cr:onewish

Capítulo Dois.

          Olhando no relógio de seu celular, viu que já se passavam das três da manha e mesmo sem querer começou a ser preocupar, uma festa infantil não perduraria até aquela hora da madrugada e então sua mente voou e ela pensou no que podia ter acontecido para justificar aquela demora, um assalto, um acidente e até mesmo algo ligado a infidelidade. Balançou a cabeça a fim de espantar aquele tipo de pensamento e resolveu ligar a televisão para ver se conseguia fazer seu sono voltar, zapeando uns canais acabou parando em um canal de desenhos e deixou ali ainda que com a televisão estando no mudo. Vinte minutos mais tarde Rodrigo entrou no quarto e ela não teve tempo de disfarçar que estava dormindo.

— Ainda acordada? – Perguntou e ela apenas balançou a cabeça em uma afirmativa. Sem tirar os olhos da televisão.  

          Rodrigo entrou no banheiro abrindo o armário querendo pegar a sua escova de dentes, já estava com sua calça de pijama… E viu que uma caixa de remédio caíra de lá. Rapidamente ele alcançou a caixa e viu que aquele não ser tratava de um remédio antitérmico ou esses que a gente toma quando está com dor de cabeça. Tomado por uma curiosidade que nem ele sabia que tinha ele percorreu os olhos na bula e em poucos minutos achou. E de forma estranha sentiu seu coração apertar em culpa. Depressão.  

          Juliana sempre fora uma mulher animada, alegre, feliz de sorriso fácil talvez tenha sido esse um dos fatores principais para casar-se com ela, além é claro do amor que ele tinha por ela. Apesar de tudo o que havia passado em sua vida, com a perda dos pais ainda na adolescência, ela nunca havia perdido a vontade de viver de ser feliz e agora isso, uma possível depressão. Ele sentia-se extremamente culpado por aquilo estar acontecendo, ele sabia que um dos motivos para ela estar assim, era o desprezo com que ele vinha tratando-a.  

          Largou o armário do jeito que estava e voltou ao quarto com a caixa de remédio nas mãos, no mesmo momento em que ela desligava a televisão e se deitava em seu travesseiro.

— O que é isso Juliana? – Estendeu a mão com a caixa entrei os dedos chamando a atenção dela.

— Um calmante. – Alcançou as mãos dele com rapidez e tomando a caixa nas suas mãos.  

— Não é só isso… – Ele indagou tentando manter a calma – É um antidepressivo. – Juliana respirou fundo.  

— Sim, é um antidepressivo.  

— Você está com depressão?  

— Se o médico receitou isso, creio que sim.

          Rodrigo sentiu a ironia na resposta, ela sabia de algo concreto não um talvez, ou provavelmente.  

— Faz quanto tempo isso?

— Mais de um mês eu acho. – Respondeu dando de ombros.

— E por que você não me falou nada?

          Juliana deu uma gargalhada desde quanto ele se importava assim com ela? Rodrigo as vezes era patético. E ele sabia que no mínimo ela iria começar um escândalo, sinal típico de quando ficava nervosa.

— Você ainda tem a cara de pau de me pergunta isso? Há quanto tempo você para pra saber como é que eu estou, como foi o meu dia, se eu estou sentindo dor ou se simplesmente eu comi? – Juliana falou estridente.  

— É reciproco, você não acha?  

— Claro. Como sempre você tem toda a razão. – Ela devolveu em deboche.

— Isso é sério Juliana, você está doente e omite isso!  

— Eu não omiti nada, todo mundo sabe, menos você.

— Ah claro, você conta para todo mundo, mas não conta para a pessoa que vive com você e dorme ao seu lado todos os dias.

— Só dorme do meu lado, porque como companheiro… Eu preferia dormir sozinha.  

Silencio.  

— Depressão… – Rodrigo sussurrou minutos depois.  

— Porque eu não teria isso, não é? No mínimo, não passa de mais uma das minhas frescuras. Já que eu não tenho do que reclamar, tenho o melhor casamento, o melhor marido, já que formamos um belo casal. Exemplo para muitos outros, na nossa vida não há problemas, só amor e mais nada… E que diabo de amor é esse que é incapaz de gerar um filho? Me fala! – Esbravejou com os olhos rasos d’água.  

— Você acha que não, mas eu me preocupo com você. Me importo. – Disse e se aproximou dela para limpar seus olhos, mas ela foi mais rápida e desvencilhou o rosto das mãos dele.

— Não é verdade… E eu não quero a sua piedade! – Juliana sussurrou começando a chorar e pegando seu travesseiro nas mãos.

