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E quando me dei conta o dia já havia acabado, era de noite, e sem querem eu me lembrei de você, notei que eu não havia falado com você o dia todo, eu senti saudade e fiquei triste, não chorei, mas confesso que senti muita vontade. E foi assim que eu descobri que eu te amava. Talvez não fosse amor, mas doía como.

— 

Cristian.

Eu cansei da rotina, dias enfadonhos,  noites deprimentes e madrugadas solitárias. Enjoei de relacionamentos rasos, pessoas vazias, sentimentos incertos e amores com prazo de validade. Ultimamente, tudo anda tão monótono, não estou triste, mas sinto como se as coisas tivessem perdido a graça, as pessoas não arrancam mais de mim as risadas e os sorrisos que eu costumava ter.
—  Cristian.
Humanos, os únicos seres deste planeta capazes de compreender a realidade em que vivem. Esse pequeno motivo, talvez é a resposta mais simples para as complexas questões levantadas a respeito do sofrimento humano. A realidade é vazia, rasa e sem floreios, diferente dos filmes, onde todos acabam felizes. Fora deles, as pessoas choram, se sentem sozinhas, e em grande parte do tempo, não compreendem o real motivo de existirem. E quem não se sente deprimido por causa da constante pressão que a nossa realidade exerce tentando nos esmagar, garanto que é por que ainda não entendeu o sentido da vida, que é simples, porem triste, é vazio.
—  Cristian.
De vez em quando uma lágrima se perde no meio do caminho e ao invés de sair pelos olhos sai pelos dedos, e assim nascem os poemas . Descobri o que havia de errado com Drummond, ele chorava pelos dedos.
—  Cristian.
Você se valoriza, faz de tudo para não se machucar, mas ai vem um imbecil e mente tão bem à ponto de te convencer de que era amor verdadeiro. Depois disso ele te deixa sozinho, não responde as suas mensagens e passa a fingir que você não existe de um dia para o outro. Você se pergunta onde foi parar todo o amor que essa pessoa costumava dizer sentir por você. Depois de algum tempo e muitas lágrimas depois você percebe que esse amor nunca existiu.
—  Cristian.
Eu não sei se alguém já te disse isso, mas eu vou falar: seu olho não é verde ou azul, mas é o mais brilhante, com os olhares mais sinceros que eu já vi, seu cabelo não é liso, mas eu amo as ondinhas dele, é tão cheiroso, adoro quando você coloca a sua cabeça no meu peito e eu fico mexendo nele, por mais que você não goste que as pessoas toquem nele. Sua pele não é das mais bonitas, você tem espinhas,  mas quando eu a toco, sinto como se eu pudesse tocar uma parte de mim fora do meu próprio corpo, sua mão não é a mais macia, mas quando ficamos de mãos dadas, sinto-me completo. Você supõe o céu, quando estou perto  de você, experimento um pouco do que seja o paraíso, o meu paraíso, ou melhor, o nosso.
—  Cristian.
É horrível notar que a pessoa sabe que você a ama, e ela agir indiferentemente. E é por isso que eu vou esfriando, torcendo pra não amar mais ninguém, coração gelado não se decepciona.
—  Cristian.
Você era meu o último suspiro de felicidade. Eu prendi minha respiração só para não te deixar ir. Foi irracional, eu só estava prolongando um pouco mais o meu sofrimento; não havia mais o que fazer, você inevitavelmente iria embora. Eu não me importei com a dor, eu apenas queria ficar um pouco mais perto de você.
—  Foi-se, Cristian.
Não sou do tipo fácil de iludir. Eu guardo cada palavra, e me lembro de cada promessa. É por isso que eu facilmente me magoo, e rapidamente saio da vida das pessoas. Não engulo mentiras, não sei lidar com falsas promessas. Minha querida mãe não me pois no mundo para fazer papel de trouxa.
—  Cristian.
Se acabou e não doeu, é por que não foi amor. Se você não sentiu o seu coração sendo estraçalhado em um milhão de pedaços não foi amor. Se você não sentiu todo o sentido da sua vida se perder por alguns instantes, não foi amor. Porque o amor é entrega, devoção, é doar-se por completo, é tornar-se completamente dependente. Se não doeu, foi atração, interesse, paixonite, mas não foi amor.
