daniquartezani

Ela é virginiana, mas bate o pé para dizer que é de leão. E se você não souber que final de agosto, quase setembro, não tem nada a ver com o signo mais importante do zodíaco, até acredita nessa mentirinha que ela conta para si mesma enquanto  tenta desesperadamente encontrar um lugar para se encaixar. Acredita quando ela diz que não é muito de amar mesmo quando está constantemente procurando ser amada, acredita na firmeza de seus passos e nas infinidades de números que ela encontra entre um e zero mesmo odiando essas exatas que mexem com seu metabolismo instável. Acredita que quando ela te envolve nessa esfera de papo inteligente, boca pintada e olhos marcantes, está quase pronta pra te deixar entrar, mas ela nunca deixa. Ela tem boca firme que sabe dizer sim e principalmente não, mesmo sem saber se é o que realmente tá querendo dizer.  Ela tem passos pesados e certos que não fazem a menor ideia da onde está indo. Tem medo de perder o controle que nunca teve e tem mais medo ainda de si mesma. Do que acha que é, do que não é, e das coisas que pensa. Ela tem medo das variáveis que percorrem suas veias e que a cada dia te dão um novo caminho que ela não quer percorrer. Ela tem medo das chances que perdeu, do que ainda não encontrou e do que não quer encontrar. Ela tem medo das historias que deixou de ler, dos contos que não quis ilustrar e de tudo que ainda não viveu. Ela tem mil e um sonhos, mas não tem nenhum. Ela tem as contradições, as afirmações e as certezas na ponta da língua que estão sempre lhe escapando pela palma da mão. Ela é o silêncio, todas as palavras malditas e não ditas que, às vezes, acho que nunca lhe escaparam pela boca. Ela é uma incógnita mal feita  que nunca descobriu a função da sua existência. E no final, ela é só a peça de um quebra cabeça que nasceu com o ângulo errado e foi parar na caixa mais errada ainda.
—  Danielle Quartezani
Um salve para mim que sou puta. Um salve para mim que fui estuprada, abusada e chamada de um pedaço de carne delicioso. Um salve para mim que fui morta, esquartejada e lambida. Que teve os seios apertados, a buceta rasgada, o cu tocado e os lábios arrancados. Um salve para mim que nasci com cromossomo x duplicado, que aprendi a fechar as minhas pernas de saia, a não usar shorts muito curtos e não voltar para casa sozinha depois das 10 da noite. As vielas são escuras, as ruas são estreitas e mulher, sabe como é, não sabe cuidar de si mesma. Porque tem sempre um homem. Macho com H maiúsculo porque nasceu com um pênis e sabe usá-lo. Não no cu, não, ser viado não é ser homem. Ser homem é ir no puteiro. É ter amantes. Ser homem é comer a vagabunda que não sabe que tu é casado, que tu fode e come em um motel de esquina barato – afinal, quem é que gasta muito com putas – e depois volta para a mulher. Aquela, feita para casar. Que você não fodeu em um motel barato, que coloca teu prato – Porque é isso é mulher de verdade – e que você pode fazer outra foda tranquila. E, se ela não quiser ser fodida, bom, homem procura na rua o que não tem em casa, não é mesmo? A culpa é das vagabundas disponíveis e da mulher fresca que não quis foder porque acha que você a traiu. E se a puta não quiser? Ah, ela tem que querer, é para isso que putas servem. Então agarre, a coma, enquanto as mãos dela te empurram. Enquanto as lagrimas caem. Tapa. Não finja que não gosta, cachorra! Meu pinto tá na nessa tua boceta deliciosa e você ainda reclama? Aproveite, goza para mim, porra! Goza, gostosa, linda, delicia, ô lá em casa! Quer uma carona? Vagabunda, sai com uma saia deste tamanho e ainda diz que não quer. Em plena luz do dia com um batom desse e ainda quer ser “respeitada”? Cantada na rua é elogio. Quem não gosta de ser chamada de deliciosa enquanto volta para a casa? As buzinas são para valorizar o ego dela. Dança comigo? É só um gole. Ei, linda, bebeu demais, vem cá, deixa que eu te ajudo. Deixa eu desabotoar essa blusa. Quer sim, você sabe que quer. Eu não disse. G-o-s-t-o-s-a. Vou ali, amor, já volto. Aquela? Já Comi vei, gostosa, mas né mina para namorar não. Putinha rodada. Sério ‘pô’, deu para mim na boate mesmo. Um salve para mim que sou a puta registrada nas mesas de bar de vocês, um salve para mim que desço do ônibus todos os dias com medo dos machos que foram ensinados a ir no puteiro aos 15 anos. Um salve para mim que me controlo. Um salve para mim que gosto de sexo e gosto de beber, mas não posso porque não nasci com pênis. Afinal, para ter libido só nascendo com pênis mesmo.
