coxia

Tateavam-se teatralmente, mas na dramaturgia é tudo falso e quase sempre é mentira, mas lá não era, era real e o real às vezes nos torna fantasia, pois a linha é tênue separando o abstrato do concreto. É barbante, qualquer tesoura corta e faz uma coisa ser a outra sem ninguém notar que ali precisa de um remendo. É isso que faz o espetáculo atrair o público e o palco ser desafiar os atores, que são pessoas dilemáticas, problemáticas, com lordose e correções por fazer na fala. Uma língua pronunciou a outra, destraduzindo uma palavra entalada, vinda do céu da boca, procurando encontrar, em outra boca, o sentindo que não encontrou nos dicionários da biblioteca centra. Não há o que dizer quando tuas pessoas se absorvem. Nem há o que se admirar. Muito menos o que notar. Seja no silêncio dos quartos ou atrás das cortinas, o amor lá está e permanecerá na coxia, se não quiser ser levado ao palco. Sempre existirá. Pois na arte a poesia se entranha no corpo, que se entranha no outro e em outro. Uma cadeia infinita de paixões. Uns reapaixonando-se, a vida é feita de encontros e redemonstrações do destino. As mãos percorrem o corpo, seja moreno, seja branco e os amantes, sejam homens, sejam mulheres, sejam homens e homens e mulheres e mulheres, fazem o que semanticamente devem; amam-se. Não precisa de muito. É um espetáculo de baixo custo e alto rendimento, não demanda uma montagem exagerado, nem um elenco grandioso. É feito do simples. A tela pintada pela razão e pelo desejo que, nessa hora, se misturam oleosamente sem que sobre nada ou falte coisa alguma. Isso é poesia.
—  Theu Souza