curta e grossa

Ela é sapatilha, eu sou salto alto. Ela é vestido, eu sou shorts jeans. Ela é laço no cabelo, eu sou do jeito que acordar tá bom. Ela é horas no espelho se maquiando, eu sou rímel e lápis de olho. Ela é fofa e sentimental, eu sou curta e grossa. Ela curte reggae, eu curto músicas mais agitadas. Ela é vegetariana, eu corro de vegetais. Ela é engraçada e simpática, eu sou mau-humorada e chata. Ela é coca-cola, eu sou guaraná antártica. Ela é barra de cereal, eu sou barra de chocolate. Ela é minha melhor amiga, eu sou a melhor amiga dela. Nossas diferenças não interferem em nada na nossa amizade nem nos faz ser menos amigas. Essas nossas diferenças só servem pra provar que o ditado “os opostos se atraem” é a mais pura verdade.
—  (vodkera)
23:54

   Ele voltou atrás. Me mandou mensagem, me falou sobre sua saudade e seu namoro fodido. E eu o ouvi, matei sua saudade e o aconselhei sobre sua relação. E mais uma vez fiz meu papel de amiga, conversamos por um bom tempo, reconquistamos nossa intimidade anterior. Até que nossas conversas, antes frequentes, passaram a ser turistas e pouco demorou a ser “visita de médico”, rara, necessária e curta. Não tinha mais assunto e nem fluía naturalmente, passou a ser uma coisa forçada, e eu, me permiti aceitar mais uma vez esse balde d’água jogado por Ele, em mim. Ele sumiu de vez, se afastou. Me procurou quando achou que eu estivesse namorando, medo de eu ter supera-lo? Talvez. Conversa curta e grossa, sem chances de papo a mais. E mais uma vez resolveu se afastar sem sequer ter retornado,e aquela confusão mental voltou. Ele se importa? Ele sente falta? Ou só quer me deixar louca?!  Esqueço e sigo em frente, já acostumada com sua ausência, recebo mensagem falando sobre a sua saudade. Respondo ansiosa pelo retorno e recebo um vácuo de trés longos dias. Cansei, não quero mais ficar nessa angustia, vamos dar um ponto final nisso? O procuro pedindo explicações e Ele me informa que não dá mais, se desculpa e mais uma vez se vai levando boa parte de mim. E Ele nem tem noção do quanto sou grata por isso. Dessa vez ele levou toda a minha saudade frustrada, meu amor mendigado, e qualquer vestígio do meu frustrado sentimento por ele. Não tem mais dor, não sinto mais falta, sou grata. Ele levou de mim o que me impedia de florescer mais uma vez. Obrigado por me devolver meu “eu”.

Eu posso não ter estado tão presente, mas não significa que eu não me importe, e que eu não me esforce pra estar, eu quero estar contigo, quero poder acompanhar o que ocorre contigo pra te ajudar de perto a melhorar aos poucos, e sei que tenho falhado ultimamente, mas não é por isso que vou me afastar e muito menos porque tu pode me machucar, se tu vai ficar melhor brigando comigo por eu não ter estado presente como deveria então pode fazer isso, se tu vai ficar melhor respondendo de forma curta e grossa então pode fazer, mas nada do que tu fizer ou falar, fará de fato eu me afastar de ti, pois estive sempre ao teu lado e eu me esforcei sempre pra isso, não será agora que eu irei te abandonar, posso concertar meus erros a cada novo dia, e peço perdão por eles, mas te gatanto que vou me esforçar mais e não irei sair do teu lado!
—  -> doestorvoador
STATUS CURTOS E VARIADOS

“O amor é a resposta, não importa a pergunta.” 

“Escolher o seu tempo é ganhar tempo.”

“Deixe pra trás o que não te leva pra frente.”

“Transpirava alegria, era dona dos seus passos.” 

“Viver é diferente de estar vivo..”

“Tire o dia para sorrir.”

“Coisas boas levam tempo!”

