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Quando você sente uma falta extrema de alguém, você conta para a melhor amiga, para aquele amigo que você só se lembra quando está com problemas , pro vendedor da loja de calçados, para a moça do elevador, para o seu cachorro, para a lua, para as estrelas. Escreve numa folha de papel, na casca da árvore, nas redes sociais, na areia da praia. Conta para todo mundo, e la no fundo, torce para alguém encontrar aquela pessoa em um bar, no supermercado, no hospital, dentro do avião, em outro estado, lá nos Estados Unidos e conte para essa pessoa que você sente a falta dela. Fica orando a Deus para que isso aconteça e ela te procure, te encontre, dê um jeito de ficar de novo pertinho de você. Bem lá no fundo, todo mundo só quer que as pessoas voltem.
—  Cristian.
Era como se eu pudesse sentir o seu beijo desde a primeira vez que eu te vi. Eu sabia que eu te queria, antes mesmo de eu entender isso. Estava marcado nas estrelas. Algumas coisas não tem explicação, simplesmente são, e meu coração te pertencia, sem nenhum bom motivo, apenas era. E era você, desde o início, desde a primeira troca de olhares, bem antes do primeiro beijo, que talvez jamais fosse acontecer e que seria eternamente apenas mais um sonho meu, foi sempre você. Eu te via nos lugares, via suas fotos e de longe eu te tinha. Capturei a sua imagem e a introjetei dentro de mim e te guardei em meu coração, em um lugar onde ninguém seria capaz de achar e te roubar de mim. Você mexeu comigo, abalou as minhas estruturas e depois me tirou o chão sem precisar fazer nada, e para não cair eu me agarrei nesse sentimento, sem saber para onde ele poderia me levar, mas isso não importava mais.
Me perdi no seu olhar e no espaço aconchegante do seu abraço, era tão imenso que eu poderia morar nele, me acolhia e me entendia sem nenhuma palavra, foi mais eficaz que conexão wi fi, foi mais feroz que um leão faminto, foi o sentimento mais inexplicavelmente arrebatador que eu senti. Eu encontrei em você a minha parte que estava perdida e que vagava por ai. Tudo aconteceu tão rápido, foi mais devastador que um terremoto. Eu perdi tudo, eu só tinha você. Ou talvez eu tivesse o suficiente, mas não quisesse nada a não ser você.
A paz que você me transmite acalma a guerra que existe dentro de mim. Te tocar é sentir o céu sem nunca tê-lo visto, não sei se você é um anjo, mas se eles são como você, entenderia por que as pessoas tanto querer ir para lá. E por que eu desejaria o paraíso se eu o tenho todas as vezes que você sorri para mim? A sua risada é a a minha canção predileta. Eu dormiria todos os dias ouvindo o som da sua voz. Você me faz feliz sem precisar de exageros, você me completa só por ser quem você é.
—  Apenas o início, Cristian.
Faz tempo que eu não conheço alguém que me tira o sono, que me deixa com frio na barriga, que me faz rir igual bobo, essas coisas idiotas que a gente faz quando conhece alguém especial. Será que o pacote de pessoas especiais que eu deveria conhecer se esgotou? Ou será que elas deixaram de existir? Não posso negar, eu mudei, mas será que foi tanto assim? Já me machuquei tanto, mas será que a dor foi capaz de me mudar tanto assim? Confesso que não tenho noção disso. Eu continuo sonhando, acreditando no amor, mas não nas pessoas, eu já desisti delas faz tempo, eu estou errado? Me tornei cauteloso, mas será que essa “cautela” afasta as pessoas de mim, ou pior, me afasta delas? Ando me sentindo tão sozinho, sinto saudade de algo ou alguém, não sei ao certo, mas este sentimento de falta é quase insuportável. Preciso de um amor, mas um amor que dure. Mas sinto que não estou preparado, algo ainda precisa mudar, talvez eu ainda precise mudar, ando tão disposto a mudar de atitude, de vida, mas me nego a passar de novo por tudo que passei. Se as coisas tiverem que ser difíceis novamente, prefiro que as coisas continuem como estão, eu e a solidão. Nos meus sonhos, as coisas costumavam ser melhores do que as de agora, mas como nada é como desejamos, vou-me indo desta forma, incompleto, porem, estável, não quero mais viver na montanha-russa que costumava ser a minha vida, cheia de altos e baixos. Em pequenos espaços de tempo de minha vida, aqueles de quem eu sinto saudade, as coisas eram melhores do que agora, mas não posso querer voltar no passado, não posso me esquecer das coisas terríveis que precisei enfrentar, na maioria das vezes sozinho, para chegar até aqui, bem, nunca saberemos se chegamos onde deveríamos ter chegado ou se devemos caminhar, vou esperar o tempo me dizer isso. A vida, por si só é uma grande e complexa contradição, o que me basta então é viver, ou… sobreviver. Bem, é isso.
