daniel-canhoto

Eu aprendi com a solidão de eras
De vidas
A ser sozinho.
Não espere carinho
Eu só conheço o vazio.
Me ensine esse negócio de amar
Porque eu não sei não.
Eu conheço o vento frio da rua
As andorinhas que bailam pra não sei quem
Os beijaflores que contam segredos
Pra ninguém.
Eu conto os segredos que as paredes sabem ouvir muito bem.
Eu tenho imagens que se projetam
De amigos que não dou a ninguém.
Não conto a ninguém
Mas meu melhor amigo chama-se
Soidão.
Eu entendo dessa coisa de sentir falta
Saudade
Ausência
E tudo que não há.
Eu conto e ninguém ouve
Eu rio e não há graça.
Mas eu tenho a luz d'aurora como se minha
Que a faço renascer todos os dias
Obrigado e de nada, amiga minha.
Eu tenho poentes como quem pinta
Mas é deveras mérito meu tal quimera.
Fique assim, sem entender
E deixe o tempo derreter suas impressões
O álcool no meu sangue
Apagar as impressões
Sensações.
Eu não tenho culpa
Sou vindo das trevas para a luz
Como estrela solitária
Minha canção inaudível
Sobrevive no ventre dos meus filhos
Que nunca nascerão.
Eu tenho um eu te amo e um adeus
Engasgados que se anulam
Logo
Nada direi
Eis meu coração feito pó
Esperando do seu que brilha
Mas que se acha rachado.
Antes eu tivesse rachaduras
Eu sou o pó da miséria do não ser
Ainda me acho melhor que você.
SEM CORAÇÃO

Suas mãos são…

Brancas armas…

Seus lábios…

Gatilhos

Atiras

E eu caio

Aos seus artelhos

Palavras certeiras

Que se enveredam no enredo das paredes dos labirintos

Do meu peito

E ecoam e ecoam e ecoam

E hoje me retornam as do começo

Em dissonância com as da última vez

              A reminiscência de um beijo tímido sussurra ao meu ouvido

              Enquanto retinem os berros daquele seu “não”

E não vai ser hoje

Tampouco

Amanhã ou depois

Então tenha à mão

Hoje à noite, aquele martelo

Que vai me dilacerar

Me espancar

Para que eu siga sem coração que doa

Peito leve que voa

Naquele infinito doce da solidão.

Obrigado por destruir meu coração.