“ Algumas coisas não precisam fazer sentido, basta valer a pena”

“Bendito seja o homem que possa conquistá-la”

“Sorria! É só um mal dia, não uma vida má”  

“Levo a vida devagar para não faltar amor”

“O que é vazio não me completa e não me faz falta.”

“A vida é curta e eu sou grossa”

“Feliz por nada… ou por tudo”  ❤

“Você me dá sua ausência e eu vou te dar meu esquecimento” 

“O sol nasce para todos, todo dia.”  ❤

“Tire seus padrões do meu corpo”

“Vem. Pode doer. A dor já não me assusta.” 

“A mentira pode te proporcionar sentimentos bons. Por um tempo. Ela é uma bomba relógio.” 

“Ao perder alguém, é hora de se encontrar.”

“Aprenda a se preservar. Falar pouco ou quase nada.” 

“Passeia tua boca em mim.”

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Usuário em Destaque: Marcos Batista

Blog: @memorialbatista

No Tumblr Desde: Maio de 2013

Esta semana falamos com o cartunista e músico de Belo Horizonte, Marcos Batista, sobre correção política no humor, Luciano Hulk, revista Mad, pornografia e as tiras hilárias do seu Memorial Batista. 

Nós adoramos o estilo afiado, quase proibidão, das suas tiras. Como isso tudo começou? Você é cartunista full time?

Sim, me considero cartunista full time, mas que precisa trabalhar em outras coisas para sobreviver, afinal, quem quer pagar por piadas? Eu não pagaria (risos). Comecei nisso por conta da minha fascinação desde moleque pelo humor gráfico, mas a última coisa que eu esperava era fazer meus próprios cartuns. A partir do momento em que conheci a turma da (finada revista/atual TV) Quase. que vislumbrei a possibilidade de fazer humor. E quando me envolvi mais profundamente com o desenho de humor, vi que faria aquilo com facilidade, tirando a parte de desenhar. Veja bem, comecei a desenhar aos 23 anos - não fui o desenhista clássico que nunca parou de desenhar desde criança. Então, me juntei a um colega de trabalho desenhista e escrevi uma série de 12 tiras sobre um pobre coitado que perde tudo na chuva; mas após duas tiras, meu parceiro me deu um pé na bunda alegando que tinha que trabalhar (a sabedoria que sempre me faltou…), e, assim, de forma orgulhosa e pretensiosa, eu disse que aprenderia a desenhar e que não precisaria de mais ninguém para fazer meus cartuns. E, vejam só, parece que consegui, uhú!

Mas sobre o estilo afiado e quase proibidão, é que eu tenho grande apreço por piada curta e grossa ou, então, megarefinada/genial - assim como o trabalho dos meus heróis. O que está no meio disso, para mim, é piada bunda-mole, de quem quer agradar todo mundo ou quer fazer humor adequado. Não, eu gosto de extremo e, pelo que sei, o humor mora é nos extremos mesmo, mas tem gente que insiste em dizer que essa coisa insonsa, “bem-humorada”, que produzem é humor. Tenho vontade de dar um tapa na nuca desses. Eu diria que rancor e recalque são palavras-chave do meu trabalho.

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Talvez um dia morra engasgada com meu ceticismo e não haverá entidade que me ajude. O problema é que a realidade é curta e grossa, você não pode viver nela. E então criam-se religiões, deuses, horóscopo, mandingas e tudo que for possível para nos salvar do que é real. A ilusão é muito mais doce, confortante e segura, e é por isso que todos vivem lá.
—  Errôneos.
Capítulo 53

Clara: Aonde você tava? – Vanessa se aproximou e deu um selinho nela.
Vanessa: No apartamento dos meninos. – Sentou-se no braço do sofá.
Clara: Sobre o Fabian, eu não sabia que ele viria pra cidade. Foi uma surpresa pra mim, assim como pra você e as meninas.
Vanessa: Beleza. O que ele veio fazer aqui?
Clara: Eu ainda não sei. Ele me ligou e eu…- Ela pensava em como falar pra Vanessa.
Vanessa: E você?
Clara: Ele ta em um hotel aqui perto e eu vou ter que passar a noite la. – O coração de Vanessa eta acelerou. Ela ficou uns segundos calada, tentando falar algo, mas não saia absolutamente nada. Ela tomou um pouco de ar e respondeu.
Vanessa: Tudo bem. – Clara estranhou. 
Clara: Eu preciso ir. Amanhã a gente conversa, ta?
Vanessa: Uhum. – Clara se levantou, deu um selinho em Vanessa e saiu sem conseguir olhar pra trás.