—  Cristian.
Vou contar um segredo: sentia inveja dos casais do tumblr que estavam nas fotos que rolavam à todo momento. Me sentia mal pois até hoje nunca vivi algo tão perfeito quanto aquilo que estava nas fotos demonstrava ser; duas pessoas que se amam juntas. Isso mesmo, apenas juntas, nada de muito fantasioso, aquele tal do “felizes para sempre”. Foi exatamente isso que me deixou aliviado. Quase todos os casais das fotos muito possivelmente não estão mais juntos, e talvez grande parte deles se sentiam como eu ao olhar para essas fotos. Talvez, estar só não seja tão ruim assim, viver está fadado ao fim. A solidão é tão certa quanto a morte. Talvez a felicidade não esteja apenas na presença, talvez o que eu deveria ter aprendido até hoje é aproveitar o brilho das pessoas ao máximo, para que quando elas se forem, eu possa iluminar as minhas ausências.
—  Cristian.
Devo um pedido de desculpas a todas as pessoas que ando tratando mal ultimamente. Elas não tem culpa, eu costumava ser mais paciente, compreensivo e atencioso. É complicado para mim lidar com tantas decepções. A verdade é que eu não sou mais tolerante à burrice das pessoas como antes. Eu relevava as falhas, fingia que não era comigo, enterrava as magoas dentro de mim. Hoje, tudo me atinge de uma maneira completamente pessoal, me tornei raso, transbordo com facilidade, explodo mais rápido do que uma granada. Não sei se é por causa do medo de me machucar, ou por que simplesmente mudei. Antigamente, as pessoas me faziam falta, hoje em dia, tanto faz. Acho que aprendi a me dar bem com a solidão, ao menos, ela não me abandona.
—  Cristian.

Que bom que você apareceu na minha vida. Você me surpreendeu, assim como o calor, chegou de repente e tomou conta, descongelou o bloco de gelo que eu costumava chamar de coração. Você é a prova viva de que as melhores coisas da vida são inesperadas, é, apesar de dura, às vezes, a vida nos dá presentes, e você é o meu. E quando tudo parecia não fazer mais sentido, você apareceu, e iluminou os cantos escuros da minha vida, abalou as minhas estruturas e por fim, ganhou meu coração. E de repente, o preto e branco tomou cor, e tudo aquilo que estava fora do lugar se arrumou. Não era vazio, não era solidão, nunca foi, descobri isso hoje. Você me desconstruiu, me mostrou que na vida basta a pessoa certa para ajeitar o que todas as pessoas erradas bagunçaram e curar o que elas machucaram, o coração que doía e que retraído pulsava, hoje, pulsa vigorosamente, vem cá, encosta a sua cabeça no meu peito, ele chama por ti. E de repente um estranho se torna umas das pessoas mais importantes da sua vida, alguém que não representava nada se torna tudo, e não por aquilo que ela pode te dar, mas sim, por tudo aquilo que ela te faz sentir, ser e viver. E de repente o meu sorriso não é mais meu, é seu, e de repente meu coração não é mais meu, é seh, e de repente minha vida não é mais minha, é sua.

— 

Para a minha princesa, Cristian.

Eu e você. Talvez tenha sido um acidente, um erro, feito para não durar. Se foi acidente, nunca uma dor tenha me parecido ser tão prazerosa, de tirar o sono, o ar, se foi um erro, foi o melhor da minha vida, se foi feito para não durar, foi eterno enquanto durou. Feriu, mas também me fez feliz, doeu, mas também me deu vontade de viver. Se não houve amor suficiente, não foi da minha parte, se não houve perseverança, as marcas na minha pele testemunham à meu favor. Talvez eu tenha pecado pela entrega, que foi além dos limites, na paixão, nunca quis tanto alguém na vida, na inocência, eu confiei cegamente, na fantasia, tudo parecia um sonho. Eu acordei e percebi que você não me pertencia mais, que tudo já havia terminado, que tudo que eu investi e doei de mim havia acabado, e você havia ido embora. Eu sempre te culpei, por você ter ido embora sem se explicar, sem dizer o que você sentia, sem dizer adeus, eu sempre me culpei, por ter sonhado, me entregado e acreditado demais. Talvez não haja culpado, como se encontrar o culpado disto apagaria o que eu quero esquecer, aliviar a dor que eu sinto ou trazer de volta quem tanto, apesar de tudo, ainda amo. O mais engraçado disso tudo é a minha vontade de reviver o circo, por mais que hajam mais arrependimentos do que lembranças de que posso me lembrar e sorrir. Foi engraçada e misteriosa a maneira como tudo começou, e é engraçado e misterioso o motivo que ainda me faz te querer tanto ao meu lado.
