crime e castigo

Caminhou à toa, sem destino. Anoitecia. Havia já algum tempo que uma tristeza singular tomara conta dele. Nessa tristeza não havia nada de particularmente agudo e amargo; mas difundia dela algo de constante, de eterno, entrevendo longos anos dessa melancolia mortal, “a eternidade passada no espaço de um pé quadrado”.
—  Fiódor Dostoiévski, Crime e Castigo (1866)
Sônia falou isso como se estivesse desesperada, inquieta e sofrendo, e torcia os braços. Suas pobres faces tornaram a ruborizar-se, o tormento estampou-se nos olhos. Via-se que a haviam ferido terrivelmente no íntimo, que ela sentia uma terrível vontade de extravasar alguma coisa, dizer, interceder. Uma compaixão insaciável, se é que se pode falar assim, manifestou-se subitamente em todos os traços de seu rosto.
—  Fiódor Dostoiévski, in ‘Crime e Castigo’

Livro da semana: Crime e Castigo, de Dostoiévski

O livro narra a história de Rodion Românovitch Raskólnikov, um estudante que comete um assassinato com o pretexto de estar na miséria e desejar iniciar a vida com o auxílio de algum dinheiro, que conseguiria na casa da vítima.

Após o feito, Raskólnikov vive num misto de isolamento social e alucinação. Em seus delírios, ele sofre perseguições e confunde as ações reais com as imaginárias. 

A história é bem detalhada, envolvente e mostra a busca da salvação através do sofrimento. Além de ser bem agoniante, agoniante pela descrição que sempre parece ser um lugar sombrio; agoniante pela ‘brincadeira’ dos personagens saberem ou não quem é o assassino; agoniante para saber o que vai acontecer com Raskólnikov.

Torturo-me e dilacero-me eu mesmo…Sou incapaz de me controlar. Ontem, anteontem, todos esses dias não faço outra coisa senão me martirizar… Quando estiver são, não farei o mais… Se, porém, não sarar nunca? Senhor, como estou cansado disso tudo…
—  Raskólnikov, Crime e Castgo ~ Fiódor Dostoiévski
É sempre assim que acontece a essas almas românticas: vestem as pessoas, até o último instante, com penas de pavão; até o último momento esperam o bem, e jamais o mal; e ainda que pressintam o reverso da medalha, por nada deste mundo dizem antes a palavra justa; só o fato de pensarem isso as chocam; tapam os olhos com as mãos diante da verdade, até que a própria pessoa a qual vestiram com penas de pavão surge e lhes abre os olhos.
—  Crime e Castigo
Sem dúvida os grandes espetáculos da natureza provocam a nossa admiração, mas enquanto se contempla um nascer do sol, o mar, a baía de Nápoles, sente-se uma grande tristeza, e o que mais incomoda é que não o porquê. Não, na nossa casa se fica melhor; aqui, pelo menos, se pode jogar a culpa nos outros, e desculpa-se a si próprio.
—  Fiódor Dostoiévski, Crime e Castigo (1866)

Dica de leitura: Crime e castigo

Publicado em 1866, Crime e Castigo é a obra mais célebre de Fiódor Dostoiévski. Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petesburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César e Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para perservar sua dignidade contra as várias formas da tirania.

É daqueles livros que nos arrasta para o mais fundo que podemos imaginar sobre a experiência humana. E nos devolve à superfície melhores do que éramos.

Livros para ler antes de meus malditos 30 anos

Me ajudem a fazer essa lista chegar aos 400 livros.

(Em construção)

1.      Crime e Castigo- Fiódor Dostoiévski

2.      Ensaio sobre a cegueira- José Saramago

3.      Iracema- José de Alencar

4.      O Crime do Padre Amaro- Eça de Queirós

5.      Cândido- Voltaire

6.      Maus- Art Spielgman

7.      Uma Breve História do Tempo- Stephen Hawking

8.      O Lobo Mau no Divã- Laura James

9.      Seis passeios pelos bosques da ficção- Umberto Eco

10.  Madame Bovary- Gustave Flaubert

11.  Orgulho e Preconceito- Jane Austen

12.  Pergunte ao pó- John Fante

13.  Esaú e Jacó- Machado de Assis

14.  Sapato Florido- Mário Quintana

15.  Laranja Mecânica- Anthony Burgess

16.  O Homem Duplicado- José Saramago

17.  O Sol é para todos- Harper Lee

18.  Guerra e paz- Liev Tolstói

19.  Os Irmãos Karamazov- Fiódor Dostoiévski

20.  Angústia- Graciliano Ramos

21.  O General no seu labirinto- Gabriel García Márquez

22.  On the road- Jack Kerouac

23.  A Origem das Espécies- Charles Darwin

24.  A arte da Guerra- Sun Tzu

25.  Ostra feliz não faz pérola- Rubem Alves

26.  Macunaíma- Mário de Andrade

27.  O Vermelho e o Negro- Stendhal

28.  Antes de nascer o mundo- Mia Couto

29.  A negação da Morte- Ernest Becker

30.  Fio das missangas- Mia Couto

31.  O Desespero Humano- Soren Kierkegaard

32.  O Leopardo- Lampedusa

33.  Rei Lear- William Shakespeare

34.  Stoner- John Williams

35.  A Marca Humana- Philip Roth

36.  O homem que via o trem passar- Georges Simenon

37.  Toda a poesia- Fernando Pessoa

38.  Cartas a um jovem escritor- Mário Vargas Llosa

39.  Modernidade Líquida- Zygmunt Bauman

40.  A Dançarina de Izu- Yasunari Kawabata

41.  O lobo da estepe- Hermann Hesse

42.  Admirável Mundo Novo- Aldous Huxley

43.  Eneida- Virgílio

44.  A náusea- Jean-Paul Sartre

45.  A Insustentável Leveza do Ser- Milan Kundera

46.  Meu pé de laranja lima- José Mauro de Vasconcelos

47.  Fahrenheit 451- Ray Bradbury

48.  Lolita- Vladimir Nabokov

49.  A casa das belas adormecidas- Yasunari Kawabata

50.  Histórias de Cronópios e de Famas- Julio Cortázar