Assim que Vanessa ouviu a porta se fechar, ela socou a almofada. A raiva era tanta que ela estava tremendo, suas mãos estavam frias e duas ou três lágrimas rolaram por seu rosto. Rapidamente ela as secou e foi para o quarto. 

Enquanto isso no Hotel

.

Fabian estava louco de saudade de sua noiva. Assim que Clara chegou, ele a abraçou e a beijou por um longo tempo. Depois de tê-la curtido muito, eles sentaram pra conversarem.

Fabian: Gostou da surpresa, amor?
Clara: Muito. – Sorriu. – Quantos dias você pretende ficar?
Fabian: Tenho uma excelente noticia pra você. – Clara se assustou um pouco, afinal, o que era bom pra Fabian, era péssimo pra Vanessa.
Clara: Me conta logo, então. – Sorriu mais uma vez.
Fabian: Eu to fazendo negócio com um cara daqui e eu vou ter que me mudar pra ca. Não é ótimo? Nós vamos morar juntos!– Sorriu todo bobo e Clara forçou um sorriso não acreditando no que tinha ouvido.
Clara: Mas isso é certo?

Fabian: Sim. Gostou meu amor? – Ela estava em choque.
Clara: Ah, claro que sim. É uma ótima noticia. – Ele a abraçou forte. – E quando você se muda?
Fabian: Eu preciso acertar uns detalhes com meu sócio, mas acredito ser em uma ou duas semanas. 
Clara: Nossa, que rápido. – Sorriu. 
Fabian: Tudo por você. – Sorriu bobo mais uma vez. – Mas vamos deixar pra conversar outra hora, quero matar a saudade da minha noiva agora.

Alguns beijos e abraços rolaram, e rapidamente Fabian tratou de levá-la para a cama, afinal, eram meses sem se tocar. Clara tentava se entregar como sempre havia feito, mas não dava, havia algo de diferente ali. Talvez fosse a noticia bombástica que Fabian tinha dado que a fazia ficar sem cabeça para sexo, ou a preocupação em relação o que aconteceria com Vanessa e ela a partir de agora. 

Enquanto isso no apartamento das meninas



Vanessa havia se trancado no quarto e não saiu de lá para nada. Mayra chegou a pensar em ir até lá e dar uma força a amiga, mas achou melhor não. Pelo pouco que May a conhecia, imaginava que Vanessa iria preferir ficar sozinha naquele momento e resolveu respeitá-la.

No dia seguinte, Vanessa acordou cedo, na verdade mal havia dormido então ela resolveu se levantar cedo. May e Paula saíram cedinho e Vanessa estava sozinha no apartamento. Vanessa passou o dia todo ‘perdida’, procurava mil coisas pra fazer e ocupar sua mente, mas eram tentativas inúteis. Quanto mais ela tentava não pensar em Clara com Fabian, mais ela pensava, mais ela imaginava o que não devia, e o ciúme tomava conta outra vez.

Vanessa queria ver Clara logo, mas ao mesmo tempo queria evitá-la, afinal, ela sabia que quando estivesse frente a frente com Clara, seria impossível fingir que estava tudo bem. Um pouco antes das meninas chegarem, Vanessa foi para o apartamento dos meninos e ficou por lá mesmo. 

Um pouco depois e as meninas chegaram. May estranhou chegar no apartamento e não encontrar Vanessa, mas achou que ela estava envolvida com a Boate e resolveu deixar pra lá e tomar seu banho. Por último chegou Clara.

