curvas perigosas

Depois de observar seu corpo preciso de alguns segundos para recuperar o fôlego, juro. Imagino seu sorriso sem jeito após saber disso, o que deve te deixar extremamente sexy. Queria que por alguns minutos pudesse se ver com os meus olhos, e entendesse que essas suas curvas me acabam com o pouco juízo que ainda tenho. Como a sua pele pra mim, parece macia, suave, totalmente beijável, tocável e, meu Deus, totalmente desejável. Que o cheiro da sua pele, em minha mente já parece embriagante. Minhas mãos anceiam por tocar, acariciar e sentir cada centímetro de você, tocar partes que a censura agora não me permite comentar. És uma mulher que me deixa sem chão e sem ar, só de me imaginar podendo ter esse corpo em minhas mãos, em meu corpo. Mordo o lábio, pensando em como seria bom morder o seu, devagar, degustando da tua boca e desse sorriso safado que virá logo em seguida. Olho pros lados e percebo que há ninguém igual ou melhor que você, nenhum corpo tem a graça que o seu tem. Sua baixa estatura combinada com seu corpo cheio de curvas perigosas e convidativas, seu cabelo caindo de lado, deixando à mostra seu pescoço que praticamente chama minha boca, e caindo levemente sobre seus seios, mas não chegando a cobri-los, me dando uma visão maravilhosa de algo que minha língua anceia por tocar. Seu corpo totalmente nu e a minha mercê, é algo que gosto de imaginar e inevitavelmente, desejar fortemente.
—  Mar e amar, doce.
Às Vezes

De longe te olho e às vezes te noto, mas nem todas as vezes te leio corretamente. Tuas linhas tortas, as retas, as cores, os tons, as notas, tuas horas, tuas pausas, tua inconstância, tua calma, teu nervosismo, teu riso, teu choro calado. Tudo se mostra e se esconde numa miscelânea enigmática e poderosa. Às vezes me prendo ao temor de sua intensidade, de sua composição. A ti escrevo e te descrevo, enquanto tu, poesia, me compõe os olhos perdidos e descortinos, destendidos e uniformes como um amontoado de lençóis que me cobrem a timidez. Às vezes me perco no profundo se seus castanhos olhos, caminhos diretos e definidos, cuja perigosa curva foi o nosso encontro. Tais olhos de tom amadeirado, aliados em tom igual de seus cabelos, perdidos por seus ombros que seguram seus braços de qualquer forma e se balançam sobre o espaço entre seus quadris pequenos e desenhados, sustentados por um par de pernas calmas que se movem sem quaisquer restrições de beleza. Uma criatura cheia de delicadeza e carinho, que as vezes se trai sem se dar conta e se pega, vez ou outra, deixando escapar umas pequenas perdizes de sua sensibilidade magnífica por algumas tímidas fendas de sua paixão. Às vezes tento escrever, descrever, sentir, sonhar, ousar. Mas tudo deste lado daí é intenso demais para meus frágeis versos. Então, eu os decomponho tanto e componho estas poucas e calmas linhas, todas inexatas e anexas aos devaneios de meus olhares secretos em minha covardia. Cada um deles existem apenas para dizer-te: Eu odeio a ti e a cada um de seus detalhes. Eu te odeio. 

Ela está deitada em sua cama. Como sempre costuma fazer. Principalmente nas amargas e demoradas tardes de domingo.É tudo sempre igual. Mesma casa. Mesma família. As mesmas brigas, sempre pelos mesmos motivos. Os mesmos amigos falsos. E sempre os mesmos amores medíocres e decepcionantes. A mesma escola. A mesma rua. Só não a mesma menina pura e inocente de alguns anos atrás.
Agora com 14 anos. Uma menina bonita, a que todos os homens desejam. Cabelos negros, pele bronzeada. Um corpo com curvas perfeitas e perigosas. Olhos pequenos e uma boca bem desenhada. Olhar sedutor. Ela sabe como conquistar qualquer um.
Só não sabe os perigos da sua mente. Não os entende. Dois mundos se chocam em sua cabeça. Pensa em tudo, ao mesmo tempo não pensa em nada. Sente amor e ódio pela mesma pessoa. Ela chora e ri. Acha que vai ficar louca. Ela apenas sofre por algo que não sabe exatamente.
Seus neurônios não aguentam mais. Ela chora. Ela começa a se cortar. Devagar. Atenta a cada gota de sangue que sai de sua pele e toca o chão sujo. Aquela dor se torna insignificante. Ela agora se sente mais calma e sorri. Mas não está completamente satisfeita. Precisa de algo mais. Algo que a tire da realidade, da rotina, da amargura, algo doce e suave como a morte. Ela então corta os pulsos. Sabe que vai demorar pra morrer, mas não importa. Ela quer sentir cada minuto daquela doce e tão desejada morte. Então ela se sente feliz, como nunca sentira antes. E tudo aquilo parece estar levando-a ao céu. Ela fecha os olhos e sorri. Chegou a tão sonhada hora.