—  Putas criadas por vocês, Danielle Quartezani
Eu preciso de um cigarro, um maço de Malboro Blue sei lá o quê. Preciso de 100 tragos e alguns litros de vodka barata que façam eu me jogar no vazio e sair desse abismo, de um vicio que me deixe miserável e seja mais caro do que as minhas migalhas, algo que sugue de mim todos os pedaços que você deixou aqui e me deite ao chão como um mendigo viciado. Eu preciso de uma dose maldita de cachaça e alguns gritos surdos no meio de um beco escuro qualquer, um veneno que me dê o controle sobre as sensações que circulam pela minha veia. Eu preciso de qualquer coisa seja capaz de devolver o livre arbítrio que você me tirou.
—  Danielle Quartezani
Ele estava ali, com seus enormes 1,94 de altura, e uma tatuagem espalhada pelo braço esquerdo que eu sabia exatamente em que ponto da costas terminavam, perguntando se eu estava bem. E, por exatos seis segundos eu acreditei que aquele conjunto de olhos azuis, barba rala e perfume bem passado fizessem sentido. Quase achei, que todas as vezes que  a Bianca, a Mari e a Ju disseram o quão bonito ele era, eu estava errada em não dar atenção. Por uns minutos de conversa eu simplesmente acreditei que toda aquela simpatia era muito mais lógica do que alguns gostos em comum. E enquanto me despedia, pensando mesmo em aceitar o convite da próxima sexta,  achei que sim, ele era mais bonito do você, afinal, a gente não se encontrava a seis meses.  Mas ai, como em uma daquelas cenas de filme que não acontecem, tu apareceu na minha frente. Não como um mocinho bonitinho que veio para dizer que ainda me ama, mas como um perfeito canalha, que não me deixa nem sequer pensar que o outro é mais bonito do que você. Não, como um filho da mãe egoísta tu me apareceu com aquele sorriso estonteante, dissipando em um segundo o que eu demorei dois minutos para a acreditar. Me abraçou com esse cheiro tóxico – já que esse é o único adjetivo que pode explicar porque meus olhos quase se fecham quando você me toca – dizendo que estava com saudades. E ficou ali, me abraçando, no meio da multidão, só para provar que ainda que você me solte, eu vou estar sempre presa aos seus braços. E me contou como foi o curso, me lembrou exatamente porque eu gostei de tudo em você. E não foi só pelo sotaque, ou pela blusa branca que cai como uma luva em contraste com a sua pele quase morena, mas porque a gente se entende. Como naquele cinema do dia 7 de novembro, que eu te olhei, e você me olhava rindo das piadas da Marvel como ninguém. Foi porque tu tinha bom papo e sabia que eu te queria desde daquele tal dia que o Felipe te trouxe no meu apartamento, é porque de todas as minhas pseudo historias, a sua é única que eu me arrependo de não ter deixando acontecer. Porque enquanto você chega mais perto para que as pessoas parem de esbarrar na gente, coloca a mão na minha cintura para a que a mulher intrometida possa passar, eu paro de respirar.  E não porque quero que você me solte ou porque lembro da primeira vez que isso aconteceu, mas porque é natural. A verdade, é que nesses instantes, sempre me dou conta que te contaria o que me pedisse, sentada em uma mesa de bar bebendo um copo de cerveja, eu riria das minhas próprias historias, já que você é sim, de todas as coisas que não encontrei,  a que eu não precisei procurar. E você precisou de apenas três minutos para me provar porque eu sempre te achei mais bonito que ele, porque eu te quis diante de todos os outros. E eu nem sequer me dei conta quando disse sim para o seu convite de sexta e te deixei ir encontrar seus amigos. Afinal, eu nunca fui capaz  de te dizer o quanto queria que você ficasse.