Paula: Chegou cedo Clara. Aconteceu alguma coisa? – Clara se aproximou e sentou-se ao seu lado no sofá.
Clara: Passei o dia todo sem cabeça pra trabalhar. Você não imagina o que aconteceu ontem a noite. A Van ta aí?

Paula: Eu acho que imagino sim. Não, não ta em casa não.
Clara: Fabian me deu uma noticia que me deixou em um beco sem saída.
Paula: Nossa, o que ele te disse?
Clara: Ele vem morar aqui na cidade a trabalho e quer que eu vá morar com ele.
Paula: E o que você disse?
Clara: Nada. Eu fingi estar bem contente, mas na verdade eu to muito perdida! A Vanessa não vai aceitar isso.
Paula: E com razão né? Ela gosta de você pra caramba, já aceitou muita coisa, mas aceitar isso, eu acho que seria demais. Se bem que ela é louca por você, não dá pra duvidar.
Clara: Não, ela não vai aceitar. Ela morre de ciúme quando eu falo com Fabian pelo telefone, imagina eu morando na mesma casa que ele. 
Paula: E quando o Fabian se muda?
Clara: Daqui uns dias, uma ou duas semanas.
Paula: Quando você vai contar pra Vanessa? 
Clara: Eu não sei.
Paula: Você não pode demorar.
Clara: Eu to com medo. Com muito medo!
Paula: Medo de que?
Clara: Do que vai acontecer, da reação da Van.
Paula: Posso te fazer uma pergunta?

Clara: Claro.
Paula: Você ama a Vanessa? – Clara olhou fixo nos olhos de Paula.
Clara: Eu gosto muito dela. Me acostumei com ela sempre comigo, com as brincadeiras dela, com os mimos, com os dengos. Se nós terminarmos, vai ser muito estranho pra mim. 
Paula: Era só dizer ‘sim’.
Clara: Não viaja Paula! Eu acho que vou esperar mais um pouco pra conta pra ela. Quero pensar bem em como vou dizer. Hoje não vou conseguir. 
Paula: Você quem sabe, amiga.
Clara: Eu vou ligar pra ela e ver onde ela ta. Qualquer coisa to no meu quarto.
Paula: Certo.

Clara foi para o seu quarto, tomou um banho rápido e ligou pra Vanessa. Elas conversaram o mínimo do mínimo e Clara a chamou pra passar a noite com ela. Vanessa respirou fundo, lavou o rosto e foi até Clara. 

Chegando ao apartamento, Vanessa deu um selinho e um abraço em Clara, como ela sempre fazia, e logo elas se deitaram. Na cama, entre caricias e mimos, elas conversaram a respeito de como foi o dia de cada uma e Vanessa se esforçava pra fazer que estava bem.

Clara: Acho que eu te devo uma explicação.
Vanessa: Sinceramente eu não gostaria de falar nisso agora.
Clara: Por que?
Vanessa: Passamos o dia longe uma da outra, vamos matar a saudade. Não quero chorar na sua frente! – Sorriu tentando demonstrar uma felicidade que não existia naquele momento, mas sorriu.
Clara: Como você quiser minha ancuda. – Deu um selinho em sua testa e logo a abraçou.

Nesse momento, Clara a abraçou apertado e logo fechou seus olhos. Ela pensava no que Fabian havia falado, em como seria a reação de Vanessa ao saber e tentava aproveitar ao máximo aquele abraço, aquele carinho, aquele sorriso, aquele perfume, aquele cheiro de shampoo, aqueles olhos, pois sabia que poderia perder tudo da noite pro dia. Ela se esforçava, mas não conseguiu evitar uma lágrima rolando de seus olhos, antes que Vanessa percebesse, ela a secou e logo as duas adormeceram abraçadas. 

No dia seguinte, Clara acordou cedo, tomou seu banho e seu café, se arrumou, se despediu de Vanessa e foi para o trabalho com Paula e May. Antes do meio dia Vanessa acordou, fez algo para comer e logo foi baixar mais algumas músicas.

A tarde passou rápido e um pouco antes de anoitecer, May chegou, tomou seu banho, comeu algo e sentou-se na sala com Vanessa.