Você chorou uma hora inteira pra conseguir dizer que ia embora e me abraçou tentando me passar sua dor. Eu, como todas as outras coisas que vinham de você, recebi calada aquele rojão e perdi uma parte do corpo ao ver você sair. Eu chorei por 35 dias tentando deixar qualquer resquício de você aqui, eu chorei tanto, deixei ir embora um rio de lágrimas pra ver se alguma coisa partia no seu lugar, eu não tirei sua cueca do chão do quarto e colei sua escova na minha pra ela não chorar, eu coloquei dois pratos na mesa durante vinte dias e morri de vontade de te perguntar como estava sendo ai.
Nos outros quinze dias eu percebi que você não tinha levado nada meu, que eu nunca te dei nada concreto que pudesse ficar guardado em ti, nada que afetasse a sua visão e fuçasse no cantinho da sua alma o amor que você nunca disse sentir. As fotos estavam no meu celular, nossa padaria favorita era do lado da nossa casa aqui, a coxinha no amigo que sabia que a gente tinha acabado de transar tinha ficado pra eu comer depois do fim!
Essa semana eu encontrei sua mãe passando por mim com a cabeça baixa, ela me olhou friinha, dizendo que a saudade que ela sentia de você era diferente da minha, que você ligou na terça e disse que tinha uma colega com meu nome que sentava perto de você nas aulas de fisiologia. Eu sabia que não era dela que você puxou o dom de confortar as pessoas, mas ela também abraça tão bem; Ela soltou baixinho que assim como eu, também queria parar de lembrar. E foi ai que eu lembrei.. Lembrei que você dizia que saudade diferente era só quando a gente gravava o rosto da pessoa num momento desigual. Lembrei do dia que eu cheguei em casa e você já tava me esperando só com aquele calção azul e o corpo molhado do banho que a gente combinou de tomar junto. Você me disse calmo que não havia problema e que a gente dali a meia hora iria ter que tomar outro, sua boca colou tanto na minha pra você me dizer que hoje ia me fazer suar, que foi ai que eu gravei seu rosto, cravei seu calção azul e seu coração.
Foi nesses quinze dias que eu tive a certeza que eu sozinha era apenas meia, e que um ano inteiro sem você não era completo, eu jurei que eu tinha esquecido do seu rosto mas lembrava de qualquer risco que parecia aquela sua tribal. Mas ai vem você amor, como sempre, sendo você, me tratando como mais uma sendo que você não tinha outro alguém. Você veio com aquela voz de “certeza de sexo” dizer que estava na casa de sua mãe, e só ai eu me lembrei que ia começar tudo de novo, e lembrei bem como termina. E eu não tenho mais 30 dias pra chorar.
Eu fui cama pra você deitar por um ano inteiro. Só queria sua tua proteção. Eu te abraçava com a mão embaixo do seus braços fora da hora do amor, eu olhava nos seus olhos enquanto via você me comer, Eu não sou sua estrada e nem curva perigosa eu tenho. Então por favor, não venha achando que eu sou encostamento pra você notar que está quebrando e vir se encostar. Você me mostrou o gosto da beleza da vida e agora me mata de pouquinho a pouquinho sem nenhum sabor. Eu tenho certeza que nesses 45 dias se você pensou no meu cheiro foi no pescoço de outra mulher. Você vai embora sem dar o braço a torcer e só depois de eu deixar umas duas chamadas se perder você percebeu que eu sou eu que não volto. Mas a persiana do quarto ficou emperrada do jeitinho que você sempre deixou, está meia luz e no meio da noite a lua marca um ponto fixo pra nosso olhar, somos uma chamada perdida num fim de sinal. Te amo o suficiente pra guardar na memória perfeito, todo vestido no azul e com o coração feito o mar. Eu só sei chorar e pensar se você me gravou também, mas só pra rir de mim, eu sento no canto espaçoso da mesa com os amigos e estufo o peito sinalizando que eu te esqueci.
—  Florindo Neto
Vestido apertado

Poesia é como um vestido apertado no corpo de uma bela mulher. 

Só que ao em vez ressaltar as curvas do corpo, 

acaba ressaltando as curvas perigosas da alma. 

Gabriela Giacomini

Meia-noite já se vai
E na brancura da tua pele
Meu pudor se esvai.
Pra que sanidade?
Se é nas curvas perigosas de teu corpo
Que eu mato minha saudade.

Você diz:
Morena, que vontade é essa?
E eu me perco no teu corpo
Te amando sem nenhuma pressa.

Nas pontas dos dedos
Eu guardo meu feitiço
Te desenho o corpo todo
Te arranho a pele, te aperto, te atiço.

A gente dá um samba bom, é o que eu digo
E te peço: coloca Chico
Deixa a música tocar
E me ama no mesmo tom.

Mas eu me esqueço
Meu corpo é instrumento seu
Dedilha meu violão
E me encanta com o canto teu.

—  H.Conrado, poesia de corpo.
  • Certa vez um jovem foi a uma balada e se divertiu muito, estava bastante alegre com as moças que estavam lá, e bebeu muito... Então, quando já era muito tarde de madrugada, ele pegou a sua moto e resolveu voltar para sua casa que ficava num sítio distante da cidade. Ele teve que enfrentar uma estrada cheia de curvas perigosas; então, como era fácil de se prever, aquele jovem, controlado pelas bebidas alcoólicas, perdeu-se numa curva e foi parar num barranco bem abaixo da estrada. Ele bateu o pescoço e atingiu a coluna cervical e os seus membros inferiores foram afetados e não reagiam mais; ele foi parar numa cadeira de rodas. Então, um pastor foi chamado a fim de consolar o jovem acidentado que não podia mais Crer em Deus. Quando o pastor se aproximou do moço, ele perguntou:
  • - “Onde está Deus que não me responde?”
  • De fato, parece que Deus está muito distante nas horas amargas da tribulação. Mas às vezes somos nós os próprios culpados por estas horas amargas de dor.