—  Danielle Quartezani
Seus olhos são janelas. De doçura ao encanto, encontro neles a luz do sol. Quentes, eles me acolhem no meio tempestade e saltitam ao meu redor me fazendo sorrir como uma criança. É tão lindo assisti-los trazer alegria pro mundo, moça. Porque a luz da tua janela é intensa. Ela nos atinge como um raio e nos faz levantar, é forte e faz todo o blábla do cotidiano ser um simples grão de areia. Seus olhos são a alma. Eles não escondem nada e nos faz querer estar lá já que tudo que acontece na sua iris esverdeada é magico. Como um pôr-do-sol. Os teus olhos menina, são infinitos, como o doce mundo de Peter Pan.
—  Danielle Quartezani sobre Laura 
Eu já escrevi sobre isso. Droga. E já comecei outra folha assim também. Não tá certo, não vai dar certo. Fecho os olhos. Um, dois, três segundos e um dia inteiro, não dá. Até que sai uma coisa, já saiu. Mas é uma linha quebrada e eu não quero escrever a metade de um parágrafo. Quero um capitulo inteiro, com mais de 30 linhas e fora da margem. Porque você pediu. É isso que você quer, certo? É isso que você quer. Eu to tentando, porra. Não tá vendo? É, sei que não, deixa pra lá. Você para de ler qualquer coisa minha que não comece com seu nome. Tu quer as suas iniciais na primeira página, a cor dos seus cabelos como tinta da caneta, e os seus olhos pequenos estampados no quarto parágrafo. Quer que tudo que eu seja tenha você porque é difícil de aceitar que parte de mim tomou liberdade de ser outra coisa que não a luva das suas mãos. E no fim, você até que acredita. Percebe a minha falta de tato, cuidado e de atenção. Enxerga minha arrogância, o meu lavar de mãos apertados como quem não está nem aí para o que você diz. Eu quase acredito também. Mas basta me chamar de amor. Não, é só você falar dos olhos verdes da sua namorada. Aí eu sinto vontade de jogá-la de baixo de um carro ou que ela apronte uma com você. Quer saber mesmo como eu sei que sou sua? Porque as vezes tu trás o pior de mim. Pago de boazinha e fico desejando todo tipo de mal pra garota. É quase estúpido. Me sinto mal, me sinto possessiva e insegura. Não, impotente é a melhor palavra para a situação. Como se o único modo de ter você dizendo que me ama fosse ver a maldita cintura 36 dela do tamanho 46 pra 50. Aí fica mais fácil te magoar. Mentir pra mim e pra você que o sentimento se foi. Mas não se foi, não. Ele tá aqui preso e se manifestando nas embolias do meu estômago, nos nós da garganta e no arrepio da sola dos pés. E em cada texto que os meus dedos digitam nervosamente enquanto tentam abstrair minha mente de você. Tu deveria passar da segunda linha, só de aviso. O que escrevo sobre os outros caras sempre tem um termo em comum: os adjetivos que atribuo a você. Eles são irritantes, puxados para o sarcasmo insuportavelmente egocêntricos. Lindos, também. Mesmo que eu os chame de gordo de vez em quando. Que saco, porque que você não consegue enxergar? Porque eu tenho que fazer um texto pra você se tudo o que o sou respira seu nome? Que porra, Daniel. Eu não consigo ser tão aberta comigo se não posso ser tudo o que sinto por você. E tu sabe. Sabe que dentro de mim é uma desordem enorme entre o que eu posso e não posso deixar de lado por tua causa. Eu sou sua, mas não posso ser, lembra? Você é meu, mas ninguém pode saber. Eu até proíbo de não me querer… Mas ainda sim, não dá simplesmente pra escrever, tá legal? Não dá. Você tá pedindo demais de mim. Tudo bem, eu posso tentar mais uma vez. Droga, eu sempre vou tentar mais uma vez.
—  Danielle Quartezani
Tu foge do meu controle e é por isso que eu não digo nada. Não é que eu não ame você, se a coisa toda se baseasse nisso, o problema não seria tão grande. A questão é que eu tenho medo. Dessa avalanche que tu me faz sentir, dessa confusão enorme que você causa na minha cabeça. Eu nunca gostei de barcos porque o mar não está no meu domínio, Mas de você eu gostei. Porque essa carinha inocente e jeito meio bobo me pegaram de jeito garota. Não dá pra entender como tu insiste em dizer que ninguém se apaixonaria por você. É idiota o suficiente pra não saber o estrago que faz. Vê-se se entende que tu é como aquela boneca de porcelana da vitrine: o cara passa, acha linda, mas não compra porque sabe que não merece. Tu precisa de todo carinho e cuidado do mundo é não todo mundo que saiba esse valor. É singular, e é por isso que me afasto. Te ganhar é saber que não pode quebrar. Tu é frágil demais, raridade demais, sentimento demais para que eu arrisque perder. De tudo nesse mundo que eu poderia arruinar, a ultima seria você. Cada vez que volto pra ti em um surto de saudade me culpo pela covardia de não aguentar as próprias decisões. Não te magoo com intenção te machucar., não vou embora porque quero te deixar. Tudo o que eu faço é rota de fuga. É desvio para que não chegue momento (se é que já não passou) de admitir que estou caído por você. Completamente apaixonado por você.