Mayra: E sua moto, hein?
Vanessa: Ta chegando.
Mayra: Você ta me enrolando que sabe andar de moto e correr naquelas corridas loucas! – Vanessa sorriu.
Vanessa: Assim que minha moto chegar, vou te levar pra dar uma volta.
Mayra: Quero só ver! – A campainha tocou. – Atende, por favor?
Vanessa: Atendo sua chata! – Tocou a almofada em May que começou a rir.

Vanessa foi até a porta, mas se arrependeu de ter ido atender.

xXx: Oi. Boa noite!
Vanessa: E ae! – Balançou a cabeça.
xXx: Lembra de mim?
Vanessa: Claro. Entra ae! – Deu espaço e a pessoa entrou.

 xXx: Oi Mayzinha!
Mayra: Fabian? Você de novo por aqui?
Fabian: A saudade me faz incomodar vocês! – Sorriu. – E a Clara?
Vanessa: Não ta.
Fabian: Posso esperar ela aqui? – Vanessa apenas fez sinal para ele se sentar e ele aceitou.

Apesar de não gostar nem se quer 1% de Fabian, Vanessa era educada e por pura educação, ficou com May fazendo sala. A cada minuto que passava, Vanessa gostava menos de Fabian. Afinal ele era um cara rico, bonito, educado e perfeito para sua amada. Minutos depois chegaram Paula e Clara que se surpreenderam ao ver Fabian e Roberta na mesma sala.

Clara: Fabian? O que você faz aqui? – Ele andou até ela.
Fabian: Vim te visitar meu amor! – Ele levou seus lábios até os de Clara, mas ela virou seu rosto, fazendo o beijo ser em sua bochecha.
Paula: E aí Fabian! Quanto tempo! - Ela se meteu na tentativa de ‘harmonizar’ o clima. 
Fabian: Nossa, você esta cada vez mais linda. – A abraçou.

Vanessa e May apenas se olhavam. Clara sentou-se ao lado de Fabian, enquanto todos conversavam, Clara olhava de canto para Vanessa que ainda não havia trocado uma palavra com ela.

Clara: E aí Van, vai tocar hoje? – Tentou puxar assunto.
Vanessa: Não sei. – Respondeu curta e grossa.
Fabian: Tocar? Você toca o que Van?
VanessaVan??? Que porra de intimidade é essa? - Sou DJ em uma boate. 

Fabian achou super interessante a profissão de Vanessa e começou a conversar com ela a respeito, ao ver que Vanessa estava puta da vida por Fabian achar que era ‘amiguinho’ dela, ela resolveu se meter. 

Mayra: E você Paula, se acertou com o Junior?
Paula: Sim, já passou. 
Fabian: Aproveitando o bonde, Clara já contou a novidade pra vocês? – Paula e May se olharam, o coração de Clara disparou e Vanessa ficou com cara de paisagem.
Vanessa: Novidade?
Fabian: É. Nós vamos morar juntos! – Sorriu bastante contente. As meninas se olharam e fingiram não saber de nada.

CAP 13

Quando acordei o dia parecia já ter amanhecido, pela cortina do quarto era possível ver alguns raios de luz passarem por ali. Olhei pro lado com um sorriso imenso, mas logo ele se desfez quando percebi que ela não estava mais ali. Respirei fundo, novamente ela havia ido embora como na primeira vez. Tratei logo de me levantar e vestir meu vestido, precisava ir pra casa, provavelmente o Max já havia acordado. Interfonei para a portaria do prédio pedindo que ligassem a água e a luz, precisava ao menos lavar o rosto. Voltei ao quarto sentando na cama e comecei a lembrar da noite anterior, de como estava completamente entregue a aquela mulher.


Vanessa: Troco um café por seus pensamentos - ela sorriu, estava encostada na porta me observando.

Clara: Achei que tivesse fugido como na primeira vez - disse com um sorriso bobo nos lábios.

