criou asas

Agora que criou asas e aprendeu a voar, se liberte, voe para bem longe, encontre a sua felicidade. Entregue o seu amor à quem merece, você vale muito mais do que imagina.
—  Trechos de nós, Priscila M.
E o único amor que tive, foi embora.
Não mandou mensagem, não deixou recado
e nem disse para onde ia.
O único amor que acreditava me pertencer
criou asas e voou como um pássaro,
para morar em outro ninho.
— 

Poetologia

Tá vendo aquele edifício moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
E me diz desconfiado, tu tá aí admirado
Ou tá querendo roubar?
Meu domingo tá perdido
Vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar o meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer

Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Pus a massa fiz cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem pra mim toda contente
Pai vou me matricular
Mas me diz um cidadão
Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar
Esta dor doeu mais forte
Por que que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer

Tá vendo aquela igreja moço?
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá sim valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que cristo me disse
Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar

Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar

— 

Zé Geraldo

A chuva me irritava. Até que um dia
descobri que Maria é que chovia.

A chuva era Maria. E cada pingo
de Maria ensopava o meu domingo.

Ela chovia em mim, em cada gesto,
pensamento, desejo, sono, e o resto.

Eu lhe gritava: Para! e ela chovendo,
poças d'água gelada ia tecendo.

Choveu tanto Maria em minha casa
que a correnteza forte criou asa

e um rio se formou, ou mar, não sei,
sei apenas que nele me afundei.

—  Fragmentos do poema Caso Pluvioso, Carlos Drummond de Andrade.

Criar Asas

Está vendo ali? 

Bem atrás das montanhas,

Um raio de sol

A chuva findando

O dia chegando

A claridade me alcançando

Bem aqui no meu lençol.


Está vendo o rio?

Fluindo suave, água calma

E não há mais espaço vazio

Não há buraco na alma

Aqui a hora corre plena

E a felicidade​ chega serena.


Está vendo a paisagem?

Um silêncio, uma paz

Vento na verde folhagem

Parece uma longa viagem

Me leva, deixa tudo para trás.


Olhe para mim.

Já me viu sorrindo assim?

Oceanos pareciam poças rasas

Eu chorei o meu fim

E a lagarta criou asas.

Hoje eu decidi te deixar livre, livre pra conhecer novas pessoas e um novo amor. Te deixo livre para ser quem você quiser, para se dar a chance de se apaixonar mais uma vez, e encontrar um novo coração para cuidar e se tornar o seu novo lar. Te deixo ir porque sei que aqui não mais é o seu lugar preferido e que não se sente mais a vontade nesse ambiente. Você tem todas as forças necessárias para se reerguer e se dar uma nova oportunidade de ser feliz, vá em frente, você é incrível demais para ficar preso onde não se sente mais seguro. Agora que criou asas e aprendeu a voar, se liberte, voe para bem longe, encontre a sua felicidade. Entregue o seu amor à quem merece, você vale muito mais do que imagina. E com todo o meu amor, te deixo ir.
—  Adeus ou até breve quem sabe. Priscila M.
O carnaval não é mais delícia, nem mesmo o sábado e a folga. A mulher não é mais maravilha, o avião criou asas e voou, não tem mais palhaçada na casa da Sô, a geladeira não abre e nem fecha, não existe mais Roberta e Diego, as portas não são mais automáticas, não existe mais segundo round, o suspiro derreteu, não precisa mais de nenhuma legenda, ele não está mais aqui, ele não é mais ele, o Lu ficou sem o Ar. Mas o meu, o meu coração é LuAr para sempre.