— Aonde vai?

— Vou dormir no outro quarto, está insuportável ficar aqui olhando para a sua cara.

Um Rodrigo atônito, uma Juliana frágil e uma porta sendo brutalmente batida. O sentimento? Um vazio.  

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Meninas, boa leitura! Espero que gostem. Beijos! Comentem ;)

Anne.

Capítulo Um.

           Assim que entrou em seu carro, pode ouvir seu celular apitar indicando uma chamada, mas quando fora atender o mesmo desligou e ela viu que além daquela haviam mais cinco chamadas perdidas dele. Rodrigo a estava ligando incessantemente, curioso ele não parecia se lembrar do número dela. Deveria ser algo de muito importante então. Retornou e ele não atendeu, então ela resolveu ignorar e veria o que era tão urgente quando chegasse em casa.  

— É inútil insistir nisso. – Resmungou e acelerou com o carro.  

          Bateu a porta do apartamento, jogando a bolsa no sofá e por um momento parou para observar o quanto aquele apartamento era a cara dos dois, tinha um luxo necessário e um jeito que era só deles, ou melhor um dia já teve o jeito deles, porque agora era só o casulo em que eles se escondiam um do outro mesmo que indiretamente. Juliana se virou para uma prateleira preenchida de porta-retratos e viu uma foto grande, maior do que todas as outras, do dia de seu casamento e ela estava tão feliz, ele estava igualmente feliz, radiante. E agora? Bom, tudo não passava de boas lembranças. Rodrigo assim como ela, era um excelente profissional herdara do pai uma grande empresa no ramo da engenharia e era o melhor engenheiro que ela conhecia, era esforçado, mesmo com a empresa sendo sua ele fazia questão de tomar conta de tudo, detalhe por detalhe e por esse motivo passava muito tempo, além do normal, fora de casa. Deixando-a ainda mais sozinha.  

          Dinheiro nunca foi o problema para eles, já que ambos eram muito bem sucedidos no que se propunham a fazer em seus respectivos trabalhos. E digamos que nem amor faltava ali, suponha-se que esse amor havia sido substituído por magoa, egoísmo e orgulho.

          Assim que entrou no quarto seus ouvidos foram invadidos pelo barulho da água caindo no banheiro do cômodo, pelas roupas espalhadas ela sabia que Rodrigo era quem estava tomando banho. E se deixando levar por seus instintos juliana se agarrou a camisa de linho branca que jazia em cima da cama e pode sentir o perfume do marido impregnado ali naquele pedaço de pano. Aquele cheiro característico dele que a enlouquecia.  

          Céus, há quanto tempo não partilhavam e desfrutavam de uma relação intima. Mal se beijavam ou se quer faziam as refeições juntos a mesa, depois de um dia cansativo de trabalho… Eles nem se perguntavam como foi o dia um do outro nada.

          O casamento estava desmoronando como uma montanha após fortes chuvas e juliana não sabia mais o que fazer para mudar isso, a única coisa que tinha certeza era e que o amava, apesar de tudo ainda o amava.

          Ela se quer se lembrava de como tudo aquilo havia tomado essas proporções absurdas, talvez a intensa jornada de trabalho de ambos, juntamente com a falta de tempo um para o outro ou as enumeras tentativas de ter um filho que eram em vão e o orgulho de ambos os impediam de buscar quem tinha o problema. E acabava ficando por isso mesmo.

          Juliana recostou na cama e pegou uma revista de moda que havia na cabeceira, ao mesmo tempo em que escutava o barulho do chuveiro sendo desligado e a água sessar lentamente e logo o barulho de rodrigo se movimentando no closet.

          Alguns minutos depois, ele saiu de lá arrumado de forma impecável com um jeans escuro, uma camisa preta e por cima um blazer também na cor preta… o cheiro de seu perfume percorreu todo o quarto provocando a libido de Juliana.

— Oi. – Rodrigo murmurou sem interesse.

— Oi…

— Eu te liguei várias vezes, porque não atendeu?  

— Não escutei e quando te retornei você não atendeu. – Ela respondeu dando ombros.  

— Mm.

— O que queria?

— Eu fui convidado para um aniversário de uma das filhas de um amigo da empresa.

— Mm… E você me ligou para que eu fosse me arrumando para adiantar? Desculpa, mas se eu soubesse…  

— Eu vou sozinho. – Ele a interrompeu.

— Entendi, não pode levar acompanhante.  

— Eu posso, mas eu vou sozinho Juliana.  