Vanessa: Não costumo cometer o mesmo erro duas vezes - ela suspirou e se sentou ao meu lado - Desculpa, você estava dormindo. Não quis te acordar, fui comprar nosso café

Clara: Tudo bem - depositei um selinho em seus lábios - Obrigada pelo café

Vanessa: Tem planos pra hoje ? - ela olhava para o chão, parecia receosa

Clara: Passar o dia com o Max e a May - levantei seu rosto com uma das minhas mãos olhando em seus olhos - Porque não passa o dia com a gente?

Vanessa: Tem certeza ? Não vou atrapalhar o programa de vocês? - ela disse meio envergonhada

Clara: Adoraria passar o dia ao seu lado e você nunca atrapalha - depositei um selinho em seus lábios e fui até o banheiro - Bem, já temos água nesse apartamento

Vanessa: Acho que agora posso escovar os dentes - ela me abraçou por trás enquanto escovava os dentes - Posso?

Clara: Vou pegar uma escova pra você - fui até o quarto e entreguei uma escova nova - Agora você já tem uma escova quando dormir por aqui

Vanessa: Obrigada - ela ficou envergonhada, mas não disse nada

Depois que Vanessa escovou os dentes e terminei de me arrumar, nós saímos em direção a minha casa. A Vanessa parecia longe, não disse uma palavra até chegarmos em minha casa. Quando chegamos ela parecia nervosa.

Clara: Van, está tudo bem? - disse ao retirar o cinto e voltei o meu olhar pra ela

Vanessa: Sim - ela disse seca

Clara: Vem, vamos entrar - quando disse aquilo ela me olhou assustada, fiquei pensando se havia dito algo errado

Vanessa: Não vai dar…eu…preciso ir - ela parecia procurar as palavras certas pra dizer

Clara: Você ficou de passar o dia comigo, esqueceu? - disse sorrindo, mas ela parecia ainda nervosa

Vanessa: Não… é…que…preciso passar em casa - ela sorriu amarelo

Clara: Ei, olha pra mim - disse virando o meu corpo a olhando de frente, puxei seu rosto para que me olhasse - Você vai entrar comigo, vou me arrumar e vamos sair. Prometo que não vou demorar, depois passamos na sua casa.

Vanessa: Clara, não é uma boa idéia eu entrar - ela disse abaixando os olhos

Clara: O problema é os meus pais ? - disse acariciando o seu rosto

Vanessa: Eles não vão gostar… - a interrompi

Clara: Você está comigo, não se preocupe - levantei seu rosto e a beijei. Foi um beijo calma. Quando finalizamos o beijo, olhei em seus olhos sorrindo - Vamos entrar

Saímos do carro e quando chegamos a porta de entrada da casa, ela parou. Segurei sua mão forte a olhando nos olhos e sorri. Senti sua mão gelar, ela tentou retirar sua mão da minha, mas não permiti. Entramos de mãos dadas, mas não havia ninguém na sala, ela respirou aliviada e não pude deixar de sorrir do seu alivio em não haver ninguém por ali. Subimos até meu quarto.

Clara: Ei, relaxa - me aproximei colocando meus braços ao redor de sua cintura, beijando seus lábios em seguida - Vou tomar um banho, fique à vontade.

Vanessa: E o Max ? - disse após se sentar na cama

Clara: Deve estar com a Ana - disse já no banho. Tratei de tomá-lo o mais rápido possível, pois Vanessa não parecia nem um pouco confortável naquela casa.

Vanessa: Mas já !? - disse após me ver entrar no quarto só de toalha - Lavou tudo direitinho ?

Clara: Quer verificar ? - disse sorrindo irônica, abrindo a toalha e me mostrando nua para ela - Vai ficar ai parada me olhando ou vai vir até aqui verificar ??

Vanessa: Adoraria, mas isso vai nos manter mais tempo aqui - ela sorriu com malicia

Clara: Sei…- disse num tom de decepção, esperava mais dela.

