cotovia

O Pardal
“Tudo começou quando um pequeno pardal, morador de uma árvore quase em extinsão nasceu… Ordnael, o pequeno pardal.. sentia que tudo na vida dele dependeria de outro passaro para poder voar.. se alimentar… brincar.. ser feliz.. aos 3 anos este pardal perdeu as asas e não sabia mais como viver.. todos falavam q ele não sobreviveria pouco mais de dois anos sem aquilo que fazia sentido em sua existencia.. Os dias se passavam e o pequeno pardal se conformava com sua situação e sem nenhuma esperança de vida ou vitória.. Anos e anos passados e o minusculo e frágil pardal encontra-se com um grupo de cotovias indo para algum lugar.. Uma das cotovias era totalmente perfeita, mas possuía um pequeno problema.. Ela se sentia triste porque algo faltava em si, mas sem saber o que.. Ela sempre foi a excluída entre todas as aves. Ordnael lhe perguntou indagado pela dúvida "o que você tem? não precisa chorar.. eu não possuo asas, mas ainda consigo sorrir.. não fique assim” e a cotovia então falou “nem sempre quem tem tudo consegue obter o que quer”. O pardalzinho lhe retrucou “Você pode ter a mim, não farei você chorar e você viverá melhor”. A cotovia lhe perguntou “Por que ainda vive?”. O pardal respondeu “Porque existem quem me dê motivos para viver”…
-Leandro Martins

Exclusivamente para Pamela Catrinck!

É dia sim, é dia sim. Corre daqui, vai-te embora de uma vez! É a cotovia que canta assim tão desafinada, forçando irritantes dissonâncias e agudos desagradáveis. Alguns dizem que a cotovia separa as frases melódicas com doçura; não posso acreditar, pois que ela vem agora nos separar. Alguns dizem que a cotovia é o odiável sapo permutam seus olhos; como eu gostaria, agora, que eles também tivessem permutado suas vozes! Essa voz alarma-nos, afastando-nos um dos braços do outro, já que vem te caçar aqui, com o grito que dá início à caçada deste dia. Ah, vai-te agora; ilumina-se mais e mais a manhã.
—  Romeu e Julieta, Cena V

mon amour,
eu te dizia abracadabra e você nem notava
ocupada em caçar carrapatos de seus refúgios
eu copiava os poetas lusitanos descaradamente
arremedando o Tejo e suas vozes de cotovia
e você me despistava computando uma nova catástrofe
ao noroeste de uma melancolia metafórica 
eu mentia e lambia minhas patas
como um felino rajado qu'eu era
e tu nem a esguelha do olhar partilhava
aqui e agora tu és a fosforescência em pessoa
e já não há matinês que sirvam de alicerce a este no entanto
e mesmo assim
continuamos a ler estes versículos
como se fosse palatável desvendar uma nova aurora.