—   I was made for lovin’ you
Eu tentei. Fiz de mim o eu mais eloquente que existia -  ainda que metáfora dessa frase não esteja tão correta - e quando não pude destruir os muros, os transformei em agua para que você me enxergasse. Acima de qualquer espada, tentei esquecer o campo de batalha. Eu lhe dei os sorrisos mais tolos, porque estes eram os sinceros. Eu agi de acordo com o protocolo para que houvesse paz.  Mostrei-te quem fui e o que eu era na esperança de que seus olhos parassem de ver os personagens que atacavam com balas a sua janela. Porque tudo o que uma menina quer é amor.  E uma garota faz tudo para não perde-lo. Desde as mãos, das pernas e das mordidas. Desde a inocência de uma cama de sofá. Desde os abraços, dos beijos e do que vem do coração. Mas por mais que eu tenha tentado, os seus floretes nunca se caíram ao chão. Você sujou a sala com meu sangue para que eu não esquecesse dos punhais.  As rosas que me ofereceu eram negras ainda que as minhas violetas estivessem enfeitado sua varanda. Fiz-me de cega, de surda, entrei em coma para não ouvir os seus gritos, mas você os socou em minha alma. Você não quis me amar, não quis me deixar ficar. Você destruiu meu casulo e atirou a granada dentro da minha casa.
Os meus pedaços caíram ao chão. Você pisou neles, sorriu e pegou o que decretou que lhe pertencia.
No campo de batalha, você os roubou de mim.
—  Danielle Quartezani
Ter ansiedade é todos os dias ter 20 segundos de coragem insana. Coragem para levantar da cama, se olhar no espelho em um dia importante e saber qual roupa escolher, para esquecer do medo no meio de uma reunião e para deixar escapar pelos lábios todas aquelas opiniões que passam pela sua cabeça.
É ter 20 segundos de coragem para se expressar. Para não achar que todas as coisas que faz é loucura, é conseguir ter uma voz controlada enquanto apresenta um seminário para um grupo de pessoas que você já conhece a mais de um ano. É coragem de enfrentar todos os olhos de uma mesma sala na sua direção mesmo que sobre o seu coração pareça estar pesando mil toneladas.
Ter ansiedade é ter 20 segundos de coragem para parar de pensar. “Não é tão grande assim; eu já resolvi; respira; eu não posso concertar; está fora das minhas mãos; não foi minha culpa; eu não tive controle; você vai conseguir.” Para respirar fundo. Para não enlouquecer porque cometeu o pequeno erro de ser rude sem querer com alguém que nem sequer vai se lembrar disso no dia seguinte. É ter a coragem para conhecer pessoas e conseguir falar “oi, tudo bem?” sem me esquecer das palavras na metade do caminho.
Ter ansiedade é ter 20 segundos de coragem para acreditar que você não é tão pequena e que o mundo não está caindo sobre a sua cabeça, é ter a habilidade de conseguir entender que alguns problemas são só fruto de sua paranoia. Ter ansiedade é dormir todos os dias com a TV ligada só para não pensar. É ter 20 segundos para acreditar que você vai conseguir. Apesar da taquicardia. Das mãos suadas, da transpiração e da dor acima dos ombros. É conseguir controlar os ataques de pânico e a constante dificuldade de respirar.
Ter ansiedade é ter 20 segundos de coragem insana para controlar a inquietação que mais te paralisa do que leva em frente. Para consumir um pouco menos todos os problemas da sua rotina, da rotina dos outros e a dor do mundo. É ser capaz de levantar depois uma falha, não importa o tamanho que ela seja. É calar as milhões de perguntas e possibilidades de resposta que te passam pela cabeça todos os dias.
Ter ansiedade é ter 20 segundos de coragem insana para ser capaz de conseguir não fugir do mundo todos os dias.
—  Danielle Quartezani