Me vesti rápido, coloquei uma calça e uma blusa de manga longa. Aquela manhã estava especialmente fria. Vanessa parecia acompanhar cada movimento meu com os olhos e em silêncio. Quando terminei de me maquiar e passei meu perfume, senti as mão de Vanessa se posicionarem ao redor de minha cintura e seu queixo se apoiar em meu ombro, uma de suas mãos afastou os meus cabelos. Ela inspirou o perfume do meu pescoço e aquele gesto fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem.Vanessa tocou o meu pescoço com a ponta do nariz, em seguida o beijando de leve. Senti minhas pernas perderem a força. Ela sorriu travessa, estava adorando me ver naquele estado. Me virei ficando de frente pra ela, seus braços continuaram em volta da minha cintura. Coloquei os meus em volta do seu pescoço e aproximei meus lábios do seu ouvido.

Clara: Me faz sua !? - disse mordendo de leve o lóbulo de sua orelha, senti seu corpo estremecer.

Vanessa: Melhor a gente ir Clara - ela disse me dando um selinho e me soltando em seguida.

Clara: Vou buscar o Max para trocá-lo e avisar a May. Você vem ? - disse super seca, depois de um fora daquele da Vanessa. Eu estava super decepcionada e muito irritada.

Vanessa: Espero vocês aqui - ela se sentou na cama e sai pela porta sem dizer mais nenhuma palavra.

Fui procurar Mayra e Max, no caminho estava pensando o quanto eu estava sendo idiota. Ela me provoca e quando eu quero mais, a criatura me corta daquela maneira. Encontrei Mayra, Max e Junior tomando o café na área externa que dava para a piscina.

Mayra: Nossa, que cara é essa Clara !? A noite não foi boa? - ela sorria ao me provocar

Clara: Foi ótima - disse curta e grossa - Você já esta pronta ?

Junior: Bom dia pra você também maninha, parece quem alguém acordou com o pé esquerdo hoje - os dois riram

Clara: Não estou pra gracinha - disse séria, pegando Max no colo e o beijando - Está ou não pronta Mayra?

Mayra: Pronta para o que ? - ela disse em dúvida

Clara: Pensei que fossemos passar o dia juntas - disse irritada

Mayra: Calma Clara. O que te deu hein? - ela parecia preocupada

Clara: Nada May, vai se trocar. A Van tá esperando a gente - disse já saindo

Junior: Espera Clara - ele disse vindo logo atrás de mim com a Mayra - A Van tá te esperando no carro ?

Clara: Não, tá no meu quarto. Ela não quer encontrar com nossos pais. Ficou esperando lá - disse já subindo as escadas e indo em direção ao quarto.

Junior: Eles saíram. Posso sair com você ?? - ele não pediu, implorou - Não tenho nada pra fazer.


Clara: Desde quando você faz alguma coisa da vida!? - disse grossa e percebi que havia ido longe de mais com minha irritação, acabei descontando nele - Desculpa Ju, não quis dizer isso.Claro que você pode vir.

Junior: Melhor ficar por aqui, vou pro quarto. - ele saiu entrando em seu quarto.


Mayra: Que merda hein Clara !? - ela disse ao vê-lo sair chateado

Clara: Vai se arrumar, vou deixar o Max com a Van e vou falar com ele - disse já entrando em meu quarto

Vanessa: Algum problema ? - ela disse ao perceber minha expressão

Clara: Falei o que não devia - disse em tom de arrependimento - Fica com o Max enquanto resolvo um problema ?

Vanessa: Claro que sim. Quer que eu arrume ele ? - ela disse ao pegá-lo do meu colo

Clara: Quero sim Van, vou pegar uma roupinha pra ele - fui até a mala, peguei duas roupas. Uma pra agora e outra caso ele se suje mais tarde

Vanessa: Clara, tem certeza que tá tudo bem ? - ela pegou a roupa e já estava trocando Max, quando me viu saindo

Clara: Esta sim, não se preocupe. Já volto - sai do quarto indo em direção ao do Junior.

Clara: Ju - bati na porta e entrei a fechando em seguida - Eu sinto muito pelo que disse, não quis te magoar.

