olhando. Me olhou como quem esperava que eu dissesse algo.
— E a brincadeira Lipe?
— É assim, eu vou dizer uma palavra e você diz a primeira coisa que pensa tá bom?
— Tá, começa.
— Hm, azul.
— Sua cueca.
— Pijama.
— Dormir.
— Café.
— Eca.
— Cama.
— Dormir.
— Escuro.
— Dormir.
— Sexo.
— Gemidos.
— Eu.
— Gostoso.
— Comida.
— Fome.
— Hora.
— Tarde.
— (Silêncio)
— Que foi?
— Não sei mais o que perguntar.
— Deixa eu.
Se sentou bem de frente pra mim, mordeu o lábio pensando em algo, segurou minhas mãos e entrelaçou os dedos nos meus. Sorriu, sorri de volta.
— Felicidade.
— Você.
— Laura.
— Nossa.
— Aqui.
— Lá.
— Sorriso.
— O seu.
— Sexo.
— Contigo.
— Princesa.
— Você.
— Futuro.
— Você.
— Desejo.
— Você.
— Sonho.
— Você.
— Amor.
— Você.
— Tudo sou eu Lipe?
— É, isso mesmo.
Sorriu e pulou no meu pescoço, ficou em cima de mim e me beijou. Nem se quer soltou minhas mãos. Sorri mais do que te beijei, confesso. Mas é que a felicidade é muito grande quando você está perto me entende? É como se… sei lá, tudo fosse você. Literalmente.
—  Maktub, estava escrito. Pra mim é tanto que eu não saberia nem me expressar, pra mim é tudo que um dia eu poderia imaginar. Gustavo Carvalho.