—  Cristian.
Se eu dissesse que não aprendi nada com minhas decepções eu estaria mentindo. Aprendi muito, mas talvez o meu maior aprendizado tenha sido fingir. A vida me transformou em um ator, vivo suportando ausências, negando saudades, meus sorrisos enganam a todos, até mesmo a mim, às vezes, eu sorrio para o espelho e ao olhar para o meu sorriso, por instantes, esqueço que as minhas dores existem.
—  Cristian.
É engraçado, a gente se acha tão único e especial mas qualquer clichêzinho barato que a gente lê por ai de vez em quando nos define perfeitamente. Os sentimentos, às vezes, parecem ser tão ilusórios. Às vezes, eu chego a achar que o amor foi só uma invenção que alguém criou pra dar nome aos sofrimentos causados pelas nossas inúmeras tentativas fracassadas de nos habituar com as outras pessoas à nossa volta.
—  Cristian.
Eu não posso parar de viver a minha vida e esperar alguém que a viva por mim, afinal, eu vivo uma realidade dura e não um conto de fadas. Amores perfeitos são invenções que iludem, eu aprendi a viver por mim mesmo.
—  Cristian.
Esse negócio de ir atrás para não ficar na saudade é algo que me tira do sério, a gente cansa de lutar para dar certo. É chato perceber, depois que já houve um grande apego emocional, que só você tá ligando, escrevendo, se importando. Me irrita querer desistir de alguém e perceber que eu preciso dela, mesmo ela não precisando de mim.
—  Cristian.
Acredito que existam duas partes de mim, uma é racional e a outra completamente passional e elas estão em constante conflito para ver quem vai tomar o controle da situação. Certa vez eu chorei pois haviam partido meu coração, mas em meio ao pranto eu podia ouvir um certo alguém pedindo para eu parar de chorar, pois não valia a pena. Outrora eu conhecera alguém que fizera meu coração palpitar, eu estava apaixonado, e mais uma vez eu estava dividido, uma parte de mim dizia para eu ir em frente e ser feliz, e a outra me dizia para tomar cuidado. Depois de tudo que passei, eu cheguei a seguinte conclusão: odeio o meu eu passional, pois todas as vezes que dei ouvidos ao que ele disse eu sofri. Amo o meu eu racional, a parte de mim que me faz pensar antes de falar e agir. Não é fácil ser eu, há uma guerra dentro de mim.
—  Cristian.
Parar de ir atrás e apenas deixar para lá deixa de ser orgulho e torna-se amor próprio quando percebemos que só a gente ta lutando para dar certo.
—  Cristian.
Quando a pessoa que você ama começa a se interessar por outra pessoa, tudo que você faz e fala irrita, é chato, é por isso que o afastamento é gradual. Quando você percebe, a pessoa já está tão distante que é impossível traze-la de volta. E sabe por quê ela não volta mais? Por apenas um motivo: ela não quer voltar. A famosa frase que diz “quem quer ficar, fica” nunca fez tanto sentido.
—  Cristian.
Quer saber da verdade? Eu não consigo te esquecer, não por enquanto, mas confio no tempo, ele se tornou meu melhor amigo, o única capaz de me fazer superar tudo aquilo que eu nunca tive capacidade de suportar sozinho. As lembranças estão na minha memória a todo mundo, é como se o idiota do meu coração fizesse questão de lembrar de você a todo instante. Enquanto eu não te esqueço, eu finjo que te esqueci, e mesmo machucado, vou esperando o tempo decidir me ajudar mais essa vez.
—  Cristian.
E a cada vez que você espera a pessoa vir falar com você e ela não vem é uma parcela significante da minha vontade de manter a amizade ou qualquer outra coisa que diminui. Eu sei que relacionamento por definição é quando ambos se doam para que a relação perdure, mas eu já me doei demais, e doeu. Eu gosto de dificultar, sumir, fugir, mas quem insiste, automaticamente me tem.
—  Cristian.
Pensando bem, eu tenho sorte por ainda ter pessoas do meu lado. Sou temperamental, carente, emotivo e mau humorado. Não sou do tipo meigo e muito menos bonzinho, sou impaciente e tem dias que até eu queria estar bem longe de mim. Acho que eu tenho sorte por ainda existir gente doida o suficiente a ponto de me amar.
—  Cristian.