Junior: Tudo bem Clara. É o que todo mundo pensa mesmo - ele disse com a cabeça baixa sentado na cama

Clara: Eu não penso como todo mundo, já te defendi milhares de vezes dos nossos pais quando eles falam algo assim. Eu só acabei descontando minha irritação em você - sentei em sua frente na cama e levantei o seu rosto para que me olha se - A última coisa que queria era te magoar, me perdoa ?


Junior: Claro que sim, você sempre me apoiou em tudo. Eu que sou um desastre que não consigo levar nada adiante, tudo da errado e sempre acabo jogando dinheiro fora - ele me abraçou, estava triste

Clara: Quantas vezes vou ter que te dizer que a vida é assim. A gente precisa continuar lutando, correndo atrás dos nosso sonhos. Você só não encontrou algo que te dê prazer em fazer - dei um beijo em sua testa e ele sorriu comigo - Agora vai se arrumar e esquece isso tá.

Junior: Tá certo - disse se levantando

Clara: Mais uma vez, sinto muito tá. Te amo - disse já saindo e voltando pro meu quarto.

Suspirei assim que entrei no quarto, percebi os olhos de Vanessa me interrogarem sobre o que estava havendo mas só disse que estava tudo bem. Ela já havia trocado o Max e só terminei de arrumar sua mochila. May bateu na porta e entrou com o Junior avisando que já estavam prontos. Resolvemos que na casa da Van decidiríamos o que iriamos fazer, Vanessa desceu com Max em seu colo. Quando estávamos todos saindo em direção a porta da casa, meus pais entram. Tanto eles como nós ficamos parados olhando uns aos outros, só Mayra pareceu não perceber o clima que ali se instaurava. Olhei pra Vanessa de imediato, ela parecia assustada e em choque.

Perguntei a um senhor quais eram os vícios dele e ele me respondeu de forma curta e grossa: oxigênio. Eu ri meio que sem graça e sem precisar que eu perguntasse ele já foi respondendo: oxigênio destrói meu corpo desde a primeira vez que eu respirei, então, considero o oxigênio um erro da vida que mata ela própria.

Eu me calei e pensei, ele quase foi embora e corri até ele para perguntar se isso fosse um acerto da vida, o que ele pensaria e ele disse que ficaria confuso. Neste momento eu vi que o problema era em torno do sentido da palavra, porque para mim, não é um erro o que mantém a vida ser o mesmo que a degenera, mas aí é que tá… Eu amo viver e a aceito como ela é - ao menos venho aceitando ultimamente - e diferente do senhor amargurado, erro para ele é apenas acabar, mas como algo pode acontecer e continuar sem ter fim?

Essa questão, eu não fiz a ele, talvez o deixasse mais amargo ou não, mais uma vez… A grande brecha relativa da linguagem pregando peças e atuando diretamente em nossas escolhas.

Olhe pra si mesmo e veja se vale a pena continuar. Não? Para, vai. Vale sim, pode ser que o dia não termine como você queria mas haverá muitos deles pela frente. Sabe aquele cara que lhe machucou algumas semanas atrás? Pois é, ele vai atrás de você um dia, e ainda vai implorar pelo seu perdão. Sabe aquele seu amigo que se foi? Pois é, ele está cuidando de ti nesse momento e você nem sabe disto. Sabe aquele zero que você levou na nota final do bimestre? Pois é, ainda há tempo de você recuperar. Sabe aquelas discussões sem motivos nenhum? Pois é, você pode acabar com elas se você quiser. Sabe aquela pessoa chata que te atormenta o tempo todo? Pois é, você pode se livrar dela, é só achar uma maneira que não machuque ambos. Sabe aquela amiga que você magoou com aquelas suas palavras curtas e grossas que doem na alma só de ouvi-las? Corra! Ainda há tempo para pedir desculpa. Nem tudo é como a gente quer. A vida é feita de escolhas, basta escolher o certo. Mas nem sempre o certo é o certo. Você quem faz o seu caminho, você quem faz a sua vida. Não deixe que as pessoas façam a sua. Você só vai deixar de pensar em desistir quando você ver que você pode mudar as coisas, mesmo que elas não sejam simples.
—  Carla Santos.