—  Cristian.
Posso te contar uma coisa? Hoje eu chorei sem motivo algum. Talvez meus repentinos declínios emocionais sejam consequência de uma vida resumida em esconder o que sinto por medo de julgamentos e opiniões desnecessárias de pessoas que não dão a mínima para o que eu sinto.
—  Cristian.
Talvez as pessoas estejam certas, talvez eu seja sentimental demais, dramático demais, ou talvez eu esteja certo, talvez eu tenha nascido na época errada. Eu deveria ter nascido na época de Shakespeare, onde o relativismo dos sentimentos ainda não havia tomado o coração das pessoas, onde as palavras amor, amizade, sonho e sentimento tinham realmente valor, onde a vida era mais colorida, onde as praças eram floridas e não tomadas pelo cinza dos prédios, da fumaça e dos carros, onde a vida passava devagar, onde tudo tomava o seu devido lugar, onde as pessoas honravam suas promessas, onde as pessoas não fossem ocas. Eu sou intenso, não faço drama, o drama sou eu, a vida talvez não seja tão complicada, talvez eu seja a complicação, sou controverso, confuso, inconstante, mas… onde está o erro? Sou eu detentor de sentimentos demais, ou as pessoas de sentimentos de menos? Em qual patamar estamos? Sou anormal? Estranho? Sim, talvez a minha estranheza seja sentir demais, e se for, por que tanto espanto? Sou atemporal, nasci na sociedade errada. As pessoas dessa sociedade são estranhas, mas julgam as estranhezas estranhas a sua própria estranheza, insano.
—  Cristian.
Nós achamos que ser feliz é tornar-se a pessoa mais inteligente, ou rica, ou famosa, ou influente, ou poderosa, ou bonita, ou engraçada, ou temida do bairro, ou da cidade, ou do estado, ou do país, ou do continente, ou do mundo. A verdade é que todas as pessoas que alcançaram esses patamares morreram infelizes, ou entediadas, ou sozinhas, ou de over-dose, ou se suicidaram ou simplesmente morreram. A vida é um grande teatro, todos interpretam o papel que escolheram interpretar, mas o final é sempre o mesmo, aliás, o desfecho para todas as histórias é único, o fim propriamente dito, a morte. As cortinas se fecham e a sua peça termina. As pessoas deveriam parar de se preocupar em tentar conquistar as coisas, ou as pessoas, ou o mundo ou todo o dinheiro, prestígio e poder que ele pode nos dar. A única preocupação das pessoas deveria ser e fazer alguém feliz. Quando você morre, seu poder termina, sua beleza se esvai, seu dinheiro se partilha, seu império desmorona, mas a felicidade não é material, ela é eterna, o amor que você semeia dá frutos eternos, a perturbação cósmica que um sentimento causa não termina nunca, é igual o efeito-borboleta, é como uma cascata sem fim. Não busque aplausos, busque abraços, pois o resto é mera ilusão.
—  Cristian.
Sabe o que mais me incomoda? A insesatez que o nosso termino me causa. Eu não costumava me entregar tanto, muito menos sentir tanto, eu jamais imaginei que sentiria tanto por você. Senti medo como em qualquer princípio de relacionamento, mas o problema foi que você fez-me sentir-me especial, e pela primeira vez na vida completamente amado e feliz. Você era a peça perdida do meu quebra-cabeça. Eu tento negar a mim mesmo que tudo não passou de farsa, mero engano, mas quem me dera ser tão fácil assim. De uma maneira irracional eu ainda te quero, por mais que eu queira te esquecer para sempre, mas o sentimento que foi despertado de um sono que parecia ser eterno é forte demais e queima dentro do mim. Eu só quis que durasse, e por ironia do destino durou, para a minha desgraça. Não é fácil suportar tantos sentimentos sozinho, eu não posso mais chamar de amor por que me machuca, me aflinge, me entristece. Bem, espero que eu esteja errado sobre tudo isso. Uma vez eu li em algum que a saudade engana tão bem que até parece amor. Espero que seja só saudade, pode demorar um pouco, mas ela passa.
—  Cristian.
Pareço estar preso numa torre longínqua e rodeada por uma densa e amedrontante floresta negra, cheia de lobos à espreita, e daqui de cima vejo tudo que se passa ao meu redor, e sinto medo, pois eu não sei até quando ficarei preso aqui, e talvez seja o medo meu único inimigo, a única circunstância que me prende neste lugar, onde me encontro sozinho, sem ninguém, talvez meus pensamentos tenham se tornado meus únicos amigos, e por mais que eles me atormentem, me tirem a paz, eles acabaram se tornando meu mau necessário. Eu preciso de ajuda, preciso que alguém me liberte.
—  Cristian.