          Juliana engoliu em seco e o encarou olhando-o nos olhos e desprezo era o que ela podia ver claramente ali. E ela o devolveu o mesmo olhar gélido. 

— Antes só do que mal acompanhado. Beleza teoria essa a sua. – Juliana murmurou se levantando e indo para o banheiro.  

Segundos tempos pode ouvir a porta do quarto bater.  

— Inferno! – Sussurrou com o queixo tremendo.

          Fazia tempo que ela não chorava pelo que seu casamento havia se tornado, mas agora sentia-se cada vez mais distante de Rodrigo e de sua vida. Não participava nem de uma miséria festa de aniversário, porque pura e simplesmente seu marido não a queria consigo. Aquilo era absurdamente ridículo. Ela se permitiu chorar até quando não aguentava mais e só se acalmou depois de mais uma vez fazer uso de um antidepressivo.  

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GENTE! Eu como sempre ansiosa, fazendo jus a enquete do facebook, cá estou eu com o primeiro capítulo de OW, carannn de verdade eu espero que vocês gostem e quem quiser comentar eu vou ficar muito feliz!!!! Um beijo, bom domingo. Fui.

Anne.

Capítulo Quatro.

          O jantar foi servido e desfrutado da melhor forma, sempre com o requinte típico de Ana, que gostava de caprichar até nos eventos mais informais. Ao final dele todos formam abraçar Juliana, um a um, seus cunhados, as cunhadas, o sogro e seu sobrinho o pequeno Joaquim. E por fim Ana chegou até ela lhe acolhendo em um abraço, e fora o suficiente para a loira chorar, tudo o que sentiu vontade de desabafar durante aquela semana, aquele dia, tudo estava indo embora junto com suas lagrimas. A mais velha lhe afagou os cabelos e limpou os seus olhos. Lhe dando um sorriso torto.

— Minha querida, não chore mais. Vai ficar tudo bem, confia na sua fé e você vai ver que as coisas vão mudar.

— Ele não veio me abraçar Ana, não falou nada comigo além do feliz aniversário murmurado no elevador. – Fungou sentida. – E ainda diz que se importa comigo, grande piada.

— Ele virá, eu conheço o meu filho ele sempre deixa as melhores coisas para o final. Pode ter certeza de que ele virá.

— Mas ele nunca me tratou com tanta indiferença no dia do meu aniversário. – Sussurrou.

— Se acalme, ele logo vai vir. Não desiste dele, Ju. Você é a segurança do meu filho. – Beijou-lhe a face. – E ande trate de colocar um sorriso nesse rosto, não quero mais te ver assim. Hoje é seu dia poxa.

— Aham… – Murmurou para logo limpar os olhos e dar um sorriso a sogra.

          Ana saiu de perto dela e alcançou o filho que conversava amenidades com um de seus irmãos, com tamanha sutileza ela o pegou pela mão e o levou para um canto mais afastado da sala.

— Vá falar com a sua mulher Rodrigo, a abrace, dê carinho. Não gosto de vê-la chorando.

— Ela está chorando?

— Sim, por favor, vá falar com ela e a tire dessa tristeza. Quero a Ju alegre e feliz de volta.

          Juliana estava distraída brincando com Joaquim no sofá, quando sentiu duas grandes mãos rodearem a sua cintura. A puxando para um abraço e quando ela deu por si já estava envolvida nos braços dele com a cabeça na curva de seu pescoço.

— Porque é que está com esses olhos tão inchados e vermelhos? – Ele perguntou e ela deu um longo suspiro indicando que voltaria a chorar. – Eu não esqueci de você, não conseguiria isso nem se eu quisesse, eu te amo demais pra se deixar esquecer tão fácil. – Ele a envolveu ainda mais em seus braços como se aquilo fosse possível, tentando fazer com que aquele gesto fosse o mais carinhoso. – Feliz aniversário, amor!

— Obrigada.

— Não fica assim, por favor. Meu coração doí de te ver chorando. – Saiu do abraço e entrelaçou seus dedos nos dela a olhando nos olhos. – Eu sei que eu tenho sido um babaca com você, mas eu estou aqui e para você eu vou sempre estar.

— Eu também…

— Em casa a gente vai conversar sobre isso, ta certo? – Rodrigo perguntou enxugando os olhos dela.

— Ta…

— Eu te amo muito! – Exclamou beijando-a.

          Céus, um beijo… Fazia tempo que ela precisava daquele contato, que ele precisava igualmente. Juliana e Rodrigo se separaram quando o ar já se fazia necessário e sorriram um para o outro. E agora juntos, foram aproveitar o restante da “festa”.

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Comentários